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Morte e ‘favelização’ de abelhas preocupam produtores gaúchos

Após a perda de 250 mil colmeias em 2015, setor se mobiliza por recuperação e prevenção de novas mortes; agrotóxicos e mudanças climáticas são as causas

Depois de testemunharem a morte de 250 mil colmeias no Rio Grande do Sul há dois anos, os apicultores gaúchos agora buscam alternativas para evitar o desaparecimento de abelhas e recuperar os danos na produção de mel. Cada colmeia perdida representa um prejuízo de R$ 400, segundo Aldo Machado, presidente da Federação Apícola do Rio Grande do Sul (Fargs).

Mudanças climáticas drásticas, como seca e excesso de chuvas, são causas conhecidas da mortandade dos insetos, relataram produtores ouvidos pela reportagem. Porém, não é apenas o clima que tem destruído as abelhas. O uso indiscriminado de agrotóxico, muitas vezes em desacordo com as orientações do fabricante, tem colaborado para a morte das colmeias.

“Nem toda morte de abelha é culpa do agrotóxico, mas um percentual muito alto está ligado aos pesticidas”, explica Nadilson Ferreira, coordenador técnico da Câmara Setorial de Apicultura e Meliponicultura da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi). Ferreira pesquisou o processo de polinização no seu doutorado em zootecnia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e destaca que o Brasil é líder mundial em uso de agrotóxicos. A venda desse tipo de produto aumentou 155% em dez anos no país, de 2002 a 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As abelhas, explica Ferreira, são essenciais não apenas para a produção de mel, mas para a polinização de culturas de alimentos como maçã, laranja e até a soja. Por isso, a morte por agrotóxicos deixa de preocupar apenas apicultores e meliponicultores para ganhar atenção de toda a cadeia de produção de alimentos.

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de mel do Brasil. São de cerca de 40 mil produtores no estado. Eles controlam 500 mil colmeias – cada uma delas pode ter de 60 mil a 100 mil abelhas trabalhando, segundo Machado.

‘Favelização’

Ferreira explica que as abelhas são um indicador ambiental. Se as abelhas estão morrendo, é porque o meio ambiente está desequilibrado. Com a degradação do ambiente rural por causa dos agrotóxicos, muitas abelhas acabam migrando para a cidade. Ocorre o que Ferreira chama de “favelização” desses insetos.

“Elas costumam usar buracos de árvores para se proteger. Na cidade, encontram frestas de parede, carros abandonados, poste de ferro. Elas vão ocupando tudo que é buraquinho por aí”, explica o técnico. “É como se fossem os bolsões de pobreza da periferia. Com as abelhas acontece a mesma coisa. Tem 30 mil delas em um buraco onde mal caberiam cinco mil”, exemplifica.

Recuperação

Se em 2015, quando a morte das abelhas foi drástica, o estado produziu duas toneladas de mel, a projeção da Fargs para 2017 é de dez toneladas. A melhora se deve à capacitação dada aos apicultores, especialmente sobre a nutrição das abelhas. A alimentação adequada colabora para torná-las mais resistentes.

A recuperação da produção também é reflexo das novas colmeias reconstruídas após a mortandade. Quando uma colmeia morre, cerca de dois anos são necessários para recuperá-la perfeitamente, de acordo com o presidente da Fargs. “Recuperei bastante abelha de novo. A expectativa é normalizar a produção neste ano”, conta Anselmo Kuhn, de 62 anos, que há quase quatro décadas trabalha com mel. Kuhn perdeu cem colmeias em 2015. “Além de não produzir naquele ano, existe perda da produção, que não tem, e da recuperação das abelhas para produzir de novo. O prejuízo é dobrado”, relata o produtor.

Para mapear os casos de mortandade e localizar os produtores, um projeto da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), em parceria com a Fargs, quer gerar dados mais precisos através de uma plataforma para cadastro. Muitos apicultores deixam de registrar os casos de mortes em massa de abelhas porque temem retaliações por parte dos fazendeiros que aplicam os agrotóxicos de forma inadequada.  Os agricultores permitem que apicultores instalem suas colmeias em áreas com floração para que elas se alimentem e assim possam produzir o mel que é posteriormente comercializado.

Para discutir essas questões, o Seminário Estadual de Apicultura e Meliponicultura irá reunir produtores e especialistas no município de São Gabriel (a 300 km de Porto Alegre), nos dias 10 e 12 de agosto. No evento, será lançada uma campanha contra a mortandade de abelhas, promovida pela Assembleia Legislativa.

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  1. Duas toneladas de mel – a produção do Rio Grande do Sul? Ha ha ha, duas toneladas eu produziria com 150 colméias (tenho apenas doze). Duas MIL toneladas, talvez? Erro de revisão…

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