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28/03/2012

às 20:14 \ Vasto Mundo

Eleições EUA: apoio de Bush pai a Romney indica o caminho da moderação aos republicanos

Romney (centro) em dezembro, visitando em sua casa em Houston, no Texas, o ex-presidente Bush (pai) e a ex-primeira-dama Barbara (Foto: theblaze.com)

O anúncio de que o ex-presidente George H. Bush (pai) apoiará o aspirante a candidato à Presidência Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, indica para onde deverão acorrer os republicanos moderados nas atuais eleições primárias.

Bush pai é um dos políticos vivos mais experientes, se não o mais, dos Estados Unidos. Conhece política do berço. Seu pai, Prescott Bush, foi senador pelo Estado de Connecticut. Ele foi deputado, embaixador na ONU, embaixador em Pequim, chefe da CIA, vice-presidente por oito anos sob Ronald Reagan e presidente de 1989 a 1993.

Entre outras coisas, durante sua Presidência formou a maior coalizão de países do pós-II Guerra Mundial para a Guerra do Golfo (agosto de 1990-fevereiro de 1991), expulsando do Kuwait as forças invasoras do Iraque de Saddam Hussein.

Homem afável e de boa convivência, é um expoente dos republicanos moderados — e não raro divergiu, sem deixar transparecer publicamente, de seu desastrado filho, o também presidente George W. Bush (2001-2009). Tem bom trânsito em diferentes setores e se tornou grande amigo do candidato que o derrotou nas urnas, o democrata Bill Clinton (1993-2001), junto com o qual patrocina diferentes causas.

Bush pai e Bill Clinton: antes adversários, hoje bons amigos (Foto: AP)

O velho Bush é suficientemente escolado para saber que, com um candidato radical, cavernícula como o principal rival de Romney, Rick Santorum, os republicanos não têm chance junto aos eleitores republicanos menos à direita e aos eleitores independentes.

O católico Santorum, como já escrevi anteriormente, com sua cara de bom moço, agarrado à bandeira americana e à Bíblia, e invariavelmente mostrando a mulher e os sete filhos ao final de cada uma das primárias que já disputou, abriga ideias próprias de séculos atrás.

Claro que ele é contra tudo o que está contido na agenda considerada “progressista” nos EUA — casamento entre pessoas do mesmo sexo, o direito das mulheres ao aborto (assegurado por decisão da Corte Suprema) etc etc.

Até aí tudo bem.

O perigo está em outras ideias. Santorum, por exemplo, tem reservas à completa separação entre igreja e Estado, uma das conquistas fundamentais da República americana e da Modernidade. Desconfia da Teoria da Evolução, de Darwin, para explicar a origem do homem. E, principalmente, chegou ao absurdo de “acusar” o presidente Barack Obama de querer ampliar as matriculas de jovens americanos no ensino superior porque as universidades, em sua opinião, são “usinas de doutrinação” que destroem a fé religiosa.

O apoio de Bush pai ao adversário de Santorum se somará ao que já lhe dava a ex-primeira-dama, Barbara Bush, que chegou a ajudar Romney nas primárias de Illinois, realizadas no dia 6 passado, e ao popular ex-governador da Flória Jeb Bush, filho do casal. O ex-presidente George W. Bush, diferentemente do resto da família, não se alinhou a ninguém na atual campanha.

 

Leia também:

Campanha dos republicanos recebe puxão de orelha da ex-primeira-dama Barbara Bush

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2 Comentários

  • Gilberto

    -

    29/3/2012 às 14:51

    Sobre o candidato Rick Santorum, algumas posições que ele adota, chamam a atenção:
    1 – Ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo (convenhamos, hoje em dia pode até ser comum, mas não é normal);
    2 – Ter o bom hábito de consultar as orientações que a Bíblia contém;
    3 – Desconfiar da Teoria da Evolução (mais uma vez, convenhamos, para crer nesta Teoria é necessário ter muita fé, mais até do que crer no Criacionismo. Afinal, a Teoria da Evolução não responde a perguntas inquietantes:
    como tudo começou?
    de onde viemos?
    para onde vamos?
    Por outro lado, ter reservas a completa separação entre Igreja e Estado, é no mínimo, um paradoxo.
    Enfim, eles que se entendam!!!

  • Reynaldo-BH

    -

    29/3/2012 às 1:38

    Sobre o Júnior. O W.Bush.
    Alguns apoios são tão indesejados que o silêncio ajuda mais que qualquer discurso.
    George “cadê as armas?” W. Bush lembra o Alfred E. Neuman (revista MAD).
    Sem a inteligência e o sarcasmo, resta uma cara de idiota, imortalizada na cena patética da surpresa ao ser avisado dos ataques de 9/11.
    Romney agradece a ausência de Bush filho.
    É aquela famosa ausência que preenche uma lacuna…

 

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