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01/05/2012

às 17:30 \ Vasto Mundo

A caçada do Rei na África será debatida no Congresso da Espanha. Para seu alívio, a história da princesa alemã não entrará em pauta. Mas…

O Rei da Espanha num encontro público com a princesa Corinna: perguntas embaraçosas (Foto: rp-online.de)

Passada esta “ponte” do feriadão na Espanha, o tempo vai ficar quente no Congresso de Deputados – e o Rei Juan Carlos I e sua infelicíssima expedição de caça a elefantes em Botswana, na África, estarão em pauta. Para alívio do Rei, porém, não será tocada a questão da presença, na viagem, da princesa alemã Corinna zu Sayn Wittgenstein, que, depois de uma hesitação da mídia, acabou vindo à tona com estardalhaço e causou tanto ou mais embaraço ao monarca do que a caçada em si.

(Como se sabe, Juan Carlos, durante sua estada em Botswana, fraturou o fêmur e precisou ser removido às pressas para receber uma prótese de quadril em Madri).

Ainda não há data certa para a sessão, mas a mesa do Congresso – que, ao lado do Senado, compõe as Cortes, o Legislativo espanhol – deu sinal verde para que partidos de oposição ao governo conservador do primeiro-ministro Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), o interpelem, com nada menos que 40 perguntas, a respeito da viagem do Rei.

O governo terá que responder ao Congresso (foto) 40 perguntas sobre a "viagem privada" do Rei Juan Carlos (Foto: EFE)

Com o silêncio do Partido Socialista, visivelmente preocupado com uma crise institucional num país que atravessa enorme turbulência econômica e social, três partidos de esquerda e o centrista União, Progresso e Democracia (UPyD) foram em frente. A vice-presidente do Congresso, Celia Villalobos (PP), disse que a Mesa Diretora aceitou todas as interpelações que têm a ver com a competência do governo em relação à Casa Real – o que fez ficar de fora uma dúzia de perguntas referentes à “intimidade” Rei ou de sua família, ou alheias a tarefas do governo .

Quatro perguntas vetadas, todas sobre a princesa

Pelo menos quatro das perguntas vetadas tinham a ver com o papel da princesa na história toda. Deputados da Esquerda Unida (IU) alegaram que a princesa foi apresentada como “representante do Rei” num encontro oficial com um príncipe saudita em 2007 e pretendiam perguntar ao governo:

A princesa: perguntas sobre ela, não (Foto: flick.ch)

1) “Quem nomeou a senhora Corinna representante de Sua Majestade?”

2) “Que papel desempenhou [ela] nos últimos anos nos investimentos espanhóis na Arábhia Saudita?”

3) “Que gestões realizou [a princesa] em nome do Monarca?”

4) “O governo conhece ou autorizou essas gestões?”

Seja como for, tenha ou não o Rei um romance com a princesa, como parece evidenciar a constante presença da princesa em regatas e em viagens de caça anteriores de Juan Carlos, os detalhes da viagem a Botswana que têm vindo à tona nos últimos dias são alarmantes do ponto de vista estritamente institucional.

O fato de que Rajoy só se inteirou da queda do Rei no bangalô em que ele se hospedava depois do ocorrido – na madrugada de quinta-feira, 12, para a sexta, 13 –, significa que o chefe do governo não sabia onde se encontrava, naquele momento, aquele que é, segundo a Constituição, o chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas.

Mais: o Rei, com amigos, incluindo a princesa, se deslocou para um remoto, embora confortável, acampamento de caça no Delta do Rio Okavango, em Botswana, acompanhado apenas por três agentes de segurança e um médico da Casa Real.

Quando o acidente ocorreu, o socorro estava a muitas horas de distância. O médico, cujo nome não foi divulgado, imobilizou a área lesionada, aplicou analgésicos no Rei, de 74 anos, e entrou em contato com o chefe da seção de Traumatologia da Clínica San José, de Madri, Ángel Villamor, que já havia operado Juan Carlos anteriormente.

 

O Rei ficou hospedado num bagalô deste tipo em Botswana, e foi onde sofreu a queda e a fratura (Foto: Johan Calitz Safaris)

Esquema precário e viagem de duas horas de jipe

Villamor recomendou sua imediata transferência para a Espanha, o que requereu uma difícil e complicada viagem de jipe de duas horas e dois voos longos e cansativos no jato particular do magnata hispano-saudita Mohamed Eyad Kayan, intermediador de negócios entre a Arábia Saudida e empresas espanholas.

Quer dizer, o chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas viajou com uma estrutura precária para suas responsabilidades – o que suporia, no mínimo, um helicóptero à sua disposição para emergências. Um esquema condigno foi deixado de lado por se tratar de viagem “particular” do Rei, a convite do magnata, o que, além de tudo, significa um evidente conflito de interesses para alguém na posição de Juan Carlos, até então de trajetória pública impecável.

Viagens poderão ser regulamentadas

Ou seja, mesmo estando a princesa fora do debate que ocorrerá entre os deputados, não faltarão perguntas embaraçosas para o governo responder – ou encaminhar à Casa Real.

O interessante de tudo isso, para o país, é que a Mesa do Congresso aceitou, por proposta da IU, debater uma proposição para se regular as viagens do Rei ao exterior.

Uma regulamentação geral do funcionamento da Casa Real, porém, a Constituição de 1978 remeteu para uma lei que até agora os parlamentares não se dispuseram a debater e aprovar.

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12 Comentários

  1. Verdade

    -

    03/05/2012 às 20:11

    Este rei não fez diferente de outros em quem acreditei, mostrou sua verdadeira face, a de um cruel matador, covarde, de um elefante infante, podemos dizer assim. Rei bandido, que manda bandido se calar mas não abaixa sua arma. Rei de araque. Rei de merda. Esse, assim como os outros, nos faz acordar do pesadelo de levar a sério esse monte de bosta que se arvora a nos governar. Por que não abaixas as armas, as calças, as vergonhas, rei canalha. És pior que os analfabetos que governam as nossas plagas. Esses pelo menos têm a desculpa da falta de berço.

  2. Marco

    -

    02/05/2012 às 10:43

    Não vejo motivo para o governo acobertar o rei. Deixem a oposição triturá-lo, ele fez por merecer. Se a desmoralização for muito grande, sempre existe a opção republicana.
    Não seria melhor para a Espanha (para o Brasil e muitos outros também) adotar um regime como o alemão? O presidente sujo deles, Christian Wulff, caiu por muito menos.

  3. Dina Marcoleti

    -

    02/05/2012 às 7:08

    Acho que caberia muito bem que se devolvesse ao Juan, a mesma interpelação do rei ao presidente venezuelano, parafraseada: POR QUE NO TE COMPORTAS?

  4. Valeria

    -

    02/05/2012 às 5:35

    Embora muitas pessoas ñ sabem, este senhor matou a seu próprio irmao com um tiro na cabeça quando tinha 18 anos(acidentalmente é o que dizem).Ñ sei como é capaz de manipular armas de fogo depois disso.

  5. Carioca da gema

    -

    01/05/2012 às 23:17

    Espero que tenhamos a mesma preocupação do governo espanhol e chamemos o governador do Rio para explicar suas lambadas em Paris.
    O povo de Petrópolis, Teresópolis e Friburgo agradeceriam que o resto do Brasil se empenhasse nisso.
    Que o governo da senhora Dilma Roussef se empenhasse nisso.`´E um povo pobre e sofrido que pede isso. Senhor Sergio Cabral pai, lembra se da música ” essa gente” Pois é…. Cante para o seu filho.

  6. carlos nascimento

    -

    01/05/2012 às 22:37

    Vejam as diferenças Institucionais, na Espanha o Soberano Rei será inquirido por ir caçar elefantes, por aqui os bandidos corruptos são blindados, apesar das evidências dos fatos, como o belo exemplo das farras parisienses.
    Pergunto….quando o povo brasileiro vai começar a ter respeito por si próprio, quando os “colarinhos encardidos” serão algemados ?

  7. Angelo Losguardi

    -

    01/05/2012 às 22:19

    O sujeito oculto do meu comentário é a IMPRENSA, só pra que tenha algum sentido o que eu falei rsrsrs

  8. Angelo Losguardi

    -

    01/05/2012 às 22:13

    Chega, Setti. Definitivamente homens públicos não tem direto a terem uma “vida privada”. Com esses pudores ridículos de não abordarem as orgias que alguns políticos fazem, sob a alegação de que é “vida privada”, muitos trastes tem tido uma longa sobrevida. E o estrago que fazem é enorme. Exemplo disso? O caso envolvendo o demônio sergio cabral e suas lambanças na França junto ao seu “amigo” empreiteiro. Quantas vezes cenas lamentáveis como essas não foram presenciadas por jornalistas que acharam que isso não deveria ter relevância? Um político tem que SER honesto E PARECER honesto. Tolerância zero com esses crápulas.

  9. Ado Cruz

    -

    01/05/2012 às 19:48

    Ele estava na Africa caçando elefantes? Só quebrou o femur? Que pena!

  10. Pedro Luiz Moreira Lima

    -

    01/05/2012 às 19:24

    Setti:
    O Congresso d Espnha não tocar no namoro do Rei esa certo,nõ evita porém as piadas,comentarios,aprovações ou desaprovações populares.
    Não queria era estar no lugar do Rei com a sua Rainha,concorda(interrogação)
    Abração
    Pedro Luiz

  11. Marco

    -

    01/05/2012 às 18:21

    Meu querido amigo Setti: hoje vou te fazer uma afetuosa critica, tu parece, se não me engano o Meiken, jornalista polêmico americano, ácido contra as celebridades, governo e etc… Se não me engano, Paulo Francis, era fã. Inclusive o Daniel, vai me perdoar, dava de relho no Bob Dylan, o melhor livro do Paulo é o 30 anos esta noite. O maior valor da sociedade americana é a liberdade de imprensa, todo mundo pode criticar e ninguém se se sente ofendido por isso, bem diferente do Brasil, caso da petrobrás e alguns politicos de esquerda. Mas onde tu entra nisso, pq lá a unica coisa q eles não perdoam é escândalo sexual, E aqui no Brasil é sempre relevado como motivo de piada. Rssss.
    Abs.

  12. Mari Labbate *44 Milhões*

    -

    01/05/2012 às 18:12

    Resultado ideal dos debates sobre a Casa Real Espanhola: FORA, IRRESPONSÁVEIS! Incrível a falta de discernimento dos cidadãos-escravos de Monarquias-Maquiadas. Revolução Francesa para todas as Nações perdidas em inúteis títulos de nobreza! TERRÍVEL: no Brasil, existem rei e rainha SEM título de nobreza, comandando 56 milhões de inconscientes vassalos. É DEMAIS… Século XXI, gente!

 

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