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voto proporcional

13/10/2012

às 16:30 \ Política & Cia

Caminha no Senado um projeto inteligente: o da introdução do voto distrital, por enquanto, nas eleições de vereadores

O senador Aloysio Nunes Ferreira: voto distrital para as câmaras municipais é "dose de experimentação democrática" (Foto: Agência Senado)

Amigas e amigos do blog, muito inteligente a proposta de introduzir o voto distrital nas eleições brasileiras pelos vereadores. Além de ser mais simples e fácil dividir as cidades — no caso, de 200 mil eleitores para cima — em distritos com aproximadamente o mesmo número de votantes, o autor do respectivo projeto, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), descobriu o óbvio: diferentemente do que ocorre com as eleições para o Senado, a Câmara dos Deputados e as Assembleias, a forma de votar em vereadores não está determinada pela Constituição.

Assim, o voto distrital pode ser introduzido por uma simples lei.

O distrital nos municípios acabaria com a deletéria dispersão de votos entre milhares de candidatos, de tal forma que, mesmo em cidades com eleitorado imenso, como São Paulo — 8,6 milhões de pessoas –, há vereadores eleitos com 30 mil votos.

As vantagens do voto distrital são inúmeras, começando pelo fato de que, candidatando-se por um determinado distrito, o político precisa conhecer as necessidades e anseios da região, e os eleitores, por sua vez, ficam próximos do eleito para fiscalizar sua atuação e fazer cobranças.

Sem contar que a campanha eleitoral, em vez de exigir que o candidato percorra toda a cidade, se restringe à região abrangida pelo distrito.

Para mim, adepto ferrenho do voto distrital, é incompreensível que os políticos, mesmo os mais novos e menos enferrujados pelo velho sistema, não se inclinem por ele — até por interesse próprio.

Da Agência Senado

Nas eleições municipais do domingo, 7, uma das tarefas dos eleitores foi escolher seus representantes nas câmaras municipais para os próximos quatro anos. Atualmente, os vereadores são eleitos pelo voto proporcional, mesmo sistema adotado para deputados federais, estaduais e distritais.

Proposta para mudar esse modelo está pronta para a pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ).

De autoria do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o Projeto de Lei do Senado 145/11 propõe substituir o voto proporcional pelo voto majoritário distrital nas eleições para as câmaras municipais nos municípios com mais de 200 mil eleitores.

Para viabilizar esse sistema, o projeto altera o Código Eleitoral (Lei 9.504/97) propondo a criação de “tantos distritos quantas vagas existam na Câmara Municipal”. Além disso, a proposta determina que cada partido poderá lançar apenas um candidato por distrito.

Ainda de acordo com o projeto, os distritos serão constituídos sob os princípios da contiguidade e igualdade do voto, e observados os termos de regulamento a ser expedido pelo Tribunal Superior Eleitoral. O texto propõe ainda limitar a 10% a diferença numérica de eleitores entre um e outro distrito.

Experimentação

A ideia do senador é de que a desse modelo sirva como experimentação para posterior adoção também no processo de escolha de deputados federais, distritais e estaduais.

“As eleições para vereador constituem uma excelente oportunidade para aplicar esse sistema. Se faz necessária certa dose de experimentação democrática, para que a população brasileira viva a experiência de um sistema eleitoral diverso, para que adiante possa adotá-lo de modo permanente em outros pleitos legislativos”, argumenta.

Ao justificar a proposta, o senador explica que, diferentemente dos demais cargos legislativos, o sistema eleitoral adotado para o cargo de vereador não está inscrito na Constituição Federal, o que permite que seja alterado mediante lei ordinária.

O senador Pedro Taques deu parecer favorável

Pedro Taques: 'Um vereador pode defender bem os interesses da cidade ao defender a população do bairro em que reside (Foto: José Cruz / ABr)

Pedro Taques: "Um vereador pode defender bem os interesses da cidade ao defender a população do bairro em que reside" (Foto: José Cruz / ABr)

O relator na CCJ, senador Pedro Taques (PDT-MT), apresentou parecer pela aprovação da proposta, incluindo uma emenda que encarrega os tribunais regionais eleitorais da definição dos respectivos distritos.

“Se há uma eleição na qual a dispersão do voto do eleitor, característica do voto proporcional, não parece ser o modo mais adequado de representação da sociedade é precisamente o pleito municipal. Um vereador pode defender bem os  interesses  da  cidade  ao  defender  a população do bairro em que reside” acrescenta o senador pedetista.

Voto proporcional

São necessários dois cálculos para determinar de quem será a vaga nas assembleias municipais segundo as atuais regras de voto proporcional. O primeiro, o chamado quociente eleitoral, é determinado pela divisão do número de votos válidos (excluindo os brancos e nulos) apurados pelo número de cadeiras a que cada município tem direito na assembleia.

O segundo, o quociente partidário, é o resultado da divisão da soma dos votos válidos de cada partido político ou coligação pelo quociente eleitoral. O resultado indica o número de vagas que o partido ou coligação obteve. Só então as vagas são preenchidas pelos candidatos que alcançaram o maior número de votos dentro do partido ou coligação.

24/09/2011

às 14:00 \ Política & Cia

Post do Leitor: o voto distrital é um avanço, mas também tem seus problemas

Neste Post do Leitor, o engenheiro Sérgio Canella, residente no Rio de Janeiro — SergioD aqui no blog — defende a adoção do voto distrital mas mostra que também esse sistema pode apresentar distorções.

Este texto representa um retorno ao assunto do único Post do Leitor que enviei ao blog meses atrás. Mas me senti na obrigação de retornar ao tema da reforma política, uma vez que gostaria de compartilhar uma preocupação com o Ricardo Setti e com os amigos do blog.

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Post do leitor

Sou um defensor ardoroso da adoção de uma reforma política que racionalize a forma de se votar no Brasil. Cansei de ver no Congresso Nacional senadores sem votos e deputados eleitos por menos de 500 votos, arrastados pela eleição de puxadores de legenda que poderíamos chamar de exóticos.

Para resolver tais problemas no Senado Federal sugeri a obrigatoriedade da renúncia ao mandato no caso de o parlamentar querer assumir um Ministério ou Secretaria estadual, sua substituição pelo segundo colocado na eleição ou a realização de uma eleição suplementar, em caso de morte oi cassação de mandato. Para a Câmara dos Deputados, a sugestão que sempre advoguei, além da obrigatoriedade de renúncia ao mandato nos mesmos moldes descritos acima para senadores, foi a adoção do voto distrital.

Acho que essa ferramenta é a que confere maior credibilidade ao eleito, pois ele participaria de uma eleição majoritária dentro de seu distrito, além de ter um contato mais próximo com seu eleitorado e ser eleito com os seus próprios votos. Em democracias avançadas, como o Estados Unidos e Reino Unido, ele vem sendo utilizado com sucesso, apesar de existirem críticas ao fato de o sistema acabar estimulando o bipartidarismo.

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Voto distrital: maior credibilidade ao eleito (Ilustração: Negreiros)

No entanto, outra crítica que o instituto tem recebido me assustou quando me debrucei sobre ela com um pouco mais de interesse. Sempre ouvi dizer que com o voto distrital se poderiam formar maiorias parlamentares com menos da metade dos votos sufragados. Lendo as críticas rapidamente, ou de forma diagonal como dizem por aí, nunca dei muita atenção para esse fato. Mas nesse fim de semana decidi tirar a prova com a “poderosa” matemática (uma simples planilha Excel). Vamos fazer algumas contas. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

18/09/2011

às 19:30 \ Política & Cia

10 boas razões para o Brasil adotar o voto distrital

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Voto distrital: no plenário da Câmara, deputados que realmente representem o povo

Amigos, há muitos anos acompanho discussões sobre reforma política no Brasil e a matéria que vocês lerão em seguida, originalmente publicada na edição de VEJA do dia 7 deste mês, é sem dúvida um dos melhores e mais convincentes resumos do que já li a respeito das vantagens de se adotar, no Brasil, o voto distrital nas eleições para a Câmara dos Deputados. O texto é do editor Fábio Portela, com reportagem de Paula Lopes.

Sob o título original de “Eleições, como aumentar o peso do seu voto”, a matéria aponta 10 razões pelas quais o sistema distrital de votação é mais representativo, mais autêntico, menos sujeito a corrupção e melhor do que o atual sistema proporcional. Com pequenos cortes, o texto corresponde ao original. As ilustrações são de Negreiros.

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O voto distrital aproxima o eleitor do seu representante no Congresso, melhora a fiscalização sobre os deputados e diminui a corrupção.

Aqui, todos os dez motivos para apoiar essa ideia

O modelo brasileiro de votação para a Câmara dos Deputados faz duas vítimas a cada pleito: a lógica e o eleitor.

A lógica, porque regras obtusas permitem, por exemplo, que votos dados a um candidato sejam usados para eleger outro. O eleitor, porque a ineficiência do processo faz com que, semanas depois de ir às urnas, ele mal lembre em quem votou (o que joga por terra o propósito essencial da eleição: selecionar representantes dos cidadãos no Congresso).

A fim de corrigir essas distorções, um grupo de empresários e estudantes de São Paulo está propondo a adoção do voto distrital no Brasil. O modelo parte da divisão do país em distritos (no caso do Brasil, 513 — o mesmo número de cadeiras na Câmara), que elegeriam, cada um, o seu representante. Com base num estudo coordenado pelo estatístico Orjan Olsen, um dos maiores especialistas em opinião pública do país, os organizadores do movimento “Eu voto distrital” prepararam uma série de simulações que mostram como seria o Brasil sob esse novo modelo de votação.

Uma delas revela que, se o sistema já estivesse em vigor na eleição de 2010, o partido que mais perderia com ele seria o PT — o que explica o fato de a sigla ser desde já a inimiga número 1 da proposta, como deixou claro o seu projeto de reforma apresentado no final do mês passado pelo deputado Henrique Fontana (RS), uma empulhação que cria a estrovenga chamada “proporcional misto”.

Essa barbaridade saída da cabeça de José Dirceu, o poderoso chefão, equivale a afastar ainda mais o cidadão das decisões políticas. O voto distrital é uma alternativa para romper o ciclo vicioso da política brasileira, que tem início num sistema anacrônico, passa pela apatia do eleitor em relação ao Congresso e termina na perpetuação da incompetência e da corrupção. (…)

1. Escolher fica mais fácil

Na eleição para deputado federal, analisar o perfil de cada um dos candidatos que se apresentam é uma missão quase impossível. Em São Paulo,voto-distrital-1-escolha na última eleição, havia 1 131 nomes concorrendo a uma vaga na Câmara [a representação paulista na Câmara é de setenta deputados]. Se um eleitor dedicasse uma hora para estudar o currículo de cada candidato, precisaria de 47 dias ininterruptos para concluir a análise. A miríade de políticos que surge na TV pedindo votos com a velocidade de disparos de metralhadora mais confunde do que esclarece.

No sistema de voto distrital, esse problema desaparece, já que cada partido pode apresentar apenas um candidato por distrito. Ou seja: na pior das hipóteses, o eleitor terá de comparar as propostas de 27 concorrentes – o número de legendas registradas hoje no Brasil. A tendência, no entanto, é que o número de candidatos competitivos seja ainda menor, equivalente ao de candidatos a prefeito. Com um horizonte de escolhas mais restrito, fica mais fácil para o eleitor tomar uma decisão bem pensada.

2. Quem elege fiscaliza

voto-distrital-2-fiscalizaNo ano passado, uma pesquisa encomendada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostrou que, um mês depois da eleição, 22% dos brasileiros não faziam ideia do nome do candidato em que haviam votado para deputado federal.

É um ciclo vicioso: o eleitor não se sente representado por nenhum parlamentar, por isso se esquece do nome dos políticos e, assim, abre mão do direito de fiscalizá-los.

No sistema distrital, essa situação muda radicalmente, já que cada distrito passa a ter apenas um representante. Lembrar seu nome poderá ser tão automático quanto lembrar quem é o prefeito da cidade. Com isso, a fiscalização popular sobre os parlamentares começará, enfim, a funcionar. Cada deputado terá sobre ele os olhos de todo um distrito. O que ele fizer em Brasília terá grande repercussão em sua base – para o bem ou para o mal.

“Com o voto distrital, os eleitores se sentem mais motivados para acompanhar a atuação do seu parlamentar, cobrar as suas promessas e pressioná-lo. O modelo reforça a percepção dos eleitores de que estão sendo de fato representados. Na democracia, isso não é pouca coisa”, diz o cientista político José Álvaro Moisés, da Universidade de São Paulo. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

16/06/2011

às 17:32 \ Política & Cia

Vídeo: senador Aloysio Nunes defende uma boa ideia, o voto distrital para vereadores

Amigos, se o voto proporcional traz distorções absurdas nas eleições para deputado federal e estadual — como o célebre caso do palhaço Tiririca (PR) em São Paulo, cujos 1,3 milhão de votos no ano passado elegeram mais 3 deputados, alguns de outros partidos coligados ao dele –, pior ainda é a situação no caso dos vereadores.

Numa cidade gigantesca como São Paulo, com mais de 11 milhões de habitantes, a dispersão de votos entre um enorme número de candidatos e o fenômeno dos “puxadores de voto” inerente ao sistema proporcional faz chegar à Câmara Municipal vereadores com votações ridículas — 20, 30 mil votos. O mesmo se dá em cidades enormes como o Rio de Janeiro, e em outras de grande porte, como Salvador ou Belo Horizonte.

O voto distrital, tão defendido por tantos e tão combatido por outros nas eleições para deputados, sem que se chegue a uma decisão, seria uma solução muito interessante para as cidades. No caso de São Paulo, que tem 55 vereadores, a cidade seria dividida em 55 distritos, com número aproximadamente igual de eleitores cada um. Em cada distrito, seria eleito o candidato mais votado — podendo até se pensar num segundo turno, para que realmente o vencedor seja dotado de representatividade.

As vantagens são inúmeras, no caso municipal: os vereadores seriam conhecidos pela comunidade, e próximos dela, que poderia manter sobre o eleito uma atitude de permanente cobrança. Por sua vez, os eleitos estariam enfronhados nos problemas da população e do eleitorado que representam, muito mais do que os atuais vereadores, que recebem votos espalhados por toda a cidade.

Além do mais, as campanhas eleitorais, por estarem restritas a um território menor, se tornariam muito mais baratas.

A ideia vem tomando corpo entre os especialistas, e, no Senado, há pelo menos um senador de porte que defende a instituição do voto distrital nas cidades, mesmo que o sistema para elas seja distinto do que vigora para os Estados. Trata-se do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), para o qual a medida, com as vantagens que tem, não se chocaria com a Constituição.

Assista a trecho de seu discurso na tribuna do Senado sobre o tema:

 

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