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vergonha

19/02/2013

às 13:59 \ Política & Cia

Yoani Sánchez e os “protestos” dos fascistoides: vergonha, vergonha, vergonha

Protestos contra a blogueira cubana no Recife: gente que tem ódio à liberdade (Foto: Edmar Melo / EFE)

Amigas e amigos do blog, como brasileiro livre sinto uma enorme vergonha diante das “manifestações” promovidas por tropas de choque pertencentes a partidos como o PT e partidecos que nada representam da sociedade brasileira, como o PC do B, contra a blogueira cubana Yoani Sánchez, ora em visita ao país.

Por que se manifestam?

Porque Yoani já esteve num cárcere podre em Cuba?

Porque já foi torturada?

Porque teve duas dezenas de pedidos de autorização para viajar ao exterior negados pela ditadura dos irmãos Castro?

Porque sofre restrições, ameaças e humilhações na ilha-prisão?

Não, amigas e amigos.

Porque ela ousou criar e manter um blog, com enormes dificuldades pessoais, políticas e logísticas, onde simplesmente narra como é a vida em Cuba — o paraíso socialista em que falta quase tudo, em que se passa fome, em que não existem direitos civis, em que ser crítico do regime significa risco de cadeia ou, em alguns casos, até de vida…

Em qualquer país em que a liberdade de pensamento e expressão seja realmente um valor entranhado e uma “cláusula pétrea”, como diria a Constituição, Yoani seria saudada e festejada.

Aqui, vem sendo vilipendiada, xingada, ameaçada — se pudessem, a agridiriam até fisicamente — e precisa de escoltas para circular.

Essa gente que odeia a liberdade e se manifesta por convicção (alguns) e por aluguel (muitos) é minoritária, mas passa ao mundo a impressão de que o Brasil, como um todo, está mais do lado dos tiranos decrépitos que mandam em Cuba do que perfilado com os cubanos livres.

São fascistoides mercenários que comprometem o Brasil diante de países civilizados.

Ante a gritaria truculenta desses gorilas, temos o silêncio vergonhoso do governo.

Tão vergonhoso quanto esse silêncio é o afeto especial que o lulopetismo reserva aos déspotas do Caribe.

Vergonha, vergonha, vergonha.

Já forneci o link, mas, para quem não percebeu, vejam como Yoani, com a serenidade habitual, está escrevendo sobre sua experiência no Brasil aqui.

25/01/2012

às 13:55 \ Política & Cia

Roberto Pompeu de Toledo: Lord Jim e o capitão Schettino

Imperdível este artigo de Roberto Pompeu de Toledo publicado em VEJA desta semana, a propósito do naufrágio do navio de cruzeiro italiano Costa Concordia. O título original está em negrito, abaixo.

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Roberto Pompeu de Toledo: Lord Jim

Roberto Pompeu de ToledoEta mundo cruel. Sucede às vezes que uma decisão tomada em um segundo, não mais que um miserável segundo, ou menos ainda — um átimo de segundo —, determina o rumo de toda uma existência.

Foi o que ocorreu com Jim, simplesmente Jim como ele se apresentava, com vergonha de ser reconhecido caso declinasse o nome por inteiro.

Jim é o marinheiro protagonista de Lord Jim, famoso romance de Joseph Conrad, publicado pela primeira vez em capítulos entre 1899 e 1900. A história ocorre nos dias de glória do Império Britânico, quando o sol nunca se punha sobre os domínios da rainha Vitória e avançar pelos mares, em busca de aventura, liberdade, prazeres e heroísmo, era o desiderato de muitos jovens. Assim era para Jim. Seduzia-o em especial, entre os citados, o item “heroísmo”.

 

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O transatlântico Costa Concordia levava 4.229 pessoas a bordo: e a vida imita a arte (Reuters)

E lá foi ele, escolhendo como local preferencial de suas errâncias marítimas os confins do Sudeste Asiático. Um dia, emprega-se num dos portos da região como imediato do Patna, vapor já castigado pelo uso, fretado para levar uma turba de muçulmanos ao hajj, a peregrinação anual a Meca. No meio da viagem, o navio começa a fazer água. Oitocentas pessoas amontoam-se a bordo. Só a tripulação se dá conta do que ocorre. O capitão, um holandês, e três outros tripulantes põem-se sorrateiramente à tarefa de soltar os parafusos e as correntes de um dos poucos botes salva-vidas disponíveis.

Jim os observa de longe. Já adivinha o que os move e encara-os com escárnio. Está difícil desamarrar o bote, e os colegas pedem sua ajuda. Ele se nega a atendê-los. Enfim o bote se solta e os quatro apressam-se em acomodar-se nele. “Pula, pula”, gritam, lá de baixo. Jim não quer pular. E os outros? E os oitocentos passageiros? A solidariedade, a compaixão, a coragem, o dever e a honra, valores que prezava acima de tudo, impedem-no de fazê-lo. “Pula, pula, que o navio afundará em pouco tempo.” Dá-se então aquele segundo fatídico, ou átimo de segundo, em que é agora ou nunca. Ele pula.

Jim foi condenado por abandono do navio e perde a licença para navegar.

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