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04/02/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Como Dilma combate a inflação, segundo Cesar Maia. Cada vez mais perto de Cristina Kirchner, diz o ex-prefeito

Cristina Kirchner com Dilma: para Cesar Maia, a presidente do Brasil começa a imitar a colega argentina na economia (Foto: alsurinforma.com)

Não é de hoje, mas, por ser saborosa e ter boa parte de verdade, vale publicar a sacada do três vezes prefeito do Rio e atual vereador Cesar Maia (DEM), em seu “ex-blog”:

POLÍTICA ANTI-INFLACIONÁRIA DE DILMA!

1. Telefona para prefeitos e governadores e pede para segurarem o reajuste anual das tarifas de ônibus, metrô e trens.

2. Liga para o Banco Central e manda comprar uns bilhões para derrubar o dólar e, com isso, baratear as importações.

3. Vai à TV e manda baixar a conta de luz.

4. Passa um e-mail para a presidente da Petrobras e manda aguentar o prejuízo mais um pouquinho e segurar o preço dos combustíveis.

5. Pede ao presidente do Banco Central para não elevar o juro básico mesmo com a inflação passando de 6,5%.

6. As medidas anti-inflacionárias de Dilma seguem rigorosamente a receita da equipe de Cristina Kirchner. Uma exceção: ainda não houve a intervenção no IBGE como foi feita no INDEC argentino [a presidente trocou técnicos do equivalente ao IBGE argentino por militantes kirchneristas e o instituto, que mascara a inflação, perdeu credibilidade a ponto de nem os organismos financeiros internacionais nem publicações respeitáveis como a revista britânica The Economist utilizarem seus dados.]

28/12/2012

às 17:00 \ Tema Livre

Chico Anysio, talento puro, gênio, morreu mesmo foi de amargura — e não era o caso

Chico Anysio: um gênio que se achava esquecido, mas que é inesquecível (Foto: Oscar Cabral)

Publicado originalmente em 23 de março de 2012.

Não posso dizer que conheci o Chico Anysio, morto hoje no Rio, aos 80 anos. Até porque minha área de atuação no jornalismo não incluiu incursões importantes na seara das artes e espetáculos.

Mas, na trajetória de jornalistas com longas carreiras, é difícil não topar com celebridades, de uma forma ou de outra. Certa vez, já há alguns bons anos, numa viagem profissional, coube-me sentar-me a seu lado durante um voo São Paulo-Buenos Aires.

E conversamos durante as quase três horas de duração da viagem.

Chico Anysio, sem qualquer surpresa para mim, exalava uma grande, avassaladora frustração.

Ganhava muito bem, tinha uma vida magnífica, havia se casado com várias mulheres espetaculares, que lhe deram uma penca de filhos, que ele adorava. Entretanto, se sentia desvalorizado pela Globo, onde trabalhava há décadas, achava que o novo humor feito pela emissora e por outros profissionais pouco levavam em conta seu enorme legado – e por aí vai. Eu já sabia mais ou menos como ele se sentia por haver lido várias de suas entrevistas.

Agora, que o grande humorista morreu, tudo o que li a seu respeito e o que ouvi dele naquela viagem me fez concluir que Chico, que enfrentou com bravura problemas sérios de saúde e sofreu um calvário de entra-e-sai de hospitais e UTIs nos últimos tempos, morreu mesmo é de amargura.

Ele podia ter suas razões, claro. Inclusive sobre a patrulha implacável que sofreu por ter-se casado, a certa altura da vida, com a ex-ministra da Economia de Collor, Zélia Cardoso de Mello.

O que me entristece é que não parecia lembrar-se mais do quanto foi respeitado por colegas, por críticos, pelo público – e, sobretudo, amado pelas multidões de brasileiros que divertiram na TV e em seus impagáveis shows.

Chico era brilhante. Escrevia roteiros brilhantes, sozinho ou com colaboradores. Sempre foi um vulcão de ideias e de criatividade – ninguém inventa mais de duzentos personagens marcantes sem ser um gênio.

Era um grande comediante e, para quem não sabe, também um grande ator no sentido amplo da palavra. Tinha um domínio de palco como poucos showmen de qualquer parte do mundo. Publicou livros divertidíssimos, que se tornaram best-sellers.

Ele se achava esquecido, mas se enganou, até porque, na TV, no cinema ou nos palcos, é inesquecível.

Morreu de amargura, e não precisava — nem merecia.

 

31/10/2012

às 18:00 \ Tema Livre

Separados no nascimento: Lula e Zé Trindade, o falecido rei das comédias da Atlântida

Lula e Zé Trindade

Lula e o falecido comediante Zé Trindade: se parecem ou não?

Os brasileiros mais jovens não o conhecem, mas ele foi um enorme sucesso no Brasil durante três décadas, até pouco antes de morrer, em 1990, aos 75 anos.

Fazendo sempre um tipo que misturava malandro, malicioso e mulherengo, o comediante Zé Trindade foi um dos reis das “chanchadas” brasileiras — os filmes músico-humorístico-românticos da velha companhia cinematográfica Atlântida –, e um astro de rádio, cinema (40 filmes), teatro e TV de grande popularidade.

Com seu novo visual, de bigode e sem barba, o ex-presidente Lula parece ter sido separado de Zé Trindade no nascimento. Só que Lula é de Pernambuco, e Zé Trindade, ou Milton da Silva Bittencourt, era da Bahia.

10/08/2012

às 18:00 \ Tema Livre

OLIMPÍADAS: Em fotos, mais cheerleaders — as belas animadoras de torcida — que a TV insiste em não mostrar

Cheerleaders na praia (Foto: Getty Images)

(Foto: Getty Images)

Amigas e amigos do blog, já mencionei antes num post que, por alguma razão que não é explicada, a geração de imagens das Olimpíadas de Londres sob responsabilidade do Comitê Olímpico Internacional nunca mostra aquela que é, sem dúvida, uma das atrações do público nos Jogos: as cheerleaders, ou animadoras de torcida, que se apresentam antes e nos intervalos de várias disputas.

Assim sendo, trago novas fotos das graciosas de Londres que a TV esconde, todas do vôlei de praia.

cheerleaders-londres-12

(Foto: Daniel Garcia / AFP)

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A cheerleader performs during the men's beach volleyball round of 16 match between Seba Chevallier and Sascha Heyer from Switzerland against Poland's Grzegorz Fijalek and Mariusz Prudel on The Centre Court Stadium in Horse Guards Parade in London on August 3, 2012, for the London 2012 Olympic Games. Poland won 2-0. (Foto: Daniel Garcia / AFP)

(Foto: Daniel Garcia / AFP)

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Cheerleaders perform during the women beach volleyball round of 16 match between Germany's Laura Ludwig and Sara Goller against compatriots Katrin Holtwick and Ilka Semmler on The Centre Court Stadium in Horse Guards Parade in London on August 3, 2012, for the London 2012 Olympic Games. Ludwig and Goller won 2-0.

(Foto: Daniel Garcia / AFP)

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A cheerleader performs during the women beach volleyball round of 16 match between Germany's Laura Ludwig and Sara Goller against compatriots Katrin Holtwick and Ilka Semmler on The Centre Court Stadium in Horse Guards Parade in London on August 3, 2012, for the London 2012 Olympic Games. Ludwig and Goller won 2-0 (Foto: Daniel Garcia / AFP)

(Foto: calgaryherald.com)

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A cheerleader performs during the men's Beach Volleyball preliminary phase Pool C match Russia’s Konstantin Semenov and Sergey Prokopyev against China's Xu Linyin and Wu Penggen on The Centre Court Stadium in Horse Guards Parade on London on August 1, 2012, for the London 2012 Olympic Games. Russia won 2-1 (Foto: Daniel Garcia / AFP)

(Foto: AP)

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A cheerleader performs during the men's Beach Volleyball preliminary phase Pool A match Brazil's Emanuel Rego and Alison Cerutti against Italy's Paolo Nicola and Nicolai Lupo on the Centre Court Stadium in Horse Guards Parade in London on August 2, 2012, for the London 2012 Olympic Games. Brazil won 2-0 (Foto: Daniel Garcia / AFP)

(Foto: thickaccent.com)

 

06/08/2012

às 18:32 \ Tema Livre

Fotos: nas Olimpíadas de Londres, a TV esconde as lindas animadoras de torcida que estão em vários esportes. Veja algumas delas

As animadoras de torcida ucranianas Red Foxes: mais de mil solicitações por ano para se apresentarem (Foto: redfoxes.com)

Parece moralismo — e pode ser, já que as imagens de TV geradas pelo Comitê Olímpico Internacional vão para todos os países do mundo, inclusive para os governados por ultraconservadores regimes islâmicos. O fato é que a TV, desde que começaram os Jogos de Londres, simplesmente não mostra as supergatas que animam a torcida — as cheerleaders — em vários esportes.

Ter cheerleaders em vários esportes, esquentando a torcida antes das competições e nos intervalos — quem diria — foi algo introduzido nos Jogos pelo regime comunista mais capitalista do mundo, mas não por isso menos sisudo, o da China, cuja capital, Pequim, sediou as Olimpíadas de 2008.

Cheerleaders perform during the half-time break of the Men's Preliminary Round Group A basketball match Argentina vs Lithuania at the London 2012 Olympic Games , on July 29, 2012 in London (Foto: Timothy A. Clary / AFP)

Ninguém sabe direito a razãao, mas o fato é que a TV não mostra as garotas que se apresentam antes e nos intervalos das competições (Foto: Timothy A. Clary / AFP)

Dentre os muitos grupos contratados pelos organizadores dos Jogos de Londres, destacam-se as Red Foxes, da Ucrânia, que não dão conta dos compromissos para os quais são requisitadas — competições esportivas, shows, eventos de todo tipo. -De mDe

Cheerleaders perform during the half-time break of the Men's Preliminary Round Group A basketball match Argentina vs Lithuania at the London 2012 Olympic Games , on July 29, 2012 in London (Foto: Timothy A. Clary / AFP)

As Red Foxes da Ucrânia, animadoras de torcida mais frequentes em Londres (Foto: Timothy A. Clary / AFP)

Segundo a fundadora das Red Foxes, a ex-estudante de Finanças da Universidade de Kiev Elena Rozkova, são cerca de mil convites por ano.-

Cheerleaders em Londres (Foto: News.cn)

As Red Foxes são um dos grupos de animadoras mais conhecidos: recebem mais de mil convites por ano para trabalhar em eventos (Foto: news.cn)

Embora nem todas as integrantes do grupo atendam ao requisito, muito importante para se tornar uma Red Fox é ser loura. “Acho que assim fica muito estético nas quadras”, diz Elena, referindo-se ao fato de que a maioria das apresentações do grupo se dá em eventos de basquete, vôlei e handebol.

Cheerleaders em Londres

No grupo, ser loura é requisito importante

Todas as garotas têm outra característica: antes de integrar o grupo, foram atletas de ginástica artística. Em seus ensaios, fazem muita dança. “Mesclamos esportes, beleza, ginástica e dança”, diz Elena.

Cheerleaders em Londres

Outro requisito importante: saber ginástica artística (Foto: news.cn)

 

Cheerleaders perform during the Women's preliminary round group B basketball match of the London 2012 Olympic Games Russia vs Brazil on July 30, 2012 at the basketball arena in London (Foto:  Flare.pk)

Animadoras de vários grupos são competentes em ginástica e em acrobacia (Foto: flare.pk)

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Cheerleaders em Londres (Foto: Reuters)

Cheerleader faz acrobacia diante do Palácio de Buckingham (Foto: Reuters)

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Cheerleaders em Londres (Foto: Reuters)

Outro grupo esperando a hora de entrar em cena numa disputa de vôlei de praia (Foto: Reuters)

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Cheerleaders perform during the women's beach volleyball preliminary phase Pool B match China's Zhang Xi and Xue Chen against Switzerland's Simone Kuhn and Nadine Zumkher on The Centre Court Stadium at Horse Guards Parade in London on July 30, 2012, during the London 2012 Olympic Games (Foto: Daniel Garcia / AFP)

O vôlei de praia, tanto masculino como feminino, é a modalidade que tem mais grupos de animadoras (Foto: Daniel Garcia / AFP)

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A cheerleader performs during the men's beach volleyball preliminary phase pool F match between Brazil's Pedro Cunha and Ricardo Santos against Britain's Steve Grotowski and John Garcia-Thompson on The Centre Court Stadium in Horse Guards Parade on London on July 30, 2012, for the London 2012 Olympic Games (Foto: Daniel Garcia / AFP)

Louras, morenas, orientais, negras, mulatas: há garotas para todos os gostos entre os muitos grupos de cheerleaders (Foto: Daniel Garcia / AFP)

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Cheerleaders perform during the Men's preliminary round group A basketball match of the London 2012 Olympic Games France vs Argentina on July 31, 2012 at the basketball arena in London. France won 71 to 64. (Foto: Timothy A. Clary / AFP / Getty Images)

As animadoras se apresentaram pela primeira vez aos Jogos -- quem diria -- sob o sisudo regime da China, nas Olimpíadas de 2008 em Pequim (Foto: Timothy A. Clary / AFP / Getty Images)

17/10/2011

às 19:39 \ Política & Cia

Ministros do STJ têm direito a não querer transmissão ao vivo dos julgamentos

plenário-STJ-OAB

O plenário do STJ em reunião (Foto: Eugenio Novaes / OAB)

Informa a Agência Brasil (leia aqui) que a transmissão ao vivo dos trabalhos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda é um tabu entre os seus ministros.

Mesmo tendo, como o Supremo Tribunal Federal faz na TV Justiça, plenas condições técnicas de captar e reemitir imagens de julgamentos e outros procedimentos em tempo real – possui um aparato de 42 câmeras e 20 funcionários – a Corte, ao contrário do STF (que aderiu à prática em 2003), por enquanto só divulga a íntegra das deliberações e discussões em sua rede interna.

Incompreensões e a humana vaidade

Pessoalmente, acho positiva a retransmissão de julgamentos. Mas a maioria dos 31 membros do STJ não quer se expor, e há que se respeitar sua decisão.

A retransmissão das sessões do Supremo conferiu transparência à mais alta corte do país, mas trouxe, também, uma série de incompreensões. A complexidade da maioria dos casos faz com que grande parte dos telespectadores não entendam o que se passa e considerem, por exemplo, que os votos dos ministros são arrastados demais.

Ou que a corte perde tempo com detalhes. Da mesma forma, acaloradas discussões que ocorram, ainda que por razões técnicas — e que são normais em qualquer coletivo, inclusive no Judiciário — não raro são interpretadas como “bate-bocas”.

Finalmente, as luzes da ribalta afetam, sim, mesmo magistrados solenes, que, humanos, não são infensos à vaidade: gestos, posturas e frases que hoje ocorrem no Supremo não aconteciam, de forma alguma, antes da TV mostrar os julgamentos.

A publicidade dos julgamentos no STJ não é prejudicada pela falta de transmissão ao vivo. Os processos continuam públicos, as sessões da corte são abertas e as decisões são publicadas no Diário da Justiça.

10/11/2010

às 19:47 \ Política & Cia

O dia em que Sílvio Santos fez a imprensa de boba

Amigos do blog, apresento-lhes neste texto um dos melhores jornalistas que conheço: o bravo gaúcho Luiz Cláudio Cunha, que já enriqueceu redações e chefias em veículos como VEJA e o Estadão, e é autor de um esplêndido livro sobre um caso emblemático da nefanda “Operação Condor” — colaboração entre os órgãos de repressão das ditaudras que oprimiu o Cone Sul — que ele desvendou e cobriu quando chefiava a sucursal da revista em Porto Alegre, Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios (editora L&PM, 2008).

Sílvio Santos não poderá mais repetir o seu famoso bordão: “Quem quer dinheiro?”.

Abriu-se na sexta-feira o baú de infelicidades do mais famoso animador de auditório da TV brasileira, dono do SBT, a terceira maior rede do país no ranking de audiência, transmitida por 106 emissoras (15 próprias e 91 afiliadas).

O seu banco, o Panamericano, queria dinheiro, muito dinheiro, para cobrir o rombo de 2,5 bilhões de reais no seu balanço fraudado. O banco de SS repassava carteiras de créditos de suas operações para outros bancos, mas não contabilizava essa transferência no balanço, que justificaria hoje o bordão de Santos no programa Tentação: ”Vale dez reais?”

No melhor estilo Lula, Sílvio Santos apressou-se a declarar: “Eu não sabia de nada”.

A fraude do lucro inflado no banco do apresentador de Topa Tudo por Dinheiro representa 40% dos ativos do Panamericano, que somam R$ 6,5 bilhões, e passou batido por uma das mais respeitadas empresas de auditoria do mercado, a Deloitte.

A solução engenhosa para sair da enrascada estava embutida num dos bordões mais conhecidos de SS: “Vem pra cá, vem pra cá”.

Foi o que ele disse ao governo Lula, que foi lá para o SBT em apuros, já que tinha interesse no caso — a Caixa Econômica Federal adquiriu no ano passado 49% das ações do banco –, por meio do camarada FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, mantido pelos bancos mas sensível a apelos federais. Sobretudo quando o Banco Central recomenda que apóie determinadas operações.

O FGC, a quem SS ofereceu 44 empresas de seu grupo como garantia, disse que a recomendação de socorro feita pelo Banco Central tinha por objetivo evitar o “risco sistêmico” que poderia abalar a área financeira do país.

Quando o PT de Lula era oposição, essa desculpa do PSDB de FHC era motivo de zombaria para a inclemente confraria petista.

O sempre bem informado Guilherme Barros, colunista de economia do portal iG, informou que o BC, ao contrário de Lula e de Silvio Santos, sabia de “inconsistência contábil” no Panamericano há dois meses, ou seja, desde setembro.

Foi examente em setembro, uma quarta-feira, 22, dez dias antes do primeiro turno da eleição presidencial, que Sílvio Santos visitou Lula inesperadamente no Palácio do Planalto, causando o alvoroço previsível.

Naquele dia, o sorridente SS avisou que estava ali apenas para convidar o presidente para a abertura do Teleton, um programa que arrecada recursos para crianças e adolescentes com necessidades especiais. No embalo, ainda arrancou uma doação de R$ 12 mil de Lula.

Silvio atropelou a agenda presidencial, tirando do caminho uma reunião prevista para aquele horário justamente com Henrique Meirelles, o presidente camarada do BC que dois meses depois seria fiador do SOS para SS.

O que espanta, neste processo, é a inconsistência sistêmica da imprensa brasileira, que cobriu burocraticamente a surpreendente visita de SS ao Planalto: “Não venho aqui desde o governo Itamar Franco”, avisou ele, ou seja, fazia já 18 anos.

E os repórteres e editores engoliram, em seco, a explicação boboca sobre o Teleton. Se não fosse tão preguiçoso, habituado ao declaratório e ao oficialiesco, um jornalismo esperto poderia ter percebido ali as fagulhas do rolo do Panamericano que enfiou o FGC, o governo e Sílvio Santos no mesmo baú de desinformação e incertezas.

O desprezo de SS pela notícia já faz parte do folcore nacional. Na noite de 17 de julho de 2007, as maiores redes de TV do país interromperam a cobertura dos Jogos Panamericanos do Rio para mostrar as primeiras imagens fumegantes do Airbus da TAM que explodiu no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O SBT foi o último a informar sobre a tragédia.

Nem Bin Laden conseguiu desfazer o sorriso de plástico de SS. No 11 de setembro de 2001, o dia do maior ataque terrorista da história, que as TVs do mundo inteiro cobriram ao vivo para o mundo estarrecido, o SBT continuou, impávido, a transmitir sua programação normal, quebrada apenas por breves flashes de plantão nos horários comerciais.

Naquele dia, o SBT atingiu um dos menores índices de audiência de sua história.

Prova de que o povo, apesar de Sílvio Santos e alguns de nossos jornalistas, não é bobo.

13/10/2010

às 16:50 \ Bytes de Memória

O grande jornalista Castelinho e a cara de paisagem de Jânio Quadros

Avenida Paulista, na década de 80 (Foto: Irmo Celso)

Avenida Paulista, na década de 80 (Foto: Irmo Celso)

Maio de 1989. Manhã ensolarada, algo fria, mas bonita em São Paulo. Oito horas e pouco, eu entro na então moderna, grande – e, àquela altura, vazia – redação da sucursal paulista do infelizmente falecido Jornal do Brasil, no 15º andar de um também moderno edifício defronte ao prédio-pirâmide da Federação das Indústrias, na Avenida Paulista.

Eu era diretor do JB em São Paulo, naquele período esplêndido em que o jornal, sob a direção do jornalista Marcos Sá Corrêa e com uma equipe espetacular, estava no auge de seu prestígio. Tinha enorme prazer com o trabalho que a equipe paulista fazia e gostava de chegar cedo, se possível antes de todo mundo, para ler os jornais e tentar planejar o dia que teria pela frente.

DEDILHANDO A MÁQUINA DE ESCREVER – Entro, e só ouço o zzz do ar condicionado – mas, ao fundo, se fazia ouvir também um barulhinho de máquina de escrever:

– Plec, plec, plec…

O JB está prestes a se informatizar, mas sólidas, pesadonas Olivetti ainda são dedilhadas pelos jornalistas. No caso, dedos ilustres: trata-se de Carlos Castello Branco, o Castelinho.

Sim, o maior jornalista político do país, modelo de profissionalismo e ética, dotado além do mais de texto límpido, cristalino, irretocável, lá estava, quietinho, redigindo sua célebre e indispensável Coluna do Castello para o dia seguinte antes de ir para o aeroporto tomar o avião de volta a Brasília, onde vivia desde 1961.

O jornalista político Castelinho, em 1980 (Foto:  Salomon Cytrynowicz)
Cumprimento Castellinho, que eu conhecera na capital no início de minha carreira, mais de 20 anos antes, e a cuja figura pequena, com o narigão adunco tomando conta do rosto, dedicava desde então respeito reverencial.

Ofereço-lhe água e café, sugiro que ocupe minha sala. Castellinho, cuja grandeza era proporcional à simplicidade, diz que não, obrigado, já está terminando o texto.

PASSARIA DE TRATOR” — O texto é sobre o ex-presidente Jânio Quadros, de quem Castello fora secretário de Imprensa durante sua breve Presidência (janeiro-agosto de 1961) e a quem, na véspera, veio visitar.

Jânio insistiu – ou “ordenou”, conta Castellinho – que ele pernoitasse em sua casa, uma grande mansão de dois andares, dotada de piscina e altos muros, no bairro do Morumbi. E assim foi.

Conversam sobre a campanha presidencial, já esquentando as turbinas. Fernando Collor, governador de Alagoas, ainda não liderava as pesquisas de intenção de voto, mas vinha disparando nas preferências e subindo em alta velocidade, impulsionado por dois programas de TV de divulgação obrigatória de dois pequenos partidos políticos.

Jânio diz a Castello que sua saúde o impede de candidatar-se, hipótese em que, jacta-se, “passaria de trator” sobre os concorrentes. Não disputando a eleição, apóia o ex-vice-presidente Aureliano Chaves, candidato do PFL (hoje DEM), de nanicas intenções de voto.

A certa altura da conversa, inevitavelmente Castelinho menciona Collor, então já revestido da condição de grande estrela da campanha.

O ex-presidente, sempre um ator, com sua voz esganiçada e seu típico, personalíssimo sotaque, faz cara de paisagem e dispara a pergunta:

– E quem é este senhor?

 

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