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14/01/2013

às 14:00 \ Tema Livre

A Pelé o que é de Pelé: finalmente, um museu só para ele — o maior jogador de futebol da história. E confira aqui todos os números OFICIAIS de sua carreira

CASARÃO DO VALONGO A construção do século XIX, em Santos, abrigará o Museu Pelé, a um custo total de 23 milhões de reais pela reforma e 8,5 milhões pela instalação (Foto: Claudio Gatti)

UM MUSEU INTEIRO SÓ PARA O "REI" -- O Casarão do Valongo, construção do século XIX, em Santos, abrigará o Museu Pelé, a um custo total de 23 milhões de reais pela reforma e 8,5 milhões pela instalação (Foto: Claudio Gatti)

Publicado originalmente em 6 de maio de 2012.

(Reportagem do redator-chefe Fábio Altman publicada na edição impressa de VEJA)

 

A PELÉ O QUE É DE PELÉ

Levemente incomodado com a profusão de candidatos a rei que vagam por aí, ele mesmo encomendou um levantamento estatístico – o definitivo – em torno de seus títulos e gols. Será difícil mesmo alcançá-lo

“Até o Edson, que conhece o Pelé desde criança, ficou impressionado com os números.” A indefectível, já clássica e folclórica terceira pessoa do singular é usada pelo Rei do futebol para justificar o espanto com um levantamento estatístico encomendado por ele mesmo para acabar com a dúvida seminal (quem é o maior jogador da história?) – como se fosse necessário dirimi-la.

Pelé pediu a Rogério Lopes Zilli, o estudioso que o ajuda na montagem do acervo de um museu que abrigará sua coleção de peças pessoais, em Santos (SP), que enumerasse todos os títulos e gols de sua carreira.

É, a partir de agora, a contagem oficial, reunida a partir de súmulas, filmes, entrevistas e recortes de jornal. É Pelé por Pelé, em um levantamento entregue com exclusividade a VEJA.

São 61 títulos oficiais, aí incluídos o tri pela seleção e o bi mundial pelo Santos, além de 25 outros troféus em torneios no Brasil e no exterior.

São 1.282 gols – “nem 1 281, nem 1 283, como costuma aparecer”, ressalta – em 1.366 partidas oficiais. A média é de 0,93 gol por jogo. Para efeitos de comparação, Messi tinha até a semana passada 267 gols em 398 partidas (média de 0,67). Neymar, prestes a chegar ao centésimo gol santista, marcou 117 vezes em 204 jogos, contando os da seleção (média de 0,57). Maradona fez 311 gols em 587 partidas (média de 0,53).

 

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O ATLETA DO SÉCULO -- "O pessoal brinca porque pelo menos podiam ter posto uma roupinha na taça. Olha, não foi fácil levantá-la, não. Tem 23 quilos e quase 1 metro de altura. Quem me deu foi o jornal francês 'L'Équipe', que fez uma votação com gente do mundo inteiro. Fiquei na frente do Jesse Owens, do Paavo Nurmi e do Emil Zátopek - grandes atletas olímpicos -. Não é legal porque foi o Pelé, não. Ali era um brasileiro." (Pelé teve 178 votos. Owens, 169. Entre os futebolistas, o segundo foi Di Stéfano, com apenas 12 votos.)"

Diz Edson: “Pedi essa investigação, a primeira que realmente fiz, e a mais completa, para ver se param com essa história de sempre dizerem que nasceu um novo Pelé. O Maradona, o Messi e agora o Neymar são todos grandes jogadores, mas o que o Pelé fez não foi qualquer coisa”.

É curioso que ele próprio se preocupe em reunir números para demonstrar seu tamanho histórico. Na boca de qualquer outro atleta soaria arrogante – vindo dele é quase ingênuo, serve apenas para alimentar ainda mais a fogueira de discussões em torno da mais importante das coisas sem importância, o futebol.

Essa estatística, segundo Pelé, é a cereja a colorir o bolo do museu com 2.300 peças que será inaugurado em Santos, no fim do ano, no Casarão do Valongo, construção do século XIX, no centro da cidade, tombado pelo patrimônio histórico. A reforma custou 23 milhões de reais. A instalação da mostra exigirá outros 8,5 milhões.

“Não há, em todo o mundo, nenhum museu dedicado a um único esportista”, diz José Eduardo Moura, diretor do projeto. Serão fotos, camisas, bolas, taças e tudo quanto é tipo de lembrança, com destaque para a inseparável caixa de engraxate que Pelé diz ter usado quando tinha 15 anos, entregue de presente pela mãe – junto com os primeiros 400 réis amealhados ao lustrar sapatos alheios – quando o menino, já campeão do mundo, morava em Santos, chegado de Bauru.

Falta algo? “Sim”, diz Pelé. A devida homenagem ao pai, já falecido, por um recorde que o camisa 10 lamenta nunca ter conseguido bater. “O Dondinho fez cinco gols de cabeça em um único jogo, nos anos 40. O Pelé não passou de dois.” É marca que tira o sono de Edson – mas que não encolhe a súmula oficial de sua espetacular carreira, agora definitivamente compilada para quem quiser cotejá-la com a de outros que andam ganhando títulos e marcando muitos gols, sonhando um dia ser Pelé.

 

pelé taça

A RÉPLICA DA JULES RIMET -- "Essa ninguém tem, porque a da CBF foi roubada e derretida. A deles era de ouro bruto, a minha é só folheada. Mas o peso é o mesmo. Ganhei da FIFA e do governo mexicano logo depois da vitória contra a Itália, no tri. Nenhum outro jogador recebeu, não. Só o Pelé. Foi uma homenagem e tanto."

Pelé escolheu dois troféus de predileção na coleção de 2.300 itens que serão expostos em Santos a partir do fim do ano. Ele próprio explica a importância dos objetos – às vezes na primeira pessoa, muitas vezes na inseparável terceira pessoa, nas fotos acima.

A SÚMULA DEFINITIVA DO REI

TÍTULOS – 61 AO TODO

Títulos pelo Santos

 

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pelé títulos seleção

 

TODOS OS GOLS DO MAIOR ARTILHEIRO DA HISTÓRIA

gols DE PELÉ

 

20/03/2012

às 19:00 \ Tema Livre

Juca Kfouri: “Aos que não viram Pelé (e falam tanta bobagem sobre ele…)”

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Pelé comemora gol na Copa do México, em 1970 (Foto: Lemyr Martins) e Messi celebra mais um do Barça (Foto AP): falta muito para o craque argentino chegar perto do Rei

Amigos, incontestáveis os dados — e há muitos mais — apresentados por Juca Kfouri em seu blog, na segunda, 12, sobre a enorme supremacia de Pelé sobre Messi, que já muita gente contesta. (Eles precisariam pelo menos assistir ao DVD Pelé Eterno para opinar — e não fazer como o próprio Messi, que, conhecido pela modéstia pessoal, num momento de arroubo proferiu a seguinte e monumental bobagem: “Não vi Pelé jogar, mas para mim Maradona foi melhor”.

Leia o texto de Juca:
Quem pega Pelé?

Sim, Lionel Messi pode até ficar maior que Pelé. Mas terá uma longa caminhada pela frente.

PELÉ É AINDA incomparável.

Por mais que seja uma tendência quase invencível não há como comparar o extraordinário Lionel Messi, candidato a Atleta do Século XXI, com o Atleta do Século XX.

Basta dizer que, aos 24 anos, em sua oitava temporada, Pelé já havia marcado 675 gols, contra 252 do argentino com a mesma idade e o mesmo número de temporadas.

O Rei ganhara 21 títulos contra 19 do craque do Barcelona e havia marcado seis gols em duas Copas do Mundo, das quais saiu campeão, contra as mesmas duas de Messi, com apenas um gol e nenhum pódio.

Mas o que importa aqui é menos comparar aquilo que é coletivo. Porque, se o Barcelona de Messi já está no mesmo patamar do Santos de Pelé – e em matéria de títulos em clubes é bem possível que o hermano ultrapasse o Rei-, a seleção brasileira de 1958/62 era muito superior à argentina defendida pelo Pulga.

Veja, no entanto, que a diferença no número de gols é abissal. Pelé marcou 675 gols em 571 jogos, média de 1,18, contra 252 em 379, média de 0,66.

E que não se diga, por mentira histórica, que era mais fácil fazer gols nos tempos de Pelé e que mais fácil ainda era marcá-los no Campeonato Paulista, não só porque times como os da Ferroviária, do Guarani, da Ponte Preta, eram melhores que os atuais do Racing Santander, do Zaragoza, do Villarreal, como porque Pelé vivia fazendo gols nos campeões europeus nas estrepitosas excursões do Santos, assim como os fez na Copa do Mundo.

Basta dizer que, só no Benfica, nos dois jogos que decidiram o Mundial de Clubes de 1962, ele fez cinco dos oito gols praianos nas vitórias por 3 a 2, no Maracanã, e por 5 a 2, no Estádio da Luz. E que, três anos antes, fizera dois na goleada (5 a 1) sobre o Barcelona, campeão espanhol, no Camp Nou.

E que fique claro que nenhum saudosismo move tais constatações, até porque aqui se dá de barato que Messi poderá superar Pelé.

E que nem precisará ser mais campeão que ele para tanto, mas, apenas (?!!!) manter por mais 13 anos este pique admirável, além de crescer em sua já fabulosa eficácia.

No quesito títulos, Messi já deixou para trás Maradona, que não ganhou nada de importante até os 24 anos. E já quase empata com ele na média de gols, que é de 0,68, fruto de 182 gols em 264 jogos. Diego, como Garrincha, era mais espetacular.

Mas todos ainda são súditos do Rei.

*Texto publicado na coluna de hoje da “Folha de S.Paulo e excepcionalmente reproduzido aqui.

 

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