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23/09/2014

às 20:40 \ Tema Livre

UMA PAUSA EM ASSUNTOS ÁRIDOS: A Expedição Oriente, terceira volta ao mundo da família Schurmann em veleiro, partiu neste domingo de Itajaí (SC); a volta, só daqui a mais de dois anos

O veleiro Kat, ancorado em Itajaí, será o lar da família Schurmann pelos próximos dois anos (Foto: Tamara Fisch)

O veleiro “Kat”, ancorado em Itajaí (SC), será o lar da família Schurmann pelos próximos dois anos

Por Tamara Fisch

Em 1984, Vilfredo e Heloísa Schurmann decidiram abandonar a vida em terra firme e fazer do mar sua nova casa. Ele trabalhava como consultor financeiro para grandes empresas, e ela era professora de inglês. O casal partiu para a sua primeira volta ao mundo, numa expedição que durou dez anos, com seus três filhos, Pierre, então com 15 anos, David, de 10, e Wilhelm, de 7. Os Schurmann tornaram-se então a primeira família brasileira a dar a volta ao mundo a bordo de um veleiro.

Para ajudar a financiar a viagem, a família costumava oferecer passeios turísticos pelos lugares por onde passava.

Foi algo surpreendente para o Brasil. O casal criou seus filhos a bordo do Aysso, um veleiro de 55 pés (17 metros), que completou com os Schurmann duas voltas ao mundo. As crianças estudavam por correspondência enquanto percorriam uma rota de 120 mil quilômetros com os pais. Antes do final da expedição, Pierre desembarcou nos Estados Unidos para estudar e formou-se em administração, para depois trabalhar como corretor na empresa de investimentos Smith Barney. Seu irmão, David, ficou na Nova Zelândia para estudar cinema. Apenas Wilhelm passou os dez anos a bordo, e acabou se tornando campeão de windsurfe após a expedição.

Para a segunda volta ao mundo, em 1997, os Schurmann já garantiram fontes de renda mais estáveis. Foram feitos acordos com patrocinadores e criados empreendimentos familiares, como palestras e workshops, além de empresas como a Schurmann Produções Cinematográficas (responsável por projetos como o longa O Mundo em Duas Voltas, que conta a história de uma das expedições da família) e o Instituto Kat Schurmann, que mantém projetos educacionais. O casal também conta com a renda de quatro livros escritos e publicados por Heloísa. O que era apenas aventura profissionalizou-se.

Ao todo, foram quatro expedições completadas pela família. Após a primeira volta ao mundo, foi feita uma reconstituição da rota do navegador português Fernão de Magalhães, viagem que chamaram de Magalhães Global Adventure, na qual navegaram o globo pela segunda vez. Depois disso, quando foram completados 20 anos da partida da primeira expedição, a família decidiu comemorar velejando pela costa brasileira durante oito meses. Por fim, os Schurmann passaram dois anos explorando a costa catarinense em busca de onze submarinos nazistas afundados durante a II Guerra Mundial e nunca encontrados — até que descobriram o U-513, conhecido como Lobo Solitário, a única das embarcações localizada até hoje.

Agora, com os filhos adultos e um novo veleiro, os Schurmann iniciam uma nova empreitada: a Expedição Oriente. Baseando-se em uma teoria do ex-comandante submarinista inglês Gavin Menzies, que acredita que, na realidade, foram os chineses os primeiros a dar a volta ao mundo, e não os espanhóis e ingleses – tendo, inclusive, descoberto a América e a Austrália anos antes do que seria registrado por Cristóvão Colombo e James Cook –, a família Schurmann percorrerá parte das rotas chinesas para de alguma forma tentar reescrever a história.

Assessorados à distância por Menzies, os Schurmann buscarão provas da passagem dos exploradores chineses pelos locais visitados.

Perspectiva: o Aysso, que abrigou os Schurmann nas duas primeiras voltas ao mundo, cabe dentro do Kat -- e sobra espaço (Foto: Tamara Fisch)

Perspectiva: o “Aysso”, que abrigou os Schurmann nas duas primeiras voltas ao mundo, cabe dentro do “Kat” — e ainda sobra espaço

A Expedição Oriente saiu de Itajaí (SC) neste domingo (21), e tem retorno previsto para o dia 22 de dezembro de 2016. Até lá, serão percorridas mais de 30 mil milhas (quase 50 mil quilômetros) no caminho que passará por 50 portos em 29 países. Desta vez, não vão todos os filhos — apenas Wilhelm estará presente durante todo o período –, mas a grande novidade é que um membro da terceira geração dos Schurmann fará a jornada: Emmanuel, filho mais velho de Pierre, se juntará ao tio e aos avós na Antártica, por onde a família vai passar pela primeira vez, e terminará a expedição com eles. David, o filho do meio, coordenará a equipe de terra da expedição, e Pierre continuará tocando projetos pessoais, como a empresa Bossa Nova Investimentos.

Especialmente para esta viagem, a família construiu um novo veleiro, o Kat, cujo nome é uma homenagem à filha adotiva dos Schurmann, falecida em 2006, aos 13 anos. O Kat tem 80 pés (quase 25 metros), pesa 67 toneladas e comporta até catorze tripulantes em suas sete cabines. É o primeiro veleiro construído pela família, e também o mais tecnológico já utilizado por eles em uma expedição.

A construção do veleiro levou mais de dois anos. A ideia era que o lar marítimo dos Schurmann fosse inovador, eficiente e sustentável. Para isso, foram acrescentados ao barco vários itens inéditos. Há um sistema de geração de energia limpa, composto por turbinas eólicas, painéis solares, hidrogeradores e bicicletas ergométricas, que geram energia enquanto a tripulação se exercita.

Estima-se que 40% da energia utilizada pelo Kat possam ser produzidos por esses meios, minimizando o consumo de diesel. Todas as necessidades domésticas de energia serão supridas com fontes limpas, e o restante será alimentado por dois geradores com baixo consumo de combustível.

Além disso, o veleiro tem diversos equipamentos para evitar poluição. O lixo orgânico, por exemplo, é colocado em uma composteira para a geração de adubo para a horta que a família mantém a bordo; há, também, um sistema de tratamento das águas utilizadas no barco, que são descartadas com níveis de limpeza dentro dos limites internacionais.

A sustentabilidade é uma das principais características do veleiro Kat. Na foto, a composteira que recicla o lixo orgânico do barco (Foto: Tamara Fisch)

A sustentabilidade é uma das principais características do veleiro “Kat”. “Na” foto, a composteira que recicla o lixo orgânico do barco, que é transformado em adubo para a horta cultivada no barco

As outras marcas registradas do Kat são tão impressionantes quanto a sustentabilidade. No quesito eficiência, basta dizer que o plano é percorrer entre 180 e 200 milhas por dia (mais de 320 quilômetros). Além disso, a inovação está presente a todo momento: com transmissão de 600kbp/s, os Schurmann podem enviar dados, fotos e vídeos para atualizar o público sobre o andamento da viagem. O site da expedição, traduzido para quatro idiomas além do português, terá imagens novas a cada cinco minutos – há tripulantes especificamente para registrar o dia a dia e as possíveis descobertas.

Pode parecer uma viagem de férias, mas a família Schurmann garante que não é para qualquer um. A todo momento há um grupo de pessoas trabalhando – normalmente, as equipes são divididas em turnos de três horas. Cada tripulante tem sua função claramente definida, ou seja, não há folga, apenas um compromisso de dedicar os próximos dois anos de suas vidas à expedição.

O planejamento da Expedição Oriente foi extremamente trabalhoso. Os locais por onde passarão, o tempo de permanência em cada porto, a logística de tudo… Sem contar os novos desafios: em alguns canais da China, foi necessário checar se havia pontes pelas quais o Kat não conseguiria passar (o mastro mais alto do veleiro tem a altura de um prédio de quatro andares). Antes da partida, foi necessário listar todos os vistos e autorizações para entrar e navegar no território de todos os países que serão visitados e os procedimentos necessários para consegui-los. Meticulosidade foi um pré-requisito.

Ao zarpar de Itajaí (SC), os Schurmann se despedem de milhares de pessoas que acompanharam a preparação para a Expedição Oriente (Foto: Tamara Fisch)

Ao zarpar de Itajaí (SC), os Schurmann se despedem de milhares de pessoas que acompanharam a preparação para a Expedição Oriente

Itajaí, por ser uma cidade pequena (cerca de 200 mil habitantes e menos de 300 quilômetros quadrados), foi muito movimentada pela família Schurmann tê-la escolhido como sede para sua empresa. A comoção foi grande na hora da partida, com milhares de pessoas assistindo do porto e acenando carinhosamente aos doze tripulantes que zarparam no domingo. Pode-se esperar que o mesmo aconteça quando o Kat retornar, daqui a 27 meses.

23/08/2014

às 18:30 \ Tema Livre

VÍDEO INCRÍVEL: Usando computação gráfica, artista faz rostos se transformarem em objetos e animais

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 Ao fazer uso de ferramentas simples da computação gráfica, um artista holandês chamado Jaq Verstappen faz com que imagens de rostos, animais e objetos se transfigurem até constituírem novas cenas.

Em sua página no Facebook, Verstappen explica que morphing, como se chama essa evolução entre imagens, é apenas um “efeito especial em figuras em movimento e animações que transforma uma imagem em outra por meio de uma transição sem emendas”.

A premissa é simples, mas o resultado é surpreendente. Confiram o vídeo:

22/08/2014

às 17:34 \ Política & Cia

Os bandidos andam cada vez mais criativos (e tecnológicos): agora usam drones para entregar celulares em presídios

(Foto: Secretaria da Administração Penitenciária)

Vejam o drone — esse objeto em “X”, com quatro hélices brancas e corpo preto – e os objetos que bandidos pretendiam contrabandear para dentro da prisão: 18 celulares, carregadores e fones de ouvido (Foto: Secretaria da Administração Penitenciária de SP)

Os criminosos estão cada vez mais criativos, a o contrabando para dentro das cadeias nunca foi tão tecnológico. Para transportar objetos proibidos para dentro de presídios, tudo vale: na madrugada de ontem, um drone — pequena aeronave sem piloto – tentou entrar na Penitenciária II de Guarulhos, na Grande São Paulo, carregando celulares e outros itens.

Agentes da Guarulhos II suspeitaram de dois carros parados em frente a um dos pavilhões e acionaram a Polícia Federal. Policiais então deram voz de prisão a três pessoas que levavam um drone abastecido com dezoito celulares, nove carregadores e quatro fones de ouvido.

Os serviços de informação da Secretaria de Segurança Públicade São Paulo já haviam detectado planos para a entrada dos equipamentos desde terça-feira. Os responsáveis pela Guarulhos II, então, articularam um plano em conjunto com a PF.

18/08/2014

às 6:00 \ Disseram

Os líderes podem ser ultrapassados

“Levamos quarenta anos para desenvolver a tecnologia do etanol e ser líderes, mas agora corremos o risco de ficar para trás.”

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, ao falar sobre o perigo do controle do preço dos combustíveis, em entrevista às Páginas Amarelas de VEJA

12/08/2014

às 17:30 \ Tema Livre

FOTOS SENSACIONAIS: A nova sede do Twitter em San Francisco é o local de trabalho dos sonhos

(Foto: Robert Johnson/Business Insider)

A princípio, parece um escritório comum, mas a sede do Twitter em San Francisco é um espaço único (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

O Twitter, um dos atuais gigantes da tecnologia — ao lado de nomes como Google e Facebook –, inaugurou recentemente sua nova sede em San Francisco, na Califórnia. Como de praxe para empresas nesse ramo, o local foi construído tendo em foco o conceito de qualidade de vida — com o tradicional tiquinho de exibicionismo também –, e o resultado é de despertar inveja em qualquer um.

Localizado em uma das partes mais abandonadas da cidade, o prédio escolhido pelo Twitter data de 1937 e ficou vago por cerca de 50 anos antes de ser selecionado para o empreendimento.

Após uma reforma, o lugar foi transformado para simultaneamente manter seu estilo clássico mas abrigar a área de tecnologia da empresa.

A revista Business Insider fez um tour do espaço e apresentou aos leitores o que viu. Abaixo, algumas das fotos feitas no dia (o resto pode ser visto clicando aqui).

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Localizado em uma parte de San Francisco conhecida como Tenderloin, o prédio do Twitter é um foco de atenção em meio à pobreza e à violência (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

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O hall de entrada do edifício mostra que pertence a uma companhia bilionária (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

A entrada do escritório do Twitter introduz um tema "natural" (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

A entrada do escritório do Twitter introduz um tema “natural” (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

O mesmo tema colore as paredes das salas de reunião (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

O mesmo tema colore as paredes das salas de reunião (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

Os visitantes são recepcionados com diversas opções de comes e bebes (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

Os visitantes são recepcionados com diversas opções de comes e bebes (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

Os funcionários, no entanto, têm uma infinidade de opções de alimentação (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

Os funcionários, no entanto, têm uma infinidade de opções de alimentação (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

As áreas externas também foram alvo de investimentos por parte do Twitter. Há recursos tanto para trabalho quanto para festas, que acontecem periodicamente (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

As áreas externas também foram alvo de investimentos por parte do Twitter. Há recursos tanto para trabalho quanto para festas, que acontecem periodicamente (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

Até churrasco os funcionários do Twitter podem fazer (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

Até churrasco os funcionários do Twitter podem fazer (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

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Em vários ambientes, as famosas hashtags marcam presença (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

Parece uma loja de doces, mas é uma das opções de lanches da sede do Twitter -- e vários desses itens são saudáveis (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

Parece uma loja de doces, mas é uma das opções de lanches da sede do Twitter — e vários desses itens são saudáveis (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

O Twitter montou uma cápsula do tempo a ser aberta em 2026 (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

O Twitter montou uma cápsula do tempo a ser aberta em 2026 (Foto: Robert Johnson/Business Insider)

09/08/2014

às 19:30 \ Política & Cia

ATENÇÃO, ISTO É MUITO IMPORTANTE: Entre todos os países que adotaram o voto eletrônico, o Brasil é o único que ainda utiliza urnas que podem ser manipuladas

(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Urnas eletrônicas com tecnologia ultrapassada são utilizadas apenas no Brasil (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Publicado originalmente a 15 de julho de 2014

AS URNAS BRASILEIRAS ESTÃO ULTRAPASSADAS

Texto de Walter Del Picchia, professor aposentado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e participante do Fórum do Voto Eletrônico

Um estudo publicado no site do voto eletrônico pelo engenheiro Amilcar Brunazo Filho, coordenador do Fórum do voto eletrônico e um dos maiores especialistas em segurança de dados, demonstra cabalmente que nossas urnas eletrônicas, endeusadas como a oitava maravilha do mundo, na realidade estão tecnicamente ultrapassadas pelas utilizadas nos dez países onde se realizam eleições informatizadas (Modelos e Gerações das máquinas de votar – Janeiro/2014).

Ele descreve os três modelos conhecidos (DRE, VVPAT e E2E), denominando-os como de Primeira, Segunda e Terceira gerações. Estas denominações traduzem o fato de que os três modelos surgiram como evolução, um após o outro, para resolver algum problema do modelo anterior.

Em todo o mundo onde se usa voto eletrônico, excluindo-se o Brasil, modelos de 1ª geração já foram abandonados, devido à sua inerente falta de confiabilidade e absoluta dependência do software (ou seja, modificações intencionais ou erros não detectados no software poderiam causar erros não detectados nos resultados da votação).

A 1ª Geração – DRE

Nas urnas de 1ª geração, conhecidas por DRE (Direct Recording Electronic voting machine — máquina de gravação eletrônica direta do voto), os votos são gravados apenas eletronicamente, não oferecendo possibilidade de auditoria por outros meios. Deste modo, a confiabilidade do resultado publicado fica totalmente dependente da confiabilidade do software instalado no equipamento.

Máquinas DRE foram usadas em eleições oficiais em 1991 na Holanda, em 1992 na Índia e desde 1996 no Brasil. O modelo brasileiro chegou também a ser usado em alguns países latino americanos entre 2002 a 2006.

A falta de confiabilidade do modelo DRE (utilizado no Brasil) fez com que, a partir de 2004, este modelo fosse substituído por outros mais evoluídos e confiáveis. De 2004 a 2012, a Venezuela, a Holanda, a Alemanha, os Estados Unidos, o Canadá, a Rússia, a Bélgica, a Argentina, o México e o Paraguai abandonaram o modelo DRE de 1ª Geração.

Em 2014, a Índia e o Equador adotarem modelos mais avançados, de maneira que restou apenas o Brasil ainda usando o modelo DRE de 1ª Geração em todo o mundo.

A 2ª Geração – IVVR ou VVPAT

A 2ª Geração foi proposta formalmente em 2000 (tese de doutorado da Ph.D Rebecca Mercury, disponível na internet). Na tese, foi proposta a possibilidade de auditoria contábil da apuração por meio de uma segunda via de registro do voto, além do registro eletrônico usual.

Este novo registro deveria ser gravado em meio independente que não pudesse ser modificado pelo equipamento de votação e deveria poder ser visto e conferido pelo eleitor antes de completar sua votação. Ela propôs o nome “Voter Verifiable Paper Audit Trail” (Documento de Auditoria em Papel Conferível pelo Eleitor), ou VVPAT.

Urna VVPAT brunazo.eng.br

Uma urna VVPAT — que produz “voto impresso conferível pelo eleitor” — fabricada na Espanha desde 2006 (Foto: brunazo.eng.br)

Posteriormente, a literatura técnica adotou também o nome “Independent Voter Verifiable Record” (Registro Independente Conferível pelo Eleitor), ou IVVR. No Brasil é comum ser chamado de “Voto Impresso Conferível pelo Eleitor”, ou VICE. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

02/08/2014

às 17:00 \ Tema Livre

SENSACIONAL: Na China, engenheiros utilizam técnica que permite construir viaduto e só depois transportá-lo para o local definitivo

(Fotos: Imagechina/REX)

Para evitar interromper o serviço dos trens, o viaduto foi construído paralelamente aos trilhos e depois girado (Fotos: Imaginechina/REX)

Por Tamara Fisch

Uma tecnologia usada na China deixou obras urbanas do resto do mundo no chinelo. Para construir um segmento de viaduto que passaria por cima de linhas de trem movimentadas, engenheiros utilizaram uma técnica para realizar o trabalho paralelamente aos trilhos e, posteriormente, girar as pistas para encaixá-las na posição certa.

A obra foi realizada na cidade de Wuhan, na região central do país — uma daquelas cidades de que pouquíssima gente ouviu falar no Ocidente, mas que se estende por 8.500 km² e abriga 10 milhões de habitantes –, ao lado de um ponto onde passam trens de alta velocidade.

A ideia era que a construção não atrapalhasse o serviço ferroviário extremamente movimentado.

O pedaço de rodovia elevada que foi feito com a técnica inovadora pesa 17.000 toneladas. Quando o segmento estava pronto para ser transportado, os engenheiros responsáveis o giraram 106º a uma altura de 15 metros. O processo levou em torno de uma hora e meia.

As linhas férreas que passam debaixo do viaduto foram consideradas importantes demais para serem interditadas durante uma obra desse tamanho. Um dos trajetos que sofreriam é o de Pequim a Guangzhou, um dos mais requisitados.

A China, não custa lembrar, dispõe da maior malha ferroviária de alta velocidade do mundo, com mais de 10 mil quilômetros de extensão. (Por comparação, a Espanha, com a mais extensa rede de alta velocidade da Europa, tem pouco mais de 3,1 mil quilômetros.)

Vejam as fotos do processo:

(Foto: Imaginechina/REX)

Parte do viaduto foi construída paralelamente aos trilhos sobre os quais passaria (Foto: Imaginechina/REX)

(Foto: Imaginechina/REX)

Quando a estrutura ficou pronta, começou o processo de movê-la para a posição certa (Foto: Imaginechina/REX)

(Foto: Imaginechina/REX)

Durante cerca de 1h30, engenheiros fizeram a rotação de 106º a 15 metros de altura (Foto: Imaginechina/REX)

(Foto: Imaginechina/REX)

O resultado final: como se tivesse sido construído assim (Foto: Imaginechina/REX)

30/07/2014

às 19:30 \ Tema Livre

HERALDO PALMEIRA: “O cangaceiro manso”, o guerrilheiro cultural, o malabarista da palavra — o imortal de verdade, Ariano Suassuna

(Foto: Tuca Vieira/Folhapress)

Ariano Suassuna, segundo ele mesmo: “um cangaceiro manso, um palhaço frustrado, um frade sem burel, um mentiroso, um professor, um cantador sem repente, um profeta”. Para nós, outros, um colosso, imortal de verdade (Foto: Tuca Vieira/Folhapress)

MARACATU ATÔMICO

Por Heraldo Palmeira*

Eu era muito jovem quando ouvi um professor dizer que um homem é tanto mais universal quanto mais original se mantém ao representar as riquezas da sua aldeia.

Muito tempo depois eu estava numa grande universidade carioca, envolvido com a produção de um evento dedicado à literatura musical. Naquela semana repleta de nomes conhecidos, o público mal passou de meia casa no enorme teatro.

Até que, numa tarde, foi preciso fechar as portas porque não cabia mais ninguém. Na hora marcada, o homem esguio, lépido e fagueiro entrou. Pelo meio dos comuns, como entram os comuns.

Ao tempo em que ia caminhando em direção ao palco e sendo notado, foi levando a plateia à loucura. Antes mesmo de abrir a boca, provocou uma espécie de convulsão coletiva. Todos estavam ali para viver duas horas de pura felicidade.

O homem subiu ao palco. E ninguém me contou, eu vi com meus próprios olhos: quase dez minutos de aclamação apaixonada, sem que lhe permitissem abrir a boca para uma única palavra de saudação.

O homem começou a andar de um lado para o outro, parando no centro e em cada um dos extremos do palco. A cada parada um assobio forte, com os dedos indicadores enfiados nos cantos da boca no melhor estilo moleque, espalhando seu combustível para ampliar aquele incêndio emocional.

Ali estava o homem que alguns acusaram de burguês que apropriou-se da arte popular do povo simples. Ali estava o nacionalista que reagiu mal à bossa nova, por considerá-la filha da influência do jazz. Que abominou o tropicalismo estrangeirado pelas guitarras dos baianos fantasiados de mutantes.

Ali estava quem chamou o maioral do mangue beat às falas, bradando seu nome com sotaque sertanejo: “Chico Ciência”. E que caiu em prantos na alça do caixão em sua morte prematura. Ali estava quem descia o pau em Michael Jackson, Madonna e John Lennon com astúcia de matuto. Sem machucar. Alguém que relativizava os Beatles com um displicente e gracioso “é claro que já ouvi falar deles, mas…”.

Ali estava o imortal que pouco aparecia na Academia Brasileira de Letras. Ali estava o homem acusado de muita coisa, vítima de muitas invejas e maledicências apenas por ser ele mesmo, daquele jeito. Ali estava um homem com coragem para ser original.

Ali estava um guerrilheiro cultural que fez global a arte popular que lhe acusaram de pegar emprestada do povo simples. Que trouxe o mundo para sua aldeia. Ali estava o malabarista da palavra que nos encheu de felicidade por duas horas. Simples, complexo, interativo, dengoso, matreiro, maroto, certeiro, acolhedor, tonitruante, intransigente, delicado, sedutor, sagrado, profano. Engraçado até o talo.

Ali estava, como ele dizia de si mesmo, “um cangaceiro manso, um palhaço frustrado, um frade sem burel, um mentiroso, um professor, um cantador sem repente, um profeta”.

Ali estava uma obra de arte ambulante, um maracatu atômico construído por pitadas populares e eruditas como ninguém jamais misturou. O artesão de um reino cujo mapa seguirá secreto.

Ali estava uma personalidade múltipla, o inigualável Ariano Suassuna. A quem não pude negar, num cantinho escuro daquele palco inesquecível, nenhuma das minhas lágrimas de embevecimento por ver de tão perto tamanha força da natureza.

Um Quixote solitário e genial. Um visionário com seus cata-ventos armoriais soprando brasões inimitáveis sobre a terra brasileira. Um cabra arretado capaz de contrariar o sopro comum ao afirmar que “globalização é o nome novo do velho colonialismo”. Um resistente que jamais cedeu ao computador, preferindo desenhar suas letras maiúsculas com caneta sobre papel antes de convocar a velha máquina de escrever para dar curso ao veio precioso.

Um bicho do mato multimídia manual que destroçou com gaiatice a tecnologia que tentavam lhe apresentar, e que corrigia automaticamente seu nome digitado Ariano Villar Suassuna: “Como vou escrever numa coisa que me chama Ariano Vilão Assassino?”.

Um homem que, no mundo real, me deixa de luto para o resto da vida – como um Chicó ou um João Grilo sem pai, a quem resta se agarrar à proteção de Nossa Senhora Compadecida dessa orfandade cultural.

Um homem que, nas terras da Pedra do Reino, seguirá imperador rindo da morte Caetana para todo o sempre. Como cabe aos colossos imortais.

Veja aqui o relato do dia em que um papangu de vazante tentou converter um maracatu atômico:

*Heraldo Palmeira é documentarista e produtor musical.

27/07/2014

às 14:00 \ Tema Livre

FOTOS: Mais uma amostra de que as imagens feitas por satélite também produzem arte

Veneza, a cidade mais bonita do mundo, também vista de cima (Fotos: Global Digital)

Veneza, a cidade mais bonita do mundo, também vista de cima (Fotos: Global Digital)

Às vezes, o avanço tecnológico traz entre os seus benefícios a rara capacidade de produzir arte. Mesmo que involuntária.

Aqui neste blog já vimos isso neste post e também neste outro.

Fundada em 1992, a empresa Digital Globe, radicada no estado americano de Nevada, é referência em matéria de satélites, tendo entre seus clientes empresas e instituições, militares ou civis, relacionadas a setores como Indústria, Mineração e Arquitetura.

A companhia fornece, diariamente, uma foto captada por seus satélites para o site Daily Overview, que tem como missão mostrar as particularidades, incluindo a beleza, de lugares moldados pela ação humana. De ângulos nunca vistos.

Os resultados são espetaculares:

Vinhedos em Huelva, na Espanha

Vinhedos em Huelva, na Espanha

Venture Out RV Resort, Mesa, Arizona

O “resort” turístico Venture Out RV em Mesa, Arizona, EUA

Desert Shores, em Las Vegas, Nevada, EUA

Desert Shores, em Las Vegas, Nevada, EUA

Reserva New Bullards, Yuba County, Califórnia

A reserva New Bullards, em Yuba County, Califórnia, EUA

Puente de Vallecas, distrito de Madri, Espanha

Puente de Vallecas, distrito de Madri, Espanha

Bairros insulares de Palm Island e Hibiscus Island, em Miami Beach, Flórida, EUA

Bairros insulares de Palm Island e Hibiscus Island, em Miami Beach, Flórida, EUA

O desmatamento da Floresta Amazônica, Pará

O desmatamento da Floresta Amazônica, no Pará

Muralha da China

A Muralha da China

Floresta Nacional Eldorado, Georgetown, Califórnia

Floresta Nacional Eldorado, Georgetown, Califórnia, EUA

Durrat Al Bahrain, Bahrain

A ilha artificial Durrat Al Bahrain, no Bahrein

Central de irrigação, Ha'il, Arábia Saudita

Central de irrigação, em Ha’il, Arábia Saudita

Cemintério de la Almudena, Madri

Cemintério de la Almudena, em Madri, Espanha

A cidade de Boca Raton, Flórida, EUA

A cidade de Boca Raton, Flórida, EUA

Arrozais, Yuanyang County, Yunnan

Arrozais na província de Yunnan, China

309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group, Arizona

O conjuntos de instalações da Força Aérea dos EUA conhecido com 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group, no estado de Arizona

Central Park

O Central Park, em Nova York, EUA

26/07/2014

às 15:00 \ Tema Livre

O novo Dreamliner, da Boeing, promete ser o primeiro avião realmente inovador do século XXI. Vejam um vídeo de testes

O novo Dreamliner já vem superando expectativas (Foto: Boeing)

O novo Dreamliner já vem superando expectativas (Foto: Boeing)

O 787-9 Dreamliner, novo avião da Boeing, passou recentemente por testes e demonstrações de voo em ensaio para a feira de Farnborough, no Reino Unido, uma das maiores exposições aéreas do mundo, ocorrida entre os dias 14 e 20.

Entre outras melhorias, o 787 promete reduzir em 20% a queima de combustível comparado a modelos anteriores, melhorar a qualidade do ar e a diminuir a pressurização dentro da cabine para o equivalente a cerca de 1 800 metros (em torno de 600 metros a menos do que em outros aviões, de forma a evitar tontura e dores de cabeça), investir no visual (janelas maiores, arquitetura moderna, iluminação de LED para maior conforto, entre outros), menos vibrações causadas por turbulências e uma viagem mais silenciosa.

A aeronave já foi vendida para 64 companhias aéreas, inclusive a Air France, a Air Canada e as americanas American Airlines e United.

Assistam ao vídeo gravado durante a preparação para Farnborough:

LEIAM TAMBÉM:

Vídeos: a impressionante diferença de ruído entre os Boeing-707 e os novíssimos 787, que começaram a voar hoje

 

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