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20/07/2014

às 19:00 \ Política & Cia

ATENÇÃO, ISTO É MUITO IMPORTANTE: Entre todos os países que adotaram o voto eletrônico, o Brasil é o único que ainda utiliza urnas que podem ser manipuladas

(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Urnas eletrônicas com tecnologia ultrapassada são utilizadas apenas no Brasil (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Publicado originalmente a 15 de julho de 2014

AS URNAS BRASILEIRAS ESTÃO ULTRAPASSADAS

Texto de Walter Del Picchia, professor aposentado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e participante do Fórum do Voto Eletrônico

Um estudo publicado no site do voto eletrônico pelo engenheiro Amilcar Brunazo Filho, coordenador do Fórum do voto eletrônico e um dos maiores especialistas em segurança de dados, demonstra cabalmente que nossas urnas eletrônicas, endeusadas como a oitava maravilha do mundo, na realidade estão tecnicamente ultrapassadas pelas utilizadas nos dez países onde se realizam eleições informatizadas (Modelos e Gerações das máquinas de votar – Janeiro/2014).

Ele descreve os três modelos conhecidos (DRE, VVPAT e E2E), denominando-os como de Primeira, Segunda e Terceira gerações. Estas denominações traduzem o fato de que os três modelos surgiram como evolução, um após o outro, para resolver algum problema do modelo anterior.

Em todo o mundo onde se usa voto eletrônico, excluindo-se o Brasil, modelos de 1ª geração já foram abandonados, devido à sua inerente falta de confiabilidade e absoluta dependência do software (ou seja, modificações intencionais ou erros não detectados no software poderiam causar erros não detectados nos resultados da votação).

A 1ª Geração – DRE

Nas urnas de 1ª geração, conhecidas por DRE (Direct Recording Electronic voting machine — máquina de gravação eletrônica direta do voto), os votos são gravados apenas eletronicamente, não oferecendo possibilidade de auditoria por outros meios. Deste modo, a confiabilidade do resultado publicado fica totalmente dependente da confiabilidade do software instalado no equipamento.

Máquinas DRE foram usadas em eleições oficiais em 1991 na Holanda, em 1992 na Índia e desde 1996 no Brasil. O modelo brasileiro chegou também a ser usado em alguns países latino americanos entre 2002 a 2006.

A falta de confiabilidade do modelo DRE (utilizado no Brasil) fez com que, a partir de 2004, este modelo fosse substituído por outros mais evoluídos e confiáveis. De 2004 a 2012, a Venezuela, a Holanda, a Alemanha, os Estados Unidos, o Canadá, a Rússia, a Bélgica, a Argentina, o México e o Paraguai abandonaram o modelo DRE de 1ª Geração.

Em 2014, a Índia e o Equador adotarem modelos mais avançados, de maneira que restou apenas o Brasil ainda usando o modelo DRE de 1ª Geração em todo o mundo.

A 2ª Geração – IVVR ou VVPAT

A 2ª Geração foi proposta formalmente em 2000 (tese de doutorado da Ph.D Rebecca Mercury, disponível na internet). Na tese, foi proposta a possibilidade de auditoria contábil da apuração por meio de uma segunda via de registro do voto, além do registro eletrônico usual.

Este novo registro deveria ser gravado em meio independente que não pudesse ser modificado pelo equipamento de votação e deveria poder ser visto e conferido pelo eleitor antes de completar sua votação. Ela propôs o nome “Voter Verifiable Paper Audit Trail” (Documento de Auditoria em Papel Conferível pelo Eleitor), ou VVPAT.

Urna VVPAT brunazo.eng.br

Uma urna VVPAT — que produz “voto impresso conferível pelo eleitor” — fabricada na Espanha desde 2006 (Foto: brunazo.eng.br)

Posteriormente, a literatura técnica adotou também o nome “Independent Voter Verifiable Record” (Registro Independente Conferível pelo Eleitor), ou IVVR. No Brasil é comum ser chamado de “Voto Impresso Conferível pelo Eleitor”, ou VICE. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

13/07/2014

às 18:40 \ Política & Cia

AMARELAS: O Brasil deve esquecer o Mercosul, deixar a Argentina de lado e fazer, sozinho, um acordo de livre comércio com a União Europeia

(Foto: Lailson Santos)

(Foto: Lailson Santos)

O BRASIL DEVE SEGUIR SOZINHO

O economista e ex-diretor da área internacional da Fiesp diz que é hora de deixar a enrolada e endividada Argentina de lado e fazer um acordo de livre-comércio com a União Europeia

Entrevista a Duda Teixeira publicada em edição impressa de VEJA

Por nove anos, o economista Roberto Giannetti da Fonseca foi diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), entidade que representa 41% do setor industrial nacional. Até o ano passado, quando deixou o cargo, trabalhou dentro dessa instituição para que o Brasil se abrisse para o mercado internacional.

Aos 64 anos, ele agora se dedica a sua consultoria econômica, a Kaduna. “Por causa da decisão de priorizar o Mercosul, o Brasil ficou muito dependente das exportações para a Argentina”, diz o economista. Para Giannetti, com o país vizinho à beira de um novo calote na dívida externa, fica claro quanto o Brasil se arrisca em não reduzir essa dependência.

A Argentina tem até o fim deste mês para pagar uma dívida com credores estrangeiros. Qual é o risco de o país dar o calote?

É bastante alto. A Argentina caiu em uma armadilha jurídica. No contrato de reestruturação da dívida, feito alguns anos atrás, há uma cláusula muito importante. Ela determina que os credores que aceitaram receber o valor da dívida com desconto devem ter um tratamento igual ao dos demais credores.

A questão é que uma parte menor dos credores, que ficou com 8% do montante, obteve na Justiça americana o direito de receber os títulos pelo seu valor de face, ou seja, 100%. Se os outros, que aceitaram receber menos, agora também entrarem na Justiça, a Argentina terá de pagar o valor integral. Isso representaria uma dívida total de 100 bilhões de dólares, muito mais do que os 28 bilhões de dólares de reserva internacional que o país tem.

O que pode ser feito, então?

A única saída é negociar com aqueles que aceitaram o desconto e tentar retirar a cláusula. Ao mesmo tempo, é necessário convencer os outros fundos, chamados de abutres, a aceitar o valor de face, mas em um prazo mais longo.

O que aconteceria se a Argentina desse o calote?

Se o calote for inevitável, os argentinos estarão diante de uma crise da maior gravidade. Eles ficarão isolados do resto do mundo. Será uma situação caótica. Qualquer propriedade do Estado argentino no exterior – imóveis, navios e contas bancárias – poderá ser penhorada para pagar aos fundos abutres.

A comunidade internacional, porém, se esforçará para evitar esse cenário. Deve haver uma nova renegociação, com a ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional) e de outras instituições. Para isso, a Argentina tem de se sentar à mesa sem arrogância, com humildade.

A palavra “abutre” não é exagerada?

Pode ser, mas a analogia não deixa de fazer sentido. Esses fundos compram títulos de dívida de países ou empresas em dificuldades por uma fração da cifra original. Depois, entram na Justiça e tentam ganhar o valor integral do devedor, arrancando o seu fígado. Pode-se não gostar deles, mas a realidade é que não há nada de novo nisso. Fundos mais agressivos existem em qualquer mercado.

O erro por parte da gestão dos presidentes Néstor e Cristina Kirch­ner foi acreditar que eles não seriam um problema no futuro. Houve um certo descaso. O governo argentino deveria ter negociado antes com os administradores desses fundos e minimizado as dificuldades. Era algo que podia ter sido evitado.

Qual seria a consequência, para o Brasil, de um calote argentino?

As consequências não seriam financeiras, já que os investidores sabem muito bem diferenciar um país do outro. Os efeitos negativos ocorreriam mais no âmbito comercial. O mercado interno argentino está em franco declínio e é o destino de mais de 20% das nossas exportações de manufaturados, como peças de automóveis, sapatos e eletrodomésticos.

Sem reservas em dólar, ou seja, se der o calote, a Argentina não terá como pagar esses bens. O volume do nosso comércio com a Argentina então cairia bastante. A perda em exportação de manufaturados pode chegar a 5 bilhões de dólares por ano.

No mês passado, o Brasil alterou o acordo automotivo com a Argentina. Antes, podíamos exportar sem imposto 1,95 dólar em carros e peças para cada dólar importado. Agora, ficou em 1,5 dólar para cada dólar importado. Ou seja, ficou mais caro exportar. Foi uma decisão acertada?

Qualquer acordo é melhor do que nada. Mas, se a crise chegar, nem essa ajuda terá efeito. Eles não terão como pagar o que importam de qualquer jeito.

Dar ênfase demais ao comércio com a Argentina foi um erro?

Certamente. Preso ao Mercosul, o Brasil deixou de assinar acordos de livre-comércio com outros países. Exportar 20% dos manufaturados para um país instável como o dos nossos vizinhos é muito arriscado. Se nossa economia fosse mais aberta, estaríamos exportando esse valor para países como Japão, Estados Unidos, Canadá ou para a Europa.

O Mercosul negocia um tratado de livre-comércio com a União Europeia há catorze anos, mas a Argentina sempre atrapalha as conversas. Qual é a probabilidade de esse país embolar o jogo novamente?

Os argentinos sempre surpreendem na última hora. Deixam a negociação seguir para avaliar até onde o Brasil é capaz de chegar. Então, quando tudo está bem adiantado, dizem que não aceitam o que foi colocado na mesa. Em 2004, o Brasil chegou muito perto de fechar com a União Europeia, mas aí houve o boicote da indústria argentina, que reclamou do risco de ter tarifas reduzidas em relação aos concorrentes europeus. Houve uma sabotagem em um momento decisivo.

Foi uma pena porque, enquanto o Mercosul fracassou, o México já havia feito um acordo com a União Europeia quatro anos antes. O Chile concluiu o seu em 2003. O tratado com a Colômbia e o Peru entrou em vigor no ano passado. O elevado desempenho da economia desses países atualmente é resultado direto desses tratados. O Mercosul, contudo, foi na contramão e preferiu ficar isolado.

Pelas regras do Mercosul, o bloco só pode decidir por consenso. O Brasil está de mãos amarradas, ou há alternativas?

Os negociadores brasileiros deveriam ter assinado o acordo com a União Europeia sem a Argentina, dando cinco anos para os nossos vizinhos se adaptarem à nova situação.

Para fazer isso, há uma saída técnica. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

21/06/2014

às 14:00 \ Tema Livre

FOTOS SENSACIONAIS: a surreal sede do Google em Tel Aviv

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Elevador para quê? Na sede do Google em Tel Aviv (Israel), os funcionários podem escorregar de um andar para o outro (Foto: Itay Sikolski)

No início do ano passado, o Google se estabeleceu em uma nova sede em Tel Aviv, a maior cidade de Israel. As fotos do lugar, que parece saído do imaginário de um inventor ou da toca do coelho de Alice no País das Maravilhas, já ficaram conhecidas na internet, mas o blog não poderia deixar de mostrar essas imagens fantásticas para os leitores que ainda não as viram.

O gigante da informática, já conhecido pelo maravilhoso Googlepex, sua sede principal em Mountain View, na Califórnia, se superou na criação desta nova casa.

Entre os mimos criados pela empresa Camenzind Evolution em parceria com Setter Architects e Studio Yaron Tal, estão uma sala de Lego e uma de música, uma academia, um escorregador que leva de um andar a outro e um observatório do Mar Mediterrâneo. Ao todo, são 8 mil metros quadrados distribuídos em oito andares.

De acordo com os designers do projeto, cada andar foi pensado de forma a representar um aspecto diferente da identidade local e, portanto, mostrar como é diversa a cultura israelense.

Vejam, a seguir, as fotos do lugar, todas de autoria de Itay Sikolski.

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Um dos vários espaços para trabalho ou descanso. Como de praxe, o Google foge dos padrões de escritórios comuns

 

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Um espaço aberto para reuniões; a sustentabilidade é uma das prioridades da empresa

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Uma área de despensa para os funcionários, chamados de Googlers

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Um dos peculiares corredores do prédio

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A recepção, com o logotipo clássico

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Uma sala de descanso com pinturas caprichadas na parede; vários ambientes têm elementos gráficos como este

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Mais um espaço de descontração com paredes estilizadas e a permanente lembrança da natureza na decoração

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Algumas salas têm como elemento principal a vista privilegiada da cidade; o prédio está localizado bem no centro de Tel Aviv

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Andando pelos corredores exóticos, é fácil encontrar espaços de uso livre como este

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Uma sala de uso livre adjacente a um espaço de reuniões

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A alimentação fornecida pelo Google nada deixa a desejar, com três restaurantes espalhados pelos oito andares

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Um lounge destinado, acreditem se quiserem, ao trabalho

 

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Em salas como esta, os assentos são distribuídos em níveis diferentes de altura

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Com todos os benefícios que promovem o relaxamento, não poderia faltar uma academia completa, super-iluminada e com uma bela vista

 

12/06/2014

às 6:00 \ Disseram

Seu celular faz você comer mais

“Uma exposição de três horas, à noite, à luz azul enriquecida tem um impacto enorme sobre o mecanismo da fome e o metabolismo da glicose.”

Ivy Cheung, pesquisadora da Universidade Northwestern e coautora de um estudo que dá mais uma desculpa a quem come demais: a luz emitida por computadores e smartphones aumenta a fome

07/06/2014

às 15:00 \ Política & Cia

HERALDO PALMEIRA: a genialidade da tecnologia, com as redes sociais e tudo o mais, jamais será maior que a nossa — e que o afeto, e que a sociabilidade plena. (E confiram o vídeo instigante)

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“Renego as tecnologias? Claro que não. Ou não estaríamos aqui, trocando informações e ideias diante de uma tela iluminada. Apenas defendo seu uso coerente, secundário, complementar, pois o papel central jamais deixará de ser nosso” (Ilustração: unplugseries.com)

MUNDO TECNOLÓGICO

Por Heraldo Palmeira*

Bons tempos aqueles em que nos juntávamos em patotas para conversar.

Calçadas e pracinhas eram quase templos de ser feliz.

Também havia lugar para papel, lápis e canetas registrando interesses, bordando bilhetinhos apaixonados.

Até hoje sou viciado em Bic comum e caderneta, para rabiscar minhas pequenas relevâncias. E olhe que sou rapidíssimo nos teclados, herança do curso de datilografia e das máquinas de telex – tecnologias hoje confinadas no dicionário ou na memória dos mais velhos.

Assisti à explosão da comunicação digital que apelidamos de redes sociais, um conjunto de estímulos virtuais sabiamente desenhados para orientar o consumo e a toada. Algo que encanta mais os jovens, naturalmente atraídos para as bugigangas eletrônicas vendidas como panaceias capazes de matar o tédio da vida moderna. Algo que tem apressado desnecessariamente a vida comum.

Vi como fui tratado quase como uma peça de museu quando afirmei peremptoriamente meu interesse comedido por tais “modernidades”. Vi como quase todos discordaram quando eu disse que essa febre era uma boa porta de entrada para neuroses e para o isolamento social. E para doenças que ainda nem conhecemos direito, mas que começam a se manifestar e a preocupar os operadores de saúde, já atônitos e sem a menor ideia de antídotos e de gastos futuros que serão exigidos com tratamentos para as tecnopatias.

Continuo acreditando que é da natureza humana a sociabilidade plena, o afeto, a contemplação, a transformação pelo conhecimento que não dispensa legados, os compartilhamentos presenciais, o dom de ouvir o outro, o prazer imenso da troca de olhares, a extraordinária comunicação contida nos gestos.

Renego as tecnologias? Claro que não. Ou não estaríamos aqui, trocando informações e ideias diante de uma tela iluminada. Apenas defendo seu uso coerente, secundário, complementar, pois o papel central jamais deixará de ser nosso. Não há como fugir do fato de a inteligência artificial ser resultado da inteligência natural, sem possibilidade de ordem inversa.

Quem duvidar pode aguardar sentado até ser apresentado ao conjunto de máquinas capazes de idealizar um cérebro – serve até mesmo um daqueles cérebros de azeitona.

Aposto que a posteridade herdará o fóssil de um crédulo. Sinceramente, não me surpreende ver um vídeo como este que segue abaixo, circulando no mundo digital e pregando contra ele, protagonizado por um jovem.

Não o divulgo como se eu tivesse razão. Apenas feliz por ver que o óbvio está óbvio.

*Heraldo Palmeira é documentarista e produtor musical.

Agora, vejam o vídeo:

05/06/2014

às 18:40 \ Tema Livre

VÍDEO DIVERTIDÍSSIMO: chegou a solução para quem não tem tempo para sair com o cachorro — um drone passeador!

drone passeador

O mais novo uso para a tecnologia dos drones: passear com cachorros. (O objeto escuro em formato que lembra vagamente um disco voador é o drone “Parrot” que passeia cães)

Todos sabem que um dos pré-requisitos para se ter um cachorro em casa é a disponibilidade para levá-lo para passear todos os dias. Para quem não tem tempo livre o suficiente para isso, mas não quer abrir mão do amigão, a solução é utilizar um drone como passeador.

As aeronaves não tripuladas, notórias por seu uso em situações de guerra, podem ser úteis para tarefas do dia a dia, como tem aparecido por toda parte e, no caso, como mostra o vídeo abaixo. Seu produtor, Jeff Myers, amarrou a coleira de seu cachorro a um AR Drone, da marca Parrot, e executou o experimento.

O drone, equipado com GPS, câmera e conexão Wi-Fi, permite que o dono trace uma rota a ser percorrida com o cão, filme o trajeto e controle tudo com um smartphone. Quem diria que uma poderosa arma de guerra poderia ajudar com tarefas do lar?

Não percam vídeo:

01/06/2014

às 0:00 \ Disseram

Rainha piadista

“Você ainda tem aquela voz americana?”

Elizabeth II, rainha da Inglaterra, ao encontrar o físico Stephen Hawking em um evento de caridade; o professor Hawking, que fala por meio de um computador, respondeu que “sim, ela é patenteada, na verdade”

21/05/2014

às 12:00 \ Disseram

Só isso?

“640K deveriam ser o suficiente para qualquer um.”

Bill Gates, fundador da Microsoft, sobre quanta memória é necessária em um computador

30/04/2014

às 0:00 \ Disseram

Pessoas são obsoletas. Máquinas de escrever, não.

“Em casa ou em um set, estou sempre acompanhado de um violão, um toca-discos, muitos vinis de blues do começo do século passado e uma máquina de escrever. Computador? É a última coisa em que penso na vida.”

Johnny Depp, ator americano, em O Globo; bem-humorado, ele disse ainda que todas as pessoas ficam obsoletas — e que está bem perto disso

17/11/2013

às 14:00 \ Vasto Mundo

Fotos espetaculares, informações de dar inveja: os bons metrôs pelo mundo — beleza e eficiência

São Paulo (Brasil) -- Estação da Sé :: Início da operação: 1974 :: Extensão:  65,3 km :: Número de estações: 58 ::  Passageiros por ano: 877 milhões

São Paulo (Brasil) — Estação da Sé :: Início da operação: 1974 :: Extensão: 65,3 km :: Número de estações: 58 :: Passageiros por ano: 877 milhões (Foto: Gov. do Estado de São Paulo)

Ensaio de Ana Paula Ribeiro, publicada em edição impressa da revista Anuário Exame 20013-2014

BELEZA COM EFICIÊNCIA

Por sua beleza, capilaridade, conforto e qualidade operacional, as redes de metrô a seguir se destacam entre as melhores alternativas de transporte de massa do mundo – e têm lições preciosas para o Brasil

Seul (Coreia do Sul)

Seul (Coreia do Sul) (Foto: EschCollection / Getty Images)

Seul (Coreia do Sul) (Foto: EschCollection / Getty Images)

Expansão quatro vezes mais rápida do que a do metrô de São Paulo

Início da operação: 1974
Extensão: 327 km
Número de estações: 302
Passageiros por ano: 2,6 bilhões

O metrô da capital sul-coreana e o de São Paulo entraram em operação no mesmo ano, o que torna a diferença ainda mais gritante: em quatro décadas, a malha de Seul cresceu quatro vezes mais do que a paulistana e transporta o triplo de pessoas.

A rede de Seul é formada por nove linhas, administradas por diferentes empresas.

Nos trens, os passageiros contam com comodidades como TV digital, rede de telefonia 4G e assentos aquecidos no inverno.

 

Kaohsiung (Taiwan)

Kaohsiung (Taiwan) (Foto: Craig Ferguson / Getty Images)

Kaohsiung (Taiwan) (Foto: Craig Ferguson / Getty Images)

Estações que valem uma visita só para tirar fotos

Início da operação: 2008
Extensão: 39 km
Número de estações: 37
Passageiros por ano: 64 milhões

Em um ranking elaborado por um portal internacional de turismo em 2012, o metrô de Kaohsiung, a segunda maior cidade de Taiwan, emplacou duas estações entre as cinco mais bonitas do mundo: a Formosa Boulevard (da foto) e a Central Park.

Mas o metrô local não se destaca apenas pela beleza.

As duas linhas da cidade têm alto índice de automação e dispensam o uso de condutores. Toda a operação é controlada remotamente.

 

Dubai (Emirados Árabes Unidos)

Dubai (Emirados Árabes Unidos) (Foto: Nikada / Getty Images)

Dubai (Emirados Árabes Unidos) (Foto: Nikada / Getty Images)

Construído em tempo recorde, sem abrir mão de segurança e conforto

Início da operação: 2009
Extensão: 75 km
Número de estações: 46
Passageiros por ano: 67 milhões

O metrô de Dubai é um exemplo de que, muitas vezes, vale a pena gastar o tempo que for preciso para elaborar um bom projeto.

Os estudos técnicos do metrô local consumiram quase nove anos. Mas, iniciada a obra, a cidade precisou de apenas quatro anos para implantar uma malha equivalente à de São Paulo.

Com um sistema de detecção de objetos para evitar colisões, é considerado um dos metrôs mais seguros e confortáveis do mundo.

 

Paris (França)

Paris (França) (Foto: Bruce Bi / Keystone)

Paris (França) (Foto: Bruce Bi / Keystone)

Uma estação no raio de 500 metros de cada morador
Início da operação: 1900
Extensão: 213 km
Número de estações: 300
Passageiros por ano: 1,4 bilhão

No Rio de Janeiro, o excesso de automóveis faz com que, no horário de pico, a velocidade dos veículos não passe de 27 quilômetros por hora. Mas, para convencer a população a trocar o carro pelo transporte público, é preciso oferecer condições para isso: estações próximas da residência e do trabalho das pessoas.

O Rio de Janeiro tem apenas 46 quilômetros de metrô, ante 213 quilômetros em Paris.

Na capital francesa, nenhum morador anda mais de 500 metros para chegar a uma estação de metrô.

 

Londres (Inglaterra)

Londres (Inglaterra) (Foto: Gary Shore / Corbis / Latinstock)

Londres (Inglaterra) (Foto: Gary Shore / Corbis / Latinstock)

O metrô mais antigo do mundo continua em boa forma aos 150 anos

Início da operação: 1863
Extensão: 408 km
Número de estações: 275
Passageiros por ano: 1,2 bilhão

Londres construiu boa parte de sua malha de metrô numa época em que a cidade era menos adensada, o que reduziu os gastos com desapropriações – construir túneis em cidades já prontas, como o caso brasileiro, torna a obra até 30% mais cara.

O metrô mais antigo do mundo é famoso por sua pontualidade, segurança e eficiência. Os trens não desenvolvem alta velocidade (a média é de 33 quilômetros por hora, incluindo as paradas nas plataformas), por causa da proximidade entre as estações, mas chegam a quase todos os bairros.

 

Nápoles (Itália)

Nápoles (Itália) (Foto: Eric Vandeville / Newscom / Glow Images)

Nápoles (Itália) (Foto: Eric Vandeville / Newscom / Glow Images)

Com um metrô assim, quem precisa de museu?

Início da operação: 1993
Extensão: 18 km
Número de estações: 20
Passageiros por ano: 139 milhões

Um dos berços do Renascimento italiano, a cidade de Nápoles se orgulha de ter o “metrô das artes”. Em 13 das 20 estações que compõem o sistema há esculturas, pinturas e mosaicos.  A ideia é tornar a arte contemporânea parte do ambiente dos usuários.

A estação de Toledo (foto), projetada pelo arquiteto catalão Oscar Tusquet Blanca, é um exemplo. O percurso entre a rua e a plataforma é repleto de obras que têm como tema a luz e a água.

 

Estocolmo (Suécia)

Estocolmo (Suécia) (Foto: Jonathan Nackstrand / AFP Photo)

Estocolmo (Suécia) (Foto: Jonathan Nackstrand / AFP Photo)

Aposta em tecnologia ambientalmente correta

Início da operação: 1950
Extensão: 108 km
Número de estações: 100
Passageiros por ano: 320 milhões

O metrô de Estocolmo se destaca por ser ecologicamente correto. Para reduzir o impacto ambiental, várias estações foram construídas com o aproveitamento das rochas em seu estado bruto na estrutura de sustentação. Todos os trens operam com energia elétrica de fontes renováveis.

No Brasil, o metrô de São Paulo tem um projeto para avançar no uso de energia limpa: a ideia é instalar painéis em algumas estações para captar energia solar.

 

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