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Tancredo Neves

19/08/2014

às 19:15 \ Política & Cia

Em jingle, Aécio diz que “não depende de padrinho e não precisa de patrão”. Ouçam aqui os 2 primeiros jingles da campanha do tucano

(Foto: George Gianni/PSDB)

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves (Foto: George Gianni/PSDB)

Por Bruna Fasano, de São Paulo, para o site de VEJA

Os primeiros jingles de Aécio Neves foram distribuídos aos 27 coordenadores estaduais da campanha tucana à Presidência da República nesta segunda-feira.

Aécio divulgou um guia prático de como sua coligação, composta por nove partidos, deve produzir material publicitário. Junto com o guia, os coordenadores receberam um CD com fotos e santinhos.

Um dos jingles foi elaborado em ritmo de forró, e o outro, com levada pop (ouça abaixo).

No forró, a letra diz que Aécio é “sujeito de raiz” e lembra que ele é neto do ex-presidente Tancredo Neves.

Na versão pop, o tucano alfineta a presidente-candidata Dilma Rousseff, que tem em Lula seu principal fiador. A letra diz que “Aécio não depende de padrinho, não precisa de patrão”.

16/08/2014

às 20:00 \ Política & Cia

A morte de Eduardo Campos é uma séria perda no processo de renovação generacional da política brasileira

(Foto: Carla Carniel/Frame/Estadão Conteúdo)

“Eduardo Campos já se formou em outra atmosfera, com menos intolerâncias, uma virtude” (Foto: Carla Carniel/Frame/Estadão Conteúdo)

A política brasileira sem Eduardo Campos

A morte do candidato do PSB tem o aspecto grave, entre outros, de representar uma perda séria no processo de renovação geracional na política brasileira

Editorial publicado no jornal O Globo

A morte de Eduardo Campos, num desastre aéreo em Santos, passa a constar das grandes tragédias ocorridas na política brasileira, em que líderes desapareceram de maneira traumática.

Entre elas, há o suicídio de Getúlio Vargas — também em agosto, mês de má fama na crônica da política nacional —, o desastre automobilístico de que Juscelino Kubitschek foi vítima, o desaparecimento no mar de Ulysses Guimarães e Severo Gomes, além do drama da morte de Tancredo Neves, eleito numa eleição indireta, mas com apoio popular, e que não conseguiu subir a rampa do Planalto.

O desaparecimento de Eduardo Campos tem, entre outros, o aspecto grave de representar uma perda séria no processo de renovação geracional da política brasileira. Com 49 anos, neto de Miguel Arraes, histórico político pernambucano, Campos se firmava como uma liderança que permaneceria no cenário nacional, mesmo se não saísse vitorioso nas urnas de outubro, ainda que sequer fosse ao segundo turno.

Não há dúvida que a campanha de 2014 projetaria o candidato, ex-governador de Pernambuco, presidente do PSB, para além das fronteiras do seu Estado e do Nordeste.

A perda de um político jovem, com capacidade de liderança — independentemente de partido e ideologia —, tem característica negativa especial num país que passou 21 anos numa ditadura militar (1964-1985), sem portanto formar quadros num ambiente institucional de liberdades.

Por este motivo, a política brasileira retomou a atividade na democracia ainda com lideranças das décadas de 1950 e 60. O apagão causado pela ditadura na prática impediu a formação de quase uma geração de políticos.

Os sobreviventes do regime militar desenvolveram virtudes, mas também deformações, cultivadas na resistência ao arbítrio. Eduardo Campos já se formou em outra atmosfera, com menos intolerâncias – uma virtude.

A aliança que lhe propôs Marina Silva, depois de não conseguir registrar seu partido Rede, foi prontamente aceita. O ato abriu-lhe novos espaços, os quais ele ocupava com habilidade, aparando arestas criadas pelas dificuldades previsíveis na articulação de propostas do PSB com a plataforma ambientalista da Rede, com a qual Marina atraiu dissidentes do Partido Verde, entre outros.

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15/08/2014

às 20:00 \ Política & Cia

COMISSÃO DA VERDADE: Afinal, quem mente? Dilma ou os generais?

(Fotos: Arquivo/O Globo :: A Crítica :: Correio do Povo :: DOPS-SP)

Quem está mentindo? (Fotos: Arquivo/O Globo :: A Crítica :: Correio do Povo :: DOPS-SP)

O Exército de Dilma, presidente, nega as torturas a que o Exército de Médici submeteu Dilma, guerrilheira

Por Luiz Cláudio Cunha.

Texto publicado originalmente no destemido jornal Já, editado por Elmar Bones em Porto Alegre

O Exército, a Marinha e a Aeronáutica mobilizaram durante quatro meses seus oficiais-generais mais qualificados para desfechar o mais canhestro ataque militar dos últimos tempos no Brasil — fuzilando o bom-senso, torpedeando a inteligência, bombardeando a memória nacional e condenando ao extermínio a verdade segregada nos campos de concentração erigidos pela mentira.

Para atender a um minucioso requerimento de 115 páginas enviado em 18 de fevereiro passado pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), as Forças Armadas (FFAA) reuniram suas tropas para produzir um monumento à insensatez e ao deboche: um palavroso, maçante, insolente, imprestável conjunto de 455 páginas de relatórios militares que não relatam, de sindicâncias que não investigam, de perguntas não respondidas, de respostas não perguntadas e de conclusões nada conclusivas, camufladas em um cipoal de decretos, leis, portarias, ofícios e velhos recortes de jornais falecidos.

Um histórico fiasco militar que passou em branco pela indolente imprensa brasileira, confinada a um registro burocrático, preguiçoso, sobre o sonso documento de resposta das FFAA. Jornais e revistas se mostraram incapazes ou temerosos de executar esta pauta obrigatória do bom jornalismo, que confronta a verdade com a mentira, a civilização com a barbárie. Enfim, uma página infeliz de nossa imprensa.

A maçaroca militar ignorada pelos jornalistas tem de tudo. Tudo para defender o indefensável, para sustentar o insustentável, para dizer o indizível na novilíngua dos generais: nunca houve tortura, nunca aconteceu nenhuma grave violação aos direitos humanos nos quartéis nos 21 anos do regime militar imposto em 1964 pelas Forças Armadas que derrubaram o presidente João Goulart.

A fracassada sindicância das FFAA lembra, mais pela tragédia do que pela piada, a histórica charge do humorista e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012) na edição de maio de 1974 da revista Veja, que mostra um preso esquálido pendurado na parede de uma masmorra. Da fresta na porta da cela surge o comentário consolador do carcereiro: “Nada consta”. Por causa da piada, a ditadura sem graça dos generais tentou provar que era séria e endureceu ainda mais a censura sobre a revista então dirigida por Mino Carta.

Os generais repetem, 40 anos depois, a piada de Millor: ‘nada consta’ (Charge: VEJA)

Os generais repetem, 40 anos depois, a piada de Millor: ‘nada consta’ (Charge: VEJA)

Em resumo, é a pilhéria que repetem exatos 40 anos depois os militares brasileiros, diante das indagações da CNV sobre tortura e morte em seus quartéis: “Nada consta”.

Para expor esta cômica contradição em termos, que põe em dúvida até a existência da ditadura, os generais brasileiros recorreram a um arsenal de papel concentrado em 268 páginas do relatório da Marinha, 145 da Aeronáutica e 42 do Exército, um conjunto sem serventia que a Comissão Nacional da Verdade fuzilou sem dó nem piedade: “Deplorável, lamentável”, definiu com firmeza a CNV, em uma desalentada nota oficial assinada pelos seis comissários.

Aturdida pela ‘completa incorreção’ da conclusão das FFAA – apesar das claras evidências – de que não houve tortura ou abusos nas instalações militares do país, a CNV lembrou aos generais distraídos que o Estado brasileiro reconhece desde 1995, por lei aprovada pelo Congresso de iniciativa do presidente Fernando Henrique Cardoso, as condutas criminosas de militares e policiais durante a ditadura, “incorrendo inclusive no pagamento de indenizações por conta justamente de fatos agora surpreendentemente negados”.

Durante meses, os pesquisadores da CNV, auxiliados por especialistas da Universidade de São Paulo (USP), juntaram documentos, testemunhos e perícias para montar um consistente relatório que prova a ocorrência de graves violações aos direitos humanos nos sete endereços mais notórios da repressão coordenada pelos militares, situados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

São cinco quartéis do Exército, uma base da Marinha e outra da Aeronáutica, com os nomes, sobrenomes, datas, depoimentos e horrores sobre nove casos de mortes sob tortura e outros 17 presos políticos torturados.

Por recato, talvez, a CNV não incluiu entre eles o nome de uma guerrilheira que sobreviveu às torturas em um dos sete endereços que marcam a face mais terrível da repressão brasileira: a rua Tutoia, na capital paulista, sede da pioneira ‘Operação Bandeirante’ (OBAN), sucedida ali pelo sangrento DOI-CODI do II Exército, sob o comando do então major Carlos Alberto Brilhante Ustra.

No início de 1970, naquele lugar listado pela CNV, padeceu durante 22 dias de suplício uma estudante mineira de 22 anos, integrante dos quadros de comando do grupo guerrilheiro Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares (VAR-Palmares), onde era conhecida pelos codinomes de ‘Estela’ ou ‘Vanda’. Na ficha da polícia, ela era identificada como Dilma Vana Rousseff, ou Linhares, seu nome de casada. [LEIA BOX ABAIXO] » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

27/07/2014

às 19:20 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN: vândalos, vikings e a política dos herdeiros

(Foto: Armando Paiva/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Sininho: a baderneira e protagonista de um “romance revolucionária” que iria incendiar a Câmara dos Vereadores do Rio (Foto: Armando Paiva/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Os vândalos, quem diria, são vikings

Notas de Carlos Brickmann publicadas neste domingo em diversos jornais

carlos_brickmannSão ferozes como os vikings e, como os vikings, acreditam no poder da destruição: os vândalos ferem, destroem e já mataram pelo menos uma pessoa.

São unidos como os vikings, e desta união extraem sua força: a coordenação que mantiveram deixou os inimigos, os policiais, desarvorados. E, quem diria, a moda viking, aquele famoso capacete com chifres, expôs sua maneira de agir.

Uma integrante do grupo de vândalos, Anne-Josephine Louise Marie Rosencrantz, descobriu que seu namorado Luiz Carlos Rendeiro Jr., Game Over, pai de seu filho, era partilhado por outra ativista, Elisa Quadros Pinto Sanzi, Sininho.

A traída se vingou traindo: Anne-Josephine foi à Polícia e prestou depoimento sobre a ação dos vândalos. Começou informando como Sininho admitiu o namoro com Game Over: “Sininho diz que ela e Game Over tinham um romance revolucionário”. E apresentou as denúncias – entre elas, diz, a tentativa, liderada por Sininho, de incendiar o prédio da Câmara dos Vereadores do Rio.

Segundo Anne-Josephine, este incêndio não fazia parte dos planos dos manifestantes, e Sininho, aos gritos, pedia que lhe levassem gasolina para iniciar o fogo. Conforme diz Anne-Josephine, foi Game Over que conseguiu controlá-la.

De acordo com a Polícia, Anne-Josephine detalhou ainda as funções dos principais lideres dos vândalos e – oh, novidade! – relatou o uso de drogas por eles.

E daí? Daí que todos os detidos por vandalismo, inclusive os acusados por Anne-Josephine, foram libertados por ordem do desembargador Siro Darlan.

Os herdeiros – Presidência

A primeira tentativa de organização administrativa do Brasil foram as capitanias hereditárias, criadas por D. João III, rei de Portugal, em 1534. O sistema foi extinto pelo Marquês de Pombal em 1759.

Eduardo Campos, candidato à Presidência, e seu avô, Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco — um dos herdeiros nestas eleições (Foto: PSB)

Eduardo Campos, candidato à Presidência, e seu avô, Miguel Arraes, ambos ex-governadores de Pernambuco: Campos é um dos herdeiros nestas eleições (Foto: PSB)

Mas, na prática, a capitania hereditária, em que o poder passa de pai para filho, ainda existe.

A candidata do PSOL à Presidência, Luciana Genro, é filha do governador petista Tarso Genro, candidato à reeleição no Rio Grande do Sul.

Aécio Neves, PDSB, é neto do governador mineiro Tancredo Neves, que morreu sem tomar posse na Presidência; Eduardo Campos, PSB, é neto do três vezes governador pernambucano Miguel Arraes, já falecido.

Os herdeiros – Governos

O candidato do PMDB no Maranhão, Lobão Filho, é filho do ministro das Minas e Energia e ex-governador Édison Lobão.

No Pará, o candidato do PMDB é Hélder Barbalho, filho do ex-governador, ex-deputado e senador Jader Barbalho (político famoso, que até preso já esteve), e da ex-deputada federal Elcione Barbalho.

Renan Filho, PMDB, Alagoas, é filho do presidente do Senado, Renan Calheiros, sobrinho dos ex-deputados federais Olavo e Renildo, sobrinho do ex-prefeito de Murici, Remi Calheiros.

Lobãozinho e Renanzinho descendem de um tronco mais antigo: José Sarney, padrinho de seus pais.

Zé Filho, PMDB, candidato à reeleição no Piauí, é sobrinho do ex-governador Mão Santa. Nelsinho Trad, PMDB, Mato Grosso do Sul, é filho do deputado federal Nelson Trad. Marcelo Miranda, PMDB, Tocantins, é filho do deputado estadual Brito Miranda e foi governador por dois mandatos.

Henrique Alves, PMDB, Rio Grande do Norte, é filho dos governadores e ministros Aluísio Alves e Garibaldi Alves Filho. Vital do Rego, PMDB, Paraíba, é neto do ex-governador Pedro Gondim, irmão de Veneziano Segundo Neto, ex-prefeito de Campina Grande, e filho da deputada federal Nilda Gondim.

Filhos, filhos

Moraes Moreira canta que “todo menino é um rei”. E todo mundo é fidalgo – na versão original da palavra, “filho de algo”, filho de alguém.

E boa parte dos candidatos, admitamos, é mesmo filho de algo.

16/07/2014

às 17:00 \ Política & Cia

MARCO ANTONIO VILLA: no 15º aniversário da morte de Franco Montoro, democrata e campeão das “Diretas Já”, vemos como estão escassos os políticos de verdade

(Foto: Agência Brasil)

“O esquecimento de Franco Montoro é um ato perverso para a jovem democracia brasileira, tão carente de exemplos que dignifiquem o compromisso com o interesse público” (Foto: Agência Brasil)

MONTORO, PEDAGOGO DA POLÍTICA

Texto de Marco Antonio Villa* publicado no jornal O Estado de S. Paulo de 15 de julho

Marco-Antonio-Villa-veja.abril_.com_.br_-300x168Amanhã, dia 16 de julho, completam-se 15 anos do falecimento de André Franco Montoro. Ele percorreu um caminho raro entre os políticos brasileiros: foi vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, governador de e ministro de Estado. Contudo nunca afastou o exercício da função pública da elaboração de ideias que tivessem aplicação prática na vida das pessoas.

O fortalecimento da sociedade civil sempre foi uma preocupação central da sua ação, isso num país onde o papel do Estado foi superdimensionado, tanto pela direita como pela esquerda.

Montoro teve na democracia cristã do pós-guerra a sua matriz ideológica. E com base nesse pensamento agiu como um pedagogo da política, escrevendo, debatendo e formando militantes.

Por onde passou foi deixando a sua marca. Nos dez meses em que esteve à frente do Ministério do Trabalho, durante o Gabinete Tancredo Neves, foi pioneiro no incentivo à sindicalização rural – tema, à época, explosivo – e criou o salário-família.

Na Câmara dos Deputados destacou-se na defesa dos trabalhadores e da democracia. Tanto que, após a extinção dos partidos políticos, em 1965, foi um dos primeiros a organizar o MDB. Cinco anos depois foi eleito senador, numa eleição marcada pelo medo, no auge do regime militar.

Nos anos de vida parlamentar foi um incansável propagador da integração econômica e cultural com a América Latina. De início foi voz solitária. Poucos se interessavam. Mas a pregação foi ganhando adeptos até ser incorporada à Constituição de 1988.

Assumiu o governo de São Paulo em março de 1983. O país estava em recessão – o produto interno bruto (PIB) caiu 2,9% – e com uma inflação anual de 211%. A economia estadual passava por uma profunda crise. O número de desempregados não parava de aumentar. E as finanças estaduais estavam em petição de miséria após o trágico quadriênio Maluf-Marin [Observação do colunista: sim, este mesmo José Maria Marin, decrépito presidente da CBF e à época, na política, capacho da ditadura militar].

Organizou um secretariado de nível ministerial. Teve entre seus principais colaboradores (incluindo os bancos e empresas estatais paulistas) José Serra, João Sayad, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Almino Affonso, Miguel Reale Júnior, Almir Pazzianotto, José Gregori, Paulo Renato e Paulo de Tarso, entre outros.

Nomeou para a Prefeitura de São Paulo Mário Covas [a Constituição do regime militar não admitia eleições diretas para as capitais.]. Entendeu que na administração pública deviam ser escolhidos os melhores. E que o governador não devia temer a competência dos seus auxiliares, muito pelo contrário.

Pôs em prática os princípios defendidos desde os anos 1950. Fez da descentralização um dos carros-chefes do governo. Insistiu na tese de que o município é a base da democracia, da boa gestão e onde o cidadão vive. Fez o saneamento financeiro zerando o déficit orçamentário graças à austeridade nos gastos. Diversamente do governo anterior, deu à ética um papel central.

Relacionou-se com a Assembleia Legislativa de forma republicana. Acentuou a necessidade da participação do cidadão nos negócios públicos. E foi o primeiro governador a ter preocupação (e ação) com o meio ambiente – basta recordar o tombamento da Jureia, onde Paulo Maluf queria construir duas usinas nucleares.

Conviveu com diversos movimentos grevistas. Reivindicações contidas à força pelos governos anteriores acabaram eclodindo. Soube buscar soluções harmoniosas em meio à tensão política.

No tristemente célebre episódio da derrubada das grades do Palácio dos Bandeirantes agiu com moderação. Sabia que estavam em jogo a abertura democrática e o exercício da autoridade. Era uma provocação arquitetada pelos extremismos à direita e à esquerda. Tomou as decisões necessárias e saiu engrandecido.

A volta da democracia: primeiro governador de São Paulo eleito por voto direto após as imposições da ditadura, Montoro aparece em campanha eleitoral junto com Miro Teixeira, Tancredo Neves e Orestes Quércia (Foto: Angelo Perosa)

A volta da democracia: primeiro governador de São Paulo eleito por voto direto após as imposições da ditadura, Montoro aparece em campanha eleitoral junto a Raphael de Almeida Magalhães (primeiro à esquerda), Orestes Quércia, Tancredo Neves e Miro Teixeira, entre outros (Foto: Angelo Perosa)

A campanha das diretas teve início – efetivamente – no dia 25 de janeiro de 1984, no comício da Praça da Sé, por iniciativa do governador. Foi um ato de ousadia e coragem política. Poucos acreditaram no sucesso do comício. E a participação de 300 mil pessoas demonstrou a correta análise de conjuntura do governador Montoro. A partir daí, a campanha deslanchou. Foram realizados dezenas de atos por todo o Brasil. E em São Paulo, em 16 de abril, foi encerrada com o maior comício da História do Brasil. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

23/06/2014

às 23:52 \ Política & Cia

Desistindo de candidatar-se pela 4ª vez ao Senado aos 84 anos e 59 de vida pública, Sarney é o mais longevo político da história da República. Vejam um pouco de sua trajetória em fotos

sarney-presidindo- Geraldo MagelaAgência Senado

O ex-presidente José Sarney em 2012, como presidente pela quarta vez do Senado (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

Sua longa carreira política, de 59 anos ininterruptos, não tem paralelo em 125 anos de história da República em matéria de longevidade: no decorrer dela, o senador José Sarney (PMDB), que anunciou hoje a desistência de se candidatar à quarta reeleição consecutiva ao Senado pelo Amapá, operou sob 13 presidentes da República e 4 constituições, assistiu (e apoiou) dois golpes de Estado, testemunhou dois fechamentos do Congresso e viu subirem ao posto 11 presidentes americanos e, no nosso principal vizinho, a Argentina, 30 presidentes e duas juntas militares –  além de, no comando da Igreja Católica, 7 papas.

Aos 84 anos, completados em em abril, pode-se dizer de Sarney que, ao longo desses 59 anos, passou poucos, pouquíssimos, na oposição: alguma oposição a JK — quando começou o primeiro de seus quatro mandatos como deputado federal, a partir de 1955 e até 1961 –, e oposição moderada a Jango, entre 1962 e 1964 (Sarney pertencia à “Bossa Nova” da então UDN, um setor supostamente mais “progressista” do partido liberal-conservador gerado no pós-ditadura de Getúlio Vargas).

No mais, navegou nas águas governamentais seja como governador do Maranhão (1966-1970), seja em seus seis mandatos de senador, o primeiro deles, pela Arena, partido do regime militar, entre 1971 e 1979.

E, claro, foi ele próprio o poder quando, por um acaso da história, tornou-se presidente da República (1985-1990).

Como se recorda, no crucial ano de 1984, em que se decidiria a sucessão do presidente João Figueiredo (1979-1985), o quinto do ciclo da ditadura militar, Sarney presidia o PDS, partido sucessor da Arena, quando se juntou ao grupo dissidente que não aceitava a candidatura ao Planalto de Paulo Maluf — turma que incluía o vice-presidente Aureliano Chaves e outras figuras de proa como o ex-governador de Pernambuco Marco Maciel e o ex-governador da Bahia Antonio Carlos Magalhães, entre outros.

O grupo, a Frente Liberal, juntou-se ao PMDB para formarem a Aliança Democrática que levou à vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, tendo o próprio Sarney como vice.

A morte de Tancredo sem tomar posse, a 21 de abril de 1985, levou-o em caráter definitivo à Presidência da República, que assumira interinamente a 15 de março.

Nas fotos abaixo, uma rápida viagem pela longa trajetória de Sarney na política.

Sarney 1959 (Foto: Agência O Globo)

Sarney em 1959: deputado federal pela UDN do Maranhão (Foto: Agência O Globo)

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Sarney candidato a governador 1965

Sarney em 1965: candidato a governador do Maranhão (Foto: arquivo)

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Sarney tomando posse em 1966 (Fotograma do filme Maranhão 66, de Glauber Rocha)

Sarney em 1966: tomando posse no dia 31 de janeiro (Fotograma do filme “Maranhão 66″, de Glauber Rocha)

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Sarney governador em 1967

Sarney em 1967: governador em atividade

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Sarney com Juscelino

Sarney com Juscelino (1956-1961), em foto sem data: oposicionista, mas não muito

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Sarney com Prisco, Marchezan, Portella e Passarinho

Sarney na Arena, o partido do regime militar: com os deputados Prisco Viana (BA) e Nelson Marchezan (RS), e os senadores Petrônio Portella (PI) e Jarbas Passarinho (PA)

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Sarney com fotos de Geisel e Figueiredo por detrás

Sarney, com o testemunho de Prisco Viana, do governador biônico de São Paulo, Abreu Sodré, e do professor Claudio Lembo, fala sob a sombra de Geisel e Figueiredo

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Sarney na campanha de Tancredo Neves, em 1984 (Foto: Agência Estado)

Sarney em 1984: na campanha de Tancredo Neves à Presidência, dividindo o palanque com o candidato (à dir.) e com o deputado Ulysses Guimarães (à esq.). À direita de Tancredo, Osmar Santos, o “locutor das diretas” (Foto: Agência Estado)

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Sarney com Tancredo, candidatos

Sarney com Tancredo, em 1985: abraço da vitória

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Sarney anunciando Plano Cruzado 1986

Sarney presidente da República: anunciando Plano Cruzado, em 26 de fevereiro de 1986

 

14/06/2014

às 19:35 \ Política & Cia

POST DO LEITOR: Por que Aécio pode (e vai) vencer as eleições de 2014

 

Aécio quando eleito presidente do PSDB, em maio de 2013: mais uma análise minuciosa mostra que as chances de o senador ser eleito não só existem, mas são grandes (Foto: O Globo)

Aécio Neves aclamado depois de eleito presidente do PSDB, em maio de 2013: mais uma análise minuciosa mostra que as chances de o senador ser eleito não só existem, mas são grandes (Foto: O Globo)

PORQUE AÉCIO PODE (E VAI) VENCER AS ELEIÇÕES DE 2014

Por Ricardo Noda, engenheiro e empresário

POST DO LEITORAté pouco tempo, a maioria dos brasileiros interessados em política dava como certa a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014, discutindo apenas se ela viria em primeiro ou segundo turno.

Após as pesquisas mais recentes, já se admite a hipótese de haver segundo turno nas eleições deste ano, mas julga-se remotíssima a hipótese de derrota de Dilma. Discordo frontalmente desta opinião e afirmo que, ao contrário, hoje a maior probabilidade de vitória já é do candidato de oposição, senador Aécio Neves.

Baseio minha visão, em cinco hipóteses fundamentais:

1. As pesquisas eleitorais no Brasil, com mais de seis meses de antecedência, tem pouco ou nenhum valor como previsoras do resultado das eleições. Essa hipótese é particularmente aplicável num ano onde há uma Copa do Mundo acontecendo em nosso território. O eleitor brasileiro, simplesmente, ainda não parou para refletir sobre o assunto.

2. A hipótese de não haver segundo turno sempre foi muito remota, sendo prova disso o fato de que nem mesmo Lula, no auge de sua fama e popularidade obteve a façanha. Ao contrário, o notável é FHC ter conseguido, por duas vezes, a vitória em primeiro turno, num quadro político partidário tão fragmentado quanto o brasileiro.

Ajudou-o a enorme rejeição a Lula e ao PT prevalente à época (lembremo-nos de que foi necessária uma Carta Ao Povo Brasileiro em 2002, onde Lula prometia não fazer nada do que o PT pregava, para viabilizar sua vitória) e o fato de FHC ter sido beneficiário de um enorme quantum de “enriquecimento” da população, em especial das classes de renda mais baixa, oriundo da queda brusca da inflação proporcionada pelo Plano Real.

3. O início do horário de propaganda eleitoral gratuita em 19 de agosto próximo, a despeito de oferecer à candidata Dilma praticamente o triplo do tempo de exposição que a Aécio (aproximadamente 12 x 4 minutos), será suficiente para eliminar o relativo desconhecimento de uma grande parte do eleitorado em relação ao ex-governador de Minas Gerais.

A igualdade de tempo no horário eleitoral, no segundo turno, permitirá que o eleitor que hoje quer mudança conheça e faça a comparação entre as alternativas;

4. Os apoios regionais e estaduais, em particular as eleições para governador, têm influência muito maior sobre a eleição presidencial do que em geral lhes é atribuída por analistas políticos, para quem o tempo de televisão no horário gratuito de propaganda eleitoral é capaz de dissociar completamente o voto para governador do voto para presidente da República.

Sem negar esta relativa independência, apenas assumo que ela seja realmente relativa e não absoluta.

5. Se, por um lado, as pesquisas eleitorais tem pouco significado a seis meses das eleições, a história (em especial a mais recente) tem enorme significado e influência, e não deve ser subestimada.

Assim, defendo a ideia de que o estudo das eleições de 2010, aliado à análise das mudanças em cenários políticos (em especial as disputas regionais ou estaduais), numa visão mais estratégica do que tática, pode ser uma ferramenta melhor e mais segura para antecipar os resultados da próxima eleição do que a leitura de pesquisas eleitorais feitas com grande antecedência.

7 premissas para a vitória de Aécio – O quadro abaixo enumera as 7 premissas que adoto para concluir pela plausibilidade do título deste artigo. Em seguida passo a analisá-las individualmente. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

12/03/2014

às 16:20 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Aécio busca atrair o PP e seus minutos na TV para sua candidatura a presidente

Aécio com a senadora Ana Amélia (PP-RS): palanque gaúcho é apenas parte de uma estratégia para atrair o PP (Foto: Agência Senado)

Aécio com a senadora Ana Amélia (PP-RS): palanque gaúcho é apenas parte de uma estratégia para atrair o PP (Foto: Agência Senado)

As conversas em curso entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI) fazem parte da estratégia do candidato tucano à Presidência de minar a aliança que o partido mantém hoje com a presidente Dilma Rousseff no Congresso e atraí-lo para a chama PSDB-DEM (e possivelmente o novo partido Solidariedade) para a disputa pelo Planalto.

A estratégia vem sendo delineada há tempos. O PP ocupará, a partir do fim deste mês, o governo do segundo maior Estado brasileiro, Minas Gerais, com o vice-governador Alberto Pinto Coelho passando a ocupar o Palácio da Liberdade com a renúncia do governador Alberto Anastasia, que deverá disputar a vaga mineira no Senado.

Aécio já providenciara, dentro do prazo legal, a saída do PSDB do presidente da Assembleia Legislativa de Minas, Dinis Pinheiro, e sua filiação ao PP – Dinis, agora, será candidato a vice-governador na chapa do ex-ministro tucano Pimenta da Veiga.

À firme estaca propiciada pelo PSDB ao PP em Minas se somam outros fatores. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a candidata que aparece mais forte para fazer frente ao PT do governador Tarso Genro é a senadora Ana Amélia, do PP, que será apoiada por Aécio e deverá lhe propiciar palanque no Estado. No Rio de Janeiro, um dos mais influentes dirigentes do PP, e ex-presidente do partido, o senador Francisco Dornelles, é sobrinho do falecido presidente Tancredo Neves e parente próximo do presidenciável tucano.

Uma eventual aliança com o PP na eleição presidencial significaria, para Aécio, a aquisição de preciosos 2 minutos e 32 segundos de tempo no horário eleitoral pela televisão, que melhorariam os magros 3 minutos e 57 segundos propiciados pelo PSDB, aos quais deverão somar-se os 2 minutos e 2 segundos correspondentes ao DEM e, possivelmente, 30 segundos do novo partido Solidariedade (SDD). O PPS, tradicional aliado do PSDB há várias eleições, desta vez deve marchar com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, candidato do PSB.

A presidente Dilma terá, no mínimo, 13 minutos e 32 segundos diários na TV — se mantida a problemática aliança com o PMDB e seus 2 minutos e 25 segundos –, aos quais poderão se acrescentar os tempos do próprio PP, caso Aécio não atinja seu objetivo com o partido em nível nacional, mais os do PTB, do PDT e de outros partidos menores, como o PCdoB, que, somados, irão conferir à presidente grande vantagem com essa ferramenta eleitoral fundamental.

O PDT, porém, ainda é uma incógnita. Formalmente alinhado com o governo no Congresso, não adotou postura definitiva quanto à eleição presidencial. Aécio também tem procurado o partido e terá palanque em Mato Grosso por estar apoiando, no Estado, a candidatura do senador Pedro Taques.

04/03/2014

às 19:00 \ Política & Cia

NEIL FERREIRA: O samba-enredo do afrodescendente com deficiência mental

Marina Silva e Joaquim Barbosa: "dois não-candidatos, destaques que levariam o desfile para o segundo turno" (Fotos: José Cruz / ABr :: Felipe Sampaio / STF)

Marina Silva e Joaquim Barbosa: “dois não-candidatos, destaques que levariam o desfile para o segundo turno”. Neil: “Voto de Joaquinzão Barbosa foi aula de Ci|ência de Direito, pronunciado com a indignação republicana, que é minha e sua” (Fotos: José Cruz / ABr :: Felipe Sampaio / STF)

 

Por Neil carnavalesco Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

(Observação: texto escrito antes do final da sessão do Supremo que liberou os principais mensaleiros do crime de quadrilha e da prisão em regime fechado)

O SAMBA-ENREDO DO AFRODESCENDENTE COM DEFICIÊNCIA MENTAL

Neil Ferreira

O STF já botou seu bloco na rua e ficou claro que a Gangue dos 6 vai livrar Dirceu, Delúbio, Genoíno e João Paulo Cinquenta Conto Cunha da cana em regime fechado.

Os votos que vi, dos Ministros Gilmar Mendes (parte), Celso Mello (parte) e Joaquinzão Barbosa foram aulas da Ciência do Direito, pronunciados com a indignação republicana que é minha e sua.

No Rio e na Bahia, é carnaval desde o Natal e vai até a Copa, com os black blocks quebrando agências bancárias pra destruir o Capitalismo, mascarados assustadoramente. Wall Street treme, mas não para de trabalhar; não dá bola para o que rola abaixo do Rio Grande, a não ser quando os juros sobem e esta república mensaleira vira um rico pesqueiro para o capital especulativo.

O nosso país é bizarro, já apresenta seu samba-enredo para o carnaval de Outubro. A ala Santa Marina Cheia de Graça, fantasiada de Virgem Maria, Porta-Bandeira; Joaquinzão o Bom, Mestre-Sala, fantasiado dele mesmo.

São dois não-candidatos, destaques que levariam o desfile para o segundo turno, segundo os jurados da Globo, do Ibope e do DataFalha .

Comigo num vem qui num tem, sou Beija-Flor desde o Joãzinho Trinta e seu inesquecível enredo “Sonhar com o Rei dá Leão”, versão histórica do muderrrno “Sonhar com Mensaleiro dá Corrupção”!

A presença de uma, Santa Marina, ou do outro, Joaquinzão, encabeçando uma Comissão de Frente, tiraria o sono da Miss Piggy.

Ela teme levar outra raspança do Lula e não o perigo sem perigo dos seus adversários. Lula disse que “se me encheram o saco me candidato”. Assustou mais a Miss Piggy do que a oposicinha.

A Maior Corrupção de Todos os Tempos tem seu rico carro alegórico com papagaios que repetem o refrão “Corrupto! Corrupto! Corrupto !”

Os discursos lidos pela Miss Piggy são um desastre conhecido. O improviso de Bruxelas obrigou brasileiros por acaso ou residentes no exterior, a se fantasiarem de paraguaios.

Eu me enfiei num café e pedi no meu inglês mais escorreito: “Acófi prísi” . O barman educadamente fingiu que entendeu e foi conferir com um garçom latino, supostamente imigrante ilegal, o que aquilo significaria.

A reunião durou demorados 15 minutos, o barman voltou e me serviu uma Coca Cola morna, com o seu melhor sorriso.

Ficou provado que o meu melhor inglês se equipara ao melhor português da Miss Piggy.

Os candidatos que já se apresentaram apanhariam dela no primeiro turno. Aécio aparece desde o início do desfile como carta fora do baralho, não evoluindo no sambódromo, não tem carnavalesco de truz.

FHC poderia ser o Joãozinho Trinta ressuscitado para esse desfile, mas parece que quer é curtir seu novo casamento.

Ninguém me perguntou, nem o Ibope nem o DataFalha, nem você, mas taparei o nariz e votarei no Aécio.

O Dr. Ulysses deu essa palavra de ordem, tapar o nariz, para que se votasse no Tancredo na eleição indireta, consentida pela ditadura militar, importante passo pra nossa redemocratização.

A derrota do Maluf, candidato do partido oficial, ARENA, se mostrou possível; e foi. (Rapá, o conteúdo das malas que vislumbrei na sala de reuniões de um prédio em que prestava serviços como frila…)

O PMDB era o que tínhamos. Uma Arca de Noé, que juntou de FHC a Serra a Montoro a Richa a Lula , mais cidadãos desde então chamados de “sociedade civil”. Resistiam com os poucos meios disponíveis. Entupimos as ruas, avenidas e praças nas “Diretas Já”.

Peguei um avião em Congonhas, desci em Santos Dummont, atravessei a avenida e juntei-me à “Passeata dos Cem Mil” até a Candelária, aquela em que a Miss Piggy falsificou uma foto pra provar que tinha ido; foi pega na mentira.

"Taparei o nariz e votarei no Aécio"

“Taparei o nariz e votarei no Aécio”

Alguns mergulharam na aventura infeliz da luta armada, eram estilingues contra tanques, metralhadoras e bombas de efeito imoral; muitos pagaram com suas vidas.

O PMDB deu origem ao PSDB, que se diz de centro-esquerda na vida virtual; não é. Na vida real é de centro – direita. E ao PT , que se diz de esquerda na vida virtual; não é. Na vida real é mais de direita que qualquer generalão da ditadura militar.

Lula não se cansa de elogiar o general Médici, o mais duro dos militares que ocupou o Planalto.

O delegado Tuma Jr escreveu um livro-bomba em que denuncia Lula, codinome “Barba”, de ter sido informante do Departamento de Ordem Política e Social, DOPS, onde militantes da oposição, armada ou não, eram torturados, alguns até que a morte os libertasse de tanto sofrimento.

Serra, depois de perder duas eleições presidenciais e uma para prefeito de São Paulo e que nos deixou de herança 44 milhões de votos em busca de um partido, não compareceu à sessão especial do Senado para comemorar os 20 anos do Plano Real.

FHC estava lá, todo sorrisos, recebendo os justos salamaleques.

O PT também não compareceu. Foi o partido de idiotas fundamentalistas que entrou na Justiça contra o Plano Real e mentiu que era “um plano eleitoreiro que não duraria 3 meses”.

Durou 1 ano de Itamar, 8 de FHC, 8 de Lula e 3 anos e meio da Miss Piggy até agora. Foi e é ferramenta essencial para que Noço Guia balbucie o mantra “nunca antes neçepaíz”.

Ao perceber os olhares de “cadê o Serra”, lembrei que FHC, cheio de humor venenoso, teria sugerido “ — Serra, embora seja o quadro político mais bem preparado do Brasil, deveria matar o demônio que mora dentro dele” (risos gerais). Deveria.

O PT é pai de uma coleção de partidecos de quinta categoria, metidos a radicais mas não sei do que vivem, como PSOL, PSTU, com eleitorado quase sem votos visíveis, mas que supostamente nadam em dinheiro .

O PMDB virou esse (des)troço humano, pendurado nas bocas mais sórdidas,com quadros vergonhosos, estão aí o Renan Avacalheiros e o Sarney, o imortal, que não me deixam mentir.

O PSDB elegeu e reelegeu FHC Presidente, elege e reelege o governo de São Paulo, o Estado mais adiantado país, há 20 anos. Lula elegeu dois postes, Miss Piggy e o brimo Haddad, e nos ameaça com outro, o Padilha, para o governo de São Paulo.

Disse o Cara (de pau): “— De poste em poste vamos iluminar o Brasil”. Ainda goza com a cara da gente.

Padilha ainda não acendeu nenhuma lâmpada, mas é bom lembrar que os postes anteriores começaram com 4 e 7 pontos nas pesquisas. O problema é como vota o “país dos mais de 80%”.

E nós sabemos como: cada Bolsa-Esmola equivale a uns 4 votos. Só a Nossa Caixa Deles anuncia que distribui 13 milhões por mês, o que dá mais ou menos 52 milhões de votos de vantagem antes que pingue um voto registrado nas urnas eletrônicas, meses antes da eleição.

Faço questão de repetir para enfatizar “urna eletrônica” porque, sendo um computador, pode ser programada e aí não sei não.

Longe de mim levantar qualquer suspeita; quando escrevi aí em cima “não sei não” digo eu que “não sei não” nada de informática. Fui claro?(voz de dublagem nas séries de TV, a que assisto quase caindo no sono).

É aqui que coloco meu white block na rua, cantando “Se você fosse sincera ô ô ô Rose do Lula, veja só que bom que era ô ô ô Rose do Lula”. Dona Marisa adoraria.

(Acabei o texto em morte súbita para gáudio dos leitores. Obrigado pela paciência).

17/11/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: Lula é o novo Perón

José Dirceu, o "Chefão mensaleiro": "por enquanto ele pegou cana em regime seimiaberto;  poderá continuar trambicando de dia e vai acabar dormindo em casa na maior boa" (Foto: Tiago Queiroz / AE)

José Dirceu, o “Chefão mensaleiro”: “por enquanto ele pegou cana em regime semiaberto; poderá continuar trambicando de dia e vai acabar dormindo em casa na maior boa” (Foto: Tiago Queiroz / AE)

Por Neil praga de mãe pega Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

LULA É O NOVO PERÓN

Neil Ferreira

O assassinato do lindo menino Joaquim e o suspeito é o padrasto. A destruição e a imundície deixadas na reitoria da USP – uma cracolândia, como bem enxergou este DC — depois que os vândalos do PT, do PSOL e do PSTU, supostos estudantes, foram de lá despejados.

O pau que tá quebrando no STF, com algumas excelências, as de sempre, querendo livrar a cara do mais importante chefão mensaleiro. Por enquanto ele pegou cana em regime semiaberto; poderá continuar trambicando de dia e vai acabar dormindo em casa na maior boa, como o Lalau.

Me dá ganas de sair gritando “Me mandem de volta pra UTI do Einstein”, onde passei uma temporada. Viver esse presente é morrer; puro teatro do absurdo. Vivemos a tragédia, a farsa vem daqui a pouco.

“A História acontece primeiro como tragédia e depois se repete como farsa” (Karl Marx, “18 Brumário de Luis Bonaparte”). “Quem não conhece a História está condenado a repeti-la”, mais simples de entender, assim até eu compreendi.

Marx disse “Tragédia” e “Farsa”, referindo-se ao teatro. Tudo indica que para ele, o proletariado, escolhido pela História como ele determinou, para ser agente e ator do papel de vanguarda da revolução nos palcos revolucionários, estaria por dentro da mensagem que autores e atores queriam passar.

Tataravós dos Black Blocs, sangue nuzóio, pexera na boca, trezoitão na mão, sairiam de uma peça do Brecht de então, que não sei como teriam dinheiro pra pagar os ingressos com seus salários de quase escravos, mais caros do que os da Copa do Mundo Padrão Fifa se naquela época houvesse, e como vanguarda da revolução, quebrariam vitrinas dos bancos pra quebrar o capitalismo.

Besteria do Marx. O Demiurgo dos Palanques virou Presidente sem nunca ter lido um único livro na vida e nem uma só vírgula do Marx.

Demiurgo, segundo o Aurélio, meu google de estimação, é papa fina: “Segundo Platão, é o Deus que cria o Universo, organizando a matéria preexistente”; “Criatura intermediária entre a natureza divina e a humana”. Escrevo agarrado ao Aurélio para flutuar e não afundar no oceano das palavras.

São apenas 23 letras na nossa inculta e bela. Com elas você escreve Os Dez Mandamentos, Lusíadas, toda obra de Marx, a pregação da violência escrita por Marighela, a ignorância do Demiurgo dos Palanques que só as usa pra dizer palavrões, os embargos infringentes escritos pra melar o julgamento mais importante da nossa História.

Memória: Tarso Genro falou Tarso Genro avisou: “Lula é o novo Perón”; e é. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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