20/04/2013
às 16:00 \ Tema LivreENTREVISTA — Bob Iger, o chefão da Disney: “No futuro, tudo será digital”

Iger, que reina sobre um conglomerado que inclui a rede norte-americana de TV ABC, o grupo ESPN e os estúdios Marvel, além da Pixar e dos estúdios e parques Disney: "Gostaria de estar começando minha carreira agora" (Foto: Claudio Gatti)
Entrevista de Jerônimo Teixeira, publicada em edição impressa de VEJA
A TECNOLOGIA DO OTIMISMO
O presidente da Disney diz que o mundo digital vai mudar o modo como as pessoas acessam os filmes – mas não o tipo de entretenimento que elas apreciam
O CEO da Disney, Robert (Bob) Iger, se recorda com orgulho da relação que manteve com Steve Jobs, o criador da Apple, morto no ano passado. “Fomos grandes parceiros de negócios, mas, antes de tudo, fomos amigos. Ele dizia que era raro encontrar executivos de mídia como eu, com um genuíno interesse por tecnologia”, diz.
Em 2005, ao assumir a presidência da Disney, Iger consolidou a compra do estúdio de animação Pixar, que pertencia a Jobs, e inovou ao vender filmes e programas de TV para o iPod.
Aos 61 anos, Iger comanda um conglomerado que inclui a rede de TV ABC, o canal de esportes ESPN e os estúdios Marvel, além da Pixar e dos estúdios e parques Disney. De passagem pelo Brasil recentemente, Iger falou de suas ideias para continuar a expansão desse império.
O senhor deve deixar o cargo de CEO da Disney em 2015, depois de completar dez anos na função. Qual será seu legado para a companhia?
Há muitas maneiras de medir uma companhia ao longo de uma década. Obviamente, tem de se olhar para a parcela que ela ocupa no mercado, para o valor de suas ações, para o lucro – e meu histórico é bom em todos esses pontos.
Mas meu objetivo era fazer da Disney uma das companhias mais admiradas no mundo, e espero que ela o seja quando eu deixar o cargo. Se você conseguiu isso, conseguiu o principal, e provavelmente sua lucratividade estará maior também.
A Disney havia perdido essa admiração antes de sua gestão?
Eu não olho para trás. Prefiro olhar para a frente.
Um de seus grandes projetos é o parque Disney em Xangai, que deve começar suas atividades em 2015. Que adaptações foram necessárias para fazer um parque desses moldes na China?
Contamos com uma vantagem: uma marca e personagens como Mickey, que têm grande apelo em todo o mundo. Mas isso não nos dá o direito de impor tudo, como imperialistas culturais. Temos de ter uma apreciação profunda pela cultura local e fazer com que as pessoas sintam que o mundo do parque pertence a elas.
Em Xangai, o visitante terá a experiência Disney autêntica, mas de um modo único, que é chinês. Um pequeno exemplo: todos os parques Disney têm um setor chamado Main Street, que é uma reprodução de uma cidadezinha americana do início do século XX – o tipo de lugar onde Walt Disney cresceu.
Isso não teria apelo para os chineses. Esse parque será, portanto, o primeiro sem Main Street. Mas ainda não posso adiantar o que vai substituí-la.

"Em Xangai, o visitante terá a experiência Disney autêntica, mas de um modo único, que é chinês" (Foto: Reuters)
O senhor dá a palavra final em todas as produções da Disney?
Em algum momento antes da finalização, vejo todos os projetos de maior relevância, sejam filmes, programas de TV ou parques temáticos, e dou sugestões. Posso ver certas coisas que escaparam aos realizadores por estarem imersos no processo. Mas exerço essa prerrogativa com muito cuidado, para não travar o processo criativo. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário
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