08/04/2013
às 20:08 \ Vasto MundoTHATCHER: Controvertida, polêmica, a maior estadista britânica desde Churchill ajudou a colocar abaixo o Muro de Berlim e a mudar o mundo — para melhor
O que é que vou escrever sobre Margaret Thatcher, depois de uma cobertura de qualidade como a do site de VEJA, depois do que escreveram o Reinaldo Azevedo e o Caio Blinder?
Mas não se pode silenciar quando um gigante tomba — e a primeira-ministra que governou o Reino Unido de 1979 a 1990 e, como muito se lembrou hoje, alterou a agenda do grande país a ponto de mudar os rumos do próprio partido adversário era, efetivamente, uma estadista de porte gigantesco.
Pode-se concordar ou não com Thatcher, sua agenda liberalizadora, sua determinação férrea — daí o apelido –, sua autoconfiança não raro transmudada em arrogância.
Não se pode, porém, negar a brutal importância que teve para seu país, que ela retirou do atraso estatista rumo a uma economia extremamemente dinâmica a ponto de empresários britânicos dominarem, hoje, setores inteiros da economia da nação mais rica do mundo, os Estados Unidos. Thatcher colocava em segundo planos os grandes custos sociais que resultaram do enxugamento do Estado por considerar que o capitalismo, devidamente livre de amarras, cria riqueza suficiente para que a sociedade dê um salto conjunto de qualidade.
No poder, conseguiu o que um ou outro antecessor conservador timidamente havia tentado, como Edward Heath (1970-1974), em vão: quebrar a espinha dos sindicatos, que mandavam e desmandavam em setores-chave da economia, não admitiam modernizações de qualquer espécie que implicassem em perda de empregos, paralisavam o país a três por dois e controlavam o Partido Trabalhista, a única alternativa de poder ao Partido Conservador.
O Reino Unido não tinha um estadista de grande porte desde Winston Churchill, um dos maiores senão o maior do século XX, que governou a Grã-Bretanha de 1940 a 1945 — foi um dos vencedores do maior conflito militar da história, a II Guerra Mundial — e, depois, de 1951 a 1955. E nem teve, depois dela.
Sua firme postura de confrontação com a União Soviética e o bloco comunista, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan — e com a contribuição inequívoca do papa João Paulo II –, revelou-se importante para a derrubada do Muro de Berlim e o fim das ditaduras “socialistas” que oprimiam a Europa Oriental.
Até na América Latina sua firmeza se fez sentir, ao derrotar implacavelmente em 1982, numa guerra rápida e cruenta, a ditadura militar argentina que determinou uma invasão suicida das ilhas Malvinas/Falkland, território britânico desde 1833 — a guerra teve como saldo positivo o fim da ditadura e a volta da democracia ao país vizinho.
Não se poderá, no futuro, falar na história mundial do século XX sem incluir um nutrido capítulo sobre Margaret Thatcher. Com o fim das ditaduras comunistas e a chegada da democracia e a melhoria nas condições de vida na maior parte dos países da Europa Oriental — vários deles, hoje, integrando a União Europeia –, o mundo mudou, muito. E para melhor.
Tags: capitalismo, Edward Heath, estadista, II Guerra Mundial, Ilhas Malvinas/Falkland, Margaret Thatcher, Muro de Berlim, papa João Paulo II, Partido Conservador, Partido Trabalhista, Ronald Reagan, sindicatos, União Soviética, Winston Churchill










































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