Blogs e Colunistas

sindicatos

08/04/2013

às 20:08 \ Vasto Mundo

THATCHER: Controvertida, polêmica, a maior estadista britânica desde Churchill ajudou a colocar abaixo o Muro de Berlim e a mudar o mundo — para melhor

Thatcher: mudou o Reino Unido e ajudou a mudar o mundo -- para melhor (Foto: telegraph.co.uk)

O que é que vou escrever sobre Margaret Thatcher, depois de uma cobertura de qualidade como a do site de VEJA, depois do que escreveram o Reinaldo Azevedo e o Caio Blinder?

Mas não se pode silenciar quando um gigante tomba — e a primeira-ministra que governou o Reino Unido de 1979 a 1990 e, como muito se lembrou hoje, alterou a agenda do grande país a ponto de mudar os rumos do próprio partido adversário era, efetivamente, uma estadista de porte gigantesco.

Pode-se concordar ou não com Thatcher, sua agenda liberalizadora, sua determinação férrea — daí o apelido –, sua autoconfiança não raro transmudada em arrogância.

Não se pode, porém, negar a brutal importância que teve para seu país, que ela retirou do atraso estatista rumo a uma economia extremamemente dinâmica a ponto de empresários britânicos dominarem, hoje, setores inteiros da economia da nação mais rica do mundo, os Estados Unidos. Thatcher colocava em segundo planos os grandes custos sociais que resultaram do enxugamento do Estado por considerar que o capitalismo, devidamente livre de amarras, cria riqueza suficiente para que a sociedade dê um salto conjunto de qualidade.

No poder, conseguiu o que um ou outro antecessor conservador timidamente havia tentado, como Edward Heath (1970-1974), em vão: quebrar a espinha dos sindicatos, que mandavam e desmandavam em setores-chave da economia, não admitiam modernizações  de qualquer espécie que implicassem em perda de empregos, paralisavam o país a três por dois e controlavam o Partido Trabalhista, a única alternativa de poder ao Partido Conservador.

O Reino Unido não tinha um estadista de grande porte desde Winston Churchill, um dos maiores senão o maior do século XX, que governou a Grã-Bretanha de 1940 a 1945 — foi um dos vencedores do maior conflito militar da história, a II Guerra Mundial — e, depois, de 1951 a 1955. E nem teve, depois dela.

Sua firme postura de confrontação com a União Soviética e o bloco comunista, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan — e com a contribuição inequívoca do papa João Paulo II –, revelou-se importante para a derrubada do Muro de Berlim e o fim das ditaduras “socialistas” que oprimiam a Europa Oriental.

Até na América Latina sua firmeza se fez sentir, ao derrotar implacavelmente em 1982, numa guerra rápida e cruenta, a ditadura militar argentina que determinou uma invasão suicida das ilhas Malvinas/Falkland, território britânico desde 1833 — a guerra teve como saldo positivo o fim da ditadura e a volta da democracia ao país vizinho.

Não se poderá, no futuro, falar na história mundial do século XX sem incluir um nutrido capítulo sobre Margaret Thatcher. Com o fim das ditaduras comunistas e a chegada da democracia e a melhoria nas condições de vida na maior parte dos países da Europa Oriental — vários deles, hoje, integrando a União Europeia –, o mundo mudou, muito. E para melhor.

05/09/2012

às 18:15 \ Política & Cia

Dora Kramer: Um (a) por todos

"Mexeu com um, mexeu com a categoria" (Foto: Wilson Dias / ABr)

Dilma: "'herança bendita' que recebeu de Lula" (Foto: Wilson Dias / ABr)

Artigo publicado hoje no jornal O Estado de S.Paulo

UM (A) POR TODOS

 

Ao molde do tempo em que sindicatos eram sindicatos, no PT funciona assim: mexeu com um, mexeu com a categoria. E se esse “um” é tido como o garantidor da sobrevivência, por mais razão mobilize-se a elite da tropa.

Em palavras breves, sem pretensão analítica profunda, podemos resumir assim a reação da presidente Dilma Rousseff em defesa do ex-presidente Lula contra as críticas feitas em artigo pelo antecessor Fernando Henrique Cardoso.

O contra-ataque poderia ser visto como uma tentativa de interditar a liberdade de opinião. Só por aqui e numa perspectiva autoritária é que se vê a exposição de um raciocínio como ofensa pessoal.

Embora perfeitamente adequada à ocasião, essa seria uma interpretação incompleta em face do real objetivo da nota da presidente para rebater o artigo “herança pesada” em que FH diz o óbvio sobre o legado de retrocesso moral e ético deixado por Lula.

Tão óbvio que há dele provas cabais. A demissão de sete ministros no primeiro ano do governo de Dilma dá testemunho substancioso a respeito.

Fosse pouco, o Supremo Tribunal Federal há um mês conta essa história três vezes por semana em todos os detalhes com transmissão direta pela televisão, fundamentação jurídica e posicionamentos contundentes.

A essa autonomia recebida pela sociedade como um legítimo resgate da legalidade, o presidente do PT dá o nome de “golpe”.

Voltemos, porém, a Dilma e sua manifestação nesse momento de profunda consternação que se abate sobre o PT e da mais aguda desmoralização ao desmonte da farsa anunciado por Lula.

O que fez a presidente? Nada demais. Divulgou uma nota em termos absolutamente razoáveis sob a concepção dela dos fatos, para defender a “herança bendita” que recebeu de Lula.

Claro que não cita o ponto principal abordado por FH, “o estilo bombástico de governar que esconde males morais e prejuízos materiais para o futuro da nação”.

Fala sobre o crescimento da economia – sem desta vez associá-lo à reconstrução da credibilidade do País consolidada pelo autor que contraditava -, sobre justiça social e sobre o reconhecimento de seu criador no cenário internacional.

Não é a verdade toda, mas ainda assim, verdades.

A presidente não incorreu em impropriedade, não desrespeitou leis, nada fez de excepcional além de resguardar o patrimônio político do grupo hoje por ela representado.

Fez, como petista, o que os correligionários de Fernando Henrique não fizeram quando o PT vendeu – e a sociedade comprou – a tese de que recebia uma “herança maldita”.

Dilma demarcou terreno e deu uma lição aos tucanos, FH aí incluído, que viveram a ilusão de enxergar nos gestos de boa educação da presidente algo além de um movimento que agregaria novos valores – e por consequência novos eleitores – ao projeto de poder do PT.

 

Reciclar

"Foi-se o tempo em que motoristas falavam e, se fosse o caso, incriminavam em comissões parlamentares de inquérito" Na foto, André Teixeira Jorge, motorista da Delta, em depoimento na CPI do cachoeira (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

"Foi-se o tempo em que motoristas falavam e, se fosse o caso, incriminavam em comissões parlamentares de inquérito" Na foto, André Teixeira Jorge, motorista da Delta, em depoimento na CPI do cachoeira (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

Foi-se o tempo em que motoristas falavam e, se fosse o caso, incriminavam em comissões parlamentares de inquérito. Um ex-motorista da Delta ficou calado ontem na CPI do Cachoeira, assim como a ex-mulher do bicheiro. Agora só falta uma secretária calar para negar a velha escrita sobre fontes de comprovação de denúncias em CPIs.

Isso posto, é evidente que esse silêncio é uma espécie de defeito da qualidade das investigações parlamentares: a partir do momento que aquele tipo de depoimento começou a gerar consequências – muitas vezes nefastas para o denunciado largado à própria sorte (ou azar) depois do relevante serviço prestado -, mesmo as testemunhas ficam reticentes.

De onde estaria na hora de se revisar os métodos e os conceitos para adaptar as comissões de inquérito aos novos tempos. Enquanto os investigados aperfeiçoaram seus procedimentos, as CPIs continuam obedecendo a uma dinâmica ultrapassada.

Quando a forma antiga se alia ao propósito da maioria de postergar para não investigar, seus integrantes fazem papel de bobos da corte.

23/08/2012

às 13:49 \ Política & Cia

Aloysio Nunes: o Congresso deve ao país uma lei que regulamente greves de funcionários públicos

Senador Aloysio: deve haver limites para greves de servidores (Foto: Agência Senado)

Amigas e amigos do blog, o julgamento do mensalão vem tendo uma cobertura avassaladora de todos os veículos da grande imprensa — mas não podemos, naturalmente, esquecer de outros temas importantes.

Veja-se o projeto do senador Aloysio Nunes Ferreira que regulamenta algo que queima a mão do atual governo — o direito de greve dos servidores públicos — e que, no entanto, dorme no Senado desde o ano passado.

O projeto muda radicalmente o cenário de incertezas que hoje temos. Com ele transformado em lei, haveria instrumentos para tratar devidamente esse pipocar irresponsável de greves em vários setores públicos que afeta o país.

O projeto garante as greves de servidores, mas, entre outras disposições, VEDA, pura e simplesmente, greves de membros das Forças Armadas (dispositivo já contido na Constituição), mas também de policiais e bombeiros militares — greves que, sendo de corporações armadas pelo Estado, há tempos defendo serem intoleráveis e imorais.

Obriga os sindicatos das diferentes categorias de servidores a manter ativos pelo menos 60% dos servidores para atender ao público, percentual que sobe para 80% no caso de funcionários da área de segurança pública.

Prevê que os estatutos sindicais devem conter exigências (quorum, formas de votação etc) para que se decrete uma greve, bem como o aviso com antecedência aos órgãos públicos de que haverá o movimento.

E por aí vai (abaixo vocês terão link para consultar tudo sobre o projeto).

 Assunto fundamental, sobre o qual o senador falou à Agência Senado.

Da Agência Senado

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) afirmou nesta quarta-feira, 22, que o Congresso Nacional deve ao país uma lei que regulamente a realização de greves no setor público. “A Constituição de 1988 fará 24 anos em outubro e o Brasil ainda não conta com uma regulamentação do tema”, observa Aloysio Nunes, autor do Projeto de Lei do Senado nº 710/2011, que disciplina o exercício do direito de greve previsto no inciso VII do artigo 37 da Constituição.

O projeto está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde foi redistribuído ao senador Pedro Taques (PDT-MT) para emitir relatório.

 Senador Pedro Taques (PDT-MT), da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), redistribui projeto (Foto: ABr)

Senador Pedro Taques (PDT-MT), da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), redistribui projeto (Foto: ABr)

– A Constituição diz que o direito de greve deve ser exercido nos termos de lei específica. O meu projeto trata dos limites que devem ser mantidos, mas também, e sobretudo, é inovador ao criar mecanismos de negociação necessários e formas de composição via conciliação e arbitramento, que poderão ser aplicadas para evitar a deflagração de greve – afirmou Aloysio Nunes em entrevista à Agência Senado.

Segundo o senador, a falta de regulamentação não se deve apenas ao Legislativo, uma vez que a Presidência da República até hoje não editou decreto que incorpore ao direito brasileiro os termos da Convenção 151, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A convenção foi um compromisso assumido pelo Brasil em 1978, sendo ratificada pelo Congresso Nacional em 2010.

O senador por São Paulo observa ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) procurou suprir a lacuna atual na legislação, mandando aplicar aos servidores públicos, no que couber, as disposições contidas na Lei nº 7.783/89, que disciplina o direito de greve no setor privado.

A decisão do tribunal, porém, não esgota as providências sobre o tema, avalia.

Aloysio Nunes disse recear ainda que, “passada a onda [das greves no serviço público], tudo entre na rotina e tenhamos mais 24 anos pela frente”, sem a regulamentação do exercício do direito de greve previsto na Constituição. Ele ressalta ainda que a questão deve ser regulamentada “no interesse dos próprios servidores e do público, que paga a conta”.

22/08/2012

às 15:02 \ Política & Cia

Greve nas universidades: governo petista prova agora um pouco do remédio amargo que produziu para os outros

"A Universidade está viva! A Universidade está em greve" (Foto: Clovis Purper Bandeira)

"A Universidade está viva! A Universidade está em greve" (Foto: Clovis Purper Bandeira)

Enviado por Clovis Purper Bandeira, general-de-divisão da reserva do Exército

Na China antiga, os jornais não circulavam nas cidades e aldeias distantes, onde o pequeno número de alfabetizados não justificava a despesa da distribuição dos periódicos. Nesses locais, existiam – existem? – painéis colocados em locais públicos, onde eram dispostos os avisos, editais, proclamas, notícias etc. Eram os dazibaos.

Diariamente, no Rio de Janeiro, ao passar pelo extinto Canecão, em franca decadência e correndo perigo de ruir, pois agora é “do povo”, ou seja, não será usado nem sofrerá manutenção até cair, leio meu dazibao sobre a interminável greve das universidades federais.

Dois cartazes, em especial, chamam minha atenção.

O primeiro, muito bem feito, trabalho de profissionais, anuncia: “A Universidade está viva! A Universidade está em greve!”.

Vejam que preciosa afirmação, que contrassenso bem colocado, que atrai pelo aparente paralelismo entre “ vida” e “greve”.

No entanto, nada mais enganoso.

Uma Universidade viva está em ebulição por outros motivos: pelas aulas, palestras, discussões, debates, pesquisas, monografias, publicações; seus corredores fervilham de pessoas indo e vindo, dirigindo-se às aulas, bibliotecas, laboratórios, áreas de lazer, centros de tecnologia e de informática, produzindo e difundindo conhecimento, arte, ciência, dúvidas, soluções…

Uma Universidade em greve, e em greve há mais de dois meses, é o oposto da vida: nada produz, a não ser confronto e radicalismo ideológico. Ainda não morreu, mas está moribunda.

E, por incrível que possa parecer, as principais vítimas da greve, os alunos que perdem seu ano letivo, um ano precioso de sua juventude e de sua vida, aplaudem e justificam o movimento intransigente, que alega querer negociar mas não aceita nenhuma proposta diferente de suas exigências e impede, até de forma violenta, o acesso às instalações das faculdades por aqueles que não concordam com a greve.

Por certo a conduta suicida dos alunos é resultado de anos de doutrinação socialista e da verdadeira lavagem cerebral que nossos estudantes sofrem desde o ensino fundamental.

Abaixo da frase, vejo os logotipos das várias associações de classe, sindicatos e centrais pelegas que organizaram e impõem a greve.

O segundo cartaz não tem a beleza plástica do primeiro. Escrito a mão livre, com letra irregular, numa faixa de plástico amarela, exige: “Dilma e Reitor, negociem já!”. Além de não admitirem nenhuma contraproposta, os grevistas ainda jogam no colo das autoridades a responsabilidade pelo fracasso das discussões, como se as mesmas é que não quisessem negociar.

Por negociar entendem ceder, submeter-se à vontade dos todo poderosos sindicalistas, donos da verdade, enviados divinos para estabelecer sua justiça entre os homens.

As autoridades, porém, merecem o impasse pelo qual são também responsáveis.

Enquanto esteve na oposição, o partido da presidente da República estimulou e defendeu o grevismo radical sempre que pode. No poder, fortaleceu e encheu de privilégios os sindicatos e associações de classe, pensando, com certeza, em usá-los como companheiros de viagem em sua intenção de perpetuar-se no poder.

Mas os sindicalistas têm agenda própria, e caminham a passos largos para estabelecer a República Sindicalista do Brasil. Logo veremos quem usou ou quem foi usado.

O governo, agora, toma um pouco do remédio amargo que produziu para os outros.

Como diz o velho ditado, “quem semeia ventos, colhe tempestades”.

10/08/2012

às 15:00 \ Política & Cia

Colocar o diploma obrigatório para jornalista na Constituição, como o Senado fez, é uma barbaridade e uma patacoada monumental

O senador Aloysio Nunes Ferreira foi o único a se manifestar contra a proposta. Na sua opinião, ela interessa sobretudo aos donos de faculdades privadas ruins (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O senador Aloysio foi o único a falar em plenário contra a proposta. Na sua opinião, ela interessa sobretudo aos donos de faculdades privadas ruins, "arapucas que não ensinam nada", e atende a interesses do "sindicalismo de jornalistas", o mesmo "que trabalha pelo controle social da mídia" (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

A patacoada, a bobagem, o besteirol monumental passou no Senado da República – e, valha-nos Deus, pelo voto esmagador de 60 senadores contra apenas 4.

Trata-se de um projeto de emenda à Constituição (PEC) do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) que restabelece a exigência de diploma para jornalistas, derrubada em boa hora pelo Supremo Tribunal Federal em 2009.

Sim, é isso mesmo: Valadares quis (e está conseguindo) colocar na Constituição – na Constituição, a lei magna que define direitos e garantias individuais e dá formato às instituições que regem o país – essa questão corporativa, esse produto menor e desimportante do lobby de sindicatos de jornalistas e de jornalistas que jamais fizeram uma reportagem de verdade na vida, alojados em órgãos públicos e empresas estatais.

Deixemos por ora o mérito da medida de lado: só o fato de colocarem na Constituição um assunto absolutamente menor, secundário e de interesse ZERO para o conjunto da sociedade é, em si mesmo, um escândalo.

Tanto é que, graças ao Altíssimo, pelo menos um senador, senador de peso, respeitável e por acaso o mais votado da história do país – Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) – colocou o dedo no ponto central da ferida. Sendo o único entre os 64 senadores presentes a falar contra a PEC, sentenciou:

– Não há interesse público envolvido nisso.

Com mais razão ainda, assinalou que, se a emenda for aprovada na Câmara dos Deputados – para onde segue agora –, a profissão de jornalista será a única a constar na Constituição:

– Será uma aberração colocar a profissão de jornalista na Constituição por razões meramente corporativas, para atender ao sindicalismo de jornalistas, que é o mesmo que trabalha pelo controle social da mídia.

A profissão diz respeito à liberdade de expressão do pensamento

O senador também assinalou, corretamente, que o contrabando constitucional interessa sobretudo aos donos de faculdades privadas ruins, “arapucas que não ensinam nada e que vendem a ilusão de um futuro profissional”.

Agora, vamos ao mérito – e constatem a monumental burrice que impediria Albert Einstein de ser editor de ciências de um jornal ou revista ou um ex-embaixador do Brasil em Washington, Moscou, Paris ou Pequim de trabalhar na editoria internacional de um veículo.

A exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista priva o jornalismo e a quem ele deve sevir – a sociedade — de grandes talentos e de preciosas contribuições, e é, sem surpresa, uma das pedras de toque dos setores mais corporativistas da profissão. “A profissão de jornalista diz respeito diretamente à liberdade de expressão do pensamento, de modo que não pode estar sujeita a nenhum tipo de exigência legal, nem mesmo constitucional”, lembrou o senador Aloysio.

Entrando em vigor, PEC só estará a serviço de faculdades chinfrins, não fará nenhum serviço à profissão (Charge de Rogério Lima)

Entrando em vigor, a PEC privará o jornalismo de grandes talentos e é uma bobagem descomunal: Albert Einsten, se fosse vivo, não poderia ser editor de Ciencias de um jornal ou revista (Charge de Rogério Lima)

O pior disso tudo, para jornalista que se preze, é ter que ouvir asneiras como a proferida pelo senador Inácio Arruda (PC do B-CE), autor, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, do parecer favorável à aberração. Arruda acha que a proposta, contra a qual se manifestaram, seguidas vezes, vários dos principais jornalistas do país, vai “resgatar a dignidade profissional dos jornalistas”.

Como assim, cara-pálida?

Sou jornalista há mais de 40 anos anos, e não conheço um só jornalista que considere que sua dignidade profissional necessite de resgate, sobretudo por esse meio. Ainda mais recebendo lições de um senador comunista, um dos defensores do chamado “controle social” da imprensa.

Há, naturalmente, jornalistas decentes que, por diferentes motivos, defendem a obrigatoriedade do diploma. Eu divirjo totalmente deles, e divergi desde sempre.

Exigência veio de um decreto dos “Três Patetas” durante a ditadura

A exigência do diploma vigorou por 40 anos, com base no artigo 4º, inciso V, do Decreto-Lei 972, de 1969, baixado durante o regime militar, vejam vocês, pela junta militar que tomou o poder durante três meses, em 1969, depois da doença do marechal Costa e Silva, a cujos integrantes o dr. Ulysses Guimarães designou, acertadamente, de “Os Três Patetas”.

Senadores Inácio Arruda e Antonio Carlos Valadares

Senadores Inácio Arruda e Antonio Carlos Valadares: o primeiro fala em "resgatar a dignidade profissional dos jornalistas". E quem é que disse que a dignidade dos jornalistas precisa de resgate -- sobretudo por uma emenda cretina como esta? Já o segundo é o autor do projeto que se submete ao corporativismo de sindicalistas que não conseguiram se destacar como profissionais de imprensa

Depois de anos de discussão na Justiça, promovida por iniciativa do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Sertesp), o Supremo Tribunal Federal, em junho de 2009, derrubou, por 8 votos a 1, a obrigatoriedade, considerada inconstitucional.

Vejam bem, foi por 8 a 1!

Para o Supremo, o decreto-lei da junta viola a Constituição de 1988, e as exigências neles contidas contrariam a liberdade de imprensa e o direito à livre manifestação do pensamento previstos no artigo 13 da Convenção Americana dos Direitos Humanos.

Mas o senador Valadares, autor da PEC, que de imprensa só entende ler jornal e ver TV, acha que a oposição ao projeto não vem de pessoas como eu, como o Augusto Nunes ou como incontáveis outros profissionais, mas “dos patrões”, que supostamente, sem a emenda, contratariam pessoas não formadas por faculdades de jornalismo “por salários mais baixos”.

Tal como dispenso lições do senador comunista, faço o mesmo para com o senador Valadares. Será que ele já visitou alguma redação algum dia?

Sede de sindicato, com certeza, sim.

04/07/2012

às 14:15 \ Política & Cia

Greve de funcionários: o PT prova de novo seu próprio veneno. Se o governo atendesse reivindicações, gastaria 92 bilhões

E agora, José? (Foto: Antonio Cruz / ABr)

E agora, José? (Foto: Antonio Cruz / ABr)

Amigos, a presidente Dilma não está disposta a atender às reivindicações contidas na série de greves de funcionários públicos ora em curso.

Como todos nos lembramos, o PT passou sua vida inteira, quando oposição, infernizando, por meio de sindicatos de funcionários ligados ao partido, diferentes governos federais, estaduais e municipais com reivindicações sempre acima das possibilidades dos cofres públicos.

Só uma vez no poder, inicialmente em prefeituras, depois em governos estaduais e, finalmente, no Palácio do Planalto, o partido começou a ter alguma responsabilidade, ao provar do próprio veneno — a começar pelo ex-presidente sindicalista, sempre devidamente enquadrado por sua ajuizada equipe econômica.

Na atual onde greves de funcionários, e o governo Dilma sabe muito bem que atender a tudo o que se pede fará o país quebrar. Até aí, ótimo. A presidente parece que vai resistir. Resta saber se, uma vez mais, os dias parados continuarão a ser, como quase sempre ocorre, dias de férias para os grevistas, que cruzam os braços, deixam de atender a seus deveres e, depois, ainda embolsam salário sem ter trabalhado.

Leia abaixo texto do jornal Valor:

Se o governo atender todas as reivindicações de aumento salarial apresentadas pelos servidores civis e militares, a despesa anual da União com o pagamento de pessoal aumentará em R$ 92,2 bilhões, segundo cálculos do Ministério do Planejamento.

Do total, R$ 60 bilhões se referem às reivindicações dos servidores civis do Executivo. Os reajustes solicitados pelos militares e pelos funcionários do Judiciário, do Legislativo (incluindo o Tribunal de Contas da União) e do Ministério Público da União custarão R$ 32,3 bilhões.

Protesto de alunos e professores na greve das federais (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)

Protesto de alunos e professores na greve das federais (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)

O valor do acréscimo equivale a quase 50% do que será gasto com o pagamento do funcionalismo federal neste ano, de R$ 187,6 bilhões. Diversas categorias de servidores ameaçam fazer uma greve geral para obter o aumento pretendido. Alguns funcionários já estão parados, como é o caso dos professores universitários, e outros fazem “operação padrão”, como os auditores da Receita Federal e do Trabalho, entre outros.

Fontes do governo lembraram que quando a presidente Dilma Rousseff disse que não se pode “brincar à beira do precipício”, durante a solenidade de lançamento do PAC Equipamentos, na semana passada, ela deu a senha de como será o comportamento do governo ao lidar com aumento de gastos públicos.

A tendência no governo é fazer uma espécie de “intervenção cirúrgica” na questão, ou seja, só atender as reivindicações consideradas justas e prioritárias. Nessa estratégia, a definição do governo sobre a questão salarial seria deixada para o fim de agosto, quando a proposta orçamentária será enviada ao Congresso.

Protesto em Garanhuns contra "Dil-Má": instituições federais em greve (Foto: Aline Moura / DA Press)

Protesto em Garanhuns (PE) contra "Dil-Má": 13 instituições federais em greve e outras 15 em "operação-padrão", o que inclui até auditores da Receita e funcionários da Advocacia-Geral da União (Foto: Aline Moura / DA Press)

De acordo com informações prestadas pelos sindicatos dos servidores, estão em greve funcionários de 13 órgãos públicos, entre eles da Funasa, Banco Central, Fazenda e Dnit.

A “operação padrão” é feita por 15 categorias, como auditores da Receita Federal, delegados da Polícia Federal e funcionários da Advocacia-Geral da União.

17/04/2012

às 18:13 \ Política & Cia

A CUT e a farsa de querer “acabar” com o imposto sindical

Sindicalistas defendem o imposto sindical em debate em comissão da Câmara dos Deputados, no final de 2011 (Foto: cnc.org.br)

Da coluna de hoje Política & Economia Na Real, dos jornalistas Francisco Petros e José Márcio Mendonça, sob o título “A CUT e o imposto sindical – a farsa”: 

Não deve ser colocada no rol das coisas sérias a campanha da CUT contra o imposto sindical.

No fundo ela retoma um mote do Lula sindicalista, dela mesmo e do PT antes de apearem no Palácio do Planalto.

Só seria meritória se enterrasse de vez esta herança do getulismo e forçasse os sindicatos e suas centrais a sobreviverem apenas da contribuição voluntária de seus associados. Também associados voluntários.

Não é bem isto o que a CUT prega. Ela defende a substituição do imposto por outra contribuição disfarçada do trabalhador, também compulsória, para filiados e não filiados.

Muda-se o nome para permanecer tudo como está.

Manifestação conjunta das duas principais centrais sindicais da Espanha, UGT e CCOO: subsídios encolheram (Foto:diariodenavarra.es)

Agora sou eu quem comento: na Espanha não existe imposto sindical, mas trata-se de um dos países europeus que, de forma transparente — o que não quer dizer que esteja correto –, subsidia os sindicatos com dinheiro público.

Não há as mutretas brasileiras, de sindicatos “inventados”, sem associados mas repletos de diretores, que mamam da dinheirama compulsoriamente arrecadada de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não.

Ali, os subsídios constam do Orçamento, e, aliás, acabam de receber uma tesourada do chefe do governo, o conservador Mariano Rajoy: dos 25,9 milhões de euros recebidos em 2011 (64 milhões de reais), o governosó vai repassar 17,3 milhões (43,2 milhões de reais) este ano. 70% do dinheiro vai para as duas principais centrais, as Comissões Operárias (CCOO) e a União Geral do Trabalho (UGT).

Os sindicatos só cobram contribuições de seus associados, e a associação a sindicatos, embora maciça, não é obrigatória.

10/10/2011

às 14:30 \ Política & Cia

Sindicalistas reclamam de dureza de Dilma e já pedem volta de Lula. Dilma deve estar fazendo alguma coisa certa

Lulalato-Foto-Elza-Fiúza-greve-correios.Dilma

Funcionários dos Correios, parados há quase um mês: bom mesmo eram as greves durante o lulalato (Foto: Elza Fiúza)

Amigos do blog, esta reportagem da Folha revela que há sindicalistas chiando com o suposto endurecimento da presidente Dilma Rousseff com relação às greves. Segundo a matéria, entre os sindicatos já há até uma corrente “Volta, Lula”.

Pois bem. Se está incluída no “aborrecimento” dos sindicalistas saudades da moleza do lulalato com greves no serviço público – onde, ao contrário do que acontece na iniciativa privada, os trabalhadores jamais correram o risco de perder os seus empregos ou de ter, no mínimo, os dias parados descontados -, é fácil de entender as reclamações.

Greve no serviço público, durante o lulalato, era o mesmo que férias: o pessoal parava de trabalhar, havia negociações, voltavam ao trabalho — às vezes depois de meses –, ninguém era punido e todo mundo, feliz, recebia os dias parados. Não acontecia nada. O conceito secular de “greve” — um confronto em que os trabalhadores, de um lado, correm riscos, fazendo com que os patrões, de outro, tenham perdas — simplesmente não existiu.

Era sempre a mesma moleza: no máximo, no caso de professores universitários, por exemplo, repunham-se aulas. No mais, greve=férias.

Se for por mudanças nesse panorama que o pessoal de CUT e congêneres se mostra chateado com a presidente, então Dilma seguramente está certa.

12/04/2011

às 10:30 \ Política & Cia

É hora de peitar os sindicatos de professores, escreve Ioschpe

A luta dos manifestantes não melhora em nada a qualidade da educação. Ao contrário, o ensino sofre com os atentados ao mérito (Foto: Luis Cleber)

Amigos, a pedido de leitores, e porque em linhas gerais concordo com os pontos de vista expostos, reproduzo aqui artigo do economista Gustavo Ioschpe publicado no site de VEJA. Ele procura mostrar como a mobilização dos sindicatos dos “trabalhadores na educação” influenciam a forma como grande parte da sociedade enxerga a questão educacional no Brasil. Em suma, diz ele, a sociedade brasileira parece não reconhecer que os sindicatos de professores pensam sobretudo no bem-estar de seus membros, e não no da sociedade em geral.

O título original é Hora de peitar os sindicatos

“Antes que a patrulha trate de pôr palavras na minha boca, eu me adianto. Não sou contra a existência de sindicatos, mas acho que eles devem ser vistos como defensores de seus próprios interesses. Seu peso no discurso público deve ser temperado por essa realidade ”

Por: Gustavo Ioschpe

Quando se fala sobre a política da saúde em relação ao tabagismo, os representantes dos fabricantes de cigarro raramente são trazidos para o debate. Essa exclusão não se dá pelo seu desconhecimento da questão, já que eles claramente conhecem o produto mais do que a maioria de seus interlocutores, nem porque haja algum preconceito contra essas pessoas — entendemos que elas estão fazendo esse trabalho para sustentar suas famílias, e não por um desejo de matar milhões de pessoas por ano. Desconsideramos suas opiniões porque sabemos que elas não terão em mente o bem público, mas única e exclusivamente o ganho de sua empresa. São parte interessada na questão e, portanto, sabemos que seu julgamento será influenciado por vieses potencialmente conflitantes com o interesse comum.

Na área da educação, que é tão importante quanto a da saúde, não é assim. Se você tem frequentado a imprensa brasileira nas últimas décadas, sua visão sobre educação será provavelmente idêntica à dos sindicatos de professores e trabalhadores em educação.

Você deve achar que o país investe pouco em educação, que os professores são mal remunerados, que as salas de aula têm alunos demais, que os pais dos alunos pobres não cooperam, que deficiências nutritivas ou amorosas na tenra infância fazem com que grande parte do alunado seja “ineducável” e que parte do problema da nossa educação pode ser explicada pelo fato de que as elites não querem um povão instruído, pois aí começarão os questionamentos que destruirão as estruturas do poder exploratório dessas elites.

Não importa que todas essas crenças, exceto a última, sejam demonstravelmente falsas quando se cotejam décadas de estudos empíricos sobre o assunto (a última não resiste à lógica). Todas elas vêm sendo defendidas, ad nauseam, pelas lideranças dos trabalhadores da educação. E, como são muito pouco contestadas, acabaram preenchendo o entendimento sobre o assunto no consciente coletivo, e já estão de tal maneira plasmadas na mente da maioria das pessoas que todas as evidências apresentadas em contrário são imediata e automaticamente rechaçadas.

É como se ainda negássemos a ligação entre o cigarro e o câncer de pulmão.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

20/10/2010

às 12:02 \ Política & Cia

O leitor Maury foi funcionário da CSN e conta como a empresa, privatizada, melhorou

Amigos, acabo de receber comentário do leitor Maury (vou omitir o sobrenome), ex-funcionário da ex-estatal Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda (RJ), que aborda o post publicada acima e que fala por si mesmo.

Ele certamente poderia citar muitos outros benefícios da privatização da empresa, que, após uma fase de desconfiança e de agressividade, é hoje apoiada por toda a comunidade de Volta Redonda, incluindo sindicatos e lideranças que antes a combatiam. Vejam que disse o Maury:

“Concordo plenamente com seu comentário, principalmente em relação à Companhia Siderurgica Nacional, à qual servi durante 15 anos.

No meu dia a dia, via o desperdicio de material, o espantoso almoxarifado para peças de reposição.

Hoje em dia é tudo exugado, ela paga os impostos previstos ao governo e não houve desemprego e sim acomodações, pois quem foi demitido por ela voltou a trabalhar nela através de empreiteiras, muitas vezes com melhor salário.”

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados