25/08/2012
às 12:02 \ Política & CiaFavelas do Rio aos poucos deixam de ser um enclave do crime e atraem novos negócios e moradores

UM POUCO DE LUXO NO VIDIGAL -- Antes mesmo da intervenção da polícia, o arquiteto Hélio Pellegrino já tinha um sócio e o plano de erguer um albergue-butique no Morro do Vidigal. Pesaram a vista deslumbrante que se descortina lá de cima e a chance de ser pioneiro em uma área ainda em baixa no mercado. O investimento no projeto chegará a cerca de 1,5 milhão de reais e o albergue deve estar pronto até o fim deste ano. Diz ele: "Os turistas estrangeiros não terão medo de se hospedar na favela porque o Vidigal se tornou um lugar seguro" (Foto: Ernani D'Almeida)
Reportagem de Gabriele Jimenez publicada na edição impressa de VEJA
O MORRO SOB NOVA DIREÇÃO
Durante décadas, as favelas cariocas foram enclaves dominados por chefões do tráfico de drogas – um território à parte no Rio de Janeiro, onde quem era de fora preferia nem passar perto. O isolamento começou a se desfazer desde que o Estado ocupou o Morro Santa Marta e instalou ali a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em dezembro de 2008, seguida de outras 24 fincadas em alguns dos principais QGs do crime.
Somadas, essas favelas abrigam 400 mil pessoas e abrangem 11,3 quilômetros quadrados – o equivalente a cinco bairros do Leblon – que estão entrando, enfim, no radar de turistas, investidores e dos próprios moradores da cidade. Também o entorno dos morros, de onde as pessoas debandavam por se sentir, com razão, inseguras, experimenta uma revitalização. “Com a retomada desses territórios, a cidade se beneficia como um todo. Fica mais segura e livre de áreas à margem do estado que tanto desvalorizaram seus cartões-postais”, diz o economista Sérgio Besserman.

NA ROTA DAS FESTAS -- Na era pós-UPP, a favela entrou no circuito de algumas das baladas mais festejadas da cidade. A trilha sonora tem muito funk, mas é variada. A primeira vez que convidaram a advogada Andreia Monteiro, 46 anos, para uma festa no Morro Santa Marta, na Zona Sul, ela se assustou, mas decidiu ver de perto. Estacionou o carro em uma ruela na parte de baixo do morro e subiu o resto a pé com uma turma de amigos. "Por incrível que pareça, esbarro com um monte de gente conhecida nessas festas", conta ela, que já repetiu a dose em outras três favelas do Rio (Foto: Marcos Michael)
O processo de integração das favelas do Rio tem precedente na Colômbia, onde, entre 2002 e 2008, governos municipais retomaram favelas de Bogotá e de Medellín dominadas por traficantes, instalando nelas uma infraestrutura de serviços até então inexistente. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário
Tags: bailes funk, crime, Favela da Rocinha, favelas, Hélio Pellegrino, mercado imobiliário, Morro do Vidigal, Morro Santa Marta, Rio+20, tráfico de drogas, Unidade de Polícia Pacificadora, UPPs



































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