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Richard Nixon

26/01/2013

às 17:00 \ Tema Livre

O sensacional Cadillac de Obama, poderoso como um tanque — e uma galeria de supercarros presidenciais dos EUA

cadillac-one

O Cadillac presidencial dos EUA: resiste até a mísseis e ataques químicos

Post publicado originalmente a 3 de outubro de 2011

Ele chega a ser quase um tanque de guerra mas, por fora, é um magnífico Cadillac negro misto dos modelos STS e DST. Sua blindagem, de 12 centímetros de espessura mas cujos demais detalhes são secretos, é capaz de aguentar o impacto de mísseis e ataques com armas químicas. Suas rodas são dotadas de uma estrutura que permite ao veículo rodar em qualquer ocasião e em qualquer terreno, mesmo sob um eventual ataque terrorista.

Trata-se do carro oficial que serve ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e é levado por avião nas visitas oficiais que ele faz ao exterior. Montado sobre a estrutura de um caminhão GMC Topkick, o “Cadillac One” ou “The Beast” (“A Fera”), seus apelidos, possui um canhão de gás lacrimogênio, câmeras de visão noturna, computador com rede wi-fi, controle de combate a incêndio, tanques de oxigênio e até bolsas com o sangue de Obama, para a hipótese de o presidente precisar, em uma emergência, de transfusão. Boa parte do interior foi feito à mão.

A frente ostenta luzes diurnas com LEDs. O poderoso veículo é impulsionado por um supermotor diesel V8 de 6.500 cilindradas e potência ignorada.

No infográfico abaixo, clique nos detalhes e nos textos para ampliá-los.

E, a título de comparação, veja, mais abaixo, algumas fotos de carros oficiais de presidentes anteriores.

cadillac-one-pequeno

Infográfico: conheça o Cadillac One e clique na imagem para ampliá-la

Cadillac One

O carrão presidencial, visto de outro ângulo

Uma galeria de carros oficiais de presidentes americanos anteriores:

Lincoln-Roosevelt

O Lincoln 1939 que serviu ao presidente Franklin D. Roosevelt

Eisenhouer-CadillacEldorado–1953

O Cadillac Eldorado 1953 utilizado pelo presidente Dwight Eisenhower

Carro-(teto-bolha)-ideia-de-Eisenhouer–1950

O Lincoln 1950 a que Eisenhower sugeriu acrescentar um teto-bolha

Carro Lincoln Continental modelo 1961, no qual Kennedy foi assassinado

Num Lincoln Continental 1961 como este é que John Kennedy foi assassinado

Lincoln 1972 que serviu aos presidentes Richard Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter e Ronald Reagan

Lincoln 1972: serviu a Richard Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter e Ronald Reagan

Cadillac 1983, que serviu a Ronald Reagan

Este Cadillac 1983 atendeu a Ronald Reagan

Cadillac 1989, usado pelo Bush pai

O Cadillac 1989 levava o presidente George H. W. Bush, pai

Cadillac 1993, usado por Bill Clinton

O Cadillac 1993 do presidente Bill Clinton

Cadillac DTS 2001, usado por Bush

Cadillac DTS 2001, usado por Bush filho até o fim de seu mandato, em 2009

03/01/2013

às 19:00 \ Vasto Mundo

Venezuela: Chávez faz uso obsceno de sua doença para fins políticos

Chávez e suas filhas na sacada de sua casa em Caracas: forma barata e demagógica de explorar o câncer

Publicado originalmente em 15 de julho de 2011

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

Amigos, boa parte de vocês não tinha idade na época para saber, ou já não se lembra mais, mas houve um político americano de destaque que, ao saber que portava um câncer terminal, fez da doença, paradoxalmente, uma celebração da vida que lhe restava.

Humphrey na capa da "Time "em abril de 1966

Trata-se do 38º vice-presidente dos Estados Unidos, Hubert H. Humphrey, um liberal extremamente preparado para a Presidência cuja lealdade ao presidente Lyndon Johnson (1963-1969) e a condução da impopularíssima Guerra do Vietnã o levaram à derrota por pequena margem, como candidato democrata, diante do republicano Richard Nixon em 1968. Ela já havia tentado ser o candidato democrata em 1960, contra John Kennedy, e voltaria a lutar pela candidatura em 1976, contra o então ex-governador da Geórgia Jimmy Carter.

Após essas tentativas à Casa Branca, Humphrey voltaria ao Senado, onde havia despontado para a política, vencendo duas eleições consecutivas até que o câncer o apanhou, em meados de 1977, aos 67 anos. Longe de esconder o problema e sumir de vista do público, numa época em que assumir a doença e falar dela em público eram um tabu, ele optou por revelar ser portador, enfatizar que tinha pouco tempo de vida e continuar com sua apertada agenda de senador importante. Não recusou palestras nem entrevistas, mesmo quando versasse sobre sua saúde.

Brincalhão, Humphrey telefonou ao rival para convidá-lo a seu enterro

Mais: no hospital em que se tratava, sistematicamente visitava doentes graves para encorajá-los. Brincalhão, telefonou para o velho rival, Nixon, convidando-o para o futuro enterro. Foi homenageado pela Câmara dos Representantes em sessão conjunta, caso único na história dos Estados Unidos. Na última viagem que faria a Washington antes de regressar a seu Estado natal, Minnesota, para morrer, o presidente Jimmy Carter homenageou Humphrey, simbolicamente, colocando-o onde ele tentou várias vezes, sem sucesso, estar, na condição de comandante supremo – como passageiro principal do Air Force One, o avião presidencial.

A revista Time, diante disso tudo, publicou uma reportagem inesquecível, intitulada “The public dying of Hubert Humphrey” (a tradução literal não confere o sentido original da frase, que seria algo como “O processo de morrer em público de Hubert Humphrey”).

Humphrey, já abatido pelo câncer e próximo da morte, com o presidente Jimmy Carter a bordo do Air Force One, em 1977

Chávez explora sua tragédia de forma barata e demagógica

Pois bem, amigos, tudo isso para mostrar um outro exemplo, bem menos palatável, de exposição pública dos problemas de saúde de um político. Refiro-me à forma barata, lacrimosa e demagógica como o homem forte da Venezuela, coronel Hugo Chávez, explora sua tragédia pessoal com o câncer que o acometeu e de que foi operado em Cuba.

Desde que voltou de surpresa à Venezuela, dias atrás, após um sumiço de quase um mês que provocou uma crise política e deixou a população sem informações, Chávez incorporou o câncer, suas formas de tratamento e suas chances de recuperação à ladainha de discursos intermináveis com que bombardeia diariamente os venezuelanos pela TV e pelo rádio. (Leia aqui uma das notícias a respeito).

Transparência é uma coisa, o carnaval sinistro de Chávez, outra

Ora abraçado às filhas, ora beijando a bandeira da Venezuela e em uniforme militar, Chávez não pára de falar no assunto. Transparência sobre a saúde dos governantes é uma coisa – algo desejável e digno de aplauso nas democracias. Mais que isso: é obrigação, quase nunca cumprida, pelos dirigentes. Outra coisa é o carnaval sinistro, francamente obsceno, que Chávez vem levando a cabo, no curso do qual se detém a explicar se o câncer atingiu ou não determinada região de seu organismo, a comentar diferentes tipos de tumores, a contar detalhes de sua quimioterapia — tudo em meio a juras de amor ao país, a metáforas cafonas sobre escalar montanhas e por aí vai.

Foi uma forma mórbida que o coronel encontrou de manter-se em mais evidência ainda do que normalmente ocorre. Com dois aparentes objetivos: o primeiro, e mais imediato, é inibir ambições dentro de seu grupo, os principais pau-mandados que tem no seu partido, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). O segundo, de mais longo prazo, é comover o eleitorado, preparando terreno para sua terceira reeleição no pleito de dezembro do ano que vem.

Não é de se estranhar que Chávez recorra a esse tipo de comportamento para fins políticos. Ele já atingira limites inimagináveis ao promover a exumação do cadáver do libertador Simón Bolívar — o grande general e revolucionário venezuelano que, em guerras contra a Espanha colonial, liderou o processo de independência de Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá e seu próprio país — e mandar transmitir tudo pela TV, ao vivo, numa operação supostamente destinada a investigar as reais causas de sua morte.

Venezuelanos continuam sem informação confiável

Paradoxalmente, os venezuelanos, agora encharcados pela discurseira sobre a doença presidencial, até agora não sabem com precisão de onde foi extirpado o tumor inicial, se houve ou não metástese, se os prognósticos do presidente são bons, regulares ou maus – de há muito a Medicina tem como prestar essas informações, que o país de Chávez continua ignorando.

Chávez, como se sabe, acabou não aceitando a sugestão da presidente Dilma Rousseff para vir tratar-se periodicamente no Brasil, provavelmente no Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. Nesses períodos, os venezuelanos provavelmente seriam poupados do despudor presidencial com a própria intimidade. Agora, não mais.

14/11/2012

às 15:06 \ Política & Cia

Roberto Pompeu de Toledo: nos EUA, quem perde a eleição sai da frente e abre espaço na filade candidatos. Já no Brasil…

"A nação escolheu outro líder", disse Mitt Romney, em seu discurso, antes de ir para o "asilo" dos candidatos derrotados (Alex Wong / AFP)

"A nação escolheu outro líder", disse Mitt Romney, em seu discurso, antes de ir para o "asilo" dos candidatos derrotados (Alex Wong / AFP)

Artigo publicado na edição impressa de VEJA que está nas bancas

 

QUEM PERDE SAI DA FRENTE

Uma das virtudes da democracia americana é o gatilho que manda para a aposentadoria os aspirantes a presidente derrotados nas urnas. Nesta eleição, estava em jogo quem ganhava e quem ia para o asilo dos aposentados.

Obama ganhou e continua por mais quatro anos; Romney vai para o asilo. Tem sido sempre assim. Nos Estados Unidos tem fila, e ela é respeitada. Quem perde eleição sai da frente, e abre vaga para a próxima safra de presidenciáveis. Graças a esse ritual, os dois grandes partidos têm seus quadros permanentemente renovados.

Evita-se o fenômeno do entupimento no topo que, no Brasil, é causa de envelhecimento, desgaste e eventualmente morte dos partidos.

O asilo abriga numerosa população. Jimmy Carter perdeu a reeleição para Ronald Reagan, em 1980, e sobrou-lhe como consolo continuar, em nome de entidades privadas, sua digna e profícua campanha pelos direitos humanos ao redor do mundo.

Não há donos, nos partidos americanos. Mesmo quem já foi presidente, como Carter, uma vez destronado, não tem mais vez nos quadros competitivos do partido. Os democratas Walter Mondale e Michael Dukakis perderam as eleições seguintes – 1984 e 1988 – para os republicanos Reagan e George Bush (o primeiro) e adeus.

Mondale ainda foi agraciado, na presidência de Bill Clinton, com o cargo de embaixador no Japão; a Dukakis coube contentar-se com atividades na empresa privada e no magistério.

O primeiro Bush perdeu a reeleição para Clinton e passou à doméstica função de pai de um futuro presidente. Dos derrotados seguintes, o republicano Bob Dole foi para a empresa privada e o democrata Al Gore virou profeta do meio ambiente, enquanto os senadores John Kerry (democrata) e John McCain (republicano) pelo menos tiveram a sorte de continuar no Senado.

Nem sempre foi assim. O republicano Richard Nixon perdeu a eleição para John Kennedy, em 1960, e ganhou uma segunda chance em 1968, quando se elegeu. De lá para cá, firmou-se, nos dois partidos, a regra não escrita da chance única.

O arejamento dos partidos se completa com o dispositivo constitucional que proíbe mais de uma reeleição, mandando para a compulsória o presidente que cumpriu dois mandatos.

Bill Clinton tinha apenas 54 anos ao fim do segundo mandato. Estava em boa forma física e no auge da capacidade intelectual e da experiência. No entanto, não valia mais nada, em termos de pretensão presidencial. Restaram-lhe (coitado) o patrocínio dos estudos, pesquisas e benemerências de seu milionário instituto e as conferências pelas quais cobra um milionário cachê.

Ao contrário, no Brasil, o presidente que deixa o cargo bem avaliado converte-se em fantasma a assombrar os demais pretendentes com a sempre presente ameaça da volta (Foto: ABr)

Ao contrário, no Brasil, o presidente que deixa o cargo bem avaliado converte-se em fantasma a assombrar os demais pretendentes com a sempre presente ameaça da volta (Foto: ABr)

Obama terá 55 anos e, presumivelmente, a mesma boa forma física e intelectual ao fim do mandato que acaba de garantir. Cairá igualmente na compulsória. Por isso, a nostalgia já pairava no ar, em seus últimos dias de campanha. Sabia que se engajava nessa atividade pela última vez na vida.

Ao contrário, no Brasil, o presidente que deixa o cargo bem avaliado converte-se em fantasma a assombrar os demais pretendentes com a sempre presente ameaça da volta. É o que ocorre hoje com Lula, e o que ocorreu no passado com Getúlio e com JK.

O gatilho das aposentadorias é um dos fatores da vitalidade desse primordial aspecto da democracia americana que é a eleição presidencial. Pouco se fala nele, mas, somado ao bipartidarismo e às eleições primárias, constitui-se no segredo do sucesso.

Como é da tradição anglo-saxã, resulta da conjunção entre a lei e o costume. A Constituição faz sua parte proibindo mais que dois mandatos ao presidente; o costume faz o resto, remetendo para a aposentadoria os pretendentes malsucedidos nas urnas.

No Brasil, dão as cartas as figuras do líder populista, do cacique ou da prima-dona dos partidos. São, todos, tipos sem prazo de validade. Conspiram por isso contra a renovação e, em consequência, contra a saúde da instituição partido político. E tudo o que conspira contra a instituição partido político conspira contra a democracia.

* * * * * * * * * * * *

As musas das letras clássicas falharam miseravelmente ao colunista, no último texto. É verba volant; não verbi volent, estúpido! E é quod non est in actis non est in mundo, e não mundus. Há ainda gente com o latim em dia no Brasil. E vigilantes. Eles se apressaram a apresentar as correções que ficam agora registradas.

18/10/2012

às 19:34 \ Política & Cia

Dora Kramer levanta uma hipótese preocupante: e se Dilma resolver indultar os mensaleiros condenados?

Presidente pode, conforme Constituição, indultar condenados do mensalão (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Presidente pode, conforme Constituição, indultar condenados do mensalão (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Artigo publicado hoje na seção Política da edição online do jornal O Estado de S.Paulo

SOBRE INDULTO

Quando assumiu a presidência dos Estados Unidos depois da renúncia de Richard Nixon por causa do caso Watergate, Gerald Ford concedeu perdão presidencial ao antecessor e, assim, evitou punições legais para além da perda do cargo.

Entre nós existe a figura do indulto, prerrogativa exclusiva da presidência da República. Se quiser, a presidente Dilma Rousseff poderá livrar os condenados no processo do mensalão do cumprimento ou determinar a redução das penas.

Estará amparada no artigo 84 da Constituição e, portanto, oficialmente não cometeria afronta alguma à decisão do Supremo Tribunal Federal.

O juízo aí deverá ser o da conveniência, oportunidade e utilidade políticas do perdão.

São variantes importantes porque, a despeito do ato legalmente perfeito, há de ser considerada a repercussão do gesto. Na sociedade e no próprio tribunal que já estará sob a presidência do ministro Joaquim Barbosa, cujo temperamento não sugere uma aceitação sem algum tipo de reação.

Mas seria uma resistência meramente simbólica e, caso se concretizasse, a princípio não teria a concordância da maioria do colegiado, pois a Constituição é clara ao dizer que compete privativamente ao presidente da República “conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei”.

Uma vez assinado o indulto, a extinção da pena precisa ser declarada pelo “juiz competente”. No caso, o relator do processo, Joaquim Barbosa. Uma formalidade, pois legalmente não teria margem para contestar a decisão presidencial.

O outro caminho a ser tentado pelos condenados poderia ser o da anistia que, além de eliminar a pena, extingue a existência do crime. Os réus voltariam a ter ficha criminal limpa. O fundamento da anistia é o esquecimento.

Diferente do indulto, não é um ato discricionário do Poder Executivo, mas um perdão que depende de lei e, portanto, do Poder Legislativo.

O mesmo Legislativo que em 2006 não deixou Dirceu concluir seu discurso de volta à Câmara quando saiu da Casa Civil, e seis meses depois lhe cassou o mandato por quebra de decoro.

 

Calendário

A previsão de que o julgamento do mensalão termine até o próximo dia 25 é considerada muito otimista por alguns ministros. Uma data tida como mais realista seria a de 9 de novembro, cinco dias antes de o atual presidente Carlos Ayres Britto se aposentar.

Por essa agenda menos acelerada, a fase dos votos poderia ser concluída até a viagem do relator Joaquim Barbosa para a Alemanha, no dia 27, mas as penas só seriam definidas após a volta dele, na semana no dia 4.

A execução das sentenças, no entanto, é impossível de ser prevista porque depende da publicação do acórdão e do exame de todos os embargos, caso defesa ou acusação apontem algum tipo de omissão, obscuridade ou contradição no documento.

No exame dos embargos as partes são ouvidas novamente, mas não há mais sustentação oral. Se forem rejeitados, fica mantido o texto original, mas, se forem aceitos, é elaborado um novo acórdão ao qual outra vez podem ser apresentados embargos.

O caminho até o trânsito em julgado e daí às prisões, como se vê, é longo e vai entrar por 2013 afora.

Talvez mais, a julgar pelo caso do deputado federal Natan Donadon, condenado pelo STF em 2010 a 13 anos de prisão por desvio público e até hoje solto por força de recursos.

 

Podia ser pior

Condenados por corrupção ativa e ainda a serem julgados por formação de quadrilha, Dirceu e Genoino escaparam da denúncia por peculato.

Em 2006 a Procuradoria-Geral da República enquadrou ambos naquele crime, mas a acusação foi recusada em 2007 no STF por unanimidade.

24/07/2012

às 16:00 \ Política & Cia

As garras do Brasil na nefanda “Operação Condor” — aliança clandestina entre órgãos de repressão das hoje extintas ditaduras militares do Cone Sul

 

Generais da ditadura argentina:

Generais da ditadura argentina: Operação Condor -- colaboração entre órgãos de repressão das falecidas ditaduras do Cone Sul -- foi tema de Seminário na Câmara dos Deputados

(Palestra do jornalista Luiz Cláudio Cunha no Seminário Internacional sobre a Operação Condor, ocorrido na  Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 5 de julho de 2012)

 

As garras do Brasil na Condor

A mais longa ditadura da maior nação do continente não poderia ficar de fora do clube mais sinistro dos regimes militares da América do Sul. O Brasil dos generais do regime de 1964 estava lá, de corpo e alma, na reunião secreta em Santiago do Chile, em novembro de 1975, que criou a Operação Condor.

Nascia a mais articulada e mais ampla manifestação de terrorismo de Estado na história mundial. Nunca houve uma coordenação tão extensa entre tantos países para um combate tão impiedoso e sangrento a grupos de dissensão política ou de luta armada, confrontados à margem das leis por técnicas consagradas no submundo do crime.

Tempos depois, em 1991, as democracias renascidas da região construíram um difícil pacto de integração política e econômica batizado de Mercosul. Dezesseis anos antes, contudo, os generais das seis ditaduras do Cone Sul — Chile, Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Bolívia — tinham conseguido realizar, a ferro e fogo, uma proeza ainda mais improvável: um secreto entendimento pela desintegração física, política e psicológica de milhares de pessoas.

A Operação Condor trouxe para dentro do Estado ilegítimo das ditaduras as práticas ilegais da violência de bandos paramilitares, transformando agentes da lei em executores ou cúmplices encapuzados de uma dissimulada política oficial de extermínio.

O BRASIL NO CONDOR Tio Caco e Dr. Sabino, os dois militares do Centro de Informações do Exército (CIE), veteranos da  guerrilha do Araguaia, que representaram o  Brasil no Chile em novembro de 1975  na  fundação da Operação Condor: Ten-cel de Cavalaria Flávio de Marco (Tio Caco), e Major de Infantaria Thaumaturgo Sotero Vaz (Dr. Sabino)

O BRASIL NO CONDOR -- Tio Caco e Dr. Sabino, os dois militares do Centro de Informações do Exército (CIE), veteranos da guerrilha do Araguaia, que representaram o Brasil no Chile em novembro de 1975, na fundação da Operação Condor: tenente-coronel de Cavalaria Flávio de Marco (Tio Caco), e major de Infantaria Thaumaturgo Sotero Vaz (Dr. Sabino)

O envolvimento de efetivos regulares da segurança com as práticas bandoleiras de grupos assassinos explica, de alguma forma, a leniência e depois a conivência com o crime por parte de corporações historicamente fundadas na lei e na ordem.

O Esquadrão da Morte, em países como Brasil, Argentina e Uruguai, contaminou o Exército. O Exército perdeu os limites com a obsessão da guerra antisubversiva. A luta contra a guerrilha transbordou as fronteiras da lei e exacerbou a violência. A virulência clandestina e sem controle do esquadrão empolgou o Exército. O Exército apodreceu com o Esquadrão da Morte. O esquadrão confundiu-se com o Exército, o Exército virou naqueles tempos um esquadrão. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

16/05/2012

às 12:22 \ Política & Cia

O farsante escorraçado da Presidência acha que o bandido vai prender o xerife

Rivais na eleição de 1989, o senador Fernando Collor (PTB-AL) e o presidente Lula se abraçam em evento em Alagoas (Foto: Ailton Cruz / Gazeta de Alagoas)

Lula, depois de tudo, depois de tanto comentar a "vontade de roubar" de Collor, claro, estendeu a mão solidária para reiterar que os dois ex-presidentes nasceram um para o outro (Foto: Ailton Cruz / Gazeta de Alagoas)

É com muito orgulho que republico aqui o post do meu amigo Augusto Nunes, um daqueles textos que eu gostaria de ter feito, e com o qual concordo até a última vírgula:

Vinte anos depois de escorraçado do cargo que desonrou, o primeiro presidente brasileiro que escapou do impeachment pelo porão da renúncia reafirmou, nesta segunda-feira, a disposição de engrossar o prontuário com outra façanha sem precedentes.

Primeiro chefe de governo a confiscar a poupança dos brasileiros, o agora senador Fernando Collor, destaque do PTB na bancada do cangaço, quer confiscar a lógica, expropriar os fatos, transformar a CPMI do Cachoeira em órgão de repressão à imprensa independente e, no fim do filme, tornar-se também o primeiro bandido a  prender o xerife.

Forçado a abandonar a Casa Branca em 1974, tangido pelas patifarias reveladas pelo Caso Watergate, o presidente Richard Nixon passou os anos seguintes murmurando, em vão, que não era um escroque. Perto do que faria a versão alagoana, o que fizera o original americano não garantiria a Nixon mais que a patente de trombadinha.

Como isto é o Brasil, Collor não só se negou a pedir desculpas como deu de exigir que o país lhe peça perdão por ter expulso do Planalto um chefe de bando. Foi o que fez no discurso de estreia que colocou de joelhos os demais pensionistas da Casa do Espanto.

Neste outono, excitado com a instauração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a apurar bandalheiras praticadas por Carlos Cachoeira e seus asseclas, o farsante sem remédio decidiu enxergar na CPMI as iniciais de um Comitê de Pilantras Magoados com a Imprensa.

Caso aparecesse no Capitólio em busca de vingança contra o jornal The Washington Post ou a revista Time, Nixon seria, na mais branda das hipóteses, transferido sem escalas para uma clínica psiquiátrica. Nestes trêfegos trópicos, um serial killer da verdade articula manobras liberticidas com a pose de pai da pátria em perigo ─ e com o apoio militante de inimigos do século passado.

José Dirceu, por exemplo, embarcou imediatamente no navio corsário condenado ao naufrágio ─ ansioso por incluir entre os alvos da ofensiva a Procuradoria Geral da República. E Lula, claro, estendeu a mão solidária para reiterar que os dois ex-presidentes nasceram um para o outro.

Em 1993, como se ouve no áudio reprisado pela seção História em Imagens, a metamorfose ambulante endossou, sempre em português de botequim, a opinião nacional sobre a farsa desmontada pouco antes: “Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões por terra”, disse Lula, caprichando na pose de doutor em ética. “Deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor”.

O parecer foi revogado por Lula, mas segue em vigor no país que presta.

Entre os brasileiros decentes, a cotação do ex-presidente é mesma estabelecida em 1992: zero. Há quase 20 anos, Collor não vale nada.

11/04/2012

às 18:22 \ Vasto Mundo

Negociações sobre redução nuclear com a Rússia podem render problema eleitoral para Obama

Obama e o presidente russo em fim de mandato Medvedev a bordo do Cadillac presidencial, em Washington: boa relação pessoal (Foto: Ria Novosti / AFP)

Só o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sabe o porquê do timing, mas sua próxima reunião com o ex e agora futuro presidente da Rússia, Vladimir Putin, prevista para maio – ainda sem dia certo – com certeza vai fornecer munição para seus adversários republicanos.

O encontro com Putin se destina a uma avaliação do tratado de redução de armas estratégicas (START, segundo suas iniciais em inglês), renovado com em 2010 com o jovem presidente russo Dmitri Medvedev (46 anos), com quem Obama manteve desde o início do mandato, em 2009, uma excelente relação pessoal.

O problema não é apenas o START, combatido pelos republicanos no Congresso – que são majoritários na Câmara dos Representantes — porque alegam que Obama não modernizou o arsenal estratégico americano como prometeu na ocasião. Trata-se do ousado passo que o presidente americano pretende dar, conforme deixou claro na recente cúpula sobre segurança nuclear em Seul, na Coreia do Sul.

Na ocasião, Obama – para horror dos republicanos linha-dura – afirmou: “Temos (os Estados Unidos) mais ogivas nucleares do que necessitamos. Creio firmemente que podemos garantir nossa segurança e a de nossos aliados, manter uma capacidade dissuasória poderosa contra qualquer ameaça e continuar reduzindo nosso arsenal nuclear”.

Submarino americano lança um míssil Trident com múltiplas ogivas nucleares: EUA e Rússia podem ter 1.550 ogivas cada

A renovação do START entre a superpotência americana e a segunda maior potência nuclear do mundo, em 2010, promoveu o que foi considerado o maior feito no desarmamento global em décadas, ao limitar o número de ogivas atômicas em condições de lançamento e prever a mútua fiscalização, por satélites e outros meios.

Imaginem vocês, cada um dos dois países ficou autorizado a ter inimagináveis 1.550 bombas nucleares – para os leigos, para as pessoas comuns, um delírio, algo capaz de destruir o planeta dezenas de vezes. Para os especialistas, algo fantástico, uma vez que o número de artefatos de destruição em massa em poder de americanos e da então União Soviética antes dos acordos SALT entre os presidentes Richard Nixon e Leonid Brejnev, em 1972, era várias vezes superior.

O ousado passo a que me refiro, em fase final de formulação, será propor à Rússia estender os atuais freios à corrida nuclear, já bastante relativos para quem não é especialista, a áreas que até agora foram um tabu, como as armas táticas – mísseis dotados de ogivas nucleares de alcance médio – e as chamadas “ogivas nucleares de reserva”.

Certamente isso custará a Obama, na campanha eleitoral, a acusação de ser “mole com os russos” – argumento velho de quase um século, mas que ainda funciona. Até em que grau, as urnas dirão.

07/04/2012

às 17:03 \ Livros & Filmes

Livro: a China de Henry Kissinger

Kissinger meets with Chairman Mao and Premier Zhou Enlai
Kissinger com Mao e o premiê Chu En-lai (Foto: Dedoc)

O estadista que reaproximou os Estados Unidos do país de Mao fez um bom livro de diplomata – tem histórias dos bastidores e entende, até demais, o outro lado

Se o leitor quiser um livro sobre a China, não compre este título. Se, no entanto, seu interesse for conhecer em profundidade a diplomacia chinesa, em especial em sua relação com os países do Ocidente, esta é uma obra imprescindível.

Sobre a China (tradução de Cássio de Arantes Leite; Objetiva; 576 páginas; 54,90 reais), de Henry Kissinger, foi escrito pelo estrangeiro que mais conhece o assunto, tanto por suas qualidades como intelectual e teórico das relações internacionais, como por ter sido um participante privilegiado dos contatos em primeiro, segundo e terceiro graus entre a potência asiática e os Estados Unidos.

Kissinger serviu como assessor de segurança nacional e secretário de Estado no governo de dois presidentes americanos – Richard Nixon (1969-1974) e Gerald Ford (1974-1977). Imigrante alemão, o judeu não crente Kissinger teve papel central em alguns dos episódios mais críticos da política externa americana no século XX, como a criação de uma estratégia de detenção da ameaça de aniquilação nuclear mútua com a União Soviética e a negociação do fim da guerra no Vietnã.

Ele fez 50 viagens à China

Seu legado mais duradouro, porém, foi a retomada das relações entre os Estados Unidos e a China no começo dos anos 70, em plena Guerra Fria. Foi então que ele iniciou uma convivência profissional de mais de quatro décadas com o país. Kissinger contabiliza cerca de cinquenta viagens à China e encontros com todos os líderes chineses desde Mao Tsé-tung (27 anos no poder e 70 milhões de mortos nas costas). » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

26/02/2012

às 12:00 \ Livros & Filmes

Entrevista: Sergio Mendes, o brasileiro que pode ganhar hoje o Oscar de melhor trilha sonora

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Sérgio Mendes (Foto: Gary Friedman / Getty Images)

Prestes a ganhar o Oscar pela trilha sonora da Animação Rio, Sergio Mendes falou com o repórter da VEJA, Mario Mendes, na edição de 22 de fevereiro de 2012.

 

“Nós é que influenciamos o jazz”

Indicado ao Oscar pela canção composta em parceria com Carlinhos Brown para o desenho Rio, o mais bem-sucedido músico brasileiro nos EUA diz que a  bossa nova perdura porque é original

Aos 71 anos, o músico e compositor Sergio Mendes está radiante.

Real in Rio, parceria dele com o baiano Carlinhos Brown para o desenho animado Rio, é uma das duas canções indicadas ao Oscar deste ano. Se sair vitoriosa, representará o primeiro prêmio da Academia para o Brasil. Para Mendes, será um ponto alto numa carreira iniciada nos anos 60, no lendário Beco das Garrafas carioca, e desenvolvida principalmente nos Estados Unidos, onde  ele vive há quase cinco décadas.

Durante esse tempo, Mendes gravou mais de trinta álbuns, conquistou plateias também na Europa e na Ásia e tocou na Casa Branca para dois presidentes — Richard Nixon e Ronald Reagan.

Depois de um momento morno vivido entre o fim dos anos 80 e os 90, Mendes experimenta uma nova fase de prestígio desde 2006, quando fez uma parceria inusitada com o rapper americano will.i.am, do grupo Black Eyed Peas: uma regravação de seu primeiro e maior êxito internacional, a sacolejante Mas que Nada, de Jorge Ben Jor.

Para reafirmar que o seu clássico estilo tropical chique se comunica com os ritmos dançantes do momento, seu álbum mais recente, Bom Tempo, ganhou uma edição especial apenas com remixes feitos por DJs festejados.

De sua casa em Los Angeles, onde vive com sua mulher, Gracinha Leporace (que ele diz ser sua cantora favorita), Mendes falou a VEJA sobre a indicação ao Oscar, o histórico concerto da bossa nova no Carnegie Hall, em 1962, e sobre como é, para um artista estrangeiro, funcionar no mercado americano.

Antes, confira um clipe da música que concorre ao Oscar:

 

Bem no ano em que o senhor concorre ao Oscar, a Academia cortou a apresentação ao vivo das canções indicadas?

Está a maior polêmica por aqui. A direção do show diz que cortou os números musicais por uma questão de tempo — é o que acontece quando entra na história o pessoal da televisão.

Mas de resto está tudo ótimo. A gente acha que telefonema fora de hora não é bom sinal, mas adorei ser acordado pelo Carlos Saldanha, às 6 da manhã, no dia das indicações, com o seguinte recado: “Acho bom você mandar o smoking para a lavanderia, porque vai precisar dele na noite do Oscar”.

Só a indicação já é uma honra, mas também é um peso. Tenho cinco prêmios Grammy e sei que com essas coisas não se pode brincar.

Além disso, no início do mês houve o almoço da Academia para os indicados, e pude conhecer Brad Pitt, Martin Scorsese, Steven Spielberg…

Aliás, o Spielberg veio me cumprimentar, falou que escuta minha música no carro. Ele até brincou: “Sou fã seu, mas você sabe que há muito tempo estou casado com o John Williams” (o compositor que assina as trilhas sonoras de todos os filmes de Spielberg).

 indicação de melhor trilha sonora, com canção de Carlinhos Brown e Sergio Mendes

"Real in Rio": a parceria com Carlinhos Brown acabou sendo indicada para o Oscar de melhor canção de 2011 (Foto: Ag. News)

O senhor participou da antológica noite da bossa nova no Carnegie Hall, em 1962. Como o senhor define a bossa nova?

Eu digo que ela é, acima de tudo, algo muito original com três pontos básicos: simplicidade, força de melodia e requinte harmônico.

No ano passado, no Rock in Rio, nós vimos a filha do Stevie Wonder, Aisha, cantando Garota de Ipanema acompanhada por um público de 100 000 pessoas.

Isso define bem essa sedução brasileira que o mundo inteiro reconhece, gosta e com a qual canta junto. A música brasileira pega as pessoas pelo coração.

 

De quem foi a ideia de fazer essa noite brasileira em Nova York?

O concerto começou a surgir no Bottle’s Bar, no Beco das Garrafas, em Copacabana.

Nessa época eu tinha um grupo musical chamado Bossa Rio, formado por Otavio Bailly no contrabaixo, Paulo Moura no sax, Pedro Paulo no trompete e Durval Ferreira na guitarra. Nosso repertório, claro, era 90% Antonio Carlos Jobim, mas já tocávamos Mas que Nada, porque o Jorge Ben Jor era um dos músicos que circulavam por lá.

Eu diria que aquele momento do Beco era como estar em Paris nos anos 20 e 30, porque ali se reuniam os músicos, poetas, artistas plásticos, arquitetos e escritores.

Desafinado, do Tom Jobim, foi gravada pelos jazzistas Charlie Byrd — que tinha ouvido a música numa viagem ao Brasil — e Stan Getz, e virou um sucesso mundial.

Mario Dias Costa, que era chefe da Divisão Cultural do Itamaraty e também frequentador do Beco, e Dora Vasconcellos, consulesa do Brasil em Nova York, resolveram organizar uma noite de bossa nova no Carnegie Hall, porque sentiram a força internacional do gênero.

 

Vocês tinham ideia da dimensão do que estavam fazendo?

Claro que não. Até tivemos de mandar fazer blazers na alfaiataria Torre Eiffel, que era coisa fina e elegante. Tudo, claro, financiado pelo Itamaraty.

Para mim, era uma aventura ainda maior, porque eu nunca tinha andado de avião. Sou de Niterói, e já havia sido uma aventura e tanto tomar a barca para ir até o Rio.

Stevie-Wonder-Sergio-Mendes-e-Tom-Jobim

Stevie Wonder, Sergio Mendes e Tom Jobim - um encontro possível após a noite de bossa nova no Carnegie Hall

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27/01/2012

às 15:34 \ Política & Cia

Aécio estará numa “arena inglória” se disputar a Presidência com Dilma, em 2014

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Aécio Neves e Dilma Rousseff: senador terá parada indigesta se for enfrentar Dilma, com o poder do cargo e da caneta, nas eleições de 2014 (Fotos: VEJA)

Pensando bem, tem razão a colunista da Folha de S. Paulo Eliane Cantanhêde, amiga e ex-colega de redação no Estadão, em seu texto de hoje segundo o qual ao qualificar de “óbvia” a opção do PSDB pelo senador Aécio Neves como candidato à Presidência em 2012, o ex-presidente Fernando Henrique “empurra Aécio para uma arena inglória”.

A arena inglória será enfrentar a presidente Dilma Rousseff com os plenos poderes – e a caneta – de presidente, a máquina do governo trabalhando, queira Dilma ou não, por sua candidatura, o enorme esquema de apoio partidário de que dispõe, sua possível popularidade na ocasião e o peso do apoio e da participação de Lula, se, como esperam as pessoas de bem, o ex-presidente superar seu câncer.

Já é tarefa duríssima para um desafiante, qualquer um, derrotar um governante no poder.

Veja-se o caso do Brasil desde a instituição da reeleição para a maioria dos cargos executivos, em 1997: FHC se reelegeu em 1998, e já no primeiro turno, contra Lula. Lula se reelegeu, em 2006, em segundo turno, contra Geraldo Alckmin. E é esmagadoramente alta a taxa de governadores e prefeitos de grandes cidades reeleitos.

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Gerald Ford, Jimmy Carter e Bush pai: só eles não conseguiram voltar ao cargo, entre 11 presidentes do pós-guerra nos Estados Unidos

Veja-se também o caso da mãe de todas as Repúblicas modernas, os Estados Unidos: dos doze presidentes do pós-guerra, um deles, John F. Kennedy, foi assassinado a um ano de disputar uma reeleição fácil e, dos demais onze, nada menos que oito foram reeleitos.

Não conseguiram voltar apenas o republicano Gerald Ford, derrotado em 1976 pelo democrata Jimmy Carter, o próprio Carter, que perdeu em 1980 para o republicano Ronald Reagan, e o republicano George Bush pai, vencido em 1992 pelo democrata Bill Clinton.

Condições que dificilmente se repetirão

Desses três presidentes, dois disputaram a eleição em condições muito especiais, em circunstâncias praticamente irrepetíveis: Ford assumiu após a renúncia do presidente Richard Nixon, em 1974, mas era um vice-presidente que fora escolhido indiretamente pelo Congresso em consequência renúncia, no ano anterior, sob acusações de corrupção, do controvertido vice Spiro Agnew.

O sucessor de Ford, Carter, disputou a eleição contra Reagan tendo dezenas de reféns americanos sequestrados e humilhados na embaixada dos EUA em Teerã pelo regime terrorista do Irã, e depois do fracasso militar de uma tentativa de resgate das vítimas por comandos especiais. O então líder supremo, aiatolá Ruhollah Khomeini, mandou, de propósito, libertar os reféns somente no exato dia da posse de Reagan (e da despedida de Carter), a 20 de janeiro de 1981.

Já Bush pai viu-se apanhado por uma crise econômica, bem mais suave do que a que assola, atualmente, o país, e Clinton chegou à Casa Branca.

Mas presidentes em exercício são sempre uma parada dura. O democrata Barack Obama, mesmo com o recente antecedente de Bush pai e a frágil recuperação da economia dos EUA, e a despeito dos tropeços e indecisões de sua gestão – podem escrever – vai acabar vencendo o candidato que emergir da carnificina interna que ora se desenvolve entre os republicanos.

Aécio, que há muitos anos alimenta um sonho presidencial, precisará, não tenham dúvidas, remover montanhas para alcança-lo em 2014.

 

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