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Ricardo Teixeira

09/05/2013

às 18:00 \ Política & Cia

Na podridão do futebol, o péssimo exemplo vem de cima

Ricardo Teixeira e Jo„o Havelange  (Foto: Wilton Junior / AE)

Ricardo Teixeira e João Havelange: a podridão do futebol brasileiro tem para quem puxar (Foto: Wilton Junior / AE)

Assistir à bandalheira quotidiana que vige na FIFA mostra que nós, no Brasil, não estamos sozinhos. As tramoias ocorridas no cenário do Grande Futebol são tão dignas de repulsa como as barbaridades pátrias — a má gestão, as transferências suspeitas de jogadores, as ambições políticas que fazem pessoas se tornarem dirigentes, as maracutaias, safadezas e tudo o mais que está destruindo aos poucos aquele que foi o melhor futebol do mundo, porque vem minando o interesse dos torcedores.

Que pobre e triste consolo, não?

Refiro-me à escandalosa e imoral decisão da FIFA, já amplamente divulgada, de manter uma certamente gorda aposentadoria mensal a seu ex-presidente João Havelange e também ao ex-quase eterno presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que ocupou posto de cartola na entidade sediada em Zurique.

Isso depois de o Comitê de Ética da entidade reconhecer que ambos receberam propinas para fazer negociatas — propinas gordíssimas, de 45 milhões de reais, comprovadas pela Justiça da Suíça, que os obrigou a uma devolução que ainda não passou de 5 milhões de reais.

A mansão onde Ricardo Teixeira, cheio de problemas no Brasil, vive um exílio dourado em Miami (Foto: Folhapress)

A FIFA de tantas zonas cinzentas, de tantos segredos, caixas pretas e malandragens — ela não divulga, por exemplo, o valor da aposentadoria –, nesse ponto parece a esculhambação que era o Congresso até anos atrás, quando se acabou com as aposentadorias imorais de deputados e senadores após apenas 8 anos de mandato. Pois é depois de exatamente 8 anos de ocupar um posto de direção na entidade maior do futebol que o cartola passa a ter direito a uma pensão vitalícia. Até morrer!

A dinheirama ganha pela entidade permite que os cartolas, além de enriquecerem por meio de diversos expedientes, inclusive alguns legítimos, também se protejam e a seu futuro. Em 2005, estabeleceu-se que haveria um fundo para bancar as aposentadorias e separaram-se 15 milhões de dólares para isso. Os recursos são aplicados em investimentos que só Deus sabe quais, para manter a rentabilidade do fundo.

Teixeira, repleto de problemas no Brasil e virtualmente escorraçado da CBF por pressão inclusive do governo federal, vive vida de nababo em Miami, onde reside em uma mansão, possui carros de luxo, barco e outras mordomias.

O futebol brasileiro podre que ele deixou para trás tem onde se inspirar.

08/05/2013

às 17:28 \ Política & Cia

FUTEBOL: Por que é que a torcida não está nem aí para a Seleção, para a Copa das Confederações e para a própria Copa 2014

Maracanã: (Foto: Publius Vergilius / Divulgação)

"O primeiro jogo no Maracanã depois de uma reforma que custou quase 1 bilhão aos cofres públicos é uma pelada entre amigos de Ronaldo e amigos de Bebeto"(Foto: Publius Vergilius / Governo do Estado do Rio de Janeiro)

Irreparável o texto do jornalista André Barcisnki, crítico do jornal Folha de S. Paulo, comentando o estranho — mas explicável — fenômeno de que, já perto de dois grandes eventos do futebol mundial, inclusive do maior, a Copa 2014, o país do futebol esteja a anos-luz de qualquer coisa parecida com “clima de Copa”.

Vejam só:

O TORCEDOR E A REVOLDA DAS CAXIROLAS

Estamos às vésperas da Copa das Confederações e a pouco mais de um ano da Copa do Mundo. Em qualquer país, o povo estaria respirando futebol.

Nas ruas, ninguém falaria de outra coisa. Crianças passeariam de camisa da seleção. Todo jogo seria uma festa, com estádios cheios e torcida animada.

Mas não é o que ocorre. Na verdade, não lembro uma época em que o futebol brasileiro estivesse tão por baixo quanto agora.

Nossa seleção é execrada. Aliás, a seleção não é “nossa”, mas da CBF, como bem disse Ricardo Teixeira.

O povo não se identifica com o time da CBF e vaia o time.

Nossos campeonatos estaduais foram sabotados pelas federações, que se perpetuam no poder à custa de favores aos times menores.

Nossos estádios, com poucas exceções, vivem vazios. Facções organizadas de torcedores profissionais dominam as arquibancadas.

Não podemos fumar, beber álcool ou levar bandeiras aos estádios. Não temos jogos de duas torcidas porque a polícia não tem competência para garantir a segurança. Partidas noturnas começam em horário de boate para satisfazer a TV.

Enquanto isso, na “sisuda” Alemanha, quem paga ingresso pode fumar, beber e exibir bandeiras.

Nosso Ministro do Esporte vai ao programa de TV Roda Viva e não tem capacidade de responder com clareza a uma pergunta sequer sobre os problemas da Copa do Mundo, preferindo acusar os jornalistas de “adversários da Copa” e ressuscitando a filosofia militarista do “Ame-ou ou deixe-o”.

O primeiro jogo no Maracanã depois de uma reforma que custou quase 1 bilhão aos cofres públicos é uma pelada entre amigos de Ronaldo e amigos de Bebeto.

Dizem que é um “jogo-treino”, mas o evento é transmitido pela TV e usado de propaganda por Dilma, Lula, Sergio Cabral e Eduardo Paes, o que o torna um evento oficial. Mesmo assim, Ronaldo acha por bem usar o Maracanã de playground e coloca um parente da esposa para jogar, enquanto Zico, Romário, Dinamite e tantos outros ídolos da história do Maracanã não foram convidados.

O apresentador da inauguração do novo Maracanã não foi José Carlos Araújo ou algum narrador esportivo com vínculos antigos ao estádio, mas Luciano Huck. Repito: Luciano Huck.

Nossos times, com poucas exceções, estão falidos, com dívidas impagáveis e divisões de bases dominadas por empresários.

Nossa imprensa esportiva se divide entre o oba-oba oficialesco e aqueles que insistem em dizer a verdade e são tachados de “pessimistas”.

O homem mais poderoso do futebol brasileiro é uma relíquia da ditadura que não pode nem chegar perto da presidente da República.

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05/04/2013

às 18:34 \ Tema Livre

ENTREVISTA: Ronaldo Fenômeno, a caminho de temporada de trabalho em Londres, diz que apoia Andrés Sanchez para a presidência da CBF

Ronaldo é o maior artilheiro em Copas do Mundo. O atacante guarda até hoje a camisa, autografada por todos atletas, da conquista do pentacampeonato (Foto: Fábio Motta / Estadão)

Ronaldo é o maior artilheiro em Copas do Mundo. O atacante guarda até hoje a camisa, autografada por todos atletas, da conquista do pentacampeonato (Foto: Fábio Motta / Estadão)

Entrevista a Marilia Neustein, da coluna “Direto da Fonte”, publicada no jornal O Estado de S.Paulo

“APOIO O ANDRÉS SANCHEZ PARA PRESIDENTE DA CBF”

Ex-jogador diz que as denúncias contra Marin são graves e elogia o amigo corintiano, desafeto do mandatário da entidade

De malas prontas para Londres, onde vai morar a partir de terça-feira, Ronaldo está de olho na sua carreira “político-esportiva”. Preparado para “estagiar” em uma das empresas da WPP – grupo de comunicação internacional da qual sua 9ine faz parte – o ex-jogador pretende sofisticar seus conhecimentos de negócios e publicidade.

Membro do Comitê Organizador da Copa, o Fenômeno recebeu a coluna em seu escritório na Barra da Tijuca, no Rio. Cercado de fotos de quando era jogador – acompanhado de personalidades como Nelson Mandela, João Paulo II, FHC e Shakira – entre outros, ele discorreu sobre os rumos do futebol brasileiro e suas aspirações profissionais.

Questionado sobre o futuro da CBF, Ronaldo afirmou, assim como Romário, que apoiaria Andrés Sanchez – desafeto do presidente José Maria Marin – para o cargo e que não fala há muito tempo com o ex-presidente Ricardo Teixeira. “Ele sumiu”, disse. Disse também, categoricamente, que o Itaquerão não fica fora da abertura do Mundial de 2014. Abaixo, a entrevista.

O que exatamente você vai fazer na Inglaterra?
Vou, em primeiro lugar, estudar inglês porque o meu é bem medíocre. Depois quero trabalhar. A gente já tem o grupo WPP como sócio aqui na 9ine, e vou me infiltrar em alguma empresa e trabalhar estagiando. Quero aprender mais sobre publicidade, business, esporte. Eles têm uma agência de esporte lá também que é muito boa.

Esse movimento de ir para a Europa pode ser um caminho para negociar uma posição na Fifa?
Já trabalho para a Fifa dentro do Comitê que organiza a Copa do Mundo.

Mas é algo que você deseja mais pra frente, seguir um caminho parecido com o de Michel Platini [ex-grande craque francês que preside a Uefa] ou de Beckenbauer [o fantástico ex-craque alemão que é presidente de honra do Bayern de Munich], que trilhou carreira em órgãos de esportes internacionais?
Tenho o desejo de continuar, porque já estou nessa carreira, digamos, política do futebol. Já está engatada. Então, quero continuar e entrar em bons projetos. Tenho de me preparar bem para poder exercer uma função importante.

Qual é, exatamente, sua função no Comitê da Copa? Você transita no governo, tem contato com as empreiteiras que estão na construção dos estádios?
Como estou no Comitê, no Conselho de Administração, tenho contato com todo mundo. Principalmente nas visitas aos estádios. Mas não entro nas negociações. E o Comitê também não. A gente quer só realizar tudo, deixar o padrão Fifa bem esclarecido para todas as cidades-sede.

Como membro do Comitê, você acha que existe chance de o Itaquerão não ficar pronto para a abertura da Copa?
Não, nenhuma chance. Como [a cidade de] São Paulo ficaria fora da Copa do Mundo? A negociação entre Corinthians, quem está fazendo o financiamento e a empreiteira terá alguma dificuldade natural, mas o estádio do Corinthians também está no tempo de construção.

Então, não vejo nenhum problema. Lógico que a gente gostaria que estivesse já tudo acertado, as negociações finalizadas e que tudo fosse muito transparente para todo mundo ficar tranquilo. Mas não tenho dúvida de que logo, logo vão encontrar uma solução.

No Brasil há um grande problema com a violência das torcidas organizadas. Na Inglaterra, o futebol acabou com a violência nos estádios. Como deixar o estádio um lugar mais seguro?
Acho que a partir de 2014 o futebol brasileiro vai mudar em vários sentidos. Não só tecnicamente, mas também quanto à segurança nos estádios.

Hoje há estádios que não são preparados nem para a segurança do torcedor nem para o jogador. Acho que o legado da Copa será esse também: ter uma estrutura nova, legislação nova, para que o torcedor que for ao estádio com a intenção de fazer baderna possa ser punido e responsabilizado criminalmente. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

31/03/2013

às 16:00 \ Política & Cia

ROMÁRIO ATIRA DE NOVO — e bate duro: “A eleição na CBF vai ser comprada”

O deputado Romário, o "Baixinho" tetracampeão mundial em 1994, em seu gabinete na Câmara (Alan Marques / Folhapress)

Do site de VEJA

O deputado federal Romário de Souza Faria (PSB-RJ) fez duras críticas à cúpula da CBF e chamou o vice-presidente da entidade, Marco Polo del Nero, de chefe do “cartel” da entidade.

Também acusou os dirigentes da confederação de superfaturamento na compra de terreno para a nova sede da CBF e afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, que a próxima eleição presidencial da CBF “vai ser comprada”.

No final do ano passado, Romário protocolou na Câmara o pedido de uma CPI da CBF. E, ao ser questionado se acredita não haver interesse do governo em investigar a entidade, ele respondeu:

– Estou aqui há pouco mais de dois anos e já pude reparar que não existe interesse do governo em abrir CPI nenhuma. Não me pergunte por quê. Com uma CPI do futebol, iniciada agora, o Brasil teria condições de chegar ao ano do Mundial limpo, de cara nova. Reina muita bagunça no nosso futebol. O estatuto da CBF, até onde eu sei, incentiva os investimentos nas bases, na formação de atletas femininas, tantas outras coisas. E não se vê isso.

O ex-jogador, campeão mundial pelo Brasil em 1994, destacou que “é tudo muito nebuloso na CBF” e, ao comentar o fato de que as eleições na entidade são marcadas por denúncias de compra de votos há décadas, soltou: “A próxima eleição (em 2014) vai ser comprada também. Torço e acredito que apareça algum candidato avulso, contrário aos métodos atuais e que possa incomodar os atuais dirigentes.”

Romário ainda apontou Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e ex-diretor de seleções da CBF, como um nome de sua preferência para assumir a CBF. Ele disse que o dirigente “tem seus defeitos e problemas, como todos nós, mas já deu provas de que é um ótimo administrador e botou o Corinthians no topo”. “Se ele se candidatasse à presidência da CBF, muito provavelmente teria meu apoio. Outro nome que também seria excelente é o Raí, um cara íntegro, inteligente, muito respeitado. O ideal seria uma chapa unindo eles dois.”

Chega até “a ter saudades” de Ricardo Teixeira

Romário também disse que chega até “a ter saudades” de Ricardo Teixeira no comando da CBF, embora o tenha criticado muito. “É impressionante a quantidade de coisas erradas na CBF a cada dia. O Teixeira, nos últimos dez anos, foi muito prejudicial à CBF, envolvido em muitos escândalos de corrupção. Mas, por outro lado, olhou muito para o futebol da seleção. Hoje, nós somos o 18.º no ranking da Fifa. É por isso que falo de saudades dele, mas só por isso.”

Sobre a possibilidade de Del Nero assumir a CBF, na eventualidade da saída de José Maria Marin, Romário fez sérias acusações ao dirigente: “Ele (Del Nero) é o pior dos três. É o cabeça do atual cartel que virou a CBF. É quem faz os negócios, as negociatas da entidade. É ele quem manipula os presidentes de federações, de clubes. Se chegar à presidência da CBF, vamos viver um inédito período de ditadura no nosso futebol.”

Leia também:
Romário e a Copa: guia prático para um craque do discurso
Romário diz que obras da Copa de 2014 serão maior roubo da história do país

Romário disse defender o voto das federações e dos “mais de 200 clubes” filiados à CBF para eleger o presidente da entidade, e não apenas dos times que fazem parte da Série A do Brasileiro, conforme prevê o estatuto do organismo.

“Deixar o Ronaldo tocar o Comitê Organizador da Copa”

Romário admitiu estar descrente com a possibilidade de Marin ser afastado da presidência da CBF e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014, após ter pedido para a Fifa tirá-lo destes cargos.

“Pedi, não obtive nenhum retorno nem vou obter. Quem dá as cartas do futebol não se interessa pelas minhas denúncias. Mas a população reconhece e cobra lisura e honestidade cada vez mais. O Marin tem de sair e deixar o Ronaldo tocar o Comitê Organizador da Copa”. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

26/07/2012

às 16:16 \ Política & Cia

Boa notícia do Senado: projeto pretende acabar com nepotismo e reeleições de cartolas do esporte

PARCERIA NA FITA Depois do escândalo, Teixeira e Havelange já renunciaram aos cargos na CBF e no COI (Foto: Wilton Junior / AE)

Ricardo Teixeira, 23 anos à frente da hoje CBF: a família comandando por 41 anos o futebol brasileiro; Havelange, que lá permaneceu 18 anos, depois entronizou o genro (Foto: Wilton Junior / AE)

Millôr Fernandes escreveu uma vez que se deve sempre ler a seção dos obituários dos jornais, porque “às vezes, temos surpresas agradabilíssimas”.

Pois aconselho a que se leia sempre que possível as informações da Agência Senado, porque ali, volta e meia, surgem boas notícias.

Vejam abaixo a notícia a que se refere o título — se é que a nefanda “bancada da bola” não vai acabar com as boas intenções do projeto, que evitaria barbaridades como João Havelange reinando por 18 anos à frente do futebol brasileiro e mais tarde colocando o próprio genro, na época um joão-ninguém, Ricardo Teixeira, que lá permaneceu por mais 23 anos. Quase meio século de nepotismo:

 

Da Agência Senado

Projeto que impede a reeleição ilimitada de dirigentes de federações e confederações esportivas e restringe a quatro anos a duração máxima de um mandato está em análise na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado (CE).

A proposta (PLS 253/12) do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) também proíbe a nomeação de parentes para ocuparem cargos nas instituições. De acordo com o parlamentar, muitas das associações são comandadas por “verdadeiras dinastias” que se perpetuam por décadas no poder.

“A candidatura de parentes de ocupantes de postos diretivos é beneficiada pelo prestígio decorrente do parentesco. Para tanto, prevemos que as hipóteses de inegibilidade se apliquem aos cônjuges e parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do dirigente eleito para o mandato com exercício imediatamente anterior às eleições”, explica Cássio.

O projeto altera a chamada Lei Pelé (Lei nº 9.615, de 24 de março 1998) que estabelece hipóteses de inelegibilidade para cargos e funções eletivas ou de livre nomeação de dirigentes de entidades desportivas.

“A alternância no poder, além de procedimento de cunho democrático, pode prevenir a prática de abusos continuados, assegurando a igualdade entre os candidatos em disputa”, argumenta o senador no projeto.

Proposta similar

Outro projeto que propõe a limitação dos mandatos de presidentes de federações e confederações também está em análise na comissão: o PLS 328/10.

Conforme a proposta, de autoria do então senador Alfredo Cotait, “os clubes, federações, confederações e outras associações esportivas não poderão receber subvenções e quaisquer outras verbas do orçamento federal e de empresas sob controle estatal federal se os mandatos de seus presidentes e outros diretores excederem a duração de quatro anos, admitida a reeleição para período de idêntica duração em um único mandato subsequente”.

Se passar pela CE, o projeto, que tem como relator o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), será encaminhado à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), sendo que nesta em decisão terminativa [ou seja, não precisará passar pela votação de todos os senadores, salvo se houver requerimento neste sentido.].

23/07/2012

às 17:00 \ Política & Cia

Que pena que Havelange e Ricardo Teixeira não estão sendo procurados pela Interpol, como Maluf. Mas a Justiça da Suíça comprova negociatas dos dois ex-cartolas

PARCERIA NA FITA Depois do escândalo, Teixeira e Havelange já renunciaram aos cargos na CBF e no COI (Foto: Wilton Junior / AE)

PARCERIA NA FITA -- Depois do escândalo, Teixeira e Havelange já renunciaram aos cargos na CBF e no COI (Foto: Wilton Junior / AE)

Que pena que, na época dos fatos narrados abaixo, o pagamento de propina para obter vantagens não era considerado crime na Suíça. Caso contrário, tal como ocorre com Paulo Maluf, possivelmente os ex-cartolas João Havelange e Ricardo Teixeira — que nunca se deixaram apanhar no Brasil — poderiam estar sendo objeto de uma ordem de captura pela Interpol, a Polícia Internacional.

De todo modo, o processo que veio à tona por ordem do Supremo Tribunal Federal da Suíça comprova o que muita gente suspeitava mas não podia provar: que os dois ex-cartolas todo-poderosos, no Brasil e na Fifa, se envolveram em grossas bandalheiras.

(Reportagem de Alexandre Salvador publicada na edição impressa de VEJA

Ricardo Teixeira e João Havelange

Propina milionária

Processo divulgado pela Justiça da Suíça detalha o pagamento de 45 milhões de reais a Ricardo Teixeira e João Havelange

A existência de corrupção no comando da Fifa não é novidade. Só nos dias recentes, porém, com a divulgação por ordem do Supremo Tribunal Federal da Suíça de um processo mantido em sigilo, tornaram-se públicas as quantias milionárias das negociatas envolvendo dois brasileiros, João Havelange e Ricardo Teixeira.

De acordo com as investigações, eles podem ter recebido o equivalente a mais de 45 milhões de reais em depósitos feitos pela ISL, uma empresa de marketing esportivo, diretamente em suas contas bancárias ou nas de empresas ligadas aos dois. Em troca desses pagamentos, que os promotores suíços qualificam de “propina”, os dois dirigentes favoreceram a empresa na disputa pelos direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2002 e 2006.

Havelange foi presidente da Fifa durante 24 anos, até ser substituído pelo suíço Joseph Blatter. Aos 96 anos, ele permanece como presidente honorário da entidade máxima do futebol mundial. Mas, em decorrência do escândalo, já renunciou ao lugar que ocupou por 48 anos no Comitê Olímpico Internacional (COI).

Quatro meses atrás, Ricardo Teixeira, que foi genro de Havelange, renunciou à presidência da CBF, cargo que ocupou por 23 anos, e à do Comitê Organizador Local da Copa de 2014. Ele também abriu mão de sua cadeira no Comitê Executivo da Fifa e hoje vive em Miami.

Fundada em 1982 por um dos herdeiros da Adidas, a ISL chegou a ser dona dos direitos de marketing e transmissão de megaeventos como a Copa do Mundo, a Eurocopa e a Olimpíada, mas faliu em 2001.

Blatter: "Não se pode julgar o passado com base nos padrões atuais" (Foto: AP)

Blatter: nos autos do processo, advogado da Fifa informou que a entidade considera que "propinas são encaradas como parte do salário na América Latina e na África" (Foto: AP)

Os dois pagaram indenização de 5 milhões de reais para encerrar processo

Apesar de não admitirem nenhuma atitude ilegal, os advogados dos dois acusados conseguiram que o processo por enriquecimento ilícito e administração desleal fosse encerrado em sigilo, em maio de 2010, em troca da indenização de 5 milhões de reais paga à promotoria. Os autos do processo mostram que determinado pagamento feito pela ISL a Havelange foi depositado por engano na conta da Fifa.

O diretor financeiro prontamente repassou o dinheiro a quem de direito. Embora Blatter não seja acusado de recebimento de propina, o processo mostra que ele foi informado da negociata e não tomou providências. Em sua defesa, Blatter diz que o pagamento de “comissão” ainda não era considerado crime na Suíça. “Não se pode julgar o passado com base nos padrões atuais”, afirmou.

De qualquer forma, consta nos autos, um advogado da entidade informou que ela considerava impossível exigir a devolução do dinheiro desviado, visto que “propinas são encaradas como parte do salário na América Latina e na África”. A divulgação do processo era pedida em ação movida por jornais europeus. Nos últimos dois anos, a Fifa vive contra a parede, obrigada a dar explicações constantes sobre denúncias de suborno a membros de seu comitê executivo.

Esse grupo de 24 cartolas de vários países é responsável pela escolha das sedes da Copa do Mundo. O desconforto de Blatter tem a ver com sua relação com Havelange. O suíço foi secretário-geral da entidade entre 1981 e 1998, período em que o brasileiro ditava as regras do futebol mundial.

19/06/2012

às 15:15 \ Política & Cia

Lula com Maluf – e a galeria de fotos em má companhia ficou completa. Bem…. Será?

Já comentei suficientemente, em outro post, o significado da histórica visita de Lula ao político que o PT considerou, a vida toda, Belzebu em pessoa — o deputado Paulo Maluf, a quem o ex-presidente e todo um séquito petista foram agradecer o apoio ao candidato do partido à Prefeitura de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad.

Hoje, acho conveniente rememorar, com este acréscimo e mais um (a última foto), uma galeria de fotos em que a divindade do lulalato, às vezes por distração, outras por obrigação do cargo e em várias outras denotando evidente prazer, foi clicado ao lado de pessoas de quem, nos velhos tempos do Lula e do PT fora do poder, não chegaria nem perto, nem amarrado.

A foto com Maluf, símbolo de tudo o que o PT sempre afirmou combater na vida pública, completa a galeria.

Completa a galeria… Será? Não sei, não. É sempre possível que Lula, uma hora dessas, abrace afetuosamente um Bolsonaro da vida.

Aguardem, porque a galeria vai crescer.

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O aperto de mãos antes inimaginável, e agora histórico: Lula com o Demônio em pessoa, ambos felizes e sorridentes -- e Haddad no meio (Foto: Folhapress)

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Lula é abraçado pelo presidente da Gaviões da Fiel (o terceiro, da esquerda para a direita), Antônio Alan Souza Silva (o Donizete), que tinha contra si prisão preventiva decretada pela Justiça. Também na foto, à esquerda, Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, e o deputado estadual e presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva (Foto: Cesar Ogata)

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Lula, de chapéu, brinca com bola de futebol americano e posa ao do ator pornô Alexandre Frota, em foto em que aparece um atleta da equipe de futebol americano do Corinthians e o ex-lateral Vladimir (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

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Rivais na eleição de 1989, o senador Fernando Collor (PTB-AL) e o presidente Lula se abraçam em evento em Alagoas (Foto: Ailton Cruz / Gazeta de Alagoas)

Rivais ferozes na eleição de 1989 -- Collor trouxe de forma ignóbil, e mentirosa, a vida pessoal de Lula ao horário eleitoral --, o hoje senador Fernando Collor (PTB-AL) e o então presidente Lula se abraçam em evento em Alagoas (Foto: Ailton Cruz / Gazeta de Alagoas)

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Ricardo Teixeira ao lado de Lula, em 2006 (Foto: Ricardo Stuckert)

Lula com o cartola que, de tão assediado por acusações, se auto-imolou da entidade que comandou como bem entendeu por 23 anos e se mandou para os Estados Unidos: Ricardo Teixeira, então presidente da CBF (Foto: Ricardo Stuckert)

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Lula sorridente ao lado do também sorridente governador do DF, José Roberto Arruda, posteriormente à foto cassado por corrupção (Foto: veja.abril.com.br)

Lula sorridente ao lado do também sorridente governador do DF, José Roberto Arruda, posteriormente à foto cassado por corrupção (Foto: veja.abril.com.br)

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Lula gostaria que o “amigo” Renan Calheiros saísse ileso da tormenta que o enredou (Foto: Antônio Cruz / ABr)

Lula com o senador Renan Calheiros, que renunciou à presidência do Senado em 2007 para não ser cassado. Na ocasião, o presidente disse torcer para que o "amigo" saísse ileso da tormenta que o enredou (Foto: Antônio Cruz / ABr)

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Lula com o senador e ex-presidente José Sarney, seu firme aliado, e a quem o antigo Lula criticou e combateu durante a maior parte de sua vida política (Foto: Folhapress)

Lula com o senador e ex-presidente José Sarney, seu firme aliado, e a quem o antigo Lula criticou e combateu durante a maior parte de sua vida política (Foto: Folhapress)

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Lula e o tirano que governa o Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que quer destruir o Estado de Israel e defende a tese de que o Holocausto dos judeus na II Guerra Mundial é uma invenção. Lula foi visitar em Teerã este pária internacional e, depois, recebeu-o em Brasília com todas as honras (Foto: AFP)

Lula e o tirano que governa o Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que quer destruir o Estado de Israel e defende a tese de que o Holocausto dos judeus na II Guerra Mundial é uma invenção. Lula foi visitar em Teerã este pária internacional e, depois, recebeu-o em Brasília com todas as honras (Foto: AFP)

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Lula cumprimenta com efusão ao deposto e assassinado ditador Muamar Kadafi, da Líbia. Na foto, outra companhia significativa: o presidente Evo Morales, que mandou o Exército da Bolívia ocupar instalações da Petrobras e obteve a "compreensão" do então presidente brasileiro (Foto: AFP)

Lula cumprimenta com efusão o deposto e assassinado ditador Muamar Kadafi, da Líbia. Na foto, outra companhia significativa: o presidente Evo Morales, que mandou o Exército da Bolívia ocupar instalações da Petrobras e obteve a "compreensão" do então presidente brasileiro (Foto: AFP)

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Lula com um amigão: o ditador bufão da Venezuela, Hugo Chávez (Foto: David Fernandez / Agência EFE))

Lula com um amigão: o ditador bufão da Venezuela, Hugo Chávez (Foto: Ed Ferreira / AE)

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Lula e Evo Morales, com colar de coca, na Bolívia (Foto: Reprodução / VEJA.com)

Lula e Evo Morales, com colar de coca, na Bolívia (Foto: VEJA.com)

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Lula, em Cuba, com os irmãos ditadores Castro, e o ministro que sempre quis controlar a imprensa, Franklin Martins (Foto: Dedoc)

Lula, em Cuba, com os irmãos ditadores Castro, e o ministro que sempre quis controlar a imprensa, Franklin Martins (Foto: Dedoc)

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Lula e um campeão da moralidade pública: Jader Barbalho, que renunciou ao mandato de senador para não ser cassado por corrupção e já sentiu nos pulsos o aço das algemas da Polícia Federal (Foto: Dedoc / Editora Abril)

Lula e um campeão da moralidade pública: Jader Barbalho, que renunciou ao mandato de senador para não ser cassado por corrupção e já sentiu nos pulsos o aço das algemas da Polícia Federal (Foto: Dedoc / Editora Abril)

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Lula e o multimilionário "bispo" da Igreja Universal, Edir Macedo

Lula e o multimilionário "bispo" da Igreja Universal, Edir Macedo

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Tendo Aloizio Mercadante entre os dois, Lula com outro baluarte da moralidade pública, senador Romero Jucá (PMDB-RR)

Tendo Aloizio Mercadante entre os dois, Lula com outro baluarte da moralidade pública, senador Romero Jucá (PMDB-RR)

 

Lula com Severino Cavalcanti, que renunciou à presidência da Câmara e ao mandato de deputado, em 2005, para não ser cassado por corrupção

10/05/2012

às 16:26 \ Política & Cia

Especial: uma galeria de fotos de Lula — nem sempre em boa companhia

A vida de um político é dura. Sendo um político popularíssimo, como Lula, a dureza inclui o fato de todo mundo querer aparecer em foto a seu lado.

Se não há, como ocorre em vários países, uma assessoria ferozmente vigilante para não deixar que o presidente, ou mesmo um ex-presidente, apareça com pessoas em cuja companhia um chefe de Estado, por uma ou outra razão, não deveria luzir na mídia, pode ocorrer o que se passou com Lula na foto abaixo, divulgada segunda-feira pelo blog do jornalista Juca Kfouri.

Aproveito para mostrar uma galeria de fotos em que Lula, às vezes por distração, outras por obrigação do cargo e em algumas denotando evidente prazer, foi fotografo ao lado de pessoas de quem, nos velhos tempos do Lula fora do poder, não chegaria nem perto.

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Lula é abraçado pelo presidente da Gaviões da Fiel (o terceiro, da esquerda para a direita), Antônio Alan Souza Silva (o Donizete), que tem prisão preventiva decretada contra. Também na foto, à esquerda, Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, e o deputado estadual e presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva (Foto: Cesar Ogata)

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Lula, de chapéu, brinca com bola de futebol americano e posa ao do ator pornô Alexandre Frota, em foto em que aparece um atleta da equipe de futebol americano do Corinthians e o ex-lateral Vladimir (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

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Rivais na eleição de 1989, o senador Fernando Collor (PTB-AL) e o presidente Lula se abraçam em evento em Alagoas  (Foto: Ailton Cruz / Gazeta de Alagoas)

Rivais ferozes na eleição de 1989 -- Collor trouxe de forma ignóbil, e mentirosa, a vida pessoal de Lula ao horário eleitoral --, o hoje senador Fernando Collor (PTB-AL) e o então presidente Lula se abraçam em evento em Alagoas (Foto: Ailton Cruz / Gazeta de Alagoas)

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Ricardo Teixeira ao lado de Lula, em 2006 (Foto: Ricardo Stuckert)

Lula com o cartola que, de tão assediado por acusações, se auto-imolou da entidade que comandou como bem entendeu por 23 anos e se mandou para os Estados Unidos: Ricardo Teixeira, então presidente da CBF (Foto: Ricardo Stuckert)

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Lula sorridente ao lado do também sorridente governador do DF, José Roberto Arruda, posteriormente à foto cassado por corrupção (Foto: veja.abril.com.br)

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Lula gostaria que o “amigo” Renan Calheiros saísse ileso da tormenta que o enredou  (Foto: Antônio Cruz / ABr)

Lula com o senador Renan Calheiros, que renunciou à presidência do Senado em 2007 para não ser cassado. Na ocasião, o presidente disse torcer para que o "amigo" saísse ileso da tormenta que o enredou (Foto: Antônio Cruz / ABr)

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Lula com o senador e ex-presidente José Sarney, seu firme aliado, e a quem o antigo Lula criticou e combateu durante a maior parte de sua vida política (Foto: Folhapress)

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Lula e o tirano que governa o Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que quer destruir o Estado de Israel e defende a tese de que o Holocausto dos judeus na II Guerra Mundial é uma invenção. Lula foi visitar em Teerã este pária internacional e, depois, recebeu-o em Brasília com todas as honras (Foto: AFP)

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Lula cumprimenta com efusão ao deposto e assassinado ditador Muamar Kadafi, da Líbia. Na foto, outra companhia significativa: o presidente Evo Morales, que mandou o Exército da Bolívia ocupar instalações da Petrobras e obteve a "compreensão" do então presidente brasileiro (Foto: AFP)

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Lula introduziu uma nova tendência na diplomacia brasileira: dar cobertura política para manifestações autoritárias (David Fernandez / EFE))

Lula com um amigão: o ditador bufão da Venezuela, Hugo Chávez (Foto: David Fernandez / Agência EFE))

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Lula e Evo Morales, com colar de coca, na Bolívia (Foto: Reprodução / VEJA.com)

Lula e Evo Morales, com colar de coca, na Bolívia (Foto: VEJA.com)

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Lula, em Cuba, com os irmãos ditadores Castro, e o ministro que sempre quis controlar a imprensa, Franklin Martins (Foto: Dedoc)

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Lula e um campeão da moralidade pública: Jader Barbalho, que renunciou ao mandato de senador para não ser cassado por corrupção e já sentiu nos pulsos o aço das algemas da Polícia Federal (Foto: Dedoc / Editora Abril)

 

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Lula e o multimilionário "bispo" da Igreja Universal, Edir Macedo

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Tendo Aloizio Mercadante entre os dois, Lula com outro baluarte da moralidade pública, senador Romero Jucá (PMDB-RR)

 

16/04/2012

às 19:37 \ Política & Cia

Ricardo Teixeira entronizado como “patrono da CBF” mostra que no Brasil não há limites para a falta de vergonha na cara

Ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira durante entrevista na sede da entidade - Wilton Junior/Agencia Estado

Ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que sumiu do Brasil diante do cerco que se apertava em seu pescoço, agora virou "patrono" da entidade (Foto: Wilton Junior / AE)

Não há limites para a insânia, dizia o grande jornalista Geraldo Mayrink.

Não bastasse tudo o que o futebol tem de desorganizado, de anti-profissional, de desmoralizado e de podre em matéria de dirigentes, vem essa assembléia da CBF, presidida por um cartola de segundo time e um ex-político de terceiro — o carcomido ex-vice-governador biônico de São Paulo, José Maria Marín –, e coloca a folha corrida do homem que fez e aconteceu na entidade durante 23 anos como seu “patrono”.

E aclamado pela unanimidade das 23 federações de futebol existentes!

Não, “neste país” não há limites também para a falta de vergonha na cara.

LEIA AQUI SOBRE AS DIFICULDADES DO CARTOLA COM A LEI:

Corda aperta no pescoço do cartola Ricardo Teixeira. Sua derrocada, finalmente, está próxima

09/04/2012

às 14:38 \ Política & Cia

Dois anos antes da Copa, o governo já ganhou o troféu do atraso e da gastança

Arena das Dunas, em Natal. As obras não chegam aos 21% de conclusão

Arena das Dunas, em Natal: as obras não chegam aos 21% de conclusão (Foto: abril.com.br)

Por Júlia Rodrigues

 

DOIS ANOS ANTES DA COPA, O GOVERNO JÁ GANHOU O TROFÉU DO ATRASO E DA GASTANÇA

“Estejam certos de que o Brasil, orgulhosamente, cumprirá o seu dever de casa”, comunicou ao mundo o presidente Lula em outubro de 2007, quando a Fifa anunciou oficialmente que o país seria a sede da Copa de 2014. Passados quatro anos e meio, sobram motivos para incluir a promessa solene na coleção de bravatas do criador do Brasil Maravilha.

Um relatório apresentado no início do mês pelo Ministério Público identificou atrasos em 100% das obras de mobilidade urbana. Ou seja: nenhuma obedeceu aos prazos fixados pelos cronogramas originais. Da extensa lista de projetos que, segundo o governo, melhorariam o trânsito e eliminariam os gargalos no transporte público, pouca coisa saiu do papel ─ e nada foi concluído. Apenas 2,14% dos investimentos são visíveis a olho nu.

Em Brasília, por exemplo, as obras na rodovia DF-047 e do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) estacionaram na licitação. Em Porto Alegre, os canteiros de obras começaram a movimentar-se na semana passada ─ 54 meses depois da promessa de Lula.

Até o metrô paulistano, o maior e mais moderno do país, enfrenta problemas. Na quarta-feira passada, 4, entre uma pane e outra, o presidente da empresa que administra os trens subterrâneos deixou o cargo que começou a perder com o aparecimento das suspeitas de fraude na licitação da Linha 5-Lilás.

A ministra Miriam Belchior e sua ideia genial: decretar feriado em dia de jogo para melhorar o trânsito (Foto: Agência Brasil)

“Posso decretar um feriado em São Paulo no dia do jogo e garantir que não tenha trânsito”, descobriu em novembro de 2011 a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Embora tenha subestimado o problema de mobilidade nas grandes cidades, o governo federal se recusa a assumir qualquer parcela de culpa pelos atrasos, que trata de transferir para os governos estaduais e municipais.

O discurso do governo é desmentido por fatos e cifras. Dos R$ 119 milhões previstos no programa “Apoio à Realização da Copa do Mundo Fifa 2014″, por exemplo, o Ministério do Esporte desembolsou no ano passado apenas R$ 30 milhões. Segundo o site oficial da Copa de 2014, só cinco dos 12 estádios que compõem o roteiro dos jogos alcançaram 50% do cronograma. O quadro mais preocupante é desenhado pelo Beira-Rio, em Porto Alegre. Só 20% do estádio do Internacional foi reformado.

 

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Estádio Beira Rio, em Porto Alegre, 20% reformado (Foto: Jonas Oliveira)

Atraso proposital: brechas para superfaturamento

Engenheiros especializados nesse tipo de obra afirmam que o atraso é proposital. Já serviu de pretexto para a aprovação pelo Congresso do Regime Diferenciado de Contratações, que dribla a legislação e abre brechas para a infiltração, nos contratos, de espertos aditivos que favorecem o superfaturamento. Empreiteiros premiados com encomendas para a Copa de 2014 e para a Olimpíada de 2016 ficaram muito felizes. Os pagadores de impostos ficaram com a conta.

Em 2007, o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, garantiu que o governo não gastaria um único centavo em reformas ou construção de estádios. A falácia foi atropelada pela gastança com dinheiro público. O BNDES e os governos estaduais são responsáveis por R$ 4,8 bilhões dos R$ 7,8 bilhões enterrados em estádios.

Desde o dia da posse de Dilma Rousseff, os R$ 5,3 bilhões orçados inicialmente subiram 47%. Um levantamento feito pelo deputado federal Chico Alencar, do PSOL fluminense, constatou que os R$ 2,5 bilhões do reajuste equivalem a 37% do que o governo da Alemanha investiu na Copa de 2006.

Segundo Alencar, essa quantia é suficiente para bancar 806 mil bolsas para atletas olímpicos, ou 3.125 quadras poliesportivas ou, ainda, 2,9 mil creches das 6 mil creches que Dilma não conseguiu transferir do palanque para a vida real.

Custo da Copa pode ir de 23 para 33 bilhões

Em cinco meses, de acordo com o Tribunal de Contas da União, o custo total da Copa do Mundo subiu de R$23,3 bilhões para R$ 25 bilhões. Até 2014, a bolada colossal pode chegar a R$ 33 bilhões, dois terços dos quais serão financiados pelos cofres oficiais. Boa parte da despesa exorbitante será engolida por elefantes brancos.

Segundo o TCU, figuram nessa categoria os estádios de Natal, Manaus Cuiabá e Brasília, que praticamente não terão serventia depois da Copa.

Nessa lista de problemas, nenhum tópico é mais preocupante que o sistema aeroportuário. Segundo a Fifa, 20% dos espectadores presentes ao estádio virão de outros pontos do país a bordo de aviões.

Isso significa que os aeroportos terão de ampliar consideravelmente o volume de pousos e decolagens. No Rio, por exemplo, os terminais do Galeão e Santos Dumont deverão suportar 152 voos extras diários. Como os aeroportos já estão congestionados, esses números são um prenúncio do colapso.

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Aeroportos: privatização vai obrigar empresas a fazer em dois anos o que o governo não fez em cinco (Foto: Infraero)

Privatização para fazer cinco anos em dois

Em fevereiro, o Planalto finalmente admitiu a impossibilidade de resolver sozinho o problema e privatizou os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília.

Cumpre às empresas que venceram o leilão fazer em dois anos o que o governo não fez em cinco. Se os novos responsáveis pelo transporte aéreo forem confrontados com obstáculos instransponíveis, poderão valer-se da cláusula do contrato que permite a devolução dos terminais ao antigo dono.

Nessa hipótese, os organizadores da Copa terão de encontrar uma forma muito mais complexa que as mais complicadas táticas adotadas pelos melhores times do mundo.

(Post originalmente publicado no Blog de Augusto Nunes)

 

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