Blogs e Colunistas

Ricardo Noblat

30/06/2014

às 17:58 \ Política & Cia

MORDERAM DILMA, por Ricardo Noblat

Dilma na posse do novo ministro dos Transportes, Paulo Passos (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

Dilma na posse do novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

Nota de Ricardo Noblat publicada em sua excelente coluna no site de O Globo

Na última sexta-feira, em Salvador, ao participar da convenção que lançou o candidato do PT ao governo do Estado, Lula afirmou que a política vive um momento de descrédito e que é preciso moralizá-la.

E completou: “Aos olhos do povo parece uma coisa vergonhosa”.

E não é?

Ora, Lula e o PT, mas não somente eles, contribuem para que boa parcela dos brasileiros sinta nojo da política e dos políticos.

Um dia antes, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff havia dado posse a Paulo Sérgio Passos, o novo ministro dos Transportes.

Ministro costuma ser empossado em uma das amplas salas do segundo andar do Palácio do Planalto. As cadeiras, ali, jamais são suficientes para o número pessoas interessadas em prestigiar o novo ministro.

Pois a cerimônia ocorreu numa sala menor do terceiro andar. Durou menos de 20 minutos. E foi quase clandestina. Políticos de peso não compareceram. O discurso de Dilma não passou de uma peça chocha e cínica.

Ela disse que a ocasião se prestava para uma “pequena reorganização do time que toca a infraestrutura e logística do governo”. E concluiu: “Estou realocando as melhores pessoas em funções diferentes”.

Referia-se à transferência de Paulo Sérgio, presidente da Empresa de Planejamento e Logística, para o lugar de César Borges, até então ministro dos Transportes.

Borges foi rebaixado à condição de ministro da Secretaria Especial dos Portos em substituição a Antônio Henrique Silveira, que doravante responderá pela secretaria-executiva do ministério de Borges.

Por que esse troca-troca?

A implacável faxineira ética do início do governo, a dura executiva que não perdoa falhas dos seus auxiliares, a mulher valente que se orgulha de manter distância dos políticos por considerá-los desprezíveis, enfim essa senhora antipática e refratária a salamaleques rendeu-se à pressão de uma agremiação inexpressiva chamada Partido da República (PR).

Piscou primeiro. E ofereceu o ombro para ser mordido. Arrancaram-lhe uma fatia de autoridade.

Preocupada em assegurar o apoio do PR à sua reeleição e, por tabela, pouco mais de um minuto de propaganda eleitoral na televisão e no rádio, Dilma demitiu do Ministério dos Transportes quem mais de uma vez apontara como um dos seus melhores ministros.

(CLIQUEM AQUI PARA CONTINUAR LENDO)

06/05/2014

às 14:38 \ Política & Cia

A gestão desastrosa do governo petista em estatais

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Se o PT estivesse na oposição em vez de no governo, as coisas estariam muito diferentes em relação à Petrobras (Foto: O Globo)

Editorial publicado pelo jornal O Globo

É um paradoxo que importantes estatais enfrentem enormes dificuldades num governo do PT, partido que se arvora em intransigente defensor das empresas públicas. Usa, inclusive, esta imagem como instrumento eleitoral.

Foi assim em 2006, quando o partido acusou os tucanos e seu candidato a presidente, Geraldo Alckmin, de tramarem mais um programa de privatização, num apelo ao instinto nacionalista das ruas. O PSDB não soube responder à manobra, e Alckmin perdeu para Lula.

Tudo desandou no governo de Dilma Rousseff, no qual a Petrobras e o braço estatal do setor elétrico sob controle da União enfrentam sérios problemas, curiosamente impostos por políticas equivocadas do Planalto.

Se fosse outro governo, com o PT na oposição, já teriam ocorrido tentativas de instalar CPIs no Congresso, e haveria grande mobilização política em torno de um alegado projeto de levar estatais à ruína para privatizá-las a preço vil.

Os dados objetivos sobre a Petrobras e a Eletrobras denunciam uma gestão desastrosa. No caso, do principal acionista das empresas.

O mergulho dado pela cotação das ações das duas é revelador. A da Petrobras estava em R$ 29 quando Dilma assumiu. Desabou para abaixo dos R$ 15. Defensores do governo argumentam que, por trás da oscilação do valor de mercado da empresa, há variações no preço do petróleo no mercado internacional. Sim, mas enquanto as cotações voltavam a subir no mundo, a Petrobras continuava a se desvalorizar.

Para continuar lendo, cliquem aqui.

02/04/2014

às 10:04 \ Política & Cia

Marta Suplicy é contra a revisão da Lei de Anistia

Marta: Comissão da Verdade, sim. Revisão da anistia, não (Foto: Agência Senado)

Marta: Comissão da Verdade, sim. Revisão da anistia, não (Foto: Agência Senado)

“Frase do Dia” do excelente blog do jornalista Ricardo Noblat:

“Acho muito importante o que a Comissão da Verdade vem fazendo, mas, em relação à anistia, não é por aí.”

(Marta Suplicy, ministra da Cultura, ao opor-se à revisão da Lei da Anistia)

Acredito ser a única coisa no mundo em que concordo com a ministra.

 

25/03/2014

às 13:50 \ Política & Cia

RICARDO NOBLAT: Porque defendo o direito de Bolsonaro dizer o que diz

O deputado Bolsonaro bateu boca e quase chegou às vias de fato com a senadora Marinor Brito (PSOL-PA), em célebre episódio de 2011, por causa do projeto de lei anti-homofobia, que ele criticava e ela defendia (Foto: Agência Senado)

O deputado Bolsonaro bateu boca e quase chegou às vias de fato com a senadora Marinor Brito (PSOL-PA), em célebre episódio de 2011, por causa do projeto de lei anti-homofobia, que ele criticava e ela defendia (Foto: Agência Senado)

Texto publicado originalmente no excelente blog do jornalista Ricardo Noblat a 4 de abril de 2011, e republicado hoje, como parte dos replays que estão indo ao ar por ocasião dos 10 anos da coluna

Acho o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) um horror. Tenho asco da maioria de suas ideias, e não concordo com praticamente nenhuma das demais.

Mesmo assim, concordo inteiramente com o teor deste texto de meu amigo Noblat sobre esse ex-capitão do Exército tornado parlamentar há muitos anos, especialmente do trecho que ressaltei em negrito.

O “FASCISMO DO BEM”

Imaginem a seguinte cena: em campanha eleitoral, o deputado Jair Bolsonaro está no estúdio de uma emissora de televisão na cidade de Pelotas.

Enquanto espera a vez de entrar no ar, ajeita a gravata de um amigo. Eles não sabem que estão sendo filmados. Bolsonaro diz: “Pelotas é um pólo exportador, não é? Pólo exportador de veados…” E ri.

A cena existiu, mas com outros personagens. O autor da piada boçal foi Lula, e o amigo da gravata torta, Fernando Marroni, ex-prefeito de Pelotas. Agora, imaginem a gritaria dos linchadores “do bem”, da patrulha dos “progressistas”, da turma dos que recortam a liberdade em nome de outro mundo possível… Mas era Lula!

Então muita gente o defendeu para negar munição à direita.

Assim estamos: não importa o que se pensa, o que se diz e o que se faz, mas quem pensa, quem diz e quem faz. Décadas de ditaduras e governos autoritários atrasaram o enraizamento de uma genuína cultura de liberdade e democracia entre nós.

Nosso apego à liberdade e à democracia e nosso entendimento sobre o que significam liberdade e democracia são duramente postos à prova quando nos deparamos com a intolerância.

Nossa capacidade de tolerar os intolerantes é que dá a medida do nosso comprometimento para valer com a liberdade e a democracia.

Linchar Bolsonaro é fácil. Ele é um símbolo, uma síntese do mal e do feio. É um Judas para ser malhado. Difícil é, discordando radicalmente de cada palavra dele, defender seu direito de pensar e de dizer as maiores barbaridades.

A patrulha estridente do politicamente correto é opressiva, autoritária, antidemocrática.

Em nome da liberdade, da igualdade e da tolerância, recorta a liberdade, afirma a desigualdade e incita a intolerância.

Bolsonaro é contra cotas raciais, o projeto de lei da homofobia, a união civil de homossexuais e a adoção de crianças por casais gays.

Ora, sou a favor de tudo isso – e para defender meu direito de ser a favor é que defendo o direito dele de ser contra.

Porque se o direito de ser contra for negado a Bolsonaro hoje, o direito de ser a favor pode ser negado a mim amanhã de acordo com a ideologia dos que estiverem no poder.

O mais curioso é que muitos dos líderes do “Cassa e cala Bolsonaro” se insurgiram contra a censura, a falta de liberdade e de democracia durante o regime militar.

Nós que sentimos na pele a mão pesada da opressão não deveríamos ser os mais convictamente libertários? Ou processar, cassar, calar em nome do “bem” pode?

Quando Lula apontou os “louros de olhos azuis” como responsáveis pela crise econômica mundial não estava manifestando um preconceito? Sempre que se associam malfeitorias a um grupo a partir de suas características físicas, de cor ou de origem, é claro que se está disseminando preconceito, racismo, xenofobia.

Bolsonaro deve ser criticado tanto quanto qualquer um que pense e diga o contrário dele.

Se alguém ou algum grupo sentir-se ofendido, que o processe por injúria, calúnia, difamação. E que peça na justiça indenização por danos morais. Foi o que fizeram contra mim o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas daí a querer cassar o mandato de Bolsonaro vai uma grande distância.

Se a questão for de falta de decoro, sugiro revermos nossa capacidade seletiva de tolerância. Falta de decoro maior é roubar, corromper ou dilapidar o patrimônio público. No entanto, somos um dos povos mais tolerantes com ladrões e corruptos. Preferimos exercitar nossa intolerância contra quem pensa e diz coisas execráveis.

E tudo em nome da liberdade e da democracia…

09/03/2014

às 17:00 \ Política & Cia

RICARDO NOBLAT: O “rei” Roberto Carlos, do alface ao bife

"Vegetariano por mais de 30 anos, Roberto Carlos mudou de lado em troca de R$ 25 milhões de cachê" (Foto: O Globo)

“Vegetariano por mais de 30 anos, Roberto Carlos mudou de lado em troca de R$ 25 milhões de cachê” (Foto: O Globo)

Artigo publicado no blog do Noblat

A ALFACE E O BIFE

Ricardo-NoblatEstavam fazendo picadinho de Roberto Carlos nas redes sociais porque ele tornou-se garoto-propaganda de carne. Vegetariano por mais de 30 anos, mudou de lado em troca de R$ 25 milhões de cachê.

A versão que caiu na rede dizia que Roberto deu uma entrevista revelando que voltou a comer proteína animal por recomendação médica. Alguém da Lew’LaraTBWA, agência de propaganda da Friboi, leu e viu nisso uma ótima oportunidade para consolidar a marca usando a imagem do cantor mais popular do Brasil.

O que os comentaristas de blog questionavam, no entanto, é se uma celebridade do porte de Roberto Carlos, na qual milhares de pessoas se espelham, pode mudar de opinião em troca de remuneração equivalente a um prêmio de loteria.

O cineasta Fernando Meirelles veio em socorro de Roberto. Postou uma mensagem no twitter revelando que a turma que gravou o comercial lhe contou o seguinte: o autor do megahit Esse Cara Sou Eu recusou a massa, aceitou uma picanha ao ponto, mas “não tocou no bife”. Eis um álibi que vale R$ 25 milhões.

No reino animal também aconteceu algo semelhante, há muito tempo, segundo La Fontaine.

Um leão de grande carisma elegeu-se líder graças ao discurso em defesa da honestidade e dos bichos pobres. Depois da posse, mudou de ideia e só se preocupou em conservar o poder. Não deu bola sequer para graves denúncias de corrupção imputadas a seus subordinados.

Tal como aconteceu com Roberto agora, muitos dos seguidores do leão se desencantaram, mas como ele tinha bons amigos, conseguiu poderosas testemunhas de defesa.

A coruja, dona de saber jurídico que a transformara na ave de maior prestígio da floresta, convenceu todos da inocência do leão. “Ele não tocou no bife”, garantiu, antecipando Meirelles.

Moral da história: se tiver um cineasta ou um advogado amigo, você pode comer carne e continuar vegetariano.

11/11/2013

às 18:02 \ Política & Cia

Ricardo Noblat: Quem faz sabota as leis

Plenário da Câmara (Foto: Beto Oliveira / Ag. Câmara)

Plenário da Câmara:  se o poder que aprova as leis sabota a aplicação das leis, como cobrar dos cidadãos que as respeitem? (Foto: Beto Oliveira / Ag. Câmara)

Artigo publicado no blog do Noblat

QUEM FAZ SABOTA AS LEIS

O que distingue um grande escândalo de um pequeno ou médio? O valor total dos bens desviados? A identidade dos envolvidos?

Por ora, o rombo de R$ 500 milhões nas contas da prefeitura de São Paulo não passa de um pequeno escândalo se comparado a outros denunciados há mais tempo sem que isso resultasse em cadeia para ninguém. Mas ganhará ares de grande escândalo se envolver políticos de vários partidos.

No caso, a quem interessará a identificação dos políticos e partidos beneficiados pela máfia dos fiscais que negociava a liberação de alvarás e a redução no valor de impostos?

Ao prefeito Fernando Haddad que depende da Câmara Municipal para governar? Ao governador Geraldo Alckmin acossado pelo escândalo dos trens do metrô? À presidente Dilma Rousseff ansiosa pelo apoio da maioria desses partidos para se reeleger?

A faxineira ética aposentou-se desde que demitiu meia dúzia de ministros e em seguida voltou a conviver com os esquemas que facilitavam a roubalheira.

O dia exato da aposentadoria foi aquele onde Dilma negou-se a mandar investigar o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Este jornal descobriu que, antes de ser ministro, Pimentel fora remunerado por consultorias que não prestara.

Para não incomodar Pimentel, seu dileto amigo, Dilma alegou que as consultorias datavam de antes do seu governo. Portanto, ela nada tinha a ver com isso. De resto, Pimentel não lhe devia explicações.

Antonio Palocci perdeu a chefia da Casa Civil da presidência da República porque foi consultor antes de assumir parte da coordenação da campanha de Dilma à sucessão de Lula. Não era amigo de Dilma como Pimentel é.

Na semana passada, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou ao Congresso a paralisação de sete obras públicas federais nas quais foram detectadas irregularidades.

Dilma não se conformou: “Eu acho um absurdo paralisar obra. Você pode usar vários métodos, mas paralisar obra é uma coisa extremamente perigosa porque depois ninguém repara o custo”. Dilma não disse a que métodos alternativos se referia.

Uma das sete obras suspensas é a BR/448. Ela foi superfaturada em R$ 90 milhões. O TCU calcula que sua atuação, este ano, na fiscalização de obras poderá representar uma economia de R$ 1,2 bilhão.

É pouco ou muito? Estamos diante de um grande ou pequeno escândalo? O que nos garante que não estamos diante de um escândalo que produzirá outro? Primeiro superfatura-se. Depois se aposta que ninguém será punido – e ninguém é.

Há escândalos que parecem minúsculos, mas que ganham importância porque revelam o grau de infiltração dos maus costumes nos poderes públicos.

A Justiça determinou que a Câmara dos Deputados remetesse ao Ministério Público Federal todas as rubricas que “compõem as remunerações” dos seus servidores com a respectiva identificação dos funcionários. É a caça aos supersalários, proibidos por lei.

Que fez a Câmara? Segundo reportagem de Vinicius Sassine e Chico de Gois, publicada no O Globo, no primeiro envio de dados a Câmara omitiu 76 rubricas, o que impediu o exame a ser feito.

Da segunda vez mandou todas as rubricas, mas em planilhas separadas. O volume de dados impediu a associação dos nomes à remuneração.

Por que a Câmara agiu assim? Para evitar o corte de pagamentos acima do teto, como recomendou o TCU.

Se o Poder que aprova as leis sabota a aplicação das leis, como cobrar dos cidadãos que as respeitem?

01/11/2013

às 17:55 \ Política & Cia

Sandro Vaia: “Desde o surgimento da internet todo mundo é fascista”

 

Impedido de falar por manifestantes truculentos, alguns deles fantasiados, Demétrio Magnoli decidiu permanecer no local onde se realizaria o debate até a hora fixada para seu encerramento (Foto: veja.abril.com.br)

Impedido de falar por manifestantes truculentos, alguns deles fantasiados, Demétrio Magnoli decidiu permanecer no local onde se realizaria o debate até a hora fixada para seu encerramento (Foto: veja.abril.com.br)

Por Sandro Vaia *, publicado no excelente blog de Ricardo Noblat

“DESDE O SURGIMENTO DA INTERNET TODO MUNDO É FASCISTA”

Sandro Vaia

Sandro Vaia

A observação foi feita em tom irônico pelo professor norte-americano Douglas Harper em seu dicionário etimológico, e convenientemente lembrada esta semana pelo crítico literário Sérgio Rodrigues em seu blog. Esse passou a ser o xingamento campeão nas redes sociais.

Usa-se a torto e direito, mais ainda do que reacionário e direitista, e por ironia das ironias na maioria das vezes é usado por quem não sabe que seu significado lhe serviria como uma luva.

Mal comparando, seria como se o Tiririca chamasse alguém de palhaço.

Na semana passada, dois acontecimentos muito didáticos jogaram luzes sobre esse jogo de sombras onde se esconde esse crescente autoritarismo castrador que se espalha como unha-de-gato em muro chapiscado.

A Folha de S. Paulo contratou dois novos colunistas semanais para, segundo ela, ampliar o pluralismo de opiniões em seu caderno “Poder”: Reinaldo Azevedo, que tem um blog campeão de audiência hospedado na VEJA, e Demétrio Magnoli, sociólogo e geógrafo conhecido por combater a imposição de cotas raciais nas universidades brasileiras.

A internet se encheu de gritos de maldição contra os articulistas e o jornal que os contratou, leitores anunciaram que cancelariam as suas assinaturas e, fato inusitado, a coluna de estreia de Azevedo, sobre a ação de libertação dos beagles de um instituto de pesquisas científicas, levou a ombudsman do jornal a classificar delicadamente o colunista como um “rotweiller”- o que ela explicou depois, claro, era só uma força de expressão.

Rebater argumentos dá muito trabalho: desqualificar sempre, debater nunca

Um caso claro de intolerância ideológica, que pode ser facilmente curado por duas providências simples: ou deixar de ler o jornal ou continuar lendo o jornal mas não ler os colunistas desagradáveis.

Rebater argumentos e tentar provar com fatos que os deles estão errados e que os seus estão certos nem pensar.

Isso dá muito trabalho.

Negar em bloco e chamar de “fascista” facilita a vida. Desqualificar sempre, debater nunca.

Mais grave do que isso foi o que aconteceu numa feira literária em Cachoeira, no interior da Bahia, quando ativistas armados apenas pelas suas bordunas de intolerância intelectual impediram, aos gritos, que se realizassem os debates entre o sociólogo Demétrio Magnoli e a cientista social Maria Hilda Baqueiro Paraíso e o filósofo Luiz Felipe Pondé e o sociólogo francês Jean -Claude Kafmann.

Magnoli e Pondé foram impedidos de falar – como Yoani Sanchez já havia sido impedida meses atrás – por pessoas que os xingavam de “fascistas”.

Exemplo perfeito daquilo que os franceses chamam de glissement semantique- ou deslizamento de sentido das palavras.

País estranho e paradoxal onde opiniões fortes são comparadas com mordidas de rotweiller e onde fascistas em ação proíbem debates e quem é impedido de falar é que é o fascista.

* Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de O Estado de S. Paulo. É autor do livro A Ilha Roubada, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez e Armênio Guedes, Sereno Guerreito da Liberdade (editora Barcarolla). E.mail: svaia@uol.com.br

09/10/2013

às 13:30 \ Política & Cia

NOBLAT: Eduardo Campos é o candidato que mais mete medo no PT. Entendam por quê

Dilma Rousseff; Eduardo Campos e Marina Silva; e Aécio Neves

Dilma, Campos, Marina e Aécio: para Noblat, o PT ficou “atarantado” com a aliança Campos-Marina, mas, a um ano da eleição presidencial, “o que se diz não passa de lances da guerra de comunicação travada entre petistas e adversários deles” (Fotos: Ueslei Marcelino :: Lia Lubambo :: Exame :: JR Duran)

 

Por Ricardo Noblat, post publicado em seu blog

PT EM ESTADO DE CHOQUE

Provas de como o PT ficou atarantado com a aliança Eduardo Campos-Marina Silva.

Ricardo-Noblat

Ricardo Noblat

Primeira: Dilma saiu no lucro. Antes enfrentaria Marina, Eduardo e Aécio. Agora, só Eduardo/Marina e Aécio, argumentam parceiros da presidente.

Segunda: Marina, sozinha, teria votos que não será capaz de transferir para Eduardo.

Terceira: Marina e Eduardo acabarão se desentendendo. E a chapa dos dois se desmanchará.

A essa altura, ninguém poderá garantir coisa alguma. O que se diz não passa de lances da guerra de comunicação travada entre petistas e adversários deles.

É fato, porém, que a candidatura de Eduardo se fortaleceu. E que por ora não passa de desejo a aposta no desentendimento futuro entre ele e Marina.

O melhor dos mundos para o PT seria o duelo Dilma x Aécio. PT x PSDB. A memória do passado de um contra a memória do passado do outro.

Eduardo é o candidato que mais mete medo no PT. Porque sempre foi aliado dele, conhece suas manhas, não pode ser apontado como o anti-PT ou o anti-Lula.

Não falará mal do PT, muito menos do seu líder. Reservará suas críticas para o atual governo. Provou até aqui ser mais hábil do que Aécio. E possuir mais gana de ganhar do que ele.

“Cuidado com Eduardo”, alertou Lula mais de uma vez. Em vão.

09/09/2013

às 15:13 \ Tema Livre

O jornalista Ricardo Noblat está sendo operado do coração. Pouco antes, no hospital, escreveu este texto: “O meu Dia D”

Dia D - o desembarque dos aliados na Normandia durante a 2ª Guerra Mundial

Dia D - o desembarque dos Aliados na Normandia durante a II Guerra Mundial

Artigo publicado no Blog do Noblat às 9h

O MEU DIA D

Depois de 10 dias internado, e submetido a uma dieta intensa de exames, daqui a pouco me encaminharão para um dos centros cirúrgicos do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Se tudo correr como planejado, dali sairei oito horas depois carregando no coração quatro pontes: duas safenas e duas mamárias. Fora o stent, que já carrego.

Elas servirão para que o sangue volte a fluir livre de obstáculos – placas de gordura que dificultavam sua passagem por algumas artérias. A principal tem uma obstrução de 70%.

Do centro cirúrgico, ainda sob o efeito de anestesia, irei parar em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Devo acordar no meio da madrugada de amanhã. Ficarei na UTI de dois a três dias.

A dor não faz parte da lista das dez queixas mais comuns formuladas por quem sofre uma cirurgia dessa natureza.

O modelo do aparelho de televisão da UTI faz parte da lista, sim. Bem como o tipo de iluminação do ambiente. Ou a temperatura, um pouco baixa.

Foi o que me disse Fábio Jatene, o senhor absoluto do meu coração pelas próximas horas em parceria com o médico Roberto Kalil.

O risco de morte gira em torno de dois a três por cento em diversos hospitais de grande porte. Kalil garante que no Sírio não chega a 1%.

Endereço seguinte: o apartamento 322, uma espécie de semi-UTI. Intensificarei os exercícios iniciados ainda na UTI – inclusive caminhadas curtas e sopro de bolinhas.

Passarão mais quatro ou cinco dias. Estando bem, ganharei alta desde que fique em São Paulo por mais oito ou 10 dias plantado nas vizinhanças do Sírio.

O retorno à vida normal será lento. E sujeito, a princípio, a uma série de restrições.

Rendição completa aos caprichos da nutricionista. Que quer me ver uma vez por mês pelos próximos seis meses.

Feijoada? Três por ano e olhe lá…

(A propósito: por acaso, disciplina ou simplesmente medo, perdi quatro quilos em uma semana. Desconfio que foi por medo. Não acho que vou morrer. Não acho mesmo. Quanto à dor…)

Uma a duas horas de exercícios cinco vezes por semana. E para sempre.

Dormir mais cedo, acordar mais cedo.

Ser feliz.

O jornalismo resistirá a uma receita que guarda tão pouca ou nenhuma afinidade com ele?

Desejo que sim.

22/08/2013

às 17:55 \ Política & Cia

Marina resolve atropelar a burocracia e ir direto ao TSE registrar seu partido

Marina: pressa para não perder o registro de seu partido, a Rede (Foto: O Globo)

ATROPELANDO A BUROCRACIA

Por Ilimar Franco, de O Globo, publicado no blog do jornalista Ricardo Noblat 

A candidata à Presidência Marina Silva decidiu ir direto ao Tribunal Superior Eleitora pedir o registro de seu partido.

Inconformada com a operação tartaruga dos cartórios eleitorais, ela vai entregar amanhã ao tribunal as cerca de 650 mil assinaturas de apoio ao partido.

O tempo está correndo, e os cartórios eleitorais certificaram apenas 250 mil assinaturas das 540 mil necessárias para formar a Rede.

 

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