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restos mortais de Jango

17/09/2013

às 18:20 \ Política & Cia

Ministra diz que exumar os restos mortais do ex-presidente João Goulart “também é exumar a ditadura”

João Vicente, filho de João Goulart, durante a reunião de hoje: para ele, a exumação é "passo importante", mas ainda faltam outras providências para esclarecer a morte do pai (Foto: Wilson Dias / Agência Brasil)

Da Agência Brasil

“Exumar João Goulart é também exumar a ditadura e saber as perversidades que ela fez”, disse hoje a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, ao participar da abertura da primeira reunião técnica com a equipe de peritos responsável pelo procedimento.

Integram o grupo profissionais brasileiros, argentinos e uruguaios, além de um cubano, conforme pedido da família do ex-presidente.

A exumação faz parte de uma investigação para esclarecer se a morte de João Goulart, conhecido popularmente como Jango, foi em decorrência de ataque cardíaco, como divulgado à época pelas autoridades do regime militar. A família suspeita que ele tenha sido assassinado. [Jango morreu a 6 de dezembro de 1976.]

Os peritos internacionais e integrantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha auxiliarão nos trabalhos com experiência adquirida em processos semelhantes ocorridos em países vizinhos, como as exumações dos restos mortais do ex-presidente chileno Salvador Allende e do poeta Pablo Neruda.

“Pesquisa histórica” sobre a Operação Condor

No encontro de hoje, que ocorreu a porta fechadas [na sede da Polícia Federal, em Brasília], não foi definida a data em que será feita a exumação. A expectativa é que ocorra até o fim do ano.

No dia 16 de outubro haverá nova reunião, no mesmo local, para definir um protocolo único de ação dos peritos.

Durante a abertura do evento, Maria do Rosário destacou que a exumação integra processo de pesquisa histórica sobre a Operação Condor, montada pelas ditaduras do Brasil, Argentina e Uruguai para perseguir opositores.

Maria do Rosário enfatizou que João Goulart foi o único presidente brasileiro a morrer no exílio, tendo sido perseguido durante todo o período em que esteve fora do país pela ditadura militar.

Ela garantiu que, após serem periciados, na capital federal, os restos mortais retornarão ao município gaúcho de São Borja [onde seu corpo está sepultado].

“A ideia é que ele saia de São Borja, venha para Brasília para ser periciado neste prédio da Polícia Federal e depois volte a São Borja. As amostras serão analisadas, em primeiro lugar, com excelência técnica, pelo governo brasileiro, com os peritos da Argentina, do Uruguai e de Cuba, como a família sugeriu, com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que participa conosco, mas que depois essas amostras também estejam em laboratórios internacionais, mesmo procedimento utilizado com o poeta Pablo Neruda e com Salvador Allende, no Chile”, disse.

Honras de chefe de Estado?

Mesmo sem garantir que o corpo de João Goulart será recebido em Brasília com honras de chefe de Estado, a ministra disse que o governo trabalha com a “ideia e a responsabilidade de quem lida com um presidente da República que não recebeu as honras devidas no momento da sua morte”.

“Sem dúvida, estamos trabalhando com esse objetivo, mas existem procedimentos que estão sendo observados. São trabalhos paralelos que estão sendo feitos”, acrescentou.

De acordo com a Polícia Federal, o caixão deverá ser aberto em Brasília, onde serão feitos, no prédio da instituição, exames de DNA e toxicológicos. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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