Blogs e Colunistas

Real Madrid

18/04/2014

às 6:00 \ Disseram

Treinador traído

“Vocês são uns traidores.”

José Mourinho, técnico do Chelsea, dirigindo-se aos jogadores de seu ex-clube, o Real Madrid, em 2011, após empate com o Barcelona, segundo o livro The Special One, do jornalista Diego Torres, do jornal El País, sobre o treinador português, conforme destacou o Times, de Londres

25/03/2014

às 15:00 \ Tema Livre

VÍDEO DE FUTEBOL IMPERDÍVEL: Ao anotar mais 3 gols contra o Real Madrid domingo, Messi quebrou mais um de seus recordes: é também o maior artilheiro do maior clássico do mundo — Real x Barcelona. Relembrem algumas de suas façanhas e assistam a seus 21 tentos no duelo

Lionel Messi

Lionel Messi dentro do lugar que conhece melhor: o gol (Foto: Reuters)

Se, pelo Barcelona, Lionel Messi não só ganhou todos os títulos possíveis, e em farta quantidade (três Champions League, dois mundiais de clubes da Fifa, seis campeonatos espanhóis, duas Copas do Rei, entre outros), individualmente ele já quebrou quase todos os recordes que encontrou pela frente.

O último, superado na vitória do último domingo (23 de março) contra o Real Madrid na capital da Espanha, foi atingir a espantosa marca de 21 gols em jogos contra o arqui-inimigo Real Madrid. Assim, o encabulado jovem de 26 anos nascido em Rosário se tornou o maior goleador da história de 112 anos do principal clássico futebolístico do planeta.

Os três tentos que anotou nos 4 a 3 impostos ao time da casa serviram para desempatar com o mítico argentino Alfredo Di Stéfano, do Real, frequentemente citado como um dos cinco maiores jogadores de todos os tempos, responsável pelo balanço das redes azul-grenás em 18 vezes durante os anos 1950 e 1960.

Messi, que disputou El Clásico em 27 oportunidades, superou também outras lendas da bola com ótimo retrospecto no duelo, como o espanhol Raúl (15 gols), o húngaro Puskás (14) e seu eterno oponente, o português Cristiano Ronaldo (que marcou mais um e agora soma 12).

Uma fila de recordes – e outros estão a caminho

Tudo isso ocorreu apenas uma semana após La Pulga se tornar o maior artilheiro da história do Barcelona, com 370 gols – número atualizado em 373, se contarmos os que vieram depois – em um total de 454 partidas.

As últimas duas façanhas pessoais engordam uma lista enorme que inclui desde ser o primeiro atleta a ser eleito o melhor do mundo por quatro temporadas – e consecutivas, entre 2009 e 2012 – ao único a conseguir estufar os barbantes em 91 ocasiões em um mesmo ano atuando por seu time e por sua seleção (2012).

Dos recordes individuais, lhe faltam dois muito importantes, mas que ele deverá alcançar a curto ou médio prazo: o de maior artilheiro da história dos campeonatos espanhóis (já é o segundo colocado, com 235, contra 251 de Telmo Zarra, falecido jogador do Athletic de Bilbao), e o de maior goleador da história da Champions League (também é o vice-líder, 67, contra os 71 do recordista Raúl, ex-Real Madrid atualmente no alemão Schalke 04). Pendente também está o muito mais imprevisível título de artilheiro de uma Copa do Mundo.

Para finalizar o post, assistam aos 21 gols que Lionel Messi marcou contra o Real Madrid. Abaixo de cada jogada, a temporada em que se realizou. O crédito do vídeo é do usuário do YouTube Messi TheBoss.

 

23/01/2014

às 15:24 \ Disseram

O que Felipão pensa do Cristiano Ronaldo

“Ele é um jogador completo. Completo”

Felipão, técnico da Seleção Brasileira, sobre o Bola de Ouro Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, em entrevista ao repórter Tino Marcos, da Rede Globo

18/01/2014

às 18:00 \ Tema Livre

FUTEBOL – Os “Galáticos” do Real Madrid, dez anos – e alguns quilos – depois

Real-Madrid-Galáticos

As capas das edições de junho de 2003 e junho de 2013 da revista Four Four Two: Zidane, Figo, Ronaldo e Roberto Carlos; Beckham, o outro autêntico “Galático”, não aparece porque foi anunciado em julho de 2003 (Imagem: reprodução capa Four Four Two)

Texto publicado originalmente a 12 de maio de 2013

Por Daniel Setti

Depois deles, o mundo do futebol nunca mais seria o mesmo.

Sim, estamos falando dos “Galáticos” do Real Madrid, o grupo de craques de diferentes nacionalidades que vestiu a camisa do clube merengue por três temporadas na década passada.

O termo foi cunhado por jornalistas espanhóis em 2000, quando começou o primeiro mandato do presidente Florentino Pérez – atualmente no posto -, mas ganhou seu pleno significado em julho de 2003, quando foi anunciada a contratação do meio-campista David Beckham junto ao Manchester United.

Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham – e mais Roberto Carlos, Raúl, Robinho, Owen…

Ao lado do português Luís Figo (trazido do arquirrival Barcelona em 2000 em ultra-polêmica transação), o francês Zinédine Zidane (procedente da Juventus em 2001) e o brasileiro Ronaldo (Inter de Milão, 2002), Beckham comporia a espinha dorsal deste combo de jogadores “de outro planeta”, badalados e caríssimos.

Real-Madrid-2004-2005

Foto do Real Madrid durante a temporada 2004-2005: Em pé estão Casillas, Helguera, Ronaldo, Figo, Zidane e Walter Samuel; sentados vemos Michel Salgado, Roberto Carlos, Raúl, Beckham e Guti (Foto: Real Madrid)

Por seu enorme status, estrelas então já presentes no elenco do Real Madrid, como o goleiro Iker Casillas e o centroavante Raúl González, ambos espanhóis, e o nosso Roberto Carlos, também receberiam a mesma alcunha; outros talentos de renome internacional fisgados após a chegada de Beckham, como seu conterrâneo Michael Owen e o ex-santista Robinho, também.

Na oportunidade de sua vida, Vanderlei Luxemburgo comandou –  sem sucesso – esta constelação na temporada 2004-2005.

A mesma capa, uma década depois

Dez anos após publicar capa sobre os “galáticos” em sua edição de junho – com Roberto no lugar de Beckham, que só seria anunciado no mês seguinte – a revista britânica especializada em futebol Four Four Two revisitou o assunto em matéria de 20 páginas, “reunindo” os mesmos astros em fotografias atuais.

As aspas se explicam: diante de agendas tão concorridas como as de Zizou, Figo e os dois brasileiros, é bem mais prático utilizar os programas de edição de imagem para perfilá-los lado a lado do que tentar efetivamente marcar um encontro entre todos.

Mesmo assim, o resultado é bastante simpático, e denota a passagem do tempo para os quatro ex-madridistas, todos atualmente aposentados. O aumento de peso mais notável foi o de Ronaldo, como era de se esperar, mas os outros três tampouco são mais os mesmos garotos de antes.

Fracasso em campo

O futebol, como diria o velho chavão, é mesmo uma caixinha de surpresas. Em uma prova de que – novamente recorrendo a um velho clichê – dinheiro não traz necessariamente felicidade, nem a presença dos “galáticos” evitou que o período 2003-2006 coincidisse com uma seca total de títulos ao Real Madrid, chegando ao ponto final com a saída de Florentino.

O que serviu, obviamente, de inesgotável fonte de críticas e zombarias de adversários, principalmente de torcedores do Barcelona, tão orgulhoso por formar seus astros em casa (mesmo torrando anualmente quantidades faraônicas para “compor o seu elenco”).

Recordes de gastos

Florentino-Pérez

Florentino Pérez, presidente do Real Madrid entre 2000 e 2006, e desde 2009 (Foto: florentinoperez.com)

Sendo assim, a existência dos “Galáticos” mudou o mundo de futebol, como digo no começo do texto, não “na bola”, como o Santos de Pelé, a Holanda de Cruyff ou o Barça de Messi, mas sim em outros âmbitos.

O estrondoso potencial midiático dos popstars dos gramados, que começara a ser explorado no decênio anterior, consolidou-se de vez (“éramos como os Beatles”, diz Figo à nova reportagem); e o mercado europeu se inflacionaria de maneira quase irreversível.

Nas duas gestões de Florentino Pérez, o Real Madrid bateria três vezes o recorde de transações mais caras do mundo: Figo (60 milhões de euros), superado por Zidane (73 milhões de euros), por fim deixado para trás por Cristiano Ronaldo (94 milhões em 2009, até hoje imbatível). Kaká, hoje praticamente insignificante no elenco, veio com o português por “apenas” 65 milhões.

 

04/01/2014

às 16:15 \ Tema Livre

O grande Cruyff, um dos maiores craques da história, em entrevista: “Futebol é inteligência e qualidade, mas também um pouco de amor. Se não, só o dinheiro não funciona.”

Cruyff: genial como jogador, técnico e, hoje, inspirador do maior time do mundo, o Barcelona (Foto Claudio Versiani)

Publicado originalmente em 13 de fevereiro de 2011campeões de audiência 02

O maior time de futebol do mundo da atualidade, o Barcelona, recebeu por anos a fio a magia de seu jogo quase incomparável — para mim, só Pelé o superou — e, depois, sua genialidade também como treinador. A herança do grande Johan Cruyff, todos reconhecem, ficou. É ele o grande inspirador do futebol-espetáculo ganhador do Barça, que herdou muito da espetacular “Laranja Mecânica”, o supertime da Holanda que encantou o mundo na Copa de 1974, na Alemanha.

A serviço da excelente Revista ESPN, o jornalista Daniel Setti entrevistou esse gênio para a edição de janeiro. E sendo, além de um ótimo jornalista, também meu filho, resolveu fazer uma surpresa ao pai: comprou uma camisa oficial da seleção da Holanda e, ao final da entrevista, explicou a Cruyff minha admiração de décadas pelo craque, pelo treinador e pelo cidadão que ele é, e solicitou-lhe uma dedicatória. Cruyff gentilmente topou (veja na foto abaixo) e, no Natal, recebi do filho de presente-surpresa a camiseta, com os dizeres estampados em tamanho grande na frente: “Para Ricardo, Johan Cruyff”.

Leiam a entrevista, que vale a pena. Uma lição para nossos jogadores, técnicos e cartolas.

Cruyff com Daniel, autografando a camiseta… para mim

O senhor grisalho de 63 anos que cumprimenta a reportagem, rosto queimado de sol e rabiscado por sadias rugas, tem cadeira cativa ao lado de Pelé, Garrincha, Di Stefano e Maradona no camarote sagrado de imortais do futebol. Mesmo assim seus belos olhos azuis, que nesta fria e ensolarada manhã outonal de Barcelona combinam com uma camisa da mesma cor e um moderno casaco lilás, preferem transmitir respeito e seriedade a afetação e arrogância.

Ainda que seja rico, famoso e venerado desde que, há quatro décadas, revolucionou o futebol dentro de campo – com dribles, movimentação imprevisível e gols – e fora dele (foi o primeiro jogador a ter patrocínio individual, da marca Puma), anda literalmente com os pés no chão.

São suas próprias pernas que o levam diariamente de sua casa ao charmoso casarão-sede da fundação que tem seu nome, ambos no elegante bairro de Bonanova, na zona norte da cidade catalã. Pendurou as chuteiras há 26 anos, levando consigo 22 canecos, três Bolas de Ouro e 425 gols oficiais, e aposentou a prancheta de treinador há 14 (acumulando outros 14 troféus), mas suas opiniões a respeito do mundo da bola têm cada vez mais peso.

Não só pela agudeza e pela firmeza de suas ideias – expostas nos artigos que escreve no jornal catalão El Periódico –, mas principalmente por suas iniciativas em prol da educação e do estímulo ao esporte. Este senhor grisalho, um holandês que se recusa a se acomodar nos mimos da idolatria e rejeita o senso comum, chama-se Johan Cruyff.

O responsável pela eternização da camisa 14 é sinônimo de futebol moderno em qualquer capítulo de sua biografia. Como jogador, nos primeiros anos colocou a Holanda no mapa ao ganhar incríveis três Copas dos Campeões da Europa (hoje Champions League) seguidas com o então pouco expressivo Ajax (1971, 72 e 73) para depois encabeçar a Laranja Mecânica, mitológica seleção de seu país na Copa de 1974.

(Veja no vídeo abaixo uma sucessão de lances de Cruyff com a famosa camisa 14, que virou sua marca:)

Contratado pelo Barça em 1973, enlouqueceu os torcedores culés com não apenas seu jogo, mas também seu atrevimento – desafiava árbitros e policiais – e sua rebeldia (fumava e usava cabelo comprido). Identificou-se a tal ponto com as culturas barcelonesa e barcelonista que até hoje vive na cidade, fala espanhol com sotaque catalão (exagerando o som do “l”), viu o caçula de seus três filhos vestir o manto azul-grená (Jordi, hoje atuando em Malta) e apenas recentemente deixou de ser presidente de honra do clube por desavenças políticas com o novo presidente, Sandro Rosell.

Cruyff: 22 canecos, três Bolas de Ouro e 425 gols oficiais

Após passagem pelo futebol norte-americano e um retorno à Holanda, voltaria ao Camp Nou para fazer história como técnico do dream team do Barcelona no início dos anos 1990, enquadrando gênios indomáveis como Romário e Stoichkov e faturando quatro campeonatos espanhois consecutivos e a primeira das três copas europeias ostentadas hoje pela equipe.

“Cruyff deixou no Barcelona um testamento ideológico, trabalhado sobre o gosto futebolístico do espectador, a quem ele educou”, disse recentemente o argentino Jorge Valdano, diretor de esportes do maior rival do Barcelona, o Real Madrid. “A ponto de que hoje é impossível triunfar no Barcelona sem jogar bem o futebol. Em Barcelona, ele é como o Oráculo”, conclui.

Valdano não poderia ter sido mais preciso. O que Johan Cruyff fez em suas passagens pelo clube catalão como jogador (1973-1978) e técnico (1988-1996) reverbera indiretamente, por exemplo, na impressionante performance do Barça de Messi na humilhante goleada sobre os merengues por 5 a 0 quatro dias após esta entrevista.

Não fosse a propagação das convicções imutáveis de “El Flaco” (“O Magro”) de que o futebol deve ser jogado sempre de maneira ofensiva e artística, provavelmente o atual melhor time do mundo, comandado desde 2008 por seu pupilo Pep Guardiola, não existiria. O próprio técnico disse após a goleada que boa parte da “culpa” por seu Barça é e seu mestre. Algo aparentado com a definição de Cruyff sobre os futebolistas: “O jogador é uma espécie de artista, e o público tem de se divertir”.

Cruyff atuando como treinador do Barcelona

“O Barcelona definiu seu estilo de jogo desde que Cruyff se converteu em seu treinador, e este estilo ofensivo encantou a torcida e mudou a própria filosofia do clube, que desde então sempre procura respeitar este direcionamento”, teoriza o jornalista espanhol Jorge Ruiz Esteve. “E como jogador, Cruyff foi um símbolo, porque era um jovem europeu moderno, que tinha cabelo comprido e andava com uma mulher de minissaia em plena ditadura franquista espanhola”, ressalta o historiador do Barça Carles Santacana Torres.

Neste encontro exclusivo com a ESPN, na sala de estar de sua fundação, o astro repassou todas as fases de sua trajetória, falou sobre sua relação com Romário, elegeu a nova Laranja Mecânica e criticou a retranca de Brasil e Holanda em 2010. “O time que trai seu estilo de jogo não pode obter sucesso”. Com vocês, Johan Cruyff.

O senhor transformou-se em sinônimo de futebol moderno e ofensivo. Qual é a origem dessa definição?

Começou há muitos anos e não teve a ver só comigo, mas também com o Ajax dos anos 70. Na Holanda eles são muito exigentes, e as pessoas que vão ao estádio querem curtir. Tudo aconteceu muito rápido. Em 1964, 65 eu era apenas o segundo jogador profissional, tínhamos muitas limitações. E em 1969 já jogamos a final da Copa da Europa com o Ajax [perdeu a decisão para o Milan, em Madri]. Em três ou quatro anos houve enormes mudanças. Era algo totalmente diferente. Por exemplo, os zagueiros não se conformavam em apenas defender, também queriam atacar. O futebol que jogávamos era o de que todo mundo gostava e de que até hoje, 30 e tantos anos mais tarde, ainda gosta. E é praticado por times como o Barcelona.

Como treinador, quem foi ou é o “novo Cruyff”?

Bom, agora o mais conhecido é o Guardiola. Porque tem a mesma filosofia e administra com sucesso o mesmo problema que tinha como jogador. Era um volante defensor assim [faz um sinal com um dedo indicando a magreza de Guardiola], mas quando tinha a posse de bola, podia ser muito bom. E o Barcelona de agora é um exemplo a ser seguido na mesma linha, porque o Xavi é baixinho, o Iniesta é baixinho e o Busquets é alto, mas também é assim [faz o mesmo gesto com o dedo].

O que um técnico tem de trabalhar em um jogador “assim”?

Em primeiro lugar, a técnica e a qualidade. Então a bola tem de ser sua amiga, mas muitas vezes ela é sua inimiga, porque está em todas as partes. Isso é importante. E, digo outra vez, você está jogando para o público, e o público paga. É uma espécie de artista, e as pessoas têm de se divertir.

Mas futebol é só diversão?

Bom, como se trata de um esporte – e isso é o principal problema que enfrentam os dirigentes –, temos um negócio nas mãos, um negócio em que colocamos emoções, portanto muito difícil de administrar. Por isso você tem que conhecê-lo bem de dentro. Se você não o viveu, é muito difícil saber administrar bem. Passei por todas as etapas para conhecer todos esses detalhes com destaque. Por exemplo, nos Estados Unidos [NR: Cruyff jogou no país entre os anos 1978 e 1982, passando por três equipes], o marketing esportivo estava muito mais à frente que no resto do mundo. E ali se podia aprender a respeito do que é o negócio do futebol. É uma questão de educação. Nos Estados Unidos você vai para a Universidade por fazer esporte, enquanto na Europa ou na América do Sul, estudar e praticar esportes ao mesmo não é possível. É o maior absurdo que há. Com nossas organizações, estivemos em São Paulo. Os números são chocantes. Por exemplo, entre 80 jogadores que já haviam participado de alguma Copa do Mundo, cerca de 15, ou seja 20%, se encontravam abaixo da linha de pobreza! E estou falando do país do mais alto nível [futebolístico]. É um desastre total, não só para o jogador, mas para qualquer criança que o tenha como um herói e o veja caindo.

No Brasil os jogadores planejam ganhar todo o dinheiro que possam enquanto estão em atividade, a chamada “independência financeira”, porque acreditam que não têm como garantir o que vem depois…

Se você não tem inteligência por não ter sido educado… ou melhor dizendo, se você não está acostumado a viver fora do futebol, é muito difícil. Porque o futebol é uma vida irreal: todos os dias você está em um jornal; todos querem saber sobre a sua vida; e você não sabe nada, sabe só jogar futebol. Mas a carreira termina quando você tem 35 anos. O que fará depois? Não há nenhum clube que se preocupe com isso. É um desastre pela simples razão de que o futebol no mundo, sobretudo no Brasil, é um aspecto importantíssimo da vida. Eu estive lá e vi todo mundo correndo, fazendo exercícios, praticando esportes. E deixam cair todos os seus heróis!

Qual é o perfil dos alunos de seu instituto? Ex-jogadores?

Ex-esportistas, não só do mundo do futebol. Os ex-jogadores são os mais difíceis, ganham muito dinheiro. Sobretudo para esses a necessidade de saber algo é importantíssima. Sempre você pode gastar dinheiro para viver bem, mas jogar dinheiro fora é absurdo.

Que lembranças o senhor tem da partida em que a Holanda eliminou o Brasil na Copa de 1974 por 2 x 0?

Muito boas porque ganhamos [risos]! Não, é que jogamos muito bem aquele mundial. Foi mais ou menos a consolidação do futebol holandês. Ainda se assistia pouco ao futebol de clubes porque haviam menos aparelhos de TV. As pessoas conheciam muito pouco a nossa seleção, foi a revolução total. Já estávamos jogando daquela maneira havia quatro ou cinco anos.

Mas e como foi chegar para enfrentar a então tri-campeã mundial, mesmo com essa bagagem de vários anos de futebol bem jogado?

O Brasil naquela época estava mudando. Quer dizer, nos anos 50 e 60 mandavam os peloteros (NR: expressão espanhola para jogadores habilidosos), e em 1974 dominava a força. Havia uma grande diferença com a gente, que íamos na direção contrária à força, fomos com a técnica. Técnica e inteligência.

Não chegou nem a ser um jogo difícil?

Bom, era o Brasil. Mas nós éramos muito melhores futebolisticamente, éramos o que eles haviam sido antes. Eles passavam por uma mudança de mentalidade, indo mais para o lado físico. É preciso ter em conta que, quando você tem sucesso, há muitos outros garotos te assistindo, e eles sempre pensam que podem fazer melhor do que você.

Na opinião do senhor, existiu ou existe algum time ou seleção com estilo de jogo parecido ao da Laranja Mecânica?

Agora o Barcelona é mais ou menos assim. Sempre com a combinação entre jogar bem, dar espetáculo e ganhar. Muitas vezes uma ou duas dessas três fases falha. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

28/10/2013

às 12:31 \ Tema Livre

ENQUETE: Neymar está jogando um bolão no Barcelona. Mas a grande maioria dos leitores do blog, até agora, acha que ele não vai nem entrar na lista para a Bola de de Ouro da FIFA. Será mesmo?

Neymar vibra com o primeiro gol que marcou e que abriu a contagem contra o Real -- e é festejado por

Neymar vibra com o primeiro gol que marcou e que abriu a contagem contra o Real Madrid no sábado — e é festejado por Dani Alves, Fábregas, Messi (encoberto, à direita) e Iniesta (encoberto, no meio), enquanto Xavi, Adriano e Piqué correm para também abraçá-lo (Foto: Getty Images)

Já passou de 2 mil o número de leitores do blog que votou na enquete atualmente em curso, ali na coluna à direita desta, sempre no mesmo local em que fazemos as consultas — e à pergunta sobre se Neymar, pelo futebol que está jogando no F. C. Barcelona, irá ou não integrar a lista tríplice para ganhar a Bola de Ouro da FIFA, 55% dos votantes não fazem fé no jovem craque.

Ocorre, porém, que Neymar está atuando melhor a cada jogo que passa. No superclássico deste sábado contra o Real Madrid, no Camp Nou, em Barcelona — provavelmente o maior clássico do futebol mundial –, ele não só fez o primeiro gol da vitória de seu time por 2 a 1 como participou bem do segundo, o do chileno Alexis Sánchez.

Até jornais de Barcelona admitiram que Neymar ofuscou o supercraque Messi, o maior jogador do mundo, que abocanhou quatro balões de ouro consecutivos. O número 11 do Barça se afirma a cada jogo como ídolo da torcida.

Será que você concorda com a maioria dos votantes até agora, que acham que Neymar não está com essa bola toda?

Pense bem e vote em nossa enquete. Aguardarei mais uns dias para encerrá-la.

25/10/2013

às 16:22 \ Tema Livre

VÍDEOS SENSACIONAIS DE FUTEBOL: Neymar participa neste sábado de seu primeiro Barcelona x Real Madrid, o maior clássico do mundo, no qual outros brasileiros fizeram história. Relembrem os 5 gols mais bonitos já marcados por eles no confronto

Neymar

Alguns brasileiros fizeram bonito no maior clássico do mundo; será a vez de Neymar? (Foto: AFP)

Por Daniel Setti

Dá para se perder no verdadeiro oceano de atributos que o clássico entre Barcelona e Real Madrid, válido pelo Campeonato Espanhol e previsto para as 14 horas do horário de Brasília deste sábado, oferece.

Poderíamos citar a presença, no Camp Nou de Barcelona, dos dois jogadores mais caros da história do futebol, o galês Gareth Bale (100 milhões de euros) – em sua primeira aparição em El Clásico – e o português Cristiano Ronaldo (94 milhões), ambos do Real Madrid; ou do argentino Lionel Messi, da equipe da casa, o maior artilheiro da história do duelo juntamente com o mítico compatriota Alfredo Di Stéfano, do time merengue (ambos registram 18 gols anotados).

Poderíamos também mencionar a estreia dos técnicos das duas agremiações, o argentino Gerardo “Tata” Martino por parte dos catalães e o italiano Carlo Ancelotti representando os madrilenos; ou o fato de que a somatória dos elencos resulta na espinha dorsal da seleção espanhola, atual campeã mundial e bicampeã europeia. E muitos outros motivos.

Mas é claro que, para os brasileiros – e não apenas – o maior atrativo é o début de Neymar no histórico embate, realizado desde 13 de maio de 1902. O ex-santista, que vem atuando bem, mas ainda sem o destaque explosivo que a torcida do Barça espera, possui suficientes credenciais para continuar com uma trajetória gloriosa de astros tupiniquins que deixaram sua marca em grande estilo em edições passadas do encontro de titãs.

Abaixo, repasso os cinco gols mais bonitos de autoria de craques brasileiros em enfrentamentos entre Real Madrid e Barcelona. É imperdível:

5-Roberto Carlos, pelo Real (Real Madrid 3 x 0 Barcelona, estádio Santiago Bernabéu, 26 de fevereiro de 2000; crédito: The MrLakey)

Mais uma das indefensáveis bombas do inesquecível lateral-esquerdo.

4-Ronaldo, pelo Real (Barcelona 1 x 1 Real Madrid, estádio Camp Nou, 1º de abril de 2006; crédito: Shanecavo)

“Cavadinha” com frieza que só grandes, como o Fenômeno, conseguem dar.

3-Júlio Baptista, pelo Real (Barcelona 0 x 1 Real Madrid, estádio Camp Nou, 23 de dezembro de 2007; crédito: Mr Alberte9)

Um petardo de bate-pronto no ângulo de “La Bestia”, como era conhecido Baptista na Espanha.

2-Romário, pelo Barça (Barcelona 5 x 0 Real Madrid, 8 de janeiro de 1994; crédito: Luís Gandarez)

No auge do Baixinho, nem um zagueiro com a velocidade de Usain Bolt seria capaz de acompanhar seu característico drible, “cortando” para dentro com a bola “grudada” no pé. Hierro até hoje, como cartola do Real, procura a bola. Romário balançou as redes outras duas vezes na goleada.

1-Ronaldinho, pelo Barça (Real Madrid 0 x 3 Barcelona, 19 de novembro de 2005; créditos Antonio Morillas e FCBarca01:

Aqui vale uma exceção, e há de se mostrar os dois gols que o hoje atleta do Galo fez nesta partida: o primeiro é uma pintura,  o autêntico número 1 deste ranking: e o segundo, também bonito, provoca históricos, inéditos aplausos da torcida adversária em Madri.

 

19/10/2013

às 20:07 \ Disseram

Arnold Schwarzenegger sobre Cristiano Ronaldo: “tem um corpo fantástico”

“Ele (Cristiano Ronaldo) tem um corpo fantástico”

Arnold Schwarzenegger, ator e ex-governador da Califórnia, referindo-se ao craque do Real Madrid na rádio espanhola Cope; Schwarzenegger foi à capital da Espanha para promover uma competição de fisiculturismo

18/10/2013

às 16:00 \ Política & Cia

FUTEBOL: Esse garoto das equipes inferiores do Real Madrid promete. Vejam só o bolão que ele joga — e de quem ele é filho

Não fosse o pai ser careca, ele seria muito parecido. Leiam abaixo sobre esse jovem talento (Foto: elconfidencial.com)

Não fosse o pai ser careca, ele seria muito parecido. Leiam abaixo sobre esse jovem talento (Foto: elconfidencial.com)

Ele tem 18 anos, 1,86 metro de altura e é cidadão do mundo — filho de pai francês de ascendência  argelina e de mãe francesa de ascendência espanhola, é um francês que viveu muitos anos na Itália e hoje, naturalizado espanhol, atua no futebol juvenil da Espanha.

Usa o sobrenome da mãe e é conhecido como Enzo Fernández. Joga um bolão no meio de campo. Vejam, por exemplo, o golaço que ele fez no ano passado na goleada que seu time, o Juvenil 1 do Real Madrid, aplicou contra o rival Atlético de Madrid no ano passado.

Antes de verem o vídeo, deixem-me contar o segredo: o nome completo do garoto é Enzo Alan Zidane Fernández, e ele é o mais velho dos quatro filhos de um dos maiores craques da história do futebol — o grande Zidane, ex-astro do Real Madrid e da seleção francesa campeã do mundo em 1998, carrasco implacável da Seleção Brasileira naquela final em Paris e atualmente assistente técnico do treinador Carlo Ancelotti no Real.

Agora, o primeiro vídeo de Zidane Junior, mostrando um golaço:

Confiram lances de seu primeiro treino no Real Madrid, aos 16 anos:

25/09/2013

às 17:45 \ Tema Livre

Visita de Ronaldo à Espanha mostra o grande prestígio do ex-craque, sete anos depois de deixar o Real Madrid

Ronaldo com o ex-ponta Gento, um dos grandes de todos os tempos, o presidente do Real, Florentino Pérez, e o ex-atacante Butragueño, hoje diretor do clube: lembrado como um dos maiores (Foto: Real Madrid C. F.)

Ronaldo Fenômeno andou nos últimos dias pela Espanha, onde atendeu a diversos compromissos e mostrou que, afastado dos gramados, continua com o prestígio intacto no país da seleção campeã do mundo.

A começar pelo evento que o levou a Madri: o lançamento, pela Fundação do Real Madrid, do lançamento do livro Corazones Blancos (por causa da cor do uniforme, o time é chamado de “los blancos”), que traz o perfil do que o próprio clube chamou de “quatro legendas do madridismo”: o grande ponta-esquerda Gento, um dos melhores de todos os tempos, seu contemporâneo Amancio, ponteiro-direito (na época em que essas posições existiam como tais), ambos integrantes do lendário Real dos anos 60 de que faziam parte Di Stefano e Puskas, e em que o brasileiro Didi também jogou, o atacante Butragueño, goleador da seleção da Espanha e do infernal Real dos anos 90, que entre outros ganhou cinco títulos espanhóis consecutivos, e… ele próprio, Ronaldo.

No palco de honra do Estádio Santiago Bernabéu, o presidente do clube, Florentino Pérez, colocou Ronaldo nas nuvens:

– Obrigado por aquele maravilhoso futebol que vocês nos deixaram e que nunca esqueceremos. Gento, Amancio, Butragueño e Ronaldo alimentaram a legenda do clube. Eram os melhores do mundo, como Ronaldo, da Espanha, como Amancio e Gento, e das divisões inferiores do clube, como Butragueño. São o reflexo vivo do modelo Bernabéu e a confirmação de aquele título histórico de reportagem que li um dia no [respeitado jornal esportivo francês] L’Équipe: “O Real Madrid é eterno”.

Colocado pelo próprio presidente do Real acima de ídolos como os outros três homenageados, Ronaldo teria outras satisfações. Numa mesa-redonda na TV, a jornalista Cristina Cubero, espécie de oráculo do Barcelona e adoradora do craque Messi, disse com franqueza:

– Pessoalmente, no campo, foi o maior jogador que vi atuar na minha vida. Melhor do que esses todos que estão aí.

O ex-meio-campo do Real Álvaro Benito, retirado muito jovem do futebol por uma lesão grave no joelho, hoje líder de uma banda de rock, afirmou que Cristiano Ronaldo, maior ídolo e artilheiro do clube há quatro anos, está longe de ser o que Ronaldo foi.

E o ex-meio-campo Guti, com a experiência de 14 anos no clube, que deixou em 2010, e de ter atuado com Ronaldo durante seu período (2002-2006), além de cobrir o ex-craque de elogios contou uma história reveladora e, para mim, inédita:

– Ronaldo me contou que, devido a suas duas cirurgias no joelho, não podia mais disparar em ziguezague, desconcertando os defensores adversários, que era sua principal característica. Então, ele procurava correr com a bola em linha reta. Mesmo assim, com rendimento de 50%, era o melhor jogador do mundo.

 

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