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Real Madrid

27/07/2014

às 18:00 \ Disseram

De ex-jogador para jogador

“James é um grande jogador. Fez uma grande Copa do Mundo e marcou o gol mais bonito.”

David Beckham, ex-jogador inglês, sobre o novo contratado do Real Madrid, o colombiano James Rodríguez, artilheiro do Mundial

22/07/2014

às 19:39 \ Tema Livre

FUTEBOL: Com a confirmação hoje de James Rodríguez e a recente chegada de Toni Kroos, Real Madrid mantém a tradição de contratar astros recém-consagrados em Copas do Mundo

James Rodríguez, artilheiro da Copa de 2014 com seis gols, em ação pela Colômbia durante o torneio: mantendo uma tradição merengue (Foto: Luiz Maximiano)

James Rodríguez, artilheiro da Copa de 2014 com seis gols, em ação pela Colômbia durante o torneio: mantendo uma tradição merengue (Foto: Luiz Maximiano)

Já virou tradição: assim que uma Copa do Mundo termina, pelo menos um de seus principais destaques vai parar no Real Madrid.

Com a oficialização, nesta terça-feira (22 de julho) da contratação do colombiano James Rodríguez, o clube merengue repete a prática que vem exercendo consecutivamente há quatro edições do torneio.

Rodríguez, como sabe qualquer um que tenha acompanhado o Mundial do Brasil, foi o artilheiro da competição com seis gols – um dos quais anotado contra os anfitriões na derrota por 2 a 1 nas quartas-de-final – e um dos jogadores que encantou o público.

Toni Kroos, um dos carrascos do Brasil nos humilhantes 7 a 1, celebra um de seus dois gols naquele jogo (Foto: Leonhard Foeger - Reuters)

Outra nova estrela do Real Madrid, o alemão Toni Kroos também foi um dos destaques do último Mundial (Foto: Leonhard Foeger – Reuters)

E embora seja o mais notável entre os novos integrantes do elenco blanco, o meia-atacante oriundo do Monaco não é a primeira figurinha carimbada da “Copa de Todas as Copas” a se mudar para o gigante espanhol às custas de seu desempenho em terras brasileiras: o meio-campista Toni Kroos, um dos alicerces do excelente equipe alemã que se sagrou tetracampeã, autor de dois gols no massacre por 7 a 1 contra a Seleção Brasileira, já se convertera em um madridista antes mesmo do fim do campeonato.

Inflacionando o mercado

Os críticos do Real Madrid dirão que a entidade, no afã por manter sua hegemonia e exibir poderio econômico, acaba sempre escolhendo os atletas apenas pelo critério de serem os mais cobiçados do momento, consequentemente inflacionando o mercado.

O jovem Rodríguez, que completou 23 anos no último dia 12, por exemplo, acaba de se tornar a quinta contratação mais cara da história do futebol.

Custou 80 milhões de euros, cifra apenas superada pelo uruguaio Luis Suárez (cuja recente saída do Liverpool custou 81 milhões ao Barcelona), Gareth Bale (91 milhões em 2013, quando saiu do Tottenham para o Real), Cristiano Ronaldo (96 milhões, do Manchester United aos merengues em 2009) e Neymar (cuja soma final gasta – e dissimulada – pelo Barça em 2013 chegou a 111 milhões, incluindo uma parcela paga ao Santos).

Se contarmos Zinedine Zidane (73.5 milhões em 2001, vindo da Juventus) e Kaká (65 milhões em 2009, oriundo do Milan), o Real Madrid tem agora em seu currículo cinco das dez transações de valor mais alto já feitas no esporte mais popular do mundo.

Os craques das Copas anteriores

A seguir, a lista de craques consagrados nas três Copas anteriores à de 2014 e que, ao longo ou depois dos respectivos certames, fecharam com o Real Madrid:

Temporada 2010-2011 (logo após Copa da África do Sul)

Mesut Özil: revelação em 2010 (Foto: Real Madrid)

Mesut Özil: revelação em 2010 (Foto: Real Madrid)

Mesut Özil: uma das revelações do torneio e um dos símbolos da geração comandada por Joachim Löw, grande surpresa daquele ano. Time anterior: Werder Bremen.

Sami Khedira: volante de marcação que também surgiu naquela Copa. Time anterior: VfB Sttutgart.

Ángel Di María: a Argentina do técnico Maradona caiu nas quartas justamente contra os alemães, mas Di Maria já fora titular em quatro das cinco partidas disputadas pela alviceleste. Time anterior: Benfica.

Temporada 2006-2007 (logo após Copa da Alemanha)

Fabio Cannavaro, capitão da Itália teatracampeã em 2006 (Foto: Real Madrid)

Fabio Cannavaro, capitão da Itália teatracampeã em 2006 (Foto: Real Madrid)

Fabio Cannavaro: o zagueirão, hoje aposentado, fora o capitão da Itália, ganhadora do título. Ao final do ano, seria eleito o melhor jogador do mundo. Time anterior: Juventus.

Rudd Van Nilsterooy: a Holanda avançou apenas até as oitavas, mas seu astro supremo era o atacante grandalhão. Time anterior: Manchester United.

Temporada 2002-2003 (logo após Copa da Coreia do Sul e do Japão)

Ronaldo detonou em 2002, pouco antes sde vestir a camisa "blanca" pela primeira vez (Foto: Real Madrid)

Ronaldo detonou em 2002, pouco antes sde vestir a camisa “blanca” pela primeira vez (Foto: Real Madrid)

Ronaldo: a sensacional recuperação de Ronaldo – artilheiro com 8 gols, melhor jogador da final e segundo melhor da Copa – coincidiu com sua ida a Madrid. Time anterior: Internazionale.

 

05/07/2014

às 20:32 \ Tema Livre

Vitória sofrida da Holanda nos pênaltis coloca a Costa Rica no mapa mundial do futebol, leva 4 gigantes para as semifinais — e faz justiça ao grande nome desta Copa: o fabuloso Robben

Além de ser o melhor em campo, uma vez mais, Robben mostrou um extraordinário preparo físico e uma raça admirável. Não teria tanta graça a Copa continuar sem ele (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Além de ser o melhor em campo, uma vez mais, Robben mostrou um extraordinário preparo físico e uma raça admirável. Não teria tanta graça a Copa continuar sem ele (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

A modesta Costa Rica passou, desde esta Copa e principalmente desde hoje, a figurar no mapa múndi do futebol, com uma seleção forte, competitiva, dedicada e com uma defesa quase intransponível — não é por acaso que um time de estrelas como a Holanda não tenha marcado nenhum gol nos costarriquenhos no tempo regulamentar somado ao da prorrogação.

A Costa Rica perdeu nos pênaltis para os holandeses, mas sai glorificada. Vencer duas das partidas na fase de grupos, empatar uma contra uma seleção ex-campeã mundial, a Inglaterra, e se classificar em primeiro lugar no “Grupo da Morte” já foi uma proeza histórica.

Ultrapassar as oitavas derrotando um ex-campeão da Europa, a Grécia, acrescentou mais louros à rapaziada do treinador Jorge Luis Pinto. E, em plenas quartas de final, emparedar a grande Holanda, levando-a aos pênaltis, completou o quadro.

Não há dúvidas que dá um aperto do coração ver o simpático e surpreendente time dos ticos ir embora. A vitória da Holanda, porém, acabou sendo absolutamente justa: um time que meteu duas bolas na trave, chutou 20 vezes a gol, contra 6 do adversário, e guarda em suas fileiras um cracaço como Robben — para mim, o melhor da Copa até agora, Messi incluído – não podia cair.

Sem contar que, para os brasileiros, coloca um cachorro grande no caminho, até agora fácil, da Argentina.

Robben, como sempre, se mostrou impressionante: dribles fulminantes, centros perigosos, passes certeiros, piques velocíssimos, disposição para defender, uma grande garra — lembremo-nos de como ele parecia comandar a equipe toda, inclusive o técnico Louis Van Gaal, no intervalo entre a prorrogação e os pênaltis — e um preparo físico fora de série.

Com a mulher, Bernardien, recebendo um prêmio da revista "GQ": o empresário Robben tem interesse até em perfumes e lanchonetes (Foto: ligastars.com)

Com a mulher, Bernardien, recebendo um prêmio da revista “GQ”: o empresário Robben tem interesse até em perfumes e lanchonetes (Foto: ligastars.com)

Para quem gosta de futebol, ver continuar a Holanda três vezes vice-campeã do mundo é boa notícia, sobretudo por ele.

É uma alegria saber que Arjen Robben seguirá enchendo os olhos da torcida e dos telespectadores por pelo menos mais uma partida — o embate contra a Argentina que os holandeses devem encarar como uma revanche da final da Copa de 1978.

O melhor jogador da Copa?

Sim, em minha modesta opinião de torcedor.

Infelizmente já se foram da Copa belos jogadores como o nosso Neymar, o argentino Di Maria, o espanhol Iniesta, o inglês Rooney, o croata Modric, o português Cristiano Ronaldo, entre muitos outros — e continuam craques como o fabuloso argentino Messi, os alemães Schweinsteiger e Thomas Müller, o nosso David Luiz e outros.

Para mim, porém, “o Cara” deste Mundial, até agora, é Robben, o careca de 1,80 metro e 30 anos artilheiro do Bayern de Munique.

Como já escrevi antes, Robben ressuscitou no Bayern de Munique após um período difícil no Real Madrid entre 2007 e 2009.

Contratado ao Chelsea como estrela por 40 milhões de euros (mais de 120 milhões de reais), até hoje não se sabe o que ocorreu com Robben no maior time do século XX, segundo a FIFA: começou bem, mas aos poucos foi sendo substituído, ficando no banco de reservas, contundia-se com uma frequência espantosa e ganhou fama de pipoqueiro.

No Bayern, tornou-se jogador vital para a montanha de títulos arrecadados pelo clube desde que chegou: duas Champions Leagues (o maior torneio de clubes do planeta), um mundial de clubes, uma Supercopa da UEFA, três campeonatos na Bundesliga, três Copas da Alemanha, duas Supercopas da Alemanha…

Robben celebra com o filho caçula, Kai, vitória do Bayern contra o Stuttgart, em maio (Foto: Getty Images)

Robben celebra com o filho caçula, Kai, vitória do Bayern contra o Stuttgart, em maio (Foto: Getty Images)

É ídolo absoluto da torcida alemã — e da holandesa, claro — e um sujeito realizado: casado com a namorada dos tempos de colégio, Bernardien, pai de dois garotos e uma menina, Robben amealhou uma fortuna de quase 200 milhões de dólares e, fora do futebol, é um empresário de sucesso.

Seus interesses incluem, como sempre ocorre com craques, publicidade até no setor de moda, e vão além das diversas linhas de produtos a que empresta seu nome — como o perfume With Love from Arjen ou o vodca Pure Wonderobben –, incluindo a propriedade de uma rede de lanchonetes em Amsterdã, a Fat Robben Burger.

Sossegado quanto ao futuro pós-futebol, Robben se dá ao luxo de jogá-lo também por prazer, como já disse em várias entrevistas.

É o que se tem visto, em campo, nesta Copa. É o que se espera na partida contra a Argentina.

01/07/2014

às 16:17 \ Tema Livre

COPA 2014: A Argentina que venceu hoje a Suíça no sofrimento leva a uma pergunta: o time é candidato ao título por seus méritos, ou porque levou sorte na tabela?

Messi pula para abraçar DiMaria, comemorando o gol salvador a segundos do final da prorrogação que levou a Argentina às quartas de final (Foto: Michel Filho/Agência Globo)

Messi pula para abraçar DiMaria, comemorando o gol salvador contra a Suíça a poucos segundos do final da prorrogação — o gol que levou a Argentina às quartas de final (Foto: Michel Filho/Agência Globo)

Como se dizia nos velhos tempos, sem preocupações com o politicamente correto, a Argentina — perdoem-nos a expressão — venceu a Suíça “com as calças na mão” neste 1 a 0 de hoje na Arena Corinthians.

O gol salvador de DiMaria no finzinho do segundo tempo da prorrogação foi um daqueles milagres que tornam fantástica a emoção do futebol. O milagre só seria mesmo superado por outro, maior — se a cabeçada do suíço Djmaili a segundos do apito final não tivesse batido na trave e depois, caprichosamente, ao voltar da trave e trombar de novo com o corpo do atacante, tivesse ganho o caminho das redes, e não passado a centímetros do poste, como ocorreu.

Vimos hoje uma Suíça que abandonou de vez algo que ela própria inventara há décadas — o famoso “ferrolho”, forma de fechar-se atrás para não tomar gol de forma alguma — para passar a jogar um futebol de qualidade e competitivo. Trata-se de seleção inteiramente modificada pelo sangue novo proveniente da injeção de um ou outro imigrante e de uma maciça presença de filhos de imigrantes da ex-Iugoslávia, onde a paixão pelo esporte e a competência no trato com a bola atravessaram gerações.

Mesmo atuando com valentia e perigo, a Suíça acabou sendo encurralada pelos argentinos durante a maior parte do jogo. Eles criaram várias oportunidades de gol, várias delas desperdiçadas de forma bisonha por jogadores medianos, embora sempre estoicos em matéria de luta, como Palácio.

Messi, como sempre, fez o diabo em campo. O problema é que lhe faltou, uma vez mais, companhia — algo que o grande craque sempre teve de sobra em seu clube, o F. C. Barcelona.

Faltou também segurança na defesa: zagueiros inseguros, pouco auxiliados por laterais medíocres, que tampouco atacavam com eficiência. No meio de campo, onde sempre foram mestres, os argentinos andam carentes, especialmente com Gago, desmotivado, lento e aquém das necessidades do time.

Havia, é claro, atletas do quilate de Mascherano, eficiente limpa-trilhos à frente da defesa problemática e que ainda entrega a bola com grande qualidade, suprindo muitas vezes o que não fazem os meio-campistas. E de DiMaria que, contudo, a despeito do gol, errou muito e parecia um sósia daquele veloz e talentoso faz-tudo que levou o Real Madrid à sua décima Copa dos Campeões da Europa. Outro bom nome, Higuaín, não consegue de forma alguma repetir com a camisa branca e azul-clara o atacante perigoso que passou pelo Real Madrid e faz sucesso no Napoli.

A pergunta que fica, após a partida, que em outras circunstâncias a Argentina haveria vencido sem problemas, é se esse time dos hermanos é de fato forte candidato ao título por seus méritos, ou por uma tabela que por sorte, desde a fase de grupos, foi-lhe enormemente favorável — e que continua sendo.

Passar pelo vencedor de Bélgica e Estados Unidos pode representar surpresa, como vem ocorrendo nesta Copa. Se tudo correr nos conformes, entretanto, basta isso é a Argentina estará na semifinal da Copa.

 

29/06/2014

às 15:50 \ Tema Livre

COPA 2014: Eliminação do excelente time do México é compensada pela manutenção, no Mundial, de seu melhor craque até agora: o fabuloso holandês Robben

Robben em permanente duelo com o capitão mexicano Rafa Márquez: no final, pênalti do zagueiro decretou o fim da Copa para a excelente seleção azteca (Foto: Wong Maye-E/AP)

Robben em permanente duelo com o capitão mexicano Rafa Márquez: no final, pênalti do zagueiro sobre “o Cara” deste Mundial decretou o fim da Copa para a excelente seleção azteca (Foto: Wong Maye-E/AP)

O México apresentou, na Copa do Mundo do Brasil, provavelmente sua melhor seleção em Mundiais — um time sem complexos, sem medo, que se defendia bem, tocava bem a bola e atacava com perigo.

Sua eliminação nos segundos finais dos decontos da partida de hoje, contra a Holanda, é uma tristeza para quem acompanha, mesmo de longe, a boa e constante evolução do futebol mexicano e de sua seleção.

Ainda mais por ter sido consequência de um pênalti cometido por um grande nome, o zagueiro e capitão Rafa Márquez que, embora aos 35 anos não seja mais o mesmo que reinou absoluto na zaga do F. C. Barcelona por sete anos, merece respeito por sua qualidade de jogo, por sua lealdade ao longo da carreira e pelos 124 jogos com a camisa do México.

Para quem do México e dos mexicanos, mas também gosta de futebol, porém, ver continuar a Holanda três vezes vice-campeã do mundo não é má notícia, pelo contrário. Sobretudo porque o espetacular atacante Arjen Robben seguirá enchendo os olhos da torcida e dos telespectadores por pelo menos mais uma partida — pelas quartas de final, em Salvador, no sábado, contra Grécia ou Costa Rica (saberemos qual dos dois agora, às 17 horas).

Continuam na Copa o grande Messi, continua Neymar, já se foram, entre outros, Cristiano Ronaldo — mas “o Cara” deste Mundial, até agora, é Robben. Inteligente, veloz, driblador, com chute potente, visão de jogo e força física para suportar a pancadaria que recebe, o careca de 1,80 metro e 30 anos artilheiro do Bayern de Munique foi o craque que mais brilhou até agora.

Robben ressuscitou no Bayern de Munique após um período difícil no Real Madrid entre 2007 e 2009. Contratado ao Chelsea como estrela por 40 milhões de euros (mais de 120 milhões de reais), até hoje não se sabe o que ocorreu com Robben no maior time do século XX, segundo a FIFA: começou bem, mas aos poucos foi sendo substituído, ficando no banco de reservas, contundia-se com uma frequência espantosa e ganhou fama de pipoqueiro.

No Bayern, tornouse jogador vital para a montanha de títulos arrecadados pelo clube desde que chegou: duas Champions League (o maior torneio de clubes do planeta), uma Supercopa da UEFA, três campeonatos na Bundesliga, três Copas da Alemanha, duas Supercopas da Alemanha…

Com a mulher, Bernardien, recebendo um prêmio da revista "GQ": o empresário Robben tem interesse até em perfumes e lanchonetes (Foto: ligastars.com)

Com a mulher, Bernardien, recebendo um prêmio da revista “GQ”: o empresário Robben tem interesse até em perfumes e lanchonetes (Foto: ligastars.com)

É ídolo absoluto da torcida alemã — e da holandesa, claro — e um sujeito realizado: casado com a namorada dos tempos de colégio, Bernardien, pai de dois garotos e uma menina, Robben amealhou uma fortuna de quase 200 milhões de dólares e, fora do futebol, é um empresário de sucesso.

Seus interesses incluem, como sempre ocorre com craques, publicidade até no setor de moda, e vão além das diversas linhas de produtos a que empresta seu nome — como o perfume With Love from Arjen ou o vodca Pure Wonderobben –, incluindo a propriedade de uma rede de lanchonetes em Amsterdã, a Fat Robben Burger.

Sossegado quanto ao futuro pós-futebol, Robben se dá ao luxo de jogá-lo também por prazer, como já disse em várias entrevistas.

É o que se tem visto, em campo, nesta Copa.

16/06/2014

às 15:00 \ Tema Livre

COPA 2014: Felipão nunca explicou porque não garantiu a convocação de Diego Costa. Tenho um palpite sobre o que pode ter ocorrido

(Fotos: Reuters :: Getty Images)

Felipão nunca deixou claro se convocaria Diego Costa ou não — e nem as razões que, finalmente, fizeram com que o jogador optasse por atuar pela Espanha. Acho que Felipão tinha suas (boas) razões (Fotos: Reuters :: Getty Images)

Vocês notaram a cena ocorrida alguns minutos depois do golaço de cabeça feito por Robin van Persie ontem, contra a Espanha — o gol que decretou o empate de 1 a 1 antes da Holanda partir para a goleada?

Viram a cabeçada desleal que o brasileiro também com nacionalidade espanhola Diego Costa aplicou, fora de qualquer jogada, no defensor holandês Bruno Martins Indi?

Pois é. Acho que foi por esse tipo de coisa que Felipão, que é adepto de formar “famílias” nos times que dirige mas é um ferrenho adepto da disciplina, acabou não garantindo ao jogador sua convocação para a Seleção, o que fez com que ele optasse por defender as cores da Espanha e não o time canarinho.

O prontuário oficial de Diego Costa não é ruim, não, em matéria disciplinar. Desde 2006 na Europa, onde já gramou em seis times modestos antes de finalmente fincar raízes no Atlético de Madrid, campeão espanhol deste ano e finalista da Liga dos Campeões da Europa, ele obteve 56 cartões amarelos em sua carreira e apenas um vermelho.

De todo modo, como vivo parte do tempo na Espanha há anos por razões familiares e acompanho de perto o futebol espanhol (como mero torcedor), já vi várias vezes Diego Costa ter esse mesmo tipo de atitude em relação a Bruno Martins Indi contra outros adversários, longe das vistas do juiz.

Eu o considero um jogador desleal e encrenqueiro. Podendo, dá um pisão a mais em um adversário caído, deixa escorregar um cotovelo no rosto do marcador, e por aí vai. Por leitura labial, consegui distinguir claramente, em mais de uma partida de seu Atlético de Madrid contra o Real Madrid, por exemplo, ele provocar com xingamentos pesados, em português, a Cristiano Ronaldo, tentando desconcentrar o craque e fazê-lo perder a cabeça. Xingamentos baixos, humilhantes, desses que é muito difícil levar para casa.

Tudo somado, e considerando que em meu modesto entender a Seleção está bem servida de atacantes “de referência” ou não, acabo por concordar com Felipão. Decididamente, não gosto de Diego Costa.

15/06/2014

às 13:43 \ Tema Livre

Humilhado pela derrota para a Holanda e por sua própria atuação, Casillas assume culpa e adota atitude digna. Coisa de quem é grande

Casillas, com o zagueiro Sergio Ramos em segundo plano, mostra todo o seu desalento diante do massacre sofrido pela Espanha diante da Holanda (Foto: Jean Catuffe/Getty Images)

O goleiro Casillas, com o zagueiro Sergio Ramos em segundo plano, mostra todo o seu desalento diante do massacre sofrido pela seleção da Espanha diante da Holanda (Foto: Jean Catuffe/Getty Images)

Quem é grande mostra grandeza nos piores momentos. É o caso do espanhol Iker Casillas, até recentemente considerado o melhor goleiro do mundo, com 141 partidas pela seleção de seu país, capitão do time e capitão do Real Madrid.

Ele falhou clamorosamente em pelo menos dois dos cinco gols marcados pela Holanda na humilhante goleada de 5 a 1 com que a campeã da Copa 2010 estreou na Copa 2014, nesta sexta, 13 — em outro, que pareceu falha gritante sua, sofreu falta clamorosa que o juiz não marcou.

O que fez Casillas? Culpou o clima de Salvador? As condições da Itaipava Arena Fonte Nova? Os companheiros de clube?

Nada disso. Assistindo calmamente depois da partida à cobertura feita por diferentes canais de TV, pude verificar o caráter do craque, que já por sua linguagem corporal, na parte final do jogo, demonstrava o quanto chamava para si boa parte da culpa do desastre. “Não estive à altura do jogo”, admitiu o goleiro sem rodeios, ao comentar a derrota. “A Holanda esteve muito bem, e nossa equipe não — começando por mim”.

Indagado sobre se continuaria defendendo o gol de La Roja, respondeu:

– Quem decide é o treinador. Primeiro, temos que pedir perdão à torcida.

03/05/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Um dos grandes momentos da semana: o minuto de silêncio — realmente silencioso — da torcida do Bayern de Munique. Mas não apenas isto…

A torcida do Bayern ilustra perfeitamente a bandeira do time (Foto: Wallpaper.net)

A torcida do Bayern ilustra perfeitamente a bandeira do time. Depois, seria a vez de algo que, no Brasil, consideraríamos espantoso: um minuto de silêncio em que, efetivamente, se fez um absoluto silêncio (Foto: Wallpaper.net)

Para mim, foi um dos grandes momentos da semana — e um exemplo de grau civilizatório que extrapola, de muito, o mundo do futebol.

Refiro-me ao minuto de silêncio observado no Allianz Arena, o espetacular estádio de futebol de Munique no qual o Real Madrid massacrou o Bayern, principal time da cidade e da Alemanha, por 4 a 0 pela partida de volta das semifinais da Liga dos Campeões da Europa, o principal torneio de times do planeta.

Quando o árbitro português Pedro Proença deu aos dois times, devidamente formados, o sinal de que haveria um minuto de silêncio em homenagem ao catalão Tito Vilanova, ex-técnico do FC Barcelona, falecido na semana anterior, e ao sérvio Vujadin Boskov, ex-técnico de vários times, inclusive do Real Madrid, morto no domingo, 26, ocorreu algo que, no Brasil, seria espantoso: os 22 jogadores, os dois técnicos, os dezenas de jogadores reservas, preparadores físicos e outros funcionários dos dois times e, mais do que isso, os 67.800 espectadores da partida fizeram realmente silêncio — um silêncio absoluto, digno, respeitoso.

Nada de risotas, conversinhas, assobios, como ocorre em nossos estádios que, como dizia o escritor Nelson Rodrigues (referindo-se, especificamente, ao Maracanã), não respeitam nem minuto de silêncio.

Antes disso, outra manifestação da organização, seriedade e disciplina do público — e refiro-me à barulhenta e não raro turbulenta torcida do Bayern: com sincronia de relógio suíço, dezenas de milhares de torcedores erguendo peças de plástico formaram, nas arquibancadas, o distintivo e as cores símbolo do clube em formato gigante.

A registrar, finalmente, a altivez da torcida que, embora assistisse a um surpreendente e raro banho de futebol sofrido pelo timaço do Bayern, não cessou de incentivar os jogadores mesmo quando a goleada implacável já estava há tempos estampada no placar.

Civilização, esta é a palavra para coisas assim. Não é por acaso que a Alemanha é o país que é hoje.

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24/04/2014

às 20:30 \ Tema Livre

VÍDEO: Pep Guardiola, favorável à separação da Catalunha da Espanha, defende o uso do idioma catalão… em plena Madri

Pep Guardiola fala a jornalistas no estádio Santiago Bernabéu, em Madri: em catalão, por favor (Foto: Real Madrid)

Pep Guardiola fala a jornalistas no estádio Santiago Bernabéu, em Madri: em catalão, por favor (Foto: Real Madrid)

Um dos melhores técnicos do mundo, Pep Guardiola também não faria feio em uma competição entre poliglotas.

Nas entrevistas coletivas que concedia quando comandava o Barcelona (2008-2012), naquele que entrou para história como o melhor período da história do clube, o treinador nascido há 43 anos em Sampedor, interior da Catalunha, não raro dava um verdadeiro show.

Respondia a uma pergunta em seu idioma nativo, o catalão, em seguida tecendo algum comentário em espanhol. Instantes depois recorria, sem hesitar, ao italiano – como jogador, atuou por dois anos no Brescia – ou ao inglês para rebater observações de jornalistas estrangeiros.

No entanto, o momento mais glorioso a contribuir para sua fama de talentoso poliglota ocorreu em julho do ano passado, quando surpreendeu a todos ao responder em alemão, com notável desenvoltura, as primeiras perguntas que ouviu em entrevista coletiva como técnico de seu novo time, o Bayern de Munique. Falei deste episódio neste post.

Poliglota, mas sem – nunca – abrir mão do catalão

Todo este repertório, porém, parece não abalar nenhum fiapo do orgulho independentista catalão de Guardiola.

Separatista assumido – embora tenha defendido a seleção espanhola enquanto jogador -, ele em 2012 chegou a aparecer em vídeo apoiando oficialmente a campanha pela transformação da Catalunha, comunidade autônoma pertencente à Espanha, em um país. “Desde Nova York, aqui vocês têm mais um”, dizia o técnico, que à época passava um ano sabático na Grande Maçã.

E na quarta-feira, dia da derrota por 1 a 0 de seu Bayern para o eterno rival de seu ex-clube, Real Madrid, Pep voltou a dar seu recado soberanista.

Estava nos vestiários do estádio Santiago Bernabéu, em Madri, do espanholíssimo time da casa, representando uma entidade alemã, o Bayern. Até que um repórter da Catalunya Radio, Francesc Garriga, afirmou, antes de formular questão a Guardiola, que sofrera represália da UEFA por ter lhe perguntado em catalão na entrevista coletiva anterior, e que usaria o espanhol.

Ao escutar a explicação, o treinador não arredou pé e comprou a briga: “você está enganado. Pode sim me perguntar em catalão”. O jornalista atendeu a seu pedido, em seguida traduzindo sua pergunta ao castelhano. Pep, é claro, utilizou o mesmo método “tecla sap” para retrucar. Assistam:

 

 

22/04/2014

às 12:00 \ Disseram

O jeito era correr

“Tinha que correr. O Bartra (zagueiro do Barcelona) me empurrou, tentou me bloquear, mas não conseguiu. Tive que dar a volta e correr mais ainda”

Gareth Bale, atacante galês do Real Madrid, autor do gol do título da Copa do Rei da Espanha para seu time contra o Barça, sendo modesto diante do espetacular tempo de 7,2 segundos com que percorreu 60 metros na jogada — o segundo melhor tempo para a distância na história

 

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