23/01/2013
às 14:00 \ Vasto MundoIda do príncipe William às Malvinas/Falklands para treinamento militar mostra à Argentina que os britânicos não arredam pé das ilhas
Post publicado originalmente a 14 de dezembro de 2011
A chiadeira na Argentina vem sendo enorme, e compreensível, com reclamações de que se trata de uma “provocação” a notícia de que o príncipe William, filho do príncipe Charles, herdeiro do trono do Reino Unido e, portanto, futuro rei, fará um estágio de treinamento militar de algumas semanas nas ilhas que os argentinos chamam de Malvinas e os britânicos, Falklands – a partir de fevereiro, e durante dois meses e meio.
Como se sabe, as ilhas, a pouco menos de 500 quilômetros da costa do extremo sul da Argentina e sob domínio britânico desde 1833, são reivindicadas pelo governo de Buenos Aires, o que levou a uma guerra entre os dois países em 1982, com uma derrota humilhante para a então ditadura militar argentina, que se rendeu incondicionalmente à força-tarefa enviada de a 13 mil quilômetros de distância pela primeira-ministra Margaret Thatcher.
Até hoje a primazia de haver descoberto as então desabitadas Malvinas-Falkland é disputada por franceses, ingleses, espanhóis e holandeses.
William estará nas ilhas no 30º aniversário do começo da guerra
Inicialmente William iria partir para a missão no final de novembro e, por alguma razão, adiou-se para fevereiro. Não há data certa divulgada, mas o príncipe estará nas ilhas, certamente não por coincidência, no 30º aniversário da invasão argentina, que se deu a 2 de abril de 1982. Seu tio, príncipe Andrew, participou da guerra como piloto de um helicóptero de combate.
William, ou Duque de Cambrige, de 29 anos, é formado pelas academias militares das três Forças Armadas britânicas, mas segue carreira na Real Força Aérea (RAF) como tenente-aviador. Seu nome, na RAF, é “William Wales” (“Wales” é o País de Gales, e príncipe de Gales é o título dos herdeiros da Coroa).

"William Wales", como o príncipe é chamado na RAF, é tenente-aviador, pilota helicópteros e quer ser promovido a capitão
Ele é piloto de helicóptero especializado em busca e salvamento, área em que fará o treinamento nas ilhas, como parte de seus deveres para a ambicionada promoção a capitão da RAF. Conduz um aparelho grande e versátil, o Sea King.
O príncipe já visitou áreas conflagradas, como o Afeganistão, onde forças britânicas participaram da invasão e da ocupação do país após o 11 de setembro de 2001, embora, diferentemente de seu irmão mais novo, Harry, não tenha servido como soldado no teatro de operações, provavelmente por sua condição de futuro rei.
No Afeganistão
O Afeganistão já marcou William de várias formas, inclusive pela morte, causada por uma bomba, de seu amigo e instrutor no Exército, o major Alexis “Lex” Roberts.

O príncipe no comando de um avião de transporte militar C-17 Globemaster, trazendo do Afeganistão um soldado morto em combate
Há algum tempo, o príncipe esteve no que se pode denominar de missão no Afeganistão: depois de uma visita às tropas – algo que empreendeu várias vezes –, integrou a tripulação de um grande avião de transporte militar C-17 Globemaster que repatriou o corpo de um soldado britânico morto em combate, assumindo o comando do aparelho durante boa parte do trajeto de quase 6 mil quilômetros até a base de Brize Norton, em Oxfordshire, na Inglaterra, onde está sediado o 99º Esquadrão da RAF.
“As Falklands permanecerão britânicas, e ponto final”
O governo britânico oficilamente alegou que não há qualquer sentido político no estágio que o príncipe fará nas ilhas, mas é mais do que evidente de que a presença, ali, do futuro rei significa que o Reino Unido não mudou um milímetro sua postura segundo a qual os pouco mais de 3 mil habitantes das ilhas, que se consideram súditos britânicos, é quem devem decidir sobre a soberania do território.
Algum tempo antes do anúncio da viagem do príncipe, o primeiro-ministro conservador David Cameron disse na Câmara dos Comuns: “Enquanto as Ilhas Falkland desejem ser território britânico soberano, elas permanecerão território britânico soberano – ponto final, fim da história”.
Os comentários foram rejeitados pela presidente Cristina Kirchner como “arrogantes”, “uma expressão de mediocridade e quase de estupidez” por parte de Cameron.
Tags: C-17 Globemaster, Cristina Kirchner, David Cameron, guerra de 1982, helicóptero, Ilhas Falklands, Ilhas Malvinas, Margaret Thatcher, príncipe Charles, Príncipe William, Real Força Aérea, Reino Unidos






























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