18/05/2013
às 15:55 \ Política & CiaLeilões de concessões de portos, rodovias, ferrovias e aeroportos começam em setembro — mais de um ano depois de anunciados por Dilma. Motivo: a dificuldade do governo petista admitir que se trata de privatização

Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento Logístico, anunciou que o pacote de concessões de rodovias está pronto e os leilões deverão ocorrer a partir de setembro (Foto: Renato Araujo / ABr)
Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros
FALTOU DIZER A RAZÃO – I
O poderoso – não é formalmente ministro, mas manda formalmente muito mais que a maioria deles – Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento Logístico, anunciou em evento organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que o pacote de concessões de rodovias está finalmente pronto e os leilões deverão começar a ocorrer a partir de setembro.
O pacotão logístico – inclui, além de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos – foi lançado pela presidente Dilma Rousseff, em um evento com toda a pompa e circunstância marqueteira oficial, em agosto do ano passado.
Portanto, os leilões vão abrir-se quase um ano depois, após a primeira tentativa de conceder lotes da BR-040 e da BR-116 ter fracassado em janeiro por falta de interessados.
É tempo demais para um país que já tem quase 20 anos de experiência em concessões de rodovias. O próprio governo petista já fez as suas.
Faltou dizer a razão – II
Figueiredo não explicou os motivos de tanta demora nem foi perguntado sobre isso. Não precisava, porém.
A razão é simples e clara: a forma envergonhada com que o governo Dilma avança nas privatizações (prefere o apelido de “concessões”), a tentativa de manter tudo sobre controle oficial e a visão de que os concorrentes privados só querem ter lucros abusivos e precisam ser vigiados.
Um dos exemplos desse ativismo estatal é a tentativa de tabelar o lucro do negócio. O governo foi avisado várias vezes de que isto afugentaria concorrentes. Deu de ombros.
Só na semana passada, depois de anunciar várias vezes que o faria e recuado, admitiu que a Taxa Interna de Retorno das rodovias passasse de 5,5% para 7,5%.
Também para tornar o negócio mais atraente, está facilitando investimentos com dinheiro público, principalmente com o generoso coração do BNDES.
Talvez tenha de ceder mais porque está colhendo a desconfiança que plantou a seus reais propósitos de fazer de fato parceria com o setor privado.
Tags: Bernardo Figueiredo, concessões de rodovias, Dilma Rousseff, Empresa de Planejamento Logístico, Fiesp, leilões, privatizações, Taxa Interna de Retorno












































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