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poliomielite

04/05/2013

às 17:00 \ Livros & Filmes

DICA DE FILME, que repito porque é muito bom: A incrível história do homem paralisado que se realiza sexualmente graças a uma terapeuta

INTIMIDADE -- Hawkes, como mark, que se aventurou no sexo com todas as limitações, com Helen, como terapeuta (Foto: Divulgação)

INTIMIDADE -- John Hawkes, como Mark, que se aventurou no sexo com todas as limitações, com Helen Hunt, como terapeuta (Foto: cena de "As Sessões" )

 Resenha de Isabela Boscov, publicada em edição impressa de VEJA

Publicada originalmente no blog a 2 de março de 2013

 UM ATOR ILUMINADO

Helen Hunt foi indicada ao Oscar por As Sessões, mas é John Hawkes quem assombra no filme sobre o sobrevivente de pólio que resolve iniciar a vida sexual

Do momento em que contraiu poliomielite, aos 6 anos, até o dia em que morreu, aos 49, o poeta e jornalista Mark O’Brien nunca pôde passar mais do que três ou quatro horas seguidas fora de seu pulmão de aço – “depende de quanto eu esteja me divertindo”, diz ele a uma de suas cuidadoras, com o senso de humor brincalhão que foi a marca tanto do personagem verídico quanto da estupenda interpretação que faz dele o ator John Hawkes em As Sessões (The Sessions, Estados Unidos, 2012), em cartaz no país.

Católico devotado mas inquieto, Mark, já trintão, pede ao padre que acabou de assumir sua paróquia conselhos sobre um assunto que o vem atormentando: sexo.

Inteiramente paralisado (à exceção de um músculo no pé, outro no pescoço e outro ainda no maxilar), mas não privado de sensação, Mark vem tendo animados diálogos, por assim dizer, com seu pênis. Vez por outra, inclusive, este trava conversas inesperadas com as cuidadoras durante o banho de esponja, para profundo constrangimento do paciente.

O que Mark quer saber do padre, interpretado com medidas iguais de empatia e de perplexidade espiritual por William H. Macy, é se seria pecado ele perder a virgindade fora do casamento. O padre olha para Cristo na cruz, em busca de inspiração, e opina: é quase certo que Deus deixe essa passar.

Quem é arrebatada pela emoção da intimidade é a terapeuta

E assim começa a epopeia de Mark no campo da intimidade física – tanto mais instigante porque, sob a direção do australiano Ben Lewin, ela contém todos os obstáculos específicos a uma pessoa com graves limitações; mas, ao mesmo tempo, é a imagem posta a nu, literalmente, das coisas que se passam com qualquer homem ou mulher quando estes se despem diante de outra pessoa e a enfrentam sem contar com nada além do próprio corpo e daquilo que são.

Sem namorada (não por falta de tentativa), Mark contrata os serviços de uma terapeuta sexual especializada em deficientes físicos.

[Essas terapeutas, chamadas sex surrogates, algo como “parceira sexual substituta”, surgidas nos anos 50-60 nos EUA sob enorme incompreensão, treinavam pacientes com sérios problemas sexuais — houve casos reais de homens que, com 70 anos, ainda eram virgens — para familiarizá-los com a intimidade e com o corpo feminino, e, não raro, mantinham um número limitado de relações sexuais com eles.] » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

06/11/2012

às 19:23 \ Tema Livre

Fotos e vídeo belíssimos: dançando com a alma — em uma cadeira de rodas

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A dançarina e ex-jogadora de basquete em cadeira de rodas Maria José Moya, "La José" (Foto: Miguel Berrocal - ABC)

Nos Jogos Paraolímpicos de Londres deste ano,  atletas da atualidade mostraram ao mundo as maravilhas de que são capazes, e alguns ex-colegas não ficaram atrás.

É o caso da espanhola María José Moya, 52, ex-jogadora de basquete em cadeira de rodas que participou da primeira seleção a representar a Espanha na modalidade, nos Jogos Paraolímpicos de 1992, em Barcelona.

Foi na cidade catalã, onde vive desde a infância – os pais emigraram dos arredores de Sevilha em busca de tratamento para a pólio, doença que a deixara quase sem poder andar – onde também ela começou a flertar com a dança.

Curso de dança integrada e estreia no palco

A realização do sonho começou em janeiro de 2010, quando María José participou de curso de dança integrada (incluindo pessoas com dificuldades de mobilidade) comandado pelo coreógrafo catalão Jordi Cortés. Já dezembro daquele ano estreou, adotando o nome artístico La José, como bailarina no elenco de Black Out, um interessantíssimo espetáculo dirigido por Cortés.

Assistam abaixo a uma pequena apresentação de Black Out:

Para quem vê La José no vídeo acima e nas fotos deste post, sorridente e insinuante, dançando graciosamente em sua cadeira de rodas, custa imaginar o quanto ela ralou nos ensaios. Por sofrer da rara síndrome pós-pólio, que se manifesta 15 ou 20 anos depois do ataque do vírus da Pólio, além dos problemas de mobilidade ela sofre de dores frequentes no corpo inteiro.

 

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Ensaiando para o espetáculo "Black Out": dança "com a alma" (Foto: RTVE)

Mas, para uma mulher que já superou tantos obstáculos – como ser obrigada a se aposentar aos 40, por invalidez, do cargo administrativo que ocupava em um hospital – , enfrentar todo um catálogo de incômodos físicos em nome da arte foi tirado de letra. Em dado momento, chegou inclusive a abandonar os necessários analgésicos, de tão à vontade que se sentia bailando.

“Sem pernas, eu danço com os olhos, com a alma, com tudo!”, explica.

Constantes surpresas

 

Posando nas ruas de Barcelona (Foto: Jonathan Grevsen - El Periódico)

Posando nas ruas de Barcelona (Foto: Jonathan Grevsen - El Periódico)

“Estou há trinta anos com a mãe de vocês, mas ela continua me surpreendendo”, diz Chema, marido de María José, também cadeirante, aos dois filhos que tem com ela, nesta matéria realizada pela RTVE, da Espanha.

O casal se formou quando os dois praticavam basquete em cadeira de rodas, e ela ainda caminhava com um par de muletas. Há cinco anos, porém, ela é capaz de dar apenas alguns poucos passos sem se cansar, e por isso utiliza a cadeira de rodas em caráter permanente.

Ainda assim, vive uma vida normal, relatada com detalhes na reportagem, que vale a pena conferir. Afinal, como afirma La José, “quem nos coloca as limitações são os outros; eu nem as levo em conta”.

 

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