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15/10/2012

às 16:00 \ Política & Cia

MENSALÃO: Entre cenas do exílio e capítulos decisivos na história do país, amigo e ex-companheiro de Dirceu o vê culpado, mas como “bode expiatório” de uma “dregradação maior”

"O terrível é que a determinação de Zé Dirceu o tenha levado ao topo de tudo, como bode expiatório da degradação maior. Mas nem seu passado de coragem pode livrá-lo da parcela de culpa. O passado não está em julgamento nem serve de escudo ao presente" (Foto: veja.abril.com.br)

Publicado domingo, 14 de outubro, no Estadão

Por Flávio Tavares*

* Flávio Tavares, jornalista e escritor, foi um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador dos Estados Unidos em 1969

Tempos atrás, na prisão da ditadura, o carcereiro o chamava de “Cabeleira” e, hoje, outra vez ele está de cabelos longos, como se voltasse ao passado.

Conheço José Dirceu há 43 anos e, nele, admiro e valorizo a coragem pessoal. A amizade começou naquele 6 de setembro de 1969 em que, sob a mira de metralhadoras, nos algemaram na Base Aérea do Galeão.

Saíamos da prisão (ele em São Paulo, eu no Rio) e nos levaram à pista para uma foto que percorreu o mundo: os presos políticos trocados pelo embaixador dos Estados Unidos junto ao avião, rumo ao exílio no México. Era proibido falar, mas nos segundos em que mandaram que eu me agachasse, sussurrei: “Vamos mostrar as algemas!”  ’

O "Cabeleira", saindo detido do Congresso da UNE em Ibiúna (SP), em 1968 (Foto: AE)

E ali está ele na foto, altivo, mãos ao peito, com as algemas que a maioria escondia, mostrando que preso político não é um criminoso envergonhado do que fez, mas um dissidente que desafia quem oprime. Foi a primeira e única vez na vida que Zé Dirceu me obedeceu…

A intimidade do exílio nos aproximou. Um canal de TV convidou-me a dublar telenovelas mexicanas em português e levei junto Zé Dirceu. Eu dublava e coordenava o grupo e o designei “primeiro ator”. Dias depois, porém, ele e os demais viajaram para Cuba. Só eu permaneci no México e, assim, nem sequer nossas vozes retornaram ao Brasil, para onde não podíamos voltar.

Voltou clandestino, em 1972, e mudou de identidade

Ele, porém, desafiou a proibição. A morte era a pena imposta ao retorno dos desterrados, mas Zé voltou, clandestino, em 1972, na euforia e terror do general Medici. Treinado em guerrilha, queria aliar-se aos que combatiam a ditadura, mas na chegada a São Paulo viu que a repressão dizimava seu grupo e ele seria a próxima vítima.

Homiziou-se no oeste do Paraná e mudou de nome. Passou a ser Carlos Henrique, pacato comerciante de secos e molhados num recôndito município. Lá, casou-se e foi pai sem revelar quem era nem sequer à mulher e ao filho. A verdade significaria a morte e ele passou a ser outro.

Já não era quem era. Sacrificava a identidade para não ser sacrificado. No exílio, dizia-se que morrera como outros do “grupo Primavera”, nome do lugar de treinamento em Cuba. Com a anistia do final de 1979, voltou a ser o Zé.

Lula presidia, Zé governava. O governo obteve maioria no Congresso, e, hoje, se sabe a que preço e como

Laborioso e hábil, presidiu o PT e o tirou do atoleiro de seita fechada ou partido sindical. Mas, ao se abrir à sociedade, o PT assimilou os velhos vícios políticos, como vírus pelas veias.

Quando Lula presidente, eram de Zé Dirceu os planos e atos de governo. Lula presidia, Zé governava. Irmãos siameses, um era a extensão do outro. A simpatia ficava com Lula, as antipatias com Zé. Pródigo em metáforas esportivas, o presidente o chamava de “capitão do time”.

Mas Zé era dos poucos que não jogava bola com Lula em fins de semana na Granja do Torto. Trabalhava noutras jogadas com outras bolas. Assim, o governo obteve maioria no Congresso e, hoje, se sabe a que preço e como – subornando o PMDB, o PTB, o PP de Maluf e o PL, que hoje é PR.

“Não sabia de nada, fui traído”: Lula preferia passar por tolo do que por chefe do governo

Em 2005, no topo do escândalo, sabe-se que Lula pensou em renunciar para “não ser um novo Collor”. Outra vez a coragem de Zé Dirceu brotou como água no deserto e ele é que renunciou. Com o gesto, assumiu as responsabilidades e blindou Lula em pleno tiroteio. “Eu não sabia de nada, fui traído”, dizia Lula, admitindo o suborno quando ainda se desconheciam os detalhes.

Preferia passar por tolo do que por chefe do governo.

A montanha de páginas dos autos do processo mostram o mensalão "como um elaborado esquema de corrupção e suborno montado a partir 'da alta cúpula do governo'" (Foto: Nelson Jr. / Supremo Tribunal Federal)

Agora, as 40 mil folhas do processo no Supremo Tribunal mostram o “mensalão” como um elaborado esquema de corrupção e suborno montado a partir “da alta cúpula do governo”.

O mais alto da “alta cúpula” não é réu

Mas, o mais alto da “alta cúpula” não é réu. A não ser que o presidente fosse alienado absoluto ou pateta total, como explicar que um simples diretor de marketing do Banco do Brasil desviasse R$ 28 milhões do fundo Visanet sem autorização superior? A diretoria do banco nada percebeu? E a inspeção do Banco Central?

Não há suborno sem subornáveis e a degradação dos partidos gerou tudo. A “partidocracia” se sobrepôs à democracia. Roberto Jefferson fez a denúncia por sentir-se “lesado” ao receber só uma das cinco parcelas de R$ 4 milhões prometidas ao PTB… Com partidos transformados em balcões de negócios, o astucioso “mensalão” quebrou a oposição criando uma “base alugada” como base aliada.

A degradação chegou ao próprio PT. Numa das vezes em que estive com Zé Dirceu, após a cassação, ele me mostrou como a Polícia Federal invadira seu escritório em busca de documentos. Tarso Genro era ministro da Justiça e na disputa interna todos queriam comprometer Dirceu para tornar-se “o favorito do rei”.

Nos delitos de alto nível, os indícios constroem a prova

E as provas da fraude? Na engrenagem clandestina, oculta-se tudo. Ou alguém pensa que os corrompidos assinam recibo? Ou que João Paulo Cunha e os demais de São Paulo emitiram “nota paulista” pelo que abocanharam?

Nos delitos de alto nível, os indícios constroem a prova. Os Bancos do Brasil, Rural e BMG geraram as milionárias movimentações do esquema e daí surge tudo. Não foi sequer como no tempo de Fernando Henrique, quando a tão comentada compra de votos que permitiu a reeleição de presidente, governador e prefeito, surgiu numa manobra rápida, até hoje sem autor plenamente identificado.

Na tragédia, o terrível é que a determinação de Zé Dirceu o tenha levado ao topo de tudo, como bode expiatório da degradação maior. Mas nem seu passado de coragem pode livrá-lo da parcela de culpa. O passado não está em julgamento nem serve de escudo ao presente.

24/07/2012

às 15:00 \ Política & Cia

As alegrias de um eterno perdedor de eleições

O senhor Fidelix, um profissional de eleições -- graças à bondade de nossas leis (Foto: levyfidelix.com.br)

Está reconhecendo a figura?

O sorriso mecânico, invariável, como se fosse de plástico? Os cabelos e bigodes permanente e eternamente negros como as asas da graúna?

Provavelmente você está reconhecendo, sim. Porque se trata de um profissional de eleições. Tem eleição, Levy Fidelix está lá.

Ninguém sabe o que ele faz, o que ele é, o que ele quer – exceto implantar, na remotíssima possibilidade de ser eleito para um cargo executivo, um certo “aerotrem”, que seria a solução milagrosa para os problemas de transporte do país.

O senhor Fidelix é o exemplo perfeito e acabado dos piores defeitos da legislação eleitoral e partidária do Brasil.

Uma legislação que permite que legendas sem qualquer representatividade social tenham guarida oficial, minutos gratuitos para propaganda na TV e dinheiro público do Fundo Partidário.

Uma tremenda moleza.

O feliz proprietário de um partido

Não é por acaso que o senhor Fidelix, há longos 26 anos, não faz outra coisa a cada dois anos a não ser candidato – a qualquer cargo.

Ele é o feliz proprietário de um partido, um certo PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro). Um partideco, como diria o falecido ex-governador Leonel Brizola. Que serviu, entre outras coisas, para que um outrora maltido e desterrado, o ex-presidente Fernando Collor, voltasse à cena política, elegendo-se senador por Alagoas.

Collor, que de bobo não tem nada, logo pulou para um partido mais robusto, o PTB, porque fidelidade partidária no Brasil também é piada.

Mas voltemos ao senhor Fidelix.

Ele começou sua longa carreira de não-eleito com partidos alheios, candidatando-se a deputado federal, em 1986 – eleições à Constituinte – pelo PL, e em 1990 por outro partideco, o PTR. Logo percebeu que era melhor possuir sua própria legenda.

E lá foi ele, em 1994, com seu partido debaixo do braço, ser candidato a… presidente da República. A votação minúscula, ridícula, apesar de martelar diariamente eleitores de todo o Brasil pela telinha, não o desanimou.

Assim sendo, lá veio ele: em 1996, candidato a prefeito de São Paulo.

Em 1998, a governador de São Paulo. Em 2000, a vice-prefeito. Em 2002, de novo, a governador. Em 2004, baixou bem a bola: nem presidente, nem governador, nem prefeito, nem vice. Que tal vereador? Uma vez mais, nada de se eleger.

Em 2006, pela terceira vez, uma cadeira de deputado federal. Nada feito, novamente.

2008: que tal de novo a Prefeitura? O homem do aerotrem passou longe de qualquer possibilidade, mas obteve o grande resultado de sua carreira: 0,09% dos votos! 2010: presidente de novo. Dilma Rousseff teve 47,6 milhões de votos no primeiro turno, ele alcançou 57 mil. Mas estava lá.

O aperto de mãos antes inimaginável: Lula, derramando-se em sorrisos, com o Demônio em pessoa -- e Haddad no meio. O que não valem minutos e segundos de tempo na TV... (Foto: Folhapress)

Tal qual se apresenta, agora, em sua décima-segunda tentativa de se eleger para qualquer coisa, como candidato a governador de São Paulo.

Mole, mole, o senhor Fidelix vai receber 1,1 milhão de reais do Fundo Partidário. E os preciosos segundos na TV sempre podem ser, digamos, negociados politicamente, via alianças, num segundo turno, ou mesmo no primeiro – quem sabe?

Afinal de contas, Lula não foi, sorridente, abraçar aquele que era Belzebu em pessoa para o PT nos velhos tempos – Paulo Maluf – em troca de 1 minutos e 43 segundos de tempo na TV do partido malufista, o PP, para seu candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad?

Se o PT vendeu mais um lote de sua antiga alma por esse tempo na TV, alguma coisa valerão – politicamente, é claro — os 30 segundos do senhor Fidelix, não é mesmo?

22/03/2012

às 13:30 \ Política & Cia

Roberto Pompeu de Toledo sobre a política no Brasil: “Aprenda, estrangeiro”

E.T.-O-Extraterrestre

O que imaginaria de nossa política um estrangeiro, ou um alien, que desembarcasse de repente no Brasil? (Foto: Divulgação filme ET)

Publicado em VEJA que está nas bancas esta semana.

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Aprenda, estrangeiro

Roberto Pompeu de Toledo

Roberto Pompeu de Toledo

O Congresso brasileiro vivia uma convulsão, na semana passada. Partidos que apoiam o governo se insurgiam. Alguns ameaçavam deixar o barco.

O estrangeiro que desembarcasse naquele momento arriscaria: “Alguma séria questão doutrinária certamente divide os partidos. Talvez se digladiem duas visões radicalmente opostas quanto à política externa. Ou à política educacional. Quem sabe esteja para ser votado algum projeto de lei que impõe duros sacrifícios à população, como na Grécia”. O brasileiro sorriria.

“Eh, estrangeiro bobo! Então não ouviu as declarações dos chefes partidários? Não leu os comentaristas da imprensa?” O estrangeiro recorreria a essas fontes e ouviria as seguintes explicações:

1. Os políticos reclamam mais espaços no governo;

2. A presidente precisa conversar; precisa fazer política.

“Ah, entendi”, diz agora o estrangeiro. “Falta ampliar o espaço para as grandes discussões. E também falta viabilizar as soluções de que o Brasil precisa, o que só se consegue fazendo política.”

Ninguém nunca se dá ao trabalho de esmiuçar o que são os tais “espaços” e que diabos significa “fazer política”. O estrangeiro está, portanto, autorizado a tirar as conclusões que tirou. Obrigado, estrangeiro. Sua interpretação muito nos lisonjeia.

Mas calma. Para introduzir-se no espírito da coisa, um bom início pode ser destacar um político típico e um partido típico da nacionalidade. O senhor chegou no momento certo. Tivemos um e outro em evidência, na semana passada.

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Romero Jucá: "Deseja-se alguém capaz de servir a (e servir-se de) diferentes regimes e governos? Dá Jucá na cabeça. (...) Alguém com suficiente número de escândalos em suas costas? Outra vez, Jucá não decepciona" (Foto: Agência Estado)

O senador Romero Jucá é nossa escolha de político típico. Ele esteve no centro da crise. Sua destituição do cargo de líder do governo convulsionou o Senado. Excelente senador Jucá! Extraordinário senador Jucá!

Modéstia à parte, este colunista já o destacara como exemplar típico do Hommo politicus brasileiro, neste mesmo espaço, cinco anos atrás. Pede licença para citar-se a si mesmo:

“Deseja-se alguém capaz de servir a (e servir-se de) diferentes regimes e governos? Dá Jucá na cabeça. Alguém que já pulou mais de um partido para outro do que macaco de um para outro galho? Dá Jucá.

Alguém com suficiente número de escândalos em suas costas? Outra vez, Jucá não decepciona. Alguém que, representante de um estado pobre, de escassa oferta de oportunidades, consegue no entanto construir respeitável patrimônio pessoal? Jucá cai como uma luva. Um político que traz parentes para fazer-lhe parceria na carreira? Jucá!

Proprietário de emissora de TV? Jucá! Um político que, derrotado aqui e denunciado ali, no round seguinte está de novo de pé, pronto para novos cargos e funções? Jucá! Jucá!”.

Acrescente-se que o Brasil jamais conheceu uma única ideia de Jucá. Pronto: ele preenche todos os requisitos. Grande Jucá!

Como partido típico, a escolha vai para o valente PR, o Partido da República. Na semana passada, para dar sua contribuição à convulsão em curso, o PR encheu-se de brios e anunciou o rompimento com o governo.

Que partido é esse? Vai-se a seu site na internet e rememora-se que o PR, “o mais jovem dos partidos do primeiro time da política brasileira” (primeiro time!), nasceu da fusão, em 2006, do Partido Liberal, do falecido Alvaro Valle, com o Prona, do falecido “meu nome é Enéas”. E a que veio? Está lá, tudo explicadinho: “Comprometido com o regime democrático, a doutrina proposta pelo PR busca a realização do Bem Comum numa sociedade livre, pluralista e participativa (…). Para o PR, a pessoa deve ser valorizada na individualidade (…). Para o PR, o Estado deve ser o gerador das garantias dos direitos humanos, promotor e guardião do Bem Comum (…).”.

Trocando em miúdos: o PR quer o Ministério dos Transportes. Quer de volta o que lhe tomaram meses atrás sob acusações de corrupção. Como a presidente não lhe deu, rompeu com o governo. O líder do partido no Senado, Blairo Maggi, foi duro: “Este ministério vai ficar com o PR? Não? Então não tem mais o que discutir. Chega!”.

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Blairo Maggi: "não tem mais o que discutir. Chega!” (Foto: Agência Brasil)

Quer dizer, chega em termos.

O senador Maggi explicou que, agora, em vez de votarem automaticamente com o governo, os sete senadores do partido agirão caso a caso. Já que agirão caso a caso, conclui-se que pode se dar o caso de, em muitas ocasiões, votarem com o governo.

Acresce que o partido não devolveu nenhum dos cargos de segundo escalão que ocupa no governo. E que se mantém aberto à reconciliação ampla e irrestrita, generoso que é, desde que lhe voltem a ser abertas as portas do Ministério dos Transportes.

Excelente PR! Extraordinário PR!

Aprendeu, estrangeiro? Aprenda mais: o que passa por grave crise, véspera do armagedon, nos arraiais parlamentares governistas, pertence ao gênero comédia.

07/11/2011

às 15:03 \ Política & Cia

Ricardo Noblat: “o governo apodreceu”

"O Grito", litogravura de Edward Munch (1895)

Amigos, reproduzo excelente artigo do jornalista Ricardo Noblat, velho amigo e companheiro de redação, sobre os mecanismos podres que movimentam nossos partidos políticos. A ilustração é a mesma que ele utiliza em seu prestigioso blog.

O que o Noblat escreve é triste, mas é verdade. O título original é o que vai em negrito abaixo. Confiram:

Mau cheiro

Somente os muito ingênuos acreditam que os partidos brigam por cargos interessados em ajudar o governo a fazer o bem do país – e nada mais.

Nunca foi assim. E pelo jeito jamais será.

Os partidos ambicionam cargos para roubar. O dinheiro enche os bolsos dos seus dirigentes e financia campanhas que custam cada vez mais caro. É simples assim.

Surpreso? Não brinque.

Candidato rico pode até gastar parte do seu dinheiro para se eleger. São raros.

O senador Blairo Maggi (PR-MT) talvez seja um deles. Sua fortuna cresceu 356% entre 2006 e 2010 quando governou Mato Grosso pela segunda vez consecutiva. É o rei da soja. E a soja, sabe como é…

De remediado para baixo, candidato usa o dinheiro dos outros para se eleger. E fica devendo favores que depois tenta pagar no exercício do mandato.

Emplacar um protegido em cargo de relevo é meio caminho andado para pagar o que deve e sair com lucro. Perguntem ao experiente senador José Sarney se não é…

Há uma secretária de empresa estatal da área de energia que só faz uma coisa durante o expediente: cuidar dos interesses do senador. Ora ela atende o próprio, ora algum dos filhos dele.

Antes que passe pela cabecinha de Sarney a ideia de me processar, adianto logo: tudo o que ele faz, tudo mesmo, é legal. Fui claro? Fui convincente?

Estamos conversados. Adiante.

O PT só chegou ao poder que de fato importa quando resolveu se comportar como os demais partidos. Lula cansara de perder. Então arquivou a vergonha.

Certo dia, entre 1998 e 2002, chamou José Dirceu e disse mais ou menos isto: “Só serei candidato pela quarta vez se for para ganhar. E para ganhar vale tudo”.

Valeu, por exemplo, comprar o passe do Partido Liberal (PL) de Valdemar Costa Neto por pouco mais de R$ 6 milhões. Lula assistiu à compra sentado num terraço de apartamento, em Brasília.

Parte do dinheiro para a compra foi doada pelo seu então candidato a vice, José Alencar. O apoio do PL resultou em mais tempo de televisão e de rádio para Lula. Apoio de partido vale por isso.

No primeiro mandato, Lula recusou-se a pagar o preço pedido pelo PMDB para apoiá-lo. O PMDB queria cargos, muitos cargos. E autonomia para tirar proveito deles.

Contrariando José Dirceu, Lula imaginou que poderia governar comprando apoios a cada votação importante no Congresso. O mensalão derivou disso. E deu no que deu.

(Para continuar lendo o artigo de Noblat, clique aqui).

07/10/2010

às 17:58 \ Política & Cia

Oooops! Errei sobre João Pedro Stedile. O irmão dele é que foi eleito deputado federal

Dois amigos e leitores atentos do blog, como João Francisco Anagnostopoulos e André (que não incluiu o sobrenome), me alertaram sobre o post que coloquei hoje no ar, e retirei logo em seguida, dando conta da eleição do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, como deputado federal pelo Rio Grande do Sul.

Outra amiga do blog, Dulce Toledo, chegou a comentar o post.

Na verdade, o eleito é um irmão mais novo do Stedile do MST, José Luiz Stédile (ele escreve o sobrenome com acento), que já milita na política formal há um bom tempo e é filiado ao PSB (e não ao PT, ao qual o MST foi durante muito tempo umbilicalmente ligado).

Ex-metalúrgico, com curso universitário de Administração, Stédile foi por dois mandatos prefeito de Cachoeirinha, cidade de 110 mil habitantes na Grande Porto Alegre.

Ou seja, o irmão do grande incentivador de invasões de terras, o arquiinimigo do capitalismo e do “sistema” joga a regra do jogo, diferentemente do líder do MST, entidade que até hoje não se tornou pessoa jurídica para escapar de processos na Justiça pelos abusos que comete.

NA COLIGAÇÃO TINHA ATÉ O PARTIDO DE ENÉAS – Curiosamente, o irmão de Stedile elegeu-se deputado por uma coligação estranhíssima, que incluiu, muito bem, o PSB e o PC do B, mas também o PR que, como se sabe, é um resultado de dois partidos de direita: o extinto PL e o Prona, sigla protofascista do falecido Doutor Enéas.

Stedile teve uma votação muito minguada para os patamares do Rio Grande do Sul, onde deputado federal dificilmente se elege com menos de 100 mil votos: obteve apenas 41.401.

Vai para a Câmara dos Deputados graças à votação espetacular obtida pela deputada Manuela D’Ávila, do PC do B, a “patricinha do PC do B”, uma recordistas da última eleição, com sonoros 482.590 votos.

 

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