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pena de morte

14/04/2015

às 17:50 \ Política & Cia

ESPECIAL PARA O BLOG — Deputado Jair Bolsonaro, que se desfiliou hoje do PP para poder concorrer à Presidência, explicou ao blog no ano passado sua motivação para ser candidato: “os roubos bilionários dos ‘companheiros’ só não são piores do que o roubo da nossa liberdade que se avizinha”

O deputado Jair Bolsonaro:   (Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara)

O deputado Jair Bolsonaro: pior do que os muitos malfeitos do governo petista “é o roubo da nossa liberdade que se avizinha” (Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara)

Post publicado originalmente a 8 de maio de 2014

Amigas e amigos do blog, como já fiz anteriormente neste espaço, tendo criticado boa parte das ideias do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) e sua intenção de ser candidato à Presidência da República pelo partido num post, entrei em contato com ele e ofereci espaço no blog para que respondesse às críticas ou explicasse suas razões para a candidatura — o que lhe parecesse melhor.

O deputado Bolsonaro enviou, hoje, o seguinte artigo:

JAIR BOLSONARO: A CARA DA DIREITA

Por Jair Bolsonaro, deputado federal (PP-RJ), capitão R/1 do Exército

Em 2005, embora sem pretensões de ser eleito, me lancei candidato à Presidência da Câmara dos Deputados com a intenção de evitar a eleição do candidato do Governo, o então deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).

A imprensa não quis me atribuir os louros da vitória, mas me considerei o grande vencedor.

Nos 10 minutos em que tive direito a usar da palavra mostrei a real face do candidato do governo petista, escalado no passado para impedir o esclarecimento do sequestro, tortura e execução do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel.

Após minha intervenção, foi evidente a mudança de votos de muitos deputados, evitando um mal maior. Severino Cavalcanti foi eleito no 2º turno.

Hoje, a minha visão sobre política é bem definida. Se este governo conseguir mais um mandato, o que de “melhor” nos poderá acontecer será, ainda em 2015, nos transformarmos numa Venezuela e de pior, numa Cuba.

Entretanto, entendo que os desvios bilionários dos “companheiros”, dos malfeitos na Petrobras e na Eletrobras, além de verdadeiro assalto aos Fundos de Pensões, só não são piores do que o roubo da nossa liberdade que se avizinha.

Minha preocupação é fundamentada em fatos históricos, pois não há notícia de qualquer país sob regime socialista/comunista que seu povo tenha razoável nível de desenvolvimento em educação, saúde e renda, ou gozem de qualquer autonomia.

Os livros escolares impostos pelo MEC, com frases e gravuras que pregam ser o capitalismo o inferno e o socialismo o paraíso, estão “envenenando” 30 milhões de crianças do ensino fundamental.

Abominam a propriedade privada, o lucro, o livre comércio e a meritocracia.

Meu nome, sem qualquer dúvida, encarna o sentimento daqueles que não suportam mais:

* o PT e demais partidos de esquerda;

* a desvalorização das Forças Armadas;

* o “politicamente correto”;

* a altíssima carga tributária;

* a política externa aliada com ditaduras;

* o ativismo gay nas escolas;

* o desarmamento dos cidadãos de bem;

Invasão de terras por militantes do MST  (Foto: veja.abril.com.br)

Invasão de terras por militantes do MST: “Meu nome, sem qualquer dúvida, encarna o sentimento daqueles que não suportam mais” essas coisas (Foto: veja.abril.com.br)

* a falta de política de planejamento familiar;

* as invasões do MST;

* a “indústria” de demarcações de terras indígenas;

* a não redução da maioridade penal;

* o não reconhecimento da vital importância dos ruralistas e do agronegócio no desenvolvimento do País;

* a política de destruição de valores morais e familiares nas escolas;

* a ausência da pena de morte, prisão perpétua e trabalhos forçados para presos (ainda que consideradas cláusulas pétreas na Constituição);

* a manutenção do exame de ordem da OAB, nas condições atuais;

* as cotas raciais, que estimulam o ódio entre brasileiros e que, em muitos casos, são injustas entre os próprios cotistas;

* a Comissão Nacional da (in)Verdade, que glorifica terroristas, sequestradores e marginais que tentaram implantar, pelas armas, a ditadura do proletariado em nosso país;

* o Marco Civil da Internet, cuja regulamentação por decreto, inicia a censura virtual;

* o “Foro de São Paulo” onde ditadores e simpatizantes se acoitam por uma hegemonia marxista na América Latina;

* a liberação de recursos pelo BNDES para construir Porto em Cuba e metrô na Venezuela, assim como perdões de dívidas de ditadores africanos;

* as escolas com professores desprovidos de meios para exercerem sua autoridade;

* a ajuda financeira de mais de R$ 1 bilhão por ano à ditadura cubana via contratação de mão de obra escrava pelo programa “mais médicos”;

Dilma Rousseff com o ditador cubano Raúl Castro (Foto: Roberto Stuckert Filho)

Dilma em mais um encontro cordial com o ditador Raúl Castro. O deputado Bolsonaro quer acabar com a “ajuda financeira de mais de R$ 1 bilhão por ano à ditadura cubana”  (Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República)

* os programas “Bolsa Família” como curral eleitoral e “Brasil Carinhoso” que estimula a paternidade irresponsável;

* o Ministério da Defesa chefiado por incompetente civil como se não houvesse um oficial-general de quatro estrelas qualificado e confiável para o cargo;

* o Código Penal que não garante punições justas para os criminosos;

* a invasão e ocupação de terras e prédios públicos e privados por movimentos ditos sociais, sem legislação eficaz que puna tais práticas;

* a obstrução de vias públicas e queima de ônibus por qualquer motivação;

* a priorização na política de direitos humanos para criminosos em detrimento das vítimas, dos policiais e dos cidadãos de bem;

* as indicações políticas para cargos da administração pública.

Creio que minha candidatura ao cargo de presidente da República seria o “fiel da balança” para a garantia de um 2º turno, comigo ou entre outros candidatos.

Não há preço que pague um debate meu com Dilma Rousseff, a pseudo torturada, cujo primeiro marido sequestrou um avião e rumou para Cuba com uma centena de reféns e o segundo (marido), que com ela passou a lua de mel assaltando caminhões na Baixada Fluminense.

Afinal, seu passado não pode continuar sendo ocultado da população brasileira, bem como seu desserviço para a democracia.

Se um dia jurei dar minha vida pela Pátria, se preciso fosse, a perda do meu mandato de deputado federal é muito pouco para evitar a “cubanização” do Brasil, fato mais que provável, caso o PT vença mais uma eleição.

Em 23 de abril passado protocolei Ofício junto ao Partido Progressista, colocando-me à disposição para concorrer ao cargo de presidente da República e para que meu nome fosse enviado para os institutos de pesquisa eleitorais, sendo o único candidato que, verdadeiramente, assume de peito aberto uma oposição às políticas do PT.

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11/02/2015

às 16:59 \ Vasto Mundo

BRASILEIRO DIANTE DO PELOTÃO DE FUZILAMENTO NA INDONÉSIA: Laudo médico é a última esperança da família

À ESPERA DO PELOTÃO — o presidente da Indonésia negou o pedido de suspensão da execução de Gularte, feito pelo governo brasileiro (Foto: Dita Alangkara/AP)

Família de Rodrigo Gularte tenta impedir sua execução ao alegar que ele sofre de doenças psiquiátricas (Foto: Dita Alangkara/AP)

Execução de Rodrigo Gularte está marcada para dia 21. Indonésia já negou o segundo pedido de clemência do governo brasileiro

Por Bela Megale, para VEJA.com

A família do brasileiro Rodrigo Gularte, condenado à morte na Indonésia por tráfico internacional de drogas ao ser preso no país com seis quilos de cocaína em 2004, entrará nesta quarta-feira, em caráter de urgência, com um pedido de suspensão da execução. Eles receberam hoje um laudo oficial de médicos credenciados pelo governo concluindo que Gularte sofre de “esquizofrenia e transtorno bipolar com características psicóticas”.

O exame foi realizado nesta terça-feira na clínica do Presídio Pasir Putih, na ilha de Nusakambangan, pelo professor Haji Sowadi e uma equipe de cinco médicos.

O objetivo da família é interná-lo antes do dia 21, data prevista para o fuzilamento de Gularte e mais dez condenados à morte. O laudo médico recomenda que o brasileiro “receba imediatamente um intenso tratamento psiquiátrico com medicações num hospital”.

Leia também: Indonésia nega pedido de clemência a Rodrigo Gularte

A Indonésia não tem legislação específica para condenados que se tornaram doentes psiquiátricos após cometerem o crime, mas a defesa do brasileiro aposta que, com a medida, seja possível ao menos adiar o fuzilamento. Em entrevista a VEJA, o porta-voz da Justiça, Tony Spontana, afirmou ter sugerido essa estratégia ao advogado de Gularte, já que via chances de ele não ser executado caso fosse comprovada a doença.

Um dia antes do exame, Gularte encontrou-se com a mãe, que se juntou aos parentes que já estão no país tentando encontrar uma solução diplomática junto à Embaixada do Brasil para evitar que ele seja fuzilado.

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O OUTRO BRASILEIRO NO CORREDOR DA MORTE NA INDONÉSIA: Como é que o surfista Rodrigo Gularte, nascido em família rica do Paraná, acabou indo parar lá

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31/01/2015

às 16:30 \ Vasto Mundo

O OUTRO BRASILEIRO NO CORREDOR DA MORTE NA INDONÉSIA: Como é que o surfista Rodrigo Gularte, nascido em família rica do Paraná, acabou indo parar lá

À ESPERA DO PELOTÃO — o presidente da Indonésia negou o pedido de suspensão da execução de Gularte, feito pelo governo brasileiro (Foto: Dita Alangkara/AP)

À ESPERA DO PELOTÃO — o presidente da Indonésia negou o pedido de suspensão da execução de Gularte, feito pelo governo brasileiro (Foto: Dita Alangkara/AP)

SEM CLEMÊNCIA

Reportagem de Bela Megale publicada em edição impressa de VEJA

Quando, no fim de julho de 2004, o surfista brasileiro Rodrigo Gularte depositou oito pranchas recheadas de cocaína na esteira do check-in do voo que o levaria a Jacarta, na Indonésia, sabia bem que consequências poderia sofrer.

O aeroporto da capital, onde ele já havia estado antes, é repleto de cartazes que advertem os recém-chegados de que a pena para traficantes de drogas naquele país é o pelotão de fuzilamento. O mesmo alerta é dado ainda no avião, pouco antes do desembarque dos passageiros. Mas Gularte – o menino boa-pinta, que estudou nos melhores colégios de Curitiba e tinha fama de conquistador e aventureiro – nunca teve medo de nada.

“Ele sempre chamou atenção por ser destemido. No mar, era o que mais se arriscava”, conta o amigo, hoje engenheiro, Bernardo Guiss Filho. Na semana passada, Gularte, há dez anos no corredor da morte, teve negado o pedido de clemência feito pelo governo brasileiro ao presidente indonésio, Joko Widodo. A recusa foi anunciada dois dias depois do fuzilamento, na Ilha de Nusakambangan, de outro brasileiro, Marco Archer, o primeiro a ser executado pela Justiça de um país estrangeiro.

A família de Gularte ainda tentará um último recurso para livrá-lo da execução. Na semana passada, uma prima do surfista vinda de Curitiba desembarcou em Nusakambangan, onde também está Gularte desde 2007. Ela viajou com o objetivo de buscar médicos credenciados pelo governo da Indonésia que confirmem que Gularte está mentalmente doente.

Pelas leis do país, nenhum condenado poderá ser morto se padecer de doença mental – não importa se estava são na ocasião em que cometeu o crime. “A sentença só pode ser cumprida depois da recuperação”, disse a VEJA Tony Spontana, porta-voz da Procuradoria-Geral da Indonésia.

No ano passado, uma psicóloga contratada pela família, com a ajuda da embaixada brasileira, diagnosticou que Gularte sofre de esquizofrenia. A decisão de procurar ajuda médica foi da mãe do surfista, Clarisse Muxfeldt. Ela já havia recebido notícias da administração do presídio de que o filho não estava bem, e vinha acompanhando a piora de seu quadro a cada visita. Na mais recente delas, em agosto de 2014, encontrou-o 15 quilos mais magro e dizendo coisas desconexas.

Quem conviveu com ele afirma que fazia muito tempo Gularte vinha tendo um comportamento anormal.

Logo que foi preso, o surfista costumava falar frequentemente por telefone com parentes e amigos no Brasil. A um deles, chegou a dizer que tudo acabaria bem e que ainda faria “um filme com aquela história”. Como a primeira prisão em que ficou tinha regras mais flexíveis, conseguia até mesmo ir a um McDonald’s vizinho nos fins de semana, escoltado por guardas.

ONDA FATAL — O brasileiro desembarcou no aeroporto de Jacarta, em 2004, com 6 quilos de cocaína escondidos em oito pranchas de surfe (Foto: Dita Alangkara/AP)

ONDA FATAL — O brasileiro desembarcou no aeroporto de Jacarta, em 2004, com 6 quilos de cocaína escondidos em oito pranchas de surfe (Foto: Dita Alangkara/AP)

“Mas ele foi mudando. No início, jogava futebol e conversava com todos. Depois, foi se isolando até se fechar numa bolha”, conta Rogério Paez, brasileiro que ficou preso com Gularte até ser solto, em 2011. “Passou a sair pouco da cela, ler livros de trás para a frente e não falar coisa com coisa. Tinha a mania de fechar a mão e olhar para o céu. Dizia que estavam ouvindo o que ele pensava.”

A jornalista e educadora brasileira Fabiana Mesquita, que visitava presos brasileiros como voluntária da embaixada, confirma: “Num dia, ele estava cheio de esperança, fazendo planos. No outro, aparecia cheio de patuás amarrados pelo corpo para se proteger dos seus perigos imaginários”. No curso de algumas alucinações, Gularte buscava esconderijo sob a cama de um companheiro de cela.

O marido da jornalista, Fábio Mesquita, médico da ONU, indicou o uso de Risperdal depois de visitá-lo certa vez, mas Gularte se recusava a tomar o medicamento alegando que pretendiam envenená-lo.

Gularte nasceu em família de classe média alta. Passou a adolescência entre a casa de praia dos pais, em Caiobá, no litoral paranaense, e a fazenda, no Paraguai. Chegou a começar três cursos universitários, mas não concluiu nenhum. Com a ajuda da família, tentou diversos negócios, que também acabaram fechando, entre eles uma creperia em Curitiba e uma casa de massas em Florianópolis, onde morou por um período.

Para os amigos e a família, ele nunca foi um traficante profissional, mas um jovem inconsequente que fez a viagem para sustentar o próprio vício, um caminho fácil naquele ambiente de drogas e sexo farto que fazia a fama de ilhas como Bali no início dos anos 2000. Agora, a doença, se confirmada, poderá poupar Gularte da execução. Mas as escolhas que ele fez – e que culminaram naquele embarque fatídico – há muito lhe roubaram a vida.

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21/01/2015

às 14:00 \ Política & Cia

LEONEL KAZ: É estarrecedor que a presidente não fique estarrecida

A sede do Ministério da Cultura da França

O edifício-sede do Museu Nacional, no Rio de Janeiro

Post publicado no blog de Leonel Kaz

Jack Lang foi ministro da Cultura da França e hoje preside o Instituto do Mundo Árabe, em Paris. Eu o conheci, na década de 80, quando ele veio ao Rio para o projeto da Casa França-Brasil, do qual participei com Darcy Ribeiro e Italo Campofiorito.

Lang criticou esta semana o fracasso da educação francesa por não saber lidar com o tema da intolerância religiosa: “É inútil acrescentar mais horas de instrução cívica, já há muita, e é muito mal feita. É preciso retornar ao essencial. Se eliminou o ensino das artes e da cultura na escola francesa, e este é um dos melhores remédios contra a violência.”

Lá se eliminam aulas; aqui se eliminam museus. É estarrecedor que a presidente não se sinta estarrecida com o fechamento do museu mais visitado por escolas, o Museu Nacional do Rio, por falta de verbas que dependem dela mesma.

1. Que a presidente fique estarrecida com a morte de um brasileiro, traficante de drogas, após esgotada uma década de defesa judicial, faz parte de um ato diplomático.

2. Mas é estarrecedor que a mesma presidente não fique estarrecida com os outros brasileiros que foram executados, em 2013, à razão de um a cada 10 minutos, na violência cotidiana aqui dentro de nosso território.

3. Vento que venta lá, venta cá. Imaginar que uma charge pode causar a destruição de vida é de um simplismo estarrecedor. Ora, o ataque ao Charlie Hebdo foi muito “bem bolado” visando contrapor, na superficialidade e asneiras do mundo eletrônico, o velho maniqueísmo de uns contra outros. O alvo foi “bem” escolhido para promover exatamente esta polêmica inútil e sem fim que dê razão à retrógrada assertiva: “Ah, alguma coisa de errado eles fizeram para merecer morrer.”

3. Ninguém merece morrer. Nem a dúzia de seres então vivos do Charlie Hebdo nem os seis milhões de judeus que também foram executados pelos alemães do período hitlerista (que voltam a colocar suas manguinhas de fora…) sem publicar charge alguma.

4. O que há na cabeça de quem faz terrorismo, aqui ou acolá, é a ideia de que a vida do outro não vale nada. Isto serve para o Jihad Islâmico, isto serve para os traficantes que comandam batalhões de exércitos de malfeitores nas grandes cidades brasileiras. Lá atacaram uma revista; aqui, 200 deles atacaram o Depósito Público de motos roubadas, no Rio, e com metralhadoras em punho levaram 193 delas, periguetes na garupa.

5. O que tem havido é indiferença e incompetência. Daí, lá, a frase de Jack Lang sobre “os sucessivos governos que fizeram muito mal à escola nos últimos anos”; daí, aqui, o estarrecedor de que os alunos abandonem o ensino médio, frequentem a sala de aula por mero protocolo e passem de ano, literalmente, no grito, impondo medo aos professores. Repetimos um modelo anacrônico de ensino que faz a escola se transformar em cárcere, destituído da realidade da sociedade, salvo boas e raras exceções.

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19/01/2015

às 16:04 \ Vasto Mundo

BRASILEIRO FUZILADO NA INDONÉSIA: ‘Não era herói, era traficante’, diz ex-ministra de Direitos Humanos

Execução: Ambulância carregando o corpo do brasileiro Marco Archer, condenado à morte por tráfico de drogas na Indonésia, deixa a ilha de Nusa Kambangan no sábado (17) (Foto: Antara Foto/Idhad Zakaria/Reuters)

Execução: ambulância carregando o corpo do brasileiro Marco Archer, condenado à morte por tráfico de drogas na Indonésia, deixa a ilha de Nusa Kambangan no sábado (17) (Foto: Antara Foto/Idhad Zakaria/Reuters)

Deputada petista Maria do Rosário reagiu no Twitter ao interesse provocado pelo destino das cinzas de Marco Archer, fuzilado no sábado na Indonésia

De VEJA.com

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos do governo Dilma Rousseff, se manifestou na tarde deste domingo sobre o interesse provocado pelo local para onde serão levadas as cinzas do brasileiro Marco Archer, fuzilado na Indonésia no sábado. E afirmou: “Ele não era herói, era traficante”.

(Foto: Wilson Dias/ABr)

Maria do Rosário: contra a pena de morte, mas também contra Marco Archer (Foto: Wilson Dias/ABr)

A reação da ex-ministra foi externada no Twitter. Antes de salientar que o brasileiro não era herói, a deputada afirma que foi contra a execução e que “é contra a pena de morte”.

O corpo de Archer foi cremado no país asiático e as cinzas, levadas para o Rio de Janeiro pela advogada Maria de Lurdes Archer Pinto, tia dele. Única parente viva do brasileiro condenado à morte por tráfico de drogas, Maria de Lurdes esteve com Marco Archer antes da execução.

Após o fuzilamento do brasileiro, a presidente Dilma Rousseff se disse “consternada” e “indignada” e convocou para consultas o embaixador do Brasil em Jacarta. No meio diplomático, a medida representa uma espécie de agravo ao país no qual está o embaixador.

Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a execução causa “uma sombra” na relação entre o Brasil e a Indonésia. Em nota, a organização não governamental Anistia Internacional considerou um “retrocesso” a execução de Marco Archer e de mais cinco traficantes de drogas pela Indonésia.

Eles são os primeiros presos executados desde que o presidente Joko Widodo assumiu o cargo.

“Este é um retrocesso grave e um dia muito triste. A nova administração tomou posse prometendo fazer dos direitos humanos uma prioridade, mas a execução de seis pessoas vai na contramão desse compromisso”, disse o diretor de Pesquisa sobre a Região do Sudeste Asiático e Pacífico da Anistia Internacional, Rupert Abbott.

O carioca Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi o primeiro brasileiro executado por crime no exterior. Ele foi preso em agosto de 2003, quando tentou entrar na Indonésia, pelo aeroporto de Jacarta, com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta desmontada em sete bagagens. Ele conseguiu fugir do aeroporto, mas foi localizado após duas semanas, na Ilha de Sumbawa.

Archer confessou o crime e disse que recebeu 10.000 dólares para transportar a cocaína de Lima, no Peru, até Jacarta. No ano seguinte, ele foi condenado à morte.

Fuzilamento — Um grupo de doze policiais da elite da Polícia indonésia é destacado para fuzilar cada condenado à pena de morte na Indonésia. Neste sábado, o país executou seis condenados — quatro homens e duas mulheres, entre eles o brasileiro Marco Archer Moreira. Cada condenado é amarrado vendado ou encapuzado a uma estaca. O primeiro grupo de executados em 2015 foi alvejado simultaneamente às 00h30 de domingo, horário local.

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17/01/2015

às 20:10 \ Vasto Mundo

Condenado por tráfico de drogas, brasileiro é executado por fuzilamento na Indonésia. É o primeiro brasileiro a ter aplicada a pena de morte no exterior

O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira foi condenado por um tribunal indonésio à morte por tráfico de drogas (Foto: Beawiharta BEA/TW/Reuters)

Envolvido com o tráfico de drogas desde os 17 anos, o cidadão brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira foi condenado à morte há 10 anos, e hoje, depois de esgotados todos os recursos jurídicos e diplomáticos, foi morto por um pelotão de fuzilamento (Foto: Beawiharta BEA/TW/Reuters)

De VEJA.com

Post publicado originalmente a 17 de janeiro de 2015, às 15h51

O cidadão brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi fuzilado neste sábado na Indonésia, depois de passar mais de uma década no corredor da morte. Condenado em 2004 por tráfico de drogas, o brasileiro [que disfarçava sua atividade de “mula” do tráfico como instrutor de asa delta] teve negados os dois pedidos de clemência a que tinha direito. É a primeira vez que um brasileiro condenado à pena capital é executado no exterior.

A execução foi levada a cabo às 15h30 (0h30 de domingo na Indonésia). Além do brasileiro, um cidadão holandês, um nigeriano, um malauiano, uma vietnamita e uma cidadã indonésia enfrentaram o pelotão de fuzilamento.

A presidente Dilma Rousseff telefonou na sexta-feira para o presidente Joko Widodo para fazer um apelo pessoal em favor de Moreira, mas ouviu um ‘não’ como resposta. O governo brasileiro também pediu que o papa Francisco intercedesse e, em uma derradeira tentativa de dissuadir o governo indonésio, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao chefe do Ministério Público local uma solicitação de adiamento da execução.

Várias organizações internacionais de defesa dos direitos humanos também se manifestaram contra a decisão da Indonésia.

No início da semana, o brasileiro falou a respeito de sua situação com o cineasta Marco Prado, que está fazendo um documentário sobre a história do amigo, mas ainda não sabe se vai concluir o material. Prado publicou o depoimento na internet: “Estou ciente de que cometi um erro gravíssimo, mas mereço mais uma chance, porque todo mundo erra”, disse Moreira.

O ex-operádio de construção australiano Scott Rush teve mais sorte do que o brasileiro: preso em Bali com mais de um quilo de heroína escondida no corpo, ele foi condenado à morte em 2006 mas teve a pena comutada para prisão perpétua em 2011 depois de um recurso à Suprema Corte da Indonésia (Foto: Reuters)

O ex-operádio de construção australiano Scott Rush teve mais sorte do que o brasileiro: preso em 2006 em Bali com mais de um quilo de heroína escondida no corpo, ele foi condenado à morte mas teve a pena comutada para prisão perpétua em 2011, depois de longa batalha judicial e de um recurso à Suprema Corte da Indonésia (Foto: Reuters)

“Meu sonho é sair daqui, voltar para o Brasil e expor meu problema para os jovens que estão pensando em se envolver com drogas (…) Quero voltar para o meu país, pedir perdão a toda a minha nação e ensinar para os jovens que a droga só leva a dois caminhos: ou à prisão ou à morte”, acrescentou o brasileiro.

O carioca foi preso em 2003, ao tentar entrar no país com 13,4 quilos de cocaína. A sentença de morte foi anunciada no ano seguinte. Sem filhos e com os pais mortos, somente uma tia do brasileiro acompanhou de perto o caso.

Joko Widodo assumiu a presidência em outubro de 2014, depois de obter mais de 70 milhões de votos nas eleições realizadas em julho, e implantou uma política de tolerância zero para traficantes. Ele tem apoio da população, amplamente favorável à pena de morte.

“As execuções dos condenados vai mandar uma mensagem a todos os envolvidos com drogas de que a Indonésia é séria em combater esse crime”, disse o procurador-geral Muhammad Prasetyo, segundo o jornal Jakarta Post. “Eu espero que as pessoas entendam que estamos tentando salvar a Indonésia dos perigos das drogas”, acrescentou.

Grupos de defesa dos direitos humanos criticaram a política de pena de morte adotada pelo país asiático. Para Poengky Indarti, coordenadora da organização Imparsial, com sede em Jacarta, as execuções “mostram que a Indonésia não tem respeito pela vida humana”. “As execuções vão contra os direitos humanos e a Constituição indonésia, que determina que todo mundo tem direito à vida”.

A organização KontraS, também sediada em Jacarta, contestou o argumento do governo para aplicação da pena capital. “Não acreditamos que as execuções possam efetivamente cortar a rede de crimes ligados às drogas. O governo indonésio deveria saber como quebrar a rede de organizações que traficam entorpecentes. O governo também deveria proteger o direito à vida estabelecido em princípios nacionais e internacionais de direitos humanos”.

A ONG considera as execuções programadas para este fim de semana um passo atrás no caminho que a Indonésia vinha trilhando. O país, que é membro do Conselho de Direitos Humanos da ONU, impôs uma moratória à aplicação da pena de morte e não fuzilou nenhum condenado entre os anos de 2008 e 2013, quando retomou as execuções.

[Curiosamente, o período de trégua nas execuções se deu durante o governo do general linha dura Sisulo Bambang Yudhoyono (2004-2014), eleito de forma democrática e constitucional para dois mandatos.]

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17/01/2015

às 13:15 \ Vasto Mundo

INDONÉSIA: Brasileiro se despediu da família e será fuzilado dentro de duas horas. Seis pelotões de fuzilamento estão prontos para executar a ele e outros cinco condenados por tráfico

Parentes do   (Foto: Reprodução TV One)

Parentes de Marco Archer Cardoso Moreira foram despedir-se dele na área de isolamento da penitenciária de Nusakambangan, na ilha de Java, Indonésia  (Foto: Reprodução TV One)

De VEJA.com

As autoridades indonésias estão terminando os preparativos para a execução de seis condenados à morte por tráfico de drogas. Entre eles está o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, que recebeu a visita de pessoas de sua família neste sábado.Os outros condenados são um cidadão holandês, dois nigerianos, um vietnamita e um indonésio.  As sentenças deverão ser executadas à 0h de domingo (15h deste sábado em Brasília).

Marco e outros quatro prisioneiros foram banhados e conduzidos a uma área especial de isolamento na penitenciária de Nusakambangan. O sexto condenado está na prisão de Boyolali. Os dois prédios se encontram na Ilha de Java. 

Atenção religiosa foi posta à disposição dos presos, conforme a crença de cada um. Seis pelotões de fuzilamento estão a postos para as execuções. Segundo informa a imprensa indonésia neste sábado, ambulâncias e caixões já foram enviados aos locais onde os fusilamentos devem ocorrer. 

Marco Archer foi preso ao tentar entrar na Indonésia, em 2004, com 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta. A droga foi descoberta pelo raio-x, no Aeroporto Internacional de Jacarta. Ele conseguiu fugir do aeroporto, mas foi capturado duas semanas mais tarde. Além de Marco Archer, outro brasileiro, Rodrigo Gularte, de 42 anos, também pode ser executado nas próximas semanas por ter transportado drogas para a Indonésia. O tráfico de entorpecentes é um crime passível de pena de morte naquele país. 

O governo brasileiro tenta interceder em favor dos brasileiros. Na sexta-feira, o presidente indonésio Joko Widodo negou um apelo pessoal da presidente Dilma Rousseff. Em conversa telefônica, a presidente “ressaltou ter consciência da gravidade dos crimes cometidos pelos brasileiros [Marco trabalhava para o tráfico de drogas desde os 17 anos de idade] e disse respeitar a soberania da Indonésia e do seu sistema judiciário”, informou o Palácio do Planalto.

O apelo foi feito “como chefe de Estado e como mãe, por razões eminentemente humanitárias”. “A presidente recordou que o ordenamento jurídico brasileiro não comporta a pena de morte e que seu enfático apelo pessoal expressava o sentimento da sociedade brasileira”.

Na sexta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou uma carta ao chefe do Ministério Público da Indonésia pedindo o adiamento da execução. A intenção é promover um diálogo entre as procuradorias no sentido de que a condenação à pena de morte por tráfico de drogas seja reconsiderada. 

Janot demonstrou respeito pelos esforços da Indonésia para combater essa prática criminosa e disse que não pretende questionar a soberania do país nem pedir anistia aos condenados, apenas solicitar que outras formas de punição sejam implementadas. “Apesar de seus atos ilícitos, devemos considerar a situação extrema de ser sentenciado à morte em uma terra estrangeira. Tal circunstância produz uma sensação de solidão e abandono”, argumentou.

Linha dura contra o tráfico de drogas 

O atual governante do país, Joko Widodo, assumiu a presidência em outubro e implantou uma política de tolerância zero para traficantes, prometendo executar os condenados por esse tipo de crime. Ele tem apoio da população, amplamente favorável à pena de morte. 

“Mandamos uma mensagem clara para os membros dos cartéis do narcotráfico. Não há clemência para os traficantes”, relatou à imprensa local Muhammad Prasetyo, procurador-geral da Indonésia, sobre as execuções.

A posição do governante indonésio é criticada pela Anistia Internacional (AI). “Só 10% dos países recorrem a execuções e a tendência é decrescente desde o fim da II Guerra Mundial. É inaceitável que o governo da Indonésia manipule a vida de dois brasileiros para fins de propaganda de sua política de segurança pública”, disse Atila Roque, diretor-executivo da AI.

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09/12/2014

às 14:00 \ Política & Cia

ESTA É UMA CADEIA DE VERDADE PARA BANDIDOS PERIGOSOS: Conheçam a temida, inexpugnável e polêmica penitenciária de Florence, Colorado (EUA), antítese das chamadas cadeias “de segurança máxima” brasileiras

The Federal Correctional Complex in Florence, Colorado

A cadeia de segurança máxima ocupa o conjunto no alto à direita, dentro de um complexo de detenção maior em Florence, Colorado (Fotos: AP)

Campeões-de-audiênciaAmigas e amigos do blog, aproveitando que bandidos perigosos de São Paulo e de Santa Catarina, promotores de ondas criminosas e de matanças, estão sendo transferidos para penitenciárias federais (nas quais, infelizmente, especialistas constatam defeitos de segurança), queria apresentar a vocês o que é uma cadeia pra valer para chefões criminosos — nos Estados Unidos.

No Brasil, a única penitenciária de segurança máxima que pode ser assim considerada  – se levarmos em conta seu índice de fuga, que é de 0% em 11 anos de existência  - é o Centro de Readaptação Penitenciária em Presidente Bernardes, a  580 quilômetros de São Paulo.

Fora o CRP, as demais prisões brasileiras consideradas “de segurança máxima” são alvos de frequentes motins e servem de centro de operações para criminosos, inclusive as federais. (Recentemente, mostrei uma delas, a 50 quilômetros de Porto Velho, em Rondônia, aparentemente isolada do mundo pela floresta amazônica. Mas ela fica à margem de uma rodovia federal, localização inteiramente inadequada para configurar “segurança máxima”.)

Uma realidade absurda e desmoralizante, como mencionei em post do dia 21 de fevereiro, citando rebelião ocorrida na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG).

Segurança máxima para valer – e polêmica

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As torres de observação: vigilância implacável

Não se trata, definitivamente, do caso da cadeia dura, duríssima, que é a Administrative Maximum Facility (ADX) de Florence, no Estado americano do Colorado.

Inaugurada em 1994, é a única penitenciária de segurança máxima pertencente ao Federal Bureau of Prisons, subdivisão do Departamento de Justiça Americano responsável pelo sistema carcerário, e figura entre os destinos mais temidos pela bandidagem.

Seu apelido, “A Alcatraz das Rockies”, faz referência a Alcatraz, a lendária prisão situada em ilha de mesmo nome próxima a San Francisco, operante entre1934 e 1963, e as Montanhas Rochosas, que cruzam o Colorado.

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As portas e os outros dispositivos automáticos são controladas por uma central

Ao contrário do que ocorre na maioria dos centros de “segurança máxima” brasileiros, a vida dos quase 500 detentos de Florence, que se distribuem em seis andares de um edifício de 36 mil metros quadrados, é… como se imagina seja uma cadeia de segurança máxima, sem aspas.

É dura a ponto de gerar protestos de entidades como a Corte Europeia dos Direitos Humanos, e também uma ação judicial conjunta de 11 internos aberta no ano passado, na qual responsabilizavam o presídio por agressões e negligência a presos portadores de doença mental.

Só cinco horas por semana fora da cela

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Celas com portas intransponíveis e janelas posicionadas para o céu: os bandidos não sabem nem em que ala da prisão estão presos

Em Florence, os presidiários passam dois dias completos por semana sem sair de suas diminutas celas, nas quais há uma cama e uma escrivaninha, ambas de concreto. Não há peças soltas nos banheiros. Nas outras cinco jornadas, têm apenas uma hora para exercitar-se em uma espécie de cela maior, semelhante a uma piscina vazia.

Nada de pátio, nada de contato com outros “moradores”. O contato, rarefeito, com parentes — como também com advogados — é feito tendo uma parede de vidro blindado entre os interlocutores, que falam por telefone. Não é permitido aos detentos nem sequer saber em que ala do presídio estão, já que as celas com portas de aço possuem apenas uma janela estreita posicionada para o céu. Vigiando a tudo e a todos estão centenas de câmeras e sensores de movimentos. Detectores de metais e um complexo sistema de acesso aos visitantes — em conta-gotas — tornam impensável o contrabando de celulares.

Ali, em 19 anos, nunca houve uma fuga, nem qualquer tentativa de rebelião.

Cela de prisão de segurança máxima: um fio de janela, com vidro ultra-blindado

Cela de prisão de segurança máxima: um fio de janela, com vidro ultra-blindado

Terroristas famosos e outros criminosos de peso

Tanta precaução para manter zeradas as estatísticas de rebeliões e fugas na ADX de Florence pode ser explicada na lista de chamada de seus habitantes.

Para lá só vai a mais alta classe de bandidos, de capos de cartéis de drogas a comandantes de nefastas seitas neonazistas assassinas, além de presos com histórico de comportamento extremamente violento em outras cadeias.

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Grades de quase quatro metros de altura e potente cerca elétrica

Mas esta supermax – expressão americana para designar os presídios de segurança máxima – se especializou em manter trancafiados terroristas conhecidos mundialmente. Há em seu interior, inclusive, o que é informalmente chamado de ala dos bombers, em alusão a multiassassinos cujo método de chacina era a explosão de bombas.

 

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Um dos hóspedes famosos de Florence: Theodore Kaczynski, o “Unabomber”, que cumpre prisão perpétua

Entre os mais notórios, ambos cumprindo sentenças perpétuas, encontra-se o americano , culpado de nada menos que 16 ataques com carta-bomba e responsável pela morte de três pessoas e ferido outras 23; e o francês Zacarias Moussaoui, participante da conspiração dos ataques de 11 de Setembro.

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Zacarias Moussaoui, envolvido com os atentados de 11 de Setembro, também deve terminar os seus dias lá

Moussaoui é apenas um dos membros da Al-Qaeda detidos em Florence. Há cerca de outros 20 com ligação à organização terrorista jihadista.

Outro assassino em massa de grande fama, o americano Timothy McVeigh, autor do terrível atentado de Oklahoma City, que matou 168 pessoas e feriu mais de 800 em 19 de abril de 1995, viveu ali antes de ser transferido e executado (fora condenado à pena de morte em 1997 e, depois de uma batalha de recursos e apelos, recebeu a injeção letal em 2011, numa prisão em Indiana).

 

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09/01/2014

às 14:00 \ Política & Cia

No totalitarismo, não basta fuzilar. É preciso difamar, humilhar e mostrar

A still image taken from North Korea's state-run KRT television footage shows Jang Song Thaek being forcibly removed from a WPK meeting in Pyongyang

O momento do supremo horror e da suprema humilhação: o segundo homem mais poderoso do regime comunista da Coreia do Norte é retirado por soldados de seu lugar na primeira fila do Comitê Central e levado para ser fuzilado (Foto: Reuters)

Texto publicado em edição impressa de VEJA

Por Vilma Grizynski

O que sente um poderoso no momento em que despenca do topo da pirâmide e sabe que tudo está perdido?

A cena extraordinária em que o segundo homem mais importante do regime da Coreia do Norte, Jang Song-thaek, é retirado por dois militares de seu lugar bem na primeira fileira do Comitê Central do Partido Comunista e levado para a antessala do pelotão de fuzilamento pode ser lida menos pela reação do expurgado, tio por afinidade do ditador hereditário Kim Jong-un, e mais pelo rosto congelado daqueles à sua volta.

[O mesmo Kim Jong-un que foi homenageado com um “Parabéns a Você” pelo ex-jogador de basquete norte-americano Dennis Rodman. Leiam aqui.]

Todos querem olhar, mas não podem demonstrar interesse excessivo.

As cabeças giram quase que em ângulos semelhantes ─ só o medalhado à frente faz a rotação completa.

“Pior do que um cachorro”

O ex-­poderoso vivia “mergulhado em irregularidades e corrupção, tinha relações impróprias com várias mulheres, comia e bebia em salões privados e restaurantes de luxo”, alegou o regime.

Depois de fuzilado, foi apresentado como triplamente traidor e “escória humana desprezível, pior do que um cachorro”.

Em outro clássico do totalitarismo, na obrigatória confissão Jang diz que “ia dar um golpe usando oficiais do Exército ligados a mim” e esperava mais adesões.

Como em outros capítulos infames da história mundial dos expurgos, o recado, portanto, é dirigido ao público interno. Tal como um Nero mandando o mentor Sêneca ao suicídio, o jovem Kim Jong-un se sente suficientemente poderoso para reinar por conta própria?

Ou está tão fraco que precisa usar de uma brutalidade inédita até para os padrões norte-­coreanos? Em qualquer hipótese, inimigos, amigos e suspeitos em geral sabem que não terão direito nem ao “obrigado, senhor” que Robespierre, o grande guilhotinador da Revolução Francesa, disse a um homem que lhe deu um lenço para enxugar o sangue do rosto antes de perder, ele próprio, a cabeça.

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20/07/2013

às 15:00 \ Vasto Mundo

PARA ARREPIAR E HORRORIZAR: Bem-vindo ao inferno de Guantánamo

As ilustrações da revista impressa são de Chaino, e o design de Fabrício Miranda

As ilustrações da revista impressa são de Chaino, e o design de Fabrício Miranda

Texto de Mohamedou Ould Slahi, reportagem de Larry Siems, da revista Slate, edição e tradução de Bruno Garattoni, publicado em edição impressa da revista Superinteressante

BEM-VINDO AO INFERNO GUANTÁNAMO

Numa base militar no caribe, fica a prisão mais dura do mundo. Suspeitos de terrorismo são levados para lá e podem ficar presos para sempre, sem direito a julgamento.

Dos 166 detentos, 130 estão fazendo greve de fome.

E um deles conta, pela primeira vez, como as coisas são por lá. Conheça a vida no pior lugar da Terra.

Mohamedou Ould Slahi se apresentou voluntariamente à polícia de seu país natal, a Mauritânia, em 20 de novembro de 2001. Foi preso, e uma semana depois, a pedido do governo dos EUA, transferido para a Jordânia. Slahi era acusado de ligações com um atentado frustrado no aeroporto de Los Angeles, em 1999.

Por sete meses, foi interrogado pelas autoridades jordanianas, que não acharam nada que o incriminasse. Insatisfeita, a CIA buscou Slahi e o levou até uma base militar americana no Afeganistão.

Em 4 de agosto de 2002, ele foi encapuzado, algemado, drogado e colocado num voo com 30 outros detentos, para uma viagem de 36 horas até a base de Guantánamo, em Cuba, onde está até hoje. Slahi escreveu um livro de 466 páginas contando sua história, The Guantánamo Memoirs. Será em breve lançado pela editora Little, Brown, de Nova York, em co-autoria do repórter e escritor Larry Siems.

Partes dele acabam de ser divulgadas, e você irá ler a seguir. Os trechos riscados foram censurados, antes da liberação do texto, pelo governo dos EUA com base em leis antiterroristas. As passagens em vermelho foram adicionadas pela Superinteressante para facilitar a compreensão do caso.

O interrogatório

Os gritos dos outros presos me acordaram.

Enquanto os guardas serviam comida, nós nos apresentávamos. Não podíamos ver uns aos outros, mas era possível ouvir as vozes. “Eu sou da Mauritânia.” “Eu sou da Palestina.” “Síria.” “Arábia Saudita.”

“Como foi o voo?”

“Eu quase congelei até morrer”, gritou um cara. “Eu dormi a viagem toda”, respondeu [Trecho censurado].

Nós nos chamávamos pelos números de identificação que tínhamos recebido. O meu era 760. Na cela à esquerda estava [Trecho censurado], de [Trecho censurado]. Na cela à direita, havia um cara de [Trecho censurado]. Ele falava mal árabe e dizia que tinha sido capturado em Karachi (Paquistão), onde frequentava a universidade. Nas celas em frente à minha, colocaram dois sudaneses.

O café da manhã foi modesto, um ovo cozido, um pedaço de pão duro e uma outra coisa que não sei o nome. Foi minha primeira refeição quente desde a Jordânia. O chá foi reconfortante.

Eu considerei a chegada a Cuba uma bênção, e disse aos meus irmãos. “Como vocês não estão envolvidos em crimes, não têm o que temer. Eu vou cooperar, porque ninguém vai me torturar.” Eu erroneamente acreditava que o pior tinha passado. Eu confiava demais no sistema judicial americano.

[Trecho censurado]“, disse um dos soldados enquanto segurava longas correntes nas mãos. A palavra [Trecho censurado] é um código, significa que você será levado para um interrogatório. Eu prudentemente obedeci às ordens, e eles me levaram até o interrogador. O nome dele era [Trecho censurado], e ele vestia um uniforme do Exército dos EUA. Falava árabe decentemente, com um sotaque de [Trecho censurado]. Ele me disse que é de [Trecho censurado] e costumava trabalhar como intérprete para os [Trecho censurado].

[Trecho censurado] era um cara amigável. Ele queria que eu contasse mais uma vez toda a minha história. Quando cheguei à parte sobre (o que tinha passado) na Jordânia, ele disse que sentia muito!

“Esses países não respeitam os direitos humanos. Eles até torturam gente.” Me senti confortável por essa crítica a métodos cruéis de interrogatório; significa que os americanos não fariam algo do tipo.

Depois que [Trecho censurado] terminou suas perguntas, me mandou de volta (à cela).

Eles obviamente viam o quão doente eu estava. Eu parecia um fantasma (registros oficiais indicam que Slahi, de 1,70 m, pesava apenas 49 quilos ao chegar à base). No meu segundo ou terceiro dia em Guantánamo, eu desmaiei. Os médicos me tiraram da cela. Vomitei tanto que fiquei completamente desidratado. Recebi primeiros socorros e uma sonda intravenosa. Foi terrível, eles devem ter colocado algum remédio ao qual sou alérgico. Minha boca secou, e minha língua ficou tão pesada que eu não conseguia falar para pedir ajuda. Com gestos, pedi aos guardas que tirassem a sonda, e eles tiraram.

Mais tarde, os guardas me levaram de volta à cela. Eu estava tão doente que não conseguia subir na cama. Dormi no chão o resto do mês. O médico me prescreveu Ensure (suplemento nutricional) e um remédio para hipertensão. Quando eu tinha crises de nervo ciático, os guardas me davam Motrin (anti-inflamatório). Embora eu estivesse fisicamente muito fraco, os interrogatórios não pararam.

Nos primeiros meses em Guantánamo, Slahi foi interrogado por agentes do FBI e da Marinha, que utilizavam métodos tradicionais. Mas, em maio de 2003, começou seu “interrogatório especial” – termo que os militares americanos utilizam para se referir ao uso de técnicas mais fortes, que incluem certos tipos de tortura. Slahi foi transferido para a solitária.

A escolta apareceu na minha cela. “Mexa-se.”

“Para onde vou?”

“Não é problema seu”, disse com raiva o guarda [Trecho censurado]. Mas ele não era muito esperto, pois tinha anotado meu destino em sua luva. [Trecho censurado] era (um lugar) reservado para os piores presos da base. Se você fosse transferido para [Trecho censurado], muitas pessoas deveriam ter autorizado, talvez (até) o presidente dos EUA. As únicas pessoas que eu conhecia que tinham passado algum tempo em [Trecho censurado] eram [Trecho censurado] al Kuwaiti e outro detento de [Trecho censurado].

Ao chegar ao bloco, a coisa começou. Tiraram todos os meus objetos, exceto por um colchonete e um cobertor muito fino, pequeno e velho. Fui privado dos meus livros. Fui privado do meu Corão. Fui privado do meu sabonete. Fui privado da minha pasta de dentes. Fui privado do rolo de papel higiênico que eu tinha.

A cela – ou melhor, a caixa – era refrigerada, o que me fazia ficar tremendo a maior parte do tempo. Fui proibido de ver a luz do dia. De vez em quando, eles me davam um tempo de recreação (fora da cela), à noite, para que eu não visse nem interagisse com ninguém.

Não me lembro de ter dormido direito uma noite; pelos 70 dias seguintes, eu não saberia o que era dormir. Interrogatórios 24 horas, três turnos, às vezes quatro turnos por dia. Eu raramente tinha um dia de descanso. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

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