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partidos políticos

19/09/2014

às 6:00 \ Disseram

Menos corrupção

“Precisamos ter partidos mais autênticos e menos corruptos. As pessoas querem ter vez e voz.”

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, durante discurso em cerimônia do Centro Cultural Turquia-Brasil, em São Paulo

25/07/2014

às 12:00 \ Política & Cia

Defender a Polícia e a Justiça no combate à baderna e ao vandalismo é, agora, “criminalizar os movimentos sociais”. Inventaram até que há “presos políticos” no Brasil!

(Foto: Fernando Cavalcanti)

O vandalismo tenta se esconder por trás do direito de manifestação que a democracia garante (Foto: Fernando Cavalcanti)

OS NOSSOS “PRESOS POLÍTICOS”

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 23 de julho

O fenômeno do “ativismo” ora em curso no país atingiu de vez o nível do delírio.

Convictos de que estão acima das leis e de que o Estado é, por definição, um ente inimigo, os chamados ativistas, também conhecidos como militantes, se dedicam dia após dia a atormentar os cidadãos comuns nas grandes cidades, sob o argumento de que a democracia lhes faculta o direito de bloquear avenidas, de depredar a propriedade alheia e de praticar outros delitos.

Quem disso discorda e defende a necessária ação da polícia e da Justiça contra a baderna e o vandalismo é logo acusado, por uma barulhenta rede de simpatizantes espalhados pelas universidades e pela internet, de advogar a “criminalização das lutas sociais”. Quando finalmente o estado decidiu agir, encarcerando vândalos que se dizem “ativistas”, essa rede imediatamente reagiu, dizendo que os detidos e os indiciados são “perseguidos políticos” – uma farsa que expõe seja a má-fé, seja a confusão moral dessa turma.

O caso mais recente, envolvendo uma advogada que diz prestar assistência jurídica a manifestantes, dá a exata medida dessa tentativa cínica de desmoralização do Estado Democrático de Direito no Brasil. A advogada Eloísa Samy, acompanhada de dois adeptos da violenta tática Black Bloc, foi ao Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro para – pasmem – pedir asilo político.

Eloísa, de 45 anos, é considerada foragida da Justiça, porque foi denunciada pelo Ministério Público do Rio por associação criminosa. Ela e outros 22 “ativistas” tiveram a prisão decretada pela 27.ª Vara Criminal do Rio. O inquérito da Polícia Civil que baseou a denúncia concluiu, conforme revelou o jornal O Globo, que os acusados planejavam atacar seus alvos com explosivos no dia 13 de julho, quando foi disputada a final da Copa do Mundo.

Em vídeo que gravou para expor sua versão, Eloísa afirma que está sendo perseguida em razão de sua “atuação na defesa do direito de manifestação”. O promotor Luís Otávio Figueira Lopes afirma, no entanto, que a advogada, “escudando-se em um suposto exercício da atividade profissional”, prestou “apoio logístico” aos delinquentes, “cedendo sua residência para reuniões” de preparação de atos violentos.

É bem possível que Eloísa e seus colegas acreditassem que o Uruguai fosse mesmo lhes dar asilo. Afinal, o país é governado por José Mujica, aquele presidente simpático e modernoso que defende a liberação da maconha. Ele receberia, pois, os “perseguidos políticos” de braços abertos.

A reação da diplomacia uruguaia, porém, escancarou o ridículo da situação. A cônsul-geral Myriam Fraschini Chalar informou aos solicitantes que o Brasil “é um autêntico Estado Democrático de Direito”, razão pela qual não há perseguidos políticos no país nem motivo para conceder asilo.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

18/07/2014

às 12:00 \ Disseram

Pelo fim dos partidos laranjas?

“Defendemos um projeto de lei que possa mudar substancialmente a política brasileira, ter partidos mais sérios, acabar com os partidos laranjas, os partidos de aluguel, acabar com os partidos que utilizam seu tempo para fazer negócio.”

Lula, ex-presidento, em vídeo divulgado por seu instituto que incentiva uma reforma político

12/10/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Roberto Pompeu de Toledo: 32 partidos políticos, e nomes ao léu “neztepaiz”

Na já grande seara de partidos, dois novos nomes -- um não foi aprovado

Na já grande seara de partidos, dois novos nomes — um não foi aprovado

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

NOMES AO LÉU

Que há num nome?, pergunta Julieta a Romeu. Ela mesma responde: “O que chamamos rosa, mesmo com outro nome, teria o mesmo doce odor”.

Quem procurar o que há no nome dos partidos políticos brasileiros vai se perder numa sopa de umas poucas palavrinhas que, repetidas à exaustão, mais os confundem do que os singularizam.

Nos últimos quinze dias, o generoso sistema político brasileiro acolheu mais duas agremiações, uma com um nome comprido — Partido Republicano da Ordem Social (Pros) — e outra com um curto — Solidariedade. Uma terceira, que escolheu o nome exótico, para um partido, de Rede Sustentabilidade, foi reprovada.

Por que o Solidariedade, que apresentou assinaturas falsas no seu rol de apoiadores, recebeu a aprovação do Tribunal Superior Eleitoral, enquanto a Rede Sustentabilidade, de comprovada lisura, não o mereceu, é mistério fora do alcance do colunista.

Nosso tema será mais ligeiro e mais fútil, como convém a um universo pândego como o do sistema partidário brasileiro.

Com os dois nascidos nas últimas semanas, são 32 os partidos brasileiros. São muitos. Mas são poucas as palavras com que se identificam, cada qual usando uma combinação diferente das mesmas e surradas fórmulas “social/socialista”, “trabalhista/trabalhadores”, “democrata/democrático” ou “república/republicano”.

A família com maior número de ocorrências é a social/socialista — dez, variando dos conhecidos Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Partido Socialista Brasileiro aos nanicos Partido Social Democrata Cristão e Partido Social Liberal. Reconheçamos que “social” e “socialista” não apontam para a mesma coisa.

Mas reconheçamos também que, no caso brasileiro, nem todos os “socialistas” apontam para o socialismo, nem os “sociais” às políticas sociais, quando apontam para alguma coisa. Socialistas e sociais confundem-se no gosto pelo antepositivo soci-, tido como de miraculoso efeito junto ao eleitorado.

Vêm em seguida os partidos com “trabalhista/ trabalhadores“ no nome — oito, no total. “Dos trabalhadores” são dois — o PT e o PSTU. Este, além de ser dos trabalhadores, é socialista, e para culminar declara-se “unificado”.

A julgar pela quantidade de partidos “social/socialistas” e “trabalhistas/trabalhadores”, no entanto, é forçoso concluir que por enquanto a unificação pouco avançou. Os que se chamam de “trabalhista” são seis, dos mais conhecidos PTB e PDT ao PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil) e PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro).

Os trabalhadores do Brasil estão muito bem servidos. Têm ainda à disposição as variedades Trabalhista Cristão e Trabalhista Nacional, basta decifrar o que significam. Mas os democratas não ficam atrás — os partidos com democrata/democrático no nome são também seis — os veteranos PMDB, PSDB, PDT e DEM, o novato PSD do ex-prefeito Kassab e, por último, o menos cotado Partido Social Democrata Cristão, do ei-ei-ei Eymael, o sorridente cavalheiro que, entra eleição, sai eleição, bate seu ponto.

Quatro partidos apresentam-se com as palavras “república/republicano”, três com “nacional”, outros três com “cristão” e dois com “progressista”. Já conhecemos a receita. Pega-se um “trabalhista” aqui, um “social” ali, um “republicano” acolá, mistura-se bem, mexe-se, coa-se, acrescenta-se um “brasileiro” ou “nacional” a gosto e está batizado o partido. Raramente se vai além disso.

Os dois surgidos nos últimos dias, porém — reconheça-se —, de certa forma foram. O Solidariedade nem tanto, uma vez que apenas procura tirar vantagem em cima do famoso movimento polonês dos anos 1980, sendo que a distância entre um e outro é tão notável na dimensão histórica quanto na existente entre as figuras de Lech Walesa e do Paulinho que gosta de apelidar-se “da Força”.

Mais significativa é a contribuição do Partido Republicano da Ordem Social, o Pros, ao trazer a palavra “ordem” de volta ao quadro partidário. A última vez que ela se fez presente foi no Prona, o Partido da Reedificação da Ordem Nacional (nada menos do que isso), do falecido Enéas.

O Pros defende a “ordem social”. Talvez a “ordem” só tenha entrado para ajudar na sonoridade da sigla. Mas talvez o propósito seja mesmo cuidar da ordem social — um setor que andava negligenciado desde a extinção do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), de memorável atuação no Estado Novo e na ditadura militar.

29/09/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Brickmann: No Brasil, partido não é um instrumento para chegar ao poder — é um instrumento para chegar ao dinheiro

Notas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje, domingo, em vários jornais

Há algo em comum entre os 32 partidos políticos do país.

Não, não é o nome Partido: o Solidariedade, de Paulinho, não se chama “partido”. E a Rede, de Marina Silva, se vier a ser registrada definitivamente também não terá este nome.

O que têm em comum é que todos podem aliar-se em eleições estaduais, combater-se em eleições federais, ou vice-versa, unir-se em torno de um candidato, opor-se a ele. E ninguém vai estranhar o ziguezague: aqui, acredita-se, partido é assim mesmo.

Se um partido pode tudo, sem qualquer preocupação com programas de governo ou com alguma ideologia, por que tantos políticos se preocupam em criar outros partidos? Para que formar 32 partidos?

Para que servem?

Que é que são?

São minas de ouro – com a vantagem de não exigir investimento para extraí-lo.

Há montanhas de dinheiro público à disposição de seus dirigentes. O Fundo Partidário distribuiu no ano passado R$ 286,2 milhões. A propaganda política chamada de gratuita custa ao Tesouro perto de R$ 900 milhões em ano eleitoral (só é gratuita para o partido, porque a conta vem para nós).

Os dois partidos novos, PROS e Solidariedade, mal se formaram e já levam R$ 30 milhões anuais do Fundo Partidário.

No Brasil, partido não é um instrumento para chegar ao poder. No Brasil, partido normalmente é um instrumento para chegar ao dinheiro.

Sigam o caminho do dinheiro, dizia aos repórteres que desvendavam o escândalo Watergate sua principal fonte, apelidado de Garganta Profunda.

Quer saber por que surgem tantos partidos? Siga o dinheiro. Há gente com bolsos profundos.

Além da imaginação

Mas é pura ingenuidade acreditar que com este dinheiro os partidos ficam saciados.

Há ainda os cargos públicos com nomeações sem concurso, prêmio extra pelo apoio eleitoral; há o aluguel do horário gratuito, nem sempre oferecido gratuitamente pelos partidos menores aos aliados maiores.

E há certas transferências da organização para os organizadores que, quando descobertas, se transformam em escândalo.

Mas como querer que os beneméritos organizadores, que dedicam a vida ao partido e à democracia, paguem suas contas pessoais no fim do mês?

Os insaciáveis

Com tudo isso, ainda há quem queira que as campanhas sejam financiadas por dinheiro público. Como vimos, já são. O que querem é mais dinheiro público.

23/06/2013

às 19:30 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: O bumerangue que o lulopetismo soltou voltou ao ponto de partida

Dilma (Foto: AFP)

Dilma (Foto: AFP)

Por Carlos Brickmann

Duas notas da coluna de Brickmann publicada hoje por diversos jornais

É A VOLTA DO CIPÓ DE AROEIRA

Tudo começou como um movimento de extrema esquerda: na primeira passeata em São Paulo, militantes do MPL, PSTU, PSOL e PCO, com bandeiras, estavam à frente, bloqueando a Avenida Paulista.

O MPL, Movimento Passe Livre, foi criado pelo Fórum Social Mundial, organização assumidamente de esquerda, na reunião de 2005.

O domínio de Internet usado pelo MPL pertence a uma ONG próxima ao PT, Alquimídia, que recebe recursos da Petrobras e do Ministério da Cultura e até o início das passeatas trazia no site os símbolos governamentais.

Mas o movimento caiu no gosto do público e atraiu gente que não tinha nada de esquerdista: queria protestar contra a corrupção, o desperdício do dinheiro público, o custo da Copa, os gastos de parlamentares, o mensalão, os problemas da saúde, problemas sempre associados ao Governo.

O que era para ser um movimento contra a alta das tarifas virou ponto de encontro de descontentes com o governo e o PT – a ponto de manifestantes se reunirem em frente à residência de Lula, em São Bernardo (SP), gritando insultos, e de manifestantes se concentrarem diante da residência do prefeito petista Fernando Haddad, em São Paulo.

O radicalismo antipetista chegou a acusar a Globo de estar a serviço do PT.

É sensível a queda de prestígio do governo. Ruim: este é o governo que temos, gostemos ou não, e que até o fim de 2014 tem a tarefa de gerir o país.

O bumerangue foi e voltou, atingindo quem se sentiu esperto ao ter a brilhante ideia de lançá-lo.

Como diz o provérbio ídiche, o homem planeja e Deus ri.

Millôr e a passeata

Millôr Fernandes, gênio do texto e da frase, assim sintetizava a democracia:

“Todo homem tem o sagrado direito de torcer pelo Vasco na arquibancada do Flamengo”.

Foi o que faltou na grande passeata quase pacífica da Avenida Paulista, quando militantes de partidos políticos foram expulsos pelos demais manifestantes, ampla maioria na demonstração.

É verdade que a postura dos militantes partidários foi provocadora. Petistas, seguindo as ordens do presidente do partido, Rui Falcão, tentaram tomar a frente da passeata, para aparentar que a controlavam; outros grupos partidários também se uniformizaram e levaram bandeiras próprias, não as da manifestação.

Mas, por provocadores que fossem, tinham esse direito, que lhes foi negado. Millôr tem razão.

Mas também é verdade que quem torce pelo Vasco na arquibancada do Flamengo tem de assumir o risco.

25/10/2012

às 16:27 \ Política & Cia

Lya Luft: Os que não votaram

 Artigo publicado na edição impressa de VEJA que está nas bancas

 

Os que não votaram

 

 OS QUE NÃO VOTARAM

As notícias de todos os lados me dizem que o número de brasileiros que não votaram, isto é, abstenções ou votos nulos, cresceu grandemente, chegando a mais de 25% dos eleitores.

Nestes dias tumultuados de novidades — com a atenção daqueles que pensam e observam presa no Supremo, que salva algo da nossa moral e dignidade, ou com um brevíssimo espreitar no segundo turno das eleições, com seu jogo nada original de busca pelo poder —, fiquei refletindo sobre a razão dessa abstenção, pois a votação é obrigatória, coisa que, aliás, considero erro e atraso.

Se não tivermos liberdade de eleger nossos líderes, representantes, governantes, não deveriam nos forçar, ou recorreremos à abstenção.

Lya Luft

Lya Luft

Quanto a ela, vejo dois motivos possíveis. Primeiro, descrença e desalento. A proliferação de partidos e o troca-troca de legendas, além das fusões, alianças e conluios, nos desorientam e desestimulam.

Afinal, quem é quem, nessa sopa de letrinhas, quem tem quais projetos, que linha, que espinha dorsal, que conduta e quais propostas são originais, reais e vão ser executadas?

Os inimigos figadais aqui e ali dançam um minueto, antigos aliados hoje cruzam punhais em duelos estranhos ou cômicos, figuras inusitadas ou velhíssimos figurões desfilam, mas a gente não sabe direito a que vieram ou como voltaram aos palcos.

Em segundo lugar, talvez falte interesse em saber, em deslindar, em escolher e decidir. Ou melhor, os interesses e as seduções são outros.

Não nos abalam corrupção, falta de ética, despreparo, improvisações, o extraordinário nivelamento por baixo a corroer nossas universidades, agora com aumento das cotas, que nos farão descer ainda mais na posição entre as piores do mundo.

Muito mais do que melhorar o país, queremos consumir. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

29/09/2012

às 20:02 \ Política & Cia

SÃO PAULO: Russomanno, o Menino Malufinho, convivendo intimamente com a dupla que a Delta e outras grandes empreiteiras usavam para lavar dinheiro

Russomanno na casa do Abbud, com Adir Assad e o presidente estadual do PRB

Russomanno na casa do Abbud, com Adir Assad e o presidente estadual do PRB

Nota de Lauro Jardim publicada no Radar On-Line em 26 de setembro de 2012

RUSSOMANNO E O LARANJAL DA DELTA

Veja como esse mundo é mesmo pequeno. Quem poderia imaginar uma festinha entre os fornecedores de notas fiscais do laranjal da Delta Construções Adir Assad e Marcelo Abbud (leia mais em Se a PF procurar, acha) com o líder das pesquisas de intenção de voto em São Paulo, Celso Russomanno?

Pois a imagem aí de cima mostra tudo isso e mais alguns personagens, como o presidente estadual do PRB, Vinicius Carvalho, em uma alegre noite de maio deste ano na casa de Abbud.

Qual será a justificativa de Russomanno para conviver tão intimamente com essa dupla que a Delta e outras grandes empreiteiras usam para lavar dinheiro?

Será que ano eleitoral é também ano de fazer novas amizades?

Para quem não lembra, Assad e seu sócio Abbud estão por trás de um conjunto de empresas fantasmas identificado pelo Coaf como destinatário de pelo menos 93 milhões de reais em recursos da empreiteira de Fernando Cavendish, entre janeiro de 2010 e julho de 2011. Registradas no nome de laranjas, as empresas foram abertas nos anos eleitorais de 2008 e 2010.

Mas a dinheirama não foi usada para abonar serviços de engenharia.

Ela saiu do caixa da Delta principalmente para pagar propina a servidores públicos e abastecer caixa dois de campanhas eleitorais. O esquema de Assad e Abbud está tão enraizado nos partidos que o seu silêncio na CPI mista do Cachoeira é garantido a peso de ouro.

20/07/2012

às 16:00 \ Política & Cia

Ser dono de partido nanico é uma beleza — e uma riqueza. Vejam só

Ilustração: forbes.com

Aí, batalha por mais assinaturas, recebe o registro permanente e, tenha ou não representatividade social, passa a receber benesses propiciadas pela legislação eleitoral.

O falecido Leonel Brizola chamava-os, com toda razão de “partidecos”.

Veja o que diz o colega jornalista Ilimar Franco, em O Globo de hoje:

Dinheiro não é vendaval

Ser dono de um partido nanico é um grande negócio.

Pode-se viver dele graças ao dinheiro do fundo partidário.

Um partido como o PHS, com um deputado federal, vai receber durante este ano cerca de 1,6 milhão de reais.

O PRTB, que disputa a prefeitura de São Paulo, com a candidatura de seu presidente, Levy Fidelix, receberá 1,1 milhão.

O PRB, do ministro Marcelo Crivella (Pesca), com nove deputados, terá verba de 3,3 milhões.

Essa generosidade legal explica por que há cerca de 30 partidos no país.

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Agora volto eu: até quando esperaremos uma reforma política que, NO MÍNIMO, elimine essas barbaridades — como também os suplentes de senador, geralmente financiadores das campanhas dos titulares (gente, portanto, que de alguma forma “compra” uma cadeira no Senado da República) ou, vergonha das vergonhas, filhos, irmãos, pais ou cônjuges dos senadores eleitos.

Gente sem voto — e, como diriam com mais desinibição na Espanha, também sin verguenza.

07/11/2011

às 15:03 \ Política & Cia

Ricardo Noblat: “o governo apodreceu”

"O Grito", litogravura de Edward Munch (1895)

Amigos, reproduzo excelente artigo do jornalista Ricardo Noblat, velho amigo e companheiro de redação, sobre os mecanismos podres que movimentam nossos partidos políticos. A ilustração é a mesma que ele utiliza em seu prestigioso blog.

O que o Noblat escreve é triste, mas é verdade. O título original é o que vai em negrito abaixo. Confiram:

Mau cheiro

Somente os muito ingênuos acreditam que os partidos brigam por cargos interessados em ajudar o governo a fazer o bem do país – e nada mais.

Nunca foi assim. E pelo jeito jamais será.

Os partidos ambicionam cargos para roubar. O dinheiro enche os bolsos dos seus dirigentes e financia campanhas que custam cada vez mais caro. É simples assim.

Surpreso? Não brinque.

Candidato rico pode até gastar parte do seu dinheiro para se eleger. São raros.

O senador Blairo Maggi (PR-MT) talvez seja um deles. Sua fortuna cresceu 356% entre 2006 e 2010 quando governou Mato Grosso pela segunda vez consecutiva. É o rei da soja. E a soja, sabe como é…

De remediado para baixo, candidato usa o dinheiro dos outros para se eleger. E fica devendo favores que depois tenta pagar no exercício do mandato.

Emplacar um protegido em cargo de relevo é meio caminho andado para pagar o que deve e sair com lucro. Perguntem ao experiente senador José Sarney se não é…

Há uma secretária de empresa estatal da área de energia que só faz uma coisa durante o expediente: cuidar dos interesses do senador. Ora ela atende o próprio, ora algum dos filhos dele.

Antes que passe pela cabecinha de Sarney a ideia de me processar, adianto logo: tudo o que ele faz, tudo mesmo, é legal. Fui claro? Fui convincente?

Estamos conversados. Adiante.

O PT só chegou ao poder que de fato importa quando resolveu se comportar como os demais partidos. Lula cansara de perder. Então arquivou a vergonha.

Certo dia, entre 1998 e 2002, chamou José Dirceu e disse mais ou menos isto: “Só serei candidato pela quarta vez se for para ganhar. E para ganhar vale tudo”.

Valeu, por exemplo, comprar o passe do Partido Liberal (PL) de Valdemar Costa Neto por pouco mais de R$ 6 milhões. Lula assistiu à compra sentado num terraço de apartamento, em Brasília.

Parte do dinheiro para a compra foi doada pelo seu então candidato a vice, José Alencar. O apoio do PL resultou em mais tempo de televisão e de rádio para Lula. Apoio de partido vale por isso.

No primeiro mandato, Lula recusou-se a pagar o preço pedido pelo PMDB para apoiá-lo. O PMDB queria cargos, muitos cargos. E autonomia para tirar proveito deles.

Contrariando José Dirceu, Lula imaginou que poderia governar comprando apoios a cada votação importante no Congresso. O mensalão derivou disso. E deu no que deu.

(Para continuar lendo o artigo de Noblat, clique aqui).

 

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