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Partido Comunista do Brasil

20/10/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: U zianque, a zelite, o vendaval

Um Governo que, para cumprir sua decisão, precisa chamar o Exército, mostra que não se sente forte

“Um governo que, para cumprir sua decisão [de realizar o leilão de concessão do campo petrolífero de Libra], precisa chamar o Exército, mostra que não se sente forte”

Notas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publicou hoje, domingo, em vários jornais

UZIANQUE, A ZELITE, O VENDAVAL

Faz 50 anos. Diante da movimentação das Ligas Camponesas, do desafio à hierarquia militar, de anúncios de gente ligada ao governo sobre reformas “na lei ou na marra”, o governador paulista Adhemar de Barros advertiu: “Vai chover”.

Choveu. A chuva inundou o Brasil por 21 anos, e tem consequências até hoje.

Dilma Rousseff teve de chamar o Exército para garantir o leilão do campo petrolífero de Libra, no pré-sal, marcado para esta segunda. Os petroleiros decidiram entrar em greve contra o leilão, acusando as elites brasileiras de vender o país aos estrangeiros – de novo, a ligação entre o que chamam de A Zelite e U Zianque.

Este leilão é defendido por um especialista no ramo, Haroldo Lima, líder histórico do Partido Comunista do Brasil, que pode ser tudo menos amigo du Zianque. [O ex-deputado comunista Haroldo Lima foi diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — ANP — de 2005 a 2011]

Aliás, muitas das grandes empresas petrolíferas ocidentais preferiram ficar fora; mas as grandes estatais petrolíferas chinesas estão na disputa. Sejam suas alegações falsas ou não, a greve dos petroleiros é explosiva: pode parar o país – como, em 1973, a greve dos caminhoneiros parou o Chile. E deu no que deu.

Um governo que, para cumprir sua decisão, precisa chamar o Exército, mostra que não se sente forte. Instituições que não conseguem impedir o MST e o MTST, as Ligas Camponesas de hoje, de invadir prédios do governo e ocupar áreas privadas, nem se sentem em condições de enfrentar mascarados que usam porretes, marretas, estilingues e pedras, mostram fragilidade.

Exército e polícias estão descontentes com verbas e salários.

O clima é instável, sujeito a chuvas.

Pequim é aqui

O Windsor Barra Hotel, um dos mais luxuosos do Rio, com 338 apartamentos de frente para o mar, está inteiramente tomado por chineses.

Por coincidência, este é o hotel em que será realizado o leilão do campo petrolífero de Libra.

03/11/2011

às 15:11 \ Política & Cia

Roberto Pompeu de Toledo: o PC do B, coerente só no stalinismo

Patrícia Galvão e Olga Benário: apropriação indébita

Patrícia Galvão e Olga Benário: apropriação indébita (Fotos: Wikipédia)

Amigos, para mim é sempre um privilégio poder publicar artigos, sempre originais, inteligentes e primorosamente escritos, do jornalista Roberto Pompeu de Toledo. Ainda mais como, neste caso, e como quase sempre, concordo com cada palavra do texto, publicado na edição de VEJA que está nas bancas desta semana.
O título original é o de abaixo. Os intertítulos foram colocados por nós.
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‘À moda stalinista’

Roberto Pompeu de ToledoPouco antes de jogar a toalha, na semana passada, e entregar a cabeça do ministro do Esporte, Orlando Silva, o PC do B tentou reinventar seu passado.

No programa de propaganda obrigatória que foi ao ar no dia 20, apresentou como emblemas do partido Luís Carlos Prestes, Olga Benario, Jorge Amado, Portinari, Patrícia Galvão (a Pagu), Oscar Niemeyer e Carlos Drummond de Andrade.

Era uma fraude similar às operações do programa Segundo Tempo. Dos sete, os seis primeiros pertenceram ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o arquirrival do Partido Comunista do Brasil (PC do B). O sétimo, o poeta Carlos Drummond de Andrade, não foi nem de um nem de outro.

Safar-se do escândalo pegando carona

O partido tentava, num programa de TV em que jogava as últimas fichas para safar-se do escândalo no Ministério do Esporte, pegar carona num casal de ícones da história brasileira (Prestes e Olga) e em algumas das mais queridas figuras da cultura do país.

O caso menos grave é o de Oscar Niemeyer, o único vivo do grupo. Apesar de ter sido militante do PCB, já apareceu em programas anteriores do PC do B, do qual aceita as homenagens.

O mais grave é o de Prestes. O PC do B surge, em 1962, do grupo que, no interior do PCB, discordou da denúncia do stalinismo promovida na União Soviética após a morte do ditador. O PC do B, com um curioso “do” no meio da sigla, será daí em diante o guardião da pureza stalinista. Os outros são a “camarilha de renegados”. E o renegado-mor, claro, é Prestes, o líder do PCB.

Apropriando-se de Prestes, o “renegado-mor”

No verbete “PC do B” da Wikipédia, escrito num tão característico comunistês que não deixa dúvida quanto à sua procedência oficial, Prestes é tratado de “revisionista” (insulto grave, em comunistês) e acusado de ter “usurpado a direção partidária”. Também se diz ali que “abandonado à própria sorte, em idade avançada”, Prestes “dependerá de amigos como Oscar Niemeyer para sobreviver”.

Eis colocadas na mesma cloaca da história (o comunistês é contagiante) duas figuras que agora o PC do B alça ao altar de seus santos.

Entre os outros casos de usurpação biográfica, a alemã Olga, primeira mulher de Prestes, foi fiel soldado das ordens de Moscou. Morreu muito antes de surgir o desafio do PC do B, mas é de apostar que essa não seria a sua opção. Portinari e Pagu morreram, no mesmo 1962 do cisma comunista, ele fiel à linha de Moscou, ela convertida ao trotskismo, portanto inimiga do stalinismo.

Jorge Amado na década de 60 já tinha o entusiasmo mais despertado pelo cheiro de cravo e pela cor de canela do que pela causa do proletariado. Em todo caso, sua turma era a de Prestes, o “Cavaleiro da Esperança” que cantara num livro com esse título.

portinari-prestes

Portinari morreu no ano do "racha" e Luís Carlos Prestes, o "revisionista": o primeiro não mudou de lado e o segundo desprezava o PC do B e era furiosamente combatido pelo partido

O caso estapafúrdio do poeta Drummond

O caso mais estapafúrdio é o de Drummond. Nos anos 1930/1940 ele praticou uma poesia de cunho social e filocomunista. Chegou a colaborar com o jornal Tribuna Popular, do PCB. Mas nunca se filiou ao partido. Cultivou a virtude de nunca ser firme ideologicamente. O namoro com o comunismo, dividia-o com a fidelidade ao Estado Novo, ao qual serviu no Ministério da Educação.

No pós-guerra, mitigava o comunismo com a sedução pela UDN do amigo e mentor Milton Campos. Em 1945 votou para senador em Luís Carlos Prestes, do PCB, e para presidente em Eduardo Gomes, da UDN. E, em 1964, apoiou o golpe militar. “A minha primeira impressão foi de alívio, de desafogo, porque reinava realmente, no Rio, um ambiente de desordem, de bagunça, greves gerais, insultos escritos nas paredes contra tudo. Havia uma indisciplina que afetava a segurança, a vida das pessoas”, explicou numa entrevista, transcrita em livro recente (Carlos Drummond de Andrade, Coleção Encontros).

Agora vem o PC do B dizer que Drummond foi um dos seus!?

Um partido coerentemente stalinista

Desconcertante história, a desse partido. A defesa do stalinismo levou-o a festejar o grande timoneiro Mao Tsé-tung e, quando o timão do chinês emperrou, buscar inspiração na Albânia do “Supremo Camarada” Enver Hoxha.

Arriscou uma aventura guerrilheira nos barrancos do Araguaia. E, em anos recentes, encantou-se pela UNE e pelo monopólio da carteirinha de estudante, declarou ao esporte um amor insuspeitado em quem associava o partido à figura franzina do patrono João Amazonas (1912-2002) e recrutou, para reforço de suas chapas, jogadores de futebol (Ademir da Guia, Muller) e cantores (Netinho de Paula, Martinho da Vila) em quem nunca se suporia inclinação pela causa da foice e do martelo.

Se há uma coisa em que manteve a coerência, é no vezo stalinista. Stalin mandava cortar das fotos dirigentes do partido caídos em desgraça. O PC do B inclui em suas fileiras gente que lhe foi alheia.

Pelo avesso, chega ao mesmo fim de falsificar a história.

 

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