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ONU

01/12/2013

às 12:10 \ Disseram

Peter Wittig: Os mesmos direitos que as pessoas têm fora da internet também devem ser protegidos on-line”

“Os mesmos direitos que as pessoas têm fora da internet também devem ser protegidos on-line”

Peter Wittig, embaixador alemão na ONU, ao comentar a aprovação, por um comitê da entidade, do projeto de resolução apresentado por seu país e o Brasil no qual é pedido o fim da espionagem eletrônica; o texto será votado na Assembleia-Geral das Nações Unidas

28/11/2013

às 15:15 \ Política & Cia

Mídia estrangeira aponta atuação decisiva de general brasileiro para estabilização no Congo

General brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz (Foto: ONU / MONUSCO)

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, comandante das forças da ONU no Congo: atuação elogiada (Foto: ONU / Monusco)

Publicado no portal DefesaNet

MÍDIA ESTRANGEIRA APONTA ATUAÇÃO DECISIVA DE GENERAL BRASILEIRO PARA ESTABILIZAÇÃO NO CONGO

Há pouco mais de uma semana, o Exército congolês anunciou uma vitória militar de enorme significado: o fim da rebelião do Movimento 23 de Março (M23), no Leste da República Democrática do Congo (RDC), depois de uma insurgência de 20 meses que custou a vida de milhares de congoleses.

O feito histórico foi possível a partir da intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU), que instituiu uma missão de estabilização no país (Monusco) autorizada a usar a força, pela primeira vez, contra os combatentes.

À frente dessa missão, o general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz tem sido apontado, pela mídia internacional, como fator decisivo para o sucesso da campanha.

Indicado para o posto de comando no Congo no primeiro semestre deste ano, Santos Cruz liderou uma experiência inédita entre os chamados capacetes azuis: a Brigada de Intervenção, uma unidade de soldados da ONU que tem autoridade e equipamentos para ações ofensivas que garantam a manutenção da paz em regiões de conflito.

Foi assim que, ao lado do exército congolês, o comandante brasileiro conseguiu derrotar os rebeldes do grupo armado M23.

Na ocasião de sua nomeação, Santos Cruz, que também dirigiu as operações de manutenção da paz no Haiti, chamou atenção para a relevância da escolha da ONU: “Isso faz parte do prestígio do Brasil que há tempos vem se projetando no cenário internacional”. E completou: “É a combinação da diplomacia, da experiência militar e da determinação do governo”.

Pelo menos duas agências de notícia – BBC e Reuters – e o jornal português Diário de Notícias – um dos mais conceituados periódicos – deram destaque para os resultados obtidos no Congo.

De acordo com a matéria da Reuters, por exemplo, há um ano era impossível imaginar que o Congo se livraria de uma guerra prolongada. Porém, na última semana, de acordo com a agência, o grupo rebelde M23 se rendeu.

A BBC também trata do tema referente aos esforços de paz naquele país. Para a agência britânica, que distribui matérias no idioma português, as análises de especialistas mostram que a missão de paz é um importante avanço na pacificação do Congo.

Segundo os analistas, o M23 era um dos mais resistentes ao processo de deposição de armas.

Para o jornal português, que realizou entrevista exclusiva com o general Santos Cruz, o fato de ser brasileiro foi um dos fatores para o sucesso da missão de paz.

“Como o Brasil também tem um pouco de raízes africanas, é fácil perceber como aqui é um lugar maravilhoso, muito bonito. Então toda essa simpatia pelo local e pelo povo ajuda a gente a se sentir bem e a trabalhar da melhor maneira pela paz,” disse Santos Cruz ao DN.

20/10/2013

às 18:03 \ Política & Cia

O Haiti estará seguro e preparado para voltar a crescer em 2016, diz coronel brasileiro que participou da missão da ONU. Mas continuará sendo o país mais pobre da América Latina

Minustah -- nome dado às tropas da missão da ONU no Haiti -- completa 10 anos (Foto: Vanderlei Almeida / AFP)

Minustah — nome dado à missão pacificadora da ONU no Haiti — completa 10 anos  em 2014. Na foto, soldados brasileiros em Porto Príncipe (Foto: Vanderlei Almeida / AFP)

Reportagem de Milena Buarque, para o Repórter do Futuro

“HAITI VAI CONTINUAR SENDO O PAÍS MAIS POBRE DA AMÉRICA”, DIZ CORONEL DO EXÉRCITO

Enquanto muitos problemas permanecem sem solução, Minustah completa dez anos em 2014

Em 2016, o Haiti estará seguro, estável e preparado para voltar desenvolver sua economia. Para o coronel brasileiro José Mateus Teixeira Ribeiro, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), após quase dez anos de operações na região, terá cumprido o seu papel. “O principal objetivo é dar tempo da formação e estruturação da Polícia Nacional Haitiana (PNH)”, diz o oficial de comunicação do Centro de Comunicação Social do Exército que serviu, ele próprio, no Haiti. No entanto, prevê, o país “vai continuar sendo o mais pobre da América”.

A República do Haiti há muito não sabe o que é sobreviver por seus próprios recursos. Em 30 de abril de 2014, as tropas da Minustah completam dez anos de trabalho. Quando criou a Missão, nos idos de 2004, o Conselho de Segurança das Nações Unidas teve como objetivo iniciar uma operação que pudesse trazer de volta a estabilidade, a pacificação da região e o desarmamento de grupos de guerrilheiros e de quadrilhas de criminosos comuns, em seguida ao caos que se abateu sobre o país após a deposição, por golpe militar, do presidente Jean-Bertrand Aristide .

Prestes a comemorar 32 anos de Exército, bacharel em História, e ex-integrante no 17º Contingente no Haiti –, que embarcou para a capital, Porto Príncipe, em 4 de novembro de 2012 para uma estada de 6 meses, com 652 militares, vindos de vários Batalhões espalhados pelo país – como oficial de comunicação social, o coronel Mateus não se esqueceu do que viu no país caribenho. “Parecia que as pessoas tinham saído de um campo de concentração nazista”, sintetiza sem exagerar no drama.

Foram raros os espasmos de democracia ao longo da história do Haiti, que declarou em 1804 sua independência da França e só conseguiu governos estáveis sob ditadura. Dezenas de golpes de Estado substituíram um ditador por outro e, eventualmente, encerravam curtas experiências democráticas.

Em 2004, o país se desestruturou mais uma vez, após um período de insurgência e a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide, em sua terceira passagem pelo poder. Sob a acusação de prática de abusos contra os direitos humanos e de corrupção, Aristide, ex-padre católico, rumou para o exílio na África do Sul.

Restou para a ONU a criação da ambiciosa missão, com comando entregue ao Brasil, que já havia tido experiências similaraes em Moçambique e Angola. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

18/10/2013

às 15:00 \ Política & Cia

“MAIS MÉDICOS”: Estava tudo combinado — um jeitinho para enviar dinheiro a Cuba

RAPAPÉS -- Carissa Etienne, diretora da Opas, com o ditador Raúl Castro, em Havana, em julho: elogios à obsoleta medicina cubana (Foto: Granma)

RAPAPÉS — Carissa Etienne, diretora da Opas, com o ditador Raúl Castro, em Havana, em julho: elogios à obsoleta medicina cubana (Foto: Granma)

Reportagem de Leonardo Coutinho, publicada em edição impressa de VEJA

ESTAVA TUDO COMBINADO

Documentos oficiais mostram que o Mais Médicos foi concebido para enviar dinheiro à ditadura de Cuba — e que o governo brasileiro escondeu o acordo durante meses

Desde o colapso da União Soviética, no início dos anos 90, Cuba ficou à míngua, sem um padrinho para financiar sua ditadura comunista. Na década passada, esse papel passou a ser desempenhado pela Venezuela de Hugo Chávez e por outros países latino-americanos governados por simpatizantes.

Com o PT no poder, o Brasil tem contribuído sem alarde com empréstimos camaradas do BNDES e, descobre-se agora, com a importação de médicos.

Em maio passado, o então chanceler Antonio Patriota anunciou o plano de trazer 6.000 médicos da ilha para atuar nos rincões do Brasil. O que Patriota não disse é que o “plano” era, na verdade, um fato consumado. O acordo para a importação de médicos cubanos já havia sido assinado no mês anterior, valendo-se de um subterfúgio para não tornar pública a verdadeira natureza do negócio.

O contrato falava, em termos genéricos, de uma “contratação de profissionais temporários” e em nenhum trecho citava Cuba ou médicos cubanos. Isso era possível porque, formalmente, o acordo foi fechado entre o Ministério da Saúde e a Organização Panamericana de Saúde (Opas).

Na prática, a entidade vinculada à ONU era apenas a intermediária da transferência de recursos dos contribuintes brasileiros para a ditadura cubana (o que também não era dito no acordo original). » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

15/10/2013

às 14:00 \ Tema Livre

Com a virtual censura a biografias não autorizadas, estamos dando “bai-bai brazil” à palavra e à imagem, num país abandonado pelos políticos e, agora, surpreendentemente, também pelos próprios intelectuais

Foto de Manuel Bandeira, Mário de Andrade e outros 14 escritores na Semana de Arte Moderna de 1922. O articulista não obteve a tempo as 16 autorizações dos herdeiros para publicá-la.

Foto de Manuel Bandeira, Mário de Andrade e outros 14 escritores na Semana de Arte Moderna de 1922. O articulista não obteve a tempo as 16 autorizações dos herdeiros para publicá-la.

Artigo de Leonel Kaz, publicado em seu blog no site de VEJA

PALAVRAS E IMAGENS, BAI BAI BRAZIL!

Leonel Kaz1. Armou-se um vendaval, uma tormenta em torno de biografias não-autorizadas. Roberto Carlos se entristece se publicarem algo sem que ele leia primeiro. Outros artistas resolveram aderir, sem se dar conta da complexidade do tema.

2. A batalha se dá no campo da honra (artigo 20 do Código Civil), tanto no tocante a palavras quanto a imagens. Nem umas nem outras podem afrontar a privacidade pessoal ou macular a imagem (compreendida aí imagem como algo que fira, insisto, tanto por palavras quanto por fotografias a “imagem” de alguém).

3. Se o artista ou seu herdeiro estiverem diante de abusos, que processem o meliante que usurpou, atacou, vilipendiou, comercializou, mercantilizou imagens ou assacou palavras contra o dito cujo biografado, artista ou não. A lei já lhes faculta isto.

4. Ocorre que não é, infelizmente, com bom senso que a vida é vivida. Os editores que, até então, publicavam livros voltados à história do país, qualquer história (da música, do teatro, do futebol) ficaram de pés e mãos atados. Ninguém publica mais nada sem a necessidade de uma enxurrada de autorizações prévias de familiares, muitas vezes até sobrinhos-netos (embora a lei só permita este eventual direito a descendentes diretos), que entram na Justiça a fim de “ganhar algum”.

5. Assim, na famosa foto da visita de Manuel Bandeira a São Paulo para a Semana de Arte Moderna de 1922, em que ele posa ao lado de Mário de Andrade e outros 14 escritores, será preciso ir atrás de todos os 16 herdeiros para obter a autorização de publicar a foto. Essa interpretação equívoca da lei não existe em nenhum país da Terra! Em contrapartida, é público e notório que o poeta Ledo Ivo tentou, em seu livro de poesias, publicar uma singela foto sua ao lado de Bandeira e não obteve a autorização.

6. Curiosa a sanha contra os “biógrafos e editores que ganham fortunas”. Parece o roto correndo atrás do esfarrapado, num país em que a porcentagem de recursos na cultura não chega a milésimos do dinheiro público. Simples assim: em relação aos Estados Unidos temos dez vezes menos bibliotecas e um índice de leitura per capita dez vezes menor também.

7. Por outro lado, temos o custo Brasil para tudo. Além do octogésimo-nono lugar em educação e acima do centésimo posto em competitividade entre os países da ONU, choramos na sarjeta as 2600 horas/ ano dispendidas com pagamentos de impostos, quase 10 vezes mais do que a média de outros países. Chegamos lá: o editor de livros, filmes, videos, documentários – seja lá o que for, que não imprensa – precisará gastar o mesmo tempo com autorizações.

8. Não são apenas as imagens fotográficas, mas também as imagens das obras artísticas. É sabido que a ninguém mais é permitido reproduzir uma pintura de Volpi – mesmo que em livro escolar, apenas para dar um exemplo – sem pagar valores a pretensos advogados das partes da mesma família.

9. E assim vamos atacando as imagens e fazendo um fuzuê interpretativo quanto à honra (já que os herdeiros sempre consideram o que quer que seja como uma mácula, esperando ganhar o alento de algum juiz desprevenido), e dando “bai-bai brazil” à palavra e à imagem, num país abandonado pelos políticos e, agora, surpreendentemente, abandonado pelos próprios intelectuais.

10. Por isso, já soube, que depois que a Justiça, a pedido do filho de Renato Russo, proibiu a paródia a Eduardo e Mônica (Deus! Uma paródia que o tempo e o vento levam!), a Procure Não-Rir / Associação dos Portugueses Enxovalhados, e Papagaios Ofendidos já está contratando advogados para impedir que piadas sejam proferidas sem o devido pagamento de direitos autorais…

P.S. Imprensa, prepara-te: do jeito que as coisas vão, o seu dia de ficar sem o direito a palavras e imagens também há de chegar!

22/09/2013

às 13:04 \ Disseram

Paulo Sérgio Pinheiro: “A indignação não deve ser só com as armas químicas. A guerra convencional continua”

“A indignação não deve ser só com as armas químicas. A guerra convencional continua”

Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão de Inquérito da ONU que investiga os crimes contra os direitos humanos no conflito sírio, em entrevista à Folha de S.Paulo

14/09/2013

às 18:00 \ Política & Cia

ESPIONAGEM — O embaixador dos Estados Unidos no Brasil garante: “O Brasil não é o nosso alvo”

Thomas Shannon: "Imagino que a espionagem tenha pouco respaldo no direito internacional, mas existe muita cooperação entre os países" (Foto: Sergio Dutti)

Thomas Shannon: "Imagino que a espionagem tenha pouco respaldo no direito internacional, mas existe muita cooperação entre os países" (Foto: Sergio Dutti)

Entrevista concedida a Diogo Schelp, publicada em edição impressa de VEJA

THOMAS SHANNON: “O BRASIL NÃO É O NOSSO ALVO”

O embaixador americano diz que a segurança é a principal meta dos programas de espionagem e que a polícia brasileira se beneficia do trabalho dos agentes dos EUA

O diplomata de carreira Thomas Shannon assumiu o comando da embaixada americana em Brasília em 2010 em meio ao vazamento de documentos secretos pelo site WikiLeaks e devolveu o posto, na última semana, no auge das acusações de que a Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) monitorou comunicações internas do governo brasileiro.

Sobre a revelação de que até a presidente brasileira foi espionada, Shannon preferiu não falar, porque Dilma Rousseff trataria do assunto diretamente com o presidente americano Barack  Obama durante a cúpula do G20 na Rússia, na semana passada.

Shannon assumirá o cargo de conselheiro especial do secretário de estado John Kerry, em Washington, e será substituído em Brasília por Liliana Ayalde.

Se eu fizesse um tour agora pela embaixada, encontraria uma sala com agentes americanos escutando as conversas do governo brasileiro via satélite?

Não, não e não. Obviamente, eu não posso dar detalhes sobre o nosso trabalho de inteligência. Isso não seria adequado neste momento. Mas posso dizer que não existe uma sala como essa.

O que são, então, X-Keyscore, Fornsat e outros programas de espionagem que, segundo os documentos secretos vazados pelo ex-analista de inteligência Edward Snowden, funcionam dentro das embaixadas americanas?

Até agora, o meu governo falou publicamente desses programas de maneira bem cautelosa. Eu não vou além, porque essa é uma conversa entre governos.

Foi por isso que o Brasil enviou um time de técnicos para conversar com membros dos nossos serviços de inteligência e que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi recebido em Washington pelo vice-presidente Joe Biden e pelo secretário de Justiça Eric Holder.

Ressalto, porém, que o jornal O Globo (que divulgou documentos sobre a atuação da espionagem americana no Brasil) apresentou essa informação de maneira sensacionalista e fora de contexto. Ele não captou bem a realidade dos nossos programas, especialmente no que se refere ao Brasil.

O país não é o alvo desses programas, mas sim um dos mais importantes centros de conectividade para o mundo.

O Brasil é o quarto ou quinto hub (centro que recebe e redistribui dados) de comunicações do mundo. Diferentes organizações e grupos que são de interesse do meu e de outros governos usam esses hubs para se comunicar, para esconder e para compartilhar seus planos de ação. Nós desenvolvemos a capacidade de medir o fuxo de informação, especialmente aquela que parte de organizações ou de países sensíveis. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

09/09/2013

às 19:54 \ Política & Cia

ESPIONAGEM CONTRA O BRASIL: Dilma fala em “interesses econômicos e estratégicos” dos EUA, mas deixa de lado, entre outros pontos, um, fundamental: as luvas de pelica de seu governo para com o terrorismo

O atentato terrorista cometido pelo Hezbollah no aeroporto de Burgas, na Bulgária, em julho do ano passado: Brasil usa luvas de pelica para tratar de tema ultra-sensível para as grandes potências (Foto: Getty Images)

Comentei anteriormente a questão da espionagem eletrônica dos Estados Unidos sobre (ou contra) o Brasil e a própria presidente Dilma Rousseff.

A presidente hoje voltou à carga, visivelmente indignada diante de evidências de que parte da espionagem teria se voltado contra a Petrobras, detentora de tecnologia de ponta na exploração de petróleo em águas profundas e das enormes reservas da camada do pré-sal. A espionagem, segundo Dilma, tem em vista “interesses econômicos e estratégicos”.

A presidente tem razão — aliás, espionagem tem sempre esses dois objetivos em mente, além do político e do especificamente militar. No post anterior, procurei apontar, como já fizera anteriormente, por que razões um país como o Brasil se torna alvo “natural” da espionagem de outras nações, no plano da realpolitik que rege as relações internacionais.

O post, porém, só sobrevoou a questão.

Há pontos ali que podem perfeitamente ser desenvolvidos, e que a presidente Dilma não tocou nem de longe, hoje.

Mencionei, graças a lembrete do amigo Caio Blinder, titular de brilhante blog no site de VEJA, a questão da Tríplice Fronteira — Brasil-Argentina-Paraguai –, onde há muitos anos os EUA acreditam, com boas razões, aninharem-se focos de arrecadação de dinheiro e de outras atividades ligadas ao terrorismo no Oriente Médio.

O Brasil, com o lulopetismo no poder, finge que não vê e não toma providências minimamente sérias a respeito. E é bom lembrar o quanto, depois dos atentados às Torres Gêmeas em 2001, o terrorismo passou a ocupar um papel central, decisivo, determinante na política externa, na estratégia militar e na visão do mundo da superpotência americana.

Como sabemos, essa preocupação atingiu níveis de obsessão, próximos à paranoia, durante o governo do presidente George Bush, com o país reinterpretando leis, criando outras ao arrepio da Constituição e atropelando seu público compromisso histórico com as liberdades democráticas e os direitos humanos para admitir, com eufemismos horrorosos, práticas hediondas como a tortura, as prisões secretas em países aliados e a condenação de pessoas sem julgamento, além de erguer o símbolo de barbárie que se tornou a prisão existente na base militar de Guantánamo, em Cuba.

A diplomacia do lulopetismo, extremamente light com governos bolivarianos e com rivais e mesmo inimigos dos Estados Unidos, é boazinha em relação à questão do terrorismo. Não adota, como os EUA e muitas outras nações, posturas para classificar como tais notórias organizações terroristas — a começar pelos narcoterroristas e bandidos das Farc, as chamadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, grupo armado que vive de sequestros, extorsão, tráfico de drogas e assassinatos sob encomenda.

Como se sabe, o PT velho de guerra coexistiu e coabitou com as Farc no chamado Foro de São Paulo, entidade que congrega partidos e grupos de esquerda da América Latina, até que os bandidos colombianos deixaram formalmente a entidade. (Confira aqui a lista de partidos e entidades que participam.)

Continuam, na verdade, de alguma forma representados, porque uma tal Marcha Patriótica colombiana que, sim, o integra, é uma organização marxista muito próxima às Farc no espectro político do país, prega uma “solução negociada para o conflito armado” e condena a mão firme dos últimos governos colombianos, que vêm impondo derrota sobre derrota aos terroristas.

Não são apenas as Farc que deixam de ser consideradas terroristas, por uma política de luvas de pelica do Itamaraty que considera tais gestos uma “interferência nos assuntos internos” de outros países.

Essa mesma política tem mantido o país em uma vergonhosa atitude de permanecer em cima do muro mesmo em casos escabrosos de violações de direitos humanos que os governo lulopetisnas deixaram de condenar na ONU, praticados por países como o Irã, a Síria, o Sudão, a Coreia do Norte e a China.

Integrantes da milícia do Hezbollah em cerimônia no Líbano: para os EUA e a União Europeia, são terroristas. O Brasil, como sempre, silencia (Foto: independent.co.uk)

As delicadas luvas de pelica impedem que, além das Farc, outras organizações que notoriamente praticam o terrorismo recebam vista grossa dos governos lulopetistas. Como, por exemplo, o Hezbollah no Líbano.

Ora, dirão, o Hezbollah é um partido político legítimo no Líbano e, além do mais, pratica uma intensa ação social, propiciando escolas para crianças, abrigos para idosos, alimentação para os pobres.

O problema é que, no meio disso tudo, o Hezbollah tem um braço armado cujos integrantes sequestram, matam, incendeiam e jogam bombas, tudo financiado pelo Irã dos aiatolás atômicos. É tido como organização terrorista pelos Estados Unidos, pelo Canadá, pela Austrália…

Não foi por outra razão que, semanas atrás, o grupo que inclui o maior número de países civilizados do mundo — a União Europeia — incluiu o braço armado do Hezbollah na sua lista de entidades terroristas. A medida implica a congelação de ativos que o grupo possui em países comunitários e em um controle mais estrito de seus movimentos na Europa.

Foi o fecho de prolongadas negociações que se travam desde o começo do ano, quando órgãos de inteligência europeus descobriram evidências de que o Hezbollah estava por trás de um atentado terrorista ocorrido na Bulgária — membro da UE — em julho do ano passado. Na ocasião, um terrorista suicida que se fez passar por cidadão americano explodiu um ônibus com 42 turistas israelenses que deixava o aeroporto de Burgas, no sudoeste do país, rumo a um resort, matando cinco turistas e o motorista, e causando ferimentos em 32 outras pessoas.

O alcance da decisão da UE pode ser medido pelo fato de que o Hezbollah não apenas é um partido político como participa da coligação que governa o Líbano. A decisão de separar seu braço político do militar teria o objetivo de convencer aos grupos radicais do movimento a se passar para a vertente moderada.

Os países que mais insistiram em isolar os terroristas do Hezbollah foram o Reino Unido, a Holanda e a França. Como as decisões desse tipo na UE precisam obter a sempre difícil unanimidade dos 28 membros, foi necessário vencer as reticências do grupo formado principalmente pela República Checa, a Irlanda, Malta e Chipre.

“É muito bom que a União Europeia tenha decidido definir o Hezbollah como o que é — uma organização terrorista”, disse o chanceler hol.andês, Frans Timmermans. A chefe da diplomacia euopeia, a britânica Catherine Ashton, por sua vez, lembrou que a medida permitirá congelar os recursos do grupo terrorista, dificultar sua arrecadação de fundos e, portanto, “limitar grandemente sua capacidade de ação”.

Enquanto isso, no Brasil…

 

01/08/2013

às 16:00 \ Política & Cia

Cesar Maia comenta, com absoluta razão, a mágica que o governo fez para fazer o país dar um salto no Índice de Desenvolvimento Humano

O ex-deputado, ex-secretário da Fazenda, ex-prefeito do Rio e atual vereador Cesar Maia (DEM), que é economista, fez em seu “ex-blog” uma pertinente análise da estranha e inexplicada mágica que o governo fez para mostrar um suposto “grande salto” ocorrido no Índice de desenvolvimento Humano (IDH), criado pela ONU com base em dados sobre expectativa de vida ao nascer, nível de educação e Produto Interno Bruto (PIB) per capita.

Curiosamente, antes da mudança de critério feita às escondidas e sem explicações pelo governo, o IDH do Brasil durante o governo FHC (no ano 2000) era de 0,766 — o índice é tanto melhor quanto mais próximo chega de 1 — e, com base no censo de 2010 (governo Lula) estava em 0,727.

Mas, como há explicação para tudo… Vejam o que diz Cesar Maia:

IDH: CURIOSAS E PROBLEMÁTICAS MUDANÇAS DE CRITÉRIO!

1. Com base nos Censos de 1991 e 2000, o PNUD e o Governo Federal anunciaram os dados do IDH para o Brasil todo.

Esses dados serviram como elementos para priorizar as políticas públicas em nível municipal, estadual e federal.

2. Em 1991 o IDH do Brasil, divulgado anos depois, foi de 0,696.

Em 2000 o IDH do Brasil, divulgado em 2003, foi de 0,766.

3. Na segunda-feira, 29, foram divulgados os dados de IDH em base aos dados censitários de 2010.

O IDH do Brasil avançou para 0,727.

Mas como, se o de 2000, antes divulgado, já era de 0,766?

Foi anunciado que houve uma mudança de critério.

4. Essa mudança de critério baixou o IDH, em base ao censo de 1991, de 0,696 para 0,493.

Uma redução de 30%.

E baixou o IDH de 2000 de 0,766 para 0,612.

Uma redução de 20%.

5. Mudanças tão drásticas exigiriam explicações semanas antes, para que se pudesse entender e tirar dúvidas. Mas nenhuma explicação foi dada.

E apresentou-se um enorme crescimento do IDH, que — se levasse em conta o número anterior de 2000 — seria uma redução.

6. E como ficaram os governos de todos os níveis, que se pautaram pelos números oficiais anteriores para fazer seus planejamentos sociais?

Algo que merece uma explicação detalhada e didática.

29/07/2013

às 10:03 \ Disseram

19 de novembro como Dia Mundial da Privada, decreta ONU

“A diversão e o riso que podem seguir a designação de 19 de novembro como Dia Mundial da Privada já terá sido útil se chamar a atenção das pessoas para o fato de que 2,5 bilhões de pessoas não têm saneamento básico.”

Organização das Nações Unidas, que oficializou a data para chamar a atenção para realidade de 1,1 bilhão de pessoas que não têm acesso a banheiros

 

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