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21/04/2013

às 16:00 \ Vasto Mundo

A visão de mundo de Bill Clinton — e seu trabalho em prol de um mundo melhor

"Em qualquer tempo e em qualquer país, a política é território dos que praticam a divisão, mas o futuro pertence aos que praticam a cooperação" (Foto: AP)

Bill Clinton, o 42º presidente dos Estados Unidos> "Em qualquer tempo e em qualquer país, a política é território dos que praticam a divisão, mas o futuro pertence aos que praticam a cooperação" (Foto: AP)

Reportagem de Carolina Melo, publicada em edição impressa de VEJA

A VISÃO DE MUNDO DE CLINTON

O ex-presidente americano prega que a cooperação vai triunfar sobre as rivalidades políticas, econômicas e étnicas na solução dos problemas globais

 

Quando deixou a Presidência dos Estados Unidos, em 2001, após oito anos no cargo, e se mudou para uma casa nos arredores de Nova York, Bill Clinton brincou com um grupo de jornalistas: “agora sou como a maioria dos americanos. Acordo, dou uma olhada nos jornais e tomo café da manhã”.

Embora a declaração fosse verdadeira no âmbito das situações comezinhas, nos anos seguintes Clinton se dedicou à atividade mais comum aos ex-presidentes daquele país — rodar o mundo dando palestras sobre os temas mais relevantes do cenário internacional.

Logo, porém, Clinton deu um salto à frente de seus pares que ocuparam o cargo de homem mais poderoso do mundo, um salto que hoje o qualifica como o melhor dos ex-presidentes americanos vivos. 

O grande salto de Clinton foi fundar, em 2005, a Clinton Global Initiativeuma ONG de alcance internacional que se dedica a encontrar soluções para grandes problemas mundiais, desde a desigualdade econômica até as mudanças climáticas, da reconstrução de regiões arrasadas por fenômenos naturais à obesidade infantil.

A entidade pratica um modelo de filantropia que só é possível tendo como base o carisma e a rede de simpatizantes que Clinton reuniu em seus anos de governo — do qual saiu com notáveis 65% de aprovação popular. A Clinton Global Initiative, ao contrário de outras  entidades filantrópicas notáveis, como a de Bill Gates e sua mulher, Melindanão distribui verbas.

Dos encontros que ele organiza, já passaram 150 presidentes, 20 Prêmios Nobel, centenas de empresários e celebridades ricas que vão de Brad Pitt a Mick Jagger

Sua estratégia funciona assim: todos os anos, em setembro, Clinton promove em Nova York um encontro de líderes globais, empresários, CEOs de grandes empresas e notáveis das mais diversas áreas. Após discutirem as melhores soluções para os problemas colocados em pauta, os participantes se comprometem a investir verbas — ou conhecimento — para solucioná-los.

Clinton acredita que só com a cooperação entre governos, ONGs e iniciativa privada se poderá fazer frente aos grandes desafios do mundo de hoje.

Nesses oito anos de existência da Clinton Global Initiative, já passaram pelos encontros 150 presidentes de países, vinte ganhadores do Prêmio Nobel, centenas de empresários e CEOs e diretores de ONGs, além de celebridades endinheiradas — como Brad Pitt, Leonardo DiCaprio e Mick Jagger — dispostas a abrir o cofre em prol de causas com que simpatizem.

As doações com as quais os chefes de Estado, empresas ou pessoas físicas se comprometem são aplicadas diretamente nos respectivos projetos. Os encontros promovidos por Clinton já estabeleceram 2.300 compromissos de investimento em projetos beneficentes em 180 países. Quando estiverem inteiramente implementados, esses projetos terão consumido 73 bilhões de dólares.

Os projetos nascidos nos encontros da Clinton global Initiative já beneficiaram 400 milhões de pessoas. Muitas outras deverão ser beneficiadas indiretamente por meio de uma das prioridades da ONG — a melhoria das condições ambientais nas maiores metrópoles do planeta. Um exemplo vistoso dessa frente de atuação é a reforma do Empire State Building, um dos prédios-símbolo de Nova York, inaugurado em 1931.

Obras para tornar verde o Empire State Building (Foto: Gilberto Tadday)

Obras para tornar verde o Empire State Building (Foto: Gilberto Tadday)

Em 2009, a Clinton Climate Initiative, juntamente com parceiros, iniciou um projeto de ampla modernização no Empire State que tornou quatro vezes mais eficiente o isolamento térmico das 6 514 janelas duplas e dos 26 056 painéis de vidro do edifício. O controle de temperatura e os elevadores receberam sistemas mais eficazes.

Ao todo, o projeto reduziu o uso de energia do Empire State em 38%, o que significa uma redução de 4,4 milhões de dólares por ano nas contas de energia de seus ocupantes. A redução também evitará que 105 000 toneladas de emissões de gases do efeito estufa sejam produzidas nos próximos quinze anos. Isso equivale à poluição produzida em um ano por 22 000 carros.

Na frente de auxílio às populações mais pobres do globo, a ONG de Clinton tem ampla atuação em países como o Haiti, onde foi fundado um braço especial da entidade, que arrecadou 16,4 milhões de dólares para auxílio imediato às vítimas do terremoto. Posteriormente, foi investido 1,25 milhão de dólares para subsidiar os estudos de 400 000 crianças. “Com a união de forças, temos mais poder do que nunca para construir um mundo de valores e oportunidades compartilhadas”, diz Clinton. As ações da ONG do ex-presidente mostram que essa teoria tem dado certo na prática.

 

A ESTRATÉGIA É JUNTAR FORÇAS

Há oito anos Clinton fundou a Clinton Global Initiative, que promove encontros anuais entre governos, empresas privadas e ONGs. Em entrevista a VEJA, ele explica por que avalia que a união entre os três setores é o melhor caminho para enfrentar questões como a desigualdade social e as mazelas ambientais 

Como o senhor vê o papel dos cidadãos diante dos desafios do século XXI?

Vivemos um período da história inédito em termos de interdependência entre as nações. A riqueza e o talento, hoje, cruzam fronteiras rapidamente, numa grande rede internacional, mas o mesmo acontece com as forças negativas. A crise financeira que começou nos Estados Unidos e varreu o globo provou como as condições sociais e econômicas das nações estão interligadas.

Não podemos mais ignorar o que acontece em outros países.  » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

26/04/2012

às 18:30 \ Vasto Mundo

Fotos e vídeo de chorar: o massacre de centenas de milhares de focas e filhotes no adiantadíssimo Canadá

Muitos animais são arrastados com ganchos estando ainda ainda vivos. No caminhão, centenas de focas já sem a pele (Foto: telegraph.co.uk)

O Canadá é um país gigantesco — quase 10 milhões de quilômetros quadrados –, com uma população de 35 milhões de habitantes e um altíssimo padrão de vida, de cultura e de civilização. Está sempre disputando com países como a Noruega ou a Dinamarca as primeiras posições na tabela mundial do Índice de Desenvolvimento Humano.

No entanto, ali, na costa da província de New Foundland e Labrador, no oeste do país, pratica-se anualmente de 15 de novembro a 15 de maio um ritual macabro e cruel: o extermínio de centenas de milhares de filhotes de foca para o aproveitamento da carne e sobretudo da pele.

Protestos de todo tipo de personalidades e instituições, que vêm abrangendo ao longo do tempo do beatle Paul McCartney, o Rei Pelé ao então senador Barack Obama, passando por centenas de ONGs de diferentes países do mundo, bem como o boicote aos produtos provenientes da matança decretados pela União Europeia, pelos Estados Unidos e até pela Rússia — cujo governo é em geral pouco sensível a esses problemas –, nada disso muda uma vírgula na autorização do massacre.

A Rússia importava até há pouco 95% da produção de peles do Canadá, e cedeu às pressões para cessar de alimentar a indústria.

As focas e filhotes são mortos a pauladas ou com bastões que parecem machetes (Foto: wildlifetrustofindia.org)

Tampouco mudaram o cenário dados de crueldade como o fato de a matança se dar em geral com porretadas ou ou a constatação, feita com amostragens de animais mortos, mostrando que 40% dos filhotes têm a pela arrancada enquanto ainda vivos. Muitos animais são arrastados com ganchos, como se fossem pedaços de carne inanimada, estando vivos e gemendo.

Este ano o governo, impávido, está autorizando a matança de 400 mil focas e filhotes, de uma população total estimada em 7 milhões.

E, como uma espécie de desafio à opinião pública internacional, há carne de foca no menu do restaurante da Câmara dos Comuns (a Câmara dos Deputados canadense), na capital, Ottawa.

Falam mais alto os interesses econômicos dos caçadores da região e, claro, os votos dos habitantes que dependem do comércio de carne e pele de foca para sobreviver.

Sobre a matança, e sobretudo os métodos, confira o vídeo:

 

 

 

17/02/2012

às 15:48 \ Política & Cia

Decisão do Supremo sobre Ficha Limpa faz avançar Estado de Direito no país

Manifestação de 20 mil pessoas em Brasília, em outubro passado, pela dignidade na política e pela Lei da Ficha Limpa (Foto: exame.abril.com.br)

O Brasil está melhor desde ontem, graças ao julgamento do Supremo Tribunal Federal que, após quase dois anos e onze diferentes, longas e polêmicas sessões de julgamento, finalmente considerou constitucional, e válida já para as eleições deste ano, a Lei da Ficha Limpa – que, em boa parte, barra safardanas e malandros de diferentes extratos de se candidatarem a cargos eletivos.

Não poderão mais ser candidatos, a partir da eleição de novembro próximo, uma ampla gama de gente com problemas na Justiça – desde os condenados por órgãos judiciais colegiados (ou seja, por tribunais) por uma longa relação de crimes, mesmo nos casos em que cabem os eternos recursos, até parlamentares que tiverem renunciado a seus mandatos para escapar de processos de cassação instaurados em suas casas legislativas, ou governantes que não tiverem contas aprovadas, em determinadas condições, e até militares considerados indignos do oficialato.

O Supremo manteve inclusive os dispositivos mais draconianos da lei, como a possibilidade de seus efeitos atingirem atos e crimes praticados antes da entrada em vigor da lei, em junho de 2010, e a inelegibilidade, por oito anos, mas somente depois do cumprimento da pena a que a pessoa for condenada, ainda que o atingido esteja recorrendo dela em liberdade.

A beleza da história toda da Lei da Ficha Limpa – que não é uma lei comum, mas uma lei complementar, de tramitação muito mais complicada porque deve obter os votos da maioria absoluta (metade mais um) dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado, em dois turnos de votação em cada Casa –, é que se trata de uma lei de iniciativa popular.

O Supremo durante o julgamento: mesmo os dispositivos mais duros da lei foram mantidos (Foto: VEJA)

Começou lá longe, na Campanha da Fraternidade levada a efeito pela CNBB no já longínquo ano de 1996, passou por empurrões da OAB e de outras entidades até desembocar no Comitê Nacional do Movimento de Combate à Corrupção, um pacote de meia centena de ONGs espalhadas pelo país que, via redes sociais e todo tipo de iniciativas, chegaram a recolher 1,3 milhão de assinaturas para que o projeto enfim fosse apresentado à Câmara dos Deputados em 2009.

(As condições para que um projeto de iniciativa popular chegue ao Congresso, expressas em lei que regula o artigo 14, incisos I, II e III da Constituição, são difíceis de obter: 1% do eleitorado nacional, distribuído por, pelo menos, cinco Estados, com não menos de 0,3% dos eleitores de cada um deles).

Foi uma trajetória sofrida, interrupções do julgamento no Supremo — a lei foi contestada por políticos fichas-suja como o senador Jader Barbalho (PMDB-AP) e pelo ex-governador e candidato novamente ao cargo Joaquim Roriz (PSC), em julgamentos que terminaram em empates de 5 votos a 5, porque o Supremo estava desfalcado por uma aposentadoria –, idas e vindas, discussões pesadas entre os ministros, entremeadas por dezenas de manifestações populares.

Agora, acabou. Essa lei moralizadora vale, e pronto.

São muitos as conclusões positivas que se podem extrair da decisão, irrecorrível e definitiva, do Supremo Tribunal.

Talvez a mais importante seja esta, amigos: nossas instituições são imperfeitas, muitas vezes precárias, constantemente criticadas (e com razão), não raro profundamente injustas – mas, aos poucos, aos trancos e barrancos, em velocidade que poderia ser maior, o país caminha para um efetivo Estado de Direito. A decisão do Supremo representou um passo importantíssimo nessa direção.

04/12/2011

às 19:30 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: o ministro Lupi é um santo e seu contrário

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Carlos Lupi: mentirinha por necessidade (Foto: Valter Campanato/ABrasil)

Como de costume no blog, aos domingos reproduzo notas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica em 5 jornais. Hoje, a primeira, a segunda e a quarta notas . Seu título original é o que está abaixo, em negrito.

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É um santo e seu contrário

Pobre Carlos Lupi: está sendo atacado porque, como o santo de tantos devotos, foi capaz de estar em dois lugares ao mesmo tempo, um emprego no Rio, um emprego em Brasília, ambos naturalmente (bem) pagos com dinheiro público.

Pobre Carlos Lupi: está sendo atacado porque, ao contrário do santo de tantos devotos, estava em dois lugares e não estava em nenhum, ou flanava num terceiro, gastando aquilo que o inesgotável Tesouro pagava por seus empregos lá e cá.

Pobre Carlos Lupi: está sendo atacado porque acumulou cargos públicos, o que a Constituição proíbe, porque ONGs que tinham convênios com seu Ministério pagavam propina, porque viajou no avião particular de um empresário que dependia de seus ministeriais favores e com eles mantinha seus negócios.

Pobre Carlos Lupi: está sendo atacado porque mentiu ao Congresso, primeiro negando que tivesse tomado aquele avião, depois dizendo que não conhecia o seu proprietário, sendo desmentido por fatos e fotos. Não se sabe, aliás, qual a acusação principal contra Lupi: se é pela mentira, se é pela mentira mal contada.

Mas convenhamos: se não mentisse, que história poderia contar?

Que era funcionário simultaneamente em duas cidades separadas por mais de uma hora de voo e, na impossibilidade de estar simultaneamente em ambas, não aparecia em nenhuma?

Ou que, inconstitucionalmente, acumulava cargos públicos?

Ou que é meio desligado nessas questões de dinheiro, mas não a ponto de perdê-lo?

Ou, pior ainda: pode pedir que não o levem a mal, porque ele é assim mesmo.

Dúvida cruel

Terá sido o caro leitor o responsável pela nomeação de Carlos Lupi para o Ministério? Este colunista também não foi. Lupi, como os que já caíram por corrupção, como os que ainda não foram fisgados no negro monte dos malfeitos, foi colocado no Ministério pela presidente Dilma Rousseff. Teria ela se enganado sobre ele, ou eles?

Talvez – mas devia conhecê-los, pois foi sua colega de Ministério no Governo Lula, supervisionava seu trabalho e tinha fama de boa gerente.

Ministra da Casa Civil, Dilma  FOTO ED FERREIRA/AE

Ministra da Casa Civil, Dilma supervisionava colegas e tinha fama de boa gerente (Foto: Ed Ferreira / AE)

O Brasil como ele é

Não cometa, caro leitor, a injustiça de pensar que todos os problemas estão no Governo Federal. Estão no Judiciário, onde os juízes do Trabalho consideram baixo o salário de R$ 21 mil mensais e entram em greve (prejudicam o patrão? Não: prejudicam o público, que já espera longamente pelos julgamentos); está em Prefeituras espalhadas em todo o país, onde prefeitos são presos sob acusações de corrupção e abuso de poder econômico; estão nos Estados.

Hoje, dez governadores de Estado correm risco de cassação, por abuso de poder econômico nas campanhas eleitorais (fora estes, três já foram cassados). Considerando-se que o país tem 27 Estados, é uma belíssima porcentagem.

20/11/2011

às 16:30 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: O baloiçante ministro Carlos Lupi, que não sabe ou não se lembra de nada, e os culpados de sempre

Carlos Lupi, sobre denúncias: xiii, esqueci... (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Costume no blog, aos domingos reproduzo notas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica em 5 jornais. Hoje, a primeira, a terceira e a quarta notas. Seu título original é o que está abaixo, em negrito.

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Os culpados de sempre

O homem não voou no avião, quer dizer, voou, mas achou que alguém tinha pago, quer dizer, não é bem assim, ou seja, com a idade a memória falha.

O homem nem conhecia quem alugou o avião, mas viajou com ele, concedeu recursos públicos para as ONGs dele, jantou na casa dele – quer dizer, conhecia, mas não se lembrava.

Você, caro leitor, nunca esqueceu de nada? A gente esquece até de pessoas a quem concedeu alguns milhões de reais, não é? E, não sejamos injustos, a memória não é absoluta. Com a idade a memória falha.

O homem disse que só sai abatido a bala, quer dizer, isso se a presidente não quiser tirá-lo. Mas acredita que ela com certeza não quer tirá-lo, porque ele a conhece há muito tempo e sabe o que ela fez em verões passados.

Mas isso não é desafio, não é ameaça, aliás nem se lembra de tudo, e afinal de contas ele a ama.

O homem garante que não fez nada (e, em certos aspectos, tem toda a razão), mas que os jornais pegam no seu pé porque querem vender. Acha que multidões que sabem quem é ele e seguem sua carreira como se fosse astro de TV fazem fila nas bancas para saber das novidades que aconteceram, ou não, ele não lembra.

O escritor irlandês Jonathan Swift, lembrado pelo leitor Aderbal Bacchi Bergo, dizia há uns 300 anos (e a gente se lembra): “A ambição muitas vezes põe os homens cumprindo as mais baixas tarefas; por isso eles sobem rastejando”.

Certamente não é o caso de nosso baloiçante ministro. Se a presidente Dilma e a imprensa não lhe fizessem tantas perguntas, ele não precisaria mentir tanto.

Por falar em verdade

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Ele está em Brasília (na foto, com os senadores Luiz Henrique e José Sarney), mas o procuram em Maceió...

Há dois anos o oficial de Justiça está à procura do senador Fernando Collor, para notificá-lo da ação movida por sua ex-mulher [e ex-primeira-dama] Rosane, que cobra 280 mil reais de pensões atrasadas.

Collor aparece em fotos no Senado, está sempre ao lado do senador Renan Calheiros, faz parte da bancada de apoio à presidente Dilma Rousseff, tudo isso em Brasília.

E tentam notificá-lo em Maceió.

Difícil, né?

Boa notícia

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o fim de um dos mais curiosos hábitos caros dos nobres parlamentares estaduais paulistas: o auxílio-paletó, 40 mil reais anuais, em duas parcelas, para que Suas Excelências possam vestir-se condignamente.

Todas as demais categorias profissionais obrigadas a vestir terno e gravata o fazem com seu próprio dinheiro, não com o nosso. E quantos ternos, camisas, gravatas e sapatos serão necessários para três dias de trabalho por semana?

paleto

Vai um paletó aí, excelência?

07/11/2011

às 20:00 \ Política & Cia

Fernando Henrique: na corrupção pública, o que era episódico se tornou um sistema

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O ex-presidente Fernando Henrique: "ideologia que santifica o Estado e faz de conta que não vê desvios de dinheiro público" (Foto: Paula Sholl - Agência PSDB)

Amigos do blog, republico aqui o artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presente originalmente na edição de ontem do Estadão. Acrescento itertítulos, e o título original está abaixo, em itálico.

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Corrupção e poder

O novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou recentemente que os desmandos que ocorreram em sua pasta se devem a que as ONGs passaram a ter maior participação na concretização de políticas públicas. E sentenciou: ele só fará convênios com prefeituras, não mais com segmentos da sociedade civil.

Ou seja, em vez de destrinchar o que ocorre na administração federal e de analisar as bases reais do poder e da corrupção, encontra um bode expiatório fora do governo.

No caso, quanto eu saiba, é opinião de pessoa que não tem as mãos sujas por desvios de recursos públicos. Não se trata, portanto, de simples cortina de fumaça para obscurecer práticas corruptas. São palavras que expressam a visão de mundo do novo ministro: o que pertence ao “Estado”, ao governo, é correto; o que vem de fora, da sociedade, traz impurezas…

O mal estaria nas ONGs em si, não no desvio de suas funções nem na falta de fiscalização, cuja responsabilidade é dos partidos e dos governos.

O novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo: do que está fora do partido e do governo, nada é ético? (Foto: Fabio Rodrigues Possebom - Agência Brasil)

Esse tipo de ideologia vem associado a outra perversão corrente: fora do partido e do governo nada é ético; já o que se faz dentro do governo para beneficiar o partido encontra justificativa e se torna ético por definição.

Vista grossa

Repete-se algo do mensalão. Naquele episódio, já estava presente a ideologia que santifica o Estado e faz de conta que não vê o desvio de dinheiro público, desde que seja para ajudar os partidos “populares” a se manterem no poder.

Com uma diferença: no mensalão desviavam-se recursos públicos e de empresas para pagar gastos eleitorais e para obter apoio de alguns políticos. Agora são os partidos que se aninham em ministérios e, mesmo fora das eleições, constroem redes de arrecadação por onde passam recursos públicos que abastecem suas caixas e os bolsos de alguns dirigentes, militantes e cúmplices.

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07/11/2011

às 13:49 \ Política & Cia

Ministro Gilberto Carvalho diz já estar “cansado de crises”. E nós, então?

Ministro Gilberto Carvalho, depois de negociar queda de cinco ministros por acusações de corrupção: "estamos cansados" (Foto: Agência Brasil)

“De junho até agora, coube a Gilberto Carvalho [secretário-geral da Presidência] negociar a queda de cinco ministros envolvidos em escândalos, que vão desde as suspeitas de enriquecimento ilícito – caso de Antonio Palocci (Casa Civil) – a suposto desvio de dinheiro e cobrança de propinas, que atingiu Alfredo Nascimento (Transportes), Pedro Novais (Turismo), Wagner Rossi (Agricultura) e Orlando Silva (Esporte)”, publica hoje o Estadão.

Agora, com denúncias publicadas por VEJA detalhando esquemas de cobrança de propinas de ONGs que mantêm convênios com o Ministério do Trabalho por pessoas do entorno do próprio ministro Carlos Lupi (PDT), o ministro Gilberto admitiu que “já está ficando cansado” de administrar esse tipo de crise.

“Cansado”, ministro? Só?

Pois nós outros, aqui do outro lado, estamos mais do que cansados — estamos exaustos, e, sobretudo, indignados. Se Lupi cair, serão sete ministros deixando o governo em dez meses, seis deles por denúncias de roubalheira, coisa que não ocorreu em governo algum “deste país” em tão pouco tempo.

Leia sobre o cansaço ministerial aqui.

30/10/2011

às 11:01 \ Disseram

Célio Soares: “Levei um 1 milhão de reais em notas de 50 e 100.”

“Levei um 1 milhão de reais em notas de 50 e 100. Parei do lado, desci, abri o porta-mala do carro, peguei o dinheiro. O motorista abriu o porta-mala do carro oficial. Fui eu quem botou com a ajuda do motorista.”

Célio Soares, confirmando em entrevista ao jornal O Globo ter entregado dinheiro desviado de Ongs ao ministro Orlando Silva, um dia antes de sua queda

28/10/2011

às 14:00 \ Política & Cia

J. R. Guzzo: “É muito difícil para qualquer governo, por mais esforço que faça, ter uma equipe tão horrorosa quanto a escolhida pela presidente Dilma. De onde saiu essa gente toda?”

Amigos, publicado na edição de VEJA que está nas bancas, vai, como sempre, direto ao ponto o artigo de J. R. Guzzo, ex-diretor da própria revista durante 16 anos e atual diretor do Grupo Exame da Editora Abril. O título original está em negrito no texto abaixo. O texto foi publicado pouco antes da queda do ministro do Esporte, Orlando Silva — mas sua atualidade, como verão, é cortante.

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Salto-mortal

J. R. Guzzo

J. R. Guzzo

É muito difícil para qualquer governo, por mais esforço que faça, ter uma equipe de ministros tão horrorosa quanto a que foi escolhida pela presidente Dilma Rousseff. De onde saiu essa gente toda?

O acaso, apenas, não é suficiente para explicar uma calamidade desse tamanho. É preciso fazer força, e muita, para chegar lá – afinal, a dificuldade para armar um ministério nota 10 é a mesma que se tem para armar um ministério nota zero, ou quase isso, como é o caso da turma que está aí. A comprovação de sua ruindade está no desempenho que vem tendo, conforme mostram os fatos.

Em nove meses de mandato da presidente, cinco ministros foram para a rua, um sexto, o do Esporte, acabou de virar assombração e ninguém, nem a própria presidente, é capaz de garantir quantos conseguirão completar seu primeiro aniversário no cargo.

Se uma equipe dessas não está entre as piores de todos os tempos, o que seria preciso, então, para que estivesse?

A banda mais venenosa da política brasileira

Não houve azar nas escolhas; nessas coisas não existe azar. É de supor, também, que a presidente não nomeou gente ruim de propósito, só pelo gosto de conviver com indivíduos de baixo nível em volta de si – ou que sua presença no governo faça parte de um plano secreto, cuja utilidade só é conhecida pela própria Dilma.

Dizer que ela não sabia que estava escolhendo pessoas de alta periculosidade seria um disparate. É possível, até, ter ocorrido algum engano em relação a um ou dois nomes – mas seis? É pouco provável, enfim, que a presidente acreditasse que esse pessoal todo, depois de assumir o cargo, iria se arrepender da vida que levava até então e se transformar em cidadãos exemplares.

A verdade é bem mais simples. O ministério de Dilma Rousseff é o resultado que ela colheu ao aceitar nomes impostos pelo seu antecessor, ceder às exigências da banda mais venenosa da política brasileira e deixar que continuasse funcionando, quase intacto, o processo de entrega da máquina pública aos interesses particulares de caciques da “base aliada” e do seu próprio partido.

Não podia dar certo. Não deu.

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Orlando Silva: bomba-relógio

Orlando Silva era obviamente uma bomba-relógio

Esse ministro do Esporte, por exemplo: não era preciso dispor de nenhuma informação exclusiva, ou contar com a ajuda dos serviços de espionagem oficiais, para saber que o homem, desde sua passagem pelo governo anterior, era uma bomba-relógio.

O que aparecia sobre ele no noticiário comum já era suficiente para Dilma riscar seu nome de qualquer lista de possíveis ministros; imagine-se, então, o que não aparecia. Colocar o personagem sob a observação do mundo inteiro, com o papel que ele iria exercer na organização da Copa de 2014? Bom, aí já era arriscar um salto-mortal triplo.

Mas a procissão foi em frente e hoje o ministro se tornou um caso clássico para os melhores manuais de mau governo que se podem encontrar na praça. Chega a ser monótono.

A privatização do Estado brasileiro

Como a maioria dos colegas postos para fora nos últimos meses, ele vive a mesma história de empresas-laranja, ONGs flagradas em desvio de verbas, dinheiro público entregue para a prestação de serviços jamais executados e daí por diante. Há, como em outros episódios, negócios imobiliários difíceis de entender e mais difíceis ainda de explicar.

Repete-se com ele a desgraça que é a privatização do Estado brasileiro – no caso, o Ministério do Esporte, terceirizado em benefício do PC do B, o seu partido, e utilizado como propriedade pessoal dos amigos, aliados e vizinhança. São parecidas com as outras histórias de demissão até mesmo as declarações de “confiança” que recebe por parte de companheiros de governo, os incentivos para que responda “à altura”, o tiroteio contra os autores das denúncias etc.

De novo, é mais do mesmo.

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Ministério original da presidente Dilma, no dia da posse, 1º de janeiro (à sua esquerda na foto, o vice, Michel Temer): em menos de um ano, seis baixas

A imprensa não nomeou nem demitiu ninguém

Na primeira baixa sofrida pelo atual governo, a do ministro Antonio Palocci, os brasileiros tiveram direito a um espetáculo de arrogância capaz de fazer inveja a seu predecessor. Levantou-se todo um coro oficial para classificar as acusações como absurdas. O caso não deveria merecer, segundo nossas mais altas autoridades, sequer um minuto de atenção. “Isso não tem como prosperar”, garantiu a própria Dilma Rousseff. “É político.”

Foi dito que era tudo invenção da imprensa; ela teria decidido “derrubar pelo menos um ministro” antes de se completarem seis meses de governo, e faria tudo para conseguir isso.

Pois é. O tempo passa, o mundo gira e já estamos a caminho da sexta demissão. A imprensa não demitiu, nem nomeou, ninguém. A única assinatura que aparece, nos dois casos, é a da presidente da República.

19/10/2011

às 13:32 \ Política & Cia

Álvaro Dias pede garantia de vida ao autor de denúncias contra o ministro do Esporte

O ex-PM Ferreira com o senador: garantia de vida para o autor das denúncias sobre roubalheira no Ministério do Esporte (Foto: Agência Senado)

Enviado por Ricardo Setti

Da Agência Senado

O líder do PSDB no Senado, senador Alvaro Dias (PR) encaminhou ofício nesta terça-feira (18) ao Ministério da Justiça pedindo garantia de vida ao ex-policial militar João Dias Ferreira, autor de denúncias sobre irregularidades nos convênios do Ministério do Esporte, envolvendo o ministro Orlando Silva.

O anúncio foi feito depois de uma conversa da bancada de oposição no Congresso Nacional com o ex-policial, que veio ao Senado esta tarde fazer um relato das irregularidades que diz ter conhecimento.

– É visível a existência de uma seleção de crimes neste processo, como corrupção, peculato, prevaricação, improbidade administrativa, formação de quadrilha – enumerou Alvaro Dias, anunciando também que a oposição protocolou na Procuradoria Geral da República representação pedindo investigação das acusações.

No Senado, o ex-policial disse estar sendo ameaçado há cerca de dois anos devido às acusações que vem fazendo contra o Ministério do Esporte. José Dias presidiu duas entidades suspeitas de participar de um esquema de desvio de dinheiro por meio de convênios do Ministério do Esporte.

Aos parlamentares, ele contou que as organizações não governamentais precisavam pagar 20% do valor do convênio [como propina] a integrantes do ministério, a ser repassado ao PC do B. O recurso seria usado na manutenção do partido e em campanhas eleitorais.

Gravação

João Dias afirmou também possuir o áudio de uma reunião ocorrida em 2008 em uma sala do Ministério do Esporte em que se tratou da prestação de contas do programa Segundo Tempo. O áudio, entregue a um veículo de imprensa, comprovaria o envolvimento do ministro Orlando Silva nas irregularidades denunciadas.

O ex-policial disse ainda não ter a mesma estrutura de Orlando Silva para se defender – enquanto conversava com a oposição, o ministro negava as acusações em audiência conjunta das comissões de Fiscalização e Controle e de Turismo e Desporto na Câmara dos Deputados -, mas afirmou não ter pressa e esperar que o processo judicial, “ainda que dure dez anos”, constate toda as acusações que faz.

Segundo o ex-policial, que estava acompanhado de seus advogados, esta semana procurou a Polícia Federal e o Ministério Público para dar esclarecimentos e reforçar as denúncias. João Dias tinha depoimento marcado na Polícia Federal nesta terça-feira, mas não compareceu alegando problemas de saúde.A oitiva, então, teria sido remarcada para quinta-feira (20).

– A verdade é única, não existem duas verdades. As coisas não estão se encerrando hoje, ainda há muita água para rolar. Vão surgir documentos em breve que vão provar essa situação – declarou, aproveitando para pedir a outras entidades que tenham firmado convênios com o ministério que também procurem o Ministério Público.

Ex-integrante do PC do B, João Dias Ferreira é réu em processo judicial que tramita em segredo de Justiça, em que o Ministério Público pede sua condenação e a devolução de R$ 3,17 milhões que teriam sido desviados dos cofres públicos por meio de ONGs que tinham contratos com o Ministério do Esporte.

Em 2010, o ex-policial chegou a ser preso pela Polícia Civil do Distrito Federal por suspeita de envolvimento no esquema.

 

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