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Nestor Cerveró

24/02/2015

às 15:30 \ Política & Cia

Ministério Público denuncia Nestor Cerveró por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

(Foto: Vagner Rosario/Futura Press)

Cerveró: a acusação do Ministério Público diz que o ex-diretor usou seu cargo na Petrobras para favorecer contratações por propina (Foto: Vagner Rosario/Futura Press)

De acordo com a acusação, Cerveró utilizou o cargo na estatal para favorecer contratações de empreiteiras mediante propina

Por Laryssa Borges, de Brasília, para VEJA.com

O Ministério Público Federal apresentou à Justiça denúncia contra o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, apontado como o operador do PMDB no escândalo do petrolão, por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

De acordo com a acusação, Cerveró utilizou o cargo na estatal para favorecer contratações de empreiteiras mediante o pagamento de propina, enquanto Baiano é apontado como o operador financeiro do esquema de desvio de recursos e distribuição de vantagens indevidas.

O Ministério Público também apresentou denúncia contra o advogado uruguaio Oscar Algorta, identificado pelos procuradores como responsável por ter lavado dinheiro de propina na compra de uma cobertura de luxo no Rio de Janeiro em nome da offshore uruguaia Jolmey.

Segundo a denúncia, Fernando Baiano atuava como operador financeiro da Diretoria Internacional da Petrobras, recolhendo propina em nome de Cerveró e atuando para lavar os recursos. Na estratégia para evitar o rastreamento do dinheiro sujo, a dupla enviava a propina para contas no exterior em nome de empresas offshores situadas no Uruguai e Suíça.

A movimentação financeira incluía ainda o retorno de parte dos recursos ao Brasil por meio da simulação de investimentos diretos na empresa brasileira Jolmey do Brasil Administradora de Bens Ltda – na verdade uma filial da offshore uruguaia Jolmey. As duas empresas eram de propriedade de Cerveró, mas eram administradas por laranjas.

Em setembro do ano passado, VEJA revelou que o dúplex de 7,5 milhões de reais onde Cerveró morava em Ipanema pertencia à Jolmey. O enredo contemplava várias operações nebulosas.

Ao longo da Operação Lava Jato, a Polícia Federal reuniu provas de que Cerveró era o verdadeiro dono da offshore Jolmey, que movimentou milhões de reais para comprar e reformar o seu apartamento na Zona Sul do Rio de Janeiro. Em depoimento aos investigadores, o advogado Marcelo Mello confirmou a negociata e disse que foi procurado há sete anos por Cerveró e por Algorta para montar uma subsidiária brasileira da Jolmey Sociedad Anonima. Desde o início das investigações, Cerveró negava qualquer participação na criação da offshore.

No ano passado, assim que começaram a estourar os escândalos na estatal, um laranja foi nomeado sócio da Jolmey e a família de Nestor Cerveró deixou o duplex no Rio. Mas para o Ministério Público, Cerveró sempre utilizou o apartamento como mecanismo de lavagem de dinheiro do petrolão. O imóvel de cobertura no bairro de Ipanema foi adquirido pela Jolmey do Brasil por cerca de 1,5 milhão de reais, reformado por 700.000 reais e ficticiamente alugado ao ex-diretor da Petrobras por apenas 3.650 reais, valor cinco vezes menor que o os preços de mercado.

“O objetivo de Cerveró e Algorta era simular uma locação do imóvel como forma de ocultar a real propriedade do bem e evitar que Cerveró pudesse ser alvo de investigação por enriquecimento sem causa – e claro, de corrupção”, diz a denúncia do MP.

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27/01/2015

às 18:00 \ Disseram

Nenhum fato político

“Não há nenhum fato político. Chegamos à conclusão de que Dilma não tinha o que falar.”

Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, após solicitar que a presidente Dilma Rousseff testemunhasse no processo contra o ex-diretor da Petrobras e, depois de menos de três horas, voltar atrás no pedido

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24/01/2015

às 16:30 \ Política & Cia

Em VEJA desta semana: amigo íntimo de Lula é peça-chave do escândalo do petrolão

SUPERCREDENCIAL - José Carlos Bumlai, amigo íntimo do presidente Lula, estava autorizado a entrar quando quisesse, na hora em que bem entendesse      (Cristiano Mariz/VEJA)

SUPERCREDENCIAL - José Carlos Bumlai, grande pecuarista e amigo íntimo do presidente Lula, estava autorizado a entrar quando quisesse, na hora em que bem entendesse. Foi ele quem emplacou Cerveró na Petrobras (Cristiano Mariz/VEJA)

Surgem indicios do envolvimento profundo do empresario José Carlos Bumlai com o escândalo que sangrou a Petrobras.

Ele tinha acesso livre ao Palácio do Planalto na gestão de Lula e até hoje resolve problemas de sua familia

Por Rodrigo Rangel e Adriano Ceolin

Um dos grandes pecuaristas do país, José Carlos Bumlai, conta que visualizou em sonho sua aproximação com Luiz Inácio Lula da Silva, quando ele era apenas aspirante à Presidência.

Com a ajuda de um amigo comum, Bumlai conheceu o petista e o sonho se realizou. O pecuarista tornou-se íntimo de Lula.

O sonho embutia uma profecia que ele só confidenciou a poucos: a aproximação renderia excelentes resultados para ambos.

Assim foi. Lula chegou ao Planalto, e Bumlai, bom de negócios, bem-sucedido e rico, tornou-se fiel seguidor do presidente, resolvedor de problemas de toda espécie e, claro, receptador de dividendos que uma ligação tão estreita com o poder sempre proporciona.

No governo, só duas pessoas entravam no gabinete presidencial sem bater na porta. Bumlai era uma delas. A outra, Marisa Letícia, mulher de Lula.

Desde 2005, sabia-se em Brasília que Bumlai também tinha delegação para tratar de interesses que envolvessem a Petrobras.

Foi ele, por exemplo, um dos responsáveis por chancelar o nome do hoje notório Nestor Cerveró, um desconhecido funcionário da estatal, para o posto de diretor internacional da empresa.

Em sua missão de conjugar interesses públicos e privados, Bumlai tinha seus parceiros diletos, aos quais dedicava atenção especial. Não demorou para que começassem a chegar ao governo queixas de empresários descontentes com “privilégios incompreensíveis” concedidos aos amigos do amigo do presidente.

Uma das reclamações mais frequentes envolvia justamente a Petrobras e uma empreiteira pouco conhecida até então, a UTC, que de repente passou a assinar contratos milionários com a estatal, ao mesmo tempo em que surgia como uma grande doadora de campanhas, principalmente as do PT.

Gigantes da construção civil apontavam Bumlai como responsável pelos “privilégios” que a UTC estava recebendo da Petrobras.

Hoje, a escalada dos negócios da UTC é uma peça importante da Operação Lava-Jato da Polícia Federal, que está desvendando o ultrajante esquema de corrupção montado no coração da estatal para abastecer as contas bancárias de políticos e partidos.

A cada depoimento, a cada busca, a cada prova que se encontra, aos poucos as peças vão se encaixando. A última revelação pode ser a chave do quebra-cabeça.

Bumlai, o amigo íntimo do ex-presidente que tinha entrada livre ao Palácio do Planalto, está envolvido até o pescoço no escândalo de corrupção montado na Petrobras durante o governo petista.

Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA no tablet, no iPhone ou nas bancas.

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Outros destaques de VEJA desta semana

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18/01/2015

às 17:00 \ Política & Cia

DORA KRAMER: Um espanto — o Ministério Público dá a entender que a roubalheira na Petrobras continuou mesmo depois de o escândalo vir à tona, no ano passado

(Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

Petrolão: propinoduto pode ainda estar aberto, mesmo com todas as investigações e prisões da Operação Lava-Jato (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

O MALEFÍCIO DA DÚVIDA

Artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Ao justificar o pedido de prisão preventiva de Nestor Cerveró, o Ministério Público Federal fez uma alegação que aparentemente vai muito além das circunstâncias específicas envolvendo o ex-diretor da área internacional da Petrobras.

Digo aparentemente porque a afirmação de que o esquema de corrupção na estatal não foi estancado, registrada em documentos da Procuradoria, carece de esclarecimento. Da forma como foi noticiada soa dúbia.

Isso para analisar o tema com boa vontade, partindo do pressuposto de que seja impossível as atividades criminosas terem continuado mesmo depois de a empresa passar a viver sob regime de intensa investigação.

A documentação aponta a inexistência de “indicativos” suficientes para que se conclua com segurança que foram fechados os dutos pelos quais eram desviados recursos da Petrobras. “Pelo contrário, há indícios de pagamentos de propinas efetuados por empresas a diretores mesmo em 2014.”

Quais diretores? Até quando em 2014? O fato de não ter sido estancado quer dizer que o esquema continua funcionando? Aí o tempo do verbo não é um detalhe, é essencial. Uma coisa é a prisão preventiva de Cerveró por atos relativos às denúncias que pesam contra ele. Outra coisa é a referência à continuidade da ocorrência de ilícitos.

a charge roubalheira na petrobras continuaLançam suspeição sobre a atual diretoria da empresa e autorizam a desconfiança de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não fazia mera ilação quando sugeriu o afastamento imediato da cúpula da Petrobras. Deixa mal a comandante da companhia, Graça Foster, e pior a presidente Dilma Rousseff.

O texto dos procuradores contrasta com a declaração de Dilma feita no dia 8 de setembro do ano passado: “Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, eu posso garantir que todas as, digamos assim sangrias que eventualmente pudessem existir estão estancadas”, disse ela pisando em ovos na ponta dos pés, como se vê pela escolha das palavras.

Note-se também que a presidente usou o mesmo verbo, “estancar”, e no presente do afirmativo. Agora o Ministério Público o utiliza no presente, mas na forma negativa. É possível que tenha havido algum mal-entendido. Mas também pode ser que não. Urgente, portanto, que a Procuradoria esclareça se as palavras escritas correspondem aos fatos sugeridos.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

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12/08/2014

às 15:30 \ Política & Cia

MERVAL PEREIRA: Governistas e sua vasta rede de militantes que atuam na internet procuram banalizar ações criminosas na web, como se fossem corriqueiras

Não faz sentido que o ministro Gilberto Carvalho tome a parte pelo todo e confunda o Brasil com o PT (Foto: Richard Casas / PT)

Como é que o ministro Gilberto Carvalho pode afirmar que é uma “bobagem” a alteração maldosa de perfis de críticos do governo na Internet por computadores situados em instalações do governo e ficar tudo bem? (Foto: Richard Casas / PT)

 A BANALIZAÇÃO DO CRIME

Artigo de Merval Pereira publicado no jornal O Globo

Sem ter como desmentir as recentes denúncias de manipulação criminosa, os governistas e sua vasta rede de militantes que atuam na internet passaram a uma bem orquestrada ação de banalização dessas atividades ilegais, como se fossem corriqueiras.

É o caso da preparação dos ex-diretores da Petrobras para depoimentos na CPI que apura a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, acusada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de prejudicial aos cofres da empresa.

A própria presidente Dilma abriu essa discussão ao acusar publicamente o ex-diretor Nestor Cerveró de ter produzido um relatório falho tecnicamente, que induziu o Conselho Administrativo da Petrobras, presidido por ela na ocasião, ao erro de aprovar uma transação que se mostrou equivocada. Pois bem, como é sabido a Petrobras demitiu Cerveró, que à época trabalhava na BR Distribuidora, e a própria presidente da estatal, Graça Foster, admitiu no Congresso que aquela não fora uma boa compra.

Descobre-se agora que a Petrobras está pagando as multas com que os ex-diretores foram punidos pelo TCU, e que todos eles, inclusive o culpado pelo prejuízo, estavam recebendo orientações especiais e treinamento para o depoimento na CPI da Petrobras.

Não bastasse a estranheza de a estatal prejudicada bancar a defesa de ex-diretores acusados de malversação de dinheiro público, gravações de uma reunião na sede da Petrobras revelaram que a chegada de Cerveró à sede da empresa foi cercada de preocupações e cautelas para que sua presença não fosse notada.

E que as perguntas que seriam feitas a ele e a outros diretores já estavam previamente preparadas pelos próprios membros da CPI da base aliada do governo.

O ministro das Comunicações Paulo Bernardo, para justificar essa tramoia, deu uma declaração absolutamente absurda: segundo ele, desde Pedro Álvares Cabral, as CPIs são arranjadas.

Esqueceu-se de que a CPI que derrubou o então presidente Collor foi liderada pelo PT, e que outras, como a dos Correios, acabaram levando à cadeia diversos líderes petistas envolvidos no mensalão.

(PARA TERMINAR DE LER, CLIQUEM AQUI)

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06/08/2014

às 19:18 \ Política & Cia

NINGUÉM ENTENDEU NADA: Dilma se irrita (e se enrola) ao explicar relação do Planalto com farsa da CPI

Dilma Rousseff participa do encontro na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília  (Foto: Ichiro Guerra/Divulgação/VEJA)

Dilma Rousseff participa do encontro na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília (Foto: Ichiro Guerra/Divulgação/VEJA)

Presidente se perde no dilmês ao tratar do tema: ‘Acho estarrecedor alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela’

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges, de Brasília, para o site de VEJA

A presidente Dilma Rousseff ficou extremamente irritada nesta quarta-feira ao ser questionada sobre a participação do Planalto na farsa montada por governistas e pelo PT para impedir investigações na CPI da Petrobras no Senado – revelada por VEJA nesta semana.

Ao deixar a sabatina promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, a petista negou-se a esclarecer a ligação de servidores do Planalto com o caso: nesta quarta, o jornal Folha de S. Paulo informou que Luiz Azevedo, secretário-executivo das Relações Institucionais, ajudou a elaborar o plano de trabalho apresentado pela comissão em maio.

Já Paulo Argenta, outro assessor da pasta, foi um dos responsáveis pela preparação das questões antecipadas aos depoentes, como mostra vídeo obtido por VEJA.

Dilma também não explicou porque servidores do governo e da liderança governista no Senado participaram da formulação de um gabarito para depoentes. E foi além: ignorando o fato de que a elaboração das perguntas feitas em uma CPI seja tarefa exclusiva dos integrantes da comissão e do relator dos trabalhos, Dilma afirmou ser “estarrecedor o fato de que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela”.

Em um raciocínio confuso, a presidente-candidata disse que o setor de petróleo seria complexo demais para que pessoas de fora da área questionassem a Petrobras a respeito – e ainda ensaiou a tese de que apenas técnicos especializados em combustíveis teriam condições de elaborar perguntas à estatal.

– Vou te falar uma coisa. Acho extraordinário. Primeiro porque o Palácio do Planalto não é expert em petróleo e gás. O expert em petróleo e gás é a Petrobras. Eu queria saber se você pode me informar quem elabora perguntas sobre petróleo e gás para a oposição também. Muito obrigada.

Alguém entendeu? Pois ela continuou:

– Não é o Palácio do Planalto nem nenhuma sede de nenhum partido. Quem sabe das perguntas sobre petróleo e gás só tem um lugar. Pergunta só tem um lugar no Brasil. Eu diria vários lugares no Brasil: a Petrobras e todas as empresas de petróleo e gás”, disse, sem disfarçar o nervosismo – que tornou a fala da presidente ainda mais difícil de ser compreendida.

Leiam também: 

Gravações comprovam: CPI da Petrobras foi uma grande farsa
Farsa na CPI: oposição pede anulação de depoimentos e promete acionar PGR

“Você sabe que há uma simetria (sic) de informação entre nós, mortais, e o setor de petróleo. É um setor altamente oligopolizado, extremamente complexo tecnicamente. Acho estarrecedor que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela”, completou, sem esclarecer o episódio.

VEJA revelou nesta semana que governistas engendraram esquema para treinar os principais depoentes à comissão de inquérito, repassando a eles previamente as perguntas que seriam feita na CPI e indicando as respostas que deveriam ser dadas. Paulo Argenta; Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; e Carlos Hetzel, secretário parlamentar do PT na Casa, formularam perguntas aos depoentes e atuaram para que as respostas, tal qual um gabarito de prova, fossem entregue às pessoas que falariam à comissão.

O kit de perguntas e respostas foi distribuído ao ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli e ao ex-diretor Nestor Cerveró, apontado como o autor do “parecer falho” que levou a estatal do petróleo a aprovar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, um negócio que causou prejuízo de quase 1 bilhão de dólares à empresa. A atual presidente da companhia Graça Foster também recebeu as perguntas da CPI por meio do chefe do escritório da empresa em Brasília, José Eduardo Barrocas.

Até o momento a oposição identificou que o teatro na CPI da Petrobras pode ter envolvido os crimes de obstrução da Justiça, fraude, improbidade por uso de servidores para fins privados, falso testemunho de depoentes, advocacia administrativa e possível violação do sigilo funcional se servidores tiverem repassado documentos sigilosos da CPI para o Poder Executivo.

Sem deixar que questionamentos sobre a Petrobras fossem apresentados a ela, a presidente ainda se recusou a responder sobre os possíveis impactos da inclusão de Graça Foster entre os responsáveis por Pasadena, em decisão a ser tomada pelo TCU nesta quarta-feira. Graça, que era diretora de gás e energia quando se desenvolviam as negociações de Pasadena, deve ter seus bens declarados indisponíveis, a exemplo dos demais.

“Você já julgou, querida? Se você julgou, eu te agradeço por não fazer isso”, afirmou Dilma, interrompendo a pergunta. “Acho que se não houve julgamento não se gera constrangimento nenhum. Peço para você não me fazer uma pergunta sobre um julgamento de uma corte, que não foi feito. Não é correto”, disse.

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01/08/2014

às 14:00 \ Política & Cia

No caso Pasadena, ministros do TCU responsabilizam diretores da época de Lula

(Foto: Gilberto Tadday)

Caso Pasadena: para o TCU, culpa é tanto de Lula quanto de Dilma (Foto: Gilberto Tadday)

OS (IR)RESPONSÁVEIS

O TCU responsabiliza igualmente os onze diretores da Petrobras ao tempo de Lula pelo prejuízo com Pasadena. É uma decisão politicamente forte, mas socializar a culpa pode dificultar a punição dos que fizeram a lambança

Reportagem de Adriano Ceolin publicada em edição impressa de VEJA

Líderes do PT desconfiam de Dilma Rousseff. Dizem que ela não é petista de carteirinha, acusam-na de tirar poder do partido e difundem a suspeita de que, se for reeleita, não convidará companheiros para assumir cargos de ponta no próximo mandato. A Petrobras, repetem os insurgentes, seria uma prova inequívoca do distanciamento entre a presidente e a máquina partidária.

Em março deste ano, Dilma admitiu publicamente que, em 2006, quando comandava o conselho de administração da Petrobras, votou a favor da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, com base num relatório “falho” feito por Nestor Cerveró, então diretor da área internacional da empresa.

A atitude da presidente repercutiu de imediato. A oposição usou a declaração para desgastar sua imagem de “gerentona” e tirar do papel uma CPI para investigar os negócios da Petrobras. Já Lula disse que Dilma tinha dado um tiro no pé ao levar o problema para o gabinete mais poderoso do Palácio do Planalto. Lula também se mostrou contrariado porque o gesto da sucessora, ao fim e ao cabo, equivalia a debitar na conta dele o prejuízo decorrente da operação. Isso era demais para o PT.

(Foto: Reuters/Nacho Doce)

Para Lula, CPI da Petrobras foi tiro no pé de Dilma (Foto: Reuters/Nacho Doce)

Em 2012, quando surfava em altas taxas de popularidade, Dilma demitiu grão-petistas e aliados políticos da direção da Petrobras. O PT ensaiou uma resistência, mas aceitou as mudanças. Já o constrangimento público imposto a Lula foi tomado por uma declaração de guerra e ressuscitou a ofensiva para que ele fosse o candidato do PT à Presidência em 2014.

A assessores mais próximos, Dil­­ma explicou que não quis atingir seu antecessor. Ela teria apenas relatado os fatos como ocorreram. E, ao dizer a verdade, teria demonstrado um cuidado todo especial com o calendário eleitoral.

Pouco antes do sincericídio presidencial, o Planalto recebera informações de que o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgaria uma decisão sobre a compra de Pasadena, com punições severas, às vésperas da eleição. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

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10/07/2014

às 17:00 \ Política & Cia

Oposição quer levar Lula à CPI que investiga o escândalo da refinaria Pasadena. Vejam por que razão

(Foto: Ricardo Stuckert Filho)

Caso Pasadena: Dilma já sofreu com a repercussão — agora é a vez de Lula (Foto: Ricardo Stuckert Filho)

NO REINO DA DINAMARCA

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

A oposição usou com sucesso a polêmica compra da Refinaria de Pasadena para desgastar Dilma Rousseff.

Agora, lançará mão da mesma operação para fustigar Lula.

Os oposicionistas tentarão convocar o ex-presidente para depor na CPI Mista da Petrobras com base numa declaração do ex-diretor Nestor Cerveró.

Em depoimento recente, ele disse que Lula participou de uma reunião na Dinamarca, em setembro de 2007, em que executivos da empresa brasileira e da Astra Oil acertaram os detalhes da compra da refinaria.

Cerveró falou com conhecimento de causa, já que fazia parte da comitiva da Petrobras que foi à Europa, naquela ocasião, tratar do negócio.

Uma consulta à agenda oficial do Planalto mostra que Lula também visitou a Dinamarca em setembro de 2007.

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23/05/2014

às 18:00 \ Disseram

Um grande “acerto”…

“Não considero Dilma responsável porque as decisões são colegiadas e geralmente são aprovadas por unanimidade. A compra de Pasadena (…) é responsabilidade de todos nós. Foi um acerto coletivo.”

Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, em depoimento na CPI criada para apurar o caso da compra da refinaria

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21/04/2014

às 18:00 \ Política & Cia

CASO PASADENA: Oposição diz que entrevista de Gabrielli responsabilizando Dilma reforça CPI

(Foto: Agência Brasil)

Para Gabrielli, Dilma não pode fugir de que a decisão da compra de Pasadena foi sua (Foto: Agência Brasil)

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo

Para oposição, entrevista de Gabrielli que responsabiliza Dilma reforça CPI

Ex-presidente da Petrobrás disse ao ‘Estado’ que presidente tem de assumir sua parcela de ônus no caso da refinaria Pasadena; ministra Rosa Weber, do Supremo, deve decidir amanhã sobre investigação parlamentar; Planalto minimizou declaração

Em uma semana considerada decisiva para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás, a oposição acredita que a entrevista do ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli ao Estado reforça seus argumentos a favor de uma investigação no Congresso que apure negócios da empresa.

Na entrevista, publicada ontem, Gabrielli afirma que a presidente Dilma Rousseff não pode fugir de sua responsabilidade pela decisão da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos – operação iniciada em 2006 e concluída em 2012, após a Petrobrás perder uma batalha judicial com a empresa belga Astra Oil.

A aquisição da refinaria localizada no Texas, ao custo final de US$ 1,2 bilhão, é a principal polêmica que envolve a estatal. Dilma, então ministra da Casa Civil, era a presidente do Conselho de Administração da empresa na época do negócio.

“O objetivo dela (a CPI) é exatamente determinar, sem qualquer pré-julgamento, qual é a responsabilidade de cada um nesse caso da refinaria de Pasadena e em outros episódios envolvendo a Petrobrás. A CPI não é uma demanda das oposições, como querem fazer crer alguns governistas, mas sim da sociedade brasileira”, afirmou ontem ao Estado o pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves.

Aécio: CPI  da Petrobras não é exigência das oposições, mas “da sociedade brasileira” (Foto: PSDB/Divulgação)

No Palácio do Planalto, a entrevista de Gabrielli foi tratada com discrição. Auxiliares da presidente procuraram minimizar o impacto da fala do ex-presidente da Petrobras. A avaliação é que se trata de uma linha de defesa adotada por Gabrielli, já que a operação de compra da refinaria de Pasadena está sob investigação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União (TCU) e ele poderá ser chamado a depor.

A expectativa é que a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, decida amanhã se o Congresso pode instalar uma CPI restrita à estatal, como querem os oposicionistas, ou ampliada – para investigar também o cartel dos trens em São Paulo e no Distrito Federal e obras no Porto de Suape, em Pernambuco -, como desejam os governistas.

Líder do PSB na Câmara, o deputado Beto Albuquerque (RS) afirmou que, além de mostrar a necessidade de se fazer a CPI para investigar a operação de compra de Pasadena, ficou claro que Gabrielli “deu um puxão de orelhas” em Dilma.

“Quando o Gabrielli assume a responsabilidade pela compra de Pasadena, por ser o presidente da companhia, na época, ele está sendo honesto. Não tem como negar que é mesmo o responsável. E não há como negar que Dilma, então presidente do Conselho de Administração, tem responsabilidade igual”, disse. “O Gabrielli botou a bola na marca do pênalti.”

Já para o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), Gabrielli foi muito claro na entrevista. “Ele disse, sem rodeios: ‘somos todos responsáveis’. Não adianta achar que uns vão tirar a sardinha do fogo com a mão do gato. Está muito claro que a então ministra Dilma Rousseff era responsável pela decisão da compra da refinaria. Ela era presidente do Conselho de Administração, que aprovou a compra.”

Resumo. Na entrevista, Gabrielli também reforçou a afirmação de que o resumo executivo em que o conselho baseou sua decisão sobre a compra foi “omisso”, mas não falho. O ex-presidente da estatal, contudo, acrescentou que isso não foi relevante para a decisão.

Dilma havia afirmado que só aprovou a compra de 50% da refinaria da Astra Oil, em 2006, porque o resumo executivo feito na época pelo então diretor da área internacional da Petrobrás Nestor Cerveró foi falho porque não continha as cláusulas Put Option – que obrigava a Petrobrás a adquirir a outra metade da refinaria em caso de desentendimento com a sócia – e Marlin – que garantia lucro mínimo ao grupo belga.

 

(Foto: PT/Divulgação)

Para José Guimarães, vice-presidente do PT, declarações de Gabrielli são irrelevantes (Foto: PT/Divulgação)

Na semana passada, Nestor Cerveró depôs na Câmara dos Deputados. Ele se defendeu, dizendo que o resumo executivo que fez não foi determinante para a compra e as cláusulas omitidas irrelevantes para a decisão do conselho.

Para o deputado José Guimarães (CE), vice-presidente nacional do PT e ex-líder do partido na Câmara, a oposição tenta fazer um “carnaval”. “Isso que o Gabrielli falou não tem importância nenhuma. Está claro que a oposição fez um carnaval do tamanho do mundo com os depoimentos da Graça Foster e do Nestor Cerveró, que responderam tudo”, afirmou.

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