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Nestor Cerveró

10/07/2014

às 17:00 \ Política & Cia

Oposição quer levar Lula à CPI que investiga o escândalo da refinaria Pasadena. Vejam por que razão

(Foto: Ricardo Stuckert Filho)

Caso Pasadena: Dilma já sofreu com a repercussão — agora é a vez de Lula (Foto: Ricardo Stuckert Filho)

NO REINO DA DINAMARCA

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

A oposição usou com sucesso a polêmica compra da Refinaria de Pasadena para desgastar Dilma Rousseff.

Agora, lançará mão da mesma operação para fustigar Lula.

Os oposicionistas tentarão convocar o ex-presidente para depor na CPI Mista da Petrobras com base numa declaração do ex-diretor Nestor Cerveró.

Em depoimento recente, ele disse que Lula participou de uma reunião na Dinamarca, em setembro de 2007, em que executivos da empresa brasileira e da Astra Oil acertaram os detalhes da compra da refinaria.

Cerveró falou com conhecimento de causa, já que fazia parte da comitiva da Petrobras que foi à Europa, naquela ocasião, tratar do negócio.

Uma consulta à agenda oficial do Planalto mostra que Lula também visitou a Dinamarca em setembro de 2007.

23/05/2014

às 18:00 \ Disseram

Um grande “acerto”…

“Não considero Dilma responsável porque as decisões são colegiadas e geralmente são aprovadas por unanimidade. A compra de Pasadena (…) é responsabilidade de todos nós. Foi um acerto coletivo.”

Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, em depoimento na CPI criada para apurar o caso da compra da refinaria

21/04/2014

às 18:00 \ Política & Cia

CASO PASADENA: Oposição diz que entrevista de Gabrielli responsabilizando Dilma reforça CPI

(Foto: Agência Brasil)

Para Gabrielli, Dilma não pode fugir de que a decisão da compra de Pasadena foi sua (Foto: Agência Brasil)

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo

Para oposição, entrevista de Gabrielli que responsabiliza Dilma reforça CPI

Ex-presidente da Petrobrás disse ao ‘Estado’ que presidente tem de assumir sua parcela de ônus no caso da refinaria Pasadena; ministra Rosa Weber, do Supremo, deve decidir amanhã sobre investigação parlamentar; Planalto minimizou declaração

Em uma semana considerada decisiva para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás, a oposição acredita que a entrevista do ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli ao Estado reforça seus argumentos a favor de uma investigação no Congresso que apure negócios da empresa.

Na entrevista, publicada ontem, Gabrielli afirma que a presidente Dilma Rousseff não pode fugir de sua responsabilidade pela decisão da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos – operação iniciada em 2006 e concluída em 2012, após a Petrobrás perder uma batalha judicial com a empresa belga Astra Oil.

A aquisição da refinaria localizada no Texas, ao custo final de US$ 1,2 bilhão, é a principal polêmica que envolve a estatal. Dilma, então ministra da Casa Civil, era a presidente do Conselho de Administração da empresa na época do negócio.

“O objetivo dela (a CPI) é exatamente determinar, sem qualquer pré-julgamento, qual é a responsabilidade de cada um nesse caso da refinaria de Pasadena e em outros episódios envolvendo a Petrobrás. A CPI não é uma demanda das oposições, como querem fazer crer alguns governistas, mas sim da sociedade brasileira”, afirmou ontem ao Estado o pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves.

Aécio: CPI  da Petrobras não é exigência das oposições, mas “da sociedade brasileira” (Foto: PSDB/Divulgação)

No Palácio do Planalto, a entrevista de Gabrielli foi tratada com discrição. Auxiliares da presidente procuraram minimizar o impacto da fala do ex-presidente da Petrobras. A avaliação é que se trata de uma linha de defesa adotada por Gabrielli, já que a operação de compra da refinaria de Pasadena está sob investigação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União (TCU) e ele poderá ser chamado a depor.

A expectativa é que a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, decida amanhã se o Congresso pode instalar uma CPI restrita à estatal, como querem os oposicionistas, ou ampliada – para investigar também o cartel dos trens em São Paulo e no Distrito Federal e obras no Porto de Suape, em Pernambuco -, como desejam os governistas.

Líder do PSB na Câmara, o deputado Beto Albuquerque (RS) afirmou que, além de mostrar a necessidade de se fazer a CPI para investigar a operação de compra de Pasadena, ficou claro que Gabrielli “deu um puxão de orelhas” em Dilma.

“Quando o Gabrielli assume a responsabilidade pela compra de Pasadena, por ser o presidente da companhia, na época, ele está sendo honesto. Não tem como negar que é mesmo o responsável. E não há como negar que Dilma, então presidente do Conselho de Administração, tem responsabilidade igual”, disse. “O Gabrielli botou a bola na marca do pênalti.”

Já para o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), Gabrielli foi muito claro na entrevista. “Ele disse, sem rodeios: ‘somos todos responsáveis’. Não adianta achar que uns vão tirar a sardinha do fogo com a mão do gato. Está muito claro que a então ministra Dilma Rousseff era responsável pela decisão da compra da refinaria. Ela era presidente do Conselho de Administração, que aprovou a compra.”

Resumo. Na entrevista, Gabrielli também reforçou a afirmação de que o resumo executivo em que o conselho baseou sua decisão sobre a compra foi “omisso”, mas não falho. O ex-presidente da estatal, contudo, acrescentou que isso não foi relevante para a decisão.

Dilma havia afirmado que só aprovou a compra de 50% da refinaria da Astra Oil, em 2006, porque o resumo executivo feito na época pelo então diretor da área internacional da Petrobrás Nestor Cerveró foi falho porque não continha as cláusulas Put Option – que obrigava a Petrobrás a adquirir a outra metade da refinaria em caso de desentendimento com a sócia – e Marlin – que garantia lucro mínimo ao grupo belga.

 

(Foto: PT/Divulgação)

Para José Guimarães, vice-presidente do PT, declarações de Gabrielli são irrelevantes (Foto: PT/Divulgação)

Na semana passada, Nestor Cerveró depôs na Câmara dos Deputados. Ele se defendeu, dizendo que o resumo executivo que fez não foi determinante para a compra e as cláusulas omitidas irrelevantes para a decisão do conselho.

Para o deputado José Guimarães (CE), vice-presidente nacional do PT e ex-líder do partido na Câmara, a oposição tenta fazer um “carnaval”. “Isso que o Gabrielli falou não tem importância nenhuma. Está claro que a oposição fez um carnaval do tamanho do mundo com os depoimentos da Graça Foster e do Nestor Cerveró, que responderam tudo”, afirmou.

20/04/2014

às 19:00 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN e o caso Pasadena: “Todo suspeito é culpado até provar que é influente”

cervero

Cerveró: salva a própria pele, mas não entrega ninguém. (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Notas da coluna do jornalista Carlos Brickmann publicada hoje em vários jornais

carlos_brickmannE vai ter Copa 

O depoimento de Nestor Cerveró, o ex-diretor da Petrobras que sabia tudo sobre a compra da Refinaria de Pasadena (e que elaborou o documento, criticadíssimo por Dilma, lido pelo Conselho de Administração), deixou o jogo empatado. Cerveró manteve todas as saídas abertas, defendeu-se sem incriminar ninguém.

Extrair dele algo diferente exigirá convocá-lo para uma CPI; exigirá, antes, que a CPI seja instalada e funcione, o que leva tempo.

A Copa está aí.

As empreiteiras e consórcios acusados são grandes, poderosos, têm bons amigos. E, como não disse Laurence Peter, todo suspeito é culpado até provar que é influente.

Vargas, lucros e perdas 

Surpresa pela decisão do deputado André Vargas, do PT do Paraná, de desistir da renúncia ao mandato?

Vargas fez o que foi melhor para ele: imaginou inicialmente que a renúncia faria com que seu julgamento na Comissão de Ética da Câmara Federal fosse cancelado – afinal, como cassar o mandato de quem já não teria mandato?

A vantagem seria escapar da proibição de exercer mandatos eletivos nos próximos oito anos.

Mas, ao saber que a Comissão de Ética o julgaria de qualquer jeito, e que não teria benefício nenhum se renunciasse, decidiu ficar na Câmara e defender-se exercendo o mandato (e recebendo).

Para o partido, é ruim; ou decide expulsá-lo (e, ninguém se iluda, Vargas tem aliados, silenciosos no momento, mas poderosos), ou não o expulsa, e arca com o desgaste de mantê-lo.

Vargas até topa renunciar, mas o PT precisará oferecer-lhe uma saída honrosa.

06/04/2014

às 19:15 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN: “Mamãe, eu quero voar (de primeira classe, ou em jatinho de doleiro)”

As mordomias da primeira classe são diferentes conforme a empresa aérea. Algumas delas oferecem até cama para os passageiros. Os ministros do STJ, portanto, se cuidam! (Foto: businessreviewaustralia.com)

As mordomias da primeira classe são diferentes conforme a empresa aérea. Algumas delas oferecem até cama para os passageiros. Os ministros do STJ, portanto, se cuidam! (Foto: businessreviewaustralia.com)

MAMÃE, EU QUERO VOAR

Notas da coluna do jornalista Carlos Brickmann publicada em jornais de hoje

O Brasil é o país onde merecer o tratamento de Excelência já é suspeito.

Imagina o caro leitor que Executivo e Legislativo sejam os grandes consumidores do Tesouro nacional? Engana-se: são também, mas não são os únicos.

O corregedor nacional de Justiça, Gilberto Martins, acaba de determinar investigações sobre viagens ao Exterior de ministros do Superior Tribunal de Justiça e respectivas esposas, sempre em primeira classe, com pagamento de diárias, tudo por nossa conta.

A justificativa é que Suas Excelências viajam para representar o presidente do STJ, Felix Fischer, em eventos internacionais.

“Causa-nos preocupação (…) o número elevado de viagens realizadas ao Exterior às custas do Erário”, diz o corregedor Gilberto Martins. E são boas viagens para bons destinos, com preços de Primeiro Mundo, como Europa e Japão.

O STJ diz que inexiste “qualquer irregularidade”. Pois é.

O caro leitor está indignado? Surpreso?

Não há motivo para surpresa: segundo o corregedor Gilberto Martins, “o problema não é novidade no Poder Judiciário, estando sob investigação outras denúncias envolvendo viagens internacionais de magistrados de diversos tribunais brasileiros”.

Exemplo: o CNJ examina na terça um processo sobre despesas irregulares no Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão. Há ali passagens e diárias para 31 juízes, dois desembargadores e três servidores, todos enviados à Florida, nos Estados Unidos, para participar de um curso de segurança pessoal.

Para que?

Acertou: para nada.

Sub do sub

Da ótima coluna Aziz Ahmed, no jornal carioca O Povo: “O Diário Oficial da União, seção 2, da última terça-feira, publica a nomeação de Celina Pereira para ‘chefe de gabinete do chefe de gabinete pessoal da Presidência da República’ “.

Ele sabe. Esteve lá

Aécio?

Eduardo Campos?

Alguma CPI?

Não: o maior inimigo do governo não é candidato a nada, exceto a desmoralizar o alto-comando governista.

Nestor Cerveró, que foi diretor internacional da Petrobras na época da compra da Refinaria de Pasadena (aquela que custou US$ 42 milhões e foi repassada para a Petrobras por US$ 1,2 bilhão), não gostou de ter tido seu relatório sobre o caso desclassificado por Dilma.

Declarou-se pronto a contar o que sabe na Câmara, no Senado, na Polícia Federal e na Procuradoria Geral da República.

E que é que ele sabe? A julgar pelos cargos que ocupou, tudo: ele sabe porque esteve lá.

Só falta marcar a data. E, conforme o caso, haverá disputa para ouvi-lo primeiro.

 

jatinho outra

O país avança

As coisas melhoram.

Antes, o deputado federal André Vargas, do PT, vice-presidente da Câmara dos Deputados, viajava de turboélice da FAB de Londrina (PR) para Brasília, às nossas custas, levando um séquito de assessores que carregavam sua mala e, num cabide especial, para não amassar, seu terno (aliás, levando-se em conta a elegância de Sua Excelência, deveria deixar o terno amassar à vontade. Pelo menos teria uma desculpa).

Agora continua viajando com comitiva, mas em jatinho pago por riquíssimo amigo doleiro.

Antes ele do que nós.

23/03/2014

às 19:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Dilma adoçou a boca do ministro Marco Aurélio

"A filha do ministro Marco Aurélio, do STF, foi nomeada desembargadora do TRF por Dilma. Como diz o provérbio, quem agrada a meus filhos adoça meus lábios"

“A filha do ministro Marco Aurélio, do STF, foi nomeada desembargadora do TRF por Dilma. Como diz o provérbio, quem agrada a meus filhos adoça meus lábios”

Nota da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje, domingo, em vários jornais

 SANGUE NÃO É ÁGUA

Carlos Brickmann1 – Paulo Roberto Costa, que era diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, um dos autores do contrato de compra da refinaria de Pasadena, preso pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato, despertou suspeitas ao ganhar de presente de um conhecido doleiro uma Range Rover Evoque, no valor de 200 mil reais.

Range Rover – lembra do Mensalão, que também tinha o caso que ficou famoso de uma Land Rover dada de presente a um figurão da turma do poder?

2 – Paulo Roberto Costa era o homem forte do antigo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que em sua gestão comprou a Refinaria de Pasadena. Costa e Gabrielli sempre foram muito ligados. Talvez hoje, quem sabe, Gabrielli, lá na Bahia, se sinta mais distante do velho companheiro caído em desgraça.

3 – Estão jogando a culpa do “resumo mal feito” do contrato de compra de Pasadena em Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras. Cerveró tem pura linhagem governista: foi indicado por Renan Calheiros.

Cerveró, por coincidência, saiu de férias para lugar incerto e não sabido, talvez na Europa, na véspera da ação da Polícia Federal.

Lembra de Henrique Pizzolatto, do Mensalão? Também viajou para a Europa. Pizzolatto tem dupla nacionalidade.

De Nestor Cuñat Cerveró, até agora, não se sabe se tem uma nacionalidade ou mais.

4 – Ah, a família! Letícia Mello, a jovem e brilhante filha do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, foi nomeada desembargadora do Tribunal Regional Federal-2 por Dilma.

Como diz o provérbio, quem agrada a meus filhos adoça meus lábios.

[Comentário do blog:

Como observei em julho do ano passado, a doutora Letícia Mello, 37 anos, formou-se em Direito no Centro Universitário de Brasília (CEUB), uma universidade privada da capital, não tem qualquer curso de pós-graduação e, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, havia atuado em apenas cinco processos até então.]

Diga-me com quem andas…

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, criação do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, começou seu trabalho tentando fazer esquecer os feitos do antecessor, Alexandre Padilha. Sua primeira missão foi um vasto tour no Carnaval, em companhia da esposa, a bordo de jatinho da FAB.

A explicação é que foi ao Rio, Salvador, Recife e Olinda para distribuir camisinhas (algo que os postos de saúde fariam com mais eficiência, a custo mais baixo, sem sobrecarregar a já insuficiente frota da FAB).

Mas não ficou nisso: deixou seu carro oficial por seis horas na vaga reservada a deficientes físicos, no Congresso. Chioro seguiu o exemplo de seus orientadores políticos: disse que não sabia de nada. E pôs a culpa no chofer. Esse ainda vai pegar uma bela multa e perder muitos pontos na carteira.

…e te direi quem és

Seu antigo colega de Secretariado de Marinho, Benedito Mariano, foi flagrado em alta velocidade no acostamento da Via Anchieta [rodovia que liga São Paulo a Santos], rodando em faixas privativas de ônibus e usando equipamento proibido, o Giroflex (aquelas luzes de teto privativas de viaturas policiais).

Ele também, claro, diz que não sabia de nada.

22/03/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Fernão Mesquita: Por que o Brasil encontra-se hoje na inédita situação do país que sofreu um golpe de Estado mas ainda não percebeu

Petrobras paga o equivalente a 277,64 vezes o valor de Pasadena, e Dilma, que na época era presidente do conselho de administração e assinou o contrato, vem a público declarar que “foi mal informada sobre a operação” (Foto: Estadão Conteúdo)

A Petrobras paga o equivalente a 277,64 vezes o valor da refinaria de Pasadena, e Dilma, que na época era presidente do conselho de administração e assinou o contrato, vem a público declarar que “foi mal informada sobre a operação” (Foto: Estadão Conteúdo)

Artigo publicado no blog Vespeiro

GOLPE COM ANESTESIA

Em 11 de julho de 2012 O Estado de S. Paulo publicou a primeira e quase única matéria que saiu na “grande” imprensa brasileira até a quarta-feira, dia 19, sobre o verdadeiro assalto praticado contra a “nossa” Petrobras envolvendo uma refinaria obsoleta em Pasadena, Texas, que nos foi empurrada goela abaixo daquela forma risonha e franca habitual entre os que têm a certeza da impunidade.

Naquela ocasião, já lá vão 20 meses, o destaque dado à matéria foi inteiramente desproporcional ao escândalo que ela relatava e que envolvia diretamente ninguém menos que a atual presidente da Republica, Dilma Rousseff, presidente do Conselho de Administração da Petrobras quando a falcatrua foi aprovada.

Veja bem, o resumo do caso é o seguinte:

Em 2005 a família Frére, da Bélgica, compra a refinaria de Pasadena por US$ 42,5 milhões. Era uma refinaria pequena que estava desativada e que não tinha condições técnicas de processar o petróleo pesado produzido no Brasil.

Em 2006, ela vende à Petrobras 50% do que comprou por US$ 360 milhões, ou seja, 8,47 vezes mais do que pagou pela refinaria inteira ou 17 vezes mais que o que pagou por 100% de suas ações. O agente direto dessa transação, Alberto Feilhaber, é um desses patriotas que pululam neste governo. Tinha 20 anos de Petrobras em seu currículo mas, àquela altura estava empregado da Astra, a empresa dos tais belgas.

Mas essa primeira mordida não foi bastante. Segundo informou na quarta-feira O Estado de S. Paulo com 20 meses de atraso em relação à sua primeira matéria, a Petrobras se comprometeu por contrato a comprar o restante das ações ao fim de um certo prazo acrescidas de um lucro anual de 6,9%.

Em 2012, ao fim de uma batalha judicial, a Petrobras paga aos felizardos belgas mais 820 milhões e quinhentos mil dólares pelos 50% restantes, perfazendo 1 bilhão e 180 milhões de dólares pelo “mico” inteiro, o equivalente a 277,64 vezes o que eles tinham pago pela empresa, o que obviamente não quer dizer que eles embolsaram sozinhos toda essa multiplicação.

José Dirceu; Antonio Palocci; Dilma Rousseff; Sérgio Gabrielli e Graça Foster: imagine a festa (Fotos: Marcello Casal Jr / ABr :: Gustavo Miranda / Agência O Globo :: Marcus Boeira :: AFP)

José Dirceu; Antonio Palocci; Dilma Rousseff; Sérgio Gabrielli e Graça Foster: imagine a festa (Fotos: Marcello Casal Jr / ABr :: Gustavo Miranda / Agência O Globo :: Marcus Boeira :: AFP)

No meio do caminho, desde 2008 quando entrou em litígio nos EUA contra seus sócios belgas, a Petrobras contrata um escritório de advocacia ligado aos próprios signatários da falcatrua para defendê-los naquele país pela bagatela 7 milhões e novecentos mil dólares…

E quem foi o arquiteto de toda essa operação transcorrida em pleno ano eleitoral?

Um certo senhor Nestor Cerveró, nomeado Diretor Internacional da Petrobras, segundo consta por ninguém menos que José Dirceu, o mais VIP entre os hospedes da ala VIP da Penitenciária da Papuda que ele divide com metade da diretoria do Partido dos Trabalhadores que ainda nos governa, depois que ele já tinha sido apeado da Casa Civil da Presidência da Republica de Lula por causa do Mensalão.

Este senhor Cerveró continuava até hoje na Petrobras como Diretor Financeiro da BR-Distribuidora, imaginem vocês que festa!

As demais figuras de proa envolvidas na operação não estão mais lá.

Dilma Rousseff, a presidente do Conselho de Administração que assinou o negócio proposto pelo preposto de Dirceu, virou presidente da Republica e publica nota oficial no Estado para dizer, candidamente, que “foi mal informada sobre a operação” que aprovou (e certamente continua sendo, posto que o “omisso” mor continua onde estava). Vale a pena ler aqui esta ode à cara-de-pau.

Sérgio Gabrielli, então diretor da Petrobras, é hoje Secretário de Planejamento do governo da Bahia chefiado por Jaques Wagner, que pretende suceder no governo daquele estado, e que na época também fazia parte do Conselho da Petrobras e também assinou o esbulho. Andam juntos desde sempre, esses dois.

Outro figurão cuja assinatura consta desse contrato-confissão é o hoje “consultor de empresas” e então ministro da Fazenda e membro do Conselho da Petrobras, Antônio Palocci.

O arquiteto da história é Nestor Cerveró, que continua na Petrobras como diretor financeiro (Foto: Agência Petrobras)

“O arquiteto dessa obra ocorrida em pleno anoa eleitoral é Nestor Cerveró, que continua na Petrobras como diretor financeiro” (Foto: Agência Petrobras)

Apesar de todos esses elementos já estarem presentes desde a primeira matéria, ela saiu, como disse, perdida numa das páginas internas do jornal.

Dez dias depois, a 21 de julho, o mesmo jornal publica uma matéria assinada pelos mesmos repórteres que assinavam a primeira para, sem mencionar o caso Pasadena uma única vez, contar ao distinto público que dona Graça Foster, que substituiu Gabrielli na presidência da Petrobras, estava “passando um pente fino” em todos os contratos da estatal, além de afastar quatro diretores ligados ao ex-presidente, com quem, entretanto, seguia mantendo as melhores relações: “A gente é amigo… A diferença é que você é menino e eu sou menina”.

Não é um amor?

Sobre Pasadena, porém, ela nada mais disse nem lhe foi perguntado.

O resto da grande imprensa brasileira, com exceção da VEJA, praticamente ignorou o assunto.

Seguiu publicando, aqui e ali, os dossiês regulamentares a que figuras nunca nomeadas lhe “dão acesso”, tais como, entre outros, o caso Alstom, velho de 31 anos e envolvendo, entre outras figuras menores do partido, um grande número de membros já falecidos do PSDB, que nesse meio tempo mereceu dúzias das manchetes que todos negaram ao caso da multiplicação por 277 vezes do preço de um bem que não nos serve para nada numa transação aprovada pela atual presidente da Republica candidata à reeleição em pessoa.

Nesse meio tempo, ainda, a Petrobras, por essas razões e por outras ainda piores, teve seu valor de mercado reduzido em 43% (desde 2010), algo equivalente a R$ 165 bilhões de prejuízo para seus acionistas ao redor do mundo, os mesmos de cujo dinheiro depende a reforma da infraestrutura brasileira que, nestes 12 anos à frente do destino da Nação, o PT permitiu que se transformasse em sucata depois de dissipar na compra de votos e na contratação de “companheiros” todo o dinheiro que poderia tê-la resgatado e modernizado minimamente.

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