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Museu do Amanhã

11/01/2014

às 17:00 \ Tema Livre

Gigantes da internet constroem super-sedes no meio do nada

PENSANDO DIFERENTE -- Imagem da sede da Apple, que será entregue em 2016, em Cupertino. A população da cidade, no Vale do Silício, equivale à de Penápolis, no interior de São Paulo (Foto: Divulgação)

PENSANDO DIFERENTE — Imagem da sede da Apple, que será entregue em 2016, em Cupertino. A população da cidade, no Vale do Silício, equivale à de Penápolis, no interior de São Paulo (Foto: Divulgação)

Reportagem de Mariana Barros, publicada em edição impressa de VEJA

GIGANTES NO MEIO DO NADA

Ao erguer prédios-monumento em suas pequenas cidades-sede, Apple, Facebook e Google pensam em atrair jovens funcionários seduzidos pelas metrópoles

Em junho de 2011, quatro meses antes de morrer, Steve Jobs fez o que seria sua última aparição pública. No encontro, estavam presentes o prefeito da pequena cidade de Cupertino, onde fica a sede da Apple, membros do Conselho Municipal e integrantes do escritório Foster + Partners, liderado pelo premiado arquiteto inglês Norman Foster.

A pauta da reunião girou em torno da aprovação do projeto de construção de uma nova sede da empresa na cidade. Desenhado por Foster ao longo de dois anos, o edifício agora tem previsão de ser entregue em 2016. Será abastecido por fontes renováveis de energia com uma das maiores instalações de painéis voltaicos, para captar energia solar, e ventilação natural.

Na forma de um imenso anel de 464 metros de diâmetro, ele lembra uma nave espacial pousada no meio do nada. Os geeks, em geral, nunca fizeram questão de mostrar grande preocupação
com a arquitetura ou com a moda.

O próprio Jobs passou a vida usando a mesma combinação de calça jeans, camiseta preta e tênis. Assim, por várias décadas, os gigantes da tecnologia pouco se importaram com a forma de seus edifícios. Pareciam não ter tempo a perder com isso quando havia tantas ideias para desenvolver. A obsessão pela forma se restringia ao desenho dos produtos.

PRÉDIOS-ESPETÁCULO --  Três esferas de vidro, que lembram bolhas de sabão gigantes, formam a nova sede da Amazon. Na fria e cinzenta Seattle, ela foi projetada pelo escritório NBBJ, o mesmo que projetará para o Google. Para os gigantes da internet, arquitetos estrelados e edifícios de alta tecnologia são formas de atrair a juventude que tem preferido se estabelecer em outras freguesias (Foto: Divulgação)

PRÉDIOS-ESPETÁCULO — Três esferas de vidro, que lembram bolhas de sabão gigantes, formam a nova sede da Amazon. Na fria e cinzenta Seattle, ela foi projetada pelo escritório NBBJ, o mesmo que projetará para o Google. Para os gigantes da internet, arquitetos estrelados e edifícios de alta tecnologia são formas de atrair a juventude que tem preferido se estabelecer em outras freguesias (Foto: Divulgação)

Nos últimos anos, porém, o panorama mudou. Além da contratação de Foster pela Apple, Facebook, Google e Amazon recorreram a profissionais estrelados para desenhar novos espaços de trabalho, numa espécie de corrida maluca por prédios de arquitetura mirabolante.

A tarefa de criar um edifício para o Facebook ficou a cargo do canadense e ultrapremiado Frank Gehry. Ele e Foster são vencedores do prêmio Pritzker, espécie de Nobel da arquitetura. No megacomplexo proposto, telhados ajardinados camuflarão uma área para 10 000 funcionários. Gehry deve entregar ainda  os escritórios do Facebook em Dublin e em Londres.

Já o Google contratou o NBBJ, fundado em Seattle e com filiais nos Estados Unidos, na China, na Índia e na Inglaterra. A ideia é integrar os diversos prédios da companhia na cidade de Mountain View. Ao contrário das empresas que decidiram iniciar um edifício do zero, o Google optou por uma reforma capaz de integrar os edifícios já utilizados atualmente.

Também sairá das pranchetas do NBBJ a nova sede da Amazon, em Seattle. Três esferas de vidro, que lembram bolhas de sabão gigantes, serão cercadas por três torres de superfície espelhada.

O desejo de provocar impactos estéticos não é a única razão dessa série de novas obras encomendadas pelas companhias de tecnologia. Por trás dos investimentos, há um esforço em tornar as cidades em que estão baseadas mais interessantes aos olhos da juventude que compõe a sua preciosa mão de obra e que ultimamente tem preferido se estabelecer em outras freguesias.

RECICLADO --  Projeção da futura instalação do Google, na pequena Mountain View, na Califórnia: ao contrário das outras empresas, que decidiram iniciar um edifício do zero, o Google optou por uma reforma capaz de integrar os edifícios já utilizados hoje. O conjunto de prédios possui bolsões de estacionamento para funcionários, inclusive para os que vêm de São Francisco

RECICLADO — Projeção da futura instalação do Google, na pequena Mountain View, na Califórnia: ao contrário das outras empresas, que decidiram iniciar um edifício do zero, o Google optou por uma reforma capaz de integrar os edifícios já utilizados hoje. O conjunto de prédios possui bolsões de estacionamento para funcionários, inclusive para os que vêm de São Francisco (Foto: Divulgação)

Cupertino, por exemplo, onde pousará o Apple Campus 2, é um dos municípios do Condado de Santa Clara, parte do Vale do Silício, região da Califórnia onde estão as empresas do setor. Sua população, de 58 000 habitantes, é equiparável à de Penápolis, a 480 quilômetros da capital paulista. Seria mais uma cidade interiorana, não fosse pelo poderoso ativo de ter a Apple em seu território.

O mesmo enredo se repete com Mountain View, que abriga o Google e tem o tamanho de Arujá (74 000 habitantes), ou Menlo Park, onde está o Facebook e que é equiparável a Cravinhos (32 000 habitantes). Todos esses municípios oferecem enormes bolsões de estacionamento para os funcionários das empresas e linhas de ônibus para transportá-los. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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