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mudança climática

13/11/2014

às 15:26 \ Tema Livre

Mesmo fora do período de seca, mais de 2 bilhões de pessoas dependem de água retirada de aquíferos para sobreviver — e as reservas podem estar acabando

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Quanto mais escura a mancha vermelha, menos água há nos aquíferos que abastecem a Califórnia. Acima, a mudança nos últimos três anos (Mapa: J.T. Reager/NASA/Caltech)

Por Tamara Fisch

Não é apenas o Brasil que sofre com a falta de chuvas. Na realidade, mais de 2 bilhões de pessoas de dezenas de países têm como fonte primária de água não rios ou lagos, e sim os aquíferos subterrâneos, de acordo com um estudo o cientista da NASA James Famiglietti. E, segundo ele, a utilização exagerada das reservas subterrâneas pode levá-las a um esgotamento prematuro e a um cenário assustador em que países poderão entrar em conflito por esse bem precioso e indispensável — a água.

O cientista da agência espacial americana produziu um relatório intitulado “Mudança Climática na Natureza” que, entre outros temas, descreve as causas da terrível seca no mais rico e populoso Estado norte-americano — a Califórnia, onde há mais de três anos chove muito abaixo do mínimo necessário para manter os mananciais — tanto que o governador Jerry Brown decretou estado de emergência e vem adotando medidas muito duras desde o início deste ano. As informações são da revista Mother Jones.

No caso da Califórnia, Famiglietti diz que a bacia dos rios Sacramento e San Joaquin perde em torno de 15 quilômetros cúbicos de água todos os anos desde 2011. Isso é mais do que toda a água utilizada pelos 38,3 milhões de californianos (uso doméstico e municipal) em um ano, sendo que metade disso é retirada de aquíferos subterrâneos.

A água subterrânea é responsável por pelo menos metade da irrigação que mantém a agricultura mundial. Sem chuvas, os agricultores dependem ainda mais da retirada dos aquíferos, que estão sendo esvaziados muito mais rápido do que conseguem se reabastecer naturalmente.

A reserva de água debaixo da terra não recebe tanta atenção de estudiosos quanto deveria. Não se sabe exatamente quanto ainda existe, mas Famiglietti garante que, se continuarmos a bombear água na velocidade que o fazemos agora, o estoque se esgotará em questão de décadas.

O gráfico mostra a redução da quantidade de água armazenada nas principais reservas. Em preto, a evolução do aquífero Guarani (Gráfico:

O gráfico mostra a redução da quantidade de água armazenada nas principais reservas. Em preto, a evolução do aquífero Guarani (Gráfico: J.T. Reager/NASA/Caltech)

A própria agricultura sofre com o esgotamento dos aquíferos. Com menos água disponível, poços artesianos precisam ser cada vez mais fundos (e, portanto, mais caros) e a água retirada é de menor qualidade por ter níveis mais elevados de sais, o que pode causar a perda de produtividade do solo. Para evitar que isso aconteça, é necessário tratar a água, o que acrescenta ainda mais aos custos, e logo apenas os mais ricos poderão manter-se nesse esquema.

Famiglietti, em seu relatório, alerta que o tema da água subterrânea merece muito mais estudo para que se possa mapear o que realmente existe e, assim, administrar melhor as reservas. Sua conclusão é que, se a situação continuar a piorar, logo haverá movimentos populares e conflitos internacionais por causa da falta de água — algo que todos gostariam de evitar.

02/12/2011

às 14:31 \ Vasto Mundo

Parece ironia, mas é verdade: a ONU escolhe maior poluidor da atmosfera per capita do mundo para sediar sua próxima reunião sobre mudança climática

Doha, capital do Catar: dinheiro do país também levou para lá a Copa de 2022

Este mundo é engraçado. Como muitos de vocês já devem saber, não é que a ONU resolveu fazer no emirado do Catar a próxima reunião de cúpula sobre mudanças climáticas?

O nome oficial do encontro é complicado – Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-18) –, mas mais complicado me parece que o endinheirado e petrodolarizado Catar, que já tinha vencido a corrida para disputar a Copa do Mundo de Futebol de 2022 contra colossos como o Reino Unido, tenha dessa vez superado um país de ponta no avanço tecnológico mundial, a Coreia do Sul.

Mais que tudo, porém, o pequeno Catar, devido a sua indústria de petróleo, é o país do MUNDO com mais emissões per capita de gás carbônico, principal fator do efeito-estufa.

Complexo petrolífero no Catar: maior emissor de gás carbônico per capita do mundo vai sediar em 2012 reunião da ONU sobre... mudanças climátias

O Catar, que tem reservas petrolíferas conhecidas de 15 bilhões de barris, joga na atmosfera da Terra mais de 50 toneladas anuais de gás carbônico por habitante, cifra muito maior do que a da Europa (cerca de 10 toneladas) e bem maior do que um enorme poluidos, como os Estados Unidos (20 toneladas por habitante por ano).

Como no caso anterior de triste ironia – o superpoluidor emirado de Abu Dhabi, também grande produtor de petróleo, bateu a Alemanha, um dos países mais preocupados e atuantes na questão climática e com pesquisas e implantação de fontes limpas de energia, como candidato a sede da Agência Internacional de Energias Renováveis –, parece ter sido levada em conta pela ONU a forte contribuição em dinheiro que o Catar proporcionará à organização do evento.

 

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