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Ministério da Saúde

06/01/2013

às 19:00 \ Tema Livre

Um soco no peito: campanha antifumo no Canadá ganha novas e fortíssimas imagens

Publicado originalmente em 01 de outubro de 2011.

São um soco no peito, feitas mesmo para impressionar as 16 novas imagens que a lei do Canadá, tal qual no Brasil, obriga a imprimir nos maços de cigarro e nas embalagens de todos os produtos do tabaco, como fumo para cachimbo, cigarrilhas e charutos. O Health Canadá, o Ministério da Saúde canadense, inclui nas embalagens mensagens sobre os malefícios da nicotina e dos mais de 5.000 produtos tóxicos presentes na fumaça dos cigarros.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

A campanha canadense contém uma inovação: os textos e imagens procuram se aproximar do usuário e do leitor, lançando mão de histórias e rostos de pessoas reais.

Uma das imagens mais comoventes mostra Barb Tarbox, uma mulher que morreu de câncer de pulmão, em seu leito de morte. “Esperamos que sua imagem tenha forte impacto sobre um monte de jovens e isso é realmente o que Barb queria fazer [quando autorizou a foto]“, disse seu marido, Pat, ao jornal Vancouver Sun.

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"Quando você fuma, dá para notar os sinais. Cigarros causam vício e são prejudiciais"

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"É assim que fica quem morre de câncer de pulmão. Barb Tarbox morreu aos 42 anos, de câncer de pulmão causado pelo cigarro"

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"Eu queria nunca ter começado a fumar. Fui diagnosticado como portador de câncer de laringe aos 48 anos. Tive minhas cordas vocais removidas, e agora respiro por um buraco na garganta"

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"Câncer bucal. Estas manchas brancas são uma forma de câncer bucal causada principalmente pelo hábito de fumar. Mesmo se sobreviver, você pode perder parte ou a totalidade de sua língua"

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"O simples respirar é uma tortura. Fumar fez meus pulmões entrarem em colapso quatro vezes antes que eu fosse diagnosticada com enfisema aos 42 anos. Sem meu tanque de oxigênio, parece que estou respirando por um canudinho"

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"Risco de cegueira. Fumar pode aumentar o risco de degeneração macular ligada à idade, uma condição que pode causar perda permanente da visão. Na maioria dos casos, não existe um tratamento eficaz [para isso

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"Cigarros causam câncer de bexiga. Produtos químicos tóxicos na fumaça do tabaco danificam o revestimento da bexiga, causando câncer. O sinal mais comum é sangue na urina"

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"A dependência do cigarro afeta gerações. Mãe e filha são dependentes do tabaco. A a droga [existente

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"Fumo: não, obrigado. O fumo passivo contém muitas substâncias químicas tóxicas que podem prejudicar o feto"

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"Seus filhos estão cheios de você fumar (aqui há um jogo de palavras, porque 'sick of your smoking' também pode significar, ao pé da letra, 'doentes porque você fuma'). O fumo passivo provoca mais frequentes e graves crises de asma em crianças"

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"Os cigarros são uma das principais causas de doenças cardíacas. Os fumantes têm até quatro vezes mais probabilidade de desenvolver doença cardíaca do que os não fumantes"

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"Um derrame cerebral pode deixá-lo inutilizado. Os cigarros são uma das principais causas de acidente vascular cerebral".

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"Fumar no carro não afeta apenas você. Ter as janelas abertas não protege os passageiros dos mais de 70 componentes cancerígenos presentes no tabaco"

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"Outra morte prematura... Fumar é a principal causa evitável de morte prematura no Canadá. Cerca de 100 pessoas morrem por dia devido ao uso de tabaco"

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"Olhe para o poder do cigarro... Lembre-se deste rosto e de que o fumo me matou." Barb Tarbox morreu ao 42 anos, de câncer de pulmão causado pelo cigarro

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"A fumaça do tabaco prejudica a todos. Bebês expostos à fumaça do tabaco correm maior risco de morrer de Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI)"

26/12/2012

às 14:00 \ Vasto Mundo

Fotos terríveis, vídeo e áudio: Austrália lança a mais dura campanha antifumo do mundo

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A indústria tabagista da Austrália tem um ano para mudar de forma drástica o design dos maços de cigarro para um formato mais sóbrio, sem logotipos e com alertas de saúde.

Publicado originalmente em 30 de novembro de 2011.

O governo australiano decidiu promover a mais dura campanha contra o ato de fumar já vista no mundo e anunciou: a partir do final de 2012, nem nos maços e pacotes de cigarro poderão aparecer logotipos, marcas, mensagens, nada.

Somente as imagens, várias delas francamente pavorosas, do Ministério da Saúde, a título de prevenção, e o nome da marca do cigarro, em letra e tamanho padronizados, sempre sobre um fundo verde oliva. As advertências sobre os riscos do fumo para a saúde deverão ocupar 75% da parte da frente dos maços e 90% da de trás.

A duríssima campanha não esqueceu da fundamental missão de informar: o governo criou uma ampla campanha de esclarecimento, educativa e com o foco, certeiro, na mudança de hábitos.

Uma campanha inclusiva, direcionada, multimídia e poliglota

Para alcançar a todos, a campanha conta com material para rádio, televisão, cartazes, outdoors, e conta com uma linha de atendimento via telefone.

É direcionada para mulheres, para homens, para grávidas, para jovens e está disponível em várias línguas: árabe, assírio, bangla, bósnio, cantonês, chinês, coreano, croata, dari, dinka, espanhol, farsi, filipino, francês, grego, islandês, hararian, hindi, indonésio, inglês, italiano, khmer, macedônio, malaio, mandarim, nepalês, português, sérvio, singalês, somali, tailandês, turco e vietnamita.

 

Ouça a propagada para rádio, em português:



Aqui, o cartaz, em português:

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As imagens, que ocuparão frente e verso dos maços de cigarro, são fortes e trazem uma mensagem clara do quão danoso o hábito de fumar é. E traz um número de telefone, denominado quitline – “linha de saída”.

A medida entra em vigor em dezembro de 2012, mas a indústria tabagista promete questioná-la no tribunal: a British American Tobacco Australia considera a nova lei inconstitucional, e acredita que o governo teria que pagar indenização por retirar o nome da marca dos maços de cigarros e alterar a propriedade intelectual.

Talvez tenha razão, mas ainda assim é um preço baixo pela saúde da população.

veja as imagens que estamparão os maços:


 

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FUMAR CAUSA CEGUEIRA: fumar provoca danos irreversíveis no fundo do olho. É a chamada degeneração ocular. Com a perda da visão central, pode ocorrer a cegueira. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

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FUMAR CAUSA CÂNCER DE BOCA E GARGANTA: fumar é a principal causa dos cânceres que afetam boca e garganta. Esses tipos de câncer podem resultar na necessidade de cirurgias extensivas, problemas para comer e problemas de deglutição, fala e desfiguração permanente. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

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FUMAR CAUSA DOENÇA VASCULAR PERIFÉRICA: fumar prejudica os vasos sanguíneos, que pode impedir a circulação do sangue, principalmente para as pernas ou pés. Isso pode resultar em coágulos de sangue, infecção. gangrena e mesmo amputação. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

 

Fumar pode causar aborto

FUMAR PREJUDICA FUTUROS BEBÊS: fumar durante a gravidez reduz a circulação de sangue na placenta e limita o oxigênio e nutrientes importantes para o desenvolvimento do bebê. Isso aumenta o risco de aborto, morte fetal, parto prematuro, complicações durante o parto ou de o bebê ter um cérebro ou corpo menor. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

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FUMAR BLOQUEIA SUAS ARTÉRIAS: fumar bloqueia suas artérias, fazendo com que fiquem entupidas, e pode levar a ataques cardíacos, acidente vascular cerebral, doença vascular periférica, gangrena dos pés e impotência sexual. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

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FUMAR CAUSA ENFISEMA: O enfisema é uma doença que aos poucos destroi os alveólos pulmonares, tornando difícil respirar. Doentes dizem que o enfisema torna um inferno permanente o ato de respirar. Quase todo enfisema é causado pelo cigarro. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

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A FUMAÇA DO CIGARRO É TÓXICA: a fumaça do cigarro é uma mistura complexa de produtos químicos tóxicos, como as nitrosaminas e bensopirenos (que contribuem diretamente para a formação de câncer em fumantes), e monóxido de carbono (que reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio). Essas substâncias nocivas podem atingir seu cérebro, coração e outros órgãos 10 segundos após a primeira tragada. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

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FUMAR DUPLICA O RISCO DE DERRAME CEREBRAL: fumar estreita as artérias até o cérebro, fazendo com que elas fiquem bloqueadas. Isso causa acidente vascular cerebral que pode resultar em paralisia permanente, incapacidade de falar, invalidez ou morte. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

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NÃO DEIXE AS CRIANÇAS ASPIRAREM A FUMAÇA DE SEU CIGARRO: crianças expostas à fumaça de cigarro têm doenças mais graves, como pneumonia, infecções do ouvido médio e ataques de asma. Bebês expostos ao fumo passivo correm maiores risco de SIDS (síndrome da morte súbita em lactente). Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

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FUMAR -- UMA DAS PRINCIPAIS CAUSAS DE MORTE: causas de morte na Austrália: tabaco 19,019; álcool 25.831; acidentes de automóvel 1,731; drogas ilegais 863; assassinatos 203. Tabagismo causa mais mortes do que o assassinato, drogas e acidentes de carro combinados. Fumantes não só vivem vidas mais curtas, mas também mais anos com problemas de saúde incapacitantes. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

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FUMAR PROVOCA DOENÇAS CARDÍACAS: o tabagismo estreita as artérias do coração, fazendo com que fiquem bloqueadas. Isto pode causar ataques cardíacos e morte. Fumar pode dobrar o risco de morte por ataque cardíaco. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

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FUMAR É UM VÍCIO: quando você fuma, inala a nicotina, que é uma droga. Em pouco tempo você pode achar difícil controlar o quanto você fuma, ou parar de fumar. Muitas pessoas não percebem que estão dependentes do cigarro até que tentam parar de fumar. Até mesmo os fumantes de longa data CONSEGUEM parar e param. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

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PARAR DE FUMAR MELHORA SUA SAÚDE: parar de fumar em qualquer idade traz benefícios para seu coração e sua forma física. Parar de fumar reduz o risco de desenvolver doenças como câncer, ataques cardíacos e derrames. No caso de ataque cardíaco, o risco é reduzido pela metade um ano depois de parar. Você CONSEGUE parar de fumar. Ligue Linha de Saída, fale com seu médico ou farmacêutico ou visite o site.

Campanha para TV

No vídeo acima, parte da campanha australiana nacional antitabagista, vemos um homem sair de casa para o seu primeiro cigarro, acompanhado do cafézinho: ele acende o cigarro, e tosse.
Corta para o homem em um churrasco com os amigos, onde partilha uma piada, e o riso transforma-se em tosse.
Ao subir as escadas no trabalho, perde o fôlego e começa a tossir.
Após o jantar, o homem sai para mais um cigarro, e começa a tossir novamente, porém desta vez ele está tossindo sangue, que pode ver em um lenço.
Locutor: “A qualquer momento a sua tosse de fumante … pode tornar-se um sintoma do câncer”.
Locutor: “Cada cigarro traz o câncer para mais perto de você”.

25/06/2012

às 17:43 \ Política & Cia

Carlos Alberto Sandenberg: Maconheiro de carteirinha

Maconheiro de carteirinha vai gerar uma onde de jovens cadastrados para não fazer nada (Foto: Fred Dufour / AFP)

"Maconheiro de carteirinha no Uruguai vai gerar uma onde de jovens cadastrados para não fazer nada" (Foto: Fred Dufour / AFP)

Por Carlos Alberto Sardenberg, publicado hoje no Caderno de Economia do Estadão

 

MACONHEIRO DE CARTEIRINHA

 

Legalizar a maconha não é uma boa ideia. Mas pode levar a uma situação menos ruim que a atual. Os usuários continuariam aí – e, necessitando de cuidados – mas os traficantes perderiam o mercado e, pois, o dinheiro com o qual ganham a guerra, assassinando desde adversários até usuários inadimplentes, intimidando e corrompendo policiais, juízes, governantes em geral, políticos, jornalistas. O Estado economizaria bilhões hoje torrados em batalhas perdidas, recursos que poderiam ter uso muito melhor na saúde, por exemplo.

E por que legalizar só a maconha? Porque é a menos prejudicial das drogas e porque forma a maior parte do mercado.

Essa tese, elaborada há algum tempo, foi atualizada na América Latina por um grupo formado por ex-presidentes, incluindo Fernando Henrique Cardoso. E o governo do Uruguai, do presidente esquerdista Jose Pepe Mujica, acaba de anunciar sua adesão. É curioso, pois se trata de uma proposta mais para o lado liberal.

Talvez por isso, e por ser uma decisão polêmica, o governo uruguaio tenta dar à ideia uma aparência de política pública de esquerda. Quer sair das sombras do tráfico para o controle total do Estado. Acreditem: Mujica pretende instalar fazendas de maconha, fábricas para produzir o cigarro e uma rede comercial, tudo estatal.

Os consumidores também seriam estatizados. Para comprar os cigarros, a pessoa, maior de 18 anos, precisaria se cadastrar em um órgão governamental. Receberia assim uma carteirinha de maconheiro, com a qual poderia comprar até 40 cigarros por mês. Se comprasse mais que isso – como? – seria obrigada a se registrar em um centro, estatal, claro, de tratamento.

Vamos reparar, pessoal: trata-se de uma das melhores ideias de jerico já produzidas pela esquerda latino-americana. Olhe que essa turma já produziu desastres dos grandes, como inflação e calotes da dívida, mas estatizar o barato é uma proeza.

Admitamos que a maconha estatizada seja melhor que um mercado dominado pelo tráfico. Só que a estatizada vai cair nas mãos dos traficantes e gerar os mesmos problemas de corrupção e violência.

Começa pelo usuário que precisa se registrar. Digamos que uma minoria de militantes da droga tope isso, para marcar posição. Mas o maconheiro, digamos, normal, não vai querer manchar seu nome.

Não é por que terá sido legalizada que a maconha ganhará aprovação social e absolvição médica. Todos sabem que a droga é nociva, vicia e prejudica o desempenho das pessoas. Assim, empresas e escolas vão exigir certidão negativa de maconheiro. Faz sentido. Companhias aéreas, empresas de ônibus, fábricas com instrumentos de precisão teriam um bom argumento para recusar os maconheiros oficiais.

Mas isso certamente criaria uma questão jurídica. Se a maconha é legal, como a empresa pode discriminar o usuário? O sujeito poderia garantir na justiça o direito de não apresentar a certidão. Não adiantaria. Poderia até ganhar, mas ficaria marcado.

Por outro lado, admitindo que tudo esteja montado, forma-se um baita mercado. Cada maconheiro oficial tem direito a 40 cigarros/mês. Algum duvida da consequência? Os traficantes vão mobilizar exércitos de jovens que ganharão um bom dinheiro sem trabalhar – apenas se registrando como maconheiros.

Além disso, o governo uruguaio diz que os cigarros estatais terão o preço tabelado, para não explorar o povo. O que abre enorme margem de lucro para o tráfico.

José Mujica

José Mujica: "trata-se de uma das melhores ideias de jerico já produzidas pela esquerda latino-americana", diz Sardenberg (Foto: AFP)

Lógico, os cigarros “públicos” terão valor de mercado muito maior do que os “privados” que eventualmente continuem chegando do Paraguai ou da Bolívia. Terão controle de qualidade do Ministério da Saúde, produção em laboratórios limpos e equipados, não em cozinhas de fundo de quintal.

Assim, a produção estatal vai dispensar o tráfico de boa parte do plantio, produção e distribuição. Além do mais, alguém duvida que os traficantes se infiltrarão nas fábricas estatais para desviar cigarros? Se os caras hoje compram até juízes, não conseguirão seduzir um chefe de depósito? E os caminhões com a preciosa carga?

Finalmente, todo o complexo estatal da maconha será um grande negócio. Ou seja, muitos cargos para serem disputados pelos políticos. Já pensaram no Brasil? O PT não abre mão da presidência da Maconhabrás…O PMDB quer a diretoria financeira. O diretor de distribuição seria cargo excelente para arranjar votos com a distribuição dos cigarros da quota da diretoria.

Tudo isso sem falar dos direitos do consumidor. Este pode processar o governo se entender que o cigarro oficial não gera o barato, digamos, suficiente.

Lideranças que defendem a legalização da maconha reconhecem que a maior dificuldade é justamente o processo, o modo de fazer isso. O objetivo é tirar o mercado do tráfico e, assim, asfixiar o traficante, mas sem estimular o usuário. A estatização à Uruguai é a pior proposta.

Aqui, como em muitas outras coisas, é preciso deixar as coisas por conta do indivíduo, livre para escolher, e do mercado, também livre. O Estado regula e presta serviços.

 

Asa delta, perigo!

A Força Aérea decidiu fechar o espaço aéreo do Rio nos dias da Rio+20. Não podia voar nem asa delta.

Devem achar que um terrorista, armado com metralhadoras e bombas, poderia decolar da Pedra da Gávea, voar até o Riocentro, aterrisar lá e executar algumas autoridades.

Na Rio + 20, nem asa delta no espaço aéreo carioca

Na Rio + 20, nem asa delta no espaço aéreo carioca

É uma confissão de incompetência. Estão nos dizendo que não conseguiriam interceptar um maluco que tentasse aquela proeza. Logo, fica tudo proibido.

Todo mês de setembro tem a assembleia geral da ONU em Nova York, para onde se dirigem mais de 100 chefes de Estado. Sabem o que acontece com o tráfego aéreo?

Nada.

 

Leia também: 
Reportagem imperdível: como é e o que mostra o documentário sobre drogas que teve FHC como fio condutor

13/04/2012

às 20:26 \ Política & Cia

Comissão do Conselho de Medicina sobre critérios para diagnosticar anencefalia terá vários especialistas

 

Carlos Vital, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina: em prol de "critérios seguros e bem definidos" para diagnosticar a anencefalia (Foto: Agência Brasil)

Da Agência Brasil

A comissão criada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para definir critérios de diagnóstico de anencefalia em fetos será formada por especialistas em ultrassonografia fetal, ginecologia, obstetrícia, genética e bioética. De acordo com o vice-presidente da entidade, Carlos Vital, será convidado também um representante do Ministério da Saúde.

Vital explicou que o objetivo do conselho é elaborar critérios seguros e bem definidos para que o diagnóstico da malformação seja feito. “Hoje, já sabemos que o diagnóstico por imagem [ultrassom] tem um caráter muito resolutivo. Precisamos elaborar isso com detalhes, com o conhecimento de especialistas na área para que possamos, sem a menor dúvida, dar à sociedade a segurança de critérios seguros e eficientes.”

Vital lembrou que, até 2009, mais de 5 mil alvarás foram emitidos pela Justiça brasileira autorizando o aborto de fetos anencéfalos. “As experiências médicas no país existem, não só em termos de diagnóstico, como de realização dos procedimentos”, explicou. Ele criticou, entretanto, que o país permita o aborto apenas por meio de técnicas como a indução e a curetagem.

Sobre casos de sobrevida de bebês com anencefalia por meses ou anos, Vital destacou que os diagnósticos da malformação, “quando corretos e precisos”, não permitem uma sobrevida prolongada e que casos como o da menina Vitória de Cristo, atualmente com 2 anos e 2 meses, podem ter sido mal diagnosticados.

Foi estabelecido prazo de 60 dias para que a comissão defina os critérios para basear o diagnóstico de anencefalia. Só após essa definição, a resolução do CFM será publicada.

13/04/2012

às 14:30 \ Política & Cia

Petistas versus petistas — e propina no meio

INVESTIGADO Edson Pereira: o ex-assessor da Saúde confessou ter recebido propina (Foto: Sergio Dutti)

INVESTIGADO -- Edson Pereira: o ex-assessor da Saúde confessou ter recebido propina (Foto: Sergio Dutti)

 

PETISTAS VERSUS PETISTAS

Os políticos do partido trocam acusações no Ministério da Saúde e no Ministério da Pesca

Na edição passada, VEJA revelou que um assessor especial do ministro da Saúde, o petista Alexandre Padilha, recebeu 200 000 reais de um grupo especializado em fraudar contratos com hospitais federais do Rio de Janeiro.

Em resposta à reportagem, Padilha pediu à Polícia Federal que investigue Edson Pereira de Oliveira, o antigo auxiliar que embolsou o dinheiro, disse que não sabia das negociatas tramadas por ele e garantiu que não tinha nenhuma relação de proximidade com o ex-subordinado, a quem conhece há vinte anos e de quem foi chefe em dois ministérios.

“Estou indignado. O caso é extremamente grave”, declarou Padilha.

A aparente surpresa, segundo um correligionário do ministro, não tem razão de ser. Em entrevista, o presidente do PT da Bahia, Jonas Paulo de Oliveira, disse que alertou Padilha, no ano passado, sobre as práticas nada republicanas de Pereira, que incluiriam “advocacia administrativa e venda de facilidades”, os mesmos produtos que empresários e parlamentares do Rio tentaram comprar dele ao lhe pagar a propina de 200 000 reais.

AVISO Jonas paulo, presidente do PT na Bahia (foto), diz que alertou o ministro (Foto: Jo„o Alvarez / Ag. A Tarde)

AVISO -- Jonas paulo, presidente do PT na Bahia (foto), diz que alertou o ministro sobre propina desembolsada pelo ex-auxiliar (Foto: Jo„o Alvarez / Ag. A Tarde)

O presidente do PT da Bahia conta que o ministro saiu em defesa de Edson e não mandou investigar o caso.

Justamente o contrário do que foi feito pelo atual governador baiano, o também petista Jaques Wagner, quando era ministro de Relações Institucionais, pasta na qual Edson dava expediente no primeiro mandato de Lula. “Quando o viu fazendo essas coisas, o Wagner tirou ele de lá”, afirmou Jonas Paulo.

O ex-assessor especial do ministro da Saúde foi filiado ao PT durante dezenove anos. Com a carteirinha estrelada assumiu um cargo público em 2003. Sob a batuta do ex-ministro José Dirceu, ascendeu na hierarquia da Casa Civil.

Em 2006, concorreu a deputado federal pelo PT. Não se elegeu e mudou-se, em 2007, para o PMDB, partido do qual foi desligado na semana passada. Em 2009, Edson voltou ao ministério para trabalhar com Padilha. Lidava com parlamentares.

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha: sabia ou não sabia? (Foto: Fábio Motta / AE)

Uma de suas missões foi impedir a realização de uma audiência na Câmara sobre os desvios detectados nos hospitais federais do Rio.

Ele obedecia a Padilha e ao secretário de Saúde da Bahia, o petista Jorge Solla.

As disputas petistas têm outra arena. Na semana passada, o deputado Luiz Sérgio chamou de “malfeito” o fato de o Ministério da Pesca ter cobrado de uma empresa que tinha contratos com a pasta uma doação de 150 000 reais para a campanha do PT ao governo de Santa Catarina.

Sérgio foi ministro da Pesca. Sucedeu no cargo a Ideli Salvatti, atual ministra de Relações Institucionais, que foi a candidata petista ao governo catarinense.

(Reportagem de Hugo Marques publicado na edição de VEJA que está nas bancas)

05/04/2012

às 14:30 \ Política & Cia

PMDB e PT estão em guerra pelo comando dos hospitais federais no Rio — para fazer dinheiro à custa dos doentes

CRIME -- Emergência do Hospital do Andaraí (RJ), às 10h58 da última quinta-feira: tem gente que lucra com essa situação (Foto: Luiz Maximiano)

 

O CRUEL TEOREMA DA SAÚDE

 

O PMDB e o PT estão em guerra pelo comando dos hospitais federais no Rio de Janeiro. Para melhorar a vida dos pacientes? Não. Para fazer dinheiro à custa dos doentes. Peemedebistas querem arrecadar 4 milhões de reais por ano. Um assessor do ministro recebeu propina de 200 000 reais

VEJA reconstituiu os bastidores de uma batalha travada entre PMDB e PT pelo controle dos hospitais federais do Rio de Janeiro.

São seis unidades, cujos orçamentos em 2012, somados, chegam a 645 milhões de reais. O embate tem desfecho incerto, mas já deixa claro como gastos de campanha podem tornar reféns agentes públicos e revela por que certos políticos insistem tanto para nomear diretores de órgãos oficiais.

Chama-se Edson Pereira de Oliveira um dos protagonistas dessa trama. Até o fim do ano passado, ele era assessor especial do ministro da Saúde, o petista Alexandre Padilha. Em dezembro, Oliveira pediu demissão. Alegou razões pessoais, mas, na verdade, não resistiu ao assédio de peemedebistas e outros deputados do Rio interessados em comandar diretorias dos hospitais federais do Estado.

Esse grupo acossou Oliveira quase que diariamente. Usou como arma uma informação preciosa: amigo de Alexandre Padilha há vinte anos, o então assessor especial do ministro havia se corrompido. Recebeu 200 000 reais de um grupo ligado a uma quadrilha suspeita de desviar dezenas de milhões dos hospitais fluminenses. O suborno tinha como objetivo manter abertas as portas do ministério aos interesses do grupo — àquela altura ameaçados.

A SAÚDE DOENTE Da esquerda para a direita, os deputados Marcelo Matos, Nelson Bornier e  Deputado Aureo: propina para manter esquema no governo Dilma

A SAÚDE DOENTE -- Da esquerda para a direita, os deputados Marcelo Matos, Nelson Bornier e Aureo: propina para manter esquema no governo Dilma

Mudanças com Dilma

Ao tomar posse na Presidência, Dilma Rousseff demitiu peemedebistas da cúpula do Ministério da Saúde. A canetada presidencial atingiu o cargo de ministro, a bilionária Secretaria de Atenção à Saúde, a Funasa e as cobiçadas diretorias de hospitais federais do Rio.

Para tais postos, Dilma escalou técnicos e petistas — ou técnicos que contam com a simpatia do PT. Essas trocas desencadearam uma guerra  subterrânea entre os dois maiores partidos da base governista.

Para mudar o comando dos hospitais federais do Rio, o ministro Alexandre Padilha usou como argumento o fato de que uma inspeção no sistema de compras do ministério revelou que os preços cobrados pelas seis unidades marchavam de mãos dadas com o desvio e o desperdício. Era preciso mudar.

Propina beirava os 15%

Padilha pediu à Controladoria- Geral da União  (CGU ) que auditasse as contas dos hospitais e à Polícia Federal que entrasse no caso. Uma análise preliminar da CGU revelou desvios de 124 milhões de reais em contratos que somam 887 milhões de reais.

Ou seja, a taxa de propina beirava 15%. Os pagamentos desses valores foram feitos entre janeiro de 2009 e abril de 2011. Na maior parte desse período em que ocorreram as fraudes, lembravam os petistas, a cúpula da Saúde estava sob o comando do PMDB. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

23/03/2012

às 15:00 \ Política & Cia

Em certos países, a indústria do fumo passa um duro danado. Já no Brasil, o governo faz políticas corretas — e a Justiça passa a mão na cabeça dos fabricantes

A luta contra o fumo no Brasil: o Congresso aprova boas, sucessivos governos realizam políticas corretas, os Estados também. Já a Justiça... (Foto: MIchael Probst / AP)

Vocês viram a espantosa coincidência levantada pelo Lauro Jardim, titular do Radar on-line, justo quando o Tribunal de Justiça de São Paulo completava a pouco gloriosa marca da rejeição da 500ª ação de ex-fumante pedindo indenização por danos atribuídos ao fumo?

Desde 1995, a Souza Cruz, gigante multinacional do mercado brasileiro, respondeu em São Paulo a 637 processos do tipo, muito comuns nos Estados Unidos e na Europa.

Dos 507 a que a Justiça chegou a uma decisão, 500 foram favoráveis à empresa, que perdeu apenas sete – mas recorreu e os casos estão sub judice.

E, lembra o Lauro, em todas as 402 ações com decisões definitivas, os ex-fumantes, vivos ou já mortos e representados por herdeiros, perderam.

Nenhum ganhou. Tudo concidência, claro…

Bem diferente de outras plagas, não é mesmo?

Indústria dos EUA pagou 206 bilhões de dólares de indenização — e mais

Só para lembrar um e o maior caso, o Tobacco Master Settlement Agreement (algo como Grande Acordo sobre o Tabaco), de 1998, resultado de processos movidos por procuradores-gerais de 46 Estados americanos que queriam reaver, da indústria do fumo, as fortunas gastas nos sistemas públicos de saúde estaduais com o tratamento de doentes por câncer de pulmão e outros tipos de tumores, enfisemas e vários outros males provocados pelo hábito de fumar.

O caso terminou num acordo em que as sete maiores fabricantes de cigarros do país concordaram em pagar 206 bilhões de dólares – vocês leram bem, DUZENTOS E SEIS BILHÕES DE DÓLARES – em indenizações aos Estados americanos e mais:

* Concordaram com uma série de restrições na publicidade e no marketing dos produtos do fumo

* Concordaram em financiar uma campanha antifumo de 1,5 bilhão de dólares

* Concordaram em disponibilizar documentos sigilosos da indústria, sobretudo reveladores de maracutaias químicas para viciar ainda mais os fumantes

* Concordaram em aposentar executivos que, segundo os procuradores, haviam conspirado para manter longe do público pesquisas com resultados negativos para a indústria do fumo.

Beleza, não?

E, vejam só, isso foi há catorze anos.

Já no Brasil, enquanto o Congresso aprova leis duras antifumo e os sucessivos governos, via Ministério da Saúde, realizam uma política de redução de danos elogiada internacionalmente, sendo seguidos pelos Estados, a Justiça passa a mão na cabeça dos fabricantes.

É o Brasil, minha gente.

11/03/2012

às 20:03 \ Disseram

Desculpa… esfarrapada?

“Ministro da Defesa não sabe dar tiro de canhão, ministro dos Esportes não faz gol de letra e o Serra, quando era ministro da Saúde, não sabia dar vacina.”

Marcelo Crivella, ministro da Pesca, minimizando sua ignorância sobre o assunto da pasta.

 

14/02/2012

às 16:39 \ Política & Cia

Prefeitura de SP: Serra tem chance rara de assestar duro golpe no fígado do lulo-petismo

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O PSDB, por insistência do governador Geraldo Alckmin, está disposto a esperar a decisão de Serra (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)

É uma grande e provavelmente muito boa notícia para a oposição que o ex-presidenciável José Serra tenha voltado a cogitar sua candidatura a prefeito de São Paulo (leia mais no site de VEJA), depois de comunicar ao partido que não concorreria — e deixando os tucanos com uma lista de nomes desconhecidos para enfrentar a máquina do lulo-petismo, quase certamente com o apoio do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Para o PSDB e seu aliado tradicional, o DEM, uma candidatura Serra, fortíssima, seria uma chance rara para a oposição assestar um golpe no fígado do lulo-petismo, que tem domínio avassalador no Congresso — no Senado, chega a 75% — e apoio direto ou indireto da maioria dos governadores e, em pleno coração do território tucano.

Recuperar para a oposição a Prefeitura da maior e mais importante cidade do país, cujo peso político supera o de vários Estados somados, daria um novo alento às forças que se opõem ao lulo-petismo e a sua voracidade hegemônica.

Está nas mãos de Serra, portanto, deixar à margem as divisões e ciumeiras existentes entre os tucanos e em segundo plano suas próprias ambições presidenciais para 2014 e fazer o candidato do lulo-petismo, o ex-ministro Fernando Haddad, suar sangue.

Serra tem forte índice de popularidade e, goste-se dele ou não, foi um excelente prefeito no curto período em que exerceu o cargo (janeiro de 2005 a março de 2006) e um governador dinâmico e realizador enquanto esteve o Palácio dos Bandeirantes (janeiro de 2007 a abril de 2010), sem contar o bom desempenho que teve como ministro da Saúde de FHC (março 1998 a fevereiro de 2002).

Acrescente-se a isso que uma candidatura a prefeito agora não teria grande custo pessoal para Serra, ao passo que seriam grandes as chances de vitória. Há um problema prático: o partido decidiu por eleições primárias, há vários candidatos a elas e alguns deles não pretendem desistir. Em política, porém, sabe-se que a perspectiva de vitória sempre abranda divergências internas nos partidos.

Muito diferente do que ocorreu em 1996: Serra tinha muito a perder quando deixou um cargo de primeiríssima no primeiro governo do presidente Fernando Henrique – o de ministro do Planejamento – para não deixar na mão os tucanos da capital, sem candidato forte o suficiente para enfrentar Celso Pitta, o herdeiro de Maluf.

Serra, corajosamente, foi para o sacrifício, fez uma campanha forte mas acabou chegando em terceiro lugar no primeiro turno, atrás da deputada Luiza Erundina (PSB) e de Pitta, do PP, que acabaria eleito. O preço que o ex-ministro pagou ficara dois anos fora do governo FHC, só voltando em 1998, como ministro da Saúde.

Para a oposição, está na hora do ex-presidenciável mostrar a mesma coragem.

31/01/2012

às 20:00 \ Política & Cia

Referência nacional em saúde sofre com falta de técnicos — e não nomeia concursados

Sede do Instituto Evandro Chagas, em Belém, PA (Foto: Divulgação / IEC)

Sede do Instituto Evandro Chagas, em Belém do Pará: referência nacional para diversas doenças (Foto: Divulgação / IEC)

O Instituto Evandro Chagas, sediado em Belém do Pará, é um dos mais importantes centros de pesquisa científica da Amazônia na área da saúde pública e meio ambiente. É referência nacional para a vigilância e diagnóstico de diversas doenças como dengue, gripe A H1N1, febre amarela, rotaviroses, malária, hepatites virais e leishmanioses.

Coisas do Brasil: durante os 75 anos de existência da respeitada, veneranda instituição, organismo federal, ligado ao Ministério da Saúde por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, um único concurso público foi realizado — em 2010 — para o provimento de 392 vagas. O concurso teve a duração de um ano e seu resultado foi homologado em duas etapas: junho de 2010 e março de 2011.

Desde então, apenas 93 pessoas foram nomeadas. Parlamentares da bancada paraense têm cobrado as nomeações ao Ministério do Planejamento, explicando as necessidades do IEC e sua importância para a saúde pública do país e, sobretudo, da Amazônia.

Contudo, em recente nota informativa, o Ministério — que está enrolando os cientistas e técnicos aprovados desde 2010 — responde que as nomeações ainda dependem de “análise sistemática, à luz das necessidades do órgão e da disponibilidade orçamentária”.

Enquanto isso, conforme se pode constatar no noticiário da mídia, aumenta o número de casos de dengue no Pará e de várias doenças negligenciadas que atingem as sempre conformadas, silenciosas populações amazônicas.

Os pesquisadores do Instituto são há tempos vítimas da indiferença federal.

Em julho do ano passado, registrei aqui que seus pesquisadores não recebiam salários há cinco meses. E, a despeito de sua reputação, abrigava apenas 33 pesquisadores em seu quadro efetivo. Ao longo dos últimos 16 anos, para suprir a demanda, foram adicionados 74 pesquisadores por meio de bolsas ou contratos temporários.

Vários desses pesquisadores, aprovados no concurso, estão esperando, sentados, pela nomeação a que fazem jus.

 

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