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Milan

29/06/2012

às 18:47 \ Tema Livre

Eurocopa: a Espanha que se prepare, pois a surpreendente Itália não está para brincar

O primeiro gol de Balotelli contra o goleirão Neuer: uma nova e diferente Azzurra (Foto: seattlepi.com)

 

Se cuide, Espanha, que a Itália vem aí!

Depois de vencer a poderosa Alemanha, ontem, por 2 gols a 1 — merecia mais –, a seleção da Itália que disputa a Eurocopa 2012 foi, como se sabe, para a finalíssima contra os espanhois, no domingo, dia 1º de julho.

Como sempre um tanto desacreditada, o time, com a nova filosofia de jogo e a renovação parcial do elenco promovidas pelo treinador Cesare Prandelli, afasta-se cada vez mais da Squadra Azzurra de há tantas competições — fechadíssima atrás, jogando à base de contra-ataques, temerosa de avançar e parca em gols.

Não, desta vez é uma equipe sólida, com uma defesa para ninguém botar defeito mas, como se viu contra a Alemanha, que sabe agredir. E, sobretudo, com o craque que mais brilhou na competição: o extraordinário meio-campo Andrea Pirlo, que já fizera bonito na campeã do mundo de 2006 e que hoje, perto dos 33 anos de idade, está jogando como nunca: passes perfeitos, dribles na hora exata, lançamentos com precisão milimétrica, um fôlego impressionante e a disposição de estar em todos os cantos do campo — até um gol da Alemanha ele salvou ontem.

O grande Pirlo dando conta de três ingleses, na partida em que a Itália venceu" (Foto: guardian.co.uk)

O grande Pirlo dando conta de três ingleses, inclusive do capitão Gerrard (centro), na partida em que a Itália venceu (Foto: guardian.co.uk)

Pirlo, sempre discreto e sem espalhafato em campo, é um daqueles raríssimos casos de jogador em que a bola parece uma prolongação das pernas. Não é por acaso que, transferindo-se do Milan para o Juventus, a Vecchia Signora voltou a ser campeã italiana — e, feito raro, invicta.

A seleção da Espanha, pois, apontada como favorita desde o começo da competição, que se cuide: a campeã da Eurocopa passada, em 2008, e campeã do mundo, em 2010, não está na ponta dos cascos, como se tem observado. Não se trata apenas do esgotamento dos principais jogadores — que integram o Barça e o Real Madrid –, mas de um desequilíbrio evidente causado por um desfalque e pelas consequências na armação do time: o do zagueiro Puyol, capitão do Barcelona, que não pôde ser convocado por estar em recuperação de cirurgia no joelho.

Não é que Puyol, zagueiro de qualidade, leal e raçudo, seja o melhor central do mundo. Mas, como o treinador Vicente del Bosque visivelmente não confia em Albiol, do Real, para o posto, manteve-o no banco e deslocou para o lugar de Puyol, e para fazer parceria com o barcelonês Piqué, o hoje zagueiro do Real Sergio Ramos, que, como lateral direito veloz, forte, de chute poderoso e cruzamentos perigosos, era uma arma perigosíssima, quase letal de La Roja.

Puyol: sua contusão teve um efeito dominó na seleção da Espanha (Foto: imagensa.com)

Puyol: sua contusão teve um efeito dominó na seleção da Espanha (Foto: imagensa.com)

O time espanhol, portanto, pelo efeito dominó da ausência de Puyol, está capenga pela direita, já que quem ocupa a lateral, de forma incompreensível para mim, é o jogador mais fraco da equipe, Arbeloa — ruim para atacar, fraco para defender e contumaz em fazer faltas que levam perigo para o gol de Casillas.

13/04/2012

às 17:07 \ Tema Livre

Dá pena de ver o que Ronaldinho Gaúcho fez a si mesmo

Ronaldinho após a eliminação do Flamengo da Libertadores: ele não deu certo -- nem no futebol, nem no marketing (Foto: Vanderlei Almeida / AFP)

 

Que pena assistir ao que ocorre com Ronaldinho Gaúcho.

Não deu certo como muitos esperavam no Flamengo precocemente eliminado da Libertadores – não apenas no futebol, mas também no marketing (leia reportagem do site de VEJA). Os céticos quanto à contratação de Ronaldinho mostraram estar corretos.

Agora, aparentemente, procura saídas para prosseguir no futebol, sem precisar dele – é muito rico e, se não cometer loucuras, o que acumulou pode durar gerações. Mas nenhuma das saídas de que se fala é gloriosa como seu início e meio de carreira fariam crer.

Pena ver a desorientação que tomou conta de sua carreira já há anos, quando, ainda muito jovem, começou sua inexorável decadência como craque de futebol devido a suas opções pessoais – o futebol ficou em segundo lugar diante de uma série de prazeres que, bem dosados, convivem perfeitamente com a vida de atleta.

Sem dosagem, minam as forças e até o interesse do jogador pelo futebol.

Ronaldinho e sua opção preferencial pelas noitadas: se bem dosada...

 

... a boa vida, a diversão e as noitadas podem conviver com um atleta de ponta

 

Só que a moderação não parece ter sido o caso de Ronaldinho (Foto: Wagner Meier / Fotoarena)

Essa fase começou em Barcelona, prosseguiu em Milão, quando ele atuou pelo Milan, e exacerbou-se no Rio de Janeiro.

Ronaldinho, sobretudo em sua fase áurea no Barcelona, foi um jogador fabuloso, um mágico, um craque que aliava o espetáculo à eficiência, uma ameaça infernal para as defesas adversárias. Inteligente, habilíssimo, veloz e fisicamente muito forte, aquelas suas famosas atropeladas pelo lado esquerdo do campo marcaram época e o tornaram um deus para a exigentíssima torcida do melhor time do mundo. Por algum mistério, não repetiu o brilho na seleção.

Não se falaria tanto de Messi, agora, se Ronaldinho não houvesse saído da linha, como se costuma dizer.

Messi é maravilhoso, é sem dúvida o melhor jogador do mundo (embora o discreto e fantástico Xavi, meio-campo do Barcelona, merecesse mais atenções da mídia), tem a genialidade de aliar o saber realizar tudo com a bola com uma objetividade fatal: foi só o técnico Pep Guardiola fazê-lo jogar mais adiantado no Barça para ele se tornar, além de tudo o que já era, um artilheiro invejável – sua média atual, há uma dúzia de partidas, é marcar dois gols por jogo.

O Ronaldinho espetacular do Barça ficou para trás há tempos

Ainda assim, juntando o conhecimento absoluto das técnicas mais elaboradas do futebol com um sentido de espetáculo que resultava na bola na rede, Ronaldinho poderia haver feito sombra a Messi se se cuidasse, colecionando Balões de Ouro.

Sim, ele tem 32 anos – mas Pelé parou aos 34 jogando uma barbaridade, e fazendo gols, para retornar depois no Cosmos aos 37. Xavi também tem 32 anos. Puyol, o capitão do Barça, zagueiro eficiente e com fôlego para volta e meia jogar de lateral, está cumprindo 34, e continua lá, firme, titular absoluto do melhor time do planeta. A lista de quem 32 anos ou mais e ainda brilha não é pequena.

Tudo isso são pequenas reflexões que compartilho com os amigos do blog para lamentar o que Ronaldinho fez a si mesmo.

20/01/2012

às 15:37 \ Tema Livre

Camisa do Corinthians é a mais bonita do Mundo

Camisa grená, do Timão, eleita a mais bonita

Camisa grená, do Timão, eleita a mais bonita do Mundo

 

Concurso de site inglês teve 32% das indicações para a camisa grená do Corinthians seu terceiro uniforme

Confira matéria no site de VEJA.

As outras 9 camisas mais bonitas do mundo são:

 

 

campeãs

campeãs

 

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2º – Borussia Dortmund (camisa derby) – 15%.

 

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3º – River Plate (camisa 2) – 13%

 

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4º – Peru (camisa 1) – 11%
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5º – Benfica (camisa 2) – 9%
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6º – França (camisa 2) – 3%
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7º – Borussia Dortmund (camisa 2) – 2,7%
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8º – Suécia (camisa 2) – 2,4%
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9º – Milan (camisa 1) – 1,6%
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10º - Gana (camisa 2) – 1,4%

 

13/01/2012

às 17:37 \ Tema Livre

Beckham, aos 36 anos, mantém o carisma e recebe chuva de convites

O capitão Beckham ergue a taça de campeão: com ele, o Galaxy de Los Angeles faturou três vezes mais que na temporada anterior (Foto: LA Galaxy)

Publicado originalmente em 30 de novembro de 2011

Aos 36 anos, recém-conquistado o título de campeão da liga de futebol dos Estados Unidos, a MLS, capitão do time do Los Angeles Galaxy e celebridade que não sai das manchetes, David Beckham tem tantos convites pela frente, com tanto dinheiro envolvido, e de diferentes partes do mundo, que ainda não sabe o que vai fazer.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

O homem continua com estrela. Sua ida para o LA Galaxy, em 2010, triplicou o faturamento da equipe de lá para cá, levou o clube a vencer a Liga e, continuando o trabalho pioneiro iniciado por Pelé em 1974 a que se dedicaram, depois, outros grandes craques, como Franz Beckenbauer, despertou o interesse de uma grande parte do público americano para um esporte que, aos poucos, se consolida.

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Com Victoria em peça publicitária da marca Emporio Armani, em 2009 (Foto: Emporio Armani)

É claro que o carisma do craque inglês é vitaminado pela mulher, a ex-Spice Girl Victoria, 37 anos, mãe de seus quatro filhos – três meninos e uma menina, a caçula. Agora desfrutando sobretudo da condição tão século XXI de “famosa”, embora seja designer de moda, disponha de sua própria linha de roupas e acessórios, faça alguns trabalhos como modelo e pontas em filmes, Victoria é daqueles personagens que não dá um tropeção no salto altíssimo sem ser “notícia”.

O casal Beckham, sempre alvo dos fotógrafos e das câmeras de TV

O marido recebeu, e já recusou, proposta para transferir-se ao Tottenham inglês. Há um clube italiano, que ele não revela, que gostaria de vê-lo voltar ao país, onde ele já atuou pelo Milan. Beckham, antes de tudo, tem convite para continuar atuando no meio-campo do Galaxy – ganhou 32 milhões de dólares para transferir-se do Milan para Los Angeles –, numa proposta tão atraente que inclui um ano sabático, um ano inteiro de folga, ganhando, para poder colaborar com a organização e divulgação das Olimpíadas de Londres de 2012 e desfrutar dos Jogos, um de seus grandes sonhos.

Os donos do LA Galaxy lhe oferecem, como alternativa a atuar na equipe, ajudá-lo a montar seu próprio time na MLS, ao qual se associariam.

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Passeando com os três filhos homens, este ano (Foto: US Magazine)

“Sempre tomei minhas decisões baseando-me em onde desejo jogar, mas agora tenho quatro filhos e cheguei a um ponto em que a família é o mais importante para mim”, disse Beckham ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport. Essa declaração enigmática não indica qual será seu próximo passo. O que Victoria e ele decidiram é que não vão se desfazer da casa, uma mansão de 22 milhões de dólares cercada de verde num ponto nobre de Los Angeles com nove quartos, seis banheiros, sauna, bar, piscina e outros confortos.

De todo modo, jornais europeus noticiaram que o casal andou vistoriando apartamentos em Paris – e, por coincidência, o Paris Saint Germain já há tempos tornou público seu interesse pelo homem que envergou 115 vezes a camiseta da seleção inglesa. O clube francês, agora de propriedade do emir do Catar, Amad bin Khalifa Al Thani, não tem problemas financeiros e abriga a ambição de fazer sombra a clubes como o Barcelona, o Real Madrid, o Manchester United e o Milan, tanto que já começou torrando 42 milhões de euros (103 milhões de reais) para contratar o argentino Javier Pastore ao Palermo, da Itália.

Mansão-Beckham-LA

A mansão em Los Angeles: US$ 22 milhões

O xeque Al Thani não brinca em serviço, e a uma eventual transferência para o PSG acrescentou a oferta de pagar um gordo salário para que Beckham exercesse, cumulativamente, algum posto – comentarista ou assessor da direção—da emissora de TV Al Jazira, de propriedade do governo do Catar.

Beckham, porém, quer um tempo. Agora, depois do título americano, conquistado no domingo, 20, ele quer curtir férias com Victoria e a garotada.

Conheça o site de Beckham e o de Victoria.

05/01/2012

às 14:35 \ Tema Livre

O grande Cruyff, um dos maiores craques da história, em entrevista: “Futebol é inteligência e qualidade, mas também um pouco de amor. Se não, só o dinheiro não funciona.”

Cruyff: genial como jogador, técnico e, hoje, inspirador do maior time do mundo, o Barcelona (Foto Claudio Versiani)

 

Publicado originalmente em 13 de fevereiro de 2011

O maior time de futebol do mundo da atualidade, o Barcelona, recebeu por anos a fio a magia de seu jogo quase incomparável — para mim, só Pelé o superou — e, depois, sua genialidade também como treinador. A herança do grande Johan Cruyff, todos reconhecem, ficou. É ele o grande inspirador do futebol-espetáculo ganhador do Barça, que herdou muito da espetacular “Laranja Mecânica”, o supertime da Holanda que encantou o mundo na Copa de 1974, na Alemanha.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

A serviço da excelente Revista ESPN, o jornalista Daniel Setti entrevistou esse gênio para a edição de janeiro. E sendo, além de um ótimo jornalista, também meu filho, resolveu fazer uma surpresa ao pai: comprou uma camisa oficial da seleção da Holanda e, ao final da entrevista, explicou a Cruyff minha admiração de décadas pelo craque, pelo treinador e pelo cidadão que ele é, e solicitou-lhe uma dedicatória. Cruyff gentilmente topou (veja na foto abaixo) e, no Natal, recebi do filho de presente-surpresa a camiseta, com os dizeres estampados em tamanho grande na frente: “Para Ricardo, Johan Cruyff”.

Leiam a entrevista, que vale a pena. Uma lição para nossos jogadores, técnicos e cartolas.

Cruyff com Daniel, autografando a camiseta... para mim

O senhor grisalho de 63 anos que cumprimenta a reportagem, rosto queimado de sol e rabiscado por sadias rugas, tem cadeira cativa ao lado de Pelé, Garrincha, Di Stefano e Maradona no camarote sagrado de imortais do futebol. Mesmo assim seus belos olhos azuis, que nesta fria e ensolarada manhã outonal de Barcelona combinam com uma camisa da mesma cor e um moderno casaco lilás, preferem transmitir respeito e seriedade a afetação e arrogância.

Ainda que seja rico, famoso e venerado desde que, há quatro décadas, revolucionou o futebol dentro de campo – com dribles, movimentação imprevisível e gols – e fora dele (foi o primeiro jogador a ter patrocínio individual, da marca Puma), anda literalmente com os pés no chão.

São suas próprias pernas que o levam diariamente de sua casa ao charmoso casarão-sede da fundação que tem seu nome, ambos no elegante bairro de Bonanova, na zona norte da cidade catalã. Pendurou as chuteiras há 26 anos, levando consigo 22 canecos, três Bolas de Ouro e 425 gols oficiais, e aposentou a prancheta de treinador há 14 (acumulando outros 14 troféus), mas suas opiniões a respeito do mundo da bola têm cada vez mais peso.

Não só pela agudeza e pela firmeza de suas ideias – expostas nos artigos que escreve no jornal catalão El Periódico –, mas principalmente por suas iniciativas em prol da educação e do estímulo ao esporte. Este senhor grisalho, um holandês que se recusa a se acomodar nos mimos da idolatria e rejeita o senso comum, chama-se Johan Cruyff.

O responsável pela eternização da camisa 14 é sinônimo de futebol moderno em qualquer capítulo de sua biografia. Como jogador, nos primeiros anos colocou a Holanda no mapa ao ganhar incríveis três Copas dos Campeões da Europa (hoje Champions League) seguidas com o então pouco expressivo Ajax (1971, 72 e 73) para depois encabeçar a Laranja Mecânica, mitológica seleção de seu país na Copa de 1974.

(Veja no vídeo abaixo uma sucessão de lances de Cruyff com a famosa camisa 14, que virou sua marca:)

Contratado pelo Barça em 1973, enlouqueceu os torcedores culés com não apenas seu jogo, mas também seu atrevimento – desafiava árbitros e policiais – e sua rebeldia (fumava e usava cabelo comprido). Identificou-se a tal ponto com as culturas barcelonesa e barcelonista que até hoje vive na cidade, fala espanhol com sotaque catalão (exagerando o som do “l”), viu o caçula de seus três filhos vestir o manto azul-grená (Jordi, hoje atuando em Malta) e apenas recentemente deixou de ser presidente de honra do clube por desavenças políticas com o novo presidente, Sandro Rosell.

Cruyff: 22 canecos, três Bolas de Ouro e 425 gols oficiais

Após passagem pelo futebol norte-americano e um retorno à Holanda, voltaria ao Camp Nou para fazer história como técnico do dream team do Barcelona no início dos anos 1990, enquadrando gênios indomáveis como Romário e Stoichkov e faturando quatro campeonatos espanhois consecutivos e a primeira das três copas europeias ostentadas hoje pela equipe.

“Cruyff deixou no Barcelona um testamento ideológico, trabalhado sobre o gosto futebolístico do espectador, a quem ele educou”, disse recentemente o argentino Jorge Valdano, diretor de esportes do maior rival do Barcelona, o Real Madrid. “A ponto de que hoje é impossível triunfar no Barcelona sem jogar bem o futebol. Em Barcelona, ele é como o Oráculo”, conclui.

Valdano não poderia ter sido mais preciso. O que Johan Cruyff fez em suas passagens pelo clube catalão como jogador (1973-1978) e técnico (1988-1996) reverbera indiretamente, por exemplo, na impressionante performance do Barça de Messi na humilhante goleada sobre os merengues por 5 a 0 quatro dias após esta entrevista.

Não fosse a propagação das convicções imutáveis de “El Flaco” (“O Magro”) de que o futebol deve ser jogado sempre de maneira ofensiva e artística, provavelmente o atual melhor time do mundo, comandado desde 2008 por seu pupilo Pep Guardiola, não existiria. O próprio técnico disse após a goleada que boa parte da “culpa” por seu Barça é e seu mestre. Algo aparentado com a definição de Cruyff sobre os futebolistas: “O jogador é uma espécie de artista, e o público tem de se divertir”.

Cruyff atuando como treinador do Barcelona

“O Barcelona definiu seu estilo de jogo desde que Cruyff se converteu em seu treinador, e este estilo ofensivo encantou a torcida e mudou a própria filosofia do clube, que desde então sempre procura respeitar este direcionamento”, teoriza o jornalista espanhol Jorge Ruiz Esteve. “E como jogador, Cruyff foi um símbolo, porque era um jovem europeu moderno, que tinha cabelo comprido e andava com uma mulher de minissaia em plena ditadura franquista espanhola”, ressalta o historiador do Barça Carles Santacana Torres.

Neste encontro exclusivo com a ESPN, na sala de estar de sua fundação, o astro repassou todas as fases de sua trajetória, falou sobre sua relação com Romário, elegeu a nova Laranja Mecânica e criticou a retranca de Brasil e Holanda em 2010. “O time que trai seu estilo de jogo não pode obter sucesso”. Com vocês, Johan Cruyff.

O senhor transformou-se em sinônimo de futebol moderno e ofensivo. Qual é a origem dessa definição?

Começou há muitos anos e não teve a ver só comigo, mas também com o Ajax dos anos 70. Na Holanda eles são muito exigentes, e as pessoas que vão ao estádio querem curtir. Tudo aconteceu muito rápido. Em 1964, 65 eu era apenas o segundo jogador profissional, tínhamos muitas limitações. E em 1969 já jogamos a final da Copa da Europa com o Ajax [perdeu a decisão para o Milan, em Madri]. Em três ou quatro anos houve enormes mudanças. Era algo totalmente diferente. Por exemplo, os zagueiros não se conformavam em apenas defender, também queriam atacar. O futebol que jogávamos era o de que todo mundo gostava e de que até hoje, 30 e tantos anos mais tarde, ainda gosta. E é praticado por times como o Barcelona.

Como treinador, quem foi ou é o “novo Cruyff”?

Bom, agora o mais conhecido é o Guardiola. Porque tem a mesma filosofia e administra com sucesso o mesmo problema que tinha como jogador. Era um volante defensor assim [faz um sinal com um dedo indicando a magreza de Guardiola], mas quando tinha a posse de bola, podia ser muito bom. E o Barcelona de agora é um exemplo a ser seguido na mesma linha, porque o Xavi é baixinho, o Iniesta é baixinho e o Busquets é alto, mas também é assim [faz o mesmo gesto com o dedo].

O que um técnico tem de trabalhar em um jogador “assim”?

Em primeiro lugar, a técnica e a qualidade. Então a bola tem de ser sua amiga, mas muitas vezes ela é sua inimiga, porque está em todas as partes. Isso é importante. E, digo outra vez, você está jogando para o público, e o público paga. É uma espécie de artista, e as pessoas têm de se divertir.

Mas futebol é só diversão?

Bom, como se trata de um esporte – e isso é o principal problema que enfrentam os dirigentes –, temos um negócio nas mãos, um negócio em que colocamos emoções, portanto muito difícil de administrar. Por isso você tem que conhecê-lo bem de dentro. Se você não o viveu, é muito difícil saber administrar bem. Passei por todas as etapas para conhecer todos esses detalhes com destaque. Por exemplo, nos Estados Unidos [NR: Cruyff jogou no país entre os anos 1978 e 1982, passando por três equipes], o marketing esportivo estava muito mais à frente que no resto do mundo. E ali se podia aprender a respeito do que é o negócio do futebol. É uma questão de educação. Nos Estados Unidos você vai para a Universidade por fazer esporte, enquanto na Europa ou na América do Sul, estudar e praticar esportes ao mesmo não é possível. É o maior absurdo que há. Com nossas organizações, estivemos em São Paulo. Os números são chocantes. Por exemplo, entre 80 jogadores que já haviam participado de alguma Copa do Mundo, cerca de 15, ou seja 20%, se encontravam abaixo da linha de pobreza! E estou falando do país do mais alto nível [futebolístico]. É um desastre total, não só para o jogador, mas para qualquer criança que o tenha como um herói e o veja caindo.

No Brasil os jogadores planejam ganhar todo o dinheiro que possam enquanto estão em atividade, a chamada “independência financeira”, porque acreditam que não têm como garantir o que vem depois…

Se você não tem inteligência por não ter sido educado… ou melhor dizendo, se você não está acostumado a viver fora do futebol, é muito difícil. Porque o futebol é uma vida irreal: todos os dias você está em um jornal; todos querem saber sobre a sua vida; e você não sabe nada, sabe só jogar futebol. Mas a carreira termina quando você tem 35 anos. O que fará depois? Não há nenhum clube que se preocupe com isso. É um desastre pela simples razão de que o futebol no mundo, sobretudo no Brasil, é um aspecto importantíssimo da vida. Eu estive lá e vi todo mundo correndo, fazendo exercícios, praticando esportes. E deixam cair todos os seus heróis!

Qual é o perfil dos alunos de seu instituto? Ex-jogadores?

Ex-esportistas, não só do mundo do futebol. Os ex-jogadores são os mais difíceis, ganham muito dinheiro. Sobretudo para esses a necessidade de saber algo é importantíssima. Sempre você pode gastar dinheiro para viver bem, mas jogar dinheiro fora é absurdo.

Que lembranças o senhor tem da partida em que a Holanda eliminou o Brasil na Copa de 1974 por 2 x 0?

Muito boas porque ganhamos [risos]! Não, é que jogamos muito bem aquele mundial. Foi mais ou menos a consolidação do futebol holandês. Ainda se assistia pouco ao futebol de clubes porque haviam menos aparelhos de TV. As pessoas conheciam muito pouco a nossa seleção, foi a revolução total. Já estávamos jogando daquela maneira havia quatro ou cinco anos.

Mas e como foi chegar para enfrentar a então tri-campeã mundial, mesmo com essa bagagem de vários anos de futebol bem jogado?

O Brasil naquela época estava mudando. Quer dizer, nos anos 50 e 60 mandavam os peloteros (NR: expressão espanhola para jogadores habilidosos), e em 1974 dominava a força. Havia uma grande diferença com a gente, que íamos na direção contrária à força, fomos com a técnica. Técnica e inteligência.

Não chegou nem a ser um jogo difícil?

Bom, era o Brasil. Mas nós éramos muito melhores futebolisticamente, éramos o que eles haviam sido antes. Eles passavam por uma mudança de mentalidade, indo mais para o lado físico. É preciso ter em conta que, quando você tem sucesso, há muitos outros garotos te assistindo, e eles sempre pensam que podem fazer melhor do que você.

Na opinião do senhor, existiu ou existe algum time ou seleção com estilo de jogo parecido ao da Laranja Mecânica?

Agora o Barcelona é mais ou menos assim. Sempre com a combinação entre jogar bem, dar espetáculo e ganhar. Muitas vezes uma ou duas dessas três fases falha. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

27/12/2011

às 14:31 \ Tema Livre

O Barcelona, melhor time do mundo, tem patrimônio negativo. Mas há uma “pegadinha” nesta história

Publicado originalmente em 28 de maio de 2011

Amigos, podem acreditar: o melhor time de futebol da atualidade, o Barcelona, da Espanha, que disputa com o Manchester United inglês o título da Liga de Campeões da Europa — o principal torneio interclubes do mundo –, o badaladíssimo, famosíssimo e riquíssimo Barça, é um clube que ostenta um patrimônio negativo. Para ser exato, um patrimônio negativo de 59 milhões de euros, algo como 135 milhões de reais.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

Isso mesmo, amigos. O Barça, que além da fortuna que embolsa pelas transmissões de TV, os direitos de imagens, os gordos patrocínios e a enorme renda obtida com produtos licenciados em suas próprias lojas e em uma ampla rede na Espanha e no exterior, que dispõe de um estádio espetacular, o Camp Nou, somando tudo com suas dívidas, fica devendo. Isso tudo do ponto de vista estritamente técnico. Já explico.

O arquirrival do Barça, o Real Madrid, apesar de dever mais do que o Barça, apesar dos delirantes gastos efetuados por seu presidente, Florentino Pérez, no afã de tentar barrar a hegemonia do time catalão, ostenta patrimônio líquido de 220 milhões de euros (cerca de meio bilhão de reais).

O surpreendente resultado foi obtido pelo professor de Economia Financeira e Contabilidade da Universidade de Barcelona José Maria Gay, com base no que existe de concreto sobre o patrimônio dos dois clubes: as contas anuais até o final de 2010. O estudo indica que, tudo somado, inclusive os investimentos na compra de jogadores, o Barça tem um ativo de 490 milhões de euros e uma dívida de 549 milhões de euros — daí o patrimônio negativo de 59 milhões.

A “pegadinha” no estudo do professor é que, para efeito contábil, como o Barça não investiu dinheiro na compra dos direitos federativos de craques formados em suas divisões de base, como o melhor do mundo Messi, os ótimos Xavi e Iniesta, o capitão Puyol ou revelações mais recentes como Pedro e Busquets, eles não entram no balanço contábil do clube.

Já o Real Madrid, que deve uma fábula aos bancos — 660 milhões de euros, ou 1,5 bilhão de reais, em curto, médio e longo prazo –, dispõe, por outro lado, de ativos de 880 milhões de euros (cerca de 2 bilhões de reais). Um patrimônio líquido, portanto, dos já citados 220 milhões de euros (meio bilhão de reais). Isso porque o clube, como a cobra mordendo o próprio rabo, se endividou para gastar 330 milhões de euros na compra de craques como Cristiano Ronaldo, Kaká e Xabi Alonso (outros, como Özil ou Khedira, vieram em 2011) que, porém, contabilmente ingressam nas contas como patrimônio daquele que, segundo a FIFA, foi o melhor time do século XX.

E, por falar em dívidas ou prejuízos, vejam vocês: também o timaço do Milan, da Itália, pertencente ao primeiro-ministro e bilionário Silvio Berlusconi, está no vermelho. Não se divulgaram dados patrimoniais sobre o clube, mas o balanço financeiro de 2010 não foi bom: o clube faturou 253,2 milhões de euros (582 milhões de reais), contra os 307,3 milhões (710 milhões de reais) do ano anterior, apresentando um déficit de 69,8 milhões de euros (160 milhões de reais), contra perdas menores no ano anterior: 9,8 milhões (22,5 milhões de reais).

24/11/2011

às 18:25 \ Tema Livre

Mesmo com prejuízo recorde e polêmicas internas, time do Manchester City turbinado por xeque árabe começa a “dar trabalho”. Será que agora vai?

Tévez, cercado por companheiros e abraçado por Balotelli, ergue primeiro troféu do Mancheser City em 35 anos, em maio; argentino foi de herói a vilão (Foto: AFP)

No Brasil, os torcedores de Corinthians e Botafogo consideram, com razão, sua maior prova de amor o fato de terem aguentado, pacientes, os jejuns de respectivamente 23 e 21 anos sem títulos vividos por seus times do coração.

Pois os admiradores do Manchester City, um dos clubes mais tradicionais da Inglaterra, fundado há nada menos que 131 anos, podem se gabar por terem enfrentado uma barra ainda mais pesada: 35 anos sem um mísero caneco.

Calvário encerrado este ano

O calvário durou de 1976, quando os citizens ergueram a Football Legue Cup, a maio deste ano, abençoado mês em que voltaram a sorrir com a conquista da Copa da Inglaterra (também conhecida como FA Cup).

O primeiro título para toda uma geração de torcedores da equipe azul-clara, garantido após uma vitória por 1 a 0 contra o Stoke City em um estádio de Wembley lotado, foi o indício concreto inaugural de que a monumental injeção de dinheiro recebida pelo clube a partir de 2008 começava a dar resultados.

Aquisição multimilionária

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O novo dono do clube, xeque Mansour bin Zayed bin Sultan Al Nahyan: dinheiro não é problema (Foto: The Guardian)

Em setembro daquele ano o MU passou aos comandos do xeque Mansour bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, da ultra-mega-hiper rica família real de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, lançando a moda de investidores árabes gastando petrodólares em times de futebol (ver link sobre o Málaga, da Espanha, ao final do texto). » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

08/10/2011

às 13:00 \ Tema Livre

Futebol: os 10 melhores jogadores brasileiros atuando na Europa

top-10

Legião brasileira do Porto, vencedor da Liga de Campeões da Europa em 2004: (da esq. para a dir.): Hulk, Walter, Souza, Hélton, Fernando e Maicon. Um ano para comemorar

Amigos, a temporada de futebol na Europa já percorre sua fase inicial, mas achei muito interessante, para os leitores, mostrar os 10 melhores brasileiros atuando no Velho Continente na temporada passada, segundo um formidável júri de especialistas reunido pela revista Placar.

Na pior das hipóteses, a lista serve para os apreciadores do futebol acompanharem o desempenho dos dez este ano. Irão se manter na lista? A ver

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Top 10 – Os melhores brasileiros na Europa

Já se vão três anos e meio desde que Kaká subiu ao palco da Ópera de Zurique para receber, das mãos de Pelé, o troféu de melhor jogador do mundo pela FIFA. De fato, foi a última vez que um jogador brasileiro exerceu o papel de protagonista no futebol europeu.

Kaká passou por uma via-crúcis de lesões e cirurgias. Ronaldinho Gaúcho entrou em declínio técnico e anímico e acabou retornando ao Brasil. Robinho nunca confirmou ser o jogador que todos esperavam. Adriano deu mais o que falar por suas atuações fora de campo. O ocaso de nossas estrelas na Europa se torna ainda mais evidente quando se constata que o principal jogador brasileiro em atividade é um garoto de 19 anos, que ainda atua pelo futebol brasileiro: Neymar.

O que não significa, é claro, que não haja brasileiros atuando em alto nível no futebol europeu. Dificilmente teremos algum representante na eleição dos melhores do mundo, mas certamente alguns dos destaques da última temporada são brasileiros. Tivemos o artilheiro do campeonato português, o melhor jogador do futebol italiano e um integrante da equipe que joga o melhor futebol do mundo.

PLACAR pediu a 15 jornalistas brasileiros e europeus que elegessem os melhores brasileiros da temporada europeia 2010/11. A exemplo do que já ocorrera na temporada anterior, é possível notar uma mudança de eixo: salvo algumas exceções, os melhores brasileiros já não são meias ou atacantes, e sim jogadores de defesa. Os dez mais votados estão nas próximas páginas.

Colégio eleitoral: Alessandro De Calò (Gazzetta dello Sport), Arnaldo Ribeiro (ESPN), Boris Bogdanov (Sport Express), Fabian Torres Naufal (Marca), Gian Oddi (iG), Hitesh Ratna (Four Four Two), John Baete (Foot Magazine), José Manuel Freitas (A Bola), Jorge Luiz Rodrigues (O Globo), Lédio Carmona (SporTV), Marcelo Barreto (SporTV), Mauro Beting (Rede Bandeirantes), Paul Simpson (Champions Magazine), Rodrigo Bueno (Folha de S.Paulo), Sérgio Xavier (Placar)

10. Nenê, atacante, 29 anos, Paris Saint-Germain, 56 jogos, 21 gols


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O futebol francês certamente não está entre os mais vistos (ou vistosos) da Europa. Mas quem acompanha a Ligue 1 sabe que há algum tempo o meia-atacante Nenê, ex-Santos, é um dos destaques da competição. Principal contratação do Paris Saint-Germain para esta temporada, foi o artilheiro da equipe na competição. Não à toa, o clube parisiense voltou a frequentar a parte de cima da tabela.

“Um dos protagonistas do Milan. Sua obra de arte foram os dois gols no derby contra a Inter.”

Alessandro de Calò, redator-chefe da Gazzeta dello Sport

9. Pato, Atacante, 21 anos, Milan, 32 jogos, 16 gols

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É possível um jogador sofrer três lesões em uma única temporada e ainda ser considerado um dos destaques de seu time? Foi o que fez Alexandre Pato no Milan. Mais forte e maduro, o atacante não se intimidou com a chegada de Robinho e Ibrahimovic. Garantiu seu lugar entre os titulares, comprovou ser um ótimo finalizador com 16 gols em 32 jogos e fincou de vez o pé na seleção de Mano Menezes. Ah, se não fossem as contusões…

8. Hernanes, Meia, 25 anos, Lazio, 36 jogos, 12 gols


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Se a Lazio foi a sensação do primeiro turno do Campeonato Italiano, quando chegou a liderar a competição, parte do sucesso deve ser creditada a Hernanes. Escalado como meia, com liberdade para chegar ao ataque, ele rapidamente se tornou a referência de um elenco carente de grandes nomes.

No segundo turno o time perdeu fôlego, mas a arrancada inicial foi suficiente para garantir uma vaga na Liga Europa – o melhor resultado desde a temporada 2006/07.

Com rápida adaptação ao estilo italiano, marcou 11 gols na Serie A. Sua temporada só não foi perfeita porque desperdiçou sua chance na seleção, ao ser expulso no amistoso contra a França. Depois disso, não foi mais lembrado por Mano Menezes.


“Ele conseguiu, quase sozinho, salvar o Málaga do rebaixamento com seus gols.”

Hitesh Ratna, editor da revista Four Four Two

7. Júlio Baptista, Meia, 29 anos, Málaga, 18 jogos, 9 gols


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A presença de Júlio Baptista em uma lista de melhores da temporada pode ser surpreendente. Afinal, ele foi uma das presenças mais contestadas da seleção de Dunga, em 2010, e teve um início de temporada desastroso na Roma, quando amargou longo período na reserva.

Tudo mudou quando foi anunciado como uma das contratações da janela do Málaga, em janeiro, assim que o clube foi comprado por um xeque do Catar. E em 11 partidas pelo clube ele marcou nada menos que nove gols – oito deles numa sequência de seis jogos cruciais para a manutenção da equipe na primeira divisão da Liga Espanhola, após várias rodadas na lanterna.

Seu ciclo na seleção parece ter chegado ao fim, mas o meia mostrou que ainda é capaz de atuar em grande nível na Europa.

“Antes tido como leve e afoito demais, mostrou-se à altura dos desafios da temporada.”

Paul Simpson, editor da revista Champions

6. Lucas Leiva, Volante, 24 anos, Liverpool, 46 jogos, 1 gol


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Desde 2007 no Liverpool, Lucas nunca havia conseguido demonstrar no clube inglês a mesma regularidade que lhe garantiu a conquista da Bola de Ouro de PLACAR em 2006. Mesmo nas temporadas em que o clube fez boas campanhas no Campeonato Inglês e na Liga dos Campeões, ele oscilava demais e estava longe de ser uma unanimidade.

Pois Lucas conseguiu sobressair-se em uma temporada turbulenta do Liverpool, em que o clube cambaleou no Inglês e na Liga Europa. Ganhou confiança, conquistou de vez a posição e supriu a ausência do capitão Steven Gerrard, que se lesionou no início deste ano. E ainda se tornou um dos homens de confiança do meio-campo de Mano Menezes.

“Numa defesa e num campeonato de poucos nomes badalados, foi um monstro.”

Rodrigo Bueno, editor da Folha de S.Paulo

5. Marcelo, Lateral-esquerdo, 23 anos, Real Madrid, 50 jogos, 5 gols


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Poucos clubes no mundo têm um ambiente de cobrança como o do Real Madrid. Com uma torcida exigente e sedenta por uma hegemonia continental, o gigante europeu vive dias difíceis, em que contratações milionárias não têm sido suficientes para ofuscar o brilho do rival Barcelona.

Alheio a isso, Marcelo fez da quinta temporada pelo Real Madrid sua melhor na Europa. Sob o comando de Mourinho, evoluiu no posicionamento – embora ainda seja melhor no apoio que na defesa – e marcou seus golzinhos. Apesar disso, seu temperamento parece não ser compatível com o de Mano Menezes, com quem já trocou farpas publicamente.

“Aproveitou como poucos a chance de jogar com Mourinho. Melhorou como lateral ofensivo e aprendeu a defender. Tornou-se completo.”

Lédio Carmona, comentarista do SporTV

4. Thiago Silva, Zagueiro, 26 anos, Milan, 41 jogos, 1 gol


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Seria uma injustiça dizer que o primeiro ano de Thiago Silva foi ruim. Pelo contrário: suas atuações na temporada 2009/10 já haviam lhe garantido uma vaga na seleção que foi à África do Sul. Mas o desempenho do Milan, carente de uma urgente renovação, em nada ajudava. Nesta temporada, porém, os rossoneri fizeram uma excelente campanha no Italiano. Extremamente técnico, Thiago Silva foi um dos grandes destaques do time. Eleito o melhor jogador da temporada na Itália, ele conseguiu se destacar em um país que sabe valorizar a posição de zagueiro. E isso tudo ocupando um lugar que foi de ninguém menos que Paolo Maldini. Não é pouca coisa.

“Joga no melhor time do planeta dos últimos 40 anos. E é um lateral que parece ponta. Recuperou-se de uma Copa decepcionante.”

Mauro Beting, comentarista da Rede Bandeirantes

3. Daniel Alves, Lateral-direito, 28 anos, Barcelona, 51 jogos, 4 gols


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Na Copa 2010, Daniel Alves era tido como uma espécie de 12º jogador da seleção de Dunga: a lateral direita era de Maicon, mas era preciso encontrar um lugar para ele no time. Um ano depois, é praticamente impossível encontrar uma equipe em que ele não tenha lugar. Não é por acaso que Daniel Alves é hoje titular da seleção de Mano Menezes e, muito provavelmente, o melhor lateral-direito do mundo.

Com excelente visão tática, passes precisos e muito vigor físico, ele é uma das peças fundamentais de um dos maiores times de todos os tempos – o Barcelona multicampeão de Guardiola. Se os quatro gols que ele marcou em 51 jogos pelo Barcelona na temporada não são suficientes para impressionar, as 17 assistências certamente são.

“Hulk fez uma temporada fantástica. Domina a bola nos pés, arranca, dá assistências e finaliza bem. É um jogador completo.”

John Baete, editor da revista Foot Magazine


2. Hulk, Atacante, 24 anos, Porto, 50 jogos, 35 gols


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O apelido de Hulk pode parecer jocoso, fazer com que se subestimem seus superpoderes. Mas Hulk foi realmente um super-herói para o Porto nesta temporada. Com impressionantes 23 gols em 26 jogos, foi protagonista do título português invicto, jogando a temporada inteira em alto nível.

Forte, com excelente poder de finalização, é sempre perigoso, jogando pelo meio ou pela ponta. E, além de tudo, não é fominha: se Falcao Garcia marcou tantos gols na Liga Europa, deve em parte à grande forma de Hulk. Passou a ser cobiçado pelos grandes europeus e teve algumas oportunidades na seleção – embora ainda precise provar que tem estofo para ser o sucessor de Luís Fabiano.

“O futebol inglês está boquiaberto com um zagueiro que conjuga a energia defensiva tão venerada pelos torcedores locais com o desejo latino de jogar bola.”

Duncan Castles, jornalista do Sunday Times

1. David Luiz, Zagueiro, 24 anos, Chelsea, 34 jogos, 2 gols


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Nas praias de Salvador, ele era “Macarrão”. Em Lisboa, virou “Sideshow Bob”, personagem dos Simpsons. Em Londres, tornou-se “Valderrama”. Na temporada 2009/10, quando atuava pelo Benfica e era praticamente desconhecido no Brasil, já havia sido eleito o melhor jogador do Campeonato Português. Em janeiro deste ano, desembarcou em Londres por 21,3 milhões de libras – o valor mais caro já pago por um zagueiro brasileiro.

O desafio de jogar na principal liga do planeta, por um dos maiores clubes do mundo, não intimidou David Luiz. Não é à toa que hoje ele é titular da seleção e um dos melhores do mundo. Há quem garanta que, se ele pudesse ser inscrito para a fase final da Liga dos Campeões, a sorte do Chelsea na competição teria sido outra. Se a enorme cabeleira ajuda David Luiz a chamar atenção, seu futebol sustenta o foco.

“Deixou de ser o outro zagueiro brasileiro do Benfica para virar titular do Chelsea e da seleção.”

Marcelo Barreto, jornalista do SporTV

Menções honrosas

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Alex, Fábio e Sandro

Alex: aos 32 anos, continua decisivo no Fenerbahçe. Fez 27 gols em 32 jogosenções honrosas; Fábio: versátil, especialmente na reta final da temporada, e Sandro: sem muito alarde, conquistou seu espaço no Tottenham e na seleção.

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Robinho e Douglas Costa

Robinho: enfim uma temporada para comemorar na Europa, com gols e título italiano e Douglas Costa: destacou-se entre os brasileiros do Shakhtar na Liga dos Campeões.

Quem teve uma temporada para esquecer

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Kaká e Adriano

Kaká: as seguidas lesões foram implacáveis com o craque. Pouco jogou, e Adriano: fez cinco jogos pela Roma, não marcou nenhum gol e voltou ao Brasil.

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Gomes, Diego e Luis Fabiano

Gomes: do céu ao inferno. Firmou-se no Tottenham, mas falhou na reta final, Diego: no Wolfsburg, não chegou nem perto do sucesso dos tempos de Werder Bremen e Luis Fabiano: cobiçado pelo Milan, mas foi atrapalhado por lesões e voltou ao São Paulo.


(Reportagem de Jonas Oliveira publicada originalmente na edição de junho de 2011 da revista Placar)

15/05/2011

às 16:31 \ Tema Livre

Um gol de placa que não teve a placa que merecia: Ibrahimovic

Amigos, hoje é domingo e é apropriado falarmos de futebol.

E de mostrar um gol de placa que, no entanto, nunca teve a placa que merecia.

Depois de dar sete dribles consecutivos, o cracaço Ibrahimovic, o sueco filho de ciganos da ex-Iugoslávia que o Barcelona trouxe do Inter de Milão e depois esnobou, “por problemas de vestiário”, estufa as redes do adversário. Hoje ele está no Milan, emprestado, mas esse gol foi quando defendia o Ajax, da Holanda, o que ocorreu entre 2001 e 2004.

Meus conhecimentos futebolísticos não foram suficientes para identificar o adversário, mas o atento leitor Felipe esclareceu tratar-se do NAC Breda, que disputa o campeonato holandês.

05/04/2011

às 13:06 \ Tema Livre

Real Madrid, desesperado por falta de títulos, “joga a alma” hoje contra o Tottenham inglês

Amigos, a transmissão começa às 15h30 na ESPN e na ESPN HD, e na partida o time mais caro do mundo, talvez em todos os tempos – o Real Madrid da Espanha – joga seu destino em 2011, enfrentando o surpreendente Tottenham Hotspur inglês pelas quartas de final da Liga dos Campeões, o mais importante de todos os campeonatos de futebol interclubes.

O Real deixou escapar de vez suas possibilidades no campeonato espanhol para o arquirrival Barcelona ao perder sábado, 1º, em casa, para o modesto Sporting Gijón. Faltam 7 rodadas para terminar o certame e o Barça está 8 pontos à frente. Agora, a Champions é vital para um clube que persegue desesperadamente um título desde 2008 – período tido, no milionário futebol espanhol, como algo terrível e humilhante para um dos dois grandes, Real e Barcelona.

A campanha do Real Madrid sob o técnico português José Mourinho vem sendo esplêndida – as 23 vitórias em 30 partidas já disputadas das 38 do campeonato espanhol seriam suficientes, segundo levantamento feito pelo jornal El Periódico, de Barcelona, para que a equipe liderasse os campaonatos da Inglaterra, da Itália, da Alemanha e da França.

O problema é que, no campeonato espanhol, o Real tem pela frente um adversário chamado Barcelona, que tem não 23, mas 26 vitórias em 30 jogos – e caminha para bater o recorde histórico que alcançou no ano passado, de 31 vitórias nas 38 partidas do certame.

Os números do Barça são avassaladores, se comparados também com os quatro líderes das quatro outras grandes ligas da Europa: na Inglaterra, o Manchester United tem 19 vitórias em 31 rodadas; na Itália, o Milan obteve até agora igual resultado; na Alemanha, o Borussia tem sido um pouco melhor – 20 vitórias em 28 jogos; e, na França, o líder Lille venceu 16 de 29 pelejas.

Aliviado, Mourinho voltará hoje a contar com o superastro Cristiano Ronaldo e com o lateral brasileiro Marcelo, ambos voltando de uma lesão muscular, e do meio-campo titular da seleção espanhola Xabi Alonso, que estava suspenso.

Partidaço. Jogadores do Real falam em “jogar a alma”.

Não percam, pois.

 

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