Blogs e Colunistas

Milan

14/01/2014

às 17:43 \ Tema Livre

O grande Seedorf vai embora, deixa saudades e leva saudades. Mas nem de tudo

Craque extraordinário, Seedorf fará falta ao futebol brasileiro. Mas haveria condições de ele peremanecer? (Foto: Caio Pupo / Fotoarena)

Craque extraordinário, Seedorf fará falta ao futebol brasileiro. Mas haveria condições de ele permanecer? (Foto: Caio Pupo / Fotoarena)

Craque extraordinário, quatro vezes campeão, por times diferentes, do mais difícil e mais importante certame de clubes do mundo — o da Liga de Campeões da Europa –, o holandês Clarence Seedorf iluminou o Botafogo e o futebol brasileiro com sua passagem de um ano e meio por nossos gramados.

Ela e sua carreira se encerram hoje com o anúncio de sua aposentadoria como jogador, aos 37 anos — e impressionante forma física –, e sua contratação como técnico do Milan que defendeu dentro do campo, para o lugar do criticado Massimiliano Allegri.

O fato de ser casado com a brasileiríssima Luviana, ex-passista de escola de samba e mãe de seus quatro filhos, certamente contribuiu para que um dos mitos do futebol mundial deixasse 10 anos de trajetória no Milan e viesse jogar no Brasil, ainda que em fim de carreira. Tornou-se o líder inconteste do Botafogo e ídolo da torcida, que o transformou em “Sidão”.

Seedorf, que fala cinco idiomas e um português melhor do que a maioria dos embaixadores estrangeiros em nosso país, chorou ao se despedir dos brasileiros. Leva muitas saudades do país, dos amigos que fez, de morar no Leblon, de frente para o mar.

Também da torcida do Botafogo e dos brasileiros em geral.

De sua passagem pelo futebol brasileiro, apesar da dedicação que exibiu em campo e das palavras generosas que dedicou ao ex-time, duvido que leve saudades.

Um dos muitos exemplos da bagunça que é, infelizmente, o futebol brasileiro, ao longo desse ano e meio no alvinegro de General Severiano o grande Seedorf viu coisas de que, até então, só ouvira falar na profissão — como o sistemático atraso de salários (contra o que, diga-se, protestou sempre junto à diretoria), a falta de organização e de dinheiro levando a frequentes cancelamentos de treinos e a indisciplina de companheiros.

Tanto é que, em relação a este último ponto, ao elogiar Oswaldo de Oliveira, disse que aprendeu muito com o técnico, mas que não conseguirá, como treinador, ter a mesma paciência. Para bom entendendor…

Nos certames que disputou, tomou contato com outras realidades a anos-luz do futebol europeu onde floresceu — vestiários vergonhosos, gramados horrendos, a prática do tapetão, arbitragens suspeitas, insegurança nos estádios…

Sua volta à Itália, ainda que para um Milan em crise, faz com que volte a um patamar superior de profissionalismo.

 

04/01/2014

às 16:15 \ Tema Livre

O grande Cruyff, um dos maiores craques da história, em entrevista: “Futebol é inteligência e qualidade, mas também um pouco de amor. Se não, só o dinheiro não funciona.”

Cruyff: genial como jogador, técnico e, hoje, inspirador do maior time do mundo, o Barcelona (Foto Claudio Versiani)

Publicado originalmente em 13 de fevereiro de 2011campeões de audiência 02

O maior time de futebol do mundo da atualidade, o Barcelona, recebeu por anos a fio a magia de seu jogo quase incomparável — para mim, só Pelé o superou — e, depois, sua genialidade também como treinador. A herança do grande Johan Cruyff, todos reconhecem, ficou. É ele o grande inspirador do futebol-espetáculo ganhador do Barça, que herdou muito da espetacular “Laranja Mecânica”, o supertime da Holanda que encantou o mundo na Copa de 1974, na Alemanha.

A serviço da excelente Revista ESPN, o jornalista Daniel Setti entrevistou esse gênio para a edição de janeiro. E sendo, além de um ótimo jornalista, também meu filho, resolveu fazer uma surpresa ao pai: comprou uma camisa oficial da seleção da Holanda e, ao final da entrevista, explicou a Cruyff minha admiração de décadas pelo craque, pelo treinador e pelo cidadão que ele é, e solicitou-lhe uma dedicatória. Cruyff gentilmente topou (veja na foto abaixo) e, no Natal, recebi do filho de presente-surpresa a camiseta, com os dizeres estampados em tamanho grande na frente: “Para Ricardo, Johan Cruyff”.

Leiam a entrevista, que vale a pena. Uma lição para nossos jogadores, técnicos e cartolas.

Cruyff com Daniel, autografando a camiseta… para mim

O senhor grisalho de 63 anos que cumprimenta a reportagem, rosto queimado de sol e rabiscado por sadias rugas, tem cadeira cativa ao lado de Pelé, Garrincha, Di Stefano e Maradona no camarote sagrado de imortais do futebol. Mesmo assim seus belos olhos azuis, que nesta fria e ensolarada manhã outonal de Barcelona combinam com uma camisa da mesma cor e um moderno casaco lilás, preferem transmitir respeito e seriedade a afetação e arrogância.

Ainda que seja rico, famoso e venerado desde que, há quatro décadas, revolucionou o futebol dentro de campo – com dribles, movimentação imprevisível e gols – e fora dele (foi o primeiro jogador a ter patrocínio individual, da marca Puma), anda literalmente com os pés no chão.

São suas próprias pernas que o levam diariamente de sua casa ao charmoso casarão-sede da fundação que tem seu nome, ambos no elegante bairro de Bonanova, na zona norte da cidade catalã. Pendurou as chuteiras há 26 anos, levando consigo 22 canecos, três Bolas de Ouro e 425 gols oficiais, e aposentou a prancheta de treinador há 14 (acumulando outros 14 troféus), mas suas opiniões a respeito do mundo da bola têm cada vez mais peso.

Não só pela agudeza e pela firmeza de suas ideias – expostas nos artigos que escreve no jornal catalão El Periódico –, mas principalmente por suas iniciativas em prol da educação e do estímulo ao esporte. Este senhor grisalho, um holandês que se recusa a se acomodar nos mimos da idolatria e rejeita o senso comum, chama-se Johan Cruyff.

O responsável pela eternização da camisa 14 é sinônimo de futebol moderno em qualquer capítulo de sua biografia. Como jogador, nos primeiros anos colocou a Holanda no mapa ao ganhar incríveis três Copas dos Campeões da Europa (hoje Champions League) seguidas com o então pouco expressivo Ajax (1971, 72 e 73) para depois encabeçar a Laranja Mecânica, mitológica seleção de seu país na Copa de 1974.

(Veja no vídeo abaixo uma sucessão de lances de Cruyff com a famosa camisa 14, que virou sua marca:)

Contratado pelo Barça em 1973, enlouqueceu os torcedores culés com não apenas seu jogo, mas também seu atrevimento – desafiava árbitros e policiais – e sua rebeldia (fumava e usava cabelo comprido). Identificou-se a tal ponto com as culturas barcelonesa e barcelonista que até hoje vive na cidade, fala espanhol com sotaque catalão (exagerando o som do “l”), viu o caçula de seus três filhos vestir o manto azul-grená (Jordi, hoje atuando em Malta) e apenas recentemente deixou de ser presidente de honra do clube por desavenças políticas com o novo presidente, Sandro Rosell.

Cruyff: 22 canecos, três Bolas de Ouro e 425 gols oficiais

Após passagem pelo futebol norte-americano e um retorno à Holanda, voltaria ao Camp Nou para fazer história como técnico do dream team do Barcelona no início dos anos 1990, enquadrando gênios indomáveis como Romário e Stoichkov e faturando quatro campeonatos espanhois consecutivos e a primeira das três copas europeias ostentadas hoje pela equipe.

“Cruyff deixou no Barcelona um testamento ideológico, trabalhado sobre o gosto futebolístico do espectador, a quem ele educou”, disse recentemente o argentino Jorge Valdano, diretor de esportes do maior rival do Barcelona, o Real Madrid. “A ponto de que hoje é impossível triunfar no Barcelona sem jogar bem o futebol. Em Barcelona, ele é como o Oráculo”, conclui.

Valdano não poderia ter sido mais preciso. O que Johan Cruyff fez em suas passagens pelo clube catalão como jogador (1973-1978) e técnico (1988-1996) reverbera indiretamente, por exemplo, na impressionante performance do Barça de Messi na humilhante goleada sobre os merengues por 5 a 0 quatro dias após esta entrevista.

Não fosse a propagação das convicções imutáveis de “El Flaco” (“O Magro”) de que o futebol deve ser jogado sempre de maneira ofensiva e artística, provavelmente o atual melhor time do mundo, comandado desde 2008 por seu pupilo Pep Guardiola, não existiria. O próprio técnico disse após a goleada que boa parte da “culpa” por seu Barça é e seu mestre. Algo aparentado com a definição de Cruyff sobre os futebolistas: “O jogador é uma espécie de artista, e o público tem de se divertir”.

Cruyff atuando como treinador do Barcelona

“O Barcelona definiu seu estilo de jogo desde que Cruyff se converteu em seu treinador, e este estilo ofensivo encantou a torcida e mudou a própria filosofia do clube, que desde então sempre procura respeitar este direcionamento”, teoriza o jornalista espanhol Jorge Ruiz Esteve. “E como jogador, Cruyff foi um símbolo, porque era um jovem europeu moderno, que tinha cabelo comprido e andava com uma mulher de minissaia em plena ditadura franquista espanhola”, ressalta o historiador do Barça Carles Santacana Torres.

Neste encontro exclusivo com a ESPN, na sala de estar de sua fundação, o astro repassou todas as fases de sua trajetória, falou sobre sua relação com Romário, elegeu a nova Laranja Mecânica e criticou a retranca de Brasil e Holanda em 2010. “O time que trai seu estilo de jogo não pode obter sucesso”. Com vocês, Johan Cruyff.

O senhor transformou-se em sinônimo de futebol moderno e ofensivo. Qual é a origem dessa definição?

Começou há muitos anos e não teve a ver só comigo, mas também com o Ajax dos anos 70. Na Holanda eles são muito exigentes, e as pessoas que vão ao estádio querem curtir. Tudo aconteceu muito rápido. Em 1964, 65 eu era apenas o segundo jogador profissional, tínhamos muitas limitações. E em 1969 já jogamos a final da Copa da Europa com o Ajax [perdeu a decisão para o Milan, em Madri]. Em três ou quatro anos houve enormes mudanças. Era algo totalmente diferente. Por exemplo, os zagueiros não se conformavam em apenas defender, também queriam atacar. O futebol que jogávamos era o de que todo mundo gostava e de que até hoje, 30 e tantos anos mais tarde, ainda gosta. E é praticado por times como o Barcelona.

Como treinador, quem foi ou é o “novo Cruyff”?

Bom, agora o mais conhecido é o Guardiola. Porque tem a mesma filosofia e administra com sucesso o mesmo problema que tinha como jogador. Era um volante defensor assim [faz um sinal com um dedo indicando a magreza de Guardiola], mas quando tinha a posse de bola, podia ser muito bom. E o Barcelona de agora é um exemplo a ser seguido na mesma linha, porque o Xavi é baixinho, o Iniesta é baixinho e o Busquets é alto, mas também é assim [faz o mesmo gesto com o dedo].

O que um técnico tem de trabalhar em um jogador “assim”?

Em primeiro lugar, a técnica e a qualidade. Então a bola tem de ser sua amiga, mas muitas vezes ela é sua inimiga, porque está em todas as partes. Isso é importante. E, digo outra vez, você está jogando para o público, e o público paga. É uma espécie de artista, e as pessoas têm de se divertir.

Mas futebol é só diversão?

Bom, como se trata de um esporte – e isso é o principal problema que enfrentam os dirigentes –, temos um negócio nas mãos, um negócio em que colocamos emoções, portanto muito difícil de administrar. Por isso você tem que conhecê-lo bem de dentro. Se você não o viveu, é muito difícil saber administrar bem. Passei por todas as etapas para conhecer todos esses detalhes com destaque. Por exemplo, nos Estados Unidos [NR: Cruyff jogou no país entre os anos 1978 e 1982, passando por três equipes], o marketing esportivo estava muito mais à frente que no resto do mundo. E ali se podia aprender a respeito do que é o negócio do futebol. É uma questão de educação. Nos Estados Unidos você vai para a Universidade por fazer esporte, enquanto na Europa ou na América do Sul, estudar e praticar esportes ao mesmo não é possível. É o maior absurdo que há. Com nossas organizações, estivemos em São Paulo. Os números são chocantes. Por exemplo, entre 80 jogadores que já haviam participado de alguma Copa do Mundo, cerca de 15, ou seja 20%, se encontravam abaixo da linha de pobreza! E estou falando do país do mais alto nível [futebolístico]. É um desastre total, não só para o jogador, mas para qualquer criança que o tenha como um herói e o veja caindo.

No Brasil os jogadores planejam ganhar todo o dinheiro que possam enquanto estão em atividade, a chamada “independência financeira”, porque acreditam que não têm como garantir o que vem depois…

Se você não tem inteligência por não ter sido educado… ou melhor dizendo, se você não está acostumado a viver fora do futebol, é muito difícil. Porque o futebol é uma vida irreal: todos os dias você está em um jornal; todos querem saber sobre a sua vida; e você não sabe nada, sabe só jogar futebol. Mas a carreira termina quando você tem 35 anos. O que fará depois? Não há nenhum clube que se preocupe com isso. É um desastre pela simples razão de que o futebol no mundo, sobretudo no Brasil, é um aspecto importantíssimo da vida. Eu estive lá e vi todo mundo correndo, fazendo exercícios, praticando esportes. E deixam cair todos os seus heróis!

Qual é o perfil dos alunos de seu instituto? Ex-jogadores?

Ex-esportistas, não só do mundo do futebol. Os ex-jogadores são os mais difíceis, ganham muito dinheiro. Sobretudo para esses a necessidade de saber algo é importantíssima. Sempre você pode gastar dinheiro para viver bem, mas jogar dinheiro fora é absurdo.

Que lembranças o senhor tem da partida em que a Holanda eliminou o Brasil na Copa de 1974 por 2 x 0?

Muito boas porque ganhamos [risos]! Não, é que jogamos muito bem aquele mundial. Foi mais ou menos a consolidação do futebol holandês. Ainda se assistia pouco ao futebol de clubes porque haviam menos aparelhos de TV. As pessoas conheciam muito pouco a nossa seleção, foi a revolução total. Já estávamos jogando daquela maneira havia quatro ou cinco anos.

Mas e como foi chegar para enfrentar a então tri-campeã mundial, mesmo com essa bagagem de vários anos de futebol bem jogado?

O Brasil naquela época estava mudando. Quer dizer, nos anos 50 e 60 mandavam os peloteros (NR: expressão espanhola para jogadores habilidosos), e em 1974 dominava a força. Havia uma grande diferença com a gente, que íamos na direção contrária à força, fomos com a técnica. Técnica e inteligência.

Não chegou nem a ser um jogo difícil?

Bom, era o Brasil. Mas nós éramos muito melhores futebolisticamente, éramos o que eles haviam sido antes. Eles passavam por uma mudança de mentalidade, indo mais para o lado físico. É preciso ter em conta que, quando você tem sucesso, há muitos outros garotos te assistindo, e eles sempre pensam que podem fazer melhor do que você.

Na opinião do senhor, existiu ou existe algum time ou seleção com estilo de jogo parecido ao da Laranja Mecânica?

Agora o Barcelona é mais ou menos assim. Sempre com a combinação entre jogar bem, dar espetáculo e ganhar. Muitas vezes uma ou duas dessas três fases falha. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

11/09/2013

às 15:15 \ Tema Livre

De volta ao Milan, Kaká deixa atrás um recorde mundial: custou 1 milhão de euros (3,1 milhão de reais) por partida disputada no Real Madrid

 

Após a chegada a Milão, Kaká exibe a camiseta que defendeu por 6 anos: tentando recuperar a imagem (Foto: AFP)

Já de volta ao conforto do time do Milan, onde atuou por seis anos e é querido pelo clube e ainda hoje um grande ídolo da torcida — à sua chegada a Milão, até cameramen de TVs pediam seu autógrafo –, Kaká, aos 31 anos, tentará recuperar a má imagem que deixou atrás de si.

Em quatro temporadas no Real Madrid, time que o contratou a peso de ouro em 2009 — 67 milhões de euros (208 milhões de reais), na época a segunda maior transação da história do futebol, só superara pelos 90 milhões (280 milhões de reais) pagos pelo time de Madri ao Manchester United pelo português Cristiano Ronaldo –, Kaká nunca chegou a se firmar.

Tendo disputado a Copa do Mundo de 2010 com problemas num joelho — boa lembrança do amigo do blog Carlos Nascimento –, na volta ao Real viu o problema agravar-se e levá-lo a uma cirurgia e difícil recuperação. De quebra, em seguida encarou um técnico, o português José Mourinho, que não lhe permitiu a necessária sucessão de partidas disputadas para recuperar a plenitude da forma que o levou a abocanhar o Balão de Ouro de 2007.

Sem dúvida alguma um grande craque, Kaká acabou saindo pela porta dos fundos do Real, cedido gratuitamente, no último dia da “janela” de transferências, ao Milan — o clube madrilenho receberá determinadas compensações se o Milan se der bem nas competições que disputará — e passando a receber um salário, 4 milhões de euros anuais (12,4 milhões de reais), que significa menos da metade dos 11 milhões de euros que lhe pagavam na Espanha.

O rastro na bilionária Liga espanhola o transformou num recordista mundial — infelizmente não em gols, ou em partidas que decidiu de alguma forma. Somados o valor de sua transferência e os salários recebidos em quatro temporadas, Kaká custou ao Real Madrid 109 milhões de euros. Disputou apenas 113 partidas oficiais, entre o campeonato espanhol (a Liga BBVA), a Copa do Rei, a Liga de Campeões da Europa e a Supercopa da Espanha — 28 por temporada.

Assim sendo, por cada vez que Kaká entrou em campo, o clube desembolsou perto de 1 milhão de euros (964 mil euros, ou 2,98 milhões de reais).

 

28/07/2013

às 22:00 \ Tema Livre

FUTEBOL: Chegada do técnico argentino ao Barça e outros temas desviam atenção do fato de que o melhor time do mundo tem prejuízos multimilionários vendendo barato jogadores que custaram uma fortuna

O artilheiro David Villa recebido em delírio pelo Atlético de Madrid: mais uma transferência com enorme prejuízo (Foto: actualidades.es)

Post publicado originalmente a 26 de julho de 2013, às 19h47

A dor nacional na Espanha pelo acidente de trem em Santiago de Compostela, a intensa cobertura da imprensa ao Campeonato Mundial de Natação, sendo realizado em Barcelona, e as atenções despertadas pela chegada do novo técnico do F. C. Barcelona, o melhor time do mundo, o argentino “Tata” Martino, deixaram em total segundo plano a divulgação da situação financeira do clube por seu vice-presidente econômico, Javier Faus.

Faus mostrou que o Barça alcançou um lucro de 32 milhões de euros (pouco mais de 90 milhões de reais) na temporada 2012-2013, sobre um faturamento de 491 (quase 1,5 bilhão de reais), mas nada disse sobre algo que é um tabu no clube e na fanática imprensa pró-Barça: sua extraordinária capacidade de perder dinheiro com compra e venda de jogadores.

O Barça, desde o segundo mandato do atual deputado ao Parlamento da Catalunha e ex-presidente Joan Laporta (2006-2010) até agora, sob a presidência de Sandro Rosell, ex-executivo da Nike, gastou altissonantes 450 milhões de euros (1,4 bilhão de reais) na compra de jogadores, e, na venda – quase todas envolvendo boa parte desses contratados –, arrecadou apenas 180 milhões.

Sim, amigos! Nada menos do que 270 milhões de euros (perto de 820 milhões de reais) foram para o ralo em negociações de jogadores ao longo de sete anos. 115 milhões por ano!

Javier Faus: Barça faturou 491 milhões de euros, teve lucro de 32 e mantém dívida de 331 milhões (Foto: elperiodico.com)

O atacante David Villa — o maior artilheiro da história da seleção espanhola, com 56 gols em 90 partidas — é o mais recente, e talvez o maior, exemplo disso: comprado ao Valencia há três anos por 40 milhões de euros (pouco mais de 120 milhões de reais), acaba de ser repassado ao Atlético de Madrid por 5,1 milhões (pouco mais de 15 milhões de reais), e para serem pagos ao longo de três anos.

Não é de se estranhar, pois, que o Barça, o mais badalado time do mundo, com faturamento fabuloso que inclui 100 mil sócios pagantes, patrocínios multimilionários (só o governo do Catar paga 33 milhões por ano para estar na camisa dos jogadores) lojas próprias, franquias e incontáveis produtos licenciados pelo mundo afora, ostenta uma dívida — confirmada pelo vice-presidente Faus — de colossais 331 milhões de euros (perto de 1 bi de reais).

Ibrahimovic com a camisa de seu atual clube, o Paris Saint Germain: em pouco mais de um ano, o Barça perdeu 42 milhões com ele (Foto: AFP)

David Villa saiu justamente magoado do Barça e disse que, no novo clube, terá “a alegria de que estava precisando”.

Villa teve um ano e pouco de atuação fulminante, sofreu uma contusão séria — fratura da tíbia esquerda — no Mundial de Clubes da FIFA, em dezembro de 2011, e depois da demorada recuperação de seis meses acabou não reencontrando seu lugar no Barça. Um de seus problemas foram desentendimentos com Messi, que sabidamente manda no time. Disputou 77 partidas e fez 48 gols — média superior a 0,6 por partida, contando o período ruim.

Admitamos, por hipótese, que essa situação seja suficiente para o Barça vender por 5,1 milhões um jogador que custou 40 — é um absurdo, mas vamos admitir.

Pois acho mais inexplicável o caso de Ibrahimovic, o gigante cigano sueco contratado à Inter de Milão em meados de 2009 por 66 milhões de euros — 45 milhões em dinheiro e o restante com a transferência de um dos ídolos da torcida e grande jogador, o camaronês Eto’o, indo de lambujem o bielorrusso Hleb. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

29/06/2012

às 18:47 \ Tema Livre

Eurocopa: a Espanha que se prepare, pois a surpreendente Itália não está para brincar

O primeiro gol de Balotelli contra o goleirão Neuer: uma nova e diferente Azzurra (Foto: seattlepi.com)

 

Se cuide, Espanha, que a Itália vem aí!

Depois de vencer a poderosa Alemanha, ontem, por 2 gols a 1 — merecia mais –, a seleção da Itália que disputa a Eurocopa 2012 foi, como se sabe, para a finalíssima contra os espanhois, no domingo, dia 1º de julho.

Como sempre um tanto desacreditada, o time, com a nova filosofia de jogo e a renovação parcial do elenco promovidas pelo treinador Cesare Prandelli, afasta-se cada vez mais da Squadra Azzurra de há tantas competições — fechadíssima atrás, jogando à base de contra-ataques, temerosa de avançar e parca em gols.

Não, desta vez é uma equipe sólida, com uma defesa para ninguém botar defeito mas, como se viu contra a Alemanha, que sabe agredir. E, sobretudo, com o craque que mais brilhou na competição: o extraordinário meio-campo Andrea Pirlo, que já fizera bonito na campeã do mundo de 2006 e que hoje, perto dos 33 anos de idade, está jogando como nunca: passes perfeitos, dribles na hora exata, lançamentos com precisão milimétrica, um fôlego impressionante e a disposição de estar em todos os cantos do campo — até um gol da Alemanha ele salvou ontem.

O grande Pirlo dando conta de três ingleses, na partida em que a Itália venceu" (Foto: guardian.co.uk)

O grande Pirlo dando conta de três ingleses, inclusive do capitão Gerrard (centro), na partida em que a Itália venceu (Foto: guardian.co.uk)

Pirlo, sempre discreto e sem espalhafato em campo, é um daqueles raríssimos casos de jogador em que a bola parece uma prolongação das pernas. Não é por acaso que, transferindo-se do Milan para o Juventus, a Vecchia Signora voltou a ser campeã italiana — e, feito raro, invicta.

A seleção da Espanha, pois, apontada como favorita desde o começo da competição, que se cuide: a campeã da Eurocopa passada, em 2008, e campeã do mundo, em 2010, não está na ponta dos cascos, como se tem observado. Não se trata apenas do esgotamento dos principais jogadores — que integram o Barça e o Real Madrid –, mas de um desequilíbrio evidente causado por um desfalque e pelas consequências na armação do time: o do zagueiro Puyol, capitão do Barcelona, que não pôde ser convocado por estar em recuperação de cirurgia no joelho.

Não é que Puyol, zagueiro de qualidade, leal e raçudo, seja o melhor central do mundo. Mas, como o treinador Vicente del Bosque visivelmente não confia em Albiol, do Real, para o posto, manteve-o no banco e deslocou para o lugar de Puyol, e para fazer parceria com o barcelonês Piqué, o hoje zagueiro do Real Sergio Ramos, que, como lateral direito veloz, forte, de chute poderoso e cruzamentos perigosos, era uma arma perigosíssima, quase letal de La Roja.

Puyol: sua contusão teve um efeito dominó na seleção da Espanha (Foto: imagensa.com)

Puyol: sua contusão teve um efeito dominó na seleção da Espanha (Foto: imagensa.com)

O time espanhol, portanto, pelo efeito dominó da ausência de Puyol, está capenga pela direita, já que quem ocupa a lateral, de forma incompreensível para mim, é o jogador mais fraco da equipe, Arbeloa — ruim para atacar, fraco para defender e contumaz em fazer faltas que levam perigo para o gol de Casillas.

13/04/2012

às 17:07 \ Tema Livre

Dá pena de ver o que Ronaldinho Gaúcho fez a si mesmo

Ronaldinho após a eliminação do Flamengo da Libertadores: ele não deu certo -- nem no futebol, nem no marketing (Foto: Vanderlei Almeida / AFP)

 

Que pena assistir ao que ocorre com Ronaldinho Gaúcho.

Não deu certo como muitos esperavam no Flamengo precocemente eliminado da Libertadores – não apenas no futebol, mas também no marketing (leia reportagem do site de VEJA). Os céticos quanto à contratação de Ronaldinho mostraram estar corretos.

Agora, aparentemente, procura saídas para prosseguir no futebol, sem precisar dele – é muito rico e, se não cometer loucuras, o que acumulou pode durar gerações. Mas nenhuma das saídas de que se fala é gloriosa como seu início e meio de carreira fariam crer.

Pena ver a desorientação que tomou conta de sua carreira já há anos, quando, ainda muito jovem, começou sua inexorável decadência como craque de futebol devido a suas opções pessoais – o futebol ficou em segundo lugar diante de uma série de prazeres que, bem dosados, convivem perfeitamente com a vida de atleta.

Sem dosagem, minam as forças e até o interesse do jogador pelo futebol.

Ronaldinho e sua opção preferencial pelas noitadas: se bem dosada...

 

... a boa vida, a diversão e as noitadas podem conviver com um atleta de ponta

 

Só que a moderação não parece ter sido o caso de Ronaldinho (Foto: Wagner Meier / Fotoarena)

Essa fase começou em Barcelona, prosseguiu em Milão, quando ele atuou pelo Milan, e exacerbou-se no Rio de Janeiro.

Ronaldinho, sobretudo em sua fase áurea no Barcelona, foi um jogador fabuloso, um mágico, um craque que aliava o espetáculo à eficiência, uma ameaça infernal para as defesas adversárias. Inteligente, habilíssimo, veloz e fisicamente muito forte, aquelas suas famosas atropeladas pelo lado esquerdo do campo marcaram época e o tornaram um deus para a exigentíssima torcida do melhor time do mundo. Por algum mistério, não repetiu o brilho na seleção.

Não se falaria tanto de Messi, agora, se Ronaldinho não houvesse saído da linha, como se costuma dizer.

Messi é maravilhoso, é sem dúvida o melhor jogador do mundo (embora o discreto e fantástico Xavi, meio-campo do Barcelona, merecesse mais atenções da mídia), tem a genialidade de aliar o saber realizar tudo com a bola com uma objetividade fatal: foi só o técnico Pep Guardiola fazê-lo jogar mais adiantado no Barça para ele se tornar, além de tudo o que já era, um artilheiro invejável – sua média atual, há uma dúzia de partidas, é marcar dois gols por jogo.

O Ronaldinho espetacular do Barça ficou para trás há tempos

Ainda assim, juntando o conhecimento absoluto das técnicas mais elaboradas do futebol com um sentido de espetáculo que resultava na bola na rede, Ronaldinho poderia haver feito sombra a Messi se se cuidasse, colecionando Balões de Ouro.

Sim, ele tem 32 anos – mas Pelé parou aos 34 jogando uma barbaridade, e fazendo gols, para retornar depois no Cosmos aos 37. Xavi também tem 32 anos. Puyol, o capitão do Barça, zagueiro eficiente e com fôlego para volta e meia jogar de lateral, está cumprindo 34, e continua lá, firme, titular absoluto do melhor time do planeta. A lista de quem 32 anos ou mais e ainda brilha não é pequena.

Tudo isso são pequenas reflexões que compartilho com os amigos do blog para lamentar o que Ronaldinho fez a si mesmo.

20/01/2012

às 15:37 \ Tema Livre

Camisa do Corinthians é a mais bonita do Mundo

Camisa grená, do Timão, eleita a mais bonita

Camisa grená, do Timão, eleita a mais bonita do Mundo

 

Concurso de site inglês teve 32% das indicações para a camisa grená do Corinthians seu terceiro uniforme

Confira matéria no site de VEJA.

As outras 9 camisas mais bonitas do mundo são:

 

 

campeãs

campeãs

 

.

.

.

2º – Borussia Dortmund (camisa derby) – 15%.

 

.

 

.

.

 

.

 

3º – River Plate (camisa 2) – 13%

 

.

 

.

 

.

 

.

.
4º – Peru (camisa 1) – 11%
.

 

.

 

.

.

.

.

.

.

.

.
5º – Benfica (camisa 2) – 9%
.

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.
6º – França (camisa 2) – 3%
.

 

.

 

.

.

.

.
7º – Borussia Dortmund (camisa 2) – 2,7%
.

 

.

 

.

 

.

.
8º – Suécia (camisa 2) – 2,4%
.

 

.

 

.

 

.

.

.

 

9º – Milan (camisa 1) – 1,6%
.

 

.

 

.

.

.

.

 

10º - Gana (camisa 2) – 1,4%

 

13/01/2012

às 17:37 \ Tema Livre

Beckham, aos 36 anos, mantém o carisma e recebe chuva de convites

O capitão Beckham ergue a taça de campeão: com ele, o Galaxy de Los Angeles faturou três vezes mais que na temporada anterior (Foto: LA Galaxy)

Publicado originalmente em 30 de novembro de 2011

Aos 36 anos, recém-conquistado o título de campeão da liga de futebol dos Estados Unidos, a MLS, capitão do time do Los Angeles Galaxy e celebridade que não sai das manchetes, David Beckham tem tantos convites pela frente, com tanto dinheiro envolvido, e de diferentes partes do mundo, que ainda não sabe o que vai fazer.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

O homem continua com estrela. Sua ida para o LA Galaxy, em 2010, triplicou o faturamento da equipe de lá para cá, levou o clube a vencer a Liga e, continuando o trabalho pioneiro iniciado por Pelé em 1974 a que se dedicaram, depois, outros grandes craques, como Franz Beckenbauer, despertou o interesse de uma grande parte do público americano para um esporte que, aos poucos, se consolida.

Beckham-Armani

Com Victoria em peça publicitária da marca Emporio Armani, em 2009 (Foto: Emporio Armani)

É claro que o carisma do craque inglês é vitaminado pela mulher, a ex-Spice Girl Victoria, 37 anos, mãe de seus quatro filhos – três meninos e uma menina, a caçula. Agora desfrutando sobretudo da condição tão século XXI de “famosa”, embora seja designer de moda, disponha de sua própria linha de roupas e acessórios, faça alguns trabalhos como modelo e pontas em filmes, Victoria é daqueles personagens que não dá um tropeção no salto altíssimo sem ser “notícia”.

O casal Beckham, sempre alvo dos fotógrafos e das câmeras de TV

O marido recebeu, e já recusou, proposta para transferir-se ao Tottenham inglês. Há um clube italiano, que ele não revela, que gostaria de vê-lo voltar ao país, onde ele já atuou pelo Milan. Beckham, antes de tudo, tem convite para continuar atuando no meio-campo do Galaxy – ganhou 32 milhões de dólares para transferir-se do Milan para Los Angeles –, numa proposta tão atraente que inclui um ano sabático, um ano inteiro de folga, ganhando, para poder colaborar com a organização e divulgação das Olimpíadas de Londres de 2012 e desfrutar dos Jogos, um de seus grandes sonhos.

Os donos do LA Galaxy lhe oferecem, como alternativa a atuar na equipe, ajudá-lo a montar seu próprio time na MLS, ao qual se associariam.

Beckham-filhos

Passeando com os três filhos homens, este ano (Foto: US Magazine)

“Sempre tomei minhas decisões baseando-me em onde desejo jogar, mas agora tenho quatro filhos e cheguei a um ponto em que a família é o mais importante para mim”, disse Beckham ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport. Essa declaração enigmática não indica qual será seu próximo passo. O que Victoria e ele decidiram é que não vão se desfazer da casa, uma mansão de 22 milhões de dólares cercada de verde num ponto nobre de Los Angeles com nove quartos, seis banheiros, sauna, bar, piscina e outros confortos.

De todo modo, jornais europeus noticiaram que o casal andou vistoriando apartamentos em Paris – e, por coincidência, o Paris Saint Germain já há tempos tornou público seu interesse pelo homem que envergou 115 vezes a camiseta da seleção inglesa. O clube francês, agora de propriedade do emir do Catar, Amad bin Khalifa Al Thani, não tem problemas financeiros e abriga a ambição de fazer sombra a clubes como o Barcelona, o Real Madrid, o Manchester United e o Milan, tanto que já começou torrando 42 milhões de euros (103 milhões de reais) para contratar o argentino Javier Pastore ao Palermo, da Itália.

Mansão-Beckham-LA

A mansão em Los Angeles: US$ 22 milhões

O xeque Al Thani não brinca em serviço, e a uma eventual transferência para o PSG acrescentou a oferta de pagar um gordo salário para que Beckham exercesse, cumulativamente, algum posto – comentarista ou assessor da direção—da emissora de TV Al Jazira, de propriedade do governo do Catar.

Beckham, porém, quer um tempo. Agora, depois do título americano, conquistado no domingo, 20, ele quer curtir férias com Victoria e a garotada.

Conheça o site de Beckham e o de Victoria.

27/12/2011

às 14:31 \ Tema Livre

O Barcelona, melhor time do mundo, tem patrimônio negativo. Mas há uma “pegadinha” nesta história

Publicado originalmente em 28 de maio de 2011

Amigos, podem acreditar: o melhor time de futebol da atualidade, o Barcelona, da Espanha, que disputa com o Manchester United inglês o título da Liga de Campeões da Europa — o principal torneio interclubes do mundo –, o badaladíssimo, famosíssimo e riquíssimo Barça, é um clube que ostenta um patrimônio negativo. Para ser exato, um patrimônio negativo de 59 milhões de euros, algo como 135 milhões de reais.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

Isso mesmo, amigos. O Barça, que além da fortuna que embolsa pelas transmissões de TV, os direitos de imagens, os gordos patrocínios e a enorme renda obtida com produtos licenciados em suas próprias lojas e em uma ampla rede na Espanha e no exterior, que dispõe de um estádio espetacular, o Camp Nou, somando tudo com suas dívidas, fica devendo. Isso tudo do ponto de vista estritamente técnico. Já explico.

O arquirrival do Barça, o Real Madrid, apesar de dever mais do que o Barça, apesar dos delirantes gastos efetuados por seu presidente, Florentino Pérez, no afã de tentar barrar a hegemonia do time catalão, ostenta patrimônio líquido de 220 milhões de euros (cerca de meio bilhão de reais).

O surpreendente resultado foi obtido pelo professor de Economia Financeira e Contabilidade da Universidade de Barcelona José Maria Gay, com base no que existe de concreto sobre o patrimônio dos dois clubes: as contas anuais até o final de 2010. O estudo indica que, tudo somado, inclusive os investimentos na compra de jogadores, o Barça tem um ativo de 490 milhões de euros e uma dívida de 549 milhões de euros — daí o patrimônio negativo de 59 milhões.

A “pegadinha” no estudo do professor é que, para efeito contábil, como o Barça não investiu dinheiro na compra dos direitos federativos de craques formados em suas divisões de base, como o melhor do mundo Messi, os ótimos Xavi e Iniesta, o capitão Puyol ou revelações mais recentes como Pedro e Busquets, eles não entram no balanço contábil do clube.

Já o Real Madrid, que deve uma fábula aos bancos — 660 milhões de euros, ou 1,5 bilhão de reais, em curto, médio e longo prazo –, dispõe, por outro lado, de ativos de 880 milhões de euros (cerca de 2 bilhões de reais). Um patrimônio líquido, portanto, dos já citados 220 milhões de euros (meio bilhão de reais). Isso porque o clube, como a cobra mordendo o próprio rabo, se endividou para gastar 330 milhões de euros na compra de craques como Cristiano Ronaldo, Kaká e Xabi Alonso (outros, como Özil ou Khedira, vieram em 2011) que, porém, contabilmente ingressam nas contas como patrimônio daquele que, segundo a FIFA, foi o melhor time do século XX.

E, por falar em dívidas ou prejuízos, vejam vocês: também o timaço do Milan, da Itália, pertencente ao primeiro-ministro e bilionário Silvio Berlusconi, está no vermelho. Não se divulgaram dados patrimoniais sobre o clube, mas o balanço financeiro de 2010 não foi bom: o clube faturou 253,2 milhões de euros (582 milhões de reais), contra os 307,3 milhões (710 milhões de reais) do ano anterior, apresentando um déficit de 69,8 milhões de euros (160 milhões de reais), contra perdas menores no ano anterior: 9,8 milhões (22,5 milhões de reais).

24/11/2011

às 18:25 \ Tema Livre

Mesmo com prejuízo recorde e polêmicas internas, time do Manchester City turbinado por xeque árabe começa a “dar trabalho”. Será que agora vai?

Tévez, cercado por companheiros e abraçado por Balotelli, ergue primeiro troféu do Mancheser City em 35 anos, em maio; argentino foi de herói a vilão (Foto: AFP)

No Brasil, os torcedores de Corinthians e Botafogo consideram, com razão, sua maior prova de amor o fato de terem aguentado, pacientes, os jejuns de respectivamente 23 e 21 anos sem títulos vividos por seus times do coração.

Pois os admiradores do Manchester City, um dos clubes mais tradicionais da Inglaterra, fundado há nada menos que 131 anos, podem se gabar por terem enfrentado uma barra ainda mais pesada: 35 anos sem um mísero caneco.

Calvário encerrado este ano

O calvário durou de 1976, quando os citizens ergueram a Football Legue Cup, a maio deste ano, abençoado mês em que voltaram a sorrir com a conquista da Copa da Inglaterra (também conhecida como FA Cup).

O primeiro título para toda uma geração de torcedores da equipe azul-clara, garantido após uma vitória por 1 a 0 contra o Stoke City em um estádio de Wembley lotado, foi o indício concreto inaugural de que a monumental injeção de dinheiro recebida pelo clube a partir de 2008 começava a dar resultados.

Aquisição multimilionária

mancity-Sheikh-Mansour-Guardian

O novo dono do clube, xeque Mansour bin Zayed bin Sultan Al Nahyan: dinheiro não é problema (Foto: The Guardian)

Em setembro daquele ano o MU passou aos comandos do xeque Mansour bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, da ultra-mega-hiper rica família real de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, lançando a moda de investidores árabes gastando petrodólares em times de futebol (ver link sobre o Málaga, da Espanha, ao final do texto). » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados