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mensaleiros

16/03/2014

às 18:22 \ Política & Cia

NEIL FERREIRA: O Sistema e seu primo, o Mercado

O sistema, este bêbado trôpego!

O sistema, este bêbado trôpego!

Por Neil leia djá Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

O SISTEMA E SEU PRIMO, O MERCADO

Você certamente conhece o Sistema, já deve ter cruzado com ele, acho que é alcoólico. Encontrei-o em algumas sessões dos AA, nunca passou do primeiro passo e nem vai passar. É apresentado como bom sujeito, e deve ser; sem maldade, e deve ser. Mas tenho a impressão de que é irresponsável. Sofre de alcoolismo agudo: vive caindo na minha frente, dos lados e pelas costas; desaba e me dá sustos nos momentos mais inconvenientes.

Estou limpo há 50 dos meus 70 anos, em nenhum dia passei nem por perto de um gole de Coca Cola e muito menos de um Mac Donalds; vou aos AA por curiosidade, para ver se nas reuniões há caras novas.

Tenho um amigo que foi a uma única sessão: ficou desapontado e desistiu, ninguém lá é anônimo, disse, são todos bebuns conhecidos.

Minha esperança, que se realiza sempre, é nunca nem vislumbrar um incurável — Le Roi di Tutti Quantti Louis 51.

Se estou abstêmio da Coca e Mac Donalds, não abro mão do Black Label, o precioso líquido âmbar escocês, para poder sem mais confusões no texto me apresentar como poliglota.

Mostro numa linha que sou fluente na última flor do Lácio inculta e bela és a um tempo esplendor e sepultura.

Na língua de Dante, não o zagueiro do Bayern de Munique, convocado pelo Felipão pro escrete canarinho, que agora tem também um traje de gala azul, pra ver se escuta um coro de Allez les Bleus.

Não aquele Dante menos importante, acho que reserva da squadra azzurra, ou poeta; um chato, famoso por ter escrito um livro que para em pé, de tão grosso que é.

Sou também poliglota na língua allonsonfã de la patrie le jour de gloire est arrivé, a do Delacroix, que flagrou a Marianne, que porta a bandeira bleu, blanc, rouge, não sei de qual escola de samba nem sei de qual bicheiro, a La Revolution, que desfila na avenida com a turba seguindo seu remelexo; não l´étendard sanglant est levé, mas do seu heroico tomara que caia branco e decote mais que revelador.

Foi dentro dos AA que conheci seus (do Sistema) problemas de fora dos AA, que me causam problemas intensos dentro e fora de casa. Ainda vou começar a beber mais pra esquecer isso.

Meu PC de mesa e o laptopinho Mac gracinha, de estimação, não sei qual é o número é hoje, a toda hora eles trocam pra obsoletizar o meu, estão inúteis; o Sistema caiu.

Digressão:

O meu Maquinho hoje é o 8. Neste momento, as we speak, eles estão trocando o número outra vez e tenho que comprar outro, novo, que tem o design deles pra muderrrnizar o meu. Não pode ser de outro design; o deles é super registrado não sei em qual cidade do Nepal, para que eu não possa piratear, no nosso jeitinho pra me safar do jeitinho deles; como o Lula, sou safo, mas nem tanto.

Enrolei o que pude por um motivo mais que justo: preciso enviar este texto, meu dead line dédi lainou ontem e o Sistema caiu, tropeçando nos próprios pés.

Estou na espera que volte, a provedora me diz pelo telefone o mesmo vudu de sempre: “O senhor vai estar restartando o computador e vai estar desligando o modem por cinco segundos”; obedeço e nada. “Tem roteador?”, “Desliga do roteador e liga direto no computador”; obedeço e nada. “Senhor vamos estar agendando a visita de um técnico; quando o senhor vai estar podendo?” Ele foi na tua casa? Nem na minha.

Sei qual é o problema e digo; não aceitam: anteontem caiu uma garoa no Mato Grosso do Sul e o Sistema caiu aqui até hoje. Não foi uma chuvona das nossas.

Alguém assistiu a série do Jack Bauer? Não perdi um episódio. Ele e sua assessora-parece-que-caso, Chloe, morreriam de fome se trabalhassem aqui. Jack Bauer dependia do celular pra salvar os Estados Unidos dos terroristas árabes a cada 24 horas. Chloe desviava satélites pela internet. Aqui ela ouviria “Senhora, vou estar avisando de que o Sistema vai estar caindo”; pelo menos ela foi estar avisando de que o Sistema vai estar etc etc etc.

Minha netinha, que fez dois meses nesta 4ª feira, vai para Washington com a mãe, minha filha, e a avó, minha mulher e precisa tirar passaporte. O Trio de Ouro, mais o pai, que deixou o trabalho pra assinar os papéis necessários para um bebê viajar para o exterior, com mãe.

Por duas vezes escoltaram a belezinha e toda sua tralhazinha e rumaram para o desconhecido. Na primeira vez, o Sistema havia caído; na segunda, seis dias úteis depois, talvez de ressaca, não havia levantado ainda.

Mas sistema bom e batuta, pior do que esse meu Sistema, é o que permite que Barroso e Teori sejam nomeados Ministros do STF só pra livrar as caras dos Mensaleiros.

Agora não mais vão pegar xadrez em regime fechado por operarem uma Lavanderia de Dinheiro, passaram a ser apenas corruPTtos.

E o Mercado, primo do Sistema heim? É de veneta, incompreensível para os reles mortais. Venta na minha cidadezinha e o Mercado “fica de mau humor” e cai. Chove na Tailândia, e o Mercado muda de humor, e cai. Se está bom, muda pra mau e vice-versa, e cai. Aí, você aposta na queda e ele não cai.

Petrobras: "Dez anos de administração petista e a maior empresa brasileira virou uma bela porcaria. Ligue djá e venda djá!" (Foto: Marcelo Sayão / EFE)

Petrobras: “Dez anos de administração petista e a maior empresa brasileira virou uma bela porcaria. Ligue djá e venda djá!” (Foto: Marcelo Sayão / EFE)

Quando a Wall Street foi ocupada, o Mercado desabou e ficou abaixo do Pré-Sal, até que a ocupação acabou e aí despencou mais.

No Pré-Sal, caiu quando um cara mostrou suas mãos sujas, falando por gestos para surdos-mudos que “somos autossuficientes em petróleo”, mas não dá pra acreditar porque a Petrobras é baixa-suficiente em tudo.

Digo eu: por que com essa autossuficiência estamos importando petróleo e gasolina? E por que o Mercado ferra os pequenos acionistas da Petrobras? Tenho impressão de que o Mercado não gosta da Petrobras nem dos seus pequenos acionistas, os otários de sempre, uns otários de marca maior.

O Mercado rala os otários: a desvalorização da Petrobras hoje é de 48%. Dez anos de administração petista e a maior empresa brasileira virou uma bela porcaria. Ligue djá e venda djá!

O Boeing sumido foi abduzido; estava no filme Close Encounters, do Spielberg; eu acredito.

28/02/2014

às 15:00 \ Política & Cia

MENSALÃO: Que coisa extraordinária: o ex-”partido da ética” agora comemora o fato de seus figurões serem “apenas” corruptos

Dirceu, Delúbio e Genoíno: petistas comemoram o fato de, escapando do crime de cadeia, serem "apenas" oficial e legalmente corruptos (Fotos: veja.abril.com.br)

José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino: petistas comemoram o fato de, escapando do crime de cadeia, serem “apenas” oficial e legalmente corruptos (Fotos: veja.abril.com.br)

 

A alegria indisfarçável estampada em figurões petistas em Brasília e em outras partes porque mensaleiros graúdos se livraram do crime de formação de quadrilha — livrando-se, assim, de penas mais longas e do regime penitenciário fechado — graças à mudança de composição ocorrida no Supremo Tribunal Federal ao longo do processo é um tapa na cara de muitíssimos brasileiros que, um dia, acreditaram que o PT, fundado em 1980, era o “partido novo”, o “partido da ética”, o partido que iria “mudar tudo isso que aí está”, o partido que se levantava contra as barbaridades e clamava por justiça.

Essa gente toda que comemora o a não condenação de mensaleiros pelo crime de formação de quadrilha deixa de lado, de forma descarada, o fato de que eles estão presos — embora em regime aberto — por crimes comprovados e transitados em julgado, sem mais apelação, como corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e outras pesadas ofensas à lei contidas no Código Penal.

As comemorações e a alegria dos petistas graúdos é a melhor prova do tamanho da falência moral do PT — se é que ainda era necessária essa prova.

28/02/2014

às 4:31 \ Política & Cia

MENSALÃO: Como registro para a História, a íntegra do arrasador voto do ministro Celso de Mello

 

Ministro Celso de Mello: desconstruindo a tese de que houve "farsa" (Foto: O Globo)

Ministro Celso de Mello: desconstruindo a tese de que houve “farsa” (Foto: O Globo)

Sim, muitos leitores vão dizer que o julgamento do mensalão virtualmente terminou como terminou graças a ele, o ministro Celso de Mello.

Terminou com prisão em regime aberto até para José Dirceu, que o Ministério Público considerou o “chefe da quadrilha”, tese aceita pelo Supremo Tribunal até que houve a reviravolta provocada pelo exame dos embargos infringentes – graças a uma alteração na composição da corte que levou à aposentadoria dois ministros extremamente rigorosos com os mensaleiros por outros dois, mais compreensivos.

Celso de Mello é considerado por muita gente do ramo o melhor ministro do Supremo. Infelizmente, para quem desejava cadeia dura para os mensaleiros, ele chegou à conclusão, após muito estudo, de que a Constituição e as leis asseguravam aos já condenados os embargos infringentes, e os admitiu para exame.

Isso não impediu, porém, de o ministro, na sessão decisiva que — infelizmente — terminou por absolver petistas graúdos da acusação de formação de quadrilha, reduziu-lhes as penas e lhes permitirá o cumprimento de uma punição branda, expusesse um voto brilhante que, entre outros pontos, descontruiu a tese de que o mensalão não teria passado de uma “farsa”.

– Esse processo, ao contrário do que se afirmou, tornou claro que os membros da quadrilha, reunidos em uma verdadeira empresa criminosa que se apoderou do governo, agiram como dolo de planejamento, divisão de trabalho e organicidade, uma sofisticada organização criminosa — bradou o ministro, para acrescentar, em outro ponto:

– O julgamento foi plenamente legítimo e solidamente estruturado em provas lícitas, válidas e produzidas sob a égide do contraditório. A maior farsa da história política brasileira residiu nos comportamentos moralmente desprezíveis, cinicamente transgressores da ética republicana e juridicamente desrespeitadores das leis criminais do país, comportamentos perpetrados por delinquentes agora condenados, travestidos da então condição de altos dirigentes governamentais, políticos e partidários, cuja atuação dissimulou e ludibriou acintosamente o corpo eleitoral, fraudou despudoradamente os cidadãos dignos do país, quando na realidade buscavam, por meio escusos e ilícitos, por meio de condutas criminosas, articular, corromper o exercício do poder e ultrajar a dignidade das instituições republicanas.

Este blog considera que é um registro importante publicar, NA ÍNTEGRA, o voto do ministro Celso de Mello. É peça para a história.

Quem deixar de ler por estar irritado com o ministro estará perdendo uma peça antológica.

Que é a seguinte:

“27/02/2014

PLENÁRIO

EMB.INFR. NA AÇÃO PENAL 470 MINAS GERAIS

V O T O

O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: O meu voto, Senhor Presidente, com a vênia daqueles que pensam de forma contrária, nega provimento aos presentes embargos infringentes.

Ao assim julgar, reafirmo os votos que anteriormente proferi sobre a matéria, neste mesmo processo, nas sessões plenárias de 2012.

Acompanho, portanto, o substancioso voto que o eminente Ministro LUIZ FUX, Relator, proferiu na sessão de ontem, dia 26 de fevereiro.

Quero observar – e o faço com a vênia daqueles eminentes Juízes desta Corte que pensam diversamente – que o Supremo Tribunal Federal, ao proceder à operação de dosimetria penal relativamente ao crime de quadrilha, fez corretíssima aplicação do método trifásico, identificandocom plena e pertinente fundamentação, a existência de diversos fatores negativos (que foram reputados desfavoráveis aos condenados) no exame das circunstâncias judiciais a que alude o art. 59 do Código Penal, valorando-os de modo adequado e proporcional à gravidade da conduta punível, tipificada no art. 288 do Código Penal, em que incidiram os ora embargantes.

Foi uma resposta penal severa do Estado, em justa e necessária reação do ordenamento jurídico ao comportamento delinquencial gravíssimo dos condenados, ora recorrentes.

Inexistiu, portanto, segundo penso, qualquer incongruência jurídica ou interpretação arbitrária dos fatores subjacentes à exacerbação da pena-base ou inconsistência sistêmica, por parte desta Suprema Corte, na concreta aplicação da sanção penal aos ora embargantes em razão de seu comportamento delituoso pela prática do crime de quadrilha. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

26/02/2014

às 21:16 \ Política & Cia

MENSALÃO: Barroso abre caminho para reduzir pena de mensaleiros

O ministro Luís Barroso durante análise dos recursos apresentados pelos condenados no mensalão (Foto: Gervásio Baptista / STF)

O ministro Luís Barroso durante análise dos recursos apresentados pelos condenados no mensalão (Foto: Gervásio Baptista / STF)

Reportagem de Laryssa Borges, de Brasília, publicada no site de VEJA

BARROSO ABRE CAMINHO PARA REDUZIR PENA DE MENSALEIROS

Ministro protagonizou duro embate com o presidente do STF, Joaquim Barbosa, na análise dos recursos. Placar ficou em 4 a 1 a favor dos condenados

Como esperado, o ministro Luís Roberto Barroso, mais novo integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), livrou nesta quarta-feira, ao votar na reta final do julgamento do mensalão, os oito mensaleiros condenados por formação de quadrilha, entre eles o ex-ministro José Dirceu, os petistas Delúbio Soares e José Genoino e o próprio operador da trama criminosa, Marcos Valério.

A surpresa foi a maneira como o fez. Em vez de apenas acompanhar as teses de ministros que haviam absolvido o mensaleiros nesse ponto específico na fase anterior do julgamento – com argumentos ponderáveis, como a insuficiência de provas ou a ideia de que não houve formação de quadrilha, mas apenas concurso de pessoas para a realização de crimes – ele se lançou numa empoladíssima argumentação que parece ter pego até mesmo os colegas de tribunal de surpresa.

Confira como foi, passo a passo, a sessão do STF

No julgamento desta quarta-feira, Barroso acusou a Corte de ter definido altas penas para os quadrilheiros apenas para evitar a prescrição do crime e garantir maior tempo dos culpados atrás das grades. “Considero que houve uma exacerbação inconsistente das penas aplicadas no crime de quadrilha, com a adoção de critério inteiramente discrepante do princípio da razoabilidade e proporcionalidade. A causa da discrepância foi o impulso de superar a prescrição do crime de quadrilha”, disse.

Depois disso, Barroso inovou. Alegou que as penas base de quadrilha foram majoradas em média em 75%, ao passo que as penas base dos outros crimes foram aumentadas em patamar muito menor. Barroso disse que a corte estava proibida de fazer isso – embora não exista nenhuma norma legal que o diga, e ainda que as penas ficassem dentro dos parâmetros do Código Penal – porque isso criava uma desproporcionalidade na punição que viciava todo o processo.

Ao final da sessão, Luís Roberto Barroso admitiu que não há previsão em lei sobre os métodos utilizados por ele para estabelecer um limite aceitável para as penas dos condenados. Mas justificou: “A lei não traz tabelas. O fundamento legal é que todo o direito se move sobre um princípio subjacente a todas as normas, é o princípio da proporcionalidade, que é uma adequação entre o meio e o fim, entre a quantidade e o resultado. Eu fiz exatamente o que eu achava que tinha que fazer. Tive a benção de fazer o que queria fazer do modo que eu queria fazer. Se isso contraria interesses ou pontos de vista é inevitável”, completou.

O raciocínio de Barroso tirou do sério o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa. Ele disse que o colega de toga julgava sem amparo nenhum na técnica – e portanto fazia um discurso político travestido de argumentação. “Em que dispositivo do Código Penal estão esses parâmetros tarifários? Onde está no Código Penal dito que o juiz tem que, em determinada situação, aplicar aumento de 20%, 30%, 40%, já que Vossa Excelência acha que houve um exagero, um absurdo?”, questionou o presidente.

Como tantas outras vezes, pecou na forma, mas não no conteúdo. Outros ministros ficaram desconcertados com a argumentação de Barroso. Carmen Lúcia pediu que Barroso explicasse melhor suas intenções com a arguição de prescrição, e Marco Aurélio também levantou objeções.

Ao final da sessão plenária, Barroso aceitou que seu voto fosse registrado como de absolvição dos oito réus anteriormente condenados por quadrilha. Depois de gastar horas da corte com sua argumentação emplumada e um tanto abstrusa, concordou em fazer o arroz com feijão e absolver os réus, como já se esperava dele.

No momento do embate mais duro entre Joaquim Barbosa e Luís Roberto Barroso, o relator dos embargos infringentes, Luiz Fux, não se manifestou. Também como esperado, o juiz, que ao longo do julgamento de mérito do mensalão, havia seguido o entendimento de Barbosa na maior parte das vezes, votou por manter todas as condenações dos quadrilheiros. Pelo voto de Fux, a pena final de José Dirceu, por exemplo, ficaria em dez anos e dez meses de reclusão, o que o obrigaria a cumprir a sanção em regime fechado.

Lampião

Ao longo do julgamento de mérito da ação penal, em 2012, os ministros Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e José Antonio Dias Toffoli consideraram que, para existir uma quadrilha, era necessário que os criminosos atuassem para a prática de crimes “por um tempo indeterminado” e que representassem ameaça à paz pública. Eles chegaram a citar o temor que uma quadrilha clássica, como o bando do cangaceiro Lampião, trazia às regiões por que passava.

Fux resgatou o exemplo de Lampião na sessão desta quarta e alegou que, mesmo em uma quadrilha, seus integrantes não precisariam viver exclusivamente do crime. “A criminalização da quadrilha tem um aspecto preventivo e para que não possa praticar outros delitos. A configuração do crime de quadrilha independe da efetiva prática de crimes de seus associados. Ela timbra sua existência para mera articulação de seus desígnios”, explicou o ministro.

O julgamento será retomado nesta quinta-feira às 10 horas da manhã. Com o entendimento de Barroso, somado aos votos de absolvição proferidos por outros quatro magistrados – Rosa Weber, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e José Antonio Dias Toffoli – no julgamento de mérito da ação penal, é dado como praticamente certo que a condenação dos quadrilheiros será revista.

Isso porque o ministro Teori Zavascki, que votará nesta quinta-feira pela manhã, já havia afirmado, quando o plenário julgava embargos de declaração do mensalão, que considerava desproporcionais as penas aos mensaleiros.

A revisão das sanções por Zavascki inevitavelmente beneficiará os políticos e empresários condenados no maior escândalo político do governo Lula.

26/02/2014

às 18:25 \ Política & Cia

MENSALÃO: Há ministros que estão no Supremo para julgar. Outros, estão lá especificamente para absolver

O STF análisa recursos que podem livrar alguns dos principais condenados no processo do mensalão (Ação Penal 470) da punição pelo crime de formação de quadrilha (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

O STF durante a sessão que analisa recursos de alguns dos principais condenados no processo do mensalão sobre a condenação por crime de formação de quadrilha (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

O acompanhamento da cobertura ao vivo do julgamento dos embargos infringentes apresentados por mensaleiros condenados que querem se livrar do crime de formação de quadrilha, ou bando, e, portanto, livrar-se também da condenação à pena de prisão em regime fechado, conduz a uma conclusão.

A sessão acaba de terminar, com o ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF e relator do processo do mensalão, precisando quase extorquir do ministro Luís Roberto Barroso a palavra “absolvo” — relativa a TODOS os réus que o Supremo havia condenado por formação de quadrilha, que Barroso absolveu sem que, em seu voto, utilizasse, até então, o verbo “absolver”.

A conclusão a que se chega, com absoluta clareza, é que há ministros no Supremo que para lá foram guindados com a missão de “cooperar” com o lulopetismo no poder — inclusive aliviando a vida dos criminosos já condenados pela maioria da alta Corte, antes que aposentadorias compulsórias mudassem a composição do Plenário.

Essas figuras apequenam a grandeza histórica do Supremo Tribunal Federal e enodoam seus quase 125 anos de existência sob a República.

Não foi por acaso que, irritado, o ministro Joaquim Barbosa chegou, a certa altura da sessão, a perguntar se o ministro Luís Roberto Barroso se ele tinha o voto pronto antes de chegar ao Supremo — ou seja, se ele ingressou no tribunal com a predisposição de beneficiar os mensaleiros.

Leiam a respeito da sessão de hoje no site de VEJA.

07/02/2014

às 19:30 \ Política & Cia

MENSALÃO: Fuga de Pizzolato, preparada com ANOS de antecedência, prova que, se houve uma farsa, esta se encontra nas reações histéricas dos defensores do indefensável

Pizzolato desde 2007 já sabia que seria condenado. E desde então orquestrou sua fuga (Foto: Divulgação / Polícia de Modena)

“Pizzolato desde 2007 já sabia que seria condenado. E desde então orquestrou sua fuga (Foto: Polizia di la Provincia di Modena)

Post do leitor e amigo do blog Reynaldo-BH

Post do LeitorQue não sejamos, por cá, vítimas da amnésia que parece ser a marca registrada do Brasil.

Quando do julgamento e prisão dos mensaleiros, lembro-me que esta coluna foi inundada por defensores do direito de Pizzolato à fuga.

E o argumento era uma pretensa “busca de justiça” na Itália. Lá sim, o veredicto seria outro, o processo legal respeitado e a justiça enfim seria feita. Enfim, o que restava a um homem injustiçado em defesa de sua liberdade.

Pizzolato desde 2007 já sabia que seria condenado. E passou, meticulosamente como cabe a bandidos experientes, a preparar a fuga da condenação que sabia inevitável. Pela robustez das provas e pela inexistência de fatos que pudessem inocentá-lo.

Providenciou documentos em nome do irmão já falecido. Carteira de Identidade, Certificado de Reservista, Título de Eleitor e naturalmente, o passaporte italiano.

Testou as falsificações. Votou em 2008 nos dois turnos das eleições. Pagou a multa por não ter votado em 2010.

Declarou Imposto de Renda em nome do irmão morto e usado – sem pudor – para criar uma persona a se preparar para a fuga.

Corrupto e falsário. Aqui e na Itália.

Tudo detalhadamente planejado.

Pergunto aos que por cá se posicionaram como defensores deste criminoso comum e que, a partir daí, estendiam a acusação ao processo do mensalão como sendo uma farsa: como sustentar esta posição?

Desde a aceitação da denúncia da Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, Pizzolato sabia-se condenado. Pelo que fez. Pelos roubos de dinheiro público do Banco do Brasil.

Farsa? Inexistência de fatos? Perseguição política?

Ou esta fuga tão bem planejada – de modo imoral por usar um ser humano após a morte, e pior, irmão! – não é prova de que se houve uma farsa esta se encontra nas reações histéricas dos defensores do indefensável?

Pizzolato é a prova mais intensa – pós-julgamento – de como funcionava a organização criminosa encabeçada por José Dirceu (até onde se sabe, pois pode ter outro chefe nunca incomodado).

A certeza da condenação não nasce da inocência. A fuga antecipadamente engendrada é comum a quem sabe que não há como escapar das grades. E Pizzolato não poderia agir solitariamente. Não teria como cometer os crimes que sabia ter cometido sem fazer parte de uma quadrilha.

A dor de parentes – uma tia se sente envergonhada, pois diz que Henrique/“Celso” jogou o nome da família na lama – é compreensível. São pessoas honestas. Certamente fazem parte do Brasil decente.

Ao contrário do lulopetismo.

Os adeptos deste provavelmente terão mais uma explicação para estes fatos esclarecedores. E como sempre, tentando inocentar bandidos.

04/02/2014

às 17:30 \ Política & Cia

ELES ESTÃO CADA VEZ MAIS ARROGANTES E DESRESPEITOSOS: Vice-presidente da Câmara faz gesto de mensaleiros presos ao lado de Joaquim Barbosa

O deputado André Vargas (PT/SP), vice-presidente da Câmara, ergue o punho ao lado de Joaquim Barbosa durante a cerimônia de reinício das atividades do Congresso. Ele não teve a gentileza de trocar uma só palavra com o ministro (André Coelho / O Globo)

O deputado André Vargas (PT/SP), vice-presidente da Câmara, ergue o punho ao lado de Joaquim Barbosa durante a cerimônia de reinício das atividades do Congresso. Ele não teve a gentileza de trocar uma só palavra com o ministro (Foto: André Coelho / O Globo)

VICE-PRESIDENTE DA CÂMARA FAZ GESTO DE PETISTAS PRESOS AO LADO DE BARBOSA

Por Maria Lima e Isabel Braga, do jornal O Globo

Durante a leitura de parte da mensagem da presidente Dilma Rousseff ao Congresso nesta segunda-feira, na abertura dos trabalhos legislativos de 2014, as provocações do vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR, foto abaixo, à direita), foram alvo de comentários dos colegas e notadas no plenário.

Sentado ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, Vargas fazia troça com colegas no plenário, hora repetindo o gesto de punho erguido feito pelos petistas mensaleiros na hora da prisão, hora postando ironias nas redes sociais sobre o ministro.

Em um momento da leitura da mensagem presidencial, quando Barbosa saiu da Mesa e se ausentou do plenário, André Vargas fotografou a cadeira ao seu lado vazia e postou no Instagram com a legenda: “Joaquim sumiu?”

Na véspera, o petista criticou Barbosa por causa da publicação de uma foto sua ao lado de um empresário foragido, em Miami. “Joaquim Barbosa tira foto em Miami com empresário foragido. Cadê os moralistas da mídia brasileira? Se fosse o Lula!”, escreveu Vargas.

Nesta segunda-feira, ele fez questão de sentar-se ao lado de Joaquim Barbosa na Mesa. Mas passou o tempo todo meio virado para o outro lado, sem trocar uma palavra com o presidente do Supremo.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUE AQUI)

02/01/2014

às 16:17 \ Política & Cia

MENSALÃO — Advogados de mensaleiros criam nova e extraordinária figura: o “respeito” ao Supremo que, na verdade, é ofensa

Tudo pareciam flores: advogados dos mensaleiros gargalham no plenário do Supremo no início do julgamento, em agosto de 2012 (Foto: André Dusek / Agência Estado)

TUDO PARECIA FLORES: advogadões dos mensaleiros gargalham no plenário do Supremo Tribunal Federal, no início do julgamento, em agosto de 2012 (Foto: André Dusek / Agência Estado)

Publicado originalmente em 19 de novembro de 2013

campeões de audiência 02Todos já conhecemos a enorme capacidade dos bons advogados no uso e na manipulação de palavras.

Com a condenação dos envolvidos no escândalo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, vários advogados dos mensaleiros estão conseguindo se superar em matéria de acrobacias verbais.

Criou-se a extraordinária figura do “respeito” ao Supremo, por meio de palavras que, na verdade, ofendem profundamente a Suprema Corte.

Vários advogados, a começar pelo defensor do ex-ministro José Dirceu, José Luís de Oliveira, juram por tudo quanto é santo que “respeitam” o Supremo — para, logo em seguida, dizer que…

*  o tribunal condenou seus patrocinados sem provas

* o tribunal julgou seus patrocinados contra evidências contidas nos autos

* o tribunal atropelou a legislação

* o tribunal não levou em conta sua própria jurisprudência

* o tribunal conduziu, na verdade, um julgamento político

E por aí vai.

“Respeitam” o Supremo.

Imaginem se não respeitassem!

 

19/12/2013

às 19:31 \ Política & Cia

PERGUNTAR NÃO OFENDE: o que, afinal, significa o punho levantado de Dirceu, no momento de ir para o xadrez? DÊEM AQUI SUA OPINIÃO

São Paulo, 15 de novembro de 2013, edifício-sede da Superintendência da Polícia Federal, 20h27: Dirceu se apresenta à carceragem e saúda meia dúzia de barulhentos partidários com o punho erguido (Foto: Eduardo Knapp / Folhapress)

São Paulo, 15 de novembro de 2013, edifício-sede da Superintendência da Polícia Federal, 20h27: Dirceu se apresenta à carceragem e saúda meia dúzia de barulhentos partidários com o punho erguido (Foto: Eduardo Knapp / Folhapress)

Post originalmente publicado a 15 de novembro de 2013, às 22h02

campeões de audiência 02Acho que quase todos vocês, leitores do blog, viram pela TV, agora há pouco: o ex-todo-poderoso ministro-chefe da Casa Civil de Lula, José Dirceu, nome certo na disputa pela sucessão do chefe depois de seus dois mandatos se não fosse o mensalão, finalmente se apresentou à carceragem da Polícia Federal, em São Paulo, para, dali, ser resolvido seu destino como presidiário no regime semi-aberto.

Mais de oito anos depois da denúncia do escândalo do mensalão pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), mais de sete anos depois do oferecimento da denúncia ao Supremo pelo procurador-geral da República, mais de seis anos após a aceitação da denúncia pelo Supremo, chegava, enfim, o momento da eminência parda do lulalato enfrentar a cadeia.

Ainda resta a ser julgado um embargo infringente que pretende contestar um dos crimes pelos quais Dirceu foi condenado pelo Supremo, o de formação de quadrilha. Mesmo assim, por ordem do presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, ele, como outros mensaleiros, começará a cumprir sua pena.

Dirceu chegou à PF de camisa esporte, sorridente, e, à entrada do edifício, dirigiu a um pequeno grupo de barulhentos partidários — vários dos quais perturbaram o trabalho de profissionais da imprensa — com a velha saudação comunista do punho erguido. Punho esquerdo, aliás.

Perguntar não ofende: o que significou esse punho erguido?

Vitória?

Por mais maluco que seja, em caso afirmativo, que vitória, exatamente?

A de ter em seu prontuário, para sempre, o carimbo de criminoso condenado?

Júbilo?

Por querer se transformar em “preso político” numa democracia como a brasileira, que, por sinal, concede benefícios inimagináveis aos infratores das leis penais?

Sinal de que “a revolução” lulopetista está em marcha, ou ainda virá?

Qual “revolução” — uma de que fazem parte Renan Calheiros, Collor, Maluf, Jader Barbalho, Sarney, uma fatia da bancada evangélica, os fisiológicos do PMDB?

Fica a pergunta no ar.

Como se sabe, perguntar não ofende.

Agora, digam vocês: em sua opinião, o que significou o gesto do chefe da quadrilha do mensalão?

 

19/11/2013

às 17:57 \ Política & Cia

Mensaleiras presas — inclusive a ex-dona do Banco Rural — tomam o primeiro banho de sol na Papuda

A dona do Banco Rural, Katia Rabelo, durante banho de sol no Complexo Penitenciário da Papuda (Foto: Ed Ferreira / Estadão)

A ex-dona do Banco Rural, Katia Rabelo, durante banho de sol no Complexo Penitenciário da Papuda (Foto: Ed Ferreira / Estadão)

Publicado no site de VEJA

MENSALEIRAS PRESAS TOMAM 1º BANHO DE SOL NA PAPUDA

Kátia Rabello e Simone Vasconcellos caminharam no pátio do presídio no Distrito Federal. Sem uniforme, elas conversaram com outra detenta

A ex-dona do Banco Rural, Kátia Rabelo, e a ex-diretora da agência de publicidade de Marcos Valério Simone Vasconcelos, condenadas no julgamento do mensalão, tiveram direito ao primeiro banho de sol no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, nesta terça-feira. Durante meia hora, elas caminharam pelo pátio do presídio e conversaram com outra detenta, sempre escoltadas por policiais.

Elas têm direito a duas horas diárias de banho de sol.

Presas em Brasília desde sábado, elas foram transferidas na segunda-feira da Superintendência da Polícia Federal para uma unidade da Polícia Militar dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, onde estão presos também os petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

O advogado de Kátia Rabelo, José Carlos Dias, disse já ter pedido ao juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal a transferência dela para uma prisão em Belo Horizonte, onde mora a família. O juiz decidiu enviá-las para a Papuda porque o Presídio Feminino da Colmeia, na Região Administrativa do Gama (DF), não oferecia condições de segurança para alojá-las.

Kátia foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quase 17 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Terá que cumprir pena em regime fechado.

Já Simone Vasconcelos foi condenada a 12 anos e 7 meses pelos crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Por enquanto, cumprirá pena em regime semiaberto porque há recursos pendentes sobre os crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

 

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