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Martin Scorsese

12/01/2013

às 14:00 \ Música no Blog

Beatles: documentário de Scorsese é o épico necessário sobre George Harrison

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Cartaz do filme e capa do DVD

Publicado originalmente em 2 de novembro de 2011.

Por Daniel Setti

Living in the Material World, documentário de Martin Scorsese sobre George Harrison (1943-2001) – que já começa a estar disponível no Brasil em DVD e, extra-oficialmente, na internet – é, além de um evidente deleite para os fãs do quiet beatle, um épico audiovisual necessário, em se tratando da importância dos Beatles e das quatro pessoas que o integraram. E que vale a pena ser assistido no cinema. Torçamos para que os distribuidores brasileiros não deixem passar esta oportunidade.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

Assisti ao filme de três horas e meia em sessão ocorrida segunda-feira na edição barcelonesa do In-Edit, festival inteiramente de dedicado a documentários musicais que já foi organizado também em países como Brasil, Argentina e Chile. Diante de uma telona e na companhia de uma sala organizadamente lotada, a experiência vale ainda mais.

Documento definitivo

Se a história dos Beatles já fora muito bem contada em Anthology (1995) e John Lennon é foco de diversas produções do gênero – só para citar duas, as ótimas Imagine (1988) e The U.S. vs John Lennon (2006) –, faltava que alguém se debruçasse sobre as trajetórias individuais dos outros rapazes de Liverpool. Os próximos devem ser, obviamente, Paul e Ringo. (Uma pena saber que, ao prevalecer a lógica comercial mórbida do mercado, eles só ganharão os seus relatos documentais definitivos quando não estiverem mais aqui.).

Living in the Material World exerce o devido papel de documento essencial. em primeiro lugar, por abraçar toda a preciosa obra de George, desde quando estreou como compositor em disco com “Don’t Bother Me”, incluída timidamente em With the Beatles (1963) – e desafiando a tirania da dupla Lennon-McCArtney -, às últimas canções que criou antes de morrer (material transformado no ótimo disco póstumo Brainwashed, de 2002).

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O casal Nancy Shevell e Paul McCartney, Yoko Ono, Olivia Harrison, viúva de George, Barbara Bach e o marido, Ringo Starr, na estreia do documentário, dia 2 de outubro em Londres (Foto: Dave Hogan - Getty Images)

Entre os dois momentos, esmiúçam-se, com áudio, vídeo e fotografias, as joias eternas que escreveu para os Beatles e sua carreira solo, que começou oficialmente com o sublime álbum All Things Must Pass (1970). Espécie de fio condutor da trilha  sonora do documentário, o repertório da bolacha tripla mostrou o quanto Harrison vinha acumulando criatividade durante os últimos anos do grupo, sem que pudesse ver suas músicas publicadas.

Retrato íntimo

Outro mérito de Scorsese foi trazer à tona muito mais da vida pessoal do reservado rockstar do que qualquer fã está acostumado, sem que tal iniciativa descambe para a fofoca ou o sensacionalismo tardio. A história do astro, afinal de contas, ajuda a entender sua obra.

Entre os entrevistados estão seus irmãos Harry e Peter, a primeira mulher, Pattie, e a segunda, Olivia, com quem esteve casado entre 1978 e sua morte, 23 anos depois. Ambas tratam de assuntos espinhosos: Pattie, de como trocou George por um de seus melhores amigos, Eric Clapton (outro participante, e que também aborda o tema), e Olivia, ainda que com extrema delicadeza, sugerindo as dificuldades do guitarrista em manter-lhe a fidelidade.

Completa o lado mais íntimo do documentário a presença do filho do casal e único filho de George, Dhani (atualmente com 33 anos), confidenciando as aparições do pai em seus sonhos e narrando, em off, as cartas que o então jovem roqueiro escrevia aos seus pais durante as intermináveis e exaustivas turnês dos Beatles.

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George à época de "All Things Must Pass"

Interesses ecléticos, amizades idem

 

A respeitosa investigação da vida privada de Harrison arquitetada por Scorsese também passa pela compreensão da ampla gama dos interesses do músico.

Em 1966, quando a beatlemania ainda ensurdecia os estádios do mundo, George já mirava a imersão espiritual por meio da cultura e religião indiana, algo que influiria decisivamente não apenas em sua música, mas que também levaria até o fim de sua vida; na década de 1970, enquanto outros superastros abraçavam a megalomania, ele inaugurava a era dos concertos beneficentes a vítimas da guerra Índia-Paquistão (1971) que levou à independência da miserável Bangladesh, ou pagava do seu próprio bolso as revolucionários filmes do coletivo humorístico britânico Monty Python. Nas horas vagas, ainda se dedicava a hobbys como acompanhar de perto o automobilismo esportivo.

Ao atuar em áreas tão diferentes áreas, Harrison colecionou um clube de amigos que eram, ao mesmo tempo, seus ídolos e admiradores. Um grupo cujo ecletismo é louvado por um de seus integrantes, o cultuado diretor Terry Gilliam (um dos fundadores do Monty Phyton). Não à toa, entre os entrevistados estão também o ex-campeão de Fórmula 1 Jackie Stewart, a atriz/cantora Jane Birkin, a fotógrafa Astrid Kirchherr e o excêntrico produtor musical Phil Spector.

Além deles, músicos como Ravi Shankar – também seu guru espiritual –, Tom Petty e, claro, Paul McCartney e Ringo Starr (contribuindo com um lindo e emocionado depoimento final), comparecem, intercalados com antigas respostas dadas por Lennon e pelo próprio George. Em alguns casos, relatando exatamente as mesmas histórias e com as mesmas palavras de Anthology. Único pecado do filme, aliás, juntamente com o reaproveitamento de entrevistas do épico sobre os Beatles. Fora isso, são 208 minutos a serem saboreados até a última nota musical.

(Mais sobre música neste link)

29/12/2012

às 14:00 \ Música no Blog

Documentário produzido por Clint Eastwood narra, sem sobressaltos, a saga do longevo bom moço do jazz: Dave Brubeck, falecido este mês

Cartaz do documentário

Post publicado originalmente em 7 de novembro de 2011. Pouco mais de um ano antes da morte de Dave Brubeck, ocorrida no último dia 5.

Por Daniel Setti

Dave Brubeck, o simpático senhor de 89 anos (à época das filmagens; em dezembro completa 91) que conta um pouco a sua vida diante das câmeras em In His Own Sweet Way, documentário do ano passado co-produzido por Clint Eastwood e dirigido por Bruce Ricker (assistam a trecho aqui), é um “ficha limpa” de se tirar o chapéu. Música no Blog conferiu em sessão do festival In-Edit ocorrida na semana passada em Barcelona.

Bom soldado, serviu os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e animou soldados no front com o seu piano; esposo infinitamente dedicado, permanece há 65 anos com a companheira Iola; orgulhoso pai de seis filhos, há décadas recruta os quatro que são instrumentistas para tocar em sua banda; branco em um universo em que predominam os talentos de pele negra – o jazz -, nunca se conformou por ter sido o primeiro de seus astros a aparecer, em 1954, na capa da revista Time. Antes, portanto, que Duke Ellington, Billie Holiday, Louis Armstrong, Charlie Parker e tantos outros merecedores.

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A capa da Time com ilustração do rosto de Brubeck

“Maluquice” que virou hit

Dá gosto que a exemplar trajetória pessoal de Brubeck, pianista e compositor nascido em Concord, Califórnia, em 1920, esteja à altura de sua importância como músico. Em plena década de 1950, enriqueceu o jazz ao acrescentar toques de mestres eruditos como Ravel e Debussy em suas composições e entortou a cabeça de críticos e admiradores por trazer ao jazz os ritmos que fugiam à regra do 4/4 (aquele que qualquer ser humano é capaz de marcar com um estalar de dedos contando 1,2,3,4).

Ainda assim, conseguiu a façanha de transformar estas ideias malucas em hits. Com a imprescindível ajuda, é importante mencionar, do saxofonista Paul Desmond (1924-1977), um de seus fiéis escudeiros de banda (os outros eram o baixista Eugene Wright e o espetacular baterista Joe Morello, falecido este ano).

É de Desmond a autoria de “Take Five” (presente no clássico álbum Time Out, de 1959), um dos temas de jazz mais conhecidos e cujo compacto figurou por décadas como o mais vendido da história do gênero. Uma proeza e tanto para uma composição estruturada um nada comum ritmo 5/4.

O penetra Eastwood

Em termos de técnicas narrativas, o documentário é conservador, apostando na fórmula entrevista com o protagonista + fotos e vídeos de arquivo + participação de familiares, especialistas e admiradores famosos (Bill Cosby, George Lucas, Sting, Keith Emerson, Jamie Cullum). O que não compromete sua qualidade informativa e audiovisual.

Já a presença de Eastwood não só detrás das câmeras acaba sendo um mero truque para alavancar a divulgação do filme. Se o octogenário ator, diretor e fã de jazz – dirigiu o ótimo Bird (1988), sobre Charlie Parker – não aparecesse, em nada mudaria o roteiro. Poderia contentar-se com o nomão impresso nos créditos.

Mas eleestá lá, sentado quieto ao lado de Brubeck ao piano em imagens extraídas de outro documentário seu, Piano Blues (2003). Chega a tocar uns acordes a quatro mãos com o entrevistado. Desnecessário, como Martin Scorsese soube que o era para o épico que produziu sobre George Harrison, no qual não dá as caras.

Abaixo, “Take Five” interpretada por Dave Brubeck Quartet na Alemanha em 1966.

(Mais sobre música neste link)

27/10/2012

às 12:00 \ Livros & Filmes

VÍDEOS: Tirem as crianças da sala e assistam às cinco melhores cenas de filmes de gângsters de todos os tempos

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Al Pacino, prestes a entrar para a história do cinema na pele de Michael Corleone, de "O Poderoso Chefão" (Foto: divulgação)

Em maio passado celebraram-se os 40 anos do lançamento do melhor filme de gangster de todos os tempos, O Poderoso Chefão (título original: The Godfather). Páreo para a fita de Francis Ford Coppola, baseada em livro do escritor americano Mario Puzo (1920-1999), só mesmo a sua continuação, lançada dois anos depois.

Obcecada por listas, a revista britânica especializada em cinema Total Film demorou seis meses para homenagear a data com um de seus rankings, mas acabou o fazendo em grande estilo: preparando um Top 50 melhores cenas em filmes de mafiosos.

Quentin Tarantino, Martin Scorsese e Fernando Meirelles

O levantamento dá grande destaque à trilogia de Coppola (concluída em 1993 com a terceira parte), selecionando nove de suas cenas. Mas é também bastante eclético e varre diversas décadas de produção cinematográfica.

Inclui, evidentemente, cenas bastante fortes e desconcertantes, como a sessão de tortura de um policial pelo bandido Mr. Blonde (Michael Madsen) em Cães de Aluguel (1992; título original: Reservoir Dogs), de Quentin Tarantino – 39ª posição.

Mas também há espaço para a comédia, a exemplo da passagem em que o trio de delinquentes vividos por Joe Pesci, Ray Liotta e Robert De Niro em Os Bons Companheiros (1990; título original: The Goodfellas), de Martin Scorsese, janta feliz na casa da mãe de um deles, enquanto há um cadáver no porta-malas do carro em que vieram, do lado de fora (34º posto).

Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund, aparece em 26º lugar no ranking com o terrível, quase insuportável – embora muito bem feito – trecho em que os traficantes obrigam um menino a assassinar outro para “iniciá-lo” no crime.

As cinco melhores

Assistir a 50 cenas relacionadas a integrantes de quadrilha seria pouco recomendável a almas mais sensíveis. Por isso ficamos só com as cinco melhores de acordo com a Total Magazine.

Meia dezena de amostras do cruzamento entre grandes filmes, atores e diretores com o sempre cinematograficamente fascinante mundo do crime organizado. Confiram abaixo (e para verem a lista completa, cliquem aqui):

5-Entrada triunfal no Copacabana Club – Os Bons Companheiros (1990; título original: The Goodfellas), de Martin Scorsese

Para impressionar a futura esposa Karen, filha de pais conservadores (Lorraine Bracco), o ainda jovem gangster Henry (Ray Liotta) a leva a um certo Copacabana Club. Ao som de “Then He Kissed Me”, do vocal group The Crystals, Scorsese mostra em um só plano de três minutos de duração a entrada do casal no local, em uma das tomadas mais realistas e detalhistas da história do cinema.

4-Briga de bar em Caminhos Perigosos (1973; título original: Mean Streets), de Martin Scorsese

Antes de estourar com sua participação na parte 2 de O Poderoso Chefão, Robert De Niro se familiarizou com o mundo do crime nesta produção de Scorsese. E contou com a ajudinha de Harvey Keitel no elenco. Aqui, eles debatem o fato de um barman tê-los chamado de mooks (“idiotas”).

3-O beijo de Michael Corleone no irmão Fredo em O Poderoso Chefão Parte II (1974; título original: The Godfather Part II)

Nunca um beijo na boca teve sabor tão amargo. Michael (Al Pacino), caçula e chefe da família Corleone, conta ao irmão mais velho Fredo (John Cazale) que sabe ter sido ele quem o traiu. Em seguida ao encontro de lábios, ele dispara um “eu sei que foi você, Fredo”, antes de um duplo “você partiu meu coração”.

Sem hesitar, ele mandaria matar Fredo, em cena igualmente histórica.

2-A abertura de – Os Bons Companheiros (1990; título original: The Goodfellas), de Martin Scorsese

“Até onde me lembro, sempre quis ser um gangster”, diz a voz em off de Henry (Ray Liotta), após fechar o porta-malas onde um rival acaba de ser esfaqueado por Tommy (Joe Pesci) e  baleado por Jimmy (Robert De Niro). Um começo de filme inesquecível.

1-Michael Corleone mata Sollozzo e McLuskey e abre caminho para se tornar o chefe em O Poderoso Chefão Parte (1972; título original: The Godfather)

Houve quem não desse nada por Al Pacino e seu personagem Michael até este momento.

Ledo engano: após minutos de interminável tensão e espera, o jovem Corleone, então ainda pouco envolvido com os negócios sujos do clã, volta do banheiro portando um revólver previamente “plantado” pelo fiel escudeiro Clemenza na caixa d’água do sanitário e aniquila a tiros os dois ocupantes da mesa do restaurante Louis, um mafioso rival e um capitão de polícia corrupto.

Nascia um novo “Godfather”. E o mito de Al Pacino.

 

14/08/2012

às 18:45 \ Tema Livre

Estão – como eu – com depressão pós-Olimpíada? Pois se consolem com esta ótima lista dos melhores filmes sobre esportes; documentário sobre Senna está entre os primeiros

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A capa do documentário "Senna": entre os melhores

Se também para vocês, leitores, os 17 dias de duração os Jogos Olímpicos de Londres foram insuficientes, aqui vai um pequeno consolo. Trata-se de uma lista dos 50 melhores filmes sobre esportes realizados até hoje, publicada pelo site da revista britânica especializada em cinema Empire.

O repertório é eclético, incluindo desde fitas históricas como Campeão de Boxe (1915), de Charles Chaplin (41º colocado) ao improvável encontro na frente das câmeras de Pelé e Sylvester Stallone em Fuga para a Vitória (1981) – marcando presença na 26ª posição -, passando por documentários essenciais do porte de Quando Éramos Reis (1996), registro da luta de Muhammed Ali e George Foreman no Zaire em 1974 (30º), e O Lutador (2008), protagonizado por um transfigurado e genial Mickey Rourke (13º).

Um belo passatempo, portanto, não só apto a junkies do entretenimento esportivo, como também para amantes da sétima arte.

Reproduzir as cinco dezenas de películas selecionadas por oito jornalistas da Empire seria muita informação para apenas um post (confiram aqui a lista na íntegra), mas abaixo vocês ficam sabendo quem são as dez melhores e assistirem a seus trailers:

10-Jerry Maguire- a Grande Virada (1996), de Cameron Crowe, com Tom Cruise e Renée Zellweger, saga de um agente de um jogador de futebol americano.

9-Campo dos Sonhos (1989), de Phil Alden Robinson, com Kevin Costner e James Earl Jones, para obcecados por beisebol.

8-Com a Bola toda (2004), de Rawason Marshall Turber, com Ben Stiller e Vince Vaughan, comédia sobre o dodgeball, mais conhecido por aqui como… queimada!

7-Desafio à Corrupção (1961), de Robert Rossen, com Paul Newman e Jackie Gleason, gira em torno das andanças de um craque da sinuca.

6-Tudo pela Vitória (2004), de Peter Berg, com Billy Bob Thornton, radiografia do funcionamento de uma equipe de futebol americano.

5-Moneyball – O Homem que Mudou o Jogo (2011), de Bennett Miller, com Brad Pitt e Jonah Hill, baseado na história de um gerente de um time de beisebol que promoveu revolução ao introduzir sistema de estatísticas.

4-Senna (2010), do inglês Asif Kapadia, documentário definitivo sobre Ayrton Senna (1960-1994), com aparições de alguns de seus maiores rivais (Alain Prost, Nigel Mansell, Nelson Piquet…).

3-Rocky, um Lutador (1976), de John G. Avildsen, com Sylvester Stallone (também roteirista) e Talia Shire, primeiro dos seis longas que contam a epopeia de um pugilista.

2-Carruagens de Fogo (1981), de Hugh Hudson, com Ben Cross e Ian Charleson, épico sob medida a fãs de atletismo.

1-Touro Indomável (1981), de Martin Scorsese, com Robert De Niro e Joe Pesci, possui argumento parecido ao de Rocky, só que o personagem principal foi um boxeador real (Jake LaMotta).

08/06/2012

às 18:30 \ Tema Livre

Vídeo: paisagens vazias recebem um pedaço inteiro de cidade, parques mudam de lugar, um navio cai do céu onde só havia água… São milagres dos efeitos especiais na série de TV “Boardwalk Empire”. É imperdível!

Boardwalk Empire: isso não é cenário, é efeito especial com manipulação de imagem

Cena da série de TV "Boardwalk Empire": pensa que isso é cenário? Que nada. São efeitos especials obtidos com manipulação de imagem

A coisa é simples assim: sem efeitos especiais, praticamente não se concebe mais o cinema. Os efeitos especiais que arrebatam multidões aos cinemas, é claro, vêm encantando também na TV, especialmente com a consolidação da tecnologia HD.

No vídeo abaixo, com um mini-making of tecnológico sobre a série de TV Boardwald Empire, vocês vão ver coisas inacreditáveis: pedaços inteiros de cidades que mudam de lugar, um ator, de rosto perfeito, torna-se terrivelmente deformado, um porto é colocado no meio de prédios, que desaparecem, um navio que parece caído do céu é acrescentado a uma cena.

É de tirar o fôlego.

Tendo como mestres supercraques fantáticos como Steven Spielberg, George Lucas e a turma da pesada que se formou com eles em cinema na Califórnia, a manipulação de imagens, cada vez mais elaborada, com mais recursos tecnológicos e mais perfeita, nos mínimos detalhes, é utilizada em produções de qualquer formato e tamanho, mundo afora.

Comerciais de TV, seriados, filmes para internet, produções caseiras, não importa: são tantos os programas de manipulação de imagens disponíveis, cada vez mais fáceis de utilizar, que virtualmente qualquer um com algum conhecimento específico pode criar seus próprios efeitos. Imagine, então, os bambambans do cinemão.

Veja, no vídeo abaixo, como foi feito o cenário da época da Lei Seca

O vídeo abaixo mostra como foi que apareceu um navio perfeito num lugar onde não havia nenhum

O vídeo mostra como Boardwalk Empire, produção da HBO e do grande diretor Martin Scorsese , utiliza técnicas digitais para recriação de cenários que contam uma história dos tempos da Lei Seca, rodada em Atlantic City, no Estado de Nova Jersey.

A série é uma adaptação de um livro de Nelson Johnson e foi escrita por Terence Winter, produtor e roteirista da premiada A Família Soprano. O diretor é ninguém menos do que o próprio Scorsese.

24/04/2012

às 11:35 \ Música no Blog

Levon Helm (1940-2012), o maior dos bateristas-cantores

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Helm no palco em Nova York, em 2008: mestre na arte de cantar e tocar bateria simultaneamente (Foto: Rob Loud - Getty Images)

 

Por Daniel Setti

Mark Lavon Helm, ou simplesmente “Levon” Helm, multi-intrumentista, cantor e compositor falecido em Nova York na última quinta-feira (19) em decorrência de um câncer na garganta, eterno baterista do quinteto The Band, era um músico triplamente especial.

Como vocalista, fez escola por seu timbre áspero e cheio de sentimento, no qual era possível notar forte influência de gêneros como country e gospel; enquanto baterista, figura simplesmente entre os maiores que o rock já conheceu, dosando à perfeição suíngue, criatividade, pegada e economia de notas (um ingrediente dominado por poucos de seus colegas). “Os bateristas me pediam para que lhes fizesse soar como Levon Helm, e eu respondia: ‘para isso, você tem que tocar como o Levon Helm’”, me disse o produtor americano Joe Boyd (Pink Floyd, Nick Drake) em entrevista de 2008. Não bastando, ainda exercia os dois ofícios simultaneamente com uma mestria e independência inédita. Levon foi o baterista-cantor definitivo.

Embora tenha iniciado sua carreira ainda no final da década de 1950, assumindo as baquetas no combo do músico de rockabilly Ronnie Hawkins, Helm, nascido em Elaine, Arkansas, se tornou conhecido anos mais tarde, quando já desfrutava de certa experiência à frente do Levon & the Hawks (em seguida rebatizados The Hawks). Ao seu lado estavam o baixista e vocalista Rick Danko (1943-1999), o guitarrista, cantor e compositor Robbie Robertson, o pianista Richard Manuel (1943-1986) e o organista Garth Hudson Levon.

“Descobertos” por Bob Dylan

Bob Dylan assistiu a show da banda e quis recrutá-la para acompanhá-lo em sua então recente – e controversa – empreitada de unir o folk ao rock and roll.

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A partir da esquerda: Robbie Robertson, Bob Dylan, Rick Danko, Richard Manuel e Levon Helm, ao vivo em Inglewood, Califórnia, em 1974 (Foto: MBR e MCT)

O resultado de tal encontro foi, além da sedimentação do som apelidado de “americana” (fusão de country, blues, soul e rock) arquitetado por Dylan, gravações lendárias do ídolo, muitas delas registradas após os Hawks serem renomeados como The Band (o disco pirata “The Basement Tapes”, só lançado em 1975, por exemplo).

Um novo estilo

A união de esforços reverberaria também nos ótimos álbuns que The Band gravaria sozinha, sobretudo o venerado Music From The Big Pink (1968).

No vídeo abaixo, que mostra Dylan e The Band no Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, em 1969, é possível entender um pouco do que é o tal estilo “americana”. A primeira das seis canções é “The Weight”, clássico da The Band. Reparem que os bateristas-cantores eram tão pouco comuns à época que o cinegrafista demora mais de dois minutos para peceber que é de Levon a voz principal:

Até 1976, quando The Band anunciou sua aposentadoria em grande estilo, realizando show com convidados do porte de Ringo Starr, Neil Young, e Joni Mitchell – além de Dylan, é claro – o grupo desfrutou de status de “favorito entre os favoritos”, tendo o talento de Levon Helm como um de seus maiores atrativos.

Abaixo, ele toca e canta “Up on Cripple Crick”, de Robbie Robertson, no show de despedida da The Band em 1976, que originou o álbum triplo e documentário dirigido por Martin Scorsese The Last Waltz, de 1978)

Ao longo das décadas seguintes, Helm atuou como músico convidado em dezenas de álbuns e shows de artistas importantes, incluindo desde mitos do blues como Muddy Waters (1913-1983) a rockstar da talha de Roger Waters, gravou 14 trabalhos solo (o último, Electric Dirt, premiado com Grammy em 2010). Teve o câncer diagnosticado pela primeira vez em 1999, o que lhe impediu de cantar temporariamente, mas que só o afastou do palco em definitivo dias antes de sua morte. Também trabalhou como ator em mais de dez filmes.

(Mais sobre Levon Helm e outros bateristas-cantores neste link)

17/03/2012

às 12:00 \ Música no Blog

Há 50 anos, Bob Dylan estreava em disco; lado compositor do artista só afloraria no trabalho seguinte

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O imberbe Dylan na capa do disco: até então, apenas um intérprete

Por Daniel Setti

Bob Dylan expandiu enormemente as fronteiras do que uma canção popular poderia ser, tanto por sua capacidade infinita de escrever letras primorosas e longas – muitas vezes também enigmáticas – sobre qualquer assunto, quanto pela maneira de apresentá-las ao mundo.

Primeiro fez-se conhecer como um trovador solitário na tradição folk americana, em companhia apenas de um violão e uma gaita; em seguida, pegou muita gente no contrapé ao se reinventar na pele de um roqueiro elétrico, psicodélico, provocador e arredio a qualquer rótulo que a imprensa, os fãs e os detratores insistiam em atribuir-lhe (“profeta” era o mais comum).

Início como intérprete

Mas vale lembrar que, como qualquer outro colega, Dylan iniciou sua trajetória rumo ao sucesso exclusivamente como intérprete de composições já existentes.

E foi durante esta fase, quando sua Minnesota natal já ficara para trás e ele dava duro como humilde cantor de cafés em Nova York, que Robert Allen Zimmermam foi convidado pela Columbia para gravar o seu primeiro disco.

Registrado em duas sessões de novembro de 1961 pelo aspirante a astro de então 20 anos de idade, Bob Dylan chegou às lojas em 19 de março de 1962 trazendo apenas duas músicas de autoria de Dylan entre as 13 faixas.

Uma das novidades era “A Song to Woody”, tributo ao cantor Woody Guthrie (1912-1967), ídolo que, internado em um hospital com severos problemas de saúde, foi visitado por Bob em diversas ocasiões.

Mas a maioria era formada mesmo por canções de domínio público comuns nos set lists de shows de artistas folk, com pausas para composições tais quais “See They my Grave is Kept Clean”, do craques do blues Blind Lemon Jefferson (1893-1929).

Disco ofuscado pelos seguintes

Uma desproporção que não combinava com a inquietude do músico, naquele momento já acostumando-se a compor compulsivamente, conforme ele mesmo afirmaria a Martin Scorsese no ótimo documentário No Direction Home (2005).

O fato de ser um álbum dominado por covers frequentemente fez com que fosse ofuscado pelas obras-primas que ele lançaria a partir de The Freewheelin’ Bob Dylan (1963), todas recheadas até a tampa de composições escritas por ele. Mesmo assim é, além de histórico, um belo álbum.

Abaixo, parte da canção de domínio popular “House of the Risin’ Sun” (depois famosa na versão dos Animals) em gravação presente no repertório de Bob Dylan. Em trecho extraído de No Direction Home:

(Mais sobre música neste link)

28/02/2012

às 14:00 \ Livros & Filmes

“Hugo Cabret”, filme que venceu cinco Oscars: homenagem de Scorsese ao pioneiro dos efeitos especiais

A festa do Oscar, no Hollywood and Highland Center:o filme de Martin Scorsese saiu com cinco estatuetas (Foto: presslist.oscars.org)

 

A Invenção de Hugo Cabret, outro filme que referencia suas raízes, é mais uma obra-prima do mestre Martin Scorsese. Brilhou na noite do Oscar e saiu com cinco estatuetas, entre elas a de melhor fotografia e direção de arte.

Confira o comentário sobre o filme da crítica de cinema e editora executiva de VEJA Isabela Boscov, publicada na edição de 15 de fevereiro,

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O pioneiro da ilusão

 

Em Hugo Cabret, Scorsese homenageia Georges Méliès, o inaugurador da narrativa cinematográfica e dos efeitos especiais

 

"Hugo Cabret": Scorsese e a esperança de que sempre haja alguém que se encante com a beleza criada no passado

O público nem se habituara a cenas simplicíssimas como a de uma locomotiva chegando à estação (era comum que a plateia saísse correndo da sala, temendo ser atropelada), e o francês Georges Méliès já se dera conta de que o aparato apresentado naquele ano -1895 – pelos irmãos Lumière poderia se prestar a um uso bem mais interessante: contar histórias.

Mágico de profissão, ele tentou comprar dos Lumiére um cinematógrafo, mas eles se recusaram a vendê-lo. A invenção não tinha futuro, e eles não seriam poltrões de lucrar com a ingenuidade alheia, alegaram.

Méliès adquiriu uma tecnologia rival e foi aprender a operar a câmera. No erra e acerta dos autodidatas, descobriu que interromper a filmagem, rearranjar a cena que estava em quadro e então voltar a rodar rendia impressões maravilhosas: personagens sumiam ou apareciam, o cenário se transformava.

Estava inventado o stop-motion, que até o advento da computação gráfica foi a base de todos os efeitos especiais no cinema. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

27/02/2012

às 18:45 \ Livros & Filmes

“O Artista”, vencedor do Oscar de melhor filme, celebra a alegria descomplicada que o cinema é capaz de proporcionar

O diretor francês Michel Hazanavicius com o Oscar de melhor filme estrangeiro, por "O Artista" (Foto: AFP)

O filme O Artista, produção franco-belga, já sabemos, foi o brilho da festa do Oscar.

Além de ser o primeiro filme francês ganhar o prêmio principal — o de melhor filme –, levou também as estatuetas de melhor diretor, com o francês Michel Hazanavicius, e melhor ator, com o igualmente francês Jean Dujardin, sem contar que, em plena era do 3D, é um filme em preto e branco. O cãozinho Uggie, 9 anos de idade, ator de múltiplos recursos, e nascido nos Estados Unidos, é um espetáculo à parte.

 

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Um prazer simples

 

A alegria de dançar, a sorte de ter um cãozinho fiel e a sedução de uma pintinha no canto do lábio são algumas das coisas que o diretor francês Michel Hazanavicius tem em mente no exultante O Artista (The Artist, França/Bélgica, 2011), que estreou no dia 10 de fevereiro no Brasil com uma inesperada penca de indicações ao Oscar – dez, atrás apenas das onze de A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese.

Inesperada porque, no fato mais notável sobre esta criação de um cineasta antes conhecido por paródias dos filmes de 007, O Artista é um filme em preto e branco – e mudo. Que reproduz os filmes em preto e branco, e mudos, do fim da década de 20 para tratar entre outras coisas da queda em desgraça de alguns astros do período com a passagem do cinema silencioso para o sonoro, entre 1928 e o início dos anos 30.

Na história, George Valentin (Jean Dujardin, protagonista das paródias do diretor) é a estrela mais brilhante no firmamento da Hollywood de então: sedutor como Rodolfo Valentino e ágil como Errol Flynn, ele tem um sorriso de 500 watts que se ilumina ao menor sinal de fãs nas proximidades.

 

Filme em preto e branco tem it girl e final feliz

Filme em preto e branco tem it girl e final feliz

Fãs como Peppy Miller (Bérénice Bejo), que o beija de surpresa num tapete vermelho, provocando furor: “Quem é esta garota?”, gritam as manchetes dos jornais. Assim, a jovem, atrevida e adorável Peppy ganhará passe para entrar no estúdio; sob protestos do produtor (John Goodman), fará uma cena com o astro; e os dois inevitavelmente se apaixonarão.

Mas, como no clássico enredo de Nasce uma Estrela (três vezes filmado, em 1937, 1954 e 1976), Valentin e Peppy tiveram o infortúnio de encontrar-se naquele instante que precede o distanciamento: ele está a um passo de cair na ruína, destronado de seu posto pela arte dos diálogos – e ela está prestes a se tornar grande como Greta Garbo, uma “it girl” que transforma em ouro tudo o que toca.

O segredo de seu sucesso: a pintinha que, num momento de intimidade, Valentin desenhou logo acima de seu lábio. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

26/02/2012

às 12:00 \ Livros & Filmes

Entrevista: Sergio Mendes, o brasileiro que pode ganhar hoje o Oscar de melhor trilha sonora

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Sérgio Mendes (Foto: Gary Friedman / Getty Images)

Prestes a ganhar o Oscar pela trilha sonora da Animação Rio, Sergio Mendes falou com o repórter da VEJA, Mario Mendes, na edição de 22 de fevereiro de 2012.

 

“Nós é que influenciamos o jazz”

Indicado ao Oscar pela canção composta em parceria com Carlinhos Brown para o desenho Rio, o mais bem-sucedido músico brasileiro nos EUA diz que a  bossa nova perdura porque é original

Aos 71 anos, o músico e compositor Sergio Mendes está radiante.

Real in Rio, parceria dele com o baiano Carlinhos Brown para o desenho animado Rio, é uma das duas canções indicadas ao Oscar deste ano. Se sair vitoriosa, representará o primeiro prêmio da Academia para o Brasil. Para Mendes, será um ponto alto numa carreira iniciada nos anos 60, no lendário Beco das Garrafas carioca, e desenvolvida principalmente nos Estados Unidos, onde  ele vive há quase cinco décadas.

Durante esse tempo, Mendes gravou mais de trinta álbuns, conquistou plateias também na Europa e na Ásia e tocou na Casa Branca para dois presidentes — Richard Nixon e Ronald Reagan.

Depois de um momento morno vivido entre o fim dos anos 80 e os 90, Mendes experimenta uma nova fase de prestígio desde 2006, quando fez uma parceria inusitada com o rapper americano will.i.am, do grupo Black Eyed Peas: uma regravação de seu primeiro e maior êxito internacional, a sacolejante Mas que Nada, de Jorge Ben Jor.

Para reafirmar que o seu clássico estilo tropical chique se comunica com os ritmos dançantes do momento, seu álbum mais recente, Bom Tempo, ganhou uma edição especial apenas com remixes feitos por DJs festejados.

De sua casa em Los Angeles, onde vive com sua mulher, Gracinha Leporace (que ele diz ser sua cantora favorita), Mendes falou a VEJA sobre a indicação ao Oscar, o histórico concerto da bossa nova no Carnegie Hall, em 1962, e sobre como é, para um artista estrangeiro, funcionar no mercado americano.

Antes, confira um clipe da música que concorre ao Oscar:

 

Bem no ano em que o senhor concorre ao Oscar, a Academia cortou a apresentação ao vivo das canções indicadas?

Está a maior polêmica por aqui. A direção do show diz que cortou os números musicais por uma questão de tempo — é o que acontece quando entra na história o pessoal da televisão.

Mas de resto está tudo ótimo. A gente acha que telefonema fora de hora não é bom sinal, mas adorei ser acordado pelo Carlos Saldanha, às 6 da manhã, no dia das indicações, com o seguinte recado: “Acho bom você mandar o smoking para a lavanderia, porque vai precisar dele na noite do Oscar”.

Só a indicação já é uma honra, mas também é um peso. Tenho cinco prêmios Grammy e sei que com essas coisas não se pode brincar.

Além disso, no início do mês houve o almoço da Academia para os indicados, e pude conhecer Brad Pitt, Martin Scorsese, Steven Spielberg…

Aliás, o Spielberg veio me cumprimentar, falou que escuta minha música no carro. Ele até brincou: “Sou fã seu, mas você sabe que há muito tempo estou casado com o John Williams” (o compositor que assina as trilhas sonoras de todos os filmes de Spielberg).

 indicação de melhor trilha sonora, com canção de Carlinhos Brown e Sergio Mendes

"Real in Rio": a parceria com Carlinhos Brown acabou sendo indicada para o Oscar de melhor canção de 2011 (Foto: Ag. News)

O senhor participou da antológica noite da bossa nova no Carnegie Hall, em 1962. Como o senhor define a bossa nova?

Eu digo que ela é, acima de tudo, algo muito original com três pontos básicos: simplicidade, força de melodia e requinte harmônico.

No ano passado, no Rock in Rio, nós vimos a filha do Stevie Wonder, Aisha, cantando Garota de Ipanema acompanhada por um público de 100 000 pessoas.

Isso define bem essa sedução brasileira que o mundo inteiro reconhece, gosta e com a qual canta junto. A música brasileira pega as pessoas pelo coração.

 

De quem foi a ideia de fazer essa noite brasileira em Nova York?

O concerto começou a surgir no Bottle’s Bar, no Beco das Garrafas, em Copacabana.

Nessa época eu tinha um grupo musical chamado Bossa Rio, formado por Otavio Bailly no contrabaixo, Paulo Moura no sax, Pedro Paulo no trompete e Durval Ferreira na guitarra. Nosso repertório, claro, era 90% Antonio Carlos Jobim, mas já tocávamos Mas que Nada, porque o Jorge Ben Jor era um dos músicos que circulavam por lá.

Eu diria que aquele momento do Beco era como estar em Paris nos anos 20 e 30, porque ali se reuniam os músicos, poetas, artistas plásticos, arquitetos e escritores.

Desafinado, do Tom Jobim, foi gravada pelos jazzistas Charlie Byrd — que tinha ouvido a música numa viagem ao Brasil — e Stan Getz, e virou um sucesso mundial.

Mario Dias Costa, que era chefe da Divisão Cultural do Itamaraty e também frequentador do Beco, e Dora Vasconcellos, consulesa do Brasil em Nova York, resolveram organizar uma noite de bossa nova no Carnegie Hall, porque sentiram a força internacional do gênero.

 

Vocês tinham ideia da dimensão do que estavam fazendo?

Claro que não. Até tivemos de mandar fazer blazers na alfaiataria Torre Eiffel, que era coisa fina e elegante. Tudo, claro, financiado pelo Itamaraty.

Para mim, era uma aventura ainda maior, porque eu nunca tinha andado de avião. Sou de Niterói, e já havia sido uma aventura e tanto tomar a barca para ir até o Rio.

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Stevie Wonder, Sergio Mendes e Tom Jobim - um encontro possível após a noite de bossa nova no Carnegie Hall

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