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Luís Merlino

01/07/2012

às 19:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: ataques à polícia e arrastões em SP, marcas de tortura que vão sendo esquecidas, quem é democrata no Paraguai…

A tropa aqui ... (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)

"No meio da crise da segurança pública em SP, cadê o comando da Segurança Pública?" (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)

Amigos, pincei algumas das notas da sempre excelente coluna publicada aos domingos pelo jornalista Carlos Brickmann em cinco jornais.

OS QUE VÃO MORRER SE DESPEDEM

 

Ataques à Polícia, em São Paulo, já mataram seis PMs. Os arrastões em bares e restaurantes vão bem, obrigado (e a cúpula da Polícia diz que não deveriam ser chamados de arrastões, porque o nome é incorreto). Treze ônibus são incendiados, para demonstrar o poder do crime. O número de chacinas se multiplica.

No meio da crise, cadê o comando da Segurança Pública? O secretário da Segurança, Antônio Ferreira Pinto, foi a Buenos Aires assistir ao jogo do Corinthians. Como disse, tem o direito de folgar de vez em quando. É verdade – mas qual chefe que se preze tira folga e deixa a tropa abandonada debaixo de fogo?

O governador Geraldo Alckmin, do PSDB, autorizou a viagem do secretário – mais ou menos como se Stalin autorizasse o marechal Rokossovski a entrar em férias no momento em que os nazistas invadiam Moscou.

E como foi dada a autorização? De uma maneira curiosa: depois que a imprensa descobriu que o secretário tinha viajado a outro país, a autorização foi publicada no Diário Oficial. Ele viajou antes que a autorização fosse formalizada.

... e o secretário de segurança pública aqui (foto: Alexandre Battibugli)

Foi a Buenos Aires, assistir ao empate do Corinthians com o Boca Juniors, primeira partida das finais (Foto: Alexandre Battibugli)

Mas este colunista tem duas qualidades, uma das quais – ser corinthiano – compartilha com o secretário Ferreira Pinto, que dizem ter uma tatuagem do emblema do clube na altura do coração.

A outra qualidade deste colunista é ser compreensivo. O secretário queria assistir ao jogo, ao vivo? Tudo bem! Foi antes de ter autorização? Bobagem: a autorização acabou saindo. A viagem foi boa? Foi. O problema não foi a ida: foi a volta.

Por que voltou, voltou por quê?

 

A verdade…

A Justiça condenou o coronel Brilhante Ustra a indenizar a família do jornalista Luís Merlino, pela acusação de tê-lo assassinado por tortura. Decisão corretíssima – e até branda. Abre um precedente dos mais interessantes, permitindo alcançar torturadores notórios e responsabilizá-los, ao menos financeiramente, pelos seus atos.

Mas está faltando a outra parte da história: os presos torturados, com marcas visíveis, quando sobreviviam eram levados a tribunais, onde eram acusados pelo Ministério Público e julgados por magistrados.

Mais do que as marcas, informavam ter sido torturados.

Cadê os promotores que ignoravam as marcas e as informações e continuavam tranquilos a acusá-los?

Cadê as investigações que deveriam ter ordenado para apurar se houve efetivamente tortura e quem a praticou?

E os meritíssimos juízes, onde estão?

Passarão pela negra história da tortura como quem virou as costas, lavou as mãos, não viu nada?

 

…inteira

O presidente da OAB do Rio, Wadih Damous, promete trabalhar para que sejam responsabilizados todos os envolvidos na tortura, por ação ou omissão.

 

Los hermanos

Martín Sanemann (Foto: Lanacion.com.py)

Martín Sanemann, o novo ministro da Comunicação do Paraguai (Foto: Lanacion.com.py)

Nos tempos da ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989), nem ele nem sua família podiam morar no Paraguai, e por isso viveram muitos anos no Brasil.

Hoje, o jornalista Martín Sanemann é o novo ministro da Comunicação do Paraguai.

Quem mesmo era contra a ditadura e lutava pela democracia no país?

 

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