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Lindbergh Farias

20/03/2014

às 15:56 \ Política & Cia

O deputado aloprado do PT nas manifestações

André Ceciliano, deputado estadual pelo PT do Rio (Foto: Reprodução)

O deputado estadual petista André Ceciliano (RJ) infiltrou um falso manifestante em protestos — e o infiltrado o fez por dinheiro (Foto: Reprodução)

Reportagem de Thiago Prado, do Rio de Janeiro, publicada no site de VEJA

O DEPUTADO ALOPRADO DO PT NAS MANIFESTAÇÕES

Deputado estadual André Ceciliano, do Rio, tentou se beneficiar dos protestos com uma ideia ‘brilhante’: infiltrou um falso manifestante no PR. Desmascarado, o infiltrado, agora, exibe provas e admite ter agido por dinheiro

Eis que o PT apareceu no enredo do uso político das manifestações de 2013. O capítulo petista, no entanto, é mais atabalhoado que os episódios relacionados a outros partidos de esquerda que pegaram carona na quebradeira pela cidade.

No centro do enredo está o deputado estadual André Ceciliano, principal liderança do PT na Baixada Fluminense. A história de como o deputado tentou operar durante os protestos é contada em detalhes por um ex-aliado político, que relata ter sido infiltrado pelo parlamentar no PR.

Anderson Harry Grutzmacher, o infiltrado aloprado, diz ter recebido dinheiro para a seguinte missão: encontrar provas que ligassem o deputado federal Anthony Garotinho (PR) às manifestações contra Sérgio Cabral (PMDB) no ano passado. Ceciliano nega, mas se atrapalha diante das provas apresentadas por Grutzmacher.

O episódio expõe o toma lá, dá cá e os golpes baixos que se anunciam para a campanha eleitoral de 2014 no Estado. Estão no páreo e em franca campanha o senador petista Lindbergh Farias, o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o próprio Garotinho, encabeçando a eleição mais disputada dos últimos 30 anos no Estado.

Grutzmacher fala e age como picareta – e não esconde isso. O infiltrado conta que conheceu Ceciliano na campanha de 2012 e que fazia vários trabalhos para o deputado, como levantar irregularidades de adversários políticos do petista e “montar dossiês”. No ano passado, um representante do PR na Baixada Fluminense o convidou para se filiar ao partido.

Naquele momento, relata, Ceciliano enxergou uma excelente oportunidade de ter alguém com acesso a informações privilegiadas sobre o grupo político do rival Garotinho. E Grutzmacher, claro, viu a chance de descolar uns trocados a mais.

Grutzmacher, que tem uma condenação por furto de veículo na década de 90, afirmou ao site de VEJA que aceitou se infiltrar no PR em troca de dinheiro. Não sem antes guardar alguma munição, caso o tiro saísse pela culatra. Primeiro, gravou conversas com Fernando Peregrino, secretário-geral do PR, tentou se aproximar da deputada estadual Clarissa Garotinho, filha de Garotinho, mas não conseguiu nenhum indício objetivo que vinculasse o partido às manifestações.

Como seu plano A não funcionou, decidiu mudar de lado. O plano B era igualmente atabalhoado: ele chegou a enviar um e-mail para o presidente do PMDB, Jorge Picciani, dizendo que pessoas ligadas a Garotinho teriam lhe oferecido 1,5 milhão de reais para relatar a história da infiltração. Sim, uma chantagem clássica.

O posto onde o deputado Ceciliano e o infiltrado tinham encontros

O posto onde o deputado Ceciliano e o infiltrado tinham encontros

Picaretagens à parte, o estágio atual da guerra suja é o seguinte: Anderson tem em mãos algumas provas, como gravações de conversas e troca de mensagens telefônicas com Ceciliano. “Recebi pagamentos para me infiltrar no PR e vincular Clarissa e Garotinho às manifestações. O André (Ceciliano) me pagou 5.000 reais no posto Marajoara, em Queimados”, afirma, mostrando uma mensagem do deputado de 18h29 de 20 de setembro do ano passado. “Já cheguei no posto, eu espero você”.

Ceciliano afirma que encontrava Anderson no posto para que este lhe apresentasse pessoas da Baixada Fluminense, seu reduto eleitoral. A reportagem esteve no local, um posto na beira de uma estrada, próximo a um bar. Ceciliano não sabe explicar a escolha de um local ermo para os encontros – nada transparentes, como mostram os fatos.

O deputado contra-ataca: diz que Grutzmacher, na verdade, é quem o procurava muito e que foi vítima. Mas um SMS de 19 de setembro de Ceciliano revela justamente o contrário: “Estava em uma reunião da Maçonaria. Porque você me abandonou? Só fala com o patrão. Me ligue, por favor”, reclamou Ceciliano. O patrão, segundo Grutzmacher, é o deputado Paulo Melo (PMDB), presidente da Alerj. O curioso, neste caso, é que Ceciliano apoia a candidatura de Lindbergh Farias contra o PMDB de Pezão. O deputado diz não se lembrar dessa troca de mensagens.

Garotinho publicou em seu blog pessoal as denúncias de que havia um infiltrado em seu partido. O site de VEJA avançou nas apurações. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) também abriu uma investigação sobre o caso, mas optou pela saída mais cômoda – arquivou o caso antes do Carnaval sem sequer ouvir Grutzmacher na Corregedoria da Casa.

No Blog do Garotinho estão publicadas gravações de áudio nas quais Ceciliano diz a Anderson que “o combinado é ter alguma coisa das duas pessoas”. As duas pessoas, segundo o “infiltrado”, são Garotinho e a filha, Clarissa.

O envolvimento de políticos com os protestos não chega a surpreender. Como também não foge ao padrão a digital do PT tentando plantar e distribuir informações falsas. No ‘QG’ petista, o surgimento de Grutzmacher e Ceciliano reforça ainda uma certeza: quando os aloprados operam, o feitiço geralmente se volta contra o feiticeiro.

25/02/2014

às 20:00 \ Política & Cia

Lindbergh imita até a voz de Lula em discurso radical de esquerda no Rio de Janeiro

Lindbergh Farias no Encontro Estadual do PT no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

Lindbergh Farias no Encontro Estadual do PT no Rio de Janeiro: em 2010, linguagem moderada e 1 milhão de doações de empreiteiras. Agora, discurso radical — e críticas Dàs empreiteiras (Foto: PT-RJ)

Reportagem de Thiago Prado, do Rio de Janeiro, publicado no site de VEJA

LINDBERGH IMITA ATÉ A VOZ DE LULA EM DISCURSO RADICAL DE ESQUERDA NO RIO DE JANEIRO

Lançamento da pré-candidatura ao governo do Estado teve presença de João Pedro Stédile, do MST, ataques às empreiteiras e à Rede Globo. No final, senador trocou de camisa, para alegria das fãs do ‘Lindinho’

Discurso contra as empreiteiras, ataques à Rede Globo. Defesa da Baixada Fluminense em detrimento dos investimentos na Barra da Tijuca. Críticas duras ao PMDB, até outro dia aliado do PT no governo do Rio de Janeiro. Em resumo, uma tarde como a militância gosta, no evento programado para o PT lançar a pré-candidatura de Lindbergh Farias ao governo do Rio, no último sábado.

Figura central do encontro, o senador reservou para os correligionários um ‘agrado’ especial, que indica os caminhos da campanha ao Palácio Guanabara: com um misto de sons guturais e sílabas alongadas, Lindbergh passou a imitar a voz do ex-presidente Lula. Um pouco forçado, é verdade, mas ajudado também pelo que resta de seu sotaque nordestino da Paraíba, onde nasceu.

Faz parte do teatro petista descer a borduna na iniciativa privada quando convém. O Lindbergh de sábado, no Salgueiro, na Zona Norte do Rio, em nada lembrava o que assumiu em 2013 a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado com um discurso moderado e de conciliação. “Oito bilhões e meio no metrô de Ipanema para a Barra da Tijuca. É uma obra daquelas que tem que furar uma rocha do tamanho do mundo. Trouxeram o Tatuzão, compraram por 100 milhões. É obra que empreiteira gosta”, discursou, para delírio da plateia de cerca de 4.000 pessoas.

Não é preciso ser experiente em campanhas eleitorais para saber que dificilmente um candidato a cargos majoritários caminha sem a colaboração de empreiteiras. E o próprio Lindbergh, na campanha de 2010, teve apoio para chegar ao Senado. Só a Camargo Correa contribuiu com 1 milhão de reais, segundo a prestação de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral.

Lindbergh engrossou a voz em vários momentos do pequeno comício montado. Sempre focando em críticas ao governo Cabral, que teve até o mês passado como secretários os deputados estaduais petistas Carlos Minc e Zaqueu Teixeira.

PMDB ameaça apoiar Aécio

Virou alvo até o presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, que afirmou ao jornal O Globo de sábado que o partido apoiaria Aécio Neves no Rio caso o PT não retirasse a candidatura de Lindbergh. “Que ele cuide das fazendas dele”, berrou para a militância, em referência às fazendas de gado mantidas por Picciani. Detalhe: em 2010, quando tudo eram flores na aliança PT e PMDB, o peemedebista também aparece como contribuinte de 27.000 reais na campanha de Lindbergh ao Senado.

“Nós temos que fazer no Rio o que Lula e Dilma fizeram no país. Olhar para o povo trabalhador, olhar pelos mais pobres”, disse. “Existem dois Rios. Um do cartão postal e outro real, do trabalhador”, afirmou, durante o evento, usando duas de suas frases preferidas no período de pré-campanha.

Quem discursou antes também entrou na onda de buscar o aplauso da ‘galera’. “Estamos cansados de bundões e Pezões na política”, disse o líder sem-terra João Pedro Stédile, em referência a Luiz Fernando Pezão, candidato de Cabral à sua sucessão. Rui Falcão, presidente do PT, foi além e fez mais uma vez o batido discurso de ataque ao que chamou de “monopólio” das Organizações Globo.

“Lindinho” e suas tietes

Terminado o evento, Lindbergh desceu do palanque para fazer o que mais adora. Receber abraços e beijos de militantes – mais parecidas com um exército de fãs de um artista pop.

Acompanhado da mulher e do filho e visivelmente feliz com a oportunidade, Lindbergh talvez não tenha percebido que ficou sem camisa na frente de várias repórteres mulheres no evento. Um assessor lhe entregou uma nova para substituir a usada – e bastante suada – no discurso de cerca de 30 minutos.

Pode ser descuido, ou pode ser estratégia: o público feminino que o apelidou de “Lindinho” gostou do que viu.

 

LEIAM TAMBÉM:

Eduardo Campos quer palanque único no Rio

20/12/2013

às 16:05 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Por que Bernardinho candidato ao governo do Rio pode ser uma grande novidade — e um sucesso

Post publicado originalmente a 26 de agosto de 2013, às 17h01

campeões de audiência 02Ou muito me engano, ou uma eventual candidatura de Bernardinho ao governo do Rio de Janeiro, agora que ele está filiado ao PSDB, por costura do presidenciável Aécio Neves, pode ser a grande novidade das eleições estaduais de 2014.

Embora tenha sido um jogador apenas bom, e não ótimo, como treinador de vôlei Bernardo Rocha Rezende, 54 anos, é simplesmente o maior campeão da história do esporte, com mais de trinta títulos importantes à frente das seleções brasileiras feminina e masculina — entre os quais cinco medalhas olímpicas, sendo a principal o inesquecível ouro dos Jogos de Atenas, em 204, e nada menos do que 15 títulos mundiais em competições de diferentes denominações.

É um vencedor nato, um líder, um ídolo nacional. Onde coloca a mão, dá certo.

O que é que se pode dizer CONTRA Bernardinho?

Que é “apenas” um treinador de vôlei?

Bem, pode-se argumentar que gente com muito menos experiência em cargos públicos chegou MUITO mais longe.

Não preciso dar exemplos, não é mesmo?

Agora vejam só outros traços do treinador:

* Bernardinho é economista formado pela PUC do Rio.

* É um palestrante de motivação muito requisitado em todo o país.

* É autor de dois livros de autoajuda que se tornaram best-sellerTransformando Suor em Ouro (Editora Sextante, 2006) e Bernardinho – Cartas a um jovem atleta – Determinação e Talento: O caminho da Vitória (Editora Campus, 2007).

* É empresário bem sucedido, participando como sócio, entre outras empresas, em uma rede de restaurantes, em uma empresa de ensino profissionalizante online e em uma cadeia de academias de ginástica.

* Como outros esportistas de sucesso, também mantém uma ONG, o Instituto Compartilhar, que tem entre outros objetivos o de “atuar em programas e projetos esportivos e educacionais destinados prioritariamente às camadas menos favorecidas da população”.

* E, sobretudo, é algo novo em política. Nunca foi candidato a nada, nunca exerceu mandatos. Tem passado e presente limpos.

As pessoas se dizem cheias dos políticos tradicionais, não é mesmo?

Além do mais, o quadro eleitoral no Rio pode favorecer uma candidatura “límpida” como a de Bernardinho.

Pezão, Lindbergh, Garotinho, Crivella e Miro: diante deles, Bernardinho pode ser a grande novidade

Pezão, Lindbergh, Garotinho, Crivella e Miro: diante deles, Bernardinho pode ser a grande novidade

O candidato do PMDB, Luiz Fernando de Souza, o “Pezão”, carrega o fardo imenso de ser o vice do hoje impopularíssimo governador Sérgio Cabral.

O PT vai rachar a aliança com o PMDB e está com o senador Lindebergh Farias — mas, além de o PT nunca ter ganho nada sozinho em eleições para governador e prefeito do Rio, Lindbergh sofreu acusações (inclusive pelo Ministério Público) durante sua gestão como prefeito de Nova Iguaçu (2005-2010), e elas certamente virão à tona durante a campanha, em seu prejuízo.

Se, como se imagina, o eleitorado busca algo novo, são mínimas as chances de Anthony Garotinho (PR), hoje deputado, que quer voltar ao governo depois de uma gestão controvertida e de outra, desastrosa, de sua mulher, Rosinha.

O senador Marcelo Crivella (PRB), “bispo” da Igreja Universal e atual ministro da Pesca, carece de estrutura partidária e de alianças para ambicionar o Palácio Guanabara.

O mesmo se pode dizer do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que não se declara candidato da extrema esquerda, mas cuja candidatura é defendida por muitos partidários.

Quanto a Bernardinho, embora não haja militado em política, sempre opinou com contundência sobre os absurdos do Brasil. “Por que deixar um país, se ainda tenho esperanças que algumas coisas podem ser feitas?”, perguntou ao jornalista Juca Kfouri em uma mesma entrevista concedida ao canal de TV ESPN em 2007. Curiosamente, o jornalista afirmaria no programa que “claro que a gente às vezes pensa em Bernardinho como presidente do Brasil”.

Ao que o entrevistado respondeu taxativo:

– Não tenho nenhuma pretensão de fazer mais do que já faço.

Na mesma entrevista, também, Bernardinho fez uma declaração que hoje faz todo sentido:

– Não me sinto mal buscando uma coisa nova, um desafio.

02/11/2013

às 18:00 \ Política & Cia

Eleições 2014: em pelo menos dez Estados, PT e PMDB, aliados no governo federal, estão se estranhando

"Os peemedebistas, ao fazer as contas, percebem claramente que tiveram muito mais força e influência com Lula quando o vice era José Alencar, do que agora que tem o vice Michel Temer instalado no Palácio do Jaburu" (Foto: Dida Sampaio / AE)

“Os peemedebistas, ao fazer as contas, percebem claramente que tiveram muito mais força e influência com Lula quando o vice era José Alencar, do que agora com o vice Michel Temer instalado no Palácio do Jaburu” (Foto: Dida Sampaio / AE)

Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros

O ETERNO DILEMA DO PMDB – 1

Desde o fracasso do governo José Sarney, um peemedebista de eterna alma na Arena (partido de sustentação da ditadura militar), e do insucesso das candidaturas presidenciais de Ulysses Guimarães e Orestes Quércia, o PMDB abdicou de disputar a Presidência da República com candidato próprio.

A estratégia peemedebista passou a ser a de desenvolver bem nos espaços intermediários do poder na República – municípios, Estados, assembleias legislativas, Câmara dos Deputados e Senado – e acumular forças para ser um parceiro imprescindível de quem estiver ocupando o Palácio do Planalto.

Assim, desde a saída de Sarney da presidência, apenas esporadicamente, e assim mesmo a muito contragosto, o PMDB militou na oposição em Brasília. E sempre atendeu prontamente ao chamado presidencial para se tornar um aliado, pouco importando quem e com quais razões.

Portanto, para o partido o que importa, de fato, não é a eleição presidencial. Ele sabe que, fortalecido no conjunto, será chamado às bodas do poder. Óbvio que há sempre um peemedebismo de grife, vaidoso, que se apega a algumas circunstâncias de mais brilho que de poder de fato. São os que querem, por exemplo, alianças para garantir ao partido a Vice-Presidência da República numa chapa provavelmente vencedora.

Não é o que pensa a maioria. A experiência atual desgastou o partido nesta linha: o fato de ter o vice Michel Temer na chapa de Dilma diminuiu a cota de poder no partido nos ministérios e órgãos públicos.

O eterno dilema do PMDB – 2

Os peemedebistas, ao fazer as contas, percebem claramente que tiveram muito mais força e influência com Lula quando o vice era José Alencar, ex-peemedebista alojado em outro partido, do que agora com o vice instalado no Palácio do Jaburu.

É este o grande drama que assola o PMDB que não faz parte da cúpula partidária: garantir a aliança nacional em detrimento dos interesses locais, que dão musculatura ao partido ou exigir do parceiro PT apoio nos Estados em nome da aliança nacional?

Os cálculos variam, mas em pelo menos dez Estados, PT e PMDB estão ameaçando se estranhar. O PMDB considera que tem candidatos mais competitivos (com o “direito sagrado” de competir) e exige que o PT o apoie. Mas, o PT nem sempre está disposto a este “sacrifício”. Sequer aceita que Dilma voe, na campanha, para outro palanque que não o do petismo.

Um caso clássico é o do Rio de Janeiro, já tão decantado: Sérgio Cabral e o peemedebismo querem o apoio à candidatura do vice-governador Pezão, mas o PT (assim assegura seu presidente, Ruy Falcão), não abre mão da candidatura do senador Lindbergh Farias.

Com mais ou menos ênfase, o problema aparece no Rio Grande do Sul, Ceará, Espírito Santo, na Bahia, no Amazonas, no Pará e em Mato Grosso do Sul, pode pipocar em Minas e está aquecido até no Maranhão, com choques com a família Sarney, donatária do Estado.

13/08/2013

às 20:00 \ Política & Cia

Dora Kramer: só faltava a Câmara não cassar deputado que já cumpre pena de cadeia em regime fechado

O Congresso reunido: mal na fita em matéria de imagem (Foto: Agência Câmara)

PÁGINA VIRADA

Por Dora Kramer, artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo

A mesma pesquisa do Datafolha que registrou recuperação de cinco pontos porcentuais na avaliação positiva da presidente Dilma Rousseff mostrou que o Congresso continua mal na foto. Com toda a “agenda positiva”, acrescentou nove pontos ao seu sempre bem fornido índice de reprovação.

Isso não significa que deputados e senadores deixarão de lado a “agenda impositiva” ao Palácio do Planalto nem que passarão a gostar da presidente, muito menos que ela vá se arriscar tão cedo a menosprezá-los.

Uma coisa é a conversa entre Executivo e Legislativo. Outra bem diferente é a relação deste último com a sociedade, em processo acelerado e constante de desgaste por motivos que nada têm a ver com o estado das coisas na economia.

A questão ali é de má conduta. Digamos que o uso indevido de aviões da FAB, das verbas de representação para despesas particulares e a proposta de dispensa do compromisso com a ética no juramento de posse nos mandatos – para citar peripécias conhecidas após os protestos de junho – não tenham ajudado na melhoria da opinião do público sobre suas excelências.

A atual rejeição ao Legislativo vai piorar muito se os mandatos dos mensaleiros condenados forem preservados

Se a rejeição da PEC 37, a aprovação do projeto que torna a corrupção crime hediondo e o arquivamento da proposta da chamada “cura gay” não amenizaram a rejeição, vai piorar muito se o Legislativo resolver preservar os mandatos dos parlamentares condenados pelo Supremo Tribunal Federal.

Todo mundo se lembra da celeuma criada pela Câmara e o Senado quando o STF votou pela cassação automática dos deputados José Genoino, João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry assim que transitadas em julgado as sentenças do mensalão.

Houve quem admitisse até a hipótese de escondê-los nas dependências do Parlamento. Uma discussão inútil. E não só porque os dois mais novos ministros da Corte, Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki, alteraram o entendimento da maioria anterior. Ao julgar e condenar o senador Ivo Cassol na semana passada, ambos consideraram que a palavra final sobre os mandatos cabe ao Legislativo.

A inutilidade do debate tem uma razão mais simples: não se admite a hipótese, nem por voto secreto e maioria absoluta, de a Câmara decidir que o deputado Natan Donadon – condenado a mais de 13 anos de prisão e preso há pouco menos de dois meses -, possa continuar no exercício do mandato.

O relator do processo, deputado Sergio Sveiter, marcou para ontem a entrega de seu parecer à Comissão de Constituição e Justiça, mas não quis adiantar o conteúdo. Como se houvesse a menor condição de ser contrário à cassação do deputado que cumpre pena no presídio da Papuda (Brasília) em regime fechado.

No mínimo acabaria perdendo o mandato por excesso de faltas, embora não se tenha notícia de nada parecido desde que os deputados Felipe Cheidde e Mário Bouchardet foram cassados, em 1989, por faltarem a um terço das sessões legislativas.

De lá para cá valeu a regra da vista grossa. Mas, com o deputado na prisão, não haverá CCJ, plenário, votação secreta ou falta de quorum que salve seu mandato.

Por analogia, destino semelhante terão os outros cujas sentenças ainda estão para ser executadas. De onde tanto faz como tanto fez se a última palavra cabe ou não aos deputados e senadores.

A menos que o Congresso decida desmoralizar a Justiça e despertar a ira das ruas em nome de coisa nenhuma, essa sim é uma página virada.

Avesso

Até maio o PMDB ameaçava romper a aliança com Dilma em 2014 se o PT não apoiasse o vice de Sérgio Cabral na eleição para governador do Rio e insistisse na candidatura de Lindbergh Farias.

Passados os eletrizantes meses de junho e julho, agosto começa com Cabral pedindo ao PT que esqueça esse assunto de rompimento e a direção nacional do PMDB dando o dito pelo não dito.

07/08/2013

às 16:00 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Candidato de Sérgio Cabral está naufragando no Rio que, por ora, opta por Lindbergh, do PT

O senador Lindbergh e o vice-governador Pezão são os candidatos com menor rejeição eleitoral em pesquisa de intenção de votos (Fotos: VEJA.com)

O senador Lindbergh e o vice-governador Pezão são os candidatos com menor rejeição eleitoral em pesquisa de intenção de votos (Fotos: VEJA.com)

O candidato do governador Sérgio Cabral (PMDB) a sua sucessão no Rio, o vice Luiz Fernando Pezão, está em quarto lugar em pesquisa de intenção de voto cujos resultados vocês podem checar abaixo:

UM CENÁRIO ELEITORAL NO RIO

Por Ilimar Franco, do jornal O Globo, publicado no blog de Ricardo Noblat

[O senador] Lindbergh Farias (PT), com 18%, lidera a corrida para o governo do Rio.

O Instituto Ideia fechou pesquisa com 1.500 entrevistas no domingo, na qual [o senador] Marcelo Crivella (PRB) tem 17,5%; [o ex-governador] Anthony Garotinho (PR), 13,5%; Luiz Fernando Pezão (PMDB), 11,5%; [o vereador e ex-prefeito do Rio] Cesar Maia (DEM), 8,5%; e [o deputado federal] Miro Teixeira (PDT), 4,3%.

No cenário com [o deputado estadual] Marcelo Freixo (PSOL), ele chega em segundo com 16%.

Os números mostram que, à exceção de Freixo, os demais candidatos perderam cerca de três pontos percentuais em decorrência dos recentes protestos de rua.

E revelam, ainda, que o senador Lindbergh e o vice-governador Pezão são os candidatos com menor rejeição eleitoral.

01/08/2013

às 18:04 \ Política & Cia

SÉRGIO CABRAL: Antes paparicado como puxador de votos para o PT no Rio, a turma do governo agora acha que o governador puxa para baixo — e Lindebergh Farias,candidato do PT ao governo, quer vê-lo na lona

Governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e o senador Lindbergh Farias (Fotos: Rafael Wallace / Alerj :: Ag. Senado)

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e o senador Lindbergh Farias (PT), candidato à sua sucessão: o pessoal de Dilma acha que, agora, o aliado Cabral puxa para baixo(Fotos: Rafael Wallace / Alerj :: Ag. Senado)

AS VOLTAS QUE A POLÍTICA DÁ 

Por Ilimar Franco, do jornal O Globo 

O Rio tem garantido grandes votações ao PT nos pleitos presidenciais.

Isso, segundo assessores do governo, tem como alicerce a aliança com o governador Sérgio Cabral.

Essa ligação está na memória do eleitor. Por isso, dizem, à presidente Dilma interessa a recuperação de Cabral.

O candidato do PT ao governo, Lindbergh Farias, quer ver Cabral na lona.

A convicção no governo Dilma é que, na atual situação, Cabral puxa Dilma para baixo.

Enquanto isso, o candidato do PSDB, Aécio Neves, que andou flertando com Cabral antes dos protestos deflagrados em junho, quer distância do governador do PMDB.

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08/07/2013

às 10:41 \ Política & Cia

Do jeito que as coisas vão, apoio de Sérgio Cabral em 2014 é beijo da morte

Cabral (camisa azul clara) se dirige com assessores para um helicóptero (Foto: Oscar Cabral / VEJA)

O governador Sérgio Cabral (PMDB), aliado do governo lulopetista, está enfurecido com a manutenção da candidatura, pelo PT, do senador e duas vezes prefeito de Nova Iguaçu Lindbergh Farias ao Palácio Guanabara, que compromete as chances de seu candidato, o vice-governador Luiz Fernando de Souza, o Pezão.

Num recente jantar com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB, a que esteve presente também o prefeito do Rio, Eduardo Paes (igualmente do PMDB), Cabral disse claramente que, mantida a candidatura Lindbergh, estaria aberto caminho para que ele apoiasse o presidenciável tucano Aécio Neves em 2014.

O problema, porém, é que, fugindo do Maracanã na final da Copa das Confederações para não ser vaiado, tendo seguidos podres revelados — como sua extraordinária preferência por helicópteros, para uso público e privado, mas sempre com as despesas lançadas ao contribuinte, como revelou VEJA –, o líder da “turma do guardanapo” em Paris daqui a pouco não apenas vai virar carta fora do baralho nas eleições de 2014, como seu apoio a um candidato pode significar o beijo da morte eleitoral.

Esperto, matreiro, Aécio não diz nada em público sobre uma eventual aproximação com Cabral. Tem, porém, uma surpreendente carta na manga para sua campanha eleitoral no Rio, que revelará no momento oportuno.

26/05/2013

às 20:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: A vida continua — o PT tendo que engolir um aliado guloso como o PMDB, CPI da Petrobras, Renan Calheiros denunciado no Supremo assumindo a Presidência…

Renan Calheiros e Jorge Viana -- presidentes ficha-sujas (Foto: Pedro França / Ag. Senado)

Renan Calheiros e Jorge Viana -- presidente e ex do Senado denunciados pelo Ministério Público (Foto: Pedro França / Ag. Senado)

Por Carlos Brickmann

MAS A VIDA CONTINUA

Até ontem, caro leitor, acredite, o presidente da República foi Renan Calheiros.

A presidente Dilma Rousseff fez uma inadiável viagem à Etiópia, o vice-presidente Michel Temer viajou para levar sua inestimável solidariedade à posse de Rafael Correa, reeleito presidente do Equador, o presidente da Câmara, Henrique Alves, fez importante visita oficial ao Congresso americano.

Tudo coincidência, claro; ninguém jamais poderia imaginar que todas essas viagens ao mesmo tempo tivessem sido combinadas para prestigiar o nome seguinte na linha de sucessão, o senador Renan Calheiros, expoente do mesmo PMDB de Temer e Alves, baluarte da base de apoio ao Governo da presidente Dilma Rousseff.

Renan Calheiros é o primeiro presidente da República que assume com três denúncias no Supremo, pelos crimes de peculato, uso de documento falso e falsidade ideológica. Seu sucessor na presidência do Senado, Jorge Viana (PT), foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral por abuso de poder econômico e está sendo julgado no Tribunal Superior Eleitoral. Pode perder o mandato.

De certa forma, ganha-se tempo: ao assumir, o cavalheiro já está sendo processado. Como diziam os propagandistas do Macaco Tião, anticandidato que teve 400 mil votos para prefeito do Rio, sua vantagem é que já estava preso.

Mas não foque a atenção só no Senado. É injusto. Dois deputados federais, Pedro Henry (PP) e Valdemar Costa Neto (PR) exercem o mandato, embora condenados no Mensalão. Dois outros condenados, João Paulo Cunha e José Genoíno, do PT, ainda por cima fazem parte da Comissão de Constituição e Justiça.

Eles brigam…

O deputado Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara, por pouco não impede a aprovação da Medida Provisória dos Portos. O governador fluminense Sérgio Cabral, do PMDB, mandou um recado duro a Dilma: ou o PT apoia seu candidato Pezão, retirando a candidatura de Lindbergh Farias, ou ele trabalhará contra o apoio do PMDB à reeleição da presidente (e, no mínimo, impedirá que o PMDB fluminense lhe dê suporte no Rio).

O deputado mineiro Leônidas Quintão, do PMDB, já reuniu assinaturas mais do que suficientes para uma CPI da Petrobras. Há histórias a respeito da empresa que seria interessante deixar claras – por exemplo, a tal refinaria americana que custou caríssimo e, se vendida, se conseguirem livrar-se dela, vai dar um prejuízo enorme à Petrobras. E daí?

…a gente paga

E daí, nada. Em briga do PMDB com o PT, sempre estão em jogo os grandes valores nacionais. A CPI da Petrobras não nasceu para apurar o caso da refinaria americana, mas como vingança do deputado Quintão, a quem havia sido prometido um ministério e que foi esquecido.

Sergio Cabral gosta de Pezão, mas o que quer mesmo é a garantia de que continua sendo o cacique governista no Rio – ou seja, pode aceitar um candidato de outro partido, desde que não lhe faça sombra. Eduardo Cunha, bem… Eduardo Cunha é Eduardo Cunha. Não há divergência entre PT e PMDB que resista à força pacificadora dos grandes valores nacionais.

31/03/2013

às 19:00 \ Política & Cia

As razões para a tranquilidade do governador Eduardo Campos diante do desafio de 2014

Eduardo Campos: posição confortável no trem eleitoral (Foto: Ailton de Freitas / Ag. O Globo)

Eduardo Campos: posição confortável no trem eleitoral (Foto: Ailton de Freitas / Ag. O Globo)

Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros.

RAZÕES PARA A TRANQUILIDADE DE CAMPOS

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), passeia mais ou menos tranquilo sua candidatura a presidente em 2014 por três razões:

1. Seu partido, apesar das resistências dos renitentes irmãos cearenses Ciro e Cid Gomes, está vendo na candidatura do pernambucano para aumentar sua representatividade nacional e seu poder de barganha federal e nos Estados.

Com o “carro-chefe Campos”, o PSB acredita que em 2014 poderá eleger mais governadores do que tem hoje e aumentar suas bancadas na Câmara, no Senado e nas Assembleias Legislativas.

Mesmo não ganhando o Palácio do Planalto, Campos e o PSB poderiam sair credenciados para 2018 com um excelente cacife.

2. Para os tucanos, a presença de Eduardo Campos na disputa seria a garantia já de um segundo turno, ainda mais se Marina Silva também confirmar sua presença.

O PSDB acredita que Campos tirará mais votos de Dilma do que de Aécio, principalmente no Nordeste.

Além disso, mesmo governista no momento, o governador de Pernambuco será um candidato de oposição ao Palácio do Planalto, mais um do qual Dilma, o PT e os aliados precisarão se defender.

3. Para o PT, pelo menos nesta primeira fase, a presença de Campos no grid de largada presidencial é tida como útil porque, segundo os petistas, ele disputa uma faixa do eleitorado com Aécio Neves – e tiraria votos do tucano e até possíveis aliados do mineiro, com o PPS e os rebeldes do PMDB.

Racha inclusive em Minas, onde o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, é do PSB, mas foi eleito com a ajuda de Aécio. E pode rachar até em São Paulo, onde os socialistas se dão muito bem com o governador Geraldo Alckmin.

Em principio, pelo menos, não é interesse de Lula e Dilma que Eduardo Campos saia da raia. Lá na frente se verá.

A rifa de Lula

A melhor prova disso é que Lula já está rifando a candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo do Rio, pelo PT.

Ele prometeu ao PMDB fluminense e ao governador Sérgio Cabral que não pisará no Estado durante a eleição.

 

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