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Júlio Verne

29/06/2013

às 16:00 \ Tema Livre

A última dos super-ricaços: submarinos particulares, “privês”

C-Explorer 5, a limousine submarina

C-Explorer 5, a limousine submarina

Reportagem de Antonio Alonso Jr., publicada em edição impressa especial de VEJA LUXO

SUBMARINO PRIVÊ

Embarcações para passear pelo fundo do mar são o novo brinquedo para quem já tem iate, helicóptero e um supercarro na garagem

Por quase dois anos, uma equipe de dezoito pessoas, a maior parte delas engenheiros, trabalhou para tirar do papel um dos mais espaçosos submarinos de uso privado já produzidos.

Com capacidade para cinco viajantes, a primeira unidade do C-Explorer 5, anunciado em 2010 pela empresa holandesa U-Boat Worx, foi entregue em setembro do ano passado. Desde então, mais duas foram vendidas, com cifras a partir de 1,9 milhão de euros.

Os preços variam de acordo com os requintes de cada encomenda, entre os quais a que profundidade se deseja submergir – o máximo é 300 metros (quase 100 além do recorde mundial de mergulho livre, de 214 metros).

Pressurizada e inteira de acrílico, a cabine do C-Explorer 5 permite vista privilegiada para os corais, a fauna marinha e outras maravilhas do oceano inacessíveis para quem boia na superfície.

C-Explorer 5: cabine de acrílico e capacidade para 5 pessoas

C-Explorer 5: cabine de acrílico e capacidade para 5 pessoas

É o trunfo dessa nova categoria de brinquedos, favorita de quem já adquiriu barco, helicóptero, moto, sem contar o básico supercarro. É o caso do multimilionário inglês Richard Branson, fundador da gravadora Virgin, que encomendou em 2010 um modelo de três lugares à empresa americana Hawkes Ocean Technologies.

“Quem compra um submarino tem espírito explorador, busca sempre mais”, diz Erik Hasselman, gerente de marketing e vendas da U-Boat Worx. Ele estima que existam apenas dez modelos particulares circulando algumas poucas léguas pelos oceanos (movidos a bateria, muitos deles têm fôlego para cerca de vinte horas de passeio).

Essa é uma indústria ainda nas braçadas iniciais, daí a dificuldade em determinar quantos exemplares pertecem ao mesmo proprietário. Não estão computados aqui os que vêm de “brinde” em iates transatlânticos.

O Octopus, do americano Paul Allen, sócio da Microsoft, carrega dois submarinos com oito lugares. O Eclipse, o maior iate do mundo, do russo Roman Abramovich, dono do clube de futebol inglês Chelsea, conta com um modelo para duas pessoas.

Navegação acrobática: submarino Innespace Productions com o desenho e o tamanho de uma baleia

Navegação acrobática: submarino Innespace Productions com o desenho e o tamanho de uma baleia

Só nos últimos trinta anos o submarino deixou de ter uso restrito a militares, sua vocação desde meados do século XVII. A partir da década de 1980, depois que a Guarda Costeira dos Estados Unidos estabeleceu regras de segurança, ele ganhou versões turísticas e particulares.

Um dos pioneiros na onda privê foi o americano Bruce Jones, dono da U.S. Submarines, fundada em 1993.

Ele trabalhou num submarino turístico e aproveitava as horas de folga para jantar a sós com a mulher no fundo do mar. “A experiência era tão boa que resolvi fabricar embarcações para poucos”, conta. A companhia tem projetos de até três lugares – e Jones não revela sua produção.

Na linha do peixão Nautilus, capitaneado por Nemo no livro 20.000 Léguas Submarinas, de Júlio Verne, o estaleiro americano Innespace Productions vende submarinos em forma de golfinhos e baleias – no tamanho natural.

O modelo Phoenix 1.000 com o seu "filhote", projeto de 70 milhões de dólares

O modelo Phoenix 1.000 com o seu "filhote", projeto de 70 milhões de dólares

Mais: eles têm navegação acrobática e reproduzem o movimento desses animais. Outros desenhos grandiosos querem conquistar os mares. A U.S. Submarines espera compradores para o Phoenix 1000, com 460 metros quadrados distribuídos em quatro andares, 65 metros de comprimento, espaço para um “filhote” e preço de 70 milhões de dólares, e para o Seattle 1000, que mede 36 metros.

Ambos podem ter o interior personalizado, com espaços de lazer que os fazem parecer iates. “Ainda nos falta explorar 99% do mar, mas será natural, nos próximos anos, escolher o fundo do oceano para passar férias”, exagera Jones.

 

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24/03/2012

às 16:08 \ Livros & Filmes

Eles já foram donos do mundo: em livro, a história da dinastia Rothschild

Marie-Helene-e-o-barao-Guy

Marie-Helène, o barão Guy e Édouard de Rothschild, aos 5 anos, em Ferrières: o então garoto é hoje um bilionário que prefere discrição em vez de badalação e opulência (Foto: Arnold Newman / Getty Images)


Os donos do mundo

Capa: Dinastia Rothschild

Capa: Dinastia Rothschild

A biografia dos Rothschild, o clã mais rico da Europa, mostra como o poder e a fortuna da família influenciaram a história – e prova que, sim, os ricos também choram

Por muito tempo – do século XIX ao início do século XX -, a expressão “rico como um Rothschild” era usada largamente por toda a Europa quando se queria descrever alguém que realmente tivesse dinheiro. Muito dinheiro. O mundo de então não conhecia nenhuma outra entidade, além dos governos e das casas reais, que detivesse tanto poder econômico quanto o clã de banqueiros judeus estabelecidos em Frankfurt, Viena, Nápoles, Londres e, sobretudo, Paris.

A certa altura, dizia-se mesmo que os Rothschild eram donos de tudo – “até do bom gosto”, segundo detratores incomodados com o crescente apetite da família para adquirir obras de arte festejadas e cobiçadas, como telas de Vermeer e desenhos de Fragonard.

Eles souberam da derrota de Napoleão antes dos governos inglês e francês

Sem falar que o sistema de envio de mensagens desenvolvido pelo banco M.A. Rothschild e Filhos se mostrou ágil e eficiente a ponto de ser utilizado pelos serviços de inteligência de vários países. Um exemplo: os escritórios londrinos e parisienses da empresa receberam a notícia da vitória do general inglês Wellington sobre Napoleão, na batalha de Waterloo, um dia antes dos respectivos governos.

Esse é apenas o início da saga da família contada pelo escritor e jornalista americano Herbert R. Lottman em A Dinastia Rothschild (tradução de Ana Ban; L± 400 páginas; 58 reais).

As compras de arte de Edmond foram a base do acervo do Louvre

Radicado em Paris desde os anos 50, Lottman é especializado em monumentos franceses. Escreveu biografias dos escritores Flaubert, Camus, Colette e Júlio Verne, além do painel histórico A Rive Gauche: Escritores, Artistas e Políticos em Paris 1934-1953. Os Rothschild ganham o mesmo tratamento de exaltação nacional.

O ramo francês do clã sempre foi o mais poderoso e cintilante, tendo produzido, além de homens de negócios, mecenas, colecionadores de arte – como Edmond de Rothschild, cujas aquisições formaram a base do acervo do Louvre – filantropos e, claro, playboys. “Eles foram os Medici de seu tempo”, diz o autor, em referência à célebre família da Itália renascentista.

Édouard de Rothschild hoje, aos 55 anos (Foto: Franck Prevel / Getty Images)

Ferrovias, petróleo e código de ética

Para Lottman, os Rothschild se destacaram e levaram vantagem sobre a concorrência devido a seu “conhecimento inequívoco de como o dinheiro se comporta”. Por terem escritórios espalhados por toda a Europa, podiam emitir títulos em todas as moedas importantes da época e foram pioneiros em empreendimentos modernos como as ferrovias e a exploração do petróleo.

Também seguiam um rígido código de ética (“lealdade à família e discrição na condução dos negócios alheios”) e eram adeptos dos casamentos consanguíneos, como na realeza, para manter a independência mesmo dentro da comunidade judaica, na qual seus grandes rivais foram os também banqueiros Pereire e Lazard.

Sobretudo, procuraram utilizar suas poderosas conexões econômicas e políticas para interferir em possíveis conflitos entre nações – a paz é sempre melhor para os negócios, era seu lema.

Impávido colosso O barão James de Rothschild, fundador do ramo francês do clã, ganhou título de nobreza da corte austríaca: “A paz é sempre melhor para os negócios” (Foto: AKG / LatinStock)

IMPÁVIDO COLOSSO -- O barão James de Rothschild, fundador do ramo francês do clã, ganhou título de nobreza da corte austríaca: “A paz é sempre melhor para os negócios” (Foto: AKG / LatinStock)

Apesar de a figura mais importante do livro ser o barão James de Rothschild, o fundador da família na França (o título de nobreza veio da corte de Viena, pelos serviços prestados por seu banco durante as guerras napoleônicas), a dinastia começou com seu pai, Mayer Amschel, no gueto de Frankfurt, num tempo em que os judeus não tinham direito nem a sobrenome.

Foi ele quem iniciou a fortuna como especialista em moedas antigas, consultor financeiro e, por razões ainda nebulosas, fornecedor de moedas raras e objetos de arte para a corte e quem mais pudesse pagar por tais itens.

Mas, como os ricos também choram, o grande drama dos Rothschild aconteceu no século XX, quando decisões equivocadas e negócios malsucedidos provocaram significativas perdas de capital. Durante a II Guerra, eles se viram obrigados a se refugiar nos Estados Unidos, onde nunca se sentiram realmente à vontade ou gozaram do poder e distinção de que desfrutavam na Europa.

Um Rotschild do século XXI, longe da vida mundana

A grande figura desse período é o barão Guy de Rothschild, misto de financista e bon-vivant que, ao lado da mulher, a não judia Marie-Hélène, restaurou o castelo da família, Ferrières, promoveu nele históricas festas para o jet set internacional e mais tarde o doou à Universidade de Paris. Foi Guy quem amargou a liquidação do banco da família pelo governo socialista de François Mitterrand, em 1981, e tentou recomeçar no lugar que sua família tanto evitara: Nova York.

Seu filho Édouard, hoje com 54 anos, é visto como um Rothschild atípico: prefere os negócios, e só eles, aos esportes e à vida mundana. É a dinastia Rothschild no século XXI, um tempo em que já não se fazem mais ricos como antigamente.

(Resenha de Mario Mendes publicada na edição impressa de VEJA)

 

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