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José Sérgio Gabrielli

25/10/2014

às 0:57 \ Política & Cia

NÃO DEIXEM DE LER: A REPORTAGEM DE CAPA DE “VEJA” — Youssef: “O Planalto sabia de de tudo!” Delegado: “Quem do Planalto?” Youssef: “Lula e Dilma”

EM VÍDEO - As declarações de Youssef sobre Lula e Dilma foram prestadas na presença de um delegado, um procurador da República e do advogado (Ilustração: Lézio Jr./VEJA)

EM VÍDEO – As declarações de Youssef sobre Lula e Dilma foram prestadas na presença de um delegado, um procurador da República e do advogado (Ilustração: Lézio Jr./VEJA)

O doleiro Alberto Youssef afirma em depoimento à Polícia Federal que o ex e a atual presidente da República não só conheciam como também usavam o esquema de corrupção na Petrobras

Por Robson Bonin, para VEJA

A Carta ao Leitor desta edição termina com uma observação altamente relevante a respeito do dever jornalístico de publicar a reportagem a seguir às vésperas da votação em segundo turno das eleições presidenciais: “Basta imaginar a temeridade que seria não publicá-la para avaliar a gravidade e a necessidade do cumprimento desse dever”.

VEJA não publica reportagens com a intenção de diminuir ou aumentar as chances de vitória desse ou daquele candidato. VEJA publica fatos com o objetivo de aumentar o grau de informação de seus leitores sobre eventos relevantes, que, como se sabe, não escolhem o momento para acontecer.

Os episódios narrados nesta reportagem foram relatados por seu autor, o doleiro Alberto Youssef, e anexados a seu processo de delação premiada. Cedo ou tarde os depoimentos de Youssef virão a público em seu trajeto na Justiça rumo ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro adequado para o julgamento de parlamentares e autoridades citados por ele e contra os quais garantiu às autoridades ter provas. Só então se poderá ter certeza jurídica de que as pessoas acusadas são ou não culpadas.

Na última terça-feira, o doleiro Alberto Youssef entrou na sala de interrogatórios da Polícia Federal em Curitiba para prestar mais um depoimento em seu processo de delação premiada. Como faz desde o dia 29 de setembro, sentou-se ao lado de seu advogado, colocou os braços sobre a mesa, olhou para a câmera posicionada à sua frente e se pôs à disposição das autoridades para contar tudo o que fez, viu e ouviu enquanto comandou um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar 10 bilhões de reais.

A temporada na cadeia produziu mudanças profundas em Youssef. Encarcerado des­de março, o doleiro está bem mais magro, tem o rosto pálido, a cabeça raspada e não cultiva mais a barba. O estado de espírito também é outro. Antes afeito às sombras e ao silêncio, Youssef mostra desassombro para denunciar, apontar e distribuir responsabilidades na camarilha que assaltou durante quase uma década os cofres da Petrobras. Com a autoridade de quem atuava como o banco clandestino do esquema, ele adicionou novos personagens à trama criminosa, que agora atinge o topo da República.

Comparsa de Youssef na pilhagem da maior empresa brasileira, o ex-diretor Paulo Roberto Costa já declarara aos policiais e procuradores que nos governos do PT a estatal foi usada para financiar as campanhas do partido e comprar a fidelidade de legendas aliadas. Parte da lista de corrompidos já veio a público. Faltava clarear o lado dos corruptores.

Na ter­ça-feira, Youssef apre­sentou o pon­­to até agora mais “estarrecedor” — para usar uma expressão cara à pre­sidente Dilma Rous­seff — de sua delação premiada. Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro foi taxativo:

— O Planalto sabia de tudo!

— Mas quem no Planalto? — perguntou o delegado.

— Lula e Dilma — respondeu o doleiro.

Para conseguir os benefícios de um acordo de delação premiada, o criminoso atrai para si o ônus da prova. É de seu interesse, portanto, que não falsifique os fatos. Essa é a regra que Yous­sef aceitou. O doleiro não apresentou — e nem lhe foram pedidas — provas do que disse.

Por enquanto, nesta fase do processo, o que mais interessa aos delegados é ter certeza de que o de­poente atuou diretamente ou pelo menos presenciou ilegalidades. Ou seja, querem estar certos de que não lidam com um fabulador ou alguém interessado apenas em ganhar tempo for­necendo pistas falsas e fazendo acu­sações ao léu.

Youssef está se saindo bem e, a exemplo do que se passou com Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras, tudo indica que seu processo de delação premiada será homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana passada, ele aumentou de cerca de trinta para cinquenta o número de políticos e autoridades que se valiam da corrupção na Petrobras para financiar suas campanhas eleitorais.

Aos investigadores, Youssef detalhou seu papel de caixa do esquema, sua rotina de visitas aos gabinetes poderosos no Executivo e no Legislativo para tratar, em bom português, das operações de lavagem de dinheiro sujo obtido em transações tenebrosas na estatal. Cabia a ele expatriar e trazer de volta o dinheiro quando os envolvidos precisassem.

Uma vez feito o acordo, Youssef terá de entregar o que prometeu na fa­se atual da investigação. Ele já con­tou que pagava em nome do PT mesadas de 100 000 a 150 000 reais a parlamentares aliados ao partido no Congresso. Citou nominalmente a ex-mi­nistra da Casa Civil Gleisi Hoff­mann, a quem ele teria repassado 1 mi­lhão de reais em 2010. Youssef disse que o dinheiro foi entregue em um shopping de Curitiba. A senadora ne­gou ter sido beneficiada.

Entre as muitas outras histórias consideradas convincentes pelos investigadores e que ajudam a determinar a alta posição do doleiro no esquema — e, consequentemente, sua relevância pa­ra a investigação —, estão lembranças de discussões telefônicas entre Lula e o ex-deputado José Janene, à época líder do PP, sobre a nomeação de operadores do partido para cargos estratégicos do governo.

Youssef relatou um episódio ocorrido, segundo ele, no fim do governo Lula. De acordo com o doleiro, ele foi convocado pelo então presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, para acalmar uma empresa de publicidade que ameaçava explodir o esquema de corrupção na estatal. A empresa quei­xa­va-­se de que, depois de pagar de forma antecipada a propina aos políticos, tive­ra seu contrato rescindido.

Homem da confiança de Lula, Gabrielli, segundo o doleiro, determinou a Youssef que captasse 1 milhão de reais entre as empreiteiras que participavam do petrolão a fim de comprar o silêncio da empresa de publicidade. E assim foi feito.

Gabrielli poderia ter realizado toda essa manobra sem que Lula soubesse? O fato de ter ocorrido no governo Dilma é uma prova de que ela estava conivente com as lambanças da turma da estatal? Obviamente, não se pode condenar Lula e Dilma com base apenas nessa narrativa. Não é disso que se trata.

Youssef simplesmente convenceu os investigadores de que tem condições de obter provas do que afirmou a respeito de a operação não poder ter existido sem o conhecimento de Lula e Dilma — seja pelos valores envolvidos, seja pelo contato constante de Paulo Roberto Costa com ambos, seja pelas operações de câmbio que fazia em favor de aliados do PT e de tesoureiros do partido, seja, principalmente, pelo fato de que altos cargos da Petrobras envolvidos no esquema mudavam de dono a partir de ordens do Planalto.

Os policiais estão impressionados com a fartura de detalhes narrados por Youssef com base, por enquanto, em sua memória. “O Vaccari está enterrado”, comentou um dos interrogadores, referindo-se ao que o do­leiro já narrou sobre sua parceria com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto.

O doleiro se comprometeu a mostrar documentos que comprovam pelo menos dois pagamentos a Vaccari. O dinheiro, desviado dos cofres da Petrobras, teria sido repassado a partir de transações simuladas entre clientes do banco clandestino de Youssef e uma empresa de fachada criada por Vaccari. O doleiro preso disse que as provas desses e de outros pagamentos estão guardadas em um arquivo com mais de 10 000 notas fiscais que serão apresentadas por ele como evidências.

Nesse tesouro do crime organizado, segundo Youssef, está a prova de uma das revelações mais extraordinárias prometidas por ele, sobre a qual já falou aos investigadores: o número das contas secretas do PT que ele operava em nome do partido em paraísos fiscais. Youssef se comprometeu a ajudar a PF a localizar as datas e os valores das operações que teria feito por instrução da cúpula do PT.

Depois da homologação da de­lação premiada, que parece assegurada pelo que ele disse até a semana passada, Youssef terá de apresentar à Justiça mais do que versões de episódios públicos envolvendo a presidente. Pela posição-chave de Youssef no esquema, os investigadores estão con­fiantes em que ele produzirá as provas necessárias para a investigação prosseguir.

Na semana que vem, Alberto Youssef terá a oportunidade de relatar um episódio ocorrido em março deste ano, poucos dias antes de ser preso. Youssef dirá que um integrante da ­coor­­denação da campanha presidencial do PT que ele conhecia pelo nome de “Felipe” lhe telefonou para marcar um encontro pessoal e adiantou o assunto: repatriar 20 milhões de reais que seriam usados na cam­panha presidencial de Dilma Rous­seff.

Depois de verificar a origem do telefonema, Youssef marcou o encontro que nunca se concretizou por ele ter se tornado hóspede da Polícia Federal em Curitiba. Procurados, os defensores do doleiro não quiseram comentar as revelações de Youssef, justificando que o processo corre em segredo de Justiça. Pelo que já contou e pelo que promete ainda entregar aos investigadores, Youssef está materializando sua amea­ça velada feita dias atrás de que iria “chocar o país”.

DINHEIRO PARA O PT

(Foto: Lula Marques/Folhapress)

(Foto: Lula Marques/Folhapress)

Alberto Youssef também voltou a detalhar os negócios que mantinha com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, homem forte da campanha de Dilma e conselheiro da Itaipu Binacional. Além de tratar dos interesses partidários com o dirigente petista, o doleiro confirmou aos investigadores ter feito pelo menos duas grandes transferências de recursos a Vaccari.

O dinheiro, de acordo com o relato, foi repassado a partir de uma simulação de negócios entre grandes companhias e uma empresa-fantasma registrada em nome de laranjas mas criada pelo próprio Vaccari para ocultar as operações. Ele nega.

ENTREGA NO SHOPPING

(Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

(Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

Alberto Youssef confirmou aos investigadores o que disse o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o dinheiro desviado da estatal para a campanha da exministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR) ao Senado, em 2010. Segundo ele, o repasse dos recursos para a senadora petista, no valor de 1 milhão de reais, foi executado em quatro parcelas. As entregas de dinheiro foram feitas em um shopping center no centro de Curitiba. Intermediários enviados por ambos entregaram e receberam os pacotes.

Em nota, a senadora disse que não recebeu nenhuma doação de campanha nem conhece Paulo Roberto Costa ou Alberto Youssef.

ELE TAMBÉM SABIA

(Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

(Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

Durante o segundo mandato de Lula, o doleiro contou que foi chamado pelo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, para tratar de um assunto que preocupava o Planalto. Uma das empresas com contratos de publicidade na estatal ameaçava revelar o esquema de cobrança de pedágio. Motivo: depois de pagar propina antecipadamente, a empresa teve seu contrato rescindido.

Ameaçado pelo proprietário, Gabrielli pediu ao doleiro que captasse 1 milhão de reais com as empreiteiras do esquema e devolvesse a quantia à empresa de publicidade. Gabrielli não quis se pronunciar.

CONTAS SECRETAS NO EXTERIOR

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Desde que Duda Mendonça, o marqueteiro da campanha de Lula em 2002, admitiu na CPI dos Correios ter recebido pagamentos de campanha no exterior (10 milhões de dólares), pairam sobre o partido suspeitas concretas da existência de dinheiro escondido em paraísos fiscais. Para os interrogadores de Alberto Youssef, no entanto, essas dúvidas estão começando a se transformar em certeza. O doleiro não apenas confirmou a existência das contas do PT no exterior como se diz capaz de ajudar a identificá-las, fornecendo detalhes de operações realizadas, o número e a localização de algumas delas.

UM PERSONAGEM AINDA OCULTO

personagem-oculto-size-620O doleiro narrou a um interlocutor que seu esquema criminoso por pouco não atuou na campanha presidencial deste ano. Nos primeiros dias de março, Youssef recebeu a ligação de um homem, identificado por ele apenas como “Felipe”, integrante da cúpula de campanha do PT. Ele queria os serviços de Youssef para repatriar 20 milhões de reais que seriam usados no caixa eleitoral. Youssef disse que chegou a marcar uma segunda conversa para tratar da operação, mas o negócio não foi adiante porque ele foi preso dias depois. Esse trecho ainda não foi formalizado às autoridades.

(CLIQUEM NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA)

(CLIQUEM NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA)

Quem delata pode mentir?

Por Alexandre Hisayasu, para VEJA

ATÉ A MÁFIA FALOU - Tommaso Buscetta, o primeiro mafi oso a fazer delação premiada. Na Sicília, seu sobrenome virou xingamento (Foto: Broglio/AP)

ATÉ A MÁFIA FALOU – Tommaso Buscetta, o primeiro mafi oso a fazer delação premiada. Na Sicília, seu sobrenome virou xingamento (Foto: Broglio/AP)

A delação premiada tem uma regra de ouro: quem a pleiteia não pode mentir. Se, em qualquer momento, fi car provado que o delator não contou a verdade, os benefícios que recebeu como parte do acordo, como a liberdade provisória, são imediatamente suspensos e ele fica sujeito a ter sua pena de prisão aumentada em até quatro anos.

Para ter validade, a delação premiada precisa ser combinada com o Ministério Público e homologada pela Justiça. O doleiro Alberto Youssef assinou o acordo com o MP no fim de setembro. Desde então, vem dando depoimentos diários aos procuradores que investigam o caso Petrobras. Se suas informações forem consideradas relevantes e consistentes, a Justiça – nesse caso, o Supremo Tribunal Federal, já que o doleiro mencionou políticos – homologará o acordo e Youssef será posto em liberdade, como já ocorreu com outro delator envolvido no mesmo caso, Paulo Roberto Costa.

O ex-diretor da Petrobras deu detalhes ao Ministério Público e à Polícia Federal sobre o funcionamento do esquema milionário de pagamento de propinas que funcionava na estatal e benefi ciava políticos de partidos da base aliada do governo. Ele já deixou a cadeia e aguarda o julgamento em liberdade. O doleiro continua preso.

Até o ano passado, a lei brasileira previa que o delator só poderia usufruir os benefícios do acordo de delação ao fi m do processo com o qual havia colaborado – e se o juiz assim decidisse. Ou seja, apenas depois que aqueles que ele tivesse incriminado fossem julgados é que a Justiça resolveria se o delator mereceria ganhar a liberdade.

Desde agosto de 2013, no entanto, esses benefícios passaram a valer imediatamente depois da homologação do acordo. “Foi uma forma de estimular a prática. Você deixa de punir o peixe pequeno para pegar o grande”, diz o promotor Arthur Lemos Júnior, que participou da elaboração da nova lei.

Mais famoso – e prolífero – delator da história recente, o mafioso Tommaso Buscetta levou à cadeia cerca de 300 comparsas. Preso no Brasil em 1983, fechou acordo com a Justiça italiana e foi peça-chave na Operação Mãos Limpas, responsável pelo desmonte da máfia siciliana. Depois disso, conseguiu proteção para ele e a família e viveu livre nos Estados Unidos até sua morte, em 2000.

06/08/2014

às 19:18 \ Política & Cia

NINGUÉM ENTENDEU NADA: Dilma se irrita (e se enrola) ao explicar relação do Planalto com farsa da CPI

Dilma Rousseff participa do encontro na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília  (Foto: Ichiro Guerra/Divulgação/VEJA)

Dilma Rousseff participa do encontro na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília (Foto: Ichiro Guerra/Divulgação/VEJA)

Presidente se perde no dilmês ao tratar do tema: ‘Acho estarrecedor alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela’

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges, de Brasília, para o site de VEJA

A presidente Dilma Rousseff ficou extremamente irritada nesta quarta-feira ao ser questionada sobre a participação do Planalto na farsa montada por governistas e pelo PT para impedir investigações na CPI da Petrobras no Senado – revelada por VEJA nesta semana.

Ao deixar a sabatina promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, a petista negou-se a esclarecer a ligação de servidores do Planalto com o caso: nesta quarta, o jornal Folha de S. Paulo informou que Luiz Azevedo, secretário-executivo das Relações Institucionais, ajudou a elaborar o plano de trabalho apresentado pela comissão em maio.

Já Paulo Argenta, outro assessor da pasta, foi um dos responsáveis pela preparação das questões antecipadas aos depoentes, como mostra vídeo obtido por VEJA.

Dilma também não explicou porque servidores do governo e da liderança governista no Senado participaram da formulação de um gabarito para depoentes. E foi além: ignorando o fato de que a elaboração das perguntas feitas em uma CPI seja tarefa exclusiva dos integrantes da comissão e do relator dos trabalhos, Dilma afirmou ser “estarrecedor o fato de que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela”.

Em um raciocínio confuso, a presidente-candidata disse que o setor de petróleo seria complexo demais para que pessoas de fora da área questionassem a Petrobras a respeito – e ainda ensaiou a tese de que apenas técnicos especializados em combustíveis teriam condições de elaborar perguntas à estatal.

– Vou te falar uma coisa. Acho extraordinário. Primeiro porque o Palácio do Planalto não é expert em petróleo e gás. O expert em petróleo e gás é a Petrobras. Eu queria saber se você pode me informar quem elabora perguntas sobre petróleo e gás para a oposição também. Muito obrigada.

Alguém entendeu? Pois ela continuou:

– Não é o Palácio do Planalto nem nenhuma sede de nenhum partido. Quem sabe das perguntas sobre petróleo e gás só tem um lugar. Pergunta só tem um lugar no Brasil. Eu diria vários lugares no Brasil: a Petrobras e todas as empresas de petróleo e gás”, disse, sem disfarçar o nervosismo – que tornou a fala da presidente ainda mais difícil de ser compreendida.

Leiam também: 

Gravações comprovam: CPI da Petrobras foi uma grande farsa
Farsa na CPI: oposição pede anulação de depoimentos e promete acionar PGR

“Você sabe que há uma simetria (sic) de informação entre nós, mortais, e o setor de petróleo. É um setor altamente oligopolizado, extremamente complexo tecnicamente. Acho estarrecedor que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela”, completou, sem esclarecer o episódio.

VEJA revelou nesta semana que governistas engendraram esquema para treinar os principais depoentes à comissão de inquérito, repassando a eles previamente as perguntas que seriam feita na CPI e indicando as respostas que deveriam ser dadas. Paulo Argenta; Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; e Carlos Hetzel, secretário parlamentar do PT na Casa, formularam perguntas aos depoentes e atuaram para que as respostas, tal qual um gabarito de prova, fossem entregue às pessoas que falariam à comissão.

O kit de perguntas e respostas foi distribuído ao ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli e ao ex-diretor Nestor Cerveró, apontado como o autor do “parecer falho” que levou a estatal do petróleo a aprovar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, um negócio que causou prejuízo de quase 1 bilhão de dólares à empresa. A atual presidente da companhia Graça Foster também recebeu as perguntas da CPI por meio do chefe do escritório da empresa em Brasília, José Eduardo Barrocas.

Até o momento a oposição identificou que o teatro na CPI da Petrobras pode ter envolvido os crimes de obstrução da Justiça, fraude, improbidade por uso de servidores para fins privados, falso testemunho de depoentes, advocacia administrativa e possível violação do sigilo funcional se servidores tiverem repassado documentos sigilosos da CPI para o Poder Executivo.

Sem deixar que questionamentos sobre a Petrobras fossem apresentados a ela, a presidente ainda se recusou a responder sobre os possíveis impactos da inclusão de Graça Foster entre os responsáveis por Pasadena, em decisão a ser tomada pelo TCU nesta quarta-feira. Graça, que era diretora de gás e energia quando se desenvolviam as negociações de Pasadena, deve ter seus bens declarados indisponíveis, a exemplo dos demais.

“Você já julgou, querida? Se você julgou, eu te agradeço por não fazer isso”, afirmou Dilma, interrompendo a pergunta. “Acho que se não houve julgamento não se gera constrangimento nenhum. Peço para você não me fazer uma pergunta sobre um julgamento de uma corte, que não foi feito. Não é correto”, disse.

01/08/2014

às 14:00 \ Política & Cia

No caso Pasadena, ministros do TCU responsabilizam diretores da época de Lula

(Foto: Gilberto Tadday)

Caso Pasadena: para o TCU, culpa é tanto de Lula quanto de Dilma (Foto: Gilberto Tadday)

OS (IR)RESPONSÁVEIS

O TCU responsabiliza igualmente os onze diretores da Petrobras ao tempo de Lula pelo prejuízo com Pasadena. É uma decisão politicamente forte, mas socializar a culpa pode dificultar a punição dos que fizeram a lambança

Reportagem de Adriano Ceolin publicada em edição impressa de VEJA

Líderes do PT desconfiam de Dilma Rousseff. Dizem que ela não é petista de carteirinha, acusam-na de tirar poder do partido e difundem a suspeita de que, se for reeleita, não convidará companheiros para assumir cargos de ponta no próximo mandato. A Petrobras, repetem os insurgentes, seria uma prova inequívoca do distanciamento entre a presidente e a máquina partidária.

Em março deste ano, Dilma admitiu publicamente que, em 2006, quando comandava o conselho de administração da Petrobras, votou a favor da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, com base num relatório “falho” feito por Nestor Cerveró, então diretor da área internacional da empresa.

A atitude da presidente repercutiu de imediato. A oposição usou a declaração para desgastar sua imagem de “gerentona” e tirar do papel uma CPI para investigar os negócios da Petrobras. Já Lula disse que Dilma tinha dado um tiro no pé ao levar o problema para o gabinete mais poderoso do Palácio do Planalto. Lula também se mostrou contrariado porque o gesto da sucessora, ao fim e ao cabo, equivalia a debitar na conta dele o prejuízo decorrente da operação. Isso era demais para o PT.

(Foto: Reuters/Nacho Doce)

Para Lula, CPI da Petrobras foi tiro no pé de Dilma (Foto: Reuters/Nacho Doce)

Em 2012, quando surfava em altas taxas de popularidade, Dilma demitiu grão-petistas e aliados políticos da direção da Petrobras. O PT ensaiou uma resistência, mas aceitou as mudanças. Já o constrangimento público imposto a Lula foi tomado por uma declaração de guerra e ressuscitou a ofensiva para que ele fosse o candidato do PT à Presidência em 2014.

A assessores mais próximos, Dil­­ma explicou que não quis atingir seu antecessor. Ela teria apenas relatado os fatos como ocorreram. E, ao dizer a verdade, teria demonstrado um cuidado todo especial com o calendário eleitoral.

Pouco antes do sincericídio presidencial, o Planalto recebera informações de que o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgaria uma decisão sobre a compra de Pasadena, com punições severas, às vésperas da eleição. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

26/06/2014

às 0:00 \ Disseram

Pasadena foi um bom negócio, segundo Gabrielli

“Não há nenhum crime, nenhuma ilegalidade no processo decisório.”

José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, em depoimento à CPI mista da Petrobras no Congresso; segundo ele, a refinaria de Pasadena foi “barata, abaixo do preço de mercado”

21/04/2014

às 18:00 \ Política & Cia

CASO PASADENA: Oposição diz que entrevista de Gabrielli responsabilizando Dilma reforça CPI

(Foto: Agência Brasil)

Para Gabrielli, Dilma não pode fugir de que a decisão da compra de Pasadena foi sua (Foto: Agência Brasil)

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo

Para oposição, entrevista de Gabrielli que responsabiliza Dilma reforça CPI

Ex-presidente da Petrobrás disse ao ‘Estado’ que presidente tem de assumir sua parcela de ônus no caso da refinaria Pasadena; ministra Rosa Weber, do Supremo, deve decidir amanhã sobre investigação parlamentar; Planalto minimizou declaração

Em uma semana considerada decisiva para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás, a oposição acredita que a entrevista do ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli ao Estado reforça seus argumentos a favor de uma investigação no Congresso que apure negócios da empresa.

Na entrevista, publicada ontem, Gabrielli afirma que a presidente Dilma Rousseff não pode fugir de sua responsabilidade pela decisão da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos – operação iniciada em 2006 e concluída em 2012, após a Petrobrás perder uma batalha judicial com a empresa belga Astra Oil.

A aquisição da refinaria localizada no Texas, ao custo final de US$ 1,2 bilhão, é a principal polêmica que envolve a estatal. Dilma, então ministra da Casa Civil, era a presidente do Conselho de Administração da empresa na época do negócio.

“O objetivo dela (a CPI) é exatamente determinar, sem qualquer pré-julgamento, qual é a responsabilidade de cada um nesse caso da refinaria de Pasadena e em outros episódios envolvendo a Petrobrás. A CPI não é uma demanda das oposições, como querem fazer crer alguns governistas, mas sim da sociedade brasileira”, afirmou ontem ao Estado o pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves.

Aécio: CPI  da Petrobras não é exigência das oposições, mas “da sociedade brasileira” (Foto: PSDB/Divulgação)

No Palácio do Planalto, a entrevista de Gabrielli foi tratada com discrição. Auxiliares da presidente procuraram minimizar o impacto da fala do ex-presidente da Petrobras. A avaliação é que se trata de uma linha de defesa adotada por Gabrielli, já que a operação de compra da refinaria de Pasadena está sob investigação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União (TCU) e ele poderá ser chamado a depor.

A expectativa é que a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, decida amanhã se o Congresso pode instalar uma CPI restrita à estatal, como querem os oposicionistas, ou ampliada – para investigar também o cartel dos trens em São Paulo e no Distrito Federal e obras no Porto de Suape, em Pernambuco -, como desejam os governistas.

Líder do PSB na Câmara, o deputado Beto Albuquerque (RS) afirmou que, além de mostrar a necessidade de se fazer a CPI para investigar a operação de compra de Pasadena, ficou claro que Gabrielli “deu um puxão de orelhas” em Dilma.

“Quando o Gabrielli assume a responsabilidade pela compra de Pasadena, por ser o presidente da companhia, na época, ele está sendo honesto. Não tem como negar que é mesmo o responsável. E não há como negar que Dilma, então presidente do Conselho de Administração, tem responsabilidade igual”, disse. “O Gabrielli botou a bola na marca do pênalti.”

Já para o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), Gabrielli foi muito claro na entrevista. “Ele disse, sem rodeios: ‘somos todos responsáveis’. Não adianta achar que uns vão tirar a sardinha do fogo com a mão do gato. Está muito claro que a então ministra Dilma Rousseff era responsável pela decisão da compra da refinaria. Ela era presidente do Conselho de Administração, que aprovou a compra.”

Resumo. Na entrevista, Gabrielli também reforçou a afirmação de que o resumo executivo em que o conselho baseou sua decisão sobre a compra foi “omisso”, mas não falho. O ex-presidente da estatal, contudo, acrescentou que isso não foi relevante para a decisão.

Dilma havia afirmado que só aprovou a compra de 50% da refinaria da Astra Oil, em 2006, porque o resumo executivo feito na época pelo então diretor da área internacional da Petrobrás Nestor Cerveró foi falho porque não continha as cláusulas Put Option – que obrigava a Petrobrás a adquirir a outra metade da refinaria em caso de desentendimento com a sócia – e Marlin – que garantia lucro mínimo ao grupo belga.

 

(Foto: PT/Divulgação)

Para José Guimarães, vice-presidente do PT, declarações de Gabrielli são irrelevantes (Foto: PT/Divulgação)

Na semana passada, Nestor Cerveró depôs na Câmara dos Deputados. Ele se defendeu, dizendo que o resumo executivo que fez não foi determinante para a compra e as cláusulas omitidas irrelevantes para a decisão do conselho.

Para o deputado José Guimarães (CE), vice-presidente nacional do PT e ex-líder do partido na Câmara, a oposição tenta fazer um “carnaval”. “Isso que o Gabrielli falou não tem importância nenhuma. Está claro que a oposição fez um carnaval do tamanho do mundo com os depoimentos da Graça Foster e do Nestor Cerveró, que responderam tudo”, afirmou.

23/03/2014

às 19:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Dilma adoçou a boca do ministro Marco Aurélio

"A filha do ministro Marco Aurélio, do STF, foi nomeada desembargadora do TRF por Dilma. Como diz o provérbio, quem agrada a meus filhos adoça meus lábios"

“A filha do ministro Marco Aurélio, do STF, foi nomeada desembargadora do TRF por Dilma. Como diz o provérbio, quem agrada a meus filhos adoça meus lábios”

Nota da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje, domingo, em vários jornais

 SANGUE NÃO É ÁGUA

Carlos Brickmann1 – Paulo Roberto Costa, que era diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, um dos autores do contrato de compra da refinaria de Pasadena, preso pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato, despertou suspeitas ao ganhar de presente de um conhecido doleiro uma Range Rover Evoque, no valor de 200 mil reais.

Range Rover – lembra do Mensalão, que também tinha o caso que ficou famoso de uma Land Rover dada de presente a um figurão da turma do poder?

2 – Paulo Roberto Costa era o homem forte do antigo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que em sua gestão comprou a Refinaria de Pasadena. Costa e Gabrielli sempre foram muito ligados. Talvez hoje, quem sabe, Gabrielli, lá na Bahia, se sinta mais distante do velho companheiro caído em desgraça.

3 – Estão jogando a culpa do “resumo mal feito” do contrato de compra de Pasadena em Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras. Cerveró tem pura linhagem governista: foi indicado por Renan Calheiros.

Cerveró, por coincidência, saiu de férias para lugar incerto e não sabido, talvez na Europa, na véspera da ação da Polícia Federal.

Lembra de Henrique Pizzolatto, do Mensalão? Também viajou para a Europa. Pizzolatto tem dupla nacionalidade.

De Nestor Cuñat Cerveró, até agora, não se sabe se tem uma nacionalidade ou mais.

4 – Ah, a família! Letícia Mello, a jovem e brilhante filha do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, foi nomeada desembargadora do Tribunal Regional Federal-2 por Dilma.

Como diz o provérbio, quem agrada a meus filhos adoça meus lábios.

[Comentário do blog:

Como observei em julho do ano passado, a doutora Letícia Mello, 37 anos, formou-se em Direito no Centro Universitário de Brasília (CEUB), uma universidade privada da capital, não tem qualquer curso de pós-graduação e, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, havia atuado em apenas cinco processos até então.]

Diga-me com quem andas…

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, criação do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, começou seu trabalho tentando fazer esquecer os feitos do antecessor, Alexandre Padilha. Sua primeira missão foi um vasto tour no Carnaval, em companhia da esposa, a bordo de jatinho da FAB.

A explicação é que foi ao Rio, Salvador, Recife e Olinda para distribuir camisinhas (algo que os postos de saúde fariam com mais eficiência, a custo mais baixo, sem sobrecarregar a já insuficiente frota da FAB).

Mas não ficou nisso: deixou seu carro oficial por seis horas na vaga reservada a deficientes físicos, no Congresso. Chioro seguiu o exemplo de seus orientadores políticos: disse que não sabia de nada. E pôs a culpa no chofer. Esse ainda vai pegar uma bela multa e perder muitos pontos na carteira.

…e te direi quem és

Seu antigo colega de Secretariado de Marinho, Benedito Mariano, foi flagrado em alta velocidade no acostamento da Via Anchieta [rodovia que liga São Paulo a Santos], rodando em faixas privativas de ônibus e usando equipamento proibido, o Giroflex (aquelas luzes de teto privativas de viaturas policiais).

Ele também, claro, diz que não sabia de nada.

16/02/2014

às 19:03 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: É difícil dar certo

Representantes do MST entregaram documento ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho (Foto: Ed Ferreira / Estadão)

Representantes do MST entregaram documento ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho (Foto: Ed Ferreira / Estadão)

Notas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje, domingo, em vários jornais

É DIFÍCIL DAR CERTO

1 – Alguns milhares de manifestantes do Movimento dos Trabalhadores sem Terra, MST, ocuparam na quarta-feira a Praça dos Três Poderes, em Brasília. Ameaçaram invadir o Supremo Tribunal Federal e o Congresso; pouparam, sabe-se lá por que, o Palácio do Planalto.

Entraram em confronto com a PM e feriram 30 soldados. Serão processados? Nada disso! Na quinta, a presidente Dilma fez questão de recebê-los em palácio, na companhia, claro, de seu ministro Gilberto Carvalho, e ainda ganhou um presente: uma cestinha de produtos agrícolas.

2 – O jornal O Estado de S.Paulo teve acesso à sindicância do Itamaraty para “investigar a conduta” do diplomata Eduardo Sabóia, que libertou o asilado boliviano Roger Pinto Molina, confinado havia 15 meses na nossa Embaixada em La Paz, e o trouxe ao Brasil.

As informações da sindicância são tão vergonhosas, tão inacreditáveis, que o Estado as confirmou com quatro fontes diferentes, antes de publicá-las: o Brasil articulou com o presidente boliviano Evo Morales e seus aliados do continente um jeitinho de tirar Roger Pinto da Embaixada e levá-lo num avião venezuelano para Caracas ou Nicarágua.

O asilado se comprometeria a aceitar a retirada sem ser informado do local para onde iria. Como não é maluco, recusou a proposta indecente. E logo Chávez morreu, fazendo gorar o plano.

3 – Voltando ao ministro Gilberto Carvalho: em 9 de dezembro último, prometeu processar o delegado Romeu Tuma Jr. pelo livro Assassinato de Reputações. Tuma Jr. prometeu provar as acusações. E até hoje o processo não saiu.

 

É difícil dar certo – Petrobras

Ex-funcionário de empresa pretrolífera diz, em depoimento oficial na Holanda, que funcionários da Petrobras receberam para intermediar negócio, na gestão de José Sergio Gabrielli (Foto: Ag. Estado)

Ex-funcionário de empresa pretrolífera diz, em depoimento oficial na Holanda, que funcionários da Petrobras receberam para intermediar negócio, na gestão de José Sergio Gabrielli (Foto: Ag. Estado)

A notícia acaba de ser divulgada pelo Ministério Público holandês: em depoimento oficial, um ex-funcionário da SBM Offshore, locadora de plataformas petrolíferas, disse que a empresa pagou US$ 139 milhões, entre 2005 e 2011, a intermediários e funcionários da Petrobras, para obter encomendas (hoje, segundo o jornal Valor, os contratos somam US$ 23 bilhões).

A SBM é investigada não só na Holanda, mas também no Reino Unido e nos EUA, sempre por suborno. No período citado, o presidente da Petrobras era José Sérgio Gabrielli (2005 a 2012). Hoje, Gabrielli é secretário do Planejamento da Bahia, no Governo do petista Jaques Wagner.

A Petrobras informou que não vai comentar o assunto

07/08/2013

às 15:15 \ Política & Cia

SURPRESA NA BAHIA: Jaques Wagner escolhe candidato à sua sucessão — e NÃO é o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli

Rui Costa, secretário da Casa Civil, escolhido para sucessão de Jaques Wagner (Foto: Manu Dias / Jornal Grande Bahia)

Rui Costa, secretário da Casa Civil: é ele quem vai disputar a sucessão de Jaques Wagner (Foto: Manu Dias / Jornal Grande Bahia)

Surpresa, surpresa! O candidato tirado do bolso do colete pelo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), NÃO é o secretário de Planejamento, José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras durante sete anos, até o final de 2012, e responsável pela pesada herança que a atual presidente da estatal, Graça Foster, vem carregando.

Gabrielli, no cargo, fez de tudo para aparecer diante do eleitorado, sobretudo quando ameaçou publicamente, mal depois de assumir o cargo, o então prefeito eleito de Salvador, ACM Neto (DEM), adversário político do governador, de morrer à míngua por falta de recursos se não se submetesse à “liderança” e à “condução” do governo petista.

Também é titular de um programa de rádio supostamente “popular”.

Wagner, porém, preferiu escolher outro candidato, ex-sindicalista como ele, como vocês podem ver abaixo.

Nota de Otávio Cabral, publicada em edição impressa de VEJA

CANDIDATO DEFINIDO

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), escolheu o candidato à sua sucessão: será o secretário da Casa Civil, Rui Costa.

Também petista, Costa foi colega de Jaques no movimento sindical.

O governador deve se candidatar a deputado.

19/03/2013

às 14:00 \ Política & Cia

NOTÍCIAS DA PETROSSAURO: Em vez de construir no Brasil, como prometiam os lulopetistas, Petrobras cada vez mais aluga equipamentos no exterior

Plataforma da Petrobras: gastos com aluguel com empresas estrangeiras foram de 6,3 bilhões de dólares, referentes a 14 plataformas e 44 sondas (Foto: estadão.com.br)

Amigas e amigos do blog, sou defensor do livre mercado e acho que também os governos e as estatais devem se abastecer, comprar e encomendar onde é mais barato e mais conveniente.

Desde que o presidento Lula assumiu em 2003, porém, com a característica visão míope e nacionalistoide do lulopetismo, a Petrobras, maior empresa do país, passou a ser obrigada a fazer encomendas e compras de equipamentos no Brasil, ainda que por preços muito maiores ao do mercado internacional. Não importava que a indústria pesada do país, em certos setores, não fosse suficientemente competitiva: o objetivo era “criar empregos” a qualquer custo.

Assim sendo, a reportagem que reproduzo abaixo não significa uma “condenação” ao que a Petrobras vem fazendo, mas uma mostra de que, o mais possível por baixo dos panos, o lulopetismo dá um jeito de não cumprir as promessas demagógicas que fez.

Talvez porque a Petrobras, desde fevereiro do ano passado, tem uma presidente séria à sua frente, como Graça Foster, engenheira química de formação e executiva de carreira da empresa, e não mais o oportunista político José Sergio Gabrielli, encastelado no governo petista da Bahia como secretário do Planejamento, à espera de ser candidato à sucessão do governador Jaques Wagner.

Gabrielli tem um programa semanal de rádio, às quintas-feiras, transmitido para toda a Bahia, o “Encontro com Gabrielli” no qual, a pretexto de falar sobre temas econômicos, o ex-presidente da Petrobras se faz conhecer pelo eleitorado.

Observação importante: aluguel e afretamento não é lançado como dívida — portanto, o que a Petrobras vem fazendo se destina não só a agilizar operações, mas ajudar a melhorar seu balanço nada exuberante.

Por Sabrina Valle, do jornal O Estado de S.Paulo

Os limites para endividamento da Petrobras e a urgência de não atrasar a produção de petróleo têm feito a companhia alugar embarcações no exterior, em vez de construí-las no Brasil dentro de regras de conteúdo local.

Estaleiros investindo na retomada do setor naval brasileiro – há mais de uma dezena em construção – reclamam perda de encomendas de barcos de apoio e temem que o mesmo aconteça com sondas e plataformas, equipamentos ainda mais complexos.

“Estaleiros implantados para atender a essa demanda sofrem com a redução de encomendas e a perda de postos de trabalho já aparece nas estatísticas”, diz o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval (Sinaval), Ariovaldo Rocha.

Gastos com aluguel de embarcações de bandeira estrangeira subiram de 2 bilhões de dólares, em 2011, para 3 bilhões, em 2012, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Plataformas e sondas também estão sendo alugadas em ritmo crescente

Rocha diz que há cerca de dois anos ocorreu uma mudança na prática da Petrobras em relação a barcos de apoio, com aumento do afretamento no exterior, o que segundo ele contraria a política de conteúdo local. A Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam) diz que, de uma frota total de 414 embarcações de apoio marítimo, 188 têm bandeira brasileira e 226, estrangeira.

O Sinaval diz que, proporcionalmente, a construção local de plataformas ainda é forte no Brasil. Mas computa que o aluguel com empresas estrangeiras já somou, em 2012, 6,3 bilhões de dólares para 14 plataformas e 44 sondas. A europeia SBM e a japonesa Modec concentram os contratos.

Segundo fontes do setor, a Petrobras já negocia afretar mais duas grandes plataformas flutuantes (alfa e beta, para 120 mil barris de óleo/dia) para o pré-sal da Bacia de Santos com a SBM. Elas seriam realocadas à área da cessão onerosa, onde a Petrobras poderá explorar até 5 bilhões de barris de petróleo.

Segundo as fontes, a estatal poderia estender a opção pelo afretamento às cinco megaplataformas flutuantes que ainda precisará empregar na área da cessão onerosa. A Petrobras diz que “não decidiu afretar FPSOs (plataformas ) para utilização na cessão onerosa”.

(…)

Estatal afirma que cumprirá exigência de conteúdo local

De O Estado de S. Paulo

A Petrobras reafirmou ao Estadão que cumprirá integralmente com o conteúdo local requerido em todas as suas atividades.

Em resposta ao questionamento, a companhia disse que tem capacidade financeira para executar todos os projetos garantidos em seu plano de negócios, inclusive para as embarcações ainda não contratadas. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

20/02/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Aloysio Nunes: “Se quisermos saber como arrebentar uma empresa [como a Petrobras], é preciso recorrer às lições do PT”

Aloysio: governo entregou a gestão da Petrobras a partidos políticos e facções sindicais (Foto: Agência Senado)

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) voltou a criticar ontem a atuação do governo petista à frente da Petrobras. Segundo o senador, a “situação dramática” da empresa foi novamente posta em evidência com reportagem na última edição da revista Exame.

Para Aloysio, o PT promoveu uma “privatização disfarçada” da companhia ao entregar a gestão da estatal a partidos políticos e facções sindicais.

— Se quisermos saber como arrebentar com uma empresa, é preciso recorrer às lições do PT. Há grandes professores, a começar por Lula, passando pela Dilma Rousseff, pela atual presidente [da empresa], Graça Foster, e pelo principal artífice de destruição, o senhor José Sergio Gabrielli [ex-presidente da Petrobras] — afirmou.

Os indicadores da petrolífera, disse, só pioram desde a descoberta do pré-sal. Ele citou queda de 36% no lucro e de 2% na produção em 2012.

 

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