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José Antonio Dias Toffoli

08/10/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Um chuveiro para o ministro

Pedido de juiz é ordem... Mas ninguém sabia como proceder quando Dias Toffoli pediu que um chuveiro fosse instalado em seu gabinete (Ilustração: Paffaro)

Pedido de juiz é ordem… Mas ninguém sabia como proceder quando Dias Toffoli pediu que um chuveiro fosse instalado em seu gabinete (Ilustração: Paffaro)

PARA REFRESCAR

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

No embalo dos preparativos para o primeiro turno das eleições, funcionários do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) receberam um pedido inusitado do presidente da corte, José Antonio Dias Toffoli. O ministro incumbiu os assessores de verificar a possibilidade de colocar um chuveiro em seu gabinete.

Pedido de juiz costuma ser entendido como ordem. Mas havia um problema. Oscar Niemeyer, autor do projeto arquitetônico do TSE, previu um banheiro exclusivo para cada um dos sete ministros, mas não pensou na possibilidade de alguém precisar tomar um banho entre uma sessão e outra.

Para driblar as dificuldades técnicas e evitar os transtornos que uma obra provoca, a solução encontrada pelos funcionários foi instalar no banheiro um boxe pré-moldado — com o chuveiro embutido.

21/09/2014

às 15:30 \ Política & Cia

URNAS ELETRÔNICAS: Existe o direito de fiscalização, mas são poucos os que o exercem

(Ilustração: Mudancaemfoco.org)

Urnas eletrônicas: divergências a respeito da confiabilidade do sistema (Ilustração: Mudancaemfoco.org)

FISCALIZAÇÃO DOS PROGRAMAS NAS ELEIÇÕES DE 2014

Artigo de Pedro Antonio Dourado de Rezende* publicado no Observatório da Imprensa

Durante a recente cerimônia de compilação, assinatura e lacração dos programas do sistema eletrônico de votação do TSE para a eleição de outubro próximo, realizada na tarde de 5 de setembro na sede do Tribunal em Brasília, seu presidente declarou à Agência Brasileira de Notícias que “a grande prova da garantia da urna eletrônica se mostra pela quantidade de partidos políticos aqui presentes”.

Apenas o PDT e o PCdoB haviam enviado representantes para participar daquela cerimônia, levando o presidente do Tribunal, ministro Dias Toffoli, a avaliar o motivo dessa pouca representatividade concluindo, na mesma declaração, que “a confiabilidade do sistema é tão grande que não há divergências a esse respeito”.

Data vênia o ministro, é preciso deixar registrado que os representantes do PDT, historicamente o partido político que mais tem se preocupado com os rumos da informatização do processo de votação no Brasil, não avalizam tal conclusão. Se não há divergências aparentes quanto ao sistema que será usado na eleição de 2014, é porque as questões levantadas por esta representação naquela mesma cerimônia, através de petição protocolada na ocasião, ainda não foram satisfatoriamente respondidas pelas autoridades eleitorais.

Direito restrito

O PDT foi a única instituição externa que exerceu, formalmente para esta eleição, o direito de fiscalização assegurado no art. 66 da Lei 9.504/97, cadastrando e enviando técnicos ao TSE para examinar o código fonte dos programas do sistema de votação.

Nessa fiscalização, foram encontrados artefatos cuja ocorrência no código examinado causaram espécie a esses técnicos, que pela gravidade das potenciais consequências os relataram por meio da petição TSE nº 23.891, dirigida ao presidente do TSE, com uma cópia encaminhada ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), instituição que representa profissionalmente a advogada do PDT que assinou a petição, Dra. Maria Aparecida Cortiz.

A Dra. Cortiz faz parte da equipe de fiscalização do PDT há mais de dez anos. Foi ela quem descobriu, fiscalizando a eleição de 2012, que é possível que um programa espúrio, não oriundo de tal cerimônia – na qual todos os programas oficiais do sistema de votação devem ser compilados, digitalmente assinados e “lacrados” no TSE –, apareça em urnas oficiais usadas na eleição, tendo passado pela verificação das assinaturas digitais como programa legítimo, durante a também cerimoniosa etapa local de preparação dessas urnas.

*Pedro Antonio Dourado de Rezende é professor no Departamento de Ciência da Com­putação da Universidade de Brasília, membro do Conselho do Ins­tituto Brasileiro de Política e Direito de In­formática, ex-membro do Conselho da Fundação Softwa­re Livre América Latina e do Comitê Gestor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-BR)

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27/02/2014

às 19:01 \ Política & Cia

MENSALÃO: Vejam ao ponto em que chegamos: sem a pena por formação de quadrilha, graúdos petistas devem ser soltos este ano

NA RUA – Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e condenado no processo do mensalão, deixa o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), para trabalhar na CUT nacional (fOTO: Sérgio Lima / Folhapress)

NA RUA – Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e condenado no processo do mensalão, deixa o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), para trabalhar na CUT nacional (fOTO: Sérgio Lima / Folhapress)

Reportagem de Laryssa Borges, de Brasília, publicada em edição impressa de VEJA

SEM PENA POR QUADRILHA, PETISTAS DEVEM SER SOLTOS ESTE ANO

Absolvidos do crime de quadrilha, Dirceu, Genoino e Delúbio podem passar ainda em 2014 a cumprir sentença por corrupção em regime aberto e logo em prisão domiciliar

A “tarde triste para o Supremo Tribunal Federal”, como o presidente da corte, Joaquim Barbosa, descreveu a sessão desta quinta-feira que livrou oito mensaleiros das penas por formação de quadrilha, terá impacto direto no tempo que os ex-dirigentes do PT Delúbio Soares e José Genoino, além do comandante do esquema de corrupção, José Dirceu, passarão encarcerados.

Absolvidos do crime de quadrilha, os petistas agora só cumprirão as penas por corrupção ativa, cada uma delas com suas peculiaridades e ocorrências. Com isso, Genoino e Delúbio, este inicialmente condenado a regime fechado, migrarão até o final do ano para o regime aberto.

No caso de Dirceu, que recebeu a maior pena dos três, a progressão de regime ocorrerá em 12 de março de 2015, mas é possível que esse prazo seja antecipado para 2014, já que a leitura em série de livros, a frequência em cursos e a possível liberação para trabalho fora do Complexo Penitenciário da Papuda reduzem o tempo de pena.

Pelos cálculos da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, a progressão de regime para Genoino poderá ocorrer a partir do dia 25 de agosto. No caso de Delúbio, a data para migração de regime é 25 de dezembro.

Atualmente, a rotina de Delúbio e Genoino já é bem diferente da realidade de outros detentos e mesmo daquela traçada pelo Supremo na data da condenação. Genoino cumpre pena em regime domiciliar provisório por causa de problemas de saúde – o STF ainda vai deliberar em definitivo sobre esse benefício.

Já o ex-tesoureiro do PT, que poderia estar encarcerado em regime fechado, apenas dorme no Centro de Progressão Penal (CPP): foi liberado para dar expediente durante o dia na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e tem regalias, como direito a feijoada aos finais de semana.

De acordo com o Tribunal de Justiça do DF, no regime aberto o apenado deve trabalhar durante o dia e se recolher à noite em uma Casa do Albergado.

[ATENTEM PARA ESTE TRECHO]

Decisões judiciais, porém, permitem que, diante da escassez desses estabelecimentos específicos, o condenado passe a cumprir a pena em regime domiciliar e obedecer a algumas determinações judiciais, como permanecer em suas residências diariamente a partir das 21 horas, comparecer a uma audiência judicial uma vez por bimestre, e pedir autorização judicial para viagens.

Os publicitários Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz e os ex-banqueiros e Kátia Rabello e José Roberto Salgado também foram beneficiados pela decisão do tribunal desta quinta. Mas, como haviam recebido penas mais elevadas, continuam em regime fechado de prisão.

Tarde triste

Ao final da sessão plenária que absolveu os réus da condenação por formação de quadrilha, Joaquim Barbosa afirmou que alguns votos proferidos para inocentar os mensaleiros foram redigidos “sob medida”, com “argumentos espantosos” e “cálculos aritméticos”.

O recado tinha destinatários certos: os ministros novatos Luís Roberto Barroso, que nesta quarta-feira havia apresentado uma espécie de “tabela matemática” para defender que as penas estavam “desproporcionais”, e Teori Zavascki, que desconstruiu a quadrilha do mensalão, afirmando não ser “verossímil” que os condenados tivessem se associado permanentemente para cometer crimes.

Para Joaquim Barbosa, as interpretações de Barroso e Zavascki, aliadas aos conhecidos votos de Ricardo Lewandowski, José Antonio Dias Toffoli, Rosa Weber e Cármen Lúcia, levaram a “uma maioria de circunstância formada sob medida para lançar por terra todo o trabalho primoroso levado a cabo por esta Corte no segundo semestre de 2012”.

“Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo. Essa maioria de circunstância tem todo o tempo a seu favor para continuar na sua sanha reformadora”, afirmou Barbosa. “Esta é uma tarde triste para este STF porque, com argumentos pífios, foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012”, lamentou o presidente do Supremo.

Apesar da derrota já consolidada, mais uma vez coube ao decano do tribunal, Celso de Mello, desconstruir a tese de que o mensalão não teria passado de uma “farsa”. “Esse processo, ao contrário do que se afirmou, tornou claro que os membros da quadrilha, reunidos em uma verdadeira empresa criminosa que se apoderou do governo, agiram como dolo de planejamento, divisão de trabalho e organicidade, uma sofisticada organização criminosa”, disse Mello.

“O julgamento foi plenamente legítimo e solidamente estruturado em provas lícitas, válidas e produzidas sob a égide do contraditório. A maior farsa da história política brasileira residiu nos comportamentos moralmente desprezíveis, cinicamente transgressores da ética republicana e juridicamente desrespeitadores das leis criminais do país, comportamentos perpetrados por delinquentes agora condenados, travestidos da então condição de altos dirigentes governamentais, políticos e partidários, cuja atuação dissimulou e ludibriou acintosamente o corpo eleitoral, fraudou despudoradamente os cidadãos dignos do país, quando na realidade buscavam, por meio escusos e ilícitos, por meio de condutas criminosas, articular, corromper o exercício do poder e ultrajar a dignidade das instituições republicanas”, completou Celso de Mello.

 

Lavagem de dinheiro

O plenário do Supremo ainda precisa concluir a votação dos últimos três recursos dos mensaleiros. São os embargos infringentes apresentados pelo ex-deputado João Paulo Cunha (PT-SP), o ex-assessor do PP João Cláudio Genu e o ex-sócio da corretora Bônus-Banval, Breno Fischberg. Eles foram condenados por lavagem de dinheiro.

 

LEIAM TAMBÉM:

TAL QUAL O LULOPETISMO QUERIA: Com dois ministros designados após o início do julgamento do mensalão, o Supremo acaba livrando Dirceu, Delúbio e Genoino do crime de quadrilha — e, portanto, da cadeia em regime fechado

MENSALÃO: Há ministros que estão no Supremo para julgar. Outros, estão lá especificamente para absolver

Confira, passo a passo, a sessão do Supremo

26/02/2014

às 21:16 \ Política & Cia

MENSALÃO: Barroso abre caminho para reduzir pena de mensaleiros

O ministro Luís Barroso durante análise dos recursos apresentados pelos condenados no mensalão (Foto: Gervásio Baptista / STF)

O ministro Luís Barroso durante análise dos recursos apresentados pelos condenados no mensalão (Foto: Gervásio Baptista / STF)

Reportagem de Laryssa Borges, de Brasília, publicada no site de VEJA

BARROSO ABRE CAMINHO PARA REDUZIR PENA DE MENSALEIROS

Ministro protagonizou duro embate com o presidente do STF, Joaquim Barbosa, na análise dos recursos. Placar ficou em 4 a 1 a favor dos condenados

Como esperado, o ministro Luís Roberto Barroso, mais novo integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), livrou nesta quarta-feira, ao votar na reta final do julgamento do mensalão, os oito mensaleiros condenados por formação de quadrilha, entre eles o ex-ministro José Dirceu, os petistas Delúbio Soares e José Genoino e o próprio operador da trama criminosa, Marcos Valério.

A surpresa foi a maneira como o fez. Em vez de apenas acompanhar as teses de ministros que haviam absolvido o mensaleiros nesse ponto específico na fase anterior do julgamento – com argumentos ponderáveis, como a insuficiência de provas ou a ideia de que não houve formação de quadrilha, mas apenas concurso de pessoas para a realização de crimes – ele se lançou numa empoladíssima argumentação que parece ter pego até mesmo os colegas de tribunal de surpresa.

Confira como foi, passo a passo, a sessão do STF

No julgamento desta quarta-feira, Barroso acusou a Corte de ter definido altas penas para os quadrilheiros apenas para evitar a prescrição do crime e garantir maior tempo dos culpados atrás das grades. “Considero que houve uma exacerbação inconsistente das penas aplicadas no crime de quadrilha, com a adoção de critério inteiramente discrepante do princípio da razoabilidade e proporcionalidade. A causa da discrepância foi o impulso de superar a prescrição do crime de quadrilha”, disse.

Depois disso, Barroso inovou. Alegou que as penas base de quadrilha foram majoradas em média em 75%, ao passo que as penas base dos outros crimes foram aumentadas em patamar muito menor. Barroso disse que a corte estava proibida de fazer isso – embora não exista nenhuma norma legal que o diga, e ainda que as penas ficassem dentro dos parâmetros do Código Penal – porque isso criava uma desproporcionalidade na punição que viciava todo o processo.

Ao final da sessão, Luís Roberto Barroso admitiu que não há previsão em lei sobre os métodos utilizados por ele para estabelecer um limite aceitável para as penas dos condenados. Mas justificou: “A lei não traz tabelas. O fundamento legal é que todo o direito se move sobre um princípio subjacente a todas as normas, é o princípio da proporcionalidade, que é uma adequação entre o meio e o fim, entre a quantidade e o resultado. Eu fiz exatamente o que eu achava que tinha que fazer. Tive a benção de fazer o que queria fazer do modo que eu queria fazer. Se isso contraria interesses ou pontos de vista é inevitável”, completou.

O raciocínio de Barroso tirou do sério o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa. Ele disse que o colega de toga julgava sem amparo nenhum na técnica – e portanto fazia um discurso político travestido de argumentação. “Em que dispositivo do Código Penal estão esses parâmetros tarifários? Onde está no Código Penal dito que o juiz tem que, em determinada situação, aplicar aumento de 20%, 30%, 40%, já que Vossa Excelência acha que houve um exagero, um absurdo?”, questionou o presidente.

Como tantas outras vezes, pecou na forma, mas não no conteúdo. Outros ministros ficaram desconcertados com a argumentação de Barroso. Carmen Lúcia pediu que Barroso explicasse melhor suas intenções com a arguição de prescrição, e Marco Aurélio também levantou objeções.

Ao final da sessão plenária, Barroso aceitou que seu voto fosse registrado como de absolvição dos oito réus anteriormente condenados por quadrilha. Depois de gastar horas da corte com sua argumentação emplumada e um tanto abstrusa, concordou em fazer o arroz com feijão e absolver os réus, como já se esperava dele.

No momento do embate mais duro entre Joaquim Barbosa e Luís Roberto Barroso, o relator dos embargos infringentes, Luiz Fux, não se manifestou. Também como esperado, o juiz, que ao longo do julgamento de mérito do mensalão, havia seguido o entendimento de Barbosa na maior parte das vezes, votou por manter todas as condenações dos quadrilheiros. Pelo voto de Fux, a pena final de José Dirceu, por exemplo, ficaria em dez anos e dez meses de reclusão, o que o obrigaria a cumprir a sanção em regime fechado.

Lampião

Ao longo do julgamento de mérito da ação penal, em 2012, os ministros Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e José Antonio Dias Toffoli consideraram que, para existir uma quadrilha, era necessário que os criminosos atuassem para a prática de crimes “por um tempo indeterminado” e que representassem ameaça à paz pública. Eles chegaram a citar o temor que uma quadrilha clássica, como o bando do cangaceiro Lampião, trazia às regiões por que passava.

Fux resgatou o exemplo de Lampião na sessão desta quarta e alegou que, mesmo em uma quadrilha, seus integrantes não precisariam viver exclusivamente do crime. “A criminalização da quadrilha tem um aspecto preventivo e para que não possa praticar outros delitos. A configuração do crime de quadrilha independe da efetiva prática de crimes de seus associados. Ela timbra sua existência para mera articulação de seus desígnios”, explicou o ministro.

O julgamento será retomado nesta quinta-feira às 10 horas da manhã. Com o entendimento de Barroso, somado aos votos de absolvição proferidos por outros quatro magistrados – Rosa Weber, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e José Antonio Dias Toffoli – no julgamento de mérito da ação penal, é dado como praticamente certo que a condenação dos quadrilheiros será revista.

Isso porque o ministro Teori Zavascki, que votará nesta quinta-feira pela manhã, já havia afirmado, quando o plenário julgava embargos de declaração do mensalão, que considerava desproporcionais as penas aos mensaleiros.

A revisão das sanções por Zavascki inevitavelmente beneficiará os políticos e empresários condenados no maior escândalo político do governo Lula.

21/09/2013

às 19:04 \ Política & Cia

Neil Ferreira, depois da “Sexta-Feira Negra” no Supremo (que caiu numa quarta-feira), lança a candidatura “de FHC e Joaquinzão” para 2014

FHC pousado numa das jabuticabeiras carregadas do meu jardim, com toda elegância (Foto: Ju)

"FHC segura Joaquinzão no bico, em uma das jabuticabeiras carregadas do meu jardim, com toda elegância" (Foto: Ju)

Por Neil celsodemellou geral  Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

LULA, AO SABER QUE O MINISTRO FUX FOI SORTEADO RELATOR: “NÓIS SIFUX”

Eles se fuxaram e eu mando minha bola pra frente:

Na foto, meus candidatos FHC e Joaquinzão

(Antes Scripto) Como todo mundo está José Serra (careca) de saber, o Ministro Celso de Mellou e votou pela Afundação da República, um ano depois do seu voto histórico, que está na minha parede, considerado o da Refundação da República.

Não fez na entrada, fez na saída. Desculpe a linguagem chula, não consigo expor com finesse a frustração que sinto com essa situação chula.

“Sexta- Feira Negra” tem sido o dia das grandes liquidações das lojas de varejo, para esvaziar suas prateleiras das mercadorias com prazos de validade quase vencidos, portanto desvalorizadas. Same here.

Hoje, olhando pra Quarta-Feira, vejo nela a “Sexta-Feira Negra” em que passamos a viver, quando tivemos a certeza do que já desconfiávamos:  para os poderosos não há punição.

Os 6 a 5 mostram que ainda há 5 a nos dar a esperança que perdi; mas 6 a 5 ou 11 a 0 são a mesma coisa. O que mais posso acrescentar ao que já foi dito pelo editor deste blog, quando definiu esta sexta-feira como “Sexta- Feira Negra” num e-mail que me enviou, depois de mostrar num texto primoroso o seu e o nosso luto ?

“Ainda nos resta Paris”, disse Bogart à Bergman; vou. Mas vou de B.A., com escala em Londres pra depois seguir de trem de alta velocidade, sob o Canal da Mancha. Ou de KLM, fazendo um pit-stop em Amsterdan. De TAM, nem pensar; 11 horas à base de barrinha de cereais murchos e água morna são um castigo demasiado pra quem já é castigado o suficiente.

Neil Ferreira

Neil Ferreira

Se eu pudesse, entraria com um Embargo Infringente contra o voto do Mellou a favor dos Embargos Infringentes.

Vamos infringir geral já que lavaram a cara do Dirceu, do João Paulo Cinquenta Conto Cunha, do Nosso Delúbio e do Genoíno o Coitadinho, agora de caras limpas.

Agora é tarde, Inês é morta, não adianta chorar. A Inês sempre morre antes do começo, no momento exato do “agora é tarde”. De luto por ela, chuto a bola pra frente; todos nós temos 2014 pra lutar.

Peço ao Reynaldo BH licença para somar o meu ao brilhante desabafo dele, publicado no blog do Augusto Nunes (NF).

O título é imenso, a abertura é maior ainda; tenho certeza de que os leitores do blog identificaram de cara o estilo do Reinaldo Azevedo, que imitei sem pedir licença.

Lulla, que não abre a boca nem pra falar “Rosegate”, escancarou-a pra lançar perdigotos e espalhar o bafo com esta barbaridade: “O Estado de Sumpolo num pode ficá pur conta de um bicho de bico grande e voo curto”. Pode e vai ficar.

Num ato falho, sua consciência culpada teria nos aberto um fio de esperança: ao saber que o Ministro Fux foi sorteado para ser o relator dos novo julgamento da Quadrilha do Mensalão, disse “Nóis sifux”. Si fuxaram.

Eu escancaro a minha boca pra apresentar aqui os meus candidatos, recebi sinais do céu escritos nas árvores. Os meus candidatos são FHC e Joaquinzão, pousados numa das jabuticabeiras carregadas do meu jardim, com toda elegância.

FHC lindamente emplumado, leva Joaquinzão no bico, fotografados na foto que não me deixa mentir; os dois em pessoa, sem o photoshop da Miss Piggy pra te enganar.

Levar no bico, please, não é levar na conversa; ninguém leva Joaquinzão na conversa. Lewandô tentou o quanto pode; seu office-capa, o Capinha Preta Dias Toffoli, suou a Capinha de tanto tentar obedecer às ordens do Lewandô pra engambelar o Jaquinzão.

Tá certo que eles levaram os Embargos Infringentes por 6 a 5, o gol do desempate marcado às 2 horas, 5 minutos e 1 segundo do jogo, tempo registrado pelo Augusto Nunes.

As expressões do Lewandô e do Dias Toffoli eram as que registro no meu corintiano de estimação quando joga até cara ou coroa comigo: pra eles ele vale gol de mão, impedido, aos 68 do segundo tempo. O gol do Celso de Mellou foi assim, não sei se foi roubado, não foi; mas foi.

Teve na maior parte do tempo as duas cabrinhas Capinhas Pretinhas como cúmplices leais. Rezingou, altercou, resmungou e de nada adiantou; exigiu desculpas e menos adiantou.

Tenho um jardim plantado com frutinhas de todas as estações (só temos duas estações, a poluída e a mais poluída) que servem de bandejão para os passarinhos e macaquinhos, que passam aos bandos fugindo das motosserras assustadoras; meu bairro é devastado à velocidade de uma Amazônia por semana.

Há fregueses habituais; os macaquinhos aparecem em bandinhos cada vez maiores, uns trombadinhas, tudo maninho dimenor, comem na minha mão bananas descascadas e partidas em pequenos pedaços, pra caberem nas mãozinhas deles, delicadas e geladinhas.

"O gol do Celso de Mellou foi assim, não sei se foi roubado, não foi; mas foi. Teve na maior parte do tempo as duas cabrinhas Capinhas Pretinhas (Lewando e Dias Toffoli) como cúmplices leais" (Foto: STF)

"O gol do Celso de Mellou foi assim, não sei se foi roubado, não foi; mas foi. Teve na maior parte do tempo as duas cabrinhas Capinhas Pretinhas (Lewandô e Dias Toffoli) como cúmplices leais" (Foto: STF)

Os jacus que parecem umas galinhonas, comem maçãs, aprendi. Os papagaios com ninho num tronco de palmeira abatido por um raio, me acordam às 5h30 ou 6 da manhã; a algazarra pra mim é puro Mozart.

Ok, não sou lá essas coisas em Mozart, falei por granfininsmo; equivalem aos Stones, com esses sou mais familiarizado, quem gosta de “She’s a Rainbow” como eu, gosta da canção mais bela dos anos 70 (Jagger e Richards, tenho a gravação de 1972).

Não tenho coragem de cortar esse tronco. Se cortá-lo vou criar uma categoria nova, a dos Papagaios Sem Ninhos; não vou contribuir pro fortalecimento da esquerda cantante, vai que tem lá um Papagaio Stédeli, repetindo as palavras de ordem do Foro de Sumpolo.

FHC tem bicão pra bicar a eleição de 2014, se tiver o juízo de concorrer e com Joaquinzão de vice. Não sei como fazer pra conseguirmos isso, talvez você saiba; fale, num deixa quieto.

A necessidade das suas candidaturas é um caso de segurança nacional. Os dois, soma de um mais um, somam quatro – o todo é maior do que a soma das partes. São os Beatles da política, sabem disso, não são os Dois Patetas.

Minha filha estava de câmera na mão e só uma única ideia na cabeça: a bebezinha que tem dentro dela, mais uma netinha pra mim.

Ela viu o momento chegar batendo asas, que parecem desajeitadas; não sei como tucano voa, não sei como besouro voa, não sei como avião voa.

FHC pousou na jabuticabeira carregada. As patinhas agarradas firmezinhas num galho, o bicão faz um safári entre as folhas, reaparece com o Joaquinzão escolhido a bico no bicão; a foto pedindo pra ser tirada agora.

Valeu o dia de intenso calor e a espera de que algo de sobrenatural houvesse. Houve.

Obediente ao mantra de Cartier Bresson, “Vale mais o momento do que a técnica”, por mim a ela transmitido quase como uma oração ao Nosso Senhor dos Fotógrafos, aguardou o momento com paciência zen.

De Anjo da Guarda, David Seymour, o “cabeça de melão”, famoso fotógrafo de várias guerras e morto em uma delas, co-fundador da Agência Magnum, brindando a todos com Champagne Crystal, como na vida inteira.

  "Pode ser a vez do Aécim, concordo mas discordo; pra mim não é. Aécim é jovem e pode esperar mais um tiquim" (Foto: Ag. Senado)

"Pode ser a vez do Aécim, concordo mas discordo; pra mim não é. Aécim é jovem e pode esperar mais um tiquim (...) A chapa fictícia passou a ser a minha realidade, FHC e Joaquinzão" (Foto: Ag. Senado)

Minha filha procurou o ângulo e tentou compensar a luz. Há grande dificuldade em conseguir registrar as cores do FHC contra um fundo de pequenas folhas verdes, com o Joaquinzão sustentado cuidadosamente, quase amorosamente pelo bicão do bicudo. O resultado está aqui, não vou oferecer ao PSDB, não vão entender, se entenderem não merecem.

A chapa fictícia passou a ser a minha realidade, FHC e Joaquinzão. Vamos ter que engolir alianças espúrias em troca do tempo na TV? Isso é coisa de profissa, somos amadores, há algum jeito pra quem tem vergonha na cara concorrer, o jeito é achar. Serjão, baixe daí e nos ilumine.

Pode ser a vez do Aécim, concordo mas discordo; pra mim não é. Aécim é jovem e pode esperar mais um tiquim. Vamos entrar pra ganhar.

Quem sabe faz a hora: Seu voto sua arma, atire para matar.

14/09/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: Sexta-Feira 13 — 5 a 5 pra nós

"Escrevi na quarta crente que hoje Darth Vader, o Lado Afrodescendente da Força, baba de satisfação" (Foto: divulgação).

"Empatamos com o Lado Afrodescendente da Força, Darth Vader treme de medo dentro da sua armadura" (Foto: divulgação).

Por Neil vibrando Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

 SEXTA-FEIRA 13: O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA

Esta 6ª Feira 13 é o grande dia do Massacre da Serra Elétrica pra eles. Chegamos nos 5 a 5, com uma jogada celestial do Marco Aurélio e goool !!! Se na 4ª feira que vem o Ministro Celso Mello for o que sempre foi e der 6 a 5 pra nós, vou soltar foguete, por ver o Dirceu Janson em cana.

Neil Ferreira

Neil Ferreira

Foi uma Sexta-Feira 13 com o Dirceu Jason massacrado por essa serra elétrica que é a Djanga das serras elétricas – não perdoa, mata.

O Ministro Gilmar Mendes deu voto firme, duro,  contra a aceitação dos embargos infringentes. Carmem Lúcia pra minha surpresa votou com a gente. A contagem ia pau a pau, chegou aos 5 a 4 pra eles, o técnico mandou o Marco Aurélio Mello entrar no jogo, my God.

Irônico, vestiu  toga de Garrincha e ficou zanzando por aqui e ali como o Barcelona, valorizando a posse da bola como dizem os especialistas.

Apavorado, e se sai 6 a 4, roí azunha até o cotovelo, zóio pregado na tv, levei tremendo susto, Marco Aurélio todo cheio de datas vênias e salamaleques, ficou virado, abriu o embornal, tirou as ferramentas e jogou pesado.

Chamou Barroso O Vaidoso de “Novato” e ali reencontrei o Juiz que, ao tomar posse como Presidente do STE, fez o famoso discurso denunciando “O País do Faz de Conta”.

Sobrou pro Celso Mello desempatar, aqui em casa até as casinhas dos cachorros estão cobertas de sal grosso, amém Jesus todos nós. Empatamos  com o Lado Afrodescendente da Força, Darth Vader treme de medo dentro da sua armadura.

Vi os comentários do Celso Mello ao voto do Barroso O Garboso, pareciam  de apoio  à tese do Barroso O Belo.  O primeiro voto de Mello no julgamento do mensalão foi saudado como a Refundação da República; está num quadro na parede do meu home office.

Conforme seu voto da próxima  4ª feira, eu o saudarei como o da Afundação da República – ele pode livrar a cara dos Mensaleiros. Sras. e Srs. Passageiros apertem os cintos, tá tudo dominado.

Na minha coluna da sexta-feira passada farejei que a Gangue dos Quatro ou Cinco ou Seis, preparava água quente, toalha morna, sabonete e lavanda pra lavar a cara do Dirceu Jason. Adivinhação? Mas que nada; observação. Acertei nas varejeiras. Dirceu Jason tá suando frio de medo, mas treina mostrar a cara lavada da lavagem.  Empatou de 5 a 5, é fogo no boné do guarda.

Sei lá quantas mãos afoitas fizeram a lavagem, foram mais do que as regimentares do puxassaquismo; lavagem na minha cidadezinha é  comida de porco. A secagem, feita com batidinhas de mãos carinhosas e perfumadas de talquinho Johnson’s bom para o bebê bom para você, que enrubescem as faces como bumbum de nenê.

Os foguetes que encheram  o aquilo da vizinhança e o meu,  me deixam triste com a crônica do resultdo anunciado. Linguagem chula, reconheço e peço desculpa; o resultado também foi chulo.

A banca dos advogados de defesa nem se emocionou com os votos favoráveis do Barroso O Glostorado e do Teori, eram esperados.Quase houve aplausos quando a Weber votou, se entregando ao Dirceu Jason. Ela é deles, nunca me enganou.

Se isso der onde to esperando,o  Chefe da Quadrilha sai lindo leve e solto. Dirceu Jason não pega cana fechada e nós aqui chorando as pitangas.

Terá direito a novo julgamento que vai durar até o fim da sua vida (como Jason, não morre nunca, sempre tem mais um novo filme nas telas) fica por aí ensanguentando com a Serra Elétrica quem tem vergonha na cara, como eu e você.

Falô bróder, escreve aí os nomes das rosas: Barroso, Teori, Weber, Melandowsky, Dias Toffoli, esses já votaram com os votos ditados por Melandowsky que os teria recebido ditados pelo ex Thomaz Bastos.

Dirceu Jason vai ter um filme feito por conta dos trouxas aqui, pago com dinheiro público, com o “working title” “O Homem mais perseguido do Brasil”, ou qualquer besteira semelhante, produzido e dirigido por uma Tatá não sei das quantas, ou qualquer besteira semelhante, mais uma barretona poderosa  em levantar grana pela Lei Rouanet.

Estava ouvindo o Raulzito enquanto digitava isto aqui, sugiro ouvir o Raulzito em vez de ler isto aqui. No meu ecletismo ambulanto, lembrei daquele baixinho que foi pego em flagranto delictum,  tentando roubar do Raulzitórum Declarantibus a declaração “Sou Metamorfose Ambulante”, traduzida para a Novilíngua como “Sô Metamorfoso Ambulanto”.

"FHC tirou retrato com o fardão da Academia Brasileira de Letras. Lula de chapéu do MST tá rolando de inveja" (Foto: Daniel Ramalho)

"FHC tirou retrato com o fardão da Academia Brasileira de Letras. Lula de chapéu do MST tá rolando de inveja" (Foto: Daniel Ramalho)

Torço o nariz quando requerem parceria para Paulo Coelho em obras-primas como “Eu nasci há Dez Mil Anos Atrás”, “Anarkilopolis (Cowboy) Fora da Lei”, “Murugando”, “Rodoviária”.

Na Bahia, o MST tem uma Secretaria de Estado com todas as mordomias e mesmo assim comanda quebra-quebra fantasiado  de camisas e chapéus vermelhos.

Os  mesmos chapeus que Lula candidato vestiu pra tirar retrato. FHC tirou retrato com o fardão da Academia Brasileira de Letras. Lula de chapéu do MST tá rolando no chão de inveja.

O personagem “Lincoln” do filme do Spielberg disse: “Meus discursos são longos porque sou preguiçoso; começo a escrever e tenho preguiça de parar”. Same here.

17/06/2013

às 10:07 \ Disseram

José Antônio Dias Toffoli, sobre férias de 2 meses para trabalhadores: “Estou falando sério.”

“Estou falando sério.”

José Antônio Dias Toffoli, ministro do STF, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, defendendo dois meses de férias para os trabalhadores

11/06/2013

às 17:31 \ Política & Cia

MENSALÃO: Entrevista concedida por Toffoli sugere uma República de bananas, com uma Justiça de opereta

José Antonio Dias Toffoli (Foto: Fellipe Sampaio / STF)

O ministro do STF José Antonio Dias Toffoli: entrevista de conteúdo altamente problemático, como a de alguém que gostaria de ver o julgamento do mensalão se estender tanto quanto possível (Foto: Fellipe Sampaio / STF)

Há certamente quem tenha achado “natural” a entrevista concedida à Folha de S. Paulo e ao portao UOL pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Em vários países civilizados, não é absolutamente natural juiz de suprema corte dar entrevistas, mas, como se sabe, “neztepaiz” as coisas são sempre diferentes.

Mas suponhamos que tenha sido natural o ato em si de conceder a entrevista. Afinal, ministros do Supremo, nos últimos 20 ou 30 anos, adquiriram esse hábito que causaria profunda estranheza, para não dizer horror, em muitas das figuras extraordinárias que já passaram pelo Supremo em seus quase 124 anos de existência sob a República.

É altamente problemático, porém, o conteúdo da entrevista do ministro de currículo mais pobre da história do tribunal (confira aqui).

Como é possível que um ministro do Supremo comente um processo sub judice na Corte — um anátema entre magistrados –, da forma que fez durante boa parte da entrevista em relação ao caso do mensalão?

Muito mais grave do que isso: como é admissível que um ministro do Supremo que participou e ainda participa do processo diga que o principal réu, aquele que o Ministério Público denominou de “chefe da quadrilha” — o ex-ministro José Dirceu — foi condenado à cadeia sem provas?

Como é cabível que um ministro, ao afirmar isso — a respeito, repito, de um processo sub judice, ou seja, QUE ESTÁ AINDA SENDO JULGADO, pois falta o exame dos embargos –, indireta e implicitamente critique, ataque, desmoralize os colegas que condenaram Dirceu?

Mensaleiros José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha (Fotos: veja.abril.com.br)

Os mensaleiros José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha, todos condenados por diferentes crimes pelo Supremo Tribunal Federal (Fotos: veja.abril.com.br)

Aliás, como é imaginável que Toffoli, que foi SUBORDINADO de José Dirceu na Casa Civil, onde era subchefe para assuntos jurídicos, haja não apenas participado do julgamento do ex-chefe e correligionário como votado pela absolvição do réu?

O ministro disse na entrevista, em resposta a uma pergunta dos jornalistas Fernando Rodrigues e Felipe Seligman sobre por que, afinal, não se declarou impedido diante desse fato: “Não havia, do ponto de vista objetivo ou subjetivo, nenhuma razão para eu me declarar impedido”.

Como assim? Ter trabalhado SOB AS ORDENS de Dirceu não constitui razão para se declarar impedido? Depois de ter sido assessor da bancada do PT na Câmara dos Deputados e consultor jurídico da CUT petista operou-se algum milagre que o tornou isento do ponto de vista político/ideológico?

Como é aceitável que um ministro participante de um julgamento importantíssimo tenha dado curso à hipótese de que o exame dos embargos — tipos de recursos contra a decisão da própria Corte, que na esmagadora maioria das vezes são rejeitados — poderá estender o interminável caso do mensalão por mais até DOIS ANOS?

Toffoli não ignora a firme disposição do presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, e de boa parte de seus pares de colocar de vez uma pedra sobre um assunto que deixa em suspenso o país — e cujo resultado pode fortalecer ou abalar a já muito combalida crença dos cidadãos nas instituições.

O ministro defendeu a tese segundo a qual, mesmo o Supremo terminando de julgar os embargos — os chamados embargos de declaração (para aferir inconsistências nas decisões, tornando-as mais claras, daí a palavra “declaração”) e os embargos infringentes (recursos que cabem quando a decisão da corte foi adotada contra o voto de pelo menos quatro ministros, e que muitos juristas consideram não mais existirem por constarem do Regimendo Interno do Supremo, mas não mais serem previstos pelo Código de Processo Civil), ainda caberão embargos de declaração sobre a decisão a respeito dos embargos infringentes.

Uma espécie de moto-contínuo jurídico.

Coisa de louco! O ministro, de livre e espontânea vontade, mostrou sua disposição como magistrado de aceitar o que é OBVIAMENTE uma chicana de advogados, algo que, se aplicado em todos os casos, tornaria virtualmente interminável qualquer julgamento e faria da Justiça uma brincadeira de mau gosto.

Finalmente, o ministro manifesta espantosa naturalidade diante do que os brasileiros de bem vêem como um escândalo: o fato de que deputados definidos como criminosos pelo Supremo muito possivelmente terminarão sem qualquer problema seus mandatos uma vez que, “dentro dessa hipótese de calendário” (os dois anos que ainda imagina vá durar o caso) “acaba (sic) quase que (sic) coincidindo com o fim de seus mandatos [que se dará em janeiro de 2015]“.

São os casos de João Paulo Cunha (PT-SP), José Genoino (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP)  e Pedro Henry (PP-MT), que desmoralizam a Justiça e o Congresso e envergonham o Brasil diante do mundo.

Se a Justiça funcionar como imagina Toffoli, passaremos a ter, no Brasil, uma Justiça de opereta.

Se se realizarem as previsões de Toffoli, que parecem na verdade desejos de um ex-quadro íntimo do PT, estaremos, definitivamente, em uma República de bananas.

A entrevista de Toffoli, para encerrar em uma só frase, é a de alguém que visivelmente gostaria que o julgamento do mensalão se arrastasse tanto quanto possível — e que se danem a opinião pública, o senso de justiça e a imagem das instituições.

(Leia a íntegra da entrevista do ministro.)

01/06/2013

às 19:02 \ Política & Cia

Neil Ferreira: “Ei, Mensaleiros, vão lambê sabão!”

"Barroso, antes de ser nomeado “passou pelo crivo de Lula” além de ter sido defensor do assassino italiano Cesare Batistti; e Teori O Caraquinha, que livrou a cara do Mermão Paloffi numa das suas grossas travessuras" (Fotos: Pedro França / D.A. Press :: Fabio Pozzebom / ABr)

"Barroso, antes de ser nomeado “passou pelo crivo de Lula” além de ter sido defensor do assassino italiano Cesare Batistti; e Teori O Caraquinha, que livrou a cara do Mermão Paloffi numa das suas grossas travessuras" (Fotos: Pedro França / D.A. Press :: Fabio Pozzebom / ABr)

Por Neil joaquinzãozista Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

EI, MENSALEIROS, VÃO LAMBER SABÃO!

Vai mais um desabafo, desculpe; este DC é o meu Muro das Lamentações. Quem sabe um dia Jeová ou seus primos Deus e Allah me atendam, ou atendam ao meu cardiologista. Ele fala que “o que não sai garganta afora explode garganta abaixo”. Engolir tudo isso que está aí e calar dá infarto; não vou morrer disso.

Aproprio-me do grito do povão da geralzona quando discorda de uma decisão do Meretíssimo contra o seu time: “Ei, Juíz, vai lambê sabão!” “Ei, Nossa (deles) Caixa, vai lambê sabão!”; “Ei, Maria do Rosário, vai lambê sabão !”; “Ei, Mentirobrás, vai lambê sabão !” “Ei, Mensaleiros, vão lambê sabão !”

Eu suspeito pra caramba dos novos Juízes, desconfio de que estão na gaveta. Barroso, que antes de ser nomeado “passou pelo crivo de Lula” além de ter sido defensor do assassino italiano Cesare Batistti, dito pela mídia amansada como “ex-ativista”, supostamente pago pelo PT; e Teori O Carequinha, que livrou a cara do Mermão Paloffi numa das suas grossas travessuras.

A boa educação me impede de gritar a mesma coisa que o povão grita e este DC nunca permitiria. Mas para bom entendedor, com um ponto de exclamação eu xingo. “Ei, Juízes, vão lambê sabão !” Disse o palavrão sem dizer, falô mano.

Peço a devida vênia ao Melandowski e seu bandeirinha Toffoli aqui incluídos por justa causa, por obrigá-los a carregar o fardo sozinhos, já que excluo as assistentas de linha Rosa Weber e Cármen Lúcia, não por esquecimento, mas por cortesia: a uma Meretíssima são se faz malcriação nem com uma flor. Embora a mereçam – e com os espinhos.

“Joaquinzãozista” não está no Aurélio; mas existe. “Fora dos Autos, fora do Mundo”, Suas Excelências afirmam. “Fora do Aurélio, fora da Língua”, sabe-se. Minha Excelência, todavia, afirma que existe, ainda que não exista.

“Joaquinzãozista” quer dizer que sou Joaquinzão Maravilha até quando ele chuta pênalti fora, como quando não encanou de cara a cambada condenada e sentenciada pelo STF. Ou quando bateu na medalhinha dos sindicalistas disfarçados de advogados, que exigem mais bocas mamando nas tetas da viúva .

“'Joaquinzãozista' quer dizer que sou Joaquinzão Maravilha até quando ele chuta pênalti fora” (Foto: Fellipe Sampaio / STF)

“'Joaquinzãozista' quer dizer que sou Joaquinzão Maravilha até quando ele chuta pênalti fora” (Foto: Fellipe Sampaio / STF)

Joaquinzão é Zero Zero Seis, tem licença pra dar carrinho por trás, chutar a panturrilha e dar voadora sem levar cartão amarelo.

Não mentiu quando falou que o Legislativo não legisla, vive de aprovar medidas provisórias do Executivo, que legisla; e que os partidos políticos inexistem. Acertou nas moscas.

Dirceu o Inocente Injustiçado agora sócio oculto da próspera empresária Erenice, procura cúmplice pra garatujar seu “J’accuse” contra o Julgamento do Mensalão, em que foi condenado e sentenciado pelo STF, Chefe da Quadrilha dos Mensaleiros que é.

Um candidato seria o intelequitual que afirmou “Se o Lula mandar votar num cachorro eu voto”. Dirceu e ele parecem ser perigosa associação de cachorros grandes.

Genoíno O Coitadinho, condenado e sentenciado pelo STF por corrupção ativa e formação de quadrilha, afirmou que tinha “o dever de assumir o cargo de Deputado Federal”, na atitude mais sem-vergonha nunca antes vista “neçepaíz”. Na sua situação legal, não pode nem ser mesário em eleição, mas pode discutir, apresentar e votar leis. Seu custo anda em torno de 136 mil pilas mensais.

Para o outro criminoso, João Paulo Cinquenta Conto Cunha, os mesmos privilégios e mordomias.

O que sei, sei; o que não sei, chuto – como os analistas de Economia, Política e Futebol, sendo Lula Doutor Honórios Casas, título concedido por universidades abecezas do ABC e africanas da África, nessas e em todas outras especialidades existentes.

Pegarão cana os mensaleiros Dirceu O Inocente Injustiçado, Genoíno O Coitadinho e João Paulo Cinquenta Conto Cunha, condenados e sentenciados pelo STF? Duvido.

A bandidagem será tratada como heróicos militantes do partido. Condenação é Condecoração, dá indenização e paga pensão. As pensões não são pensões, são hotéis 5 Estrelas. As indenizações ultrapassam 4 Bi, garfados dos impostos arrancados do couro de quem não aprova essas homenagens. Aposto que quem aprova não paga imposto.

Proponho uma fórmula que respeita os direitos individuais: quem for a favor, levanta a mão e paga a Condecoração; quem for contra não paga. Não pago. E não vi nenhuma mão levantada.

Meu voto foi escrito pelo camarade penseur français gauchiste Chiquê Buarquê du Holandá: “Vai trabalhar vagabundo”, cuja frase “Voto no Lula porque estou acostumado” espanta todo mundo.

A Língua não é Ciência, mas o Direito é, como doutamente explicado pelo Douto Ministro Marco Aurélio, em doutas explanações a este Douto Sodalício. “O Direito”, disse ele, “assenta-se em cláusulas pétreas”.

A Língua, ao contrário, é ente vivo; incorpora contribuições até da Novilígua, sejam eruditas ou populares e chulas . Eruditas: “V.Excia”. Populares e Chulas:“Êi, Mensaleiros, vão lambê sabão!” (Do jeito verdadeiro).

A Constituição de Capistrano de Abreu reza: Artigo Primeiro e Único: “Todo brasileiro tem que ter vergonha na cara. Revogam-se as disposições em contrário”.

Não pegou; ele não imaginava que a cumpanherada não dispõe do equipamento necessário — cara limpa — pra ter vergonha na cara.

Corre da Caixa você também, corre!

11/05/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: Advertência — a bandidagem do Mensalão pode sair livre, leve, solta

Dirceu O Inocente Injustiçado, “Cumpanhero de armas” da Dilma, já foi absolvido pela imprensa “independente”. Virou um varão de Plutarco; até o Inferno tem seus heróis (Foto: André Dusek / AE)

Dirceu O Inocente Injustiçado já foi absolvido pela imprensa “independente”. Virou um varão de Plutarco; até o Inferno tem seus heróis (Foto: André Dusek / AE)

Por Neil profeta do caos Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

ADVERTÊNCIA: A BANDIDAGEM PODE SAIR LIVRE, LEVE, SOLTA

Esta é um obra de ficção: Montado no meu saber jurídico, superior ao do já esquecido Capinha-Preta Ministro Dias Toffoli, que só abre a sábia boca para pronunciar a sábia sentença “Voto com o Eminente Ministro Revisor”, e o já quase esquecido Lewandowski “O (Coisa)Ruim ”, só lembramos “O Bom”, o xará artilheiro do Dortmund, finalista da Champions League.

Digo eu: prepare o seu coração para esta quase inexorável manchete: “Zé Dirceu Livre”. É o seu Direito Constitucional à Isonomia com Duda Mendonça, ex-principal acionista da “Money Laundry Düsseldorf”, em liberda-a-de, liberda-a-de, abre as asas sobre eles.

Srs. Passageiros, apertem os cintos que vou decolar com a explicação do que entendi desse “imbroglio”. Se entendi errado, aguarde um pedido de desculpas no próximo voo, com serviço de bordo de 1ª Classe: uma suspeita barrinha murcha de cereais e um copo com água morna.

Há em tecedura um tapetão a ser puxado a qualquer momento, tecido por refinadas, habilidosas, cultas e bem treinadas mãos, supostamente abaixo de quaisquer suspeitas.

Mãos como as do quadro-laranja Fonteles, Deputado Federal, PT/Piauí, que nunca abriu a boca na Câmara nem pra bocejar e apresentou um projeto de Proposta de Emenda Constitucional (Pec), que é a cara escrita e escarrada de um golpe de Estado.

Se aprovada pelo Congresso, tirará poderes do STF, Guardião da Constituição.

A republicana igualdade entre os 3 Poderes irá esgoto abaixo, numa descarada manobra bolivariana de quinta categoria, a ser aprovada (será) por uma quadrilha de representantes do Povo – todos votados e eleitos, nenhum deles entrou pulando a cerca.

Só como exemplo: Genoíno O Coitadinho e João Paulo Cinquenta Conto Cunha poderiam vir a julgar as condenações e sentenças que lhes foram aplicadas pelo STF. São os criminosos julgando os Juízes.

Por um absurdo nunca antes visto num Estado Democrático e de Direito, esses criminosos integram a Comissão de Constituição e Justiça e votaram a favor do envio dessa Pec à “discussão” de um plenário pleno com a base comprada com a grana do Mensalão. O crime compensa.

Pode não se tratar de um tapetão de verdade. Aqui no porão da subcultura, onde habito na vizinhança dos mais de 100% do país dos mais de 200 milhões de ignorantes em matéria de Direito, é como se fosse um tapetão — e dos persas.

Certifico com conhecimento de causa por ser eu um tapete vira-latas, pisado pelos que têm o Pudê e a Grana. Eles têm A Força.

Late como tapetão, coça as pulgas como tapetão, balança o rabo como tapetão, é tapetão. Mesmo que se acuse de que é minha imaginação, sabe-se: a realidade é produto da imaginação.

Só como exemplo: Genoíno O Coitadinho e João Paulo Cinquenta Conto Cunha poderiam vir a julgar as condenações e sentenças que lhes foram aplicadas pelo STF. São os criminosos julgando os Juízes (Foto: AE)

Só como exemplo: Genoíno O Coitadinho e João Paulo Cinquenta Conto Cunha poderiam vir a julgar as condenações e sentenças que lhes foram aplicadas pelo STF. São os criminosos julgando os Juízes (Foto: AE)

O que está sendo tecido é perfeitamente dentro da Lei. A Constituição assegura ao réu todo o Direito de Defesa e sua última instância são os embargos, que podem ser apresentados aos votos dos Ministros que contenham dúvidas quanto aos quesitos julgados, sua interpretação e sentenças proferidas. O respeito à Lei é um dos pilares da Democracia.

Os Mensaleiros utilizam essa última instância com base no mais profundo conhecimento do Direito à Chicana: Dirceu O Inocente Injustiçado, “Cumpanhero de armas” da Dilma, já foi absolvido pela imprensa “independente”. Virou um varão de Plutarco; até o Inferno tem seus heróis.

Teve manchete de 1ª página na Falha de S.Paulo quando tentou desmoralizar o Ministro Fux. Teve manchete de 1ª página no Estadão quando exigiu que o Ministro Joaquinzão fosse impedido de relatar os tais embargos. Quem tem medo do Joaquinzão?

Ganha notícias favoráveis quando pega um bronze na piscina com a atual Primeira Cumpanhera e até quando vai ao banheiro.

Foi acolhido no espaço mais nobre do blog do Noblat, a abertura, para apresentar seu furo de reportagem: “A campanha presidencial foi antecipada em 2 anos pela Oposição para prejudicar a reeleição da presidenta”, afirmou na maior cara de pau; parece piada do “Zorra Total”.

Esses embargos correriam o risco de serem recusados pelo STF, se a história recente dessa Corte fosse levada em conta. Com nove Ministros, as condenações e as sentenças foram proferidas por cinco Ministros pela condenação e quatro pela absolvição – a Gangue dos Quatro: Levandowski, Dias Toffoli e as meninas Carmem Lúcia e Rosa Weber.

Com a nomeação do novo Ministro Carequinha, que desconfio ser Cumpanhero (foi ele quem livrou a cara do Mermão Paloffi no julgamento de um de seus “ malfeitos”) , agora os Ministros são dez.

Na minha paranóia, tenho a quase certeza de que a votação dos embargos ficará nos cinco a cinco. Se der empate, a sentença é pró réu, o que quer dizer que a bandidagem sairá linda, leve e solta — e de ficha limpa.

Dirceu O Inocente agora Justiçado, Capitão do Time e Chefão (Godfather) da Quadrilha, poderá vir a ser até candidato a Presidente da República, a bordo de um Diploma de Inocente e Condecoração de Herói da Pátria – pra eles, Condenação é Condecoração. Fim da ficção, pode voltar ao mundo real.

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