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Jornal Nacional

08/06/2014

às 12:00 \ Disseram

Jornalistas também são humanos

“Hoje não me cobro tanto. Procuro fazer meu trabalho da melhor forma possível, mas, às vezes, também falho. Quando isso acontece, peço desculpas e sigo em frente. Sou tão humana quanto o telespectador.”

Patrícia Poeta, jornalista e apresentadora do Jornal Nacional, sobre ter sido filmada “bufando” em transmissão ao vivo na semana passada, em entrevista à revista ESTILO

17/08/2013

às 15:15 \ Disseram

Willian Bonner: “Não furo fila”

“Não furo fila, de jeito nenhum, não pega bem para ninguém, obrigado.”

Willian Bonner, jornalista, ao recusar um convite para passar na frente das pessoas que aguardavam o autógrafo do jornalista e escritor Edney Silvestre, no lançamento de seu terceiro livro, no Rio. O apresentador do Jornal Nacional foi para o final da fila e lá permaneceu por quase uma hora e meia

13/06/2012

às 19:17 \ Tema Livre

Fátima Bernardes fala a VEJA: seu novo programa na Globo, os rumores (falsos) sobre problemas no casamento com Bonner, seus filhos, suas manias — e seu tratamento para perder o medo de avião

Fátima Bernardes (Foto: Jairo Goldflus)

HORA DA VIRADA -- Perto dos 50 anos e depois de 14 anos jo "Jornal Nacional", Fátima estreia seu novo programa no dia 25: "Quero que o público em casa se sinta como se estivesse ali trocando ideias e comentando as notícias do dia com a Fátima", diz a jornalista, usando a terceira pessoa (Foto: Jairo Goldflus)

(Entrevista a Marcelo Marthe, publicada na edição de VEJA que está nas bancas)

ANSIOSA POR UM BATE-PAPO

 

A ex-âncora do Jornal Nacional explica por que elegeu a arte da conversa como trunfo nas manhãs da TV. E dá uma amostra disso ao falar com franqueza de sua fobia de avião

Às vésperas de fazer 50 anos, em setembro, Fátima Bernardes está concluindo um ciclo de mudanças. Sete meses depois de deixar o Jornal Nacional, a jornalista e apresentadora estreará no próximo dia 25 seu novo programa de variedades na Rede Globo.

Encontro com Fátima Bernardes, que vai ao ar no fim da manhã, de segunda a sexta-feira, terá um cenário tecnológico, em 360 graus, que permite alterar a paisagem projetada no fundo. O espírito da atração, porém, é simples e direto: uma série de bate-papos com convidados.

Preparando-se para a foto acima, Fátima recebeu VEJA de bobes. O cabelo — um “patrimônio nacional”, nas palavras dela — foi um dos temas da entrevista. Fátima também falou do casamento com William Bonner, dos filhos e de sua fobia de avião.

 

O que a levou a se aventurar em um novo programa após catorze anos no Jornal Nacional?

Sou muito inquieta, e a Globo me acostumou mal. Eu ficava três a quatro anos em um projeto e já era convocada para novo desafio. Só que cheguei ao Jornal Nacional, um posto almejado por todo mundo. Não tem muito para onde ir depois dali.

Mas aí aquele bichinho dentro de mim começou a provocar: “Humm, Fátima, e se você quisesse fazer outra coisa da vida?” Quando revelei a intenção pela primeira vez, em 2007, a direção da emissora achou que era um sonho de verão. Mas, no ano passado, finalmente, apresentei uma ideia que foi aprovada pela Globo. Mudar foi a melhor decisão.

 

Não lhe causa ansiedade abandonar um telejornal de audiência cativa para se lançar na luta pelo ibope nas manhãs, faixa em que a Globo enfrenta sua concorrência mais acirrada?

Sei que as manhãs não são fáceis. Ao contrário do horário nobre, tem pouca gente vendo TV de manhã. Terei muito trabalho para convencer as pessoas a ligar seus aparelhos. Mas tenho esperança, sinceramente, de que os espectadores se deixem seduzir pelo programa da Fátima.

 

Com quais armas pretende conquistá-los?

Meu sonho é que a gente consiga ter um grande bate-papo sobre os temas mais variados, inclusive com pessoas comuns. Sou muito falante e adoro ouvir as histórias dos outros. Todo mundo gosta de uma boa conversa, né?

Quero que o público em casa se sinta como se estivesse ali trocando ideias e comentando as notícias do dia com a Fátima. Acho que o fato de as pessoas ficarem muito pertinho de mim no palco vai dar essa sensação.

 

O público verá uma outra Fátima?

É óbvio que, até pela liturgia que o cargo exigia, minha roupa no Jornal Nacional era sempre mais formal. Havia um cuidado de não ousar, para não desviar a atenção da notícia.

Agora, não. Vou estar ali de corpo inteiro. Está vendo esse vício de falar para caramba com as mãos? (Fátima agita os braços). Agora poderei ser mais assim, como sou na rua mesmo. Mas tenho certeza de que o público vai dizer: “Não é que eu imaginava a Fátima desse jeitinho?”. Nenhum elogio me deixa mais feliz, aliás, que ouvir a pessoa dizer que eu sou exatamente como ela pensava quando me via na televisão. Nunca fiz uma personagem no Jornal Nacional, entendeu? Eu era a Fátima mesmo.

 

Falou-se que a Globo queria transformá-la numa versão brasileira da apresentadora americana Oprah Winfrey. A comparação faz sentido?

A Oprah é um nome respeitável. Agora, eu não preciso ser uma nova Oprah. Eu quero ser a Fátima mesmo. O programa dela é muito voltado para o talk-show, muito engajado em causas. Não é isso que eu quero fazer.

 

Oprah Winfrey (Foto: Getty Images)

"Eu não preciso ser uma nova Oprah" (Foto: Getty Images)

 

Qual a sensação de ficar conhecida a ponto de até as mudanças no seu visual provocarem comoção?

Um dia ainda vou escrever um livro com o seguinte título: Como o Cabelo Marcou Minha Carreira.

Quando entrei na Globo, usava o estilo chanel. Depois, fiz permanente. Toda vez que a cabeleireira falava em cortar, eu tinha medo. Achava que ia ficar com a cara redonda. Um dia, fiquei tão revoltada com a insistência dela que, sem consultar nem o William, ordenei: “Então corta”.

Quando ela passou a navalha, fiquei chocada ao me ver parecendo um tomate. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

12/05/2012

às 19:19 \ Tema Livre

A bela e competente Patrícia Poeta — segundo seu amigo Zeca Camargo

patrícia-poeta-lola2 (Foto: Murillo Meirelles / Divulgação / Lola Magazine)

Patrícia Poeta: "Pisa primeiro com o pé direito" (Foto: Murillo Meirelles / Lola Magazine)

(Perfil publicado na edição de abril de Lola Magazine, de 1 de abril de 2012, por Zeca Camargo)

 

SEM PERDER A TERNURA JAMAIS

 

Patrícia Poeta não se acomodou na certeza de que beleza é um trunfo na TV. Ela tem garra, tem instinto, tem inteligência, tem incansável capacidade de trabalho. Mas tem também doçura

Patrícia Poeta tem um defeito. Mas reconheço que essa não é a maneira mais elegante de começar um texto sobre uma grande amiga. Mesmo se ela não fosse a grande amiga que é, também não seria de bom tom começar falando assim de uma pessoa admirada e querida por milhões de brasileiros.

Nem mesmo se ela fosse apenas uma colega de trabalho: começar um perfil de uma colega de trabalho por esse ponto de vista seria, no mínimo, uma coisa “deselegante” (para citar uma outra colega de trabalho…). Então vamos deixar esse defeito lá para o final. E começar bem do começo: de sua estreia como apresentadora no Fantástico, pouco mais de quatro anos atrás. Totalmente por impulso, um segundo antes de entrarmos juntos no estúdio eu virei para ela e disse: “Pisa primeiro com o pé direito!”.

E ela me olhou com uma certa surpresa – talvez porque, do pouco que Patrícia me conhecia, já sabia que eu era uma das pessoas menos supersticiosas do planeta. Estávamos, como sempre, em cima da hora para entrar ao vivo para todo o Brasil, e meio por impulso também, ela me respondeu: “Claro! Pé direito pra começar!”.

Todos os ingredientes para conquistar o público

O sucesso que veio depois, claro, não dependeu desse “passo certo”. Patrícia já tinha todos os ingredientes para conquistar o público: credibilidade, simpatia, poder de comunicação, desenvoltura para a TV, beleza fenomenal (mais sobre isso daqui a pouco), sensibilidade e – talvez o mais importante de tudo – simplicidade.

Mas, na intimidade que construímos em quatro anos de intenso convívio, aquele momento virou uma espécie de segredo cifrado: o instante em que nos conectamos definitivamente e criamos uma atmosfera sensível e prazerosa, que definitivamente marcou sua passagem pelo “Fant” (como a gente chama carinhosamente o programa). E, quero acreditar, mudou para sempre a relação que o telespectador e a telespectadora tinham com a noite de domingo em casa.

 

patrícia-poeta-lola (Foto: Murillo Meirelles / Divulgação / Lola Magazine)

Patrícia, segundo Zeca: "Dona de um rosto quase incompreensível à mente humana" (Foto: Murillo Meirelles / Lola Magazine)

Num horário que historicamente o brasileiro reserva para a convivência familiar, o balanço da semana, a preparação para os próximos dias, a hora de apresentar um novo namorado, de anunciar um grande projeto para seus pais (ou seus filhos), a cerimônia da sagrada pizza (ou da reciclagem do almoço de domingo da mama, que sempre exagera acreditando na fome infinita de sua prole), o descanso junto a pessoas queridas -­­, enfim, nesse momento especial, Patrícia chegava para dar mais uma alegria à casa das pessoas. E com humildade.

O ”obrigada por nos receber em sua casa” veio de improviso

Você certamente lembra de tê-la ouvido falar pelo menos uma vez a frase: “Obrigada por nos receber na sua casa”. Pensa que ela ensaiou isso? Veio de improviso, como, aliás, boa parte dos momentos memoráveis da televisão. E pegou não só todos nós – a equipe que fazia o programa com ela – mas também quem nos assistia de surpresa.

Se a aposta era em uma nova maneira de apresentar um programa e de se relacionar com as pessoas que assistem à TV, Patrícia já estava superando as expectativas. E os mesmos sorrisos que eu via ao nosso redor, ali no estúdio, eu tinha certeza de que se reproduziam também em milhões de casas por todo o Brasil.

O caminho a partir dali poderia ser muito fácil. Dona de um rosto quase incompreensível à mente humana, de tão perfeito, o triunfo de Patrícia poderia estar selado nessa estreia simpática e na certeza de que a beleza é trunfo na TV. Mas seria pouco para ela. Estou relutando aqui em usar a palavra ambição, já que ela muitas vezes traz conotações negativas.

Misto de instinto, inteligência e discernimento

Mas não encontro nada melhor para definir a garra com que Patrícia investia em suas reportagens. Não preciso desfilar uma seleção das suas boas entrevistas, isso você já tem na memória. Mas o que no ar parecia fácil, natural, foi sempre fruto de uma engenhosa elaboração: um misto de instinto, inteligência e discernimento.

Relendo o último parágrafo, mais uma vez me sinto frustrado com minha descrição. Parece dura, como se Patrícia Poeta fosse uma genérica heroína determinada de um daqueles romances em que obstáculos são vencidos para chegar a uma grande conquista. Se foi a impressão que dei, desculpe.

A minha heroína – a colega e amiga com quem trabalhei tão de perto por quatro anos – não tem nem de longe essa frieza. Pelo contrário, tem doçura, tem um questionamento sensato, tem uma dose de teimosia (que sempre é importante!), e mais uma característica imprescindível para sobreviver no cenário em que vivemos hoje, onde a notícia é consumida de maneira voraz e o espaço para mostrar um bom trabalho é sempre disputadíssimo: é incansável!

Uma rotina exigente

Sempre achamos graça quando as pessoas chegam para nós – nem sempre brincando! – e dizem: “Que vida boa… Vocês chegam lá domingo à noite, colocam roupa bacana, trabalham umas horinhas e o resto da semana é só descanso”. Quem dera, cara telespectadora, caro telespectador. Temos uma rotina de extrema dedicação no Fantástico. E usei a palavra dedicação justamente para que a descrição não pareça reclamação. Enfrentamos uma rotina exigente porque adoramos o Fant! Mas é impossível negar que, por vezes, temos que abrir mão de um lado pessoal em função disso.

Na sua nova rotina, no Jornal Nacional, as demandas são diferentes. “O Fantástico tinha sempre notícias mais leves e entretenimento para contrabalançar as reportagens mais fortes”, me conta Patrícia. “Mas agora, no JN, estou muito mais em cima do factual. Por isso, é inevitável ter outra postura.” Seus dias, pelo menos os da semana, são mais organizados: “Existe uma rotina muito clara de segunda a sexta que sei que tenho que cumprir”, ela explica.

Em compensação… os fins de semana agora são livres. E quem sai ganhando? A família, claro. “Meu filho não reclama mais que tenho que sair no meio do jogo de domingo para apresentar o programa”, diz ela, meio brincando. Sábados e domingos agora podem ser desfrutados com a família e amigos. Se sobrar tempo, dá até para assistir ao Fantástico! Porque aposto que tem horas que dá saudade…

 

patrícia-poeta-lola (Foto: Murillo Meirelles / Divulgação / Lola Magazine)

A apresentadora, agora: rotina dura de segunda a sexta, mas fins de semana livres (Foto: Murillo Meirelles / Lola Magazine)

Deve dar mesmo, porque, além do trabalho, que sempre exige muito da gente, nos divertíamos como bons amigos – e era comum passarmos naturalmente os limites da relação profissional. Nos momentos de desabafo que a proximidade nos permitiu, vi uma Patrícia mais digna ainda de admiração, com várias facetas. Vi uma mãe cuidadosa com seu filho – de quem recebe adoração recíproca -, sempre priorizando os encontros com ele. Vi uma mãe orgulhosa, que beiraria o clichê não fosse o tom ultrassincero e emocionado com que me mostrava (mais um) vídeo no telefone, mostrando progressos do filho no violão. É bom esse garoto, viu?

Vi uma irmã que se transformava em adolescente para falar da caçula da família e da falta que muitas vezes sentia do convívio que tiveram por anos, ainda em Porto Alegre. Vi uma esposa não só apenas carinhosa, mas também ávida por aproveitar o melhor da experiência profissional do marido também jornalista, numa simbiose que muitas vezes ela processava quase sem saber.

Vi uma filha fortemente conectada com os pais que moram longe e infinitamente atenciosa. Vi uma companheira de trabalho atenta aos problemas de colegas, mesmo quando eles não a procuravam diretamente. Vi uma mulher atenta às renovações que a evolução acelerada do jornalismo nos obriga a fazer hoje – aliás, tenho saudades das longas conversas pós-Fant, quando ela me dava uma carona e filosofávamos noite adentro sobre a natureza do que estávamos fazendo.

E vi sobretudo a Patrícia de quem eu gostava mais: a amiga extremamente disponível a ouvir este amigo aqui, quando questões fora ou dentro do trabalho ameaçavam tomar uma proporção maior do que mereciam.

Ela tem um defeito adorável

Essa era – e ainda é! – a “minha amiga Patrícia Poeta”, que foi tão importante para este “internacional Zeca Camargo”, como ela costuma me chamar numa gostosa provocação. (Raramente nos chamamos por um nome só, muito menos por apelidos – o “nome artístico” acaba funcionando como uma deliciosa ironia à admiração e à amizade que conquistamos.)

Pois é. E é essa Patrícia que tem um defeito!

Um defeito que agora, finalmente, acho que posso contar: Patrícia Poeta não consegue controlar o riso! Em mais de uma situação, durante uma gravação ou mesmo no programa ao vivo, passamos por bons apuros quando eu, sempre bem-humorado, fazia uma graça ou com ela, ou com algo que ela havia dito, ou com uma situação difícil que enfrentamos numa reportagem, ou com uma história que alguém do estúdio nos contava – ou mesmo com um convidado especial que tínhamos no programa.

O motivo da brincadeira era o de menos. O que eu queria sempre provocar ali era a deliciosa risada de Patrícia, mesmo sabendo que seria difícil contê-la pelos próximos 10, 15 e, às vezes, 20 minutos.

Ela mesma ao ler isso vai lembrar de alguns momentos e admitir que esse seu descontrole trazia uma imensa alegria ao estúdio e colaborava com um clima de descontração geral. Por isso mesmo, deve estar bem agora dando uma risada.

E fazendo alguém que tiver a sorte de estar perto dela mais feliz.

Quer defeito melhor do que esse?

05/12/2011

às 17:10 \ Tema Livre

O novo cabelo de Patrícia Poeta e detalhes que não vão aparecer na tela da Globo

Patrícia Poeta: o cabelo vai ser este da foto; o decote, certamente, não (Foto: Rede Globo)

Parece uma torrente de futilidade a chuva de notícias e comentários sobre o novo corte de cabelo da jornalista Patrícia Poeta, nova apresentadora do Jornal Nacional.

Mas não é. Sendo o Jornal Nacional, como ainda é, a principal fonte de informação quotidiana da maioria dos brasileiros, é natural que cada milímetro do que aparece na telinha seja esquadrinhado.

O assunto, em si, é fútil. Nas circunstâncias, não.

A foto divulgada pela Rede Globo do novo penteado, mais curto, de Patrícia Poeta, porém, inclui dois itens que os telespectadores com certeza não verão na tela: a roupa multicolorida e o discreto decote.

As principais redes de TV do mundo, mesmo quando lançam mão de belas apresentadoras, costumam utilizar roupas de cores neutras e de corte conservador para que quem passa adiante a informação não atraia mais atenção do que o aquilo está informando. Por essa mesma razão as profissionais não usam joias ou bijuterias chamativas.

A principal exceção, no quadro internacional, é a Itália, em cujas emissoras as apresentadoras de telejornais em geral parecem atrizes prestes a pisar num tapete vermelho de algum festival: maquiagem carregadíssima, brincos enormes, decotes generosos, cabelos próprios para passarelas.

A Fox News americana, de sua parte, parece ter como pré-requisito para qualquer jornalista do sexo feminino que aspire fazer parte de seu time ser bonita e atraente. E, embora volta e meia se esqueça da discrição nos trajes e em maquiagens peruosas, não deixa que diminuam a altura das saias ou aumente a profundidade dos decotes.

03/06/2011

às 21:19 \ Política & Cia

Palocci na Globo: o ministro preferiu confiar em órgãos públicos e deixou de lado a opinião pública

A entrevista do ministro Antonio Palocci ao Jornal Nacional para tentar explicar seu brutal aumento patrimonial nos últimos 4 anos – quando é que atingiremos o nível de civilização em que políticos do porte do chefe da Casa Civil se expliquem à opinião via todo o conjunto da imprensa, e não apenas à Globo? – deixou claríssima sua estratégia de defesa:

1) Tentar tirar o foco da crise do governo e da presidente Dilma — visivelmente atarantada com o vulto que as coisas tomaram –, e assumir pessoalmente a responsabilidade por ser olho do furacão.

2) Não revelar nada realmente relevante e específico à opinião pública (nomes dos clientes, valores exatos de quanto a empresa faturou em períodos determinados)

3) Prestar contas sobre as atividades de “consultoria” de sua empresa, a Projeto, e disponibilizar os dados que forem requeridos apenas e exclusivamente a órgãos públicos. (Curiosamente, na entrevista, não se mencionou a possibilidade de uma CPI do Congresso, que o governo com certeza tentaria ou tentará barrar).

Comentários sobre os 3 itens:

1) Palocci só vai retirar o foco na presidente e no governo se der passos adicionais. Parece brincadeira dizer que “não há crise nenhuma”, que o governo “trabalha normalmente”, e que a opinião pública vai se satisfazer apenas com a entrevista.

2) Num país civilizado, com políticos civilizados e procedimentos civilizados, ele revelaria, sim, os nomes das empresas.

O ministro citou um caso para mostrar os danos que empresas podem sofrer se vier à tona que foram clientes da Projeto. Mas é absolutamente viável que qualquer empresários dotado de bom senso e algum espírito público, diante do tamanho da crise que Palocci finge não existir no governo, aceitaria ser citado como cliente do ministro, se ele pedisse. Se tudo é legal e legítimo, qual é o problema?

3) O ministro mencionou vários órgãos públicos a quem prestará informações: além da Prefeitura de São Paulo, que recolheu o ISS das atividades de sua empresa, a Projeto, e não investiga nem vai investigar nada, os que interessam são: a Receita Federal (imposto de renda), a Comissão de Ética Pública da Presidência da República e a Procuradoria-Geral da República.

A Comissão de Ética Pública recebeu uma série de dados do ministro quando este tomou posse, e não tomou qualquer atitude. Seria agora que o faria? Além do mais, tudo o que pode fazer são “recomendações”.

A Receita Federal, que já teria sido municiada, não revelou qualquer contrariedade com as informações que já detém. E não custa lembrar que é subordinada ao Ministério da Fazenda, que por sua vez se reporta à presidente da República, Ministério o qual, por coincidência, foi pilotado por Palocci durante um longo período.

Resta a Procuradoria-Geral da República.

Devemos, então, todos supor que o procurador-geral Roberto Gurgel fará uso de toda a independência que, tecnicamente, guarda em relação ao Executivo para, se for o caso, investigar os números de Palocci e, em estando irregulares, tomar alguma iniciativa jurídica.

Palocci deixou claro, claríssimo, que confia em todos os órgãos públicos a quem encaminhou ou encaminhará esclarecimentos.

Agora pergunto eu: e você, confia?

30/04/2011

às 20:20 \ Disseram

Fátima Bernardes: “Meu cabelo é patrimônio nacional”

“Meu cabelo é patrimônio nacional.”

Fátima Bernardes, apresentadora do Jornal Nacional.

05/10/2010

às 14:30 \ Política & Cia

Voto evangélico está fazendo Dilma falar em Deus e na “valorização da vida”

Você repararam quantas vezes a presidenciável Dilma Rousseff, do PT, vem falando em Deus?

Ontem, por exemplo, no minuto e meio de depoimento que pôde fazer no Jornal Nacional da Rede Globo, tal qual ocorreu com José Serra (PSDB), Dilma “agradeceu a Deus” os votos que teve, além de expressar seus agradecimentos aos milhões de eleitores que escolheram seu nome.

E também — veja o dedo dos marqueteiros aí — colocou como tema fundamental de suas preocupações, caso chegue ao Planalto, a “valorização da vida”.

A QUESTÃO DO ABORTO — O comando da campanha de Dilma percebeu claramente que a candidata perdeu um grande contingente do voto evangélico diante da fervilhante, feroz e frequentemente abusiva campanha contrária que circulou pela internet e por outros meios assegurando ser ela “favorável ao aborto”. A prática, mesmo em casos extremos, como quando a mulher engravida em consequência do crime de estupro, é condenada pela igreja católica e veementemente combatida pelos cristãos evangélicos.

De pouco adiantaram as declarações públicas da candidata, que, conservadoramente, se limitaram a manifestar a necessidade de cuidados médicos pela rede pública por parte das mulheres que tomam a iniciativa de abortar e sofrem complicações depois.

Posturas distintas expressas no passado foram divulgadas, em  alguns casos distorcidas, como se alguém, mesmo um político de alta exposição, não pudesse legitimamente mudar de idéia.

Podem acompanhar as falas de Dilma daqui para frente: ela vai mencionar Deus sempre que possível e explicitar, com todas as letras, que não é favorável a que a lei brasileira liberalize os casos de aborto — só admitidos em casos como o da gravidez resultante de estupro ou “se não há outra maneira de salvar a gestante”, conforme dispõe o Código Penal.

 

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