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João Amazonas

13/03/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Os comunistas de hoje não são como os de antigamente — pioraram muito

 "Era difícil enfrentar comunistas numa discussão: sempre estavam preparadíssimos (...) se ouvissem Rabelo, certamente o obrigariam a fazer uma bela autocrítica"

“(Antigamente) era difícil enfrentar comunistas numa discussão: sempre estavam preparadíssimos (…) Jamais diriam, como o comunista moderno e governista Aldo Rebelo, que Napoleão ‘reconquistou a França em cem dias’. Foi em 12 dias”

Nota da coluna de ontem, terça-feira, do Observatório da Imprensa

O MUNDO COMO ELE ERA

Carlos BrickmannEste colunista é do tempo em que comunista estudava. Não apenas estudava: tinha de estar a par de todo o movimento cultural. Precisava ter lido Ulysses, de James Joyce, na tradução de Antônio Houaiss; precisava ter lido Júlio César, de Shakespeare, na tradução de Carlos Lacerda, para poder falar mal.

Filmes como Morangos Silvestres, ou O Ano Passado em Marienbad, eram essenciais. Era difícil enfrentar comunistas numa discussão: sempre estavam preparadíssimos.

E, claro, conheciam Napoleão Bonaparte. Sabiam tudo de seu sobrinho Luís Bonaparte, o Napoleão III, personagem de O 18 Brumário, de Marx.

Jamais diriam, como o comunista moderno e governista Aldo Rebelo, [ministro do Esporte] tentando explicar o atraso das obras da Copa, que Napoleão Bonaparte “reconquistou a França em cem dias”.

Não, Napoleão reconquistou a França em muito menos tempo: 12 dias, o suficiente para marchar triunfalmente de Golfe Juan, na costa francesa, até Paris.

Os Cem Dias foram o período em que governou novamente o Império Francês, até ser derrotado em Waterloo pelas tropas do Duque de Wellington.

Se João Amazonas e Maurício Grabois, os ícones do PCdoB, ouvissem Rabelo, certamente o obrigariam a fazer uma bela autocrítica.

E indicariam alguém mais adequado para evitar confusões nas obras da Copa.

03/11/2011

às 15:11 \ Política & Cia

Roberto Pompeu de Toledo: o PC do B, coerente só no stalinismo

Patrícia Galvão e Olga Benário: apropriação indébita

Patrícia Galvão e Olga Benário: apropriação indébita (Fotos: Wikipédia)

Amigos, para mim é sempre um privilégio poder publicar artigos, sempre originais, inteligentes e primorosamente escritos, do jornalista Roberto Pompeu de Toledo. Ainda mais como, neste caso, e como quase sempre, concordo com cada palavra do texto, publicado na edição de VEJA que está nas bancas desta semana.
O título original é o de abaixo. Os intertítulos foram colocados por nós.
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‘À moda stalinista’

Roberto Pompeu de ToledoPouco antes de jogar a toalha, na semana passada, e entregar a cabeça do ministro do Esporte, Orlando Silva, o PC do B tentou reinventar seu passado.

No programa de propaganda obrigatória que foi ao ar no dia 20, apresentou como emblemas do partido Luís Carlos Prestes, Olga Benario, Jorge Amado, Portinari, Patrícia Galvão (a Pagu), Oscar Niemeyer e Carlos Drummond de Andrade.

Era uma fraude similar às operações do programa Segundo Tempo. Dos sete, os seis primeiros pertenceram ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o arquirrival do Partido Comunista do Brasil (PC do B). O sétimo, o poeta Carlos Drummond de Andrade, não foi nem de um nem de outro.

Safar-se do escândalo pegando carona

O partido tentava, num programa de TV em que jogava as últimas fichas para safar-se do escândalo no Ministério do Esporte, pegar carona num casal de ícones da história brasileira (Prestes e Olga) e em algumas das mais queridas figuras da cultura do país.

O caso menos grave é o de Oscar Niemeyer, o único vivo do grupo. Apesar de ter sido militante do PCB, já apareceu em programas anteriores do PC do B, do qual aceita as homenagens.

O mais grave é o de Prestes. O PC do B surge, em 1962, do grupo que, no interior do PCB, discordou da denúncia do stalinismo promovida na União Soviética após a morte do ditador. O PC do B, com um curioso “do” no meio da sigla, será daí em diante o guardião da pureza stalinista. Os outros são a “camarilha de renegados”. E o renegado-mor, claro, é Prestes, o líder do PCB.

Apropriando-se de Prestes, o “renegado-mor”

No verbete “PC do B” da Wikipédia, escrito num tão característico comunistês que não deixa dúvida quanto à sua procedência oficial, Prestes é tratado de “revisionista” (insulto grave, em comunistês) e acusado de ter “usurpado a direção partidária”. Também se diz ali que “abandonado à própria sorte, em idade avançada”, Prestes “dependerá de amigos como Oscar Niemeyer para sobreviver”.

Eis colocadas na mesma cloaca da história (o comunistês é contagiante) duas figuras que agora o PC do B alça ao altar de seus santos.

Entre os outros casos de usurpação biográfica, a alemã Olga, primeira mulher de Prestes, foi fiel soldado das ordens de Moscou. Morreu muito antes de surgir o desafio do PC do B, mas é de apostar que essa não seria a sua opção. Portinari e Pagu morreram, no mesmo 1962 do cisma comunista, ele fiel à linha de Moscou, ela convertida ao trotskismo, portanto inimiga do stalinismo.

Jorge Amado na década de 60 já tinha o entusiasmo mais despertado pelo cheiro de cravo e pela cor de canela do que pela causa do proletariado. Em todo caso, sua turma era a de Prestes, o “Cavaleiro da Esperança” que cantara num livro com esse título.

portinari-prestes

Portinari morreu no ano do "racha" e Luís Carlos Prestes, o "revisionista": o primeiro não mudou de lado e o segundo desprezava o PC do B e era furiosamente combatido pelo partido

O caso estapafúrdio do poeta Drummond

O caso mais estapafúrdio é o de Drummond. Nos anos 1930/1940 ele praticou uma poesia de cunho social e filocomunista. Chegou a colaborar com o jornal Tribuna Popular, do PCB. Mas nunca se filiou ao partido. Cultivou a virtude de nunca ser firme ideologicamente. O namoro com o comunismo, dividia-o com a fidelidade ao Estado Novo, ao qual serviu no Ministério da Educação.

No pós-guerra, mitigava o comunismo com a sedução pela UDN do amigo e mentor Milton Campos. Em 1945 votou para senador em Luís Carlos Prestes, do PCB, e para presidente em Eduardo Gomes, da UDN. E, em 1964, apoiou o golpe militar. “A minha primeira impressão foi de alívio, de desafogo, porque reinava realmente, no Rio, um ambiente de desordem, de bagunça, greves gerais, insultos escritos nas paredes contra tudo. Havia uma indisciplina que afetava a segurança, a vida das pessoas”, explicou numa entrevista, transcrita em livro recente (Carlos Drummond de Andrade, Coleção Encontros).

Agora vem o PC do B dizer que Drummond foi um dos seus!?

Um partido coerentemente stalinista

Desconcertante história, a desse partido. A defesa do stalinismo levou-o a festejar o grande timoneiro Mao Tsé-tung e, quando o timão do chinês emperrou, buscar inspiração na Albânia do “Supremo Camarada” Enver Hoxha.

Arriscou uma aventura guerrilheira nos barrancos do Araguaia. E, em anos recentes, encantou-se pela UNE e pelo monopólio da carteirinha de estudante, declarou ao esporte um amor insuspeitado em quem associava o partido à figura franzina do patrono João Amazonas (1912-2002) e recrutou, para reforço de suas chapas, jogadores de futebol (Ademir da Guia, Muller) e cantores (Netinho de Paula, Martinho da Vila) em quem nunca se suporia inclinação pela causa da foice e do martelo.

Se há uma coisa em que manteve a coerência, é no vezo stalinista. Stalin mandava cortar das fotos dirigentes do partido caídos em desgraça. O PC do B inclui em suas fileiras gente que lhe foi alheia.

Pelo avesso, chega ao mesmo fim de falsificar a história.

 

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