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imoralidade

10/07/2013

às 9:43 \ Política & Cia

PROTESTOS: Ao afundar a emenda que acabava com a pouca-vergonha dos suplentes parentes, um pequeno grupo de senadores mostra que não ouve a voz das ruas — nem dá atenção para mínimos padrões de decência

Edison Lobão, Edson Lobão Filho; Garibalde Alves Filho e Garibaldi Alves (Fotos: ABr :: Câmara :: Ag. Estado :: Folhapress)

Edison Lobão (PMDB-MA) foi nomeado ministro das Minas e Energia, e então o filho, Lobão Filho, virou senador -- sem ter tido um só voto; Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), senador e ministro da Previdência Social, emplacou o pai, Garibaldi Alves, como suplente de uma aliada, a atual governadora Rosalba Carlini (DEM); eleita Rosalba em 2010, Garibaldi pai ganhou 4 anos de mandato de senador (Fotos: Agência Brasil :: Câmara :: Agência Estado :: Folhapress)

É de se perguntar como é possível, no atual clima do país, com milhões de brasileiros indo às ruas para protestar contra uma longa lista de barbaridades, um pequeno grupo de senadores tenha a cara de pau de fazer naufragar, no Senado,  a proposta de emenda à Constituição (PEC) que proibia que senadores escolhessem como suplentes seus cônjuges ou parentes de até segundo grau – como filhos, irmãos, pais e primos.

E vejam só, amigas e amigos: o projeto era parte da “agenda positiva” do Congresso em resposta às manifestações das ruas… Proposta pelo senador José Sarney (PMDB-AP) — ponto para ele, que já tanto critiquei  neste blog –, a PEC também abolia a figura do segundo suplente.

(Fotos: Folhapress :: Câmara :: Ag. Estado :: Arquivo)

Íris Resende (PMDB-GO), atual prefeito de Goiânia, colocou a mulher como suplente quando era senador. Quando ela assumiu adotou, para disfarçar, o nome de solteira, Íris de Araújo; depois, acabaram se separando. O atual deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), quando senador, não viu o menor problema ético em colocar como seu suplente o pai, Laercio Barbalho (Fotos: Folhapress :: Câmara :: Agência Estado :: Arquivo)

Continuamos, então, com essa pouca-vergonha de republiqueta de bananas — nem elas, na verdade, devem ter coisa parecido — de ver maridos, esposas, pais, filhos, tios e primos suplentes de senadores e assumindo o lugar do titular sem ter tido um só voto. Esta página está coalhada de exemplos, atuais e passados, de políticos que não tiveram o menor pejo em beneficiar a parentela na hora de se apresentar como candidato perante o eleitorado.

Mas nunca se viu, nem se vê, candidato na televisão avisar o eleitor que o suplente é seu parente.

ACM e Antonio Carlos Júnior; Acir Gurgacz, Assir Gurgacz (Fotos: Ag. Senado ::  Jornal Diário da Amazônia)

ACM (DEM-BA), falecido em 2007 -- um ácido crítico de tudo e de todos -- achou normalíssimo ter o filho, Antonio Carlos Júnior, como seu suplente; Júnior assumiu após a morte do pai e exerceu o cargo até o começo de 2011; Acir Gurgacz (PDT-RO) incidiu nos dois itens questionados da questão dos suplentes de senador: seu suplente é o pai, Assir Gurgacz, milionário que vive no Paraná e que financiou sua campanha (Fotos: Agência Senado :: Jornal Diário da Amazônia)

Atenção: não é que a PEC não tivesse obtido grande apoio no Senado. Façamos justiça ao Senado: dos 65 senadores presentes à votação, ontem à noite, 46 votaram a favor. Infelizmente, porém, por mandato constitucional, o número de “sim” não chegou aos 49 — três quintos dos 81 senadores — necessários.

A ausência de dezesseis senadores ajudou a enterrar o projeto. O mais imoral de tudo — embora seja legal – é que a derrubada da PEC teve o apoio de oito dos atuais 16 suplentes que exercem o mandato. Anotem os nomes deles: Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP) — SUPLENTE DA SENADORA MARTA SUPLICY, ANOTEM AÍ –, Ataídes Oliveira (PSDB-TO), Clésio Andrade (PMDB-MG), Eduardo Lopes (PRB-RJ), Gim Argello (PTB-DF), Ruben Figueiró (PSDB-MS), Wilder Morais (DEM-GO) e Zezé Perrella (PDT-MG).

Perrella envergonhou ao senador que substituiu por morte — o ex-presidente Itamar Franco (PPS), homem de bem que certamente teria votado a favor do fim desse absurdo.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), um dos maiores críticos “de tudo isso que aí está”, metido a moralizador e palmatória do mundo, votou pela MANUTENÇÃO da atual obscenidade, vendo na PEC um “moralismo udenista” e classificando a proposta de “irracional”.

Anotem aí, eleitores do Paraná: Requião, que recheou de irmãos e outros parentes sua administração quando governador do Estado nas últimas duas gestões (2003-2010), é perfeitamente coerente.

02/07/2013

às 20:07 \ Política & Cia

PLEBISCITO: Incluir consulta sobre a imoralidade que são os suplentes de senador seria apenas ridículo, se não mostrasse o tamanho da enganação

Henrique Alves, Temer, Cardozo e Renan: "plebiscito" tem o que não precisa, e não tem o que precisaria ter (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)

Aos leitores do blog que eventualmente não saibam ao certo minha opinião sobre o tal “plebiscito” proposto pela presidente Dilma Rousseff para que se faça uma reforma política, resumo-a em três itens:

1) a reforma política é absolutamente necessária, mas não é assim que se faz;

2) o “plebiscito” se destina a desviar a atenção do eleitorado para as reais questões que estão sendo objeto de protestos de rua em todo o país;

3) o “plebiscito” se destina, adicionalmente, a tentar enfiar pela goela abaixo dos brasileiros partes da agenda política DO PT E DO LULOPETISMO, e não das ruas – tais como o financiamento público de campanhas eleitorais e o voto em listas partidárias, tidos por cardeais da estrela vermelha como parte de seu projeto de se perpetuar no poder.

Remeto os leitores para a impecável Carta ao Leitor de VEJA desta semana, que publiquei no blog e com a qual, em cada palavra, concordo.

Dito isso, queria comentar a pífia mensagem enviada hoje pela presidente Dilma com “sugestões” ao Congresso para que constem do projeto que pretende estabelecer o plebiscito.

Especificamente, um ponto concreto: é inacreditável, suspeito e pura enganação incluir, entre cinco pontos supostamente graves, transcendentais e relevantes da agenda da reforma política, consultar o povo sobre se deseja “a continuidade ou não da suplência no Senado”, para usar palavras do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que foi hoje ao Congresso junto com o vice-presidente Michel Temer entregar a mensagem de Dilma aos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Henrique Alves.

O atual sistema de suplentes de senador é de tal forma imoral, vergonhoso, destituído de qualquer lógica e desmoralizado que constitui um completo disparate incluí-lo num “plebiscito”.

Os suplentes, como praticamente todo brasileiro minimamente informado sabe, além de serem dois — ninguém imagina para que sejam necessários dois suplentes –, constituem quase sempre uma entre duas alternativas (com as exceções de praxe):

1) Os homens do dinheiro, em geral empresários ricos que ninguém conhece, que não mantêm qualquer relação com o eleitorado, que não dispõem de nenhuma experiência política, mas que pagam boa parte da campanha dos titulares, em troca de, aqui e ali, gozarem das delícias de serem senadores da República por períodos em que o titular se licencia, alegando problemas de saúde ou outra razão qualquer.

Pergunto às amigas e amigos do blog: pode existir uma relação SADIA entre suplente desse teor e a vida pública? Pode-se esperar algo de BOM quando um ricaço financia a campanha de alguém para, durante um tempo, virar como num passe de mágica senador da República, sem ser conhecido pelos eleitores e sem haver recebido um só voto?

Lembremo-nos de que, uma vez no exercício do cargo, o suplente sem-voto dispõe dos mesmos poderes que um senador que recebeu nas urnas 5, 8 ou 11 milhões de votos: seu voto pode ser decisivo em projetos importantes, ele participa do remanejamento de verbas do Orçamento, apresenta projetos sobre qualquer tema da agenda do país e integra comissões técnicas que decidem sobre temas de alta relevância, inclusive obras públicas.

2) Produtos do mais descarado e absurdo nepotismo: é o caso do suplente que acaba “eleito” junto com o titular pela mera circunstância de ser seu filho, irmão, pai, cônjuge ou algo do gênero.

O ex-governador e ex-senador Iris Rezende (PMDB-GO) teve como suplente sua mulher, Íris, de quem hoje é divorciado.

O atual deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) já teve como suplente o pai, Laércio Barbalho.

O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), levou nas costas para o Senado, onde exerce o mandato enquanto ele ministreia, o filho, “senador” Lobão Filho.

O ministro da Previdência, senador licenciado Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), instalou em seu lugar no Senado o pai, Garibaldi Alves.

O senador Alciz Gurgacz (PDT-RO), é outro parlamentar com grande devoção filial: seu suplente também é o pai, Assis Gurgacz, que, por sinal, nem mora no Estado — tem residência em Cascavel (PR), onde é dono da Faculdade que leva seu nome, que abriga diferentes cursos, de Administração a Medicina, de Farmácia a Engenharia ou Comunicação Social.

E por aí vai a brincadeira.

Trata-se, portanto, de um disparate incluir essa questão num “plebiscito” porque isto não é preciso: todo mundo sabe que se trata de uma enorme maracutaia, de um erro descomunal da Constituição de 1988, e bastaria uma simples emenda constitucional, um piparote do atual Congresso, para remetê-lo ao lixo.

É pura enganação, é fingir consultar o povo.

Ao mesmo tempo, deixa-se de consultar o povo sobre pontos ESSENCIAIS de uma reforma política, dos quais vou mencionar dois, e cabeludos:

1) Se deve continuar existindo ou não o voto obrigatório, que faz com que parte considerável do eleitorado vote de qualquer maneira, sem se interessar pela campanha eleitoral e sem conhecer as ideias, o passado e o currículo dos candidatos, especialmente daqueles que participam da campanha com o menor tempo de televisão — os aspirantes a deputado e a senador.

Na esmagadora maioria das democracias, o voto é facultativo, é um direito — vota quem quer.

2) A distorção da representação dos Estados na Câmara dos Deputados: uma conta relativamente simples e racional — se um Estado tem 7% dos habitantes do país, deve eleger uma representação que corresponda a 7% do total dos 513 deputados, e assim por diante – foi, ao longo da República, sendo distorcida e manipulada de tal forma que hoje temos um monstrengo em vigor.

Para resumir em poucas palavras, basta lembra que o Sudeste e o Sul do país, que juntos perfazem 60% da população brasileira, têm apenas 40% dos deputados. Estados pouco populosos elegem representantes demais em relação ao que deveriam, e Estados muito populosos sofrem (ou virão em breve a sofrer) do problema oposto.

São Paulo, que abriga 22% da população do país, elege somente 13% dos deputados. Estudos de cientistas políticos respeitados mostram que o mesmo problema, em menor proporção, ocorre com Minas Gerais, a Bahia, o Rio Grande do Sul e o Pará, e em breve chegará a Pernambuco e ao Paraná.

Em países mais sérios, esse seria um problema gravíssimo, um ovo de serpente, o germe de conflitos assustadores — dependendo da localização geográfica, até o germe de uma guerra civil.

Aqui, o governo lulopetista o considera tema secundário. É menos importante do que suplente de senador, e, portanto, estará ausente do plebiscito de araque.

08/02/2013

às 17:42 \ Política & Cia

Legal, sim, mas imoral. É a cara do PT!!!

Eta vida boa, para quem está sob a sombra dos donos do poder (Foto: Fernando Cavalcanti)

Eta vida boa, para quem está sob a sombra dos donos do poder (Foto: Fernando Cavalcanti)

Eta vida boa, para quem está sob a sombra dos donos do poder — no caso, uma ex-dona de um poder decorrente de sua ligação pessoal, personalíssima, com o ex-presidento Lula, Rosemary Noronha, a “Rose” do balcão de negócios em que transformou o escritório da Presidência em São Paulo (pra que escritório em São Paulo?), do qual era chefe de gabinete até a Polícia Federal acabar com a festa.

Até um ex-marido entrou na festa. Conforme o Lauro Jardim, que é titular do Radar On-line e sabe tudo –, José Cláudio Noronha, o ex-marido de “Rose”, embolsou durante três anos confortabilíssimos 132 mil reais sem precisar mexer um dedo e sequer sair de casa.

O felizardo era membro suplente dos Conselhos de Administração da Brasilprev, fundo de previdência privada do Banco do Brasil, e da antiga Aliança do Brasil, atualmente BB Seguros. Os membros titulares nunca faltaram a uma só reunião de ambos os conselhos ao longo desses três anos, mas o rico dinheirinho público caiu na conta do ex-marido.

O Lauro, muito corretamente, conclui dizendo: “Receber esse dinheiro, ressalte-se, não é ilegal; é apenas imoral, dada a forma como conseguiu ser nomeado.”

O problema é que a imoralidade, há tempos, deixou de ser um problema para o PT.

Hoje, depois do aparelhamento do Estado com a cumpanherada, depois das alianças espúrias com Collor, Maluf, Renan Calheiros, Sarney, Jucá etc — o que de pior existe na política “deztepaiz” no Congresso, em governos estaduais e em prefeituras –, depois do estupro da conta bancária do caseiro Francenildo, depois dos mensaleiros quadrilheiros, depois do “caso Rose”, a imoralidade é a cara do partido.

15/04/2012

às 17:16 \ Disseram

Teerã, uma moral imoral

“Infelizmente, nos últimos anos os jardins da infância vêm ensinando crianças a cantar e dançar, mas eles serão tratados severamente se continuarem fazendo isso.”

Valiollah Nasr, do diretor de bem-estar da província de Teerã, ao anunciar a proibição das aulas de canto e dança em escolas infantis, sob a justificativa de que as práticas são “imorais”

 

24/02/2011

às 19:53 \ Política & Cia

Chamemos a manobra de Kassab de “fundar um novo partido” pelo que ela é: uma i-mo-ra-li-da-de

Kassab com o tucano Alckmin: traição aos aliados e adesão às hostes do governo única e exclusivamente pela ambição de ser governador

Todos nós, jornalistas, vimos tratando com luvas de pelica e metáforas suaves – sem contar alguns casos de salamaleques – essa história de o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, estar prestes a abandonar o DEM pelo qual foi eleito, em aliança com o PSDB, fundar um novo partido, carregar para ele deputados federais, estaduais, vereadores e até o vice-governador paulista, Guilherme Afif Domingos, e, transcorrido algum tempo, juntar esse novo partido ao PSB.

Está tudo combinado com o presidente do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Com isso, o prefeito deixaria de integrar os quadros da oposição para reforçar as fileiras do governo.

Tratamos com luvas de pelica, como se já estivéssemos acostumados a essas coisas – e o pior é que estamos, sim, todos nós, no Brasil.

No entanto, Kassab é mais um a nos lembrar que, na política, nos aproximamos do fundo do poço da imoralidade. A manobra de Kassab precisa ser chamada pelo que é: uma i-mo-ra-li-da-de.

Vejam bem: o prefeito pretende fundar um novo partido. Esse partido terá estatutos, um projeto, dezenas de parlamentares foragidos de outras legendas e dois vice-governadores trânsfugas (além de Afif, Otto Alencar, da Bahia, integrante do PP malufista) e vai precisar arrebanhar meio milhão de filiados Brasil afora. Disporá, assim, de um diretório nacional, de diretórios estaduais e municipais.

Uma organização de porte razoável, portanto, disseminada por diferentes pontos do país. Terá até um nome, e pomposo: Partido Democrático Brasileiro (PDB).

NÃO HÁ NENHUM OBJETIVO NOBRE EM JOGO

E tudo isso para quê?

Para oferecer uma nova alternativa aos brasileiros?

Para trazer sugestões de solução aos grandes problemas do país, como a desigualdade, a falta de saneamento básico, a deficiência de infraestrutura, a gritante impunidade?

Não, amigos, nada disso.

O partido é só para inglês ver, ou para boi dormir.

Não servirá a nenhum objetivo nobre.

Servirá para burlar as regras do jogo, as interpretações da Constituição definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal segundo as quais os mandatos dos eleitos não pertencem a eles, mas aos partidos políticos. Portanto, quem trocar de partido perde o mandato.

Isso, porém, não vale para quem sai de um partido para fundar uma nova agremiação.

Pronto, aí chegamos: essa é a trampolinagem que Kassab está armando.

E tudo – a traição aos aliados tucanos, a fundação de um partido de araque que vai se esfumaçar no ar, a mudança com armas e bagagens para as hostes do governo – única e exclusivamente por ambição pessoal: ele acha, com isso, que disporá de legenda e palanque para disputar o governo de São Paulo em 2014.

Para chegar lá, vale tudo. Inclusive um ex-malufista, como Kassab, virar “socialista”.

Essa é a regra da nossa política, contra a qual a maioria de nós, com pasmaceira patética e bovina, submissos como carneiros, não reage nem reclama.

Apesar de ser algo indigno e imoral. Na política estamos realmente perto do fundo do poço da imoralidade.

 

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