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Igreja Internacional da Graça de Deus

24/11/2011

às 17:08 \ Política & Cia

Senador consegue passaporte diplomático em nome do Senado para pastor R. R. Soares porque “ele viaja tanto, tanto”, que precisa escapar da fila

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Pastor RR Soares viaja muito, e não pode pegar fila para passaporte (Foto: Divulgação)

Coitadinho do pastor R. R. Soares, que se autodenomina “missionário” e é o dono da “Igreja Internacional da Graça de Deus” – sim, aquele mesmo que ocupa interminavelmente as madrugadas de várias emissoras de TV.

“Ele viaja tanto, tanto, tanto, que na hora de fazer fila, ele pega a de prioridade diplomática”, justificou o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ao tentar explicar porque, em nome do Senado da República, pediu passaporte diplomático para o pastor e para a mulher dele, Maria Madalena Bezerra Soares.

Vejam os eleitores do Rio de Janeiro a que se dedica o senador.

Atenção!

Passaporte para o “missionário” é em nome do Senado!

Senador Marcelo Crivella: passaporte diplomático para o titio RR Soares

Senador Marcelo Crivella: passaporte diplomático para o titio RR Soares (Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado)

Crivella pediu o passaporte em nome do Senado da República. Como se se tratasse de assunto do alto interesse dos representantes eleitos pelo povo para representar os Estados e o DF.

O que é que tem a ver o “missionário”, e ainda mais sua mulher, com o interesse público, com o Senado?

Que moleza é essa?

Ah, antes que me esqueça: o pastor é tio do senador.

E a mulher do pastor é irmã do “bispo” Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus.

Sarney toma a atitude certa e desautoriza a mamata

Espera-se que o chanceler Antonio Patriota, mais sóbrio do que seu deslumbrado antecessor, Celso Amorim – aquele mesmo que se referia a Lula como “nosso guia” – dê um jeito de mudar os regulamentos que permitem esses abusos.

E, depois de meses de críticas, deixe-me elogiar o senador José Sarney, presidente do Senado, que hoje desautorizou, expressamente, a seus colegas que peçam ao Itamaraty passaportes de terceiros.

Sarney

Sarney: nada de passaportes para terceiros (Foto: Pedro França / Agência Senado)

“O senador não pode e não deve pedir (passaporte)”, afirmou Sarney. “Não é atribuição nossa pedir passaporte para terceira pessoa”.

Que assim seja, em nome, no mínimo, do decoro do Itamaraty, para não dizer dos senadores que abusam de seus mandatos.

 

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