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IBGE

11/12/2014

às 14:00 \ Política & Cia

MILITARES: Coronel do Exército em Post do Leitor defende a carreira e diz que “as Forças Armadas sempre serão muito maiores que as opiniões de todos que a compõem”

Tropas especiais do Exército Brasileiro (Foto: EB)

Formação dos Dragões da Independência, do Exército, na Praça dos Três Poderes, em Brasília (Foto: Exército Brasileiro)

Post publicado originalmente a 26 de agosto de 2013

Por João Roberto Albim Gobert Damasceno, tenente-coronel do Exército

Campeões-de-audiênciaUltimamente, especialmente nas mídias sociais e blogs, temos visto comentários, principalmente anônimos ou sob pseudônimo, com todo tipo de achincalhe contra o Exército e muita desinformação. Poucos apontam os aspectos positivos, e muitos demonstram sequer conhecer a própria profissão. Por isso, expresso em alguns pontos abaixo minha opinião pessoal.

Primeiro: em todos os blogs que leio, inclusive o Montedo, eu nunca comento como anônimo. Quem se aproveita do anonimato para atacar, é covarde. Quem defende sua posição usando o anonimato não tem credibilidade.

Desafio a me responderem se identificando e debater com um militar que conhece, de verdade, sua profissão e sua Força, e que tem inúmeros exemplos a dar, em todos os postos e graduações, de verdadeiros soldados, aqueles que não se limitam a fazer fila com os pobres de espírito.

Segundo: a carreira militar é para vocacionados, dinheiro é secundário e cada um deve viver como pode. Eu sou tenente-coronel, pago pensão judicial e, se não vivesse em guarnição especial de fronteira e comandasse Organização Militar, ganharia como subtenente.

"A carreira militar é para vocacionados"

“A carreira militar é para vocacionados” (Foto: EB)

Não devo 1 centavo e vivo muito bem, com esposa e dois filhos, com orçamento apertado, mas digno o bastante. Se não está satisfeito com o salário e só sabe criticar a Instituição, estude com afinco e saia. Sua presença prejudica o cumprimento da missão, pois sua prioridade é o dinheiro.

Terceiro: a falta de recursos é recorrente nas Forças Armadas de todo o mundo, mesmo as mais poderosas. A maioria dos que comentam sobre sucateamento da Força, mesmo sendo militares, demonstram não conhecer o tema.

As dificuldades materiais estão exclusivamente ligadas a orçamento reduzido.

Mas existem muitos projetos militares que, quando contemplados com recursos suficientes, desenvolvem-se bem. Vide o PROFORÇA, “… um processo que pretende conduzir o Exército ao patamar de força armada de país desenvolvido e ator mundial, capaz de se fazer presente, com a prontidão necessária, em qualquer ponto da área de interesse estratégico do Brasil.” (extraído do Site do Exército Brasileiro).

Os horizontes temporais do PROFORÇA são 2015, 2022 e 2030.

Vide, por exemplo, a exemplar condução brasileira da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), já se aproximando do 20º contingente.

"A dignidade de uma carreira é consequência da atitude dos homens e mulheres que a abraçam"

“A dignidade de uma carreira é consequência da atitude dos homens e mulheres que a abraçam” (Foto: EB)

Quarto: A dignidade de uma carreira é consequência da atitude dos homens e mulheres que a abraçam. O militar dignifica a farda que usa, não o contrário.

Quinto: cursar uma escola como a AMAN, no nível de exigência intelectual e físico exigidos, formar-se oficial para ter um salário enquanto estuda para concurso público?

Questiono até a inteligência de um sujeito que faz isso! Por que não fez uma faculdade civil? Por que não pesquisou sobre a carreira militar antes de se apresentar como voluntário?

Sexto: sobre salários, a melhor fonte de informação ainda é o IBGE, não o achismo de vários anônimos. Acesse, procure pelo gráfico dos salários no Brasil e veja se nós ganhamos tão mal assim, considerado o Brasil como um todo.

A negociação salarial da carreira ocorre no nível político, e assim vem sendo feito, nossos chefes maiores não estão ao largo dessa busca por melhorias. No nível tático, do dia a dia: o militar que quer ganhar mais, treine, faça o Curso Básico de Paraquedista, vá para a Brigada Paraquedista, acumule 20 cotas e incorpore-as, faça o Curso de Guerra na Selva e acrescente mais um pouco.

"o militar que quer ganhar mais, treine, faça o Curso Básico de Paraquedista, vá para a Brigada Paraquedista"

“O militar que quer ganhar mais, treine, faça o Curso Básico de Paraquedista, vá para a Brigada Paraquedista, faça o curso de Guerra na Selva…” (Foto: EB)

Não há exército no mundo em que os militares sejam ricos. Onde eles ganham mais, o custo de vida é muito mais alto, e as sociedades, em geral, diferem muito em seus hábitos de consumo.

Sétimo: basta consultar o Exército em Números, disponível no Portal EBNET (acessível dentro das organizações militares, para que se veja que as demissões ex-officio ou a pedido, bem como a evasão de militares, cujas estatísticas datam desde 1967 concentram-se em apenas algumas qualificações militares (QM), sabidamente muito mais bem remuneradas no meio civil.

As especialidades que passam de 20% de demissões são, para os oficiais, as dos médicos e engenheiros militares (formados pelo Instituto Militara de Engenharia e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e, para as praças, QM topografia, aviação (manutenção e apoio) e algumas turmas de QM Saúde (apoio). Esta é a verdade.

E mais, ao longo dos anos, não é possível identificar nenhuma tendência de aumento exagerado de evasão em todas as outras carreiras combatentes, apenas flutuações normais. Assim, analisar o que acontece em um determinado ano, fora do contexto de todas as turmas de todas as carreiras, nada significa, não tem relevância estatística.

A minha turma, por exemplo, Infantaria da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), de 1991: entre os 146 formandos houve 4 evasões, perfazendo 2,7% da turma.

Por fim, acredito que as Forças Armadas sempre serão muito maiores que as opiniões de todos que a compõem, tanto os bons, como os maus.

Os bons sempre trabalharão em prol da evolução da Instituição, serão Paraquedistas, Guerra na Selva, Comandos, Forças Especiais, Montanha; cursarão a Escola de Material Bélico, Escola de Instrução Especializada; serão Aeromóveis, Infantes Leves ou Mecanizados, Combatentes Blindados, da Aviação do Exército, Combatentes de Caatinga; serão aprovados na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, comandarão Unidades, Grandes Unidades (Brigadas e Divisões de Exército), Regiões Militares, Comandos Militares de Área; serão nomeados Instrutor-Chefe de Tiro-de-Guerra, serão Auxiliares de Adido Militar no exterior.

"as Forças Armadas sempre serão muito maiores que as opiniões de todos que a compõem"

“as Forças Armadas sempre serão muito maiores que as opiniões de todos que a compõem” (Foto: EB)

Os maus, sempre remarão contra, tentarão desestimular outros, até lograrão algum êxito, mas é impossível que prevaleçam, pois são desunidos e agem apenas para satisfazer seus interesses particulares.

O que os maus não sabem é que eles sempre existiram, e nossa Força subsiste a eles. E assim será, pois até mesmo Deus abençoa o homem de armas, e é chamado de Senhor dos Exércitos.

AOS BONS!

LEIAM TAMBÉM:

FORÇAS ARMADAS: Depoimentos dramáticos de militares mostram as razões de frustração com a carreira

Forças Armadas: 249 oficiais se demitiram no ano passado. Neste ano, até julho, foram 162. O que é que está acontecendo?

22/11/2014

às 14:00 \ Tema Livre

Viram o censo? BH cai para 6ª maior capital, superada por Salvador e Brasília, e Manaus ultrapassa Curitiba e passa à 8ª

Com seus 2.375.444 habitantes, a capital de Minas agora está atrás de Salvador, de Brasília e de Fortaleza

Post publicado originalmente a 7 de dezembro de 2010

Campeões-de-audiênciaHá inúmeras novidades a serem ressaltadas, mas queria agora mencionar apenas uma: a reviravolta que houve na relação das maiores capitais brasileiras.

São Paulo continua sendo a maior delas, com 11.244.369 habitantes, e o Rio a segunda, com 6.323.0037.

Mas Belo Horizonte, que durante muito tempo manteve o terceiro posto, que depois cedeu a Salvador, desabou para sexto lugar. Com seus 2.375.444 habitantes, a capital de Minas agora está atrás de Salvador (2.676.606), de Brasília (2.562.963) e de Fortaleza (2.447.409).

Brasília talvez merecesse uma consideração especial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo censo, uma vez que esses 2,5 milhões de habitantes se espalham por dezenas de “cidades-satélites” do Distrito Federal, com pelo menos uma delas, Taguatinga, tendo porte semelhante ou maior ao de várias capitais brasileiras.

Ou seja, o Distrito Federal não tem apenas uma cidade, Brasília, embora as cidades-satélites não tenham autonomia política, não elegem prefeitos nem vereadores, razão pela qual se mantenha a ficção de que é a cidade de Brasília, e não todo o DF, que abriga um pouco mais de 2,5 milhões de habitantes.

Curitiba, que segundo o censo de 2000 era a sétima maior capital, caiu para o oitavo, diante do espetacular crescimento populacional de Manaus, que saltou de 1.405.835 habitantes há dez anos para 1.802.525 agora, contra os 1.764.896 de Curitiba. Ao desalojar Curitiba do sétimo posto, Manaus rebaixou Recife, antes a oitava capital, para o nono lugar, com 1.536.934 moradores.

A décima maior capital continua sendo Porto Alegre, com 1.409.939 habitantes.

10/10/2014

às 6:00 \ Disseram

Piadista

“O presidente Lula não se emenda, vive de pegadinhas. (…) Daqui a pouco ele só será ouvido em programas humorísticos.”

Fernando Henrique Cardoso, em resposta a afirmações em que o ex-presidento Lula reclama de insultos que os nordestinos estariam recebendo após o primeiro turno das eleições por causa de seus votos

05/09/2014

às 18:11 \ Política & Cia

Inflação avança 0,25% em agosto e estoura (de novo) teto da meta

No ano, preços já sobem mais de 4% (Foto: Tuca Vieira/Folha Imagem)

No ano, preços já sobem mais de 4% (Foto: Tuca Vieira/Folha Imagem)

Segundo IBGE, em 12 meses até agosto o IPCA acumulou alta de 6,51%. No ano, preços já sobem mais de 4%

De VEJA.com

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou 0,25% em agosto, depois de ficar estável em julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. O indicador prévio (IPCA-15) do mês havia desacelerado para 0,14%.

Em agosto do ano passado, a inflação variou 0,24%.

Com isso, o acumulado em doze meses é de 6,51%, pouco acima dos 6,50% registrados no mesmo período até julho. Assim, o indicador ultrapassou, de novo, o limite da inflação “aceitável” pelo governo, cuja meta vai de 2,5% (mínimo) a 6,5% (máximo), com centro de 4,5%. Em junho, ele já havia batido 6,52% na mesma base de comparação. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, a alta é de 4,02%.

Analistas ouvidos pela Reuters esperavam exatamente alta de 0,25% no mês passado, segundo a mediana de 25 projeções que variaram de 0,17% a 0,30%. Para o acumulado em doze meses, os economistas também acertaram em cheio – a expectativa era de avanço de 6,51% na mediana de 23 estimativas entre 6,43% a 6,57%.

Leiam mais:
Dilma: reduzir inflação implica cortar gastos sociais
Aécio quer reduzir inflação ao centro da meta em até 3 anos

Pesos pesados - A inflação em agosto só não veio maior porque o item Alimentação e Bebidas contribuiu com 0,04 ponto porcentual negativo. Pelo quinto mês consecutivo o grupo registrou recuo no IPCA, sendo este de 0,15% em agosto. Considerando somente os alimentos consumidos em casa a queda foi de 0,61%.

O grupo Habitação teve o maior impacto positivo, de 0,14 ponto porcentual no índice cheio (0,25%). Com o aumento nas taxas de água e esgoto das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro (6,10%), Vitória (5,25%), Fortaleza (2,03%) e São Paulo (3,24%), o item subiu 1,46%.

Ainda em habitação, os preços de condomínios subiram 1,35% em agosto, enquanto o aluguel aumentou 0,66%. Artigos de limpeza ficaram 1,31% mais caros, assim como mão de obra para pequenos reparos (0,66%).

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

03/09/2014

às 17:00 \ Política & Cia

‘Recessão’, a palavra, surgiu para acalmar. Mas não deu certo — inclusive aqui, no Brasil

(Foto: VEJA.com)

A palavra “recessão” entrou para o vocabulário econômico com a crise de 1929 (Foto: VEJA.com)

Texto do excelente jornalista e escritor Sérgio Rodrigues — amigo querido — publicado em VEJA.com

3SergioRodriguesDivulgacaoMariaMendesQuando uma palavra entra em cena com fôlego para ser eleita não apenas a mais marcante da semana, mas quem sabe a do ano, todas as outras se calam. O Brasil está em recessão, anunciou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Isso quer dizer que foi registrado um semestre inteiro de resultados negativos na variação do Produto Interno Bruto, o que caracteriza uma definição de manual para recessão – termo que o português foi buscar no latim recessionis, “ação de se afastar, recuo, retrocesso”.

Só no século XX a palavra ganhou emprego no vocabulário econômico. Significativamente, isso se deu pela primeira vez em inglês, na esteira da quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929.

O lexicógrafo britânico John Ayto, da equipe do dicionário Oxford, o mais importante da língua inglesa, afirma que a acepção econômica de “recessão” contém “mais que um traço de eufemismo”. Segundo essa tese, o termo, com seu jeitão frio e técnico, surgiu para conter o alarmismo que palavras mais cruas, como “crise”, pudessem provocar.

Economistas gostam de eufemismos – “crescimento negativo” é o maior clássico do gênero –, mas a recessão iniciada em 1929 acabou se mostrando tão grande e desvastadora que desmoralizou qualquer possibilidade de atenuamento, transbordando de seu próprio sentido para desaguar num termo ainda mais assustador: “depressão”.

Se a fronteira entre esses dois estados econômicos doentios não é muito clara, pois economia nunca foi ciência exata, vale lembrar uma boa tirada do ator e presidente americano Ronald Reagan:

– Recessão é quando seu vizinho perde o emprego. Depressão é quando você perde o seu.

De uma forma ou de outra, o ex-eufemismo não demorou a perder inteiramente o poder de acalmar alguém, como o noticiário brasileiro demonstra mais uma vez.

29/08/2014

às 18:00 \ Disseram

Recessão não é opinião

“É meramente efeito estatístico pelo resultado negativo do segundo trimestre.”

Guido Mantega, ministro da Fazenda, ao afirmar que o Brasil não está em recessão após o anúncio feito pelo IBGE de que o PIB caiu pelo segundo trimestre consecutivo

27/07/2014

às 18:00 \ Vasto Mundo

NEIL FERREIRA: Chega de chorar ao ler os jornais

(Foto: Jack Guez/AFP/Getty Images)

“Escrevo cansado de ver nos jornais o placar do Oriente Médio”, diz Neil (Foto: Jack Guez/AFP/Getty Images)

MAIS QUANTOS MORREM ENQUANTO ESCREVO ESTE TEXTO?

Neil sob intenso bombardeio da mídia Ferreira

Artigo publicado nas páginas de opinião do Diário do Comércioda Associação Comercial de São Paulo

neil-ferreiraAntes Scriptum: Mais 3 vagas na ABL, conheço bem 2 delas: João Ubaldo e Ariano Suassuna. João Ubaldo, sem contar seus livros deliciosos, um deles deixado incompleto, encantava seus leitores dos jornais, aqui em São Paulo no Estadão, Caderno 2, aos domingos.

Suassuna, inesquecível por seu “Auto da Compadecida”, que transformou João Grilo num artista na arte de mentir, e o para mim quase incompreensível “A Pedra do Reino”, cujo volume (que tenho) para em pé de tão grosso. Três lágrimas sentidas para eles e pra vaga que não conheço (NF).

Escrevo cansado de ver nos jornais o placar do Oriente Médio: Israel mais de 800, na maioria civis indefesos, dos quais sei que 147 são crianças e 74 mulheres x Palestinos 39, talvez entrem na conta as 3 crianças israelenses sequestradas e massacradas. Sei que os palestinos cutucaram o dragão com vara curta, então que paguem a conta, é isso? (É).

Vejo que Israel falou que o Brasil é um “país irrelevante”; e é. Mas não só pela nossa diplomacia, momentaneamente contrária aos interesses israelenses.

Acho e aviso que Israel não l falou do jeito que estou falando agora: o Brasil irrelevante mesmo. E um “anão diplomático”, que também acho que é.

Pelo menos alguém teve a coragem de falar a verdade : “país irrelevante” e “anão diplomático”, talvez não pelos mesmos motivos que Israel teve, mas pelos que nós temos.

País que tem Dilma como quase reeleita nas pesquisas só pode ser “irrelevante” e a se levar em conta os últimos Ministros das Relações Exteriores, é “anão diplomático”, sim. Israel atirou no que viu e acertou no que não viu.

Que fique claro: também momentaneamente não aprovo a política externa de Israel, mas quem sou eu pra me meter a sebo de aprovar ou desaprovar qualquer coisa que seja.

Como Jeovah, Allah e Deus, brimos entre si segundo o Livro de Abraão, permitem semelhante mortandade entre seus herdeiros, também primos entre si?

E a ONU? Cada vida que se perde, uma que seja, de qualquer lado que seja, é demais; uma vida perdida não volta, uma criança de qualquer um dos lados é para ser chorada até o fim dos tempos.

As 3 crianças israelenses e as 147 crianças palestinas, sacrificadas no altar da insânia: esses números vão aumentar, isso é quase uma certeza, só tendem a aumentar. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

27/04/2014

às 18:06 \ Política & Cia

SARDENBERG: Governo tenta ganhar a inflação no “braço”, mas está perdendo. Com o que concordam os economistas — e o povo

Quando todo mundo acha que os preços vão subir... eles acabam subindo (Ilustração: O Globo)

Quando todo mundo acha que os preços vão subir… eles acabam subindo (Ilustração: O Globo)

A INFLAÇÃO DO POVO E A DOS ECONOMISTAS

Artigo de Carlos Alberto Sardenberg publicado na excelente seção de Opinião de O Globo

Carlos Alberto Sardenberg

Carlos Alberto Sardenberg

Em fevereiro deste ano, o Datafolha perguntou em uma de suas pesquisas nacionais: você acha que a inflação vai aumentar ou vai cair?

“Vai aumentar” responderam 59% dos entrevistados. Já mostrava uma expectativa negativa .

No mesmo mês, analistas de fora do governo, consultados pelo Banco Central, estimavam que a inflação chegaria ao final deste ano em 5,9%, medida pelo IPCA, índice do IBGE. Não chegava a ser uma novidade, pois a média de inflação nos últimos anos tem ficado em torno dos 6%. Mas continuava sendo um número alto, considerando que a meta oficial é de 4,5%, podendo ir até 6,5%, na margem de tolerância.

Vamos para abril. O Datafolha fez a mesma pergunta. E nada menos que 65% disseram que a inflação vai aumentar. Uma alta de seis pontos percentuais.

O BC, como faz toda semana, consultou novamente os analistas. No último dia 17, eles elevaram a previsão de inflação para este ano para 6,51%, conforme mostra Boletim Focus [resultado de estudos e projeções de dezenas de instituições do mercado], que pode ser acompanhado no site do BC. É só um pouquinho acima do teto da meta (a margem de tolerância), mas o movimento tem sido de alta direto. Além disso, é a primeira vez no ano que passa do teto.

Logo, especialistas e povo têm a mesma expectativa. Os economistas não acreditam que a alta de juros promovida pelo Banco Central e a promessa de corte de gastos do governo farão o efeito de bloquear a inflação. As pessoas ou os eleitores não acreditam nas repetidas afirmações da presidente Dilma, do ministro Mantega e do presidente do BC, Alexandre Tombini, segundo os quais o governo vai derrubar o IPCA.

Do ponto de vista técnico, se diz que o BC não está conseguindo “ancorar” as expectativas. No regime de metas, é meio caminho andado quando o mercado acredita que a “autoridade monetária” está mesmo empenhada em colocar a inflação no alvo e tem instrumentos e autonomia para fazer isso. No caso, autonomia para elevar os juros o quanto for necessário. O mercado acha o contrário, neste momento, e opera, negociando taxas de juros, por exemplo, na expectativa de que a inflação é alta e resiliente.

De ponto de vista da população, vale a experiência de compras. Índice de inflação de 6% é uma média entre preços que sobem e caem. Tem cigarro e cerveja no índice. Se você não fuma nem bebe, não percebe a inflação desses itens. Ocorre que estão subindo mais, bem acima da média, preços de itens que afetam todo mundo: comida e serviços em geral, desde corte de cabelo a mensalidade escolar. E mais recentemente, tarifas de energia elétrica e de transporte público.

Até chegaram a cair preços de alguns eletrodomésticos, por causa da demanda mais fraca e do crédito mais difícil. Muitas pessoas perceberam, mas você não compra geladeira todo ano. Já supermercado e salão de beleza…

Nesse ambiente, acontece algo muito conhecido: quando todos acham que a inflação vai subir… ela sobe.

O empresário trata de colocar no preço a expectativa de alta. Os sindicatos começam a pedida salarial de 7% para cima. Se o mercado está aquecido, o prestador de serviço eleva seus preços mais frequentemente.

A persistência da inflação relativamente alta vai incomodando aos poucos. A pessoa está empregada, com salário em dia, mas toda semana vê que algo ficou mais caro. O dono do negócio, a um determinado momento, não sabe mais que preço estimar – e dá uma parada. O próprio governo vai ficando incomodado, pois seus integrantes percebem que precisam elevar alguns preços e salários.

A sensação de desconforto econômico se transforma em disposição de voto contra o governo. Esse é o maior risco para a presidente Dilma, além, claro, do caso Petrobrás: entrar na campanha em ambiente inflacionário.

Mas, pergunta o leitor, não seria possível combater e derrubar essa alta de preços? Sim, é possível, mas como o governo errou na política econômica, colhendo inflação alta e crescimento baixo, e como tolerou por muito tempo o ritmo elevado dos preços, o remédio necessário é cada vez mais amargo. E de efeitos demorados.

Trata-se de juros ainda mais altos e de um forte corte nos gastos públicos, atitudes politicamente negativas e nas quais, a rigor, a presidente Dilma e o ministro Mantega nem acreditam.

Por isso, tentam controlar alguns preços “no braço” e ganhar a batalha das expectativas no grito. Toda hora repetem que a inflação está sob controle. Mas não é o que dizem os analistas e o povo, numa rara combinação.

 

27/01/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Nova forma de calcular taxa de desemprego vai obrigar Dilma a reformular seu discurso eleitoral

Fila de desempregados em Manaus: a disparidade entre as regiões mais ricas e as demais é muito grande (Foto: portaldoamazonas.com)

Fila de desempregados em Manaus: a disparidade entre as regiões mais ricas e as demais é muito grande (Foto: portaldoamazonas.com)

TAXA DE DESEMPREGO: UM OLHAR MAIS ATENTO

Por José Márcio Penido, um dos titulares da coluna Na Real

Não é possível comparar os dados de desemprego apurados pelo IBGE em apenas seis regiões metropolitanas, como prevalecia até agora, com o novo modelo, que o instituto apresentou na sexta-feira, 17, abrangendo os números de 3.500 cidades de todo o país.

A primeira, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), leva em conta cada mês, e a atual, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) será trimestral. Em dezembro a PME deixará de ser divulgada.

Mesmo considerando-se que a primeira divulgação do modelo tenha apenas a pesquisa referente ao terceiro trimestre de 2013, pelo menos duas conclusões já podem ser tiradas:

1. Os índices reais de desemprego no Brasil são mais elevados do que se apresentava até agora. No período levantado ficaram em 7,4%, contra uma média de 5,5% no modelo antigo.

Com base nisto, o Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco estima que o desemprego em 2013 deverá ficar em 7,2%, ante 5,4% da pesquisa mensal.

2. Há uma grande disparidade entre os índices do Norte e do Nordeste – 10% – e os do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Em relação a esta última região ela é simplesmente mais que o dobro.

A divulgação dessas mudanças agora, quando a campanha eleitoral começa a pegar velocidade, é uma prova da total independência do IBGE em relação aos interesses políticos do governo e dos partidos governistas, ao contrário de outros organismos governamentais, como a Petrobras e, para boa parte do mercado, o próprio Banco Central.

O governo terá de preparar um novo discurso sobre o assunto, uma vez que se pensava explorar nos palanques da presidente Dilma os índices anteriores, que indicavam que o país vivia quase uma situação de pleno emprego.

E pegam as regiões onde Dilma/Lula têm seu maior cabedal de votos.

06/09/2013

às 12:36 \ Política & Cia

Soco na boca do estômago dos marqueteiros de Dilma

"Até o ministro Guido Mantega, o 'dr. Pangloss' nacional de plantão, preferiu ser comedido" (Foto: VEJA.com)

"Até o ministro Guido Mantega, o 'dr. Pangloss' nacional de plantão, preferiu ser comedido" (Foto: VEJA.com)

Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros

SUCESSO ELEITORAL? – 1

Há dúvidas a respeito da continuidade da recuperação da economia brasileira no ritmo flagrado pelo IBGE no segundo trimestre. O próprio ministro Guido Mantega, o “dr. Pangloss” nacional de plantão, preferiu ser comedido e ficar com sua previsão anterior, de crescimento de 2,5% até dezembro, melhor que no ano passado, mas inferior da 2011.

A presidente Dilma, sempre, agora com a direta orientação de seus marqueteiros, sempre disposta a trombetear qualquer sucesso de seu governo, mesmo quando é apenas uma pedra fundamental, preferiu também ser comedida nas suas comemorações. As razões nos parecem mais políticas que econômicas.

Um dado do PIB do primeiro trimestre não é para comemorar, pelo menos sob a ótica político-eleitoral mais imediata do Palácio do Planalto. Enquanto economistas apontavam como um dos sinais o fato de a economia nacional estar invertendo sua lógica de crescimento dos últimos anos, saindo da força no consumo e recuperando ainda que em bases baixas, o investimento, o mundo do marketing político vê essa inversão como um ponto negativo.

Sucesso eleitoral? – 2

Afinal, a popularidade da presidente até a eclosão das ruas em junho, assim com a de Lula antes e sempre, se sustentou exatamente neste ponto: a satisfação da sociedade, especialmente a impropriamente chamada classe C, por estar consumindo mais.

O sinal de que o consumo está estagnado – cresceu apenas 0,3% no trimestre abril/maio/junho, depois de ter caído 0,8% no período anterior – foi um soco na boca do estômago dos marqueteiros. Ainda mais se somarmos a isto os dados de que o crescimento da oferta de empregos com carteira assinada está desacelerado, que a renda média do trabalhador cai desde o início do ano, que o crédito ao consumo está mais seletivo.

As manifestações juninas tiveram como estopim o aumento nos transportes coletivos em São Paulo, Rio e em algumas outras cidades, porém só tiveram o alcance de público e de crítica que tiveram porque havia um caldo de cultura para o movimento prosperar.

Sucesso eleitoral? – 3

Centenas e milhares de pessoas foram se manifestar e mais de 80% dos brasileiros (dados de mais de uma pesquisa) aplaudiram as ruas em movimento não apenas pela insatisfação com a qualidade dos serviços públicos em geral e com a capacidade dos políticos fazerem as coisas certas, mas também por uma difusa sensação de insegurança pessoal, medo de perder o que foi conquistado nos últimos anos.

Enquanto os economistas de Dilma não encontram uma fórmula para recuperar o poder de consumo da população e afastar o temor do desemprego, o desafio de Dilma e seus marqueteiros será encontrar outro mote para manter o discurso de gosto popular que a presidente abraçou nos últimos meses.

Daí a ênfase no programa “Mais Médicos”, um ideia positiva, porém cheia de aventuras e improvisações que tanto pode ser bem sucedida como virar um fracasso do qual Dilma e menos ainda o ministro Alexandre Padilha dificilmente se recuperarão.

 

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