Blogs e Colunistas

grandes obras

17/03/2012

às 17:00 \ Vasto Mundo

Em 2012, uma China menos China — que coloca o pé no freio do crescimento

Pé no freio O fim de grandes obras, como o trem-bala, deve conter o ritmo chinês (Foto: AP)

PÉ NO FREIO -- O fim de grandes obras, como a extensão das linhas do trem-bala, deve conter o ritmo chinês (Foto: AP)

 China menos China?

 

Soa como uma provocação a ideia de um país se esforçar para crescer menos. Mas é o caso da China. O primeiro-ministro Wen Jiabao informou que a meta de crescimento para os próximos anos será de “apenas” 7,5%. É verdade que o objetivo anterior, de 8%, foi batido com folga, com direito a um pico de 14% em 2007.

Até por isso a maioria dos analistas acredita que a China cresça mais do que a meta neste ano, algo como 8,5%. Índice para lá de robusto para qualquer país, mas que, no caso do gigante asiático, significa o começo de um processo de desaceleração que terá consequências para o resto do mundo. A intenção da direção do Partido Comunista é deixar a China menos dependente das exportações e incentivar a sua própria demanda. “Iremos ajustar a distribuição de renda, aumentando os ganhos das classes baixa e média e a capacidade das pessoas de consumir.”, disse Jiabao. ” Nosso desenvolvimento está desequilibrado e insustentável”.

O consumo das famílias chinesas responde por apenas 33% do PIB do país, contra os 60% registrados no Brasil, por exemplo.

Impactos, negativo e positivo, sobre o Brasil

O Brasil pode perder com a diminuição na venda de minério de ferro, caso o governo cumpra a promessa de investir menos em obras gigantescas de infraestrutura e também na construção civil, duas áreas que consomem grandes quantidades de aço. A notícia pode ser ruim para a Vale, o gigante brasileiro de mineração, mas o aumento do consumo dos chineses favorece a importação de alimentos.

“A primeira coisa que um povo faz quando tem o seu poder aquisitivo aumentado é comer melhor”, diz Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Suína (Abipecs). Octavio de Barros, diretor de pesquisas macroeconômicas do Bradesco, concorda: “O cenário continua positivo para o Brasil. Mantemos uma relação estratégica de fornecimento de insumos. O potencial para a área de alimentos, especialmente, é enorme. Ao crescer 7% ou 8%, a China produz um impacto hoje superior ao que seria verificado na fase do crescimento de dois dígitos, porque hoje o país é mais rico”.

(Texto de Ana Luiza Daltro publicado na edição de VEJA  14 de março de 2012)

 

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados