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Gleisi Hoffmann

06/03/2015

às 21:38 \ Política & Cia

Lista do petrolão reúne cúpula do Congresso e bate em cheio na base de apoio de Dilma

(Fotos: Agência Brasil/Sérgio Lima/Alan Marques/Folhapress)

Eduardo Cunha e Renan Calheiros (PMDB), Fernando Collor (PTB) e Gleisi Hoffmann (PT): Supremo autorizou investigação sobre eles e mais 30 parlamentares (Fotos: Agência Brasil/Sérgio Lima/Alan Marques/Folhapress)

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de inquéritos para investigar políticos citados na Operação Lava Jato da Polícia Federal

De VEJA.com

Depois de uma semana de muita tensão em Brasília, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou na noite desta sexta-feira a temida lista dos políticos que serão investigados por suspeita de envolvimento com o propinoduto que sangrou os cofres da Petrobras. Zavascki determinou a abertura de 21 inquéritos, que reúnem 22 deputados federais e 12 senadores. Todos eles serão investigados no Supremo no âmbito da Operação Lava Jato da Polícia Federal.

Zavascki também seguiu a recomendação da Procuradoria-Geral da República e determinou o arquivamento das denúncias contra os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Aécio Neves (PSDB)-MG) e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) por avaliar que as menções encontradas eram frágeis.

A temida lista elaborada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atinge em cheio a base a presidente Dilma Rousseff no Congresso, envolvendo políticos dos três principais partidos governistas: PT, PP, PMDB, além do senador aliado Fernando Collor, do PTB. Da oposição, o senador Antonio Anastasia, do PSDB de Minas Gerais, foi relacionado. Tanto no caso de Collor, investigado por lavagem de dinheiro, quanto no de Anastasia, os inquéritos já estavam abertos e diligências foram autorizadas.

As duas principais autoridades do Congresso Nacional integram a lista: o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A relação de senadores contém dois importantes ex-ministros do primeiro mandato de Dilma Rousseff: Edison Lobão (PMDB-MA), que comandava a pasta de Minas e Energia, e Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-chefe da Casa Civil. O deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) também foi ministro da petista (Cidades).

A presidente Dilma Rousseff foi citada nas investigações, mas o procurador-geral da República informou que não tem competência para investigá-la, conforme determina a Constituição. Dilma foi citada no mesma investigação na qual aparece o ex-ministro Antonio Palocci Filho, cujo caso foi remetido ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato em Curitiba.

A maior parte dos indícios contra parlamentares suspeitos de se beneficiarem do assalto à estatal foi recolhida a partir dos depoimentos do doleiro Alberto Yousseff e do ex-diretor de Abastecimento da petroleira Paulo Roberto Costa. Os dois fizeram acordos de delação premiada e colaboraram com os investigadores em troca de benefícios judiciais.

(PARA CONFERIR A LISTA COMPLETA DOS RELACIONADOS, DE QUE PARTIDO SÃO E QUE FUNÇÃO EXERCEM, BASTA CLICAR AQUI)

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12/02/2015

às 19:09 \ Política & Cia

VÍDEO: “Impeachment está na boca do povo”, diz líder do PSDB, senador Cunha Lima. Cristovam quer “agenda propositiva” e a petista Gleisi fala em “golpismo”

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25/10/2014

às 0:57 \ Política & Cia

NÃO DEIXEM DE LER: A REPORTAGEM DE CAPA DE “VEJA” — Youssef: “O Planalto sabia de de tudo!” Delegado: “Quem do Planalto?” Youssef: “Lula e Dilma”

EM VÍDEO - As declarações de Youssef sobre Lula e Dilma foram prestadas na presença de um delegado, um procurador da República e do advogado (Ilustração: Lézio Jr./VEJA)

EM VÍDEO – As declarações de Youssef sobre Lula e Dilma foram prestadas na presença de um delegado, um procurador da República e do advogado (Ilustração: Lézio Jr./VEJA)

O doleiro Alberto Youssef afirma em depoimento à Polícia Federal que o ex e a atual presidente da República não só conheciam como também usavam o esquema de corrupção na Petrobras

Por Robson Bonin, para VEJA

A Carta ao Leitor desta edição termina com uma observação altamente relevante a respeito do dever jornalístico de publicar a reportagem a seguir às vésperas da votação em segundo turno das eleições presidenciais: “Basta imaginar a temeridade que seria não publicá-la para avaliar a gravidade e a necessidade do cumprimento desse dever”.

VEJA não publica reportagens com a intenção de diminuir ou aumentar as chances de vitória desse ou daquele candidato. VEJA publica fatos com o objetivo de aumentar o grau de informação de seus leitores sobre eventos relevantes, que, como se sabe, não escolhem o momento para acontecer.

Os episódios narrados nesta reportagem foram relatados por seu autor, o doleiro Alberto Youssef, e anexados a seu processo de delação premiada. Cedo ou tarde os depoimentos de Youssef virão a público em seu trajeto na Justiça rumo ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro adequado para o julgamento de parlamentares e autoridades citados por ele e contra os quais garantiu às autoridades ter provas. Só então se poderá ter certeza jurídica de que as pessoas acusadas são ou não culpadas.

Na última terça-feira, o doleiro Alberto Youssef entrou na sala de interrogatórios da Polícia Federal em Curitiba para prestar mais um depoimento em seu processo de delação premiada. Como faz desde o dia 29 de setembro, sentou-se ao lado de seu advogado, colocou os braços sobre a mesa, olhou para a câmera posicionada à sua frente e se pôs à disposição das autoridades para contar tudo o que fez, viu e ouviu enquanto comandou um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar 10 bilhões de reais.

A temporada na cadeia produziu mudanças profundas em Youssef. Encarcerado des­de março, o doleiro está bem mais magro, tem o rosto pálido, a cabeça raspada e não cultiva mais a barba. O estado de espírito também é outro. Antes afeito às sombras e ao silêncio, Youssef mostra desassombro para denunciar, apontar e distribuir responsabilidades na camarilha que assaltou durante quase uma década os cofres da Petrobras. Com a autoridade de quem atuava como o banco clandestino do esquema, ele adicionou novos personagens à trama criminosa, que agora atinge o topo da República.

Comparsa de Youssef na pilhagem da maior empresa brasileira, o ex-diretor Paulo Roberto Costa já declarara aos policiais e procuradores que nos governos do PT a estatal foi usada para financiar as campanhas do partido e comprar a fidelidade de legendas aliadas. Parte da lista de corrompidos já veio a público. Faltava clarear o lado dos corruptores.

Na ter­ça-feira, Youssef apre­sentou o pon­­to até agora mais “estarrecedor” — para usar uma expressão cara à pre­sidente Dilma Rous­seff — de sua delação premiada. Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro foi taxativo:

— O Planalto sabia de tudo!

— Mas quem no Planalto? — perguntou o delegado.

— Lula e Dilma — respondeu o doleiro.

Para conseguir os benefícios de um acordo de delação premiada, o criminoso atrai para si o ônus da prova. É de seu interesse, portanto, que não falsifique os fatos. Essa é a regra que Yous­sef aceitou. O doleiro não apresentou — e nem lhe foram pedidas — provas do que disse.

Por enquanto, nesta fase do processo, o que mais interessa aos delegados é ter certeza de que o de­poente atuou diretamente ou pelo menos presenciou ilegalidades. Ou seja, querem estar certos de que não lidam com um fabulador ou alguém interessado apenas em ganhar tempo for­necendo pistas falsas e fazendo acu­sações ao léu.

Youssef está se saindo bem e, a exemplo do que se passou com Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras, tudo indica que seu processo de delação premiada será homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana passada, ele aumentou de cerca de trinta para cinquenta o número de políticos e autoridades que se valiam da corrupção na Petrobras para financiar suas campanhas eleitorais.

Aos investigadores, Youssef detalhou seu papel de caixa do esquema, sua rotina de visitas aos gabinetes poderosos no Executivo e no Legislativo para tratar, em bom português, das operações de lavagem de dinheiro sujo obtido em transações tenebrosas na estatal. Cabia a ele expatriar e trazer de volta o dinheiro quando os envolvidos precisassem.

Uma vez feito o acordo, Youssef terá de entregar o que prometeu na fa­se atual da investigação. Ele já con­tou que pagava em nome do PT mesadas de 100 000 a 150 000 reais a parlamentares aliados ao partido no Congresso. Citou nominalmente a ex-mi­nistra da Casa Civil Gleisi Hoff­mann, a quem ele teria repassado 1 mi­lhão de reais em 2010. Youssef disse que o dinheiro foi entregue em um shopping de Curitiba. A senadora ne­gou ter sido beneficiada.

Entre as muitas outras histórias consideradas convincentes pelos investigadores e que ajudam a determinar a alta posição do doleiro no esquema — e, consequentemente, sua relevância pa­ra a investigação —, estão lembranças de discussões telefônicas entre Lula e o ex-deputado José Janene, à época líder do PP, sobre a nomeação de operadores do partido para cargos estratégicos do governo.

Youssef relatou um episódio ocorrido, segundo ele, no fim do governo Lula. De acordo com o doleiro, ele foi convocado pelo então presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, para acalmar uma empresa de publicidade que ameaçava explodir o esquema de corrupção na estatal. A empresa quei­xa­va-­se de que, depois de pagar de forma antecipada a propina aos políticos, tive­ra seu contrato rescindido.

Homem da confiança de Lula, Gabrielli, segundo o doleiro, determinou a Youssef que captasse 1 milhão de reais entre as empreiteiras que participavam do petrolão a fim de comprar o silêncio da empresa de publicidade. E assim foi feito.

Gabrielli poderia ter realizado toda essa manobra sem que Lula soubesse? O fato de ter ocorrido no governo Dilma é uma prova de que ela estava conivente com as lambanças da turma da estatal? Obviamente, não se pode condenar Lula e Dilma com base apenas nessa narrativa. Não é disso que se trata.

Youssef simplesmente convenceu os investigadores de que tem condições de obter provas do que afirmou a respeito de a operação não poder ter existido sem o conhecimento de Lula e Dilma — seja pelos valores envolvidos, seja pelo contato constante de Paulo Roberto Costa com ambos, seja pelas operações de câmbio que fazia em favor de aliados do PT e de tesoureiros do partido, seja, principalmente, pelo fato de que altos cargos da Petrobras envolvidos no esquema mudavam de dono a partir de ordens do Planalto.

Os policiais estão impressionados com a fartura de detalhes narrados por Youssef com base, por enquanto, em sua memória. “O Vaccari está enterrado”, comentou um dos interrogadores, referindo-se ao que o do­leiro já narrou sobre sua parceria com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto.

O doleiro se comprometeu a mostrar documentos que comprovam pelo menos dois pagamentos a Vaccari. O dinheiro, desviado dos cofres da Petrobras, teria sido repassado a partir de transações simuladas entre clientes do banco clandestino de Youssef e uma empresa de fachada criada por Vaccari. O doleiro preso disse que as provas desses e de outros pagamentos estão guardadas em um arquivo com mais de 10 000 notas fiscais que serão apresentadas por ele como evidências.

Nesse tesouro do crime organizado, segundo Youssef, está a prova de uma das revelações mais extraordinárias prometidas por ele, sobre a qual já falou aos investigadores: o número das contas secretas do PT que ele operava em nome do partido em paraísos fiscais. Youssef se comprometeu a ajudar a PF a localizar as datas e os valores das operações que teria feito por instrução da cúpula do PT.

Depois da homologação da de­lação premiada, que parece assegurada pelo que ele disse até a semana passada, Youssef terá de apresentar à Justiça mais do que versões de episódios públicos envolvendo a presidente. Pela posição-chave de Youssef no esquema, os investigadores estão con­fiantes em que ele produzirá as provas necessárias para a investigação prosseguir.

Na semana que vem, Alberto Youssef terá a oportunidade de relatar um episódio ocorrido em março deste ano, poucos dias antes de ser preso. Youssef dirá que um integrante da ­coor­­denação da campanha presidencial do PT que ele conhecia pelo nome de “Felipe” lhe telefonou para marcar um encontro pessoal e adiantou o assunto: repatriar 20 milhões de reais que seriam usados na cam­panha presidencial de Dilma Rous­seff.

Depois de verificar a origem do telefonema, Youssef marcou o encontro que nunca se concretizou por ele ter se tornado hóspede da Polícia Federal em Curitiba. Procurados, os defensores do doleiro não quiseram comentar as revelações de Youssef, justificando que o processo corre em segredo de Justiça. Pelo que já contou e pelo que promete ainda entregar aos investigadores, Youssef está materializando sua amea­ça velada feita dias atrás de que iria “chocar o país”.

DINHEIRO PARA O PT

(Foto: Lula Marques/Folhapress)

(Foto: Lula Marques/Folhapress)

Alberto Youssef também voltou a detalhar os negócios que mantinha com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, homem forte da campanha de Dilma e conselheiro da Itaipu Binacional. Além de tratar dos interesses partidários com o dirigente petista, o doleiro confirmou aos investigadores ter feito pelo menos duas grandes transferências de recursos a Vaccari.

O dinheiro, de acordo com o relato, foi repassado a partir de uma simulação de negócios entre grandes companhias e uma empresa-fantasma registrada em nome de laranjas mas criada pelo próprio Vaccari para ocultar as operações. Ele nega.

ENTREGA NO SHOPPING

(Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

(Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

Alberto Youssef confirmou aos investigadores o que disse o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o dinheiro desviado da estatal para a campanha da exministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR) ao Senado, em 2010. Segundo ele, o repasse dos recursos para a senadora petista, no valor de 1 milhão de reais, foi executado em quatro parcelas. As entregas de dinheiro foram feitas em um shopping center no centro de Curitiba. Intermediários enviados por ambos entregaram e receberam os pacotes.

Em nota, a senadora disse que não recebeu nenhuma doação de campanha nem conhece Paulo Roberto Costa ou Alberto Youssef.

ELE TAMBÉM SABIA

(Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

(Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

Durante o segundo mandato de Lula, o doleiro contou que foi chamado pelo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, para tratar de um assunto que preocupava o Planalto. Uma das empresas com contratos de publicidade na estatal ameaçava revelar o esquema de cobrança de pedágio. Motivo: depois de pagar propina antecipadamente, a empresa teve seu contrato rescindido.

Ameaçado pelo proprietário, Gabrielli pediu ao doleiro que captasse 1 milhão de reais com as empreiteiras do esquema e devolvesse a quantia à empresa de publicidade. Gabrielli não quis se pronunciar.

CONTAS SECRETAS NO EXTERIOR

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Desde que Duda Mendonça, o marqueteiro da campanha de Lula em 2002, admitiu na CPI dos Correios ter recebido pagamentos de campanha no exterior (10 milhões de dólares), pairam sobre o partido suspeitas concretas da existência de dinheiro escondido em paraísos fiscais. Para os interrogadores de Alberto Youssef, no entanto, essas dúvidas estão começando a se transformar em certeza. O doleiro não apenas confirmou a existência das contas do PT no exterior como se diz capaz de ajudar a identificá-las, fornecendo detalhes de operações realizadas, o número e a localização de algumas delas.

UM PERSONAGEM AINDA OCULTO

personagem-oculto-size-620O doleiro narrou a um interlocutor que seu esquema criminoso por pouco não atuou na campanha presidencial deste ano. Nos primeiros dias de março, Youssef recebeu a ligação de um homem, identificado por ele apenas como “Felipe”, integrante da cúpula de campanha do PT. Ele queria os serviços de Youssef para repatriar 20 milhões de reais que seriam usados no caixa eleitoral. Youssef disse que chegou a marcar uma segunda conversa para tratar da operação, mas o negócio não foi adiante porque ele foi preso dias depois. Esse trecho ainda não foi formalizado às autoridades.

(CLIQUEM NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA)

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Quem delata pode mentir?

Por Alexandre Hisayasu, para VEJA

ATÉ A MÁFIA FALOU - Tommaso Buscetta, o primeiro mafi oso a fazer delação premiada. Na Sicília, seu sobrenome virou xingamento (Foto: Broglio/AP)

ATÉ A MÁFIA FALOU – Tommaso Buscetta, o primeiro mafi oso a fazer delação premiada. Na Sicília, seu sobrenome virou xingamento (Foto: Broglio/AP)

A delação premiada tem uma regra de ouro: quem a pleiteia não pode mentir. Se, em qualquer momento, fi car provado que o delator não contou a verdade, os benefícios que recebeu como parte do acordo, como a liberdade provisória, são imediatamente suspensos e ele fica sujeito a ter sua pena de prisão aumentada em até quatro anos.

Para ter validade, a delação premiada precisa ser combinada com o Ministério Público e homologada pela Justiça. O doleiro Alberto Youssef assinou o acordo com o MP no fim de setembro. Desde então, vem dando depoimentos diários aos procuradores que investigam o caso Petrobras. Se suas informações forem consideradas relevantes e consistentes, a Justiça – nesse caso, o Supremo Tribunal Federal, já que o doleiro mencionou políticos – homologará o acordo e Youssef será posto em liberdade, como já ocorreu com outro delator envolvido no mesmo caso, Paulo Roberto Costa.

O ex-diretor da Petrobras deu detalhes ao Ministério Público e à Polícia Federal sobre o funcionamento do esquema milionário de pagamento de propinas que funcionava na estatal e benefi ciava políticos de partidos da base aliada do governo. Ele já deixou a cadeia e aguarda o julgamento em liberdade. O doleiro continua preso.

Até o ano passado, a lei brasileira previa que o delator só poderia usufruir os benefícios do acordo de delação ao fi m do processo com o qual havia colaborado – e se o juiz assim decidisse. Ou seja, apenas depois que aqueles que ele tivesse incriminado fossem julgados é que a Justiça resolveria se o delator mereceria ganhar a liberdade.

Desde agosto de 2013, no entanto, esses benefícios passaram a valer imediatamente depois da homologação do acordo. “Foi uma forma de estimular a prática. Você deixa de punir o peixe pequeno para pegar o grande”, diz o promotor Arthur Lemos Júnior, que participou da elaboração da nova lei.

Mais famoso – e prolífero – delator da história recente, o mafioso Tommaso Buscetta levou à cadeia cerca de 300 comparsas. Preso no Brasil em 1983, fechou acordo com a Justiça italiana e foi peça-chave na Operação Mãos Limpas, responsável pelo desmonte da máfia siciliana. Depois disso, conseguiu proteção para ele e a família e viveu livre nos Estados Unidos até sua morte, em 2000.

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20/10/2014

às 14:30 \ Política & Cia

O dedo ruim do ministro Gilberto Carvalho: encostou num candidato do PT, ele perde

Quem decide a sorte do PT: Lula, para melhor, e Gilberto Carvalho, para pior (Ilustração: Boopo)

Quem decide a sorte do PT: Lula, para melhor, e Gilberto Carvalho, para pior (Ilustração: Boopo)

O TOQUE DE SADIM

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

O PT tem um Midas, o ex-presidente Lula, aquele que se gaba de eleger postes para os cargos mais graduados da República. Mas o PT também tem seu pé-frio contumaz — e ele está em grande forma nestas eleições.

No primeiro turno, o ministro Gilberto Carvalho mergulhou, como boia de salvação, na campanha de Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná. De nada adiantou. Ex-chefe da poderosa Casa Civil, ela terminou a disputa em terceiro lugar.

Já no dia da votação, Gilbertinho acompanhou Agnelo Queiroz à seção eleitoral. Candidato à reeleição ao governo do DF, Agnelo nem sequer passou para o segundo turno.

Nada que desanime o ministro. Há pouco tempo, ele se licenciou do cargo para ajudar a presidente Dilma Rousseff a conquistar um novo mandato. O reforço já rende frutos. Depois da entrada de Gilbertinho na coordenação de campanha, o tucano Aécio Neves assumiu a liderança nas pesquisas de intenção de voto.

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21/08/2014

às 15:00 \ Política & Cia

ELEIÇÕES NO PARANÁ: Governador tucano Beto Richa, depois de quase excluir Álvaro Dias de sua chapa, vê o senador disparar nas pesquisas — enquanto ele pena diante do crescimento de Requião (PMDB)

(Fotos: Lia de Paula/Agência Senado :: Orlando Kissner/ANPr)

Álvaro Dias: o senador penou para conseguir entrar na chapa do governador Beto Richa — mas agora dispara nas preferências dos eleitores do Paraná, enquanto Richa se vê ameaçado pelo ex-governador Requião (Fotos: Lia de Paula/Agência Senado :: Orlando Kissner/ANPr)

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pode perfeitamente estar pensando que nada como um dia depois do outro.

Dias precisou lutar como um leão para ser o candidato à reeleição ao Senado pelo Paraná da aliança liderada pelo governador tucano Beto Richa, com quem não mantém boas relações e que não lhe dava espaço no partido.

Foi necessária uma intervenção diplomática do presidenciável Aécio Neves para que Álvaro Dias — talvez a voz mais forte de oposição ao lulopetismo no Senado — não ficasse de fora da eleição e não abandonasse o PSDB, como chegou a cogitar.

Pois bem, o que revelam, agora, os números do Datafolha, o mais confiável dos institutos de pesquisa eleitoral?

Revelam que Dias está virtualmente reeleito, a menos que ocorra um cataclisma de proporções bíblicas antes de 5 de outubro: ele tem espetaculares 57% das intenções de voto, e seu concorrente mais próximo — apoiado pelo PT da candidata ao governo Gleisi Hoffmann — é o comunista Ricardo Gomyde, atolado em 4%.

Já Richa, que parecia candidato a vencer Gleisi no primeiro turno, encontrou um problemão pela frente chamado Roberto Requião (PMDB), o turbulento senador e ex-governador. O PMDB do Paraná havia decidido apoiar Richa rumo a uma tranquilíssima reeleição — que bateria direto no Palácio do Planalto, já que Gleisi foi chefe da Casa Civil da presidente Dilma.

Mas convenção do partido que decidiu pelo apoio a Richa, comandada pelo deputado Osmar Serraglio, que ganhou notoriedade por ser o relator da CPI do mensalão, acabou sendo anulada pela Justiça por iniciativa de Requião.

Realizada nova convenção, o próprio Requião, aos 74 anos e tendo sido já três vezes governador do Paraná, foi escolhido como aspirante ao Palácio Iguaçu.

E o mesmo Datafolha que indica Álvaro Dias como praticamente garantido por mais 8 anos no Senado mostra  Richa em empate técnico com Requião — tem 39% das intenções de voto contra 33%, mas a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Isso indica, com absoluta certeza, um segundo turno que não estava nos planos do governador. E, no segundo turno, o PT de Gleisi vai marchar com Requião, velho admirador de Lula, do lulalato e de “movimentos sociais” satélites do partido, como os baderneiros do MST.

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28/07/2014

às 16:20 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Tucano Beto Richa perde terreno em seu grande reduto, Curitiba, onde Requião já empata na disputa pelo governo do Paraná

Richa (PSDB), Requião (PMDB) e Gleiti (PT): pesquisas já dão o ex-governador pemedebista empatado com o governador tucano (Fotos: Blog da Joice)

Richa (PSDB), Requião (PMDB) e Gleisi (PT): pesquisas já dão o ex-governador pemedebista empatado com o governador tucano (Fotos: Blog da Joice)

Desde que o senador e ex-governador Roberto Requião (PMDB) “melou” convenção de seu partido que decidiu apoiar o governador Beto Richa (PSDB), ganhou na Justiça o direito de nova convenção e teve seu grupo vencedor, mudou o cenário para a disputa do governo do Paraná.

O que parecia reeleição certa e tranquila de Richa contra a ex-chefe da Casa Civil e senadora Gleisi Hoffmann, candidata do PT, complicou-se com a entrada de Requião no páreo.

O ex-governador agora conseguiu empatar com Richa nas pesquisas de intenção de voto no próprio reduto original do governador, Curitiba, de que foi prefeito.

Leiam detalhes no blog mais bem informado sobre política no Paraná, o da jornalista Joice Hassellmann, clicando aqui.

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20/07/2014

às 14:50 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Álvaro Dias está disparado na frente na corrida pelo Senado no Paraná

O senador  (Foto: tucano.org.br)

O senador Álvaro Dias: na corrida para o Senado no Paraná até agora, muitos corpos à frente dos candidatos do PMDB e do Partido Comunista (Foto: tucano.org.br)

A legislação eleitoral impede que eu divulgue números precisos, mas é ótima a situação do senador Álvaro Dias (PSDB) na corrida pela única vaga pelo Paraná no Senado na eleição de 5 de outubro.

A constatação vem do conhecimento de pesquisa realizada por encomenda da coligação de partidos que apoia a reeleição do governador tucano Beto Richa, da qual o senador — limadas diferenças que o afastavam do governador — faz parte.

A pesquisa é para uso interno e não foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral, com manda a lei, e por isso seus resultados não podem ser divulgados. Mas ela deixa claríssimo que o senador está em situação confortável, com várias vezes mais votos que o segundo colocado, o empresário Marcelo Almeida, da empreiteira CR Almeida, que concorre pelo PMDB do ex-governador Roberto Requião, ficando na rabeira o candidato apoiado pelo PT e pela candidata petista ao governo do Estado, Gleisi Hoffmann — o deputado comunista Ricardo Gomide.

Os admiradores de Álvaro Dias, que liderou a bancada do PSDB no Senado por longo período, o consideram uma das vozes oposicionistas mais fortes a ressoar no Congresso e temiam por sua situação no PSDB. O senador cogitou de desligar-se do partido e até de aventurar-se em uma campanha presidencial simbólica, por se sentir “sem espaço” — leia-se, dificuldades com o governador Richa –, mas uma mediação do presidenciável Aécio Neves aparou arestas e garantiu sua presença na chapa.

Até agora, parece que valeu a pena para o PSDB.

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13/04/2014

às 19:00 \ Política & Cia

Um ex-assessor é suspeito de pedofilia. Outra, de roubalheira. E a ex-ministra Gleisi tinha escolhido André Vargas — agora na mira da Polícia Federal — para chefiar sua campanha ao governo do Paraná. Ela não acerta uma?

A ex-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, candidata do PT ao governo do Paraná: está difícil fazer uma indicação de alguém que não tenha um problemaço com a Justiça (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

A ex-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, candidata do PT ao governo do Paraná: está difícil fazer uma indicação de alguém que não tenha um problemaço com a Justiça (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

Nota da coluna dominical do jornalista Carlos Brickmann, publicada em vários jornais

Dedo podre 

A ex-ministra Gleisi Hoffmann, candidata do PT ao governo do Paraná, não tem sido exatamente feliz em suas indicações.

Seu assessor mais próximo, favorito para coordenar a campanha, era Eduardo Gaievski, agora preso pela acusação de pedofilia.

A coordenadora da campanha na região de cidades importantes como Cianorte e Cascavel, Regina Dubay, PR, prefeita de Campo Mourão, é suspeita de comandar o esquema que obriga funcionários públicos comissionados a devolver parte dos salários para uma quadrilha que, segundo o Ministério Público, está “instalada no alto escalão”.

Um diretor da Secretaria Municipal da Saúde foi preso em flagrante após recolher o dinheiro dos funcionários. O delegado Elmano Ciriaco diz que haverá novas prisões, inclusive no alto escalão.

Em tempo: até há poucos dias, o coordenador da campanha de Gleisi, no lugar de Gaievski, era o deputado André Vargas – aquele do jatinho do doleiro.

Ainda tem mais…

A 10 novembro passado, Brickmann publicou nota aqui reproduzida em que, a certa altura, dizia:

“Há mais casos estranhos. Gleisi Hoffmann, quando senadora, nomeou Gláudio Renato de Lima, PT, para assistente parlamentar.

Quando virou ministra, seu sucessor, Sérgio Souza, PMDB, o recebeu como herança e o mantém até hoje no Senado – embora Gláudio tenha sido condenado em dois processos pela Justiça do Paraná, um por improbidade administrativa, outro por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e concussão.”

 

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13/04/2014

às 18:00 \ Política & Cia

NEIL FERREIRA: Fora da rebelião não há salvação

O empresário Jorge Gerdau: para Neil Ferreira, sua entrevista é um programa de governo inteiro à disposição da oposição (Foto: Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)

O empresário Jorge Gerdau: para Neil Ferreira, sua entrevista é um programa de governo inteiro à disposição da oposição (Foto: Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)

Neil conte comigo nessa Ferreira, publicado no Diário do Comércio, da Associação Comercial de São Paulo

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, presidente da Câmara de Políticas de Gestão do governo da Miss Piggy, parece que perdeu a paciência e falou o que todos pensamos sobre os rumos da administração do nosso País Deles.

Nosso ridículo Pibinho foi alvo de críticas feitas por quem entende do assunto e pra nossa vergonha citou os de 5 ou 6% dos países do Pacífico. Vai lá saber por que os do Mercosul estão no fundo do poço e afundando. Claro que sabemos.

Acham que sou da direita agonizante; quem é contra Lula e Miss Piggy é “direitaço”. Quem está do lado oposto ao do espectro político em que me situo ? A turma da PTbras. Não dá pra viver sem se indignar com a roubalheira na PTbras, é tudo de bilhão pra cima.

Por falar na turma da PTbras, a cambada aprovou o chamado “combo”: CPI da PTbras, amarrada na batizada de o “ Cartel de Trens de São Paulo” e mais outra aí cujo nome esqueci, como uma vitória do PT e da base comprada. O “Combo” mascara o vamos ver da PTbra.

Eles são maioria e estão trabalhando na “blindagem” dos sem escrúpulos. Aposto o minguado valor das minhas ações da PTbras, compradas com o Fundo de Garantia e embromado pelo governo, que vai dar em nada como toda CPI. Combo ou não combo.

O sorrisão feliz e vitorioso da encenadora Gleisi Hoffmann, a do narizinho arrebitadinho publicado nos jornais de ontem, me fez lembrar da repugnante dancinha vitoriosa daquela deputada federal, PT/SP, que foi uma vergonha para a Câmara Federal, só suplantada pela foto do encenador Suplicy vestindo uma calcinha feminina por cima da sua calça. Falta de decoro está aí e os bicos tucanos continuaram fechados.

Numa entrevista que foi a rebelião do altíssimo quadro de conselheiro oficial do governo, dada ao Estadão de 9/4, pra mim foi quase um completo programa, primeiro de campanha e depois de governo doado à oposição. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

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11/04/2014

às 14:00 \ Política & Cia

ANDRÉ VARGAS: Na mira da Polícia Federal renunciou à vice-presidência da Câmara, se licenciou como deputado… Mas continuará coordenando a campanha de Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná?

Gleisi com o deputado envolvido com o doleiro preso: fica ou continua na campanha? (Foto: Gazeta do Povo)

Gleisi com o deputado envolvido com o doleiro preso: fica ou continua na campanha? (Foto: Gazeta do Povo)

Investigações da Polícia Federal na chamada “Operação Lava-Jato” identificaram o deputado André Vargas (PT-PR), então vice-presidente da Câmara, como atuando em sintonia com o doleiro Alberto Youssef na captação de verbas em projeto do Ministério da Saúde. Além disso, o deputado usou em janeiro jatinho fretado pelo doleiro para viajar de férias com a família.

A operação Lava Jato envolve atividade gravíssimas: deflagrada no dia 17 do mês passado, em Curitiba e outras 16 cidades do Paraná, de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Distrito Federal, já levou a duas dezenas de prisões, inclusive à do doleiro.

A Polícia Federal informa estar atrás dos operadores de um mercado clandestino de câmbio no Brasil que envolve 10 bilhões de dólares e é responsável pela movimentação financeira e a lavagem de ativos de pessoas e empresas envolvidas em vários crimes — coisa do porte de tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal, evasão de divisas, extração e contrabando de pedras preciosas e ladroagem de dinheiro público.

Apanhado segurando o pincel, o deputado André Vargas primeiro afirmou ser vítima de uma “campanha pela mídia”, o velho recurso petista de negar tudo quando se trata de bandalheira. Em seguida, decidiu tirar licença do mandato para cuidar de “interesses particulares” — a ponto de eu haver perguntado, aqui, se ele já não fazia isso, em seu envolvimento com o doleiro. Mais adiante, renunciou à vice-presidência da Câmara, oficialmente para “preservar a instituição”.

Está submetido a processo de cassação de mandato e a uma investigação interna no PT — esta, com certeza, resultará em nada. No final, acabarão dando uma medalha ao deputado, haja visto a verdadeira celebração que o partido faz com os mensaleiros condenados como criminosos.

De toda forma, um personagem como André Vargas não parece ser a criatura mais indicada para continuar coordenando a campanha da ex-chefe da Casa Civil da presidente Dilma Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná, pelo PT.

O homem na mira da Polícia Federal continua ou não com aquela que foi o braço direito da presidente Dilma?

Gleisi é casada com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo que, indagado a respeito, saiu de fininho:

– A Gleisi não tem campanha — alegou Bernardo, contra todas as evidências possíveis e imagináveis. — É só a partir de junho [que a campanha vai começar], portanto, não tem coordenação de campanha — jurou.

O PT promete realizar na semana que vem uma reunião para avaliar a situação de Vargas e seu papel na campanha eleitoral de Gleisi.

“Não sei se vai permanecer ou não na coordenação”, afirmou à Agência Estado o presidente do PT do Paraná, Ênio Verri. “Acredito que neste momento ele deve priorizar a defesa dele, o que acho natural. Consequentemente não terá tempo para ajudar na coordenação, essa é minha opinião” — o que é outra forma de sair de fininho.

Verri continuou: “O cenário muda, lógico, embora a posição do André é de não renunciar e fazer o debate com a sociedade sobre as acusações que está recebendo. Mas é cedo para dizer o que vai acontecer, a expectativa nossa é passar a Semana Santa, sentar e ver para onde nós vamos”.

Quanto a Gleisi, está quietinha.

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