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Fernando Collor

25/03/2014

às 20:29 \ Política & Cia

EXCLUSIVO: General Augusto Heleno informa que não será candidato a presidente nem a outro cargo, que não é filiado a partido político, diz que pregar a volta dos militares é “estupidez” e que o ´”único caminho” para o Brasil é a democracia

General Augusto Heleno: defesa da democracia e da manutenção dos militares fora da política. "A ideia de um Partido Militar é um absurdo", diz (Foto: Agência Brasil)

General Augusto Heleno: defesa da democracia e da manutenção dos militares fora da política. “A ideia de um Partido Militar é um absurdo”, diz (Foto: Agência Brasil)

O general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, primeiro comandante dos mais de 6 mil militares de diferentes países que integraram o contingente inicial da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) e ex-comandante Militar da Amazônia, informou ao blog que não é filiado a nenhum partido, que não pretende se filiar e que não é candidato à Presidência da República ou a outro cargo político qualquer.

“Uma candidatura à Presidência sem uma forte estrutura partidária por trás seria uma aventura”, assinala o general, objeto do interesse de um grande número de brasileiros que cogitam de sua disputa ao Planalto em outubro próximo. “E o país não comporta mais aventuras depois da Presidência de Fernando Collor [1990-1992]“.

Para o general, a opção de filiar-se a um partido de menor projeção e, depois, precisar sair à procura de recursos para financiar uma campanha, “de pires na mão”, significaria “acabar assumindo compromissos que mais tarde precisarão ser pagos, e isto não é comigo”.

Pergunto se não lhe interessaria candidatar-se a senador ou a deputado futuramente (uma vez que, não tendo filiação partidária, não poderia concorrer em outubro próximo):

– Veja bem, isso não levaria a nada. É difícil ter uma participação mais significativa dentro de um quadro político em que as coisas já estão delineadas. Do jeito que a coisa está montada, uma só pessoa que pretenda alterar o atual estado de coisas vai acabar morrendo de desgosto ou, por ingenuidade, ou desconhecimento, ser envolvido em algo negativo.

E acrescenta:

– Não há salvadores da pátria. O problema do país é acertarmos em termos de escolha. É algo de formação das pessoas, de muito longo prazo. Nossa democracia está consolidada, mas me preocupa o fato de que a juventude em geral, o que inclui seus melhores quadros, está muito afastada da participação na política. Há muita gente que tem condições intelectuais e de formação e pode contribuir para o país mas não é cooptada pela política. A estrutura atual é perversa, e precisa ser mudada em profundidade.

Pergunto sobre os supostos 5,6 milhões de votos que determinada pesquisa indicaria que alcançaria caso concorresse ao Planalto:

– Esses supostos 5,6 milhões de votos apareceram em reportagem da revista IstoÉ. Não sei de onde tiraram esse número. Se isto for verdadeiro, é fruto do que pude contribuir com meu trabalho no Exército, é produto, talvez, da generosidade com que meus ex-comandados espalharam minhas eventuais virtudes. De todo modo, embora tudo seja muito desvanecedor para mim, 5,6 milhões de votos não são nada num colégio de 130 milhões de eleitores.

Para o general, “pregar a volta dos militares” ao poder — como alguns têm feito — “é estupidez”:

– Alguém que pense assim e esteja a meu favor quer, na verdade, me empurrar para o buraco. Ter essa postura é afrontar tudo o que foi conquistado em muitos anos. O único caminho para o país — está comprovado — é a democracia. É inimaginável se controlar a liberdade das pessoas. O único caminho de fortalecimento e desenvolvimento para o Brasil é a democracia.

Qual seria sua opinião sobre um certo “Partido Militar Brasileiro”, que está sendo fundado?

– É um absurdo. Quando os militares tiverem vínculo com algum partido político estaremos perdidos. Essa ideia é absurda.

Pretende declarar apoio público a algum candidato a presidente, no primeiro ou no segundo turno?

– Não vou apoiar publicamente nenhum candidato, nenhum me comove. Prefiro ficar como espectador.

O general se diz muito satisfeito com suas tarefas como diretor de Educação Corporativa e de Comunicações do Comitê Olímpico Brasileiro. “Trabalho com algo que sempre me fascinou — a educação, o ensino”. Conta que também tem feito palestrar por vários Estados brasileiros, em geral sobre três temas — liderança, a Amazônia e o problema do Haiti.

– Faço as palestras, mas não tenho coragem de cobrar. Faço de graça.

23/03/2014

às 20:05 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Não é só a disputa presidencial, não. Pleitos estaduais trarão também muita emoção

Eleições (Foto: Sérgio Dutti)

Eleições: 2014 promete também emoção e surpresas em disputas estaduais — e algumas figuras marcantes deixarão a vida pública  (Foto: Sérgio Dutti)

Publicado originalmente a 20 de março de 2014

A tendência inexorável de que, no regime presidencialista, a escolha da figura imperial do presidente da República predomine sobre todas as demais em ano eleitoral é um fato.

Mas 2014 trará muitas emoções eleitorais, além, naturalmente, da disputa pelo Palácio do Planalto, envolvendo principalmente a presidente Dilma Rousseff, pelo PT e aliados, o senador Aécio Neves (PSDB, DEM e um ou outro partido ainda em negociação política) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que disputará o cargo tendo a ex-senadora Marina Silva de vice pelo PSB.

Confiram os sete casos abaixo:

A BATALHA PELO GOVERNO DE SÃO PAULO

geraldo-alckminA mais importante disputa estadual se dará pelo governo de São Paulo, Estado que concentra 22% da população e do eleitorado brasileiros.

Lula considera essa batalha quase tão importante quanto a que Dilma travará com Aécio Neves: desalojar os tucanos de um posto que ocupam, pelo voto, há quase 20 anos.

O governador tucano Geraldo Alckmin, bom de voto nas duas vitórias muito folgadas que já obteve pelo Palácio dos Bandeirantes — em 2002 e em 2010 (sua primeira passagem pelo cargo, entre 2001 e 2003, foi como vice que assumiu com a morte do governador Mário Covas) –, perdeu feio, no entanto, a disputa pela Prefeitura da capital em 2008, quando o então prefeito José Serra, também do PSDB, apoiou seu vice, Gilberto Kassab (DEM), que venceu a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) no segundo turno.

Este ano, Alckmin não só enfrentará todo o peso do governo federal colocado na candidatura do até recentemente desconhecido ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha como terá o ex-prefeito Kassab, agora pelo PSD, e o presidente da Federação das Indústrias, Paulo Skaf, pelo PMDB, pescando em suas águas eleitorais.

(LEIA MAIS SOBRE KASSAB CLICANDO AQUI)

SERÁ MESMO O OCASO DE SARNEY?

Na política há 59 anos — começou como suplente de deputado federal que assumiu o mandato em 1955 — e um dos homens mais poderosos do país há décadas, o senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), 84 anos, prometeu deixar a atividade pública no final de seu mandato, em fevereiro do próximo ano, e está trabalhando para eleger o neto, Adriano Sarney, filho do deputado federal Sarney

jose_sarneyFilho, deputado estadual pelo PV do Maranhão. Sarney jura que suas pretensões agora limitam-se a eleger o neto e tornar-se presidente da Academia Brasileira de Letras. A saída do Congresso, porém, não impedirá que suas influências políticas tentaculares — que vão de ministérios a cargos em bancos estatais e agências reguladoras e até na CBF — prossigam.

Como já escreveu Roberto Pompeu de Toledo, não estamos nem estivemos em uma “era Lula” — a verdadeira era vivida ainda hoje pelo Brasil é a era Sarney. Ou alguém tem dúvida de que o veterano cacique continuará dando as cartas no PMDB e, portanto, tendo peso específico fundamental na vida política do país?

FERNANDO COLLOR CONSEGUIRÁ MANTER-SE NO SENADO POR MAIS 8 ANOS?

Fernando-Collor-de-MelloSua impressionante ascensão até a Presidência da República, em 1989, só foi proporcional em impacto à sua queda espetacular, renunciando para não ser objeto de impeachment por acusações de corrupção.

Depois da queda, em 1992, Fernando Collor fez uma tentativa canhestra de candidatar-se à Prefeitura de São Paulo e perdeu em 2002 uma disputa pelo Estado de Alagoas, que governara de 1987 a 1989.

Elegeu-se em 2006 em uma disputa muito apertada contra o mesmo adversário que o derrotara em 2002, o então ex-governador Ronaldo Lessa (PSB), contra o qual fez uma campanha não isenta de ataques pessoais e baixarias. Caminhando para os 65 anos de idade, uma derrota agora o alijará da política por um longo período e poderá significar seu fim de carreira.

FIM DE LINHA PARA UMA GRANDE REFERÊNCIA MORAL

pedro simon _ Agência SenadoNão apenas por estar com 84 anos, como Sarney, mas por desencanto com o andar das coisas no Brasil, deixará o Senado e a vida pública um político que tem sido uma referência moral no Congresso — o senador Pedro Simon (PMDB-RS), com seus discursos emocionais e voz trovejante.

Eterno dissidente da fisiologia que tomou conta de seu partido, Simon começou a carreira como vereador em Caxias do Sul pelo antigo PTB, em 1958, elegendo-se em 1962 deputado estadual e, a partir da extinção dos antigos partidos pela ditadura, em 1965, jamais afastou-se do MDB e, depois, do PMDB. Foi ministro da Agricultura (1985-1986), governador do Rio Grande do Sul (1987-1990) e líder do governo do presidente Itamar Franco no Senado.

(LEIA ENTREVISTA DO SENADOR SIMON AO SITE DE VEJA CLICANDO AQUI)

EX-BRAÇO DIREITO JOGA PRESTÍGIO DE DILMA NO PARANÁ

Gleisi-HoffmannSenadora com ainda quatro anos de mandato pela frente (PT-PR), Gleisi Hoffman deixou a Casa Civil da Presidência, onde era a mais importante auxiliar da presidente Dilma Rousseff, para enfrentar uma parada difícil que é disputar o governo de seu Estado com a poderosa máquina montada pelo governador tucano José Richa.

Mulher do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (ex-ministro do Planejamento de Lula), não tem como uma derrota de Gleisi não significar um baque para a presidente Dilma, mesmo se reeleita.

CABRAL TENTA FAZER O SUCESSOR E, COM PRESTÍGIO EM BAIXA, QUER O SENADO

sergio_cabralEleito e reeleito governador do Rio de Janeiro com certa facilidade em 2006 e 2010, quando, em aliança com o PT de Lula, surfou na popularidade do ex-presidente, o governador Sérgio Cabral despencou nas profundezas do inferno em matéria de popularidade com as manifestações de protesto de 2013 no Rio.

Teve sua residência particular acossada por baderneiros, viu sua família sofrer constrangimentos e agora, com o ibope baixíssimo, dedica-se a uma dupla tarefa hercúlea: eleger-se senador e ajudar o vice-governador Luiz Fernando de Souza, o Pezão, a sucedê-lo no Palácio Guanabara, após a ruptura de oito anos de alianças com o PT, por obra e graça da insistência (legítima) do senador Lindbergh Farias em concorrer ao cargo.

O ENIGMA DE SEMPRE, SERRA NÃO QUER O SENADO E NÃO SE SABE SE AJUDARÁ AÉCIO

José_SerraSerá interessante, no correr do ano, observar as ações do duas vezes ex-presidenciável José Serra. Depois de, amuado, desistir de sua pretensão ao Palácio do Planalto pelas redes sociais — nem entrevista concedeu sobre o tema –, muita gente no PSDB esperava que Serra, ainda com bom cacife, disputasse o Senado e tentasse arrebatar o posto ocupado há 24 longos anos pelo senador Eduardo Suplicy (PT).

Serra, porém, segundo tudo indica, concorrerá à Câmara dos Deputados, e sua votação poderá aumentar a bancada tucana paulista. Aos 72 anos de idade, um mandato de quatro anos tem a vantagem adicional de deixa-lo mirar, como uma espécie de prêmio de consolação eleitoral, a batalha pelo governo de São Paulo em 2018.

O mais interessante será observar seu comportamento na campanha de Aécio Neves, a quem os serristas acusam de ter “traído” o candidato na eleição de 2010, quando, apesar de vencer as eleições para o Senado e fazer com facilidade seu sucessor, o hoje presidenciável tucano não impediu uma estrepitosa vitória de Dilma em Minas Gerais.

21/01/2014

às 19:40 \ Política & Cia

DORA KRAMER: E onde é que foi parar a “faxina ética” de Dilma?

Cadê a "faxina ética" (Charge: Humberto / JC)

Cadê a “faxina ética” (Charge: Humberto / JC)

VOLTA POR BAIXO

Da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de S. Paulo

A gente lê a notícia de que a presidente Dilma Rousseff tinha encontro marcado ontem com o ex-presidente Lula para se aconselhar sobre o arranjo político-partidário mais conveniente para o êxito da campanha pela reeleição e fica a se perguntar se o antecessor é mesmo o melhor conselheiro para esses assuntos.

Afinal não foi ele mesmo quem indicou a quase dezena de ministros demitidos por Dilma no primeiro ano de governo em nome da “faxina ética”?

E não foi essa dita limpeza que rendeu boa fama à presidente, vista como intransigente com “malfeitos”, uma governante preocupada com o desempenho do ministério como um todo, celebrada por este aspecto se diferenciar de Lula, razão de seus altos índices nas pesquisas até junho de 2013?

Pois agora ela faz o caminho inverso. Inclusive sem a cerimônia de algum tempo atrás quando reintegrou ao “esquema” alguns dos demitidos, reintegrando discretamente seus partidos à equipe e permitindo que eles indicassem os ocupantes dos cargos que fossem de seu (deles) agrado.

Levantamentos feitos pelo Estado mostram dois cenários. Em um deles registra-se a redução de 60% do apoio dos partidos aliados nas votações no Congresso.

Em outro, é apontada a quantidade de partidos abrigados nos ministérios: dez. Se a “reforma” sair como previsto, a divisão ficaria assim: 25 pastas para o PT, cinco para o PMDB, uma para o PR, uma para o PP, uma para o PROS, duas para o PSD, uma para o PTB, uma para o PDT, uma para o PC do B e uma para o PRB.

Feita a soma, chega-se a 39, o número exato de ministérios existentes. Significa que nenhum deles está fora do critério de coalizão de resultados eleitorais. Todas as pastas estão a serviço da tentativa de Dilma de se reeleger.

Seja para acumular mais tempo de televisão ou para impedir que esse benefício vá para os adversários, nesse caso sendo alvo de uma ofensiva de enfraquecimento (para não dizer morte) por inanição.

Na mesma pesquisa do Estado sobre o histórico de entrega de ministérios a partidos, revela-se que Dilma é campeã. José Sarney entregou dois, Fernando Collor, a seis, Fernando Henrique a cinco nos dois governos e Lula a nove em oito anos.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUE AQUI)

07/01/2014

às 17:33 \ Política & Cia

RESULTADO DO TESTE DE ONTEM: veja quem fez aquelas declarações (genéricas e, portanto, injustas e burras) sobre a imprensa

Os ex-presidentes Lula, Collor e Geisel: qual deles disse a frase sobre a imprensa? Confira abaixo (Fotos: Presidência da República)

Os ex-presidentes Lula, Collor e Geisel: qual deles disse a frase sobre a imprensa? Confira abaixo (Fotos: Presidência da República)

A pergunta era sobre qual entre três ex-presidentes da República fizera, a respeito da imprensa, as seguintes declarações – injustas e burras, por serem genéricas, referindo-se, portanto, a TODA a imprensa, sem uma única exceção mencionada:

“Eu não dava muita importância à imprensa [durante meu governo], como até hoje não dou. A imprensa é do dia-a-dia, da fofoca, não é? A imprensa construtiva é muito reduzida. (…) 

Não sei se esse é um quadro normal em todo o mundo, mas a imprensa está louca para estourar um escândalo. Construir com ideias ou cooperar é muito raro. O jornal precisa ter essas notícias para ser lido e vendido, para ter tiragem, receber anúncios e assim ganhar dinheiro”.

As opções que o blog ofereceu eram os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), Fernando Collor (1990-1992) e Ernesto Geisel (1974-1979).

Dos 86 leitores que fizeram a gentileza de, em seus comentários arriscar um palpite, a maioria considerou que o autor das declarações foi

LULA, com 37 votos.

GEISEL recebeu 24 votos.

COLLOR, 22.

Um leitor votou em Collor ou Geisel

Outro, em Lula ou Collor.

Um terceiro nos três.

Um comentou, mas não arriscou palpite.

Na verdade, as declarações foram feitas por ERNESTO GEISEL, o quarto dos generais-presidentes da ditadura, no excelente e completíssimo depoimento que prestou aos pesquisadores Maria Celina D’Araújo e Celso Castro, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas, em uma série de encontros iniciados em julho de 1993 — quando já deixara a Presidência há 14 anos — e encerrados em agosto de 1996, um mês antes de sua morte.

O depoimento foi publicado no livro Ernesto Geisel (Fundação Getúlio Vargas, 1997, 4ª edição, 494 páginas), e pode ser localizado à página 286.

O leitor Carlos Dias acertou em cheio: não apenas disse que foi Geisel quem proferiu as palavras como citou a fonte.

O fato de tanta gente achar que Lula foi o autor mostra que a animosidade a uma imprensa livre pode abranger tanto ditadores “de direita” como presidentes populistas “de esquerda”.

06/01/2014

às 14:40 \ Política & Cia

DE VOLTA DE FÉRIAS e retomando as atualizações do blog, pergunto: qual desses três ex-presidentes fez essa declaração depreciativa sobre a imprensa?

Em foto oficial, os ex-presidentes Lula, Fernando Collor e Ernesto Geisel

Em foto oficial, os ex-presidentes Lula, Collor e Geisel

Amigas e amigos do blog, estou de volta das férias, revigorado e pronto para enfrentar um 2014 que promete.

Agradeço a grande audiência que vocês proporcionaram ao período em que reprisamos posts mito visitados anteriormente.

Para recomeçar o trabalho, um desafio aos leitores: quem foi o ex-presidente que disse essa frase depreciativa — e falsa — sobre a imprensa que segue abaixo?

Dou três opções: Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), Fernando Collor (1990-1992) e Ernesto Geisel (1974-1979).

Confiram a frase… e dêem seus palpites. A resposta correta virá amanhã, neste mesmo horário.

“Eu não dava muita importância à imprensa [durante meu governo], como até hoje não dou. A imprensa é do dia-a-dia, da fofoca, não é? A imprensa construtiva é muito reduzida. (…)

Não sei se esse é um quadro normal em todo o mundo, mas a imprensa está louca para estourar um escândalo. Construir com ideias ou cooperar é muito raro. O jornal precisa ter essas notícias para ser lido e vendido, para ter tiragem, receber anúncios e assim ganhar dinheiro”.

E então? Quem foi o autor da pérola?

Lula? Collor? Geisel?

Aguardo seus palpites e seus comentários.

 

09/12/2013

às 21:58 \ Política & Cia

UMA PAUSA PARA A CIVILIDADE: Dilma foi aos funerais de Mandela com os quatro ex-presidentes no avião presidencial. O trato gentil e civilizado com FHC, adversário político, é rara e positiva exceção na política brasileira

José Sarney, Lula, Dilma Rousseff, FHC e Fernando Collor de Mello (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Dilma com Sarney, Lula, FHC e Collor: “é uma honra poder reunir todos os ex-presidentes”, disse ela. Gestos assim só fazem bem ao ambiente crispado e radicalizado da política brasileira (Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República)

Ah, como seria bom se a política fosse sempre assim…

Em mais um gesto de civilidade, que precisa ser reconhecido — já o fiz várias vezes neste blog, em situações anteriores –, a presidente Dilma Rousseff convidou os ex-presidentes Lula (PT), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Fernando Collor (PTB) e José Sarney (PMDB) a viajar com ela no avião presidencial Santos Dumont para os funerais, em Johannesburgo, do falecido ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela.

“Estou viajando acompanhada dos ex-presidentes Sarney, Collor, Fernando Henrique e Lula para acompanhar os funerais do grande líder Mandela”, escreveu e presidente em seu perfil no Twitter. “É uma honra poder reunir todos os ex-presidentes num objetivo comum. O Estado brasileiro se une para honrar Mandela, exemplo que guiará todos aqueles que lutam pela justiça social e pela paz. É uma demonstração de que as eventuais divergências no dia-a-dia não contaminam as posições do Estado brasileiro”.

A presidente e os ex-presidentes do Brasil embarcaram da base aérea do Galeão, no Rio, às 12h30. Antes, todos sorridentes, deixaram-se fotografar.

Em países avançados, a começar pelos Estados Unidos, são comuns esse tipo de gestos simbólicos, em que ex-presidentes deixam de lado diferenças políticas em momentos especiais e compartilham de solenidades. A última vez em que isso se deu nos EUA foi logo após a posse de Barack Obama para seu primeiro mandato, a 20 de janeiro de 2009, quando se congraçaram no Salão Oval com o presidente democrata seu antecessor, George W. Bush, republicano (2001-2009), o também republicano George Bush pai (1989-1993) e os democratas Bill Clinton (1993-2001) e Jimmy Carter (1977-1981).

George W. Bush, Barack Obama, George H.W. Bush, Bill Clinton e Jimmy Carter (Foto: J. Scott Applewhite / AP)

Cena que ninguém estranha nos EUA: Obama reúne no Gabinete Oval antecessores republicanos e, como ele, democratas: Bush pai, George W. Bush, Bill Clinton e Jimmy Carter (Foto: J. Scott Applewhite / AP)

Que a presidente Dilma conviva sem problemas com Lula, seu tutor, ou com Sarney e Collor, aliados do governo no Congresso, não é nada demais.

Mas, num país de radicalização política exacerbada como o Brasil, onde se vive um permanente clima envenenado entre petistas e tucanos, acho produtivo e elogiável o trato civilizado e atencioso que a presidente mantém com o tucano-mor, FHC.

Em seus oito anos no poder, Lula jamais pensou em chamar FHC para uma conversa, como fazem governantes de países como os EUA, o Reino Unido, a França, a Alemanha ou a Austrália em determinadas circunstâncias. Como agiu o próprio FHC, por sinal, que depois de ungido pelo voto popular manteve conversas produtivas e cordiais com um figurão do regime que lhe foi algoz — o falecido general-presidente Ernesto Geisel.

Diferentemente de Lula, Dilma, já em seus primeiros meses de governo, em 2011, teve a gentileza de convidar o adversário político tucano para um almoço em homenagem ao presidente norte-americano Barack Obama, em visita oficial ao Brasil — ao qual, diga-se, Lula não compareceu.

Almoço no Itamaraty em homenagem à visita de Obama, em 19 de março de 2011 (Foto.: Beto Barata / AE)

FHC com Dilma no coquetel antes do almoço no Itamaraty em homenagem a Obama, a 19 de março de 2011: gestos simbólicos raros — e bem-vindos (Foto: Beto Barata / AE)

Depois, em junho do mesmo ano, por ocasião do 80º aniversário de FHC, enviou-lhe uma mensagem extremamente gentil, chamando-o de “querido presidente Fernando Henrique”. No ano seguinte, 2012, em maio, de novo convidou FHC a prestigiar uma cerimônia — a de lançamento da Comissão da Verdade, à qual estiveram presentes também Lula, Collor e Sarney.

Ontem, antes da viagem à África do Sul, a presidente ainda uma vez dispensou atenções ao patriarca tucano. Ela inaugurou, no Copacabana Palace, seminário sobre América Latina promovido pelo instituto de estudos do ex-presidente norte-americano Bill Clinton.

FHC, que também participou do seminário, foi convidado pela presidente a seguir do Copacabana Palace ao Galeão em sua companhia no automóvel presidencial.

São pequenos gestos simbólicos, é verdade. Num país como o nosso, contudo, em que a barbárie ainda prevalece em muitos aspectos da vida política, são tão raros como muito bem-vindos.

08/12/2013

às 19:26 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: É a tua, tá?

Não é porque o mensalão mineiro ainda não foi julgado, mesmo com um menos um tucano que já foi importante, o Eduardo Azeredo, que a prisão dos mensaleiros é injusta (Foto: George Gianni/ PSDB)

Não é porque o mensalão mineiro ainda não foi julgado, mesmo com um menos um tucano que já foi importante, o Eduardo Azeredo, que a prisão dos mensaleiros é injusta (Foto: George Gianni/ PSDB)

Notas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje, domingo, em vários jornais

É A TUA, TÁ?

É triste ouvir políticos veteranos comportando-se como crianças. Porque, fora a safadeza, isso de dizer “eu sou ladrão, mas foi ele que começou” é infanto-juvenil: se é ladrão, fora da lei, que seja investigado e julgado.

Se o adversário também é ladrão, que também seja investigado e julgado. Não é porque os ladrões estão em partidos adversários que a ladroeira de um compense a do outro.

A moda agora é reclamar da demora no julgamento do mensalão mineiro, como se isso tornasse injusto o julgamento do mensalão. Só que uma coisa não tem nada a ver com outra: os responsáveis pelo mensalão mineiro têm de ser julgado, e logo, mas não para compensar o processo contra os réus do mensalão.

Um criminoso não pode deixar de ser punido porque outros criminosos ainda não o foram. E não se trata apenas do mensalão mineiro (onde há pelo menos um tucano que já foi importante, Eduardo Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB, ex-governador de Minas, há gente que mudou de lado, como Marcos Valério, há amplo material para julgamento).

Há o escândalo da Bancoop, o do Banestado, o da Alstom-Siemens (cartel dos trens urbanos de São Paulo, com eventual propina), o desvio do ISS da Prefeitura paulistana, que já derrubou um secretário do prefeito Haddad (PT).

O que não falta é caso para ser investigado. Que a filiação política não seja levada em conta: o que se vê nas propinas paulistanas, por exemplo, é uma aliança pluripartidária para delinquir – vulgo “quadrilha”.

“Mamãe, foi ele que começou”. E daí? Daí, o final tem de ser nos tribunais.

A emenda e o soneto

José Genoíno renunciou à Câmara, segundo se informou, para não ter o nome associado à cassação de seu mandato.

Preferiu associar seu nome ao do ex-presidente Collor, do senador Renan Calheiros, do senador Jader Barbalho, do deputado Valdemar Costa Neto, que também renunciaram para fugir à cassação.

Implicância

O senador Zezé Perrela, do PDT mineiro, defendendo seu filho Gustavo, deputado estadual pelo Solidariedade, cujo helicóptero foi apreendido com 450 quilos de cocaína, disse que ninguém de sua família precisa da política.

Tudo bem – mas por que, então, tanto a Assembléia mineira quanto o Senado foram chamados a entrar com dinheiro público para pagar o combustível do “helipóptero”?

Desvio permitido

A deputada estadual Janira Rocha (PSOL) em frente à Alerj, durante uma manifestação (Foto: Reprodução / Facebook)

A deputada estadual Janira Rocha (PSOL) em frente à Alerj, durante uma manifestação (Foto: Reprodução / Facebook)

A deputada Janira Rocha, do PSOL fluminense, é acusada de exigir parte do salário dos funcionários de seu gabinete e de desviar dinheiro de um sindicato para financiar a campanha.

O partido, no Rio, decidiu expulsá-la; mas a direção nacional do PSOL a manteve. Mais dinheiro é melhor que menos dinheiro.

O PSOL faz lembrar o secretário de Estado americano Cordell Hull, questionado pelo apoio ao feroz ditador dominicano Rafael Trujillo: “Pode ser um canalha, mas é o nosso canalha”.

Na verdade, ele não disse “canalha”, mas deixa pra lá.

03/12/2013

às 17:21 \ Política & Cia

REYNALDO-BH: A diferença entre o jornalista Augusto Nunes e o “jornalista” autor do livro “A Privataria Tucana”

Augusto Nunes e Amaury Ribeiro Jr., a diferença entre um Jornalista e um "jornalista" (Fotos: VEJA :: LCA)

Reynaldo-BH: A diferença entre Augusto Nunes e Amaury Ribeiro Jr. é a diferença entre um jornalista e um “jornalista” (Fotos: VEJA :: LCA)

Post do leitor e amigo do blog, Reynaldo-BH

Post-do-Leitor1O último mês foi pródigo de exemplos e, por menores que tenham sido na divulgação, foram imensos no significado.

No começo de novembro o jornalista Augusto Nunes mais uma vez – perdi as contas – foi inocentado em uma ação na qual o ex-presidente enxotado do Planalto (e atual aliado do PT) Fernando Collor pretendia ser indenizado em meio milhão de reais por ter sido chamado de “bandido”, “chefe de bando” e “farsante”.

A Justiça negou o pedido, pois o jornalista somente exerceu o direito de manifestar a opinião. (O que traz em si um juízo de valor embutido. Se os mesmos termos houvessem sido utilizados contra Sobral Pinto por exemplo, certamente o jornalista teria sido condenado).

A favor de Collor, o comportamento de ter procurado a Justiça para buscar a proteção jurisdicional a que julgava ter direito.

Soubemos, depois disso, da instauração de ação penal contra Amaury Ribeiro Júnior (mais uma) por corrupção ativa, violação de sigilo funcional, falsificação de documento, falsidade ideológica e uso de documento falso. E a autorização para que a Polícia Federal continue as investigações das ligações de Amaury com o submundo da arapongagem.

Ficou provado que Amaury Júnior e mais cinco comparsas (sendo um deles, uma funcionária do SERPRO, o Serviço Federal de Processamento de Dados, empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda) obtiveram ilegalmente dados fiscais do ex-presidenciável e ex-governador paulista José Serra, de sua filha, a advogada Verônica Serra, e do ex-secretário-geral da Presidência durante o governo FHC Eduardo Jorge, entre outros.

Estes dados formaram um dossiê usado pelo comitê de Dilma na campanha de 2010.

A justificativa de Amaury Ribeiro Júnior – na fase de investigação da Polícia Federal – foi que os dados lhe teriam sido enviados sem que ele soubesse como. Ao ser confrontado com o dossiê falso descoberto no comitê de Dilma, afirmou que os mesmos dados (que estariam em seu computador) teriam sido roubados por Rui Falcão.

Este nega.

Este é o autor de A Privataria Tucana, livro de cabeceira de muitos lulopetistas.

A movimentação financeira de Eduardo Jorge foi explicada documentalmente. Na de José Serra e da FILHA dele, nada foi encontrado de anormal.

O que diriam os lulopetistas se um jornalista autor de algum livro contra o PT houvesse quebrado (e roubado) o sigilo fiscal de Lulinha (o filho), de filhos de José Dirceu, de Genoino ou de Dilma? Seria ou não o fim do mundo?

Ao contrário, desta feita, os fins justificam os meios. No mínimo, covardia do autor, que se revela quando tenta incriminar Rui Falcão como sendo o autor do malfado dossiê.

Porque os fatos listados no Privataria Tucana não ensejaram NENHUMA ação por parte de quem tinha POR OBRIGAÇÃO JURÍDICA assim agir? Ao contrário, quem buscou a Justiça foi José Serra e os citados no dossiê falsificado.

Collor foi mais honesto em suas ações. Mesmo carecendo de direito, buscou o caminho da Justiça. O PT e o governo federal preferiram o silêncio e a inação.

Certamente pelo fato de sequer haver causa de pedir, como se diz em Direito. Corria o risco que assistimos agora: o acusador se transformar em réu.

O silêncio dos adoradores de Aumaury Ribeiro Jr. é ensurdecedor. O jornalista, que foi despedido de jornais pelos métodos nada éticos que empregava, conhecido como quem não apurava notícias (antes preferia criá-las, mesmo que fantasiosas), que era amigo da pior escória de Brasília (os arapongas de aluguel), que tentou vender o dossiê tão sólido como um castelo de areia e buscou uma editora para publicação só conseguindo após a quinta tentativa, é o heroi dos lulopetistas.

Seu livro – carente de fatos, pois TODOS eram públicos e sem lógica (insisto que Amaury desconhece o que seja um fundo de investimento, chamando o maior do mundo – algumas centenas de vezes maior que o fundo de pensão da Petrobras, o Petros, por exemplo – de “lavanderia” e não sabendo distinguir Conselho de Administração de Conselho Executivo) é usado e reusado como “prova” contra Serra.

Não tenho – e rejeito! – qualquer procuração de Serra para defendê-lo. Não me é nem um pouco simpático, ao menos. Daí a considerá-lo (e à FILHA, em uma atitude ABJETA) como corrupto, vai uma imensa diferença. Posso discordar – e discordo quase 100% – de Eduardo Suplicy, para citar apenas um exemplo, mas reconheço sua honestidade, em se tratando de dinheiro público.

Meu foco é a idolatria CEGA a um “jornalista” que desonra a imprensa brasileira. Que está sendo acusado de corrupção, uso de documentos falsos, falsificação de documentos, etc. Pergunta-se: tem que credibilidade pode ter esse senhor como jornalista?

Reconheço o direito de todos de publicar o que queira. O contrário seria censura. Caso quem tenha sido citado, que busque a Justiça. Como fez Collor (sem nenhuma razão) e Serra (com todas).

O que assusta é a adoração a qualquer um que “bata” no PSDB e na herança de FHC, mesmo que diga em um livro que Serra é na verdade um vampiro que suga sangue e dorme de cabeça para baixo ou, no passado, foi o Lobo Mau que atacou a Chapeuzinho Vermelho!

Seria um sucesso. E considerado como verdade.

Diferenças existem para ser realçadas.

Ficou claro a diferença ente um JORNALISTA (Augusto Nunes) e um “jornalista” (Amaury Jr.)?

Será preciso desenhar?

30/11/2013

às 19:00 \ Política & Cia

J.R. Guzzo: Algo está errado. Com a prisão dos mensaleiros, a corrupção “neztepaiz”" deveria estar na defensiva. Os fatos, porém, mostram o contrário

Acusado de participar de esquema de corrupção na prefeitura de São Paulo, Ronilson Rodrigues deixa prisão em São Paulo na madrugada de sábado (09) (Foto: Folhapress)

Acusado de participar de esquema de corrupção, o fiscal Ronilson Rodrigues deixa prisão em São Paulo. “Justo agora, com Papuda e tudo, está no ar um espetáculo de corrupção maciça, sistemática e rasteira na prefeitura de São Paulo, envolvendo possíveis 500 milhões de reais em prejuízos para o público, duas administrações e fiscais que chegavam a ganhar 70.000 reais por semana desviando dinheiro do ISS municipal” (Foto: Folhapress)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

ALGO ESTÁ ERRADO

J. R. GuzzoAlguma coisa deu terrivelmente errado com o Brasil de hoje. Só pode ser isso: com o dramático início do cumprimento das penas pelos condenados do mensalão, nessa feia penitenciária da Papuda, a corrupção na vida política brasileira deveria estar na defensiva.

Se os principais chefes do partido que manda no Brasil há dez anos foram para a cadeia, o lógico seria esperar mais cautela dos bandos que operam nos escalões inferiores; afinal, se a impunidade de sempre falhou até com a turma que está no topo da árvore, poderia falhar de novo com qualquer um.

Uma retração geral da roubalheira, nessas circunstâncias, teria de estar acontecendo em todo o território nacional. Mas os fatos mostram exatamente o contrário: justo agora, com Papuda e tudo, está no ar um espetáculo de corrupção maciça, sistemática e rasteira na prefeitura de São Paulo, envolvendo possíveis 500 milhões de reais em prejuízos para o público, duas administrações e fiscais que chegavam a ganhar 70000 reais por semana desviando dinheiro do ISS municipal.

Mas essa turma toda não deveria estar com medo do ministro Joaquim Barbosa? Não teria de parar um pouco, pelo menos durante estes momentos de mais calor no Supremo Tribunal Federal? Sim, sim, mas está acontecendo o contrário — rouba-se mais, e não menos. Que diabo estaria havendo aí? É uma disfunção do sistema; parece que o programa não está mais respondendo.

Sem dúvida, vive-se no Brasil de hoje um momento todo especial. De todos os instrumentos conhecidos para fazer concentração de renda, poucos são tão selvagens quanto a corrupção; lideranças que se colocam na vanguarda das “causas populares”, como se diz., deveriam, para merecer algum crédito, ser as primeiras no combate a essa praga.

Mas não foi possível notar, quando esse último escândalo estourou, a mínima preocupação do mundo político oficial com os fatos denunciados — é como se 500 milhões fossem um mero trocadinho, coisa para o juízo de pequenas causas, talvez, ou algo a ser tratado como um empurra-empurra em escalões inferiores.

A reação do maior líder político do país ,o ex-presidente Lula, e das cúpulas do PT resumiu-se a uma única questão: como evitar que o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que se estranhou no episódio com o seu sucessor petista, Fernando Haddad crie problemas para a candidatura à reeleição da presidente Dilma, em 2014.

Afinal, trata-se de um aliado — e aliados estão acima de tudo para a “governabilidade” da nação, tal como ela é vista no partido do governo. Foi precisamente por aí, na verdade, que se chegou até aqui: de apoio em apoio, de acordo em acordo, de negócio em negócio, Lula e o PT tornaram-se iguais às forças políticas que mais combateram quando eram oposição, e que sempre denunciaram como as grandes culpadas pelo atraso, pobreza e injustiça do Brasil.

Ao fecharem os olhos à corrupção e a outras taras que degeneram a vida pública no país, e ao descartarem como “moralismo” toda e qualquer denúncia contra a imoralidade, criaram os corvos que hoje os perseguem. Nada mais merecido, para quem adotou essa opção, do que ver na cadeia José Dirceu e José Genoino, suas “figuras históricas” e astros do mensalão — e em plena liberdade, com sua vida política cada vez melhor, os Sarney e os Collor, os Maluf e os Calheiros, inimigos de ontem e sócios de hoje.

Não era assim que estava programado.

Há personagens que nos presenteiam com momentos de grande conforto. O ex-presidente Harry Truman, dos Estados Unidos, até hoje o único ser humano a utilizar armas atômicas em guerra, é um deles.

Depois de deixar a Presidência, como lembra um relato que tem circulado no mundo digital, recusou todas as ofertas financeiras que recebeu das grandes empresas americanas para exercer cargos de diretor, ou consultor, ou membro do conselho ou qualquer atividade paga por elas.

“Vocês não querem a mim”, dizia Truman, certo de que ninguém estava interessado em pagar para ouvir suas ideias, conhecimentos ou lições. “Vocês querem é a imagem do presidente. Isso não está à venda.”

O ex-presidente Lula, e antes dele Fernando Henrique, e antes de ambos Bill Clinton, e depois dos três a presidente Dilma Rousseff e o presidente Barack Obama, têm todo o direito às fortunas que já ganharam ou vão ganhar das maiores corporações do mundo com suas palestras.

Mas dão direito, também, a que se faça uma pergunta: do ponto de vista da decência comum, qual das duas posturas parece ser a mais bonita?

30/11/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Post do leitor: Dias estranhos! Cor da pele virou critério de desempate, Lula abraçado com Collor, batalhar na vida é coisa de burguês…

"Dias estranhos! Uma nova era, talvez. Com certeza da mediocridade" (Imagem: Strange Weather, de Joy Garnett)

“Dias estranhos! Uma nova era, talvez. Com certeza da mediocridade” (Imagem: Strange Weather, de Joy Garnett)

Post do Leitor Nilton Sparagna

Post-do-Leitor1Dias estranhos!

Carne vermelha faz mal, bolacha recheada: nem pensar, coxinha na escola tem que ser proibida, um bebê humano pode ser morto (desde que esteja no ventre da mãe, é claro).

Cor da pele é critério de desempate. Matar animais pra comer? Absurdo! Só podemos matar vegetais, afinal, há uma hierarquia no valor dos seres vivos e as herbáceas devem estar em baixa.

Bom mesmo é enrolar um baseado, liberar a venda de drogas, mas restringir cigarros e bebidas (alcoólicas ou não). Coca-Cola? Pecado mortal. Chá de cogumelo é mais natural. Açúcar não, cocaína sim.

A polícia é inimiga da população, o branco é inimigo do negro, o empresário é inimigo do funcionário (ops! desculpem, do colaborador), o heterossexual é inimigo do homossexual e o cristão é um imbecil inimigo de todos, ainda mais se for branco e católico.

O rico é inimigo do pobre, o Sul/Sudeste, inimigos do Norte/Nordeste… Ser favelado é motivo de orgulho e batalhar pra subir na vida é coisa de pequeno burguês. Mas, que fique claro, é uma época de combate ao preconceito e discriminação seja qual for.

O PT no poder, MST critica o “sistema”, UNE critica o “sistema”, CUT critica o “sistema”, mas não largam as tetas do… “sistema”!

Lula abraçado a Collor, Dilma abraçada a Sarney, Haddad abraçado a Maluf. Organizações Não Governamentais (ONGs) são mantidas com dinheiro… governamental.

Oposição não critica o governo, mas governistas denunciam o próprio governo. Político condenado por corrupção merece total solidariedade. Já o tribunal e os juízes que finalmente mandaram corruptos à cadeia…

Segundo o PT, PC do B, PSOL e PSTU a democracia no Brasil é ruim, já na Venezuela, há democracia até demais. Cuba e Coreia do Norte são exemplos a serem seguidos. Estados Unidos e Europa, exemplos a serem evitados.

Imprensa boa é imprensa calada. Por que não publicam notícias positivas? Talvez umas receitas de bolo ou um poeminhas de Camões? Analfabetos – ditos funcionais (?) – frequentam Universidades, intelectuais de classe média apoiam governantes corruptos, mas odeiam a classe média, afinal, “a burguesia fede”.

Quem apoia teorias políticas do século XIX é progressista. Os que apoiam as teorias mais modernas são retrógrados.

Dias estranhos! Uma nova era, talvez. Com certeza da mediocridade.

Como não posso ir embora pra Pasárgada, pois não sou amigo do Rei, acho que vou mesmo é pra Itaguaí e lá curtir a Casa de Orates na companhia de Simão Bacamarte.

 

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