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Fernando Collor

11/03/2015

às 15:00 \ Política & Cia

Miguel Reale Jr.: RENÚNCIA JÁ

(Foto: Evaristo Sá/EFE)

Para o professor Miguel Reale, a renúncia “é a única via em busca de pacto sério para a reconstrução do país” (Foto: Evaristo Sá/EFE)

A indignação em vista do descalabro moral e gerencial do governo veio à tona com a elevada rejeição da presidente. Fala-se cada vez mais em impeachment, cassação do seu mandato pelas vias legais.

Em entrevista concedida por José Dirceu em junho de 1992 ao programa Roda Viva, disse o então deputado: “Não se faz impeachment na Câmara e no Senado, ele acontece na sociedade; eu disse e quero repetir que o impeachment não se resolve no Congresso Nacional, se resolve nas ruas e se resolve com uma coalizão político-partidária”.

Porém, além dos fatores sociais e políticos, consistentes no apoio das ruas e na expressiva maioria parlamentar, há de se ter, para o impeachment, a acusação de ação ou omissão enquadrável em algum dos 65 tipos de conduta descritos na Lei n.º 1.079, de 1950.

Nos governos Lula e no primeiro mandato de Dilma, poder-se-ia encontrar a violação ao dever de probidade na administração pela ausência de zelo da moralidade administrativa, não se tornando efetiva a responsabilidade dos subordinados em face de delitos funcionais, tal como preceitua o artigo 9o, item 3, da Lei 1.079.

Primeiramente, entendo que as infrações políticas que podem levar ao impeachment são exclusivamente previstas na forma dolosa, ou seja, intencional. Assim, os fatos devem revelar a intenção do governante de não tomar providências em vista da improbidade cometida por subordinados, o que circunstâncias a seguir lembradas podem indicar.

Em 2009, sendo Lula presidente da República e Dilma chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, instalou-se no Senado a CPI da Petrobras, tendo em vista, principalmente, relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) revelando sobrepreços na obra da Refinaria Abreu e Lima.

No dia da instalação da CPI, Lula declarou que a comissão não era do Senado, era do PSDB, e só impatriotas punham a Petrobras em investigação, tendo a certeza de não haver irregularidades na empresa e Dilma, “revoltada”, afirmou que a Petrobras tinha a contabilidade das mais apuradas do mundo.

Lula interferiu na composição da CPI, combinando com o líder do PMDB, Renan Calheiros, a indicação da relatoria para o sempre governista Romero Jucá, ambos possíveis beneficiários dos desvios, segundo o procurador da República.

Fernando Collor fazia parte da CPI e foi cooptado por Lula em troca do poder de nomear dois diretores da BR Distribuidora, suspeita de repassar importâncias ao senador. Os diretores sugeridos por Collor foram aprovados pelo conselho de administração presidido por Dilma. Estava tudo armado para o ocultamento.

(*) Advogado, professor titular senior da Faculdade de Direito da USP e ex-ministro da Justiça

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10/03/2015

às 22:02 \ Política & Cia

TVEJA: Em conversa com Augusto Nunes, digo que nunca houve um começo de governo com tanta cara de final como este que aí está

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06/03/2015

às 21:38 \ Política & Cia

Lista do petrolão reúne cúpula do Congresso e bate em cheio na base de apoio de Dilma

(Fotos: Agência Brasil/Sérgio Lima/Alan Marques/Folhapress)

Eduardo Cunha e Renan Calheiros (PMDB), Fernando Collor (PTB) e Gleisi Hoffmann (PT): Supremo autorizou investigação sobre eles e mais 30 parlamentares (Fotos: Agência Brasil/Sérgio Lima/Alan Marques/Folhapress)

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de inquéritos para investigar políticos citados na Operação Lava Jato da Polícia Federal

De VEJA.com

Depois de uma semana de muita tensão em Brasília, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou na noite desta sexta-feira a temida lista dos políticos que serão investigados por suspeita de envolvimento com o propinoduto que sangrou os cofres da Petrobras. Zavascki determinou a abertura de 21 inquéritos, que reúnem 22 deputados federais e 12 senadores. Todos eles serão investigados no Supremo no âmbito da Operação Lava Jato da Polícia Federal.

Zavascki também seguiu a recomendação da Procuradoria-Geral da República e determinou o arquivamento das denúncias contra os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Aécio Neves (PSDB)-MG) e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) por avaliar que as menções encontradas eram frágeis.

A temida lista elaborada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atinge em cheio a base a presidente Dilma Rousseff no Congresso, envolvendo políticos dos três principais partidos governistas: PT, PP, PMDB, além do senador aliado Fernando Collor, do PTB. Da oposição, o senador Antonio Anastasia, do PSDB de Minas Gerais, foi relacionado. Tanto no caso de Collor, investigado por lavagem de dinheiro, quanto no de Anastasia, os inquéritos já estavam abertos e diligências foram autorizadas.

As duas principais autoridades do Congresso Nacional integram a lista: o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A relação de senadores contém dois importantes ex-ministros do primeiro mandato de Dilma Rousseff: Edison Lobão (PMDB-MA), que comandava a pasta de Minas e Energia, e Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-chefe da Casa Civil. O deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) também foi ministro da petista (Cidades).

A presidente Dilma Rousseff foi citada nas investigações, mas o procurador-geral da República informou que não tem competência para investigá-la, conforme determina a Constituição. Dilma foi citada no mesma investigação na qual aparece o ex-ministro Antonio Palocci Filho, cujo caso foi remetido ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato em Curitiba.

A maior parte dos indícios contra parlamentares suspeitos de se beneficiarem do assalto à estatal foi recolhida a partir dos depoimentos do doleiro Alberto Yousseff e do ex-diretor de Abastecimento da petroleira Paulo Roberto Costa. Os dois fizeram acordos de delação premiada e colaboraram com os investigadores em troca de benefícios judiciais.

(PARA CONFERIR A LISTA COMPLETA DOS RELACIONADOS, DE QUE PARTIDO SÃO E QUE FUNÇÃO EXERCEM, BASTA CLICAR AQUI)

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01/03/2015

às 15:00 \ Política & Cia

MAÍLSON DA NÓBREGA: A menos que apareçam novos fatos, não é uma boa ideia procurar o impeachment de Dilma

(Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

Dilma está perdendo popularidade e tem escândalos de sobra, mas continua com maioria no Congresso (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

SOBRE O IMPEACHMENT

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

Conversas e especulações sobre um eventual impeachment de Dilma aumentaram com a forte queda de sua popularidade, que se explica pelos desastres derivados de má gestão. Sobressaem o escândalo na Petrobras,o risco de racionamento de energia e os maus resultados na economia.

Apesar disso, a menos que novos fatos venham a justificá-la, não parece boa a ideia de buscar a interrupção de seu mandato.

Em estudo de 2006, Kathryn Hochstetler examinou as tentativas de interrupção do mandato de presidentes eleitos na América do Sul após a redemocratização das décadas de 70 e 80 (Rethinking presidentialism: challenges and presidential falls in South America). Até 2003, dezesseis presidentes enfrentaram tentativas de impeachment e nove deixaram governo antes do fim do mandato. Apenas um impeachment se concretizou, o do brasileiro Fernando Collor. Os demais fracassaram por outros motivos.

A autora lista três fatores que motivaram tentativas de impeachment na região: 1) insatisfação com a política econômica, 2) acusações de corrupção e 3) governo minoritário no Congresso. Adicionalmente, os protestos de rua representam um forte determinante. Na ausência de um desses fatores ou de movimentos de rua, os presidentes concluíram mandato.

Foi assim no Brasil nas tentativas de impeachment de Getúlio Vargas e Fernando Henrique. O caso de Vargas (1954) teve por motivação atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, que resultou na morte do major-aviador Rubens Vaz. O mandante do delito, Gregório Fortunato, era chefe da guarda pessoal de Vargas. O pedido de impeachment foi apresentado pelo deputado Afonso Arinos, mas Vargas era majoritário no Congresso. A proposta foi rejeitada por 136 votos a 35.

No caso de Fernando Henrique (1999), a iniciativa foi do PT, no início do segundo mandato do presidente. FHC enfrentava queda de popularidade com a desvalorização da moeda, que durante a campanha pela reeleição ele prometera não realizar. O PT mobilizou protestos de rua sob o lema “Fora FHC!”. Os movimentos, porém, não se encorparam. Havia insatisfação com a política econômica, mas inexistiam escândalos. governo não era minoritário. Não houve processo de impeachment.

No escândalo do mensalão (2005), falou-se em impeachment de Lula, mas a oposição temeu a interrupção do mandato de um líder tão popular. Preferiu apostar numa agonia lenta, que acarretaria a derrota nas eleições do ano seguinte. Acontece que a expansão da economia, do emprego e da renda contribuiu para a recuperação da popularidade de Lula. O impeach­ment abortou.

Há quem, na oposição, se lembre do caso para defender a tese de que agora não se deveria contemporizar. A contínua deterioração da economia e os desdobramentos do petrolão disparariam protestos. Caberia à oposição atiçar os movimentos de rua que já se esboçam, desgastar a presidente mediante ações no Congresso e, assim, criar o ambiente para instaurar o processo.

O impeachment é um recurso legítimo e constitucionalmente válido para descontinuar más administrações. É um processo político. Não requer prova inequívoca, típica dos casos que envolvem crime. Indicações de que o dinheiro da corrupção na Petrobras serviu para financiar a campanha eleitoral de Dilma bastariam.

Ocorre que buscar o impeachment poderia não ser a estratégia mais conveniente. Mesmo que protestos de rua acontecessem em escala crescente, o governo ainda reuniria condições para manter a maioria no Congresso.

Embora improvável de acontecer, no decorrer do seu mandato normal a presidente ainda tem a oportunidade de reconhecer erros, reformular políticas, desenvolver habilidades no exercício do novo governo e melhorar a qualidade de sua equipe, recuperando a confiança na sua administração e na economia.

A eventual interrupção do mandato presidencial eliminaria as chances de reversão, pela própria Dilma, dos erros cometidos no primeiro governo. Permitiria, além disso, que os petistas utilizassem o processo de impeachment para posar de vítimas das elites, acusando-as de liderar um golpe contra o PT. Não se aproveitaria também o efeito pedagógico do julgamento de um fracasso pelos eleitores nas urnas.

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24/02/2015

às 17:00 \ Política & Cia

Collor recebeu R$ 3 mi em propina da BR Distribuidora, diz doleiro

(Foto: Sergio Lima/Folhapress)

Lava Jato: Collor teria recebido propina por negócio fechado em 2012 (Foto: Sergio Lima/Folhapress)

Youssef detalhou operação em depoimento à força-tarefa da Lava Jato, segundo jornal. Negócio foi intermediado por ex-ministro do agora senador

De VEJA.com

O doleiro Alberto Youssef afirmou em depoimento prestado no âmbito de seu acordo de delação premiada que o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) recebeu 3 milhões de reais em propina como resultado de uma operação da BR Distribuidora, informa reportagem desta terça-feira do jornal Folha de S. Paulo.

O negócio da subsidiária da Petrobras foi fechado em 2012 – e intermediado pelo ex-ministro de Collor Pedro Paulo Leoni Ramos, empresário que já havia aparecido na investigação da Operação Lava Jato como sócio oculto de Youssef no laboratório Labogen.

PP, como Leoni Ramos é conhecido, é dono da GPI Investimentos e Participações e amigo de longa data do senador. No governo Collor, ocupou a Secretaria de Assuntos Estratégicos. A GPI é citada no relatório da Polícia Federal sobre a Lava Jato. Segundo o jornal, o doleiro afirmou aos investigadores que o empresário atuou como operador do esquema, e intermediou o suborno.

O contrato em questão foi fechado com uma rede de postos de combustível de São Paulo e previa a troca de bandeira da rede, para que o grupo se tornasse um revendedor da BR Distribuidora. O negócio totalizou 300 milhões de reais – e a propina negociada foi o equivalente a 1% do contrato, segundo o doleiro.

De acordo com o jornal, Youssef afirmou que o dinheiro foi arrecadado nos postos em espécie, dividido em três parcelas de 1 milhão de reais. A propina era, então, repassada a Leoni Ramos, que a entregava a Collor.

O doleiro não informou como o dinheiro chegou ao senador ou deu nomes dos diretores da BR Distribuidora envolvidos na negociata. Mas afirmou que todos sabiam que Leoni Ramos era um intermediário de Collor. O depoimento de Youssef foi prestado entre outubro e novembro do ano passado.

Em fevereiro deste ano, o delator do petrolão prestou novos esclarecimentos, desta vez à Procuradoria-Geral da República, a quem cabe pedir investigação sobre políticos com foro privilegiado.

Não é a primeira vez que Collor é citado na Lava Jato. Em agosto de 2014 o Supremo Tribunal Federal decidiu investigar a relação do senador com Youssef. Agentes da Polícia Federal encontraram no escritório do doleiro, durante ação de busca e apreensão da Lava Jato, oito comprovantes de depósitos bancários em nome de Collor. Os depósitos, feitos no intervalo de três dias, em maio de 2013, somam 50.000 reais.

Em entrevista a VEJA, a contadora de Youssef Meire Poza afirma que os depósitos foram feitos a pedido de Pedro Paulo Leoni Ramos.

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22/02/2015

às 19:00 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN: Dilma está sozinha no olho do furacão — e foi exatamente assim que Collor caiu

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Solidão: em seu partido e em seu governo, a presidente Dilma não tem mais “companheiros” (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Notas da coluna de Carlos Brickmann publicada neste domingo em diversos jornais

Carlos BrickmannO presidente da Câmara é do PMDB, que apoia Dilma e tem meia dúzia de ministros. E ninguém se surpreenderá se der andamento privilegiado aos pedidos de impeachment que a oposição promete fazer.

Marta Suplicy é de seu partido, o PT, foi ministra de seu governo. Tem falado muito sobre Dilma, nunca para elogiá-la. A oposição, óbvio, é contra Dilma; e, mesmo que não seja muito oposicionista, gosta de falar mal dela. Lula, que a criou, ensurdece o país com seu silêncio, enquanto ela é massacrada. Até José Dirceu, o mais petista dos petistas, dos que acham que nem Lula é ortodoxo como deveria, abre fogo contra Dilma.

Em seu blog – ou seja, por escrito, e assinado, para ninguém ter dúvidas – o Guerreiro do Povo Brasileiro diz que aquela a quem chamava de “companheira de armas” sustenta uma política econômica que coloca o Brasil “na contramão do mundo desenvolvido”. É exatamente o que pensa a oposição, embora faça a mesma crítica pelo motivo oposto. Dilma está sozinha, no olho do furacão.

Aliás, Dilma não está sozinha: sozinha estaria melhor. Tem a seu lado Aloízio Mercadante, Pepe Vargas, Miguel Rosseto, mais aquele senhor generoso que arranjou crédito subsidiado, dos bons, para Val Marchiori. E não foi este colunista, nem o caro leitor, que nomeou e mantém José Eduardo Cardozo no Ministério da Justiça. Quem gosta de sapato apertado não pode queixar-se dos calos.

Dilma tem a força política dos recém-eleitos. Mas é preciso lembrar que Collor não caiu por seus (inúmeros, e graves) defeitos. 

Caiu por estar sozinho.

A crise que nos rodeia

Este colunista não é pessimista nem otimista: é jornalista. Considera-se realista. Se todos os setores políticos se afastam de quem tem ainda quatro anos de mandato e dispõe de mais de cem mil cargos sem concurso para preencher como quiser, algum motivo têm.

No Brasil, já houve quem visse onça confraternizar com leitão, mas esta deve ser a primeira vez em que alguém vê o PMDB se afastar de quem tem nomeações a oferecer. E a crise continua: fora as denúncias contra políticos acusados de envolvimento no Petrolão, que vêm sendo adiadas há meses, há as demissões – tanto as causadas pela paralisia econômica quanto as promovidas pelas empresas acusadas no caso.

Há ainda o fantasma do HSBC, em que oito mil brasileiros foram identificados como proprietários de algo como 8,5 bilhões de dólares — alguns, legalmente; outros, não. A lista completa está em poder de um repórter brasileiro, que não a divulga por não conseguir distinguir os legais dos ilegais. Mas na hora em que conseguir separá-los, quem estará lá?

Custe o que custar

Esta será uma semana difícil para a presidente. O PMDB quer votar a proposta de emenda constitucional que eleva de 70 para 75 anos a idade máxima de aposentadoria para o ministro do Supremo (PEC da Bengala), o que impedirá Dilma de nomear cinco futuros ministros.

Discute-se o veto à correção plena da isenção de Imposto de Renda para assalariados (Dilma gostaria de corrigir a isenção abaixo da inflação, para aumentar a receita do Governo). São derrotas possíveis – e boa parte dos deputados pendulares já avalia o valor de seu voto.

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14/02/2015

às 16:00 \ Política & Cia

VÍDEO: Nos velhos tempos em que Lula defendia impeachment para político que, no cargo, agisse diferentemente das ideias que pregou em campanha

Devo mais esta ao querido amigo — ex-companheiro de Redação em VEJA em nossos anos mais verdes — e grande jornalista Ricardo Noblat, pioneiro de blogs na grande imprensa e titular de um que é indispensável. (Para visitar o blog, clicar aqui.)

No dia 5 passado, ele publicou este pequeno trecho de vídeo do programa Altas Horas, de Serginho Groisman, na Globo, em que Lula — então deputado Constituinte — pregava a tese de que a Constituição deveria conter um dispositivo, como escreveu Noblat, prevendo “o impeachment contra todo político que não corresponda [no exercício do cargo] às idéias que defendeu [em campanha]“.

O comentário de Lula está no finalzinho do vídeo de 2 minutos, depois de ele ter falado sobre o impeachment de Fernando Collor e referir-se ao “passado tenebroso” daquele que hoje, senador pelo PTB de Alagoas, é grande aliado do lulopetismo.

Depois de ver o vídeo, que tal se perguntar: será que Lula, hoje, defenderia a mesma tese diante da Dilma candidata x a Dilma re-presidente?

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01/02/2015

às 16:45 \ Política & Cia

ELEIÇÃO NA CÂMARA: Porque o deputado Eduardo Cunha (PMDB) é um pesadelo para Dilma

Cena comum: o deputado Eduardo Cunha rodeado por uma floresta de microfones -- sinal de sua importância na Câmara (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Cena comum: o deputado Eduardo Cunha rodeado por uma floresta de microfones — sinal de sua importância na Câmara (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Por Laryssa Borges, de Brasília, para VEJA.com

Dia sim, outro também, uma espécie de romaria de deputados, vereadores e empresários se forma em frente a uma pequena sala na Câmara dos Deputados.

Naqueles seis metros quadrados, sob uma parede forrada por isolamento acústico, o líder do PMDB na Casa, Eduardo Cunha (RJ), senta a poucos centímetros do interlocutor. No “confessionário do PMDB”, como o local ficou conhecido nos corredores do Congresso Nacional, anota demandas, faz acordos, cobra faturas políticas e lista suas armas – nem sempre as mais republicanas – que serão usadas contra o adversário da ocasião.

Quinze anos depois de, segundo antigos aliados, dividir com o nebulosa figura de Paulo César Farias, o PC Farias, o papel de arrecadador da campanha presidencial de Fernando Collor, Eduardo Cosentino da Cunha (que nega o histórico ao lado do ex-presidente) chega neste domingo ao ponto mais ambicioso de sua carreira política e pode se tornar presidente da Câmara dos Deputados.

Aos 56 anos de idade, no terceiro mandato na Casa, Eduardo Cunha é um político meticuloso, que conhece como poucos as entranhas do poder em Brasília.

Seus aliados projetam que, no futuro, será facilmente equiparado ao senador Renan Calheiros, também do PMDB. Com pelo menos três celulares criptografados, Cunha lidera com desenvoltura as negociações nos bastidores no Congresso, define cargos para seus afilhados políticos, traça estratégias para dificultar os interesses do Palácio do Planalto.

Fama de inimigo do governo Dilma

Alvejado por denúncias de corrupção, sempre saiu praticamente ileso das acusações atribuídas a ele. No ano passado, foi absolvido, por falta de provas, da imputação de usar documentos falsos para suspender um processo no qual o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) apurava irregularidades em sua gestão na companhia estadual de habitação (Cehab) – responsável pelas verbas destinadas à construção de casas populares.

Apelidado de “pinguim” pelo jeito claudicante de caminhar, Cunha promete reforçar a fama de inimigo do governo Dilma Rousseff e, se eleito, quer pautar já na primeira sessão deliberativa a votação final do Orçamento Impositivo, sistema que obrigaria o pagamento de emendas parlamentares sem a possibilidade de o Executivo barrar a liberação dos recursos.

“Eduardo Cunha se consolidou na bancada e as posições de enfrentamento são todas feitas por consenso”, diz o deputado e amigo Leonardo Picciani (PMDB-RJ).

Para a presidente Dilma Rousseff, com quem nunca ficou a sós em uma reunião, é um indigesto político em ascensão, uma inevitável pedra no sapato a cada votação relevante no Congresso.

– Estou pouco me lixando se Dilma não gosta de mim – costuma dizer o peemedebista.

Nas raras vezes em que não está costurando acordos, atua politicamente no subúrbio do Rio de Janeiro, frequenta cultos evangélicos e grava, direto de Brasília, inserções na rádio Melodia FM.

Fala de queda dos preços do petróleo ao beijo gay da novela das nove – e admite que os ouvintes não estão necessariamente interessados em suas análises, mas no bordão que usa desde o início dos anos 2000: “O povo merece respeito”.

Quer afastar o PMDB do PT e ter candidato próprio em 2018

Deputado com pavio curto, reúne desafetos históricos – o ex-aliado Anthony Garotinho e o inimigo figadal Ciro Gomes são os melhores exemplos. Tem personalidade vingativa e um apetite voraz pelo poder.

Mais do que vencer as eleições para a Presidência da Câmara neste domingo, projeta uma mudança de rumos no PMDB: articula desde já a manutenção do partido na chefia das duas Casas legislativas em 2017 e defende abertamente que a sigla lance candidato próprio à Presidência da República em 2018. “Cunha sabe que ser líder é ser uma máquina de moer carne. Mas tem excepcional capacidade de articulação e tem seguidores cativos”, afirma o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS).

Na disputa voto a voto com o adversário e ex-presidente da Casa, o petista Arlindo Chinaglia, Cunha atuou como um garimpeiro: mapeou os votos prometidos na eleição e fez acenos como a intenção de colocar em votação temas de interesse do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).

Procurou sem constrangimentos o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e o ministro Gilberto Kassab (PSD) em busca de apoio para tentar liquidar, já no primeiro turno, a disputa. Otimista, projeta obter de 313 a 331 votos, incluindo as desejadas traições de governistas.

Seus concorrentes dizem que não terá mais de 250 votos. “Ele não é uma Pollyanna, mas também não reclama das dificuldades da política. É turrão e não sabe ouvir um não”, analisa a filha Danielle, que aos 27 anos é responsável pela publicidade e pelas mídias sociais da campanha.

Além do inevitável apelo de “voto útil” – segundo o qual a chapa do rival Julio Delgado (PSB) naufragará –, Eduardo Cunha também afagou deputados que vão iniciar o primeiro mandato neste domingo: por exemplo, chegou a viajar ao Amazonas para visitar uma futura parlamentar que estava com o pé quebrado.

ARTICULADOR -- Cunha procura ter amigos e contatos em toda parte. Na foto, sorrisos para o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito (Foto: Agência Brasil)

ARTICULADOR — Cunha procura ter amigos e contatos em toda parte. Na foto, sorrisos para o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito (Foto: Agência Brasil)

Cobrou faturas políticas por apoio financeiro na campanha eleitoral de outubro e distribuiu bombons de licor em um chá com esposas de deputados. “Com Eduardo Cunha, deputado novo pode falar e não só para os céus. Senti um espírito de inclusão”, diz o novato Carlos Marum (PMDB-MS) ao justificar sua adesão imediata à campanha do correligionário.

A fama de plítico de bastidores também rendem queixas de adversários que atribuem a ele a distribuição de dossiês, especialmente contra Arlindo Chinaglia. Publicamente, Cunha revida reclamando da chantagem de ministros e da oferta de cargos no governo em troca de votos. No chumbo trocado, o peemedebista contabiliza ter conseguido pelo menos dez votos da bancada do PT.

Se perder, terá um exército de insatisfeitos mirando o governo

Nas últimas semanas, Eduardo Cunha percebeu o enfraquecimento de seu favoritismo na disputa deste domingo. Além da ofensiva do Palácio do Planalto para evitar sua vitória, seu nome apareceu como um dos supostos beneficiários do propinoduto montado na Petrobras.

A citação era esperada no comando do PMDB desde o ano passado. Irritado, atribuiu a adversários políticos a suposta indicação de seu nome no acordo de delação premiada celebrado pelo doleiro Alberto Youssef.

Nos últimos dias, sacou seu principal trunfo catalisador de apoio: prometeu aos deputados recém-eleitos exigir que os novos parlamentares também sejam agraciados, logo no início do mandato, com o direito a verbas para obras nas bases eleitorais. Se sair vitorioso neste domingo, vai contemplar os neoaliados com cargos no Congresso.

Se derrotado, terá um exército de parlamentares insatisfeitos com o governo e prontos para incendiar o Parlamento.

Às vésperas da eleição, um influente líder na Casa define bem o cenário: “Nem o governo tem certeza do que é melhor: tê-lo no comando da Câmara ou no comando de uma rebelião”. Eduardo Cunha já provou que sabe como ser o pesadelo do governo no Legislativo.

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15/01/2015

às 18:01 \ Política & Cia

NOVA ENQUETE: Eu só vou acreditar que Marta Suplicy rompeu com o PT quando ela parar de obedecer a Lula. E vocês?

Marta sorri em êxtase para seu "Deus", em comício de sua campanha para o Senado, em 2010: romper com o PT e com o governo Dilma e ficar amiguinha de Lula não vale (Foto: Estadão Conteúdo)

Marta sorri em êxtase para seu “Deus”, em comício de sua campanha para o Senado, em 2010: romper com o PT e com o governo Dilma e ficar amiguinha de Lula não vale (Foto: Estadão Conteúdo)

A senadora Marta Suplicy (PT-SP), ex-ministra da Cultura, está em todas as manchetes por sua suposta “ruptura” com o PT.

E não é exagero da mídia: deputada bem votada, ex-prefeita da maior cidade do país, senadora da República, é a figura de maior porte do partido que poderá abandoná-lo desde o episódio que culminou com a auto-defenestração da também ex-prefeita Luiza Erundina quando ela cometeu o crime tenebroso, para o radicalismo petista, de colaborar com o iniciante governo do presidente Itamar Franco, aceitando ser ministra da Administração, após o impeachment de Fernando Collor, que deixou atrás de si um país em colapso econômico e mergulhado em brutal crise política.

Marta Suplicy vem, desde novembro, distribuindo bordoada para todo lado: em seu sucessor, o atual ministro Juca Ferreira, na política econômica do governo Dilma, no governo Dilma, no chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, no presidente do PT, Rui Falcão… e por aí vai.

Até agora, porém, nada, nadinha, nem um cisquinho sobre o capo di tutti capi do PT — idealizador do partido, seu fundador e presidente de honra vitalício, ex-presidento da República e candidato permanente, Lula.

Nem um reparo, nem um cutucão, nem uma criticazinha — nada, nada, nada. Ela até chegou a ter várias conversas com o ex-presidento no ano passado no âmbito do “Volta, Lula”, que pretendia passar uma rasteira em Dilma e colocar o Deus supremo do lulalato disputando com Aécio Neves a Presidência.

Continua venerando o ex-presidento e obediente a ele.

De que adianta, então, “romper” barulhentamente com o PT sem levantar um dedinho contra Lula?

Pois vejam bem: em todas as maracutaias, todos os desvios éticos, todas as safadezas, todas as imoralidades e todas as roubalheiras cometidas por gente do PT desde sua fundação, em 1980 — começando com irregularidades municipais, nos primeiros anos, até galgar novos níveis, chegando ao bilionário petrolão — Lula teve um papel.

Ou ele autorizou, ou ele justificou, ou ele defendeu os envolvidos ou ele silenciou.

Então, continuo dizendo que a “ruptura” de Marta com o PT é puro oportunismo político: ela sabe que não ganha eleição alguma em São Paulo — Prefeitura, governo do Estado — se continuar no PT.

É isso aí.

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12/01/2015

às 14:00 \ Política & Cia

O presente de Ano Novo de Dilma é o Ministério mais mequetrefe da história da República

(Ilustração: dreamstime.com)

Um ministério de anônimos, de nulidades, de gente que está lá só porque é dono de legenda ou perdeu a eleição. Não há sequer um Grande Brasileiro no time, o pior da história de 125 anos de República (Ilustração: dreamstime.com)

Publicado originalmente a 30 de dezembro de 2014

Voltar de férias é bom, quando se tem paixão pela profissão, como é meu caso. O problema é, após um interregno no exterior, tornar a encarar certas realidades brasileiras — que nos afligem justamente porque gostaríamos que “eztepaiz” fosse muito, mas muito melhor.

São tantas as mazelas que custa apreender as novas, mas avultam dados como o espetacularmente ruim desempenho das contas públicas — o pior em quase duas décadas: o governo da “presidenta” Dilma deveria economizar 99 bilhões de reais para pagar os juros da dívida que ela vem sistematicamente tornando maior, e o resultado pífio, ridículo, foi um… déficit de 19,6 bilhões. A lei imoral que retocou, num passe de mágica, as obrigações que o governo assumira para com o Orçamento não mudam essa realidade, só a tornam mais dramática.

E então começam cortes e restrições – aquilo que o PT espalhou que Aécio Neves faria –, como os anunciados ontem (arrocho no seguro-desemprego, no auxílio-doença, no pecúlio por morte, no abono do PIS), necessários para que a Previdência não vá para o buraco mas justificados pelo chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, com reveladora fisionomia patibular, como apenas “ajustes”.

Para não falar, é claro, do escandaloso ministério de nulidades que a presidente vem montando, aos trancos e barrancos, fatiando o poder para partidos ávidos de cargos e vantagens e, curiosamente, sob um coro de reclamações dos próprios aquinhoados.

Fiz questão de pesquisar, demoradamente, os ministérios desde a proclamação da República, em 1899, e cheguei à conclusão de que nenhum — NENHUM — presidente ostentou, até hoje, um gabinete tão mequetrefe, tão insosso e com tantas figuras zero à esquerda como a Dilma versão 2015.

Mesmo presidentes medíocres, até presidentes desastrosos tiveram grandes ministros. João Goulart (1961-1964), em sua gestão destrambelhada, contou com Celso Furtado como ministro do Planejamento e, na Fazenda, com nomes de envergadura e respeitabilidade como os do ex-chanceler San Thiago Dantas ou do professor Carvalho Pinto, um dos melhores governadores da história de São Paulo.

Integraram o ministério de Fernando Collor (1990-1992), entre outros, o professor José Goldemberg, ex-reitor da USP e físico de renome internacional, Ozires Silva, criador da Embraer, o diplomata e intelectual de primeira Sérgio Paulo Rouanet, o sociólogo Hélio Jaguaribe e o cardiologista Adib Jatene, recentemente falecido e respeitado em todo o mundo.

José Sarney (1985-1990) abrigou figuras do quilate do banqueiro Olavo Setúbal, do senador e futuro ministro do Supremo Paulo Brossard, do economista Luiz Carlos Bresser Pereira e do jurista Saulo Ramos.

A mesma história havia ocorrido com presidentes apagados da República Velha, cujas eminências ministeriais poderiam ser citadas às dezenas, de Rui Barbosa a Afrânio de Mello Franco.

Com Dilma, não.

Não há traço de um Grande Brasileiro presente nesse ministério — pelo contrário.

É uma mistura de um ou outro técnico correto com políticos de segunda, perdedores de eleição recompensados com cargo público, donos de legenda cujo principal mérito é exata e somente este, anônimos que se vêem alçados a cargo ilustre única e exclusivamente por pertencerem a partidos “da base aliada” — o critério de boa gestão é o último a contar – e puras e simples nulidades.

Santo Deus, por melhor boa vontade que se tenha para com os indicados por Dilma, quais são as qualidades de gestor público do filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) para ocupar um ministério, ainda que o da Pesca?

O que poderá fazer o ex-deputado comunista Aldo Rebelo, político experiente, sem dúvida, mas que nem curso superior concluiu, na pasta de Ciência e Tecnologia?

Na Educação — logo ali, no âmago dos problemas brasileiros — de onde será que Dilma tirou que a solução seria um populista primitivo como o ex-governador do Ceará Cid Gomes, do qual não se conhece um estudo, um discurso, um bilhete sequer que o credencie ao posto?

Além de eventualmente manipular seu smartphone, o que entende de Comunicações o ex-sindicalista bancário Ricardo Berzoini, agora ministro?

Haja paciência, como diria o grande jornalista Fernando Pedreira.

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