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Fernando Collor

29/12/2014

às 18:45 \ Política & Cia

Crescimento do país sob governo Dilma só é melhor do que o de dois presidentes: Floriano Peixoto (1891-1894) e Fernando Collor

Eduardo Gianetti: crescimento sob Dilma é um dos piores da história da República (Foto: TV Cultura)

Eduardo Gianetti: crescimento econômico sob Dilma é um dos piores da história da República (Foto: TV Cultura)

Post publicado originalmente a 1º de agosto de 2014

Campeões-de-audiênciaÉ espantosa a constatação feita pelo respeitado economista Eduardo Gianetti da Fonseca: o crescimento do Produto Interno Bruto do país durante os quatro anos do governo Dilma será o mais baixo — o pior, portanto — em quase 125 anos de história da República, excetuados os verificados em dois governos.

O primeiro é o longínquo período de Floriano Peixoto, o “Marechal de Ferro”, o segundo presidente da República, que governou entre 1891 e 1894.

Floriano Peixoto (1891-1984): o governo do "Marechal de Ferro" conseguiu fazer o país crescer menos do que no período Dilma (Foto: planalto.gov.br)

Floriano Peixoto (1891-1984): o governo do “Marechal de Ferro” conseguiu fazer o país crescer menos do que no período Dilma (Foto: planalto.gov.br)

O segundo é o catastrófico governo de Fernando Collor, aquele do plano econômico que confiscou a poupança da população e, entre 1990 e 1992, levou o país à hiperinflação.

Eduardo Gianetti, principal assessor econômico do candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB), é um dos economistas mais respeitados do país. Formou-se em economia e em ciências sociais pela Universidade de São Paulo e doutorou-se pela Universidade de Cambridge, onde foi professor. É autor de vários livros, inclusive no exterior, e dois deles obtiveram o mais importante prêmio literário do Brasil, o Jabuti.

27/12/2014

às 20:00 \ Política & Cia

Parecendo um alucinado, Lula ataca Aécio usando o maior festival de baixarias já visto na história das campanhas presidenciais

Lula passa de todos os limites em comício de que participou na Praça Duque de Caxias, em BH, junto com Fernando Pimentel (PT),governador eleito de Minas Gerais (Foto: Alex Douglas/O Tempo/Folhapress)

Lula passa de todos os limites em comício de que participou na Praça Duque de Caxias, em BH, junto com Fernando Pimentel (PT),governador eleito de Minas Gerais (Foto: Alex Douglas/O Tempo/Folhapress)

Post publicado originalmente a 18 de outubro de 2014

Campeões-de-audiênciaLula parece ter enlouquecido. O repórter Gabriel Castro registrou o que aconteceu hoje em BH, dia marcante na história das baixarias em campanhas presidenciais, mas, mesmo tendo sido correto e fiel ao que ocorreu, foi delicado ao evitar escrever que Lula tinha, na verdade, ares de alucinado ao despejar e/ou insinuar uma montanha de infâmias contra o candidato do PSDB à Presidência.

Logo ele, Lula, o arrogante que dizia pretender “ensinar” a FHC como ser ex-presidente quando deixasse o poder.

Lula está, pelo contrário, enlameando o cargo que exerceu e sujando ainda mais sua história política. Confiram e julguem vocês mesmos.

NO PONTO MAIS BAIXO DA CAMPANHA, LULA COMANDA SHOW DE BAIXARIAS EM MINAS

Por Gabriel Castro, de Belo Horizonte, para VEJA.com

Em um comício realizado em Belo Horizonte neste sábado – sem a presença de Dilma Rousseff -, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ultrapassou os limites da inconsequência e comandou um show de baixarias e ofensas desmedidas contra Aécio Neves.

Foi o ponto mais baixo da campanha até aqui. E não apenas desta campanha: desde 1989 o Brasil não assistia a um festival de ataques como os que o PT hoje protagoniza em uma campanha.

Lula não apenas se utiliza das mesmas armas de que foi alvo na campanha contra Collor, como vai ainda mais longe. No comício, o ex-presidente citou o nome de Aécio muito mais que o de Dilma, que se tornou personagem secundário dos discursos.

A ordem era atacar, sem tréguas.

Em um discurso precedido por insultos pessoais ao tucano, Lula disse que Aécio usa violência contra as mulheres, por “experiência de vida”, e a tática de “partir para cima agredindo”.

Ao comentar a estratégia do tucano contra Dilma Rousseff, o ex-presidente insinuou que Aécio costuma bater em mulheres. “A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo”, afirmou Lula.

O ex-presidente também classificou Aécio de “filhinho de papai” e “vingativo”. E o comparou a Fernando Collor. O mesmo Fernando Collor que hoje divide palanques com Dilma, como há uma semana, em Alagoas. Lula ainda voltou a mencionar o episódio em que o adversário deixou de soprar o bafômetro em uma blitz no Rio de Janeiro.

Tática é transformar Dilma em “vítima”

O ato deste sábado deixou claro que a tática do PT na reta final da campanha, após o revés de Dilma Rousseff no debate do SBT, na quinta-feira, será a de expor a presidente Dilma como uma vítima das “grosserias” de Aécio.

Foi o que fez Lula neste sábado. “O comportamento dele não é o comportamento de um candidato (…) . É o comportamento de um filhinho de papai que sempre acha que os outros têm de fazer tudo para ele, que olha com nariz empinado. Eu não sei se ele teria coragem de ser tão grosseiro se o adversário dele fosse um homem”, disse o ex-presidente.

O ex-presidente comparou Aécio a Fernando Collor porque, segundo ele, a eleição do ex-presidente (aliado do PT) foi fruto da pressão da mídia e de um falso discurso do “novo”. “Em 1989, com medo de mim, com medo do Ulysses, do Brizola, com medo do Mário Covas, muitas vezes instigado pela imprensa, este país escolheu o Collor como presidente da República dizendo que era o novo. E vocês sabem o que aconteceu neste país.”

Lula também disse que Aécio age como Carlos Lacerda, o estridente líder da oposição a Getúlio Vargas, ao mencionar o “mar de lama” para “esconder o próprio rabo”.

O petista afirmou que, quando governou Minas Gerais, o tucano perseguiu professores de forma mais intensa do que a ditadura. “Não conheço, em nenhum momento da história, nem no regime militar, um momento em que os professores foram tão perseguidos como foram em Minas Gerais”, afirmou Lula. No vale-tudo, Lula tentou até subverter o tempo: indagou o que Aécio fazia quando Dilma foi presa por enfrentar a ditadura – ignorando que, na época, o tucano tinha apenas dez anos de idade.

Inacreditavelmente, Lula tentou definir o adversário com uma frase que resume de forma precisa a tática do PT: “É muito grave, porque as pessoas se acham no direito de desrespeitar os outros com muita facilidade e depois ir para a imprensa se passar de vítima. Não é possível.”

Mais ataques

Mais cedo, antes de Lula entrar no palanque, o mestre de cerimônias do comício leu uma carta de uma psicóloga petista que atribui a Aécio a prática de espancar mulheres e de uso de drogas, além de classificá-lo como “ser desprezível”, “cafajeste” e “playboy mimado”. Ela afirma que o tucano tem um “transtorno mental”.

Depois, o rapper Flávio Renegado, que discursou já na presença de Lula, do governador eleito Fernando Pimentel e de parlamentares petistas, disse que Aécio costumava fazer festinhas regadas a “pó royal”, uma gíria para cocaína. Durante o discurso de Lula, grande parte da militância presente emplacou um grito de “Aécio cheirador”, sob a complacência de Lula – o mesmo que, minutos antes, se orgulhara de nunca ter agido de forma desrespeitosa em nenhuma das campanhas eleitorais das quais participou.

COMENTÁRIO ADICIONAL DO BLOG

São inacreditáveis o cinismo e a desfaçatez de Lula quando, utilizando contra Aécio as mesmas táticas sórdidas de que Collor lançou mão contra ele em 1989, consegue fingir que critica Collor em seu discurso de alucinado.

O comportamento de Lula pode ser efeito de coisas que desconhecemos, mas certamente tem a ver com o desespero diante dos números, publicados hoje no jornal Estado de Minas, que mostram Aécio já com 12 pontos percentuais à frente de Dilma junto ao eleitorado mineiro. E com dados outros, como os do Datafolha mostrando que em dois grandes colégios eleitorais onde perdeu feio no primeiro turno, Aécio se recuperou espetacularmente — empatando com Dilma no Rio e ultrapassando-a no Rio Grande do Sul.

Collor, que usou em 1989 a mentira de que Lula pretendeu abortar uma filha, abraça o hoje amigão Lula: vale tudo para derrubar Aécio (Foto: veja.abril.com.br)

Collor, que usou em 1989 a mentira de que Lula pretendeu abortar uma filha, abraça o hoje amigão Lula: vale tudo para derrubar Aécio (Foto: veja.abril.com.br)

Então, está realmente valendo tudo, vale “fazer o diabo” para derrotar Aécio.

LULA É FALSO, HIPÓCRITA, ao fazer isso! O mesmo Collor que demonizou Lula de todas as formas em 1989 é hoje um aliado precioso do lulopetismo — alguém que Lula, agredido em sua vida pessoal de forma sórdida pelo adversário nas eleições daquele ano, acolheu depois com carinho no rebanho de apoiadores dos governos petistas.

Tal como fez em 2012, com o vergonhoso beija-mão a Maluf — alvo de denúncias e críticas do PT de toda uma vida — em busca de segundos de tempo na TV para seu apadrinhado Fernando Haddad, na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

LULA MENTE ao fingir que se dissocia de Collor. Sua pupila, Dilma Rousseff, cometeu o despautério, dias atrás, de criticar a corrupção num comício em Alagoas em que tinha Collor, de um lado, e Renan Calheiros, de outro — confirmando plenamente a assertiva do humorista José Simão de que “eztepaiz” é o país da piada pronta e, infelizmente, da falta cada vez mais generalizada de vergonha na cara.

24/12/2014

às 15:30 \ Política & Cia

EXCLUSIVO: General Augusto Heleno informa que não será candidato a presidente nem a outro cargo, que não é filiado a partido político, diz que pregar a volta dos militares é “estupidez” e que o ´”único caminho” para o Brasil é a democracia

General Augusto Heleno: defesa da democracia e da manutenção dos militares fora da política. "A ideia de um Partido Militar é um absurdo", diz (Foto: Agência Brasil)

General Augusto Heleno: defesa da democracia e da manutenção dos militares fora da política. “A ideia de um Partido Militar é um absurdo”, diz (Foto: Agência Brasil)

Post publicado originalmente a 25 de março de 2014

Campeões-de-audiênciaO general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, primeiro comandante dos mais de 6 mil militares de diferentes países que integraram o contingente inicial da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) e ex-comandante Militar da Amazônia, informou ao blog que não é filiado a nenhum partido, que não pretende se filiar e que não é candidato à Presidência da República ou a outro cargo político qualquer.

“Uma candidatura à Presidência sem uma forte estrutura partidária por trás seria uma aventura”, assinala o general, objeto do interesse de um grande número de brasileiros que cogitam de sua disputa ao Planalto em outubro próximo. “E o país não comporta mais aventuras depois da Presidência de Fernando Collor [1990-1992]”.

Para o general, a opção de filiar-se a um partido de menor projeção e, depois, precisar sair à procura de recursos para financiar uma campanha, “de pires na mão”, significaria “acabar assumindo compromissos que mais tarde precisarão ser pagos, e isto não é comigo”.

Pergunto se não lhe interessaria candidatar-se a senador ou a deputado futuramente (uma vez que, não tendo filiação partidária, não poderia concorrer em outubro próximo):

– Veja bem, isso não levaria a nada. É difícil ter uma participação mais significativa dentro de um quadro político em que as coisas já estão delineadas. Do jeito que a coisa está montada, uma só pessoa que pretenda alterar o atual estado de coisas vai acabar morrendo de desgosto ou, por ingenuidade, ou desconhecimento, ser envolvido em algo negativo.

E acrescenta:

– Não há salvadores da pátria. O problema do país é acertarmos em termos de escolha. É algo de formação das pessoas, de muito longo prazo. Nossa democracia está consolidada, mas me preocupa o fato de que a juventude em geral, o que inclui seus melhores quadros, está muito afastada da participação na política. Há muita gente que tem condições intelectuais e de formação e pode contribuir para o país mas não é cooptada pela política. A estrutura atual é perversa, e precisa ser mudada em profundidade.

Pergunto sobre os supostos 5,6 milhões de votos que determinada pesquisa indicaria que alcançaria caso concorresse ao Planalto:

– Esses supostos 5,6 milhões de votos apareceram em reportagem da revista IstoÉ. Não sei de onde tiraram esse número. Se isto for verdadeiro, é fruto do que pude contribuir com meu trabalho no Exército, é produto, talvez, da generosidade com que meus ex-comandados espalharam minhas eventuais virtudes. De todo modo, embora tudo seja muito desvanecedor para mim, 5,6 milhões de votos não são nada num colégio de 130 milhões de eleitores.

Para o general, “pregar a volta dos militares” ao poder — como alguns têm feito — “é estupidez”:

– Alguém que pense assim e esteja a meu favor quer, na verdade, me empurrar para o buraco. Ter essa postura é afrontar tudo o que foi conquistado em muitos anos. O único caminho para o país — está comprovado — é a democracia. É inimaginável se controlar a liberdade das pessoas. O único caminho de fortalecimento e desenvolvimento para o Brasil é a democracia.

Qual seria sua opinião sobre um certo “Partido Militar Brasileiro”, que está sendo fundado?

– É um absurdo. Quando os militares tiverem vínculo com algum partido político estaremos perdidos. Essa ideia é absurda.

Pretende declarar apoio público a algum candidato a presidente, no primeiro ou no segundo turno?

– Não vou apoiar publicamente nenhum candidato, nenhum me comove. Prefiro ficar como espectador.

O general se diz muito satisfeito com suas tarefas como diretor de Educação Corporativa e de Comunicações do Comitê Olímpico Brasileiro. “Trabalho com algo que sempre me fascinou — a educação, o ensino”. Conta que também tem feito palestrar por vários Estados brasileiros, em geral sobre três temas — liderança, a Amazônia e o problema do Haiti.

– Faço as palestras, mas não tenho coragem de cobrar. Faço de graça.

16/12/2014

às 18:00 \ Disseram

A defesa do ex-presidente

“[A magia negra] começou desde quando nós nos casamos, mas ele nunca pediu para matar ninguém.”

Rosane Malta, ex-mulher de Fernando Collor, sobre o ex-presidente e atual senador; ela afirma que o ex-marido praticava magia negra para se proteger de inimigos políticos

08/12/2014

às 20:20 \ Política & Cia

NOBLAT: Impeachment não é golpe, mas também não há razões o suficiente para isso — por enquanto

(Foto: Dario Oliveira/Código 19/Estadão Conteúdo)

O povo vai às ruas pedir que o governo seja derrubado — e alguns infiltrados pedem a intervenção militar (Foto: Dario Oliveira/Código 19/Estadão Conteúdo)

GOLPE? JAMAIS! IMPEACHMENT? DEPENDE

Artigo publicado no blog do jornalista Ricardo Noblat no site do jornal O Globo

Ouvi do prefeito de uma das capitais brasileiras mais importantes: “Foi a ação dos Black blocs que nos salvou, os governantes, quando o povo saiu às ruas em junho de 2013 cobrando melhores condições de vida”.

A ação dos baderneiros mascarados esvaziou as manifestações por passagens de ônibus mais baratas, saúde e educação eficientes, reforma agrária, lazer, contra a corrupção e contra a impunidade.

Por enquanto, os Black blocs saíram de cena. No seu lugar entraram pessoas agenciadas não se sabe por quem ou simplesmente pessoas que acreditam que a volta dos militares ao poder fará bem ao país.

Muitas entre essas pessoas pedem o fim do comunismo como se ele ainda existisse. A propósito, não vale citar a China e a Rússia. São imitações grotescas, macaqueadas de regimes comunistas.

De repente, a presidente Dilma e a sua turma ganharam aliados onde menos esperavam. Os que pedem um golpe militar, quer queiram quer não, podem contribuir para esvaziar passeatas e comícios dos insatisfeitos “com tudo isso que está aí”.

Por “tudo isso” entenda-se o grosso das mesmas reivindicações de junho de 2013, com ênfase crescente no combate à corrupção e à impunidade.

Há 15 dias, 2.500 pessoas ocuparam a avenida Paulista em protesto contra o governo Dilma. Foram cinco mil no último sábado em ato apoiado pelo PSDB e partidos da oposição.

Minoritária, a porção dos golpistas tenta se misturar com a porção dos insatisfeitos. Essa, por sua vez, tenta se distinguir da outra. Mais políticos compareceram à primeira manifestação do que à segunda.

Os principais líderes da oposição, entre eles Aécio Neves (PSDB-MG), correm o risco de se meter numa saia justa.

Por mais que digam o contrário, são acusados pelos partidários do governo de defender o golpe militar. Se não defendem o golpe, se batem pelo impeachment da presidente da República, o que militantes espertos do PT apregoam como sendo outro tipo de golpe. Não é.

Aécio está ficando rouco de tanto repetir: “Olha, eu não sou golpista, sou filho da democracia. (…) Não acho que exista nenhum fato específico que leve a impeachment. Essas manifestações [golpistas] que se misturam com as manifestações democráticas têm meu repúdio veemente”.

Talvez devesse ir à próxima passeata reafirmar de público seu compromisso com a legalidade.

Impeachment não é golpe. Fernando Collor, o primeiro presidente do Brasil eleito pelo voto direto depois de 21 anos de ditadura, foi derrubado pelo Congresso via um processo de impeachment.

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19/11/2014

às 15:32 \ Política & Cia

A bela Thereza Collor, a musa da outra CPI — e do impeachment –, fala sobre o caso, 20 anos depois, sobre os dramas que viveu, o marido que morreu, os filhos já adultos e viagens por lugares como o Turcomenistão e o deserto do Saara

Thereza Collor, fotografada por seu filho, Victor

Thereza Collor, fotografada pelo filho Victor

 Publicado originalmente a 23 de junho de 2012

(Entrevista a Maria Laura Neves e Patrícia Zaidan publicada na revista Claudia, da Editora Abril)

 

E AINDA DIZEM QUE EU SOU SOCIALITE?”

Peça-chave no primeiro impeachment da história do Brasil, Thereza Collor tem se aventurado pelos desertos do mundo. Vinte anos depois de ajudar a derrubar o presidente Fernando Collor, ela relembra o episódio e o que ele mudou na sua vida

 

Era 27 de maio de 1992 quando o Brasil conheceu Thereza Collor. Num tailleur xadrez que revelava suas pernas e causou verdadeira comoção. Naquele dia, no Maksoud Plaza Hotel, em São Paulo, a pernambucana criada em Maceió não disse uma só palavra: as atenções tinham que permanecer sobre o marido, Pedro Collor, que exibia a um batalhão de jornalistas o atestado de sua integridade mental.

Ele reiterava que não era preciso ser louco para denunciar o lamaçal de corrupção em que estava metido o presidente Fernando Collor, seu irmão. O episódio vai completar 20 anos. Thereza postou-se feito leoa ao lado de Pedro, que enfrentava uma guerra com o mundo político e o particular. A mãe de Pedro, Leda, para desqualificar as acusações, afirmou em uma carta ao Congresso Nacional que o filho era desequilibrado – além de afastá-lo do comando das empresas de comunicação da família, em Alagoas.

Era só o começo do processo tenso e explosivo que derrubou o presidente, quatro meses depois. Nesta entrevista, Thereza recordou, às vezes com voz embargada, a sensação do dever cumprido, as ameaças de morte, a saída do país com os dois filhos pequenos e com pouco dinheiro: “Eu cortava o cabelo do Pedro, o meu, o das crianças, vivendo de economias”, lembra.

De volta ao Brasil, o marido descobriu um câncer, em novembro de 1994, e deixou Thereza viúva um mês depois. As pessoas nunca se esqueceram dela, como se nota facilmente ao segui-la na Galeria de Arte do Sesi, na avenida Paulista, em São Paulo, onde até este mês de junho mantém a mostra Joias do Deserto, com 2 mil adornos dos séculos XIX e XX.

Para comprá-los, ela percorre tribos da Ásia Central, Arábia, Tibete e Saara. Dorme em cabanas, se lava em bacia, come bolachas. Na exposição, há quem queira abraçá-la, perguntar detalhes do impeachment – o que hoje, aos 49 anos, Thereza tem orgulho de recordar.

 

Você ainda guarda aquele tailleur xadrez que a tornou famosa?

Está em Maceió, é uma memória. Foi um negócio maluco. Não preparei um guarda-roupa; estava tensa demais para pensar no que vestir. De repente, o tailleur mexeu com o imaginário das pessoas. Falaram das minhas pernas. As revistas de moda disseram que o tecido não era apropriado para a temperatura… para virar um símbolo.

Thereza Collor e seu 1992 (Foto: VEJA)

Thereza Collor em 1992: vinte anos depois, orgulho de seu papel no impeachment do então presidente, seu cunhado (Foto: VEJA)

 

Que emoção você sente ao lembrar que faz parte da história do Brasil?

Fernando era jovem, o primeiro presidente depois da ditadura militar, com uma eleição brilhante. Quem vai contra um presidente assim? Pedro estava completamente só. A família dele, a minha, os políticos, os empresários que tinham negócio com o governo, todos se voltaram contra.

Eu levava uma vida quieta em Alagoas. Mas, quando vi Pedro sendo injustiçado, não me contive: entrei por solidariedade. Até mesmo um dos advogados contratados por Pedro tentou abafar o caso, indo à redação de VEJA para impedir a publicação das denúncias – mas não conseguiu.

O advogado foi ao Maksoud, onde estávamos hospedados, disse que as acusações eram graves demais e aconselhou que as retirasse, porque não havia argumentos para defender Pedro: ele seria preso. Afirmei que, se isso acontecesse, eu iria para a rua, levantar o povo. Como podiam prender um homem que não tinha cometido nenhum crime?

 

E você faria isso mesmo?

É lógico! Se Pedro fosse preso, ia acabar enfraquecido, no ostracismo. Quem o defenderia? Quem argumentaria por ele? Eu estava junto, não era só uma coadjuvante, um ombro ou ouvido qualquer. E o incentivava a seguir em frente.

 

Você nunca pensou em desistir?

Era um caminho sem volta. Não podíamos pensar em recuar. Também não tivemos medo de nada. Medo é algo que não passa por mim.

 

E sofreram ameaças?

Pouco antes das denúncias, o governador do Acre [Edmundo Pinto] tinha sido assassinado num hotel de São Paulo. Quando chegávamos aqui [em São Paulo], o governador Fleury [Luiz Antonio Fleury Filho] colocava um monte de policiais para nos proteger. Ele tinha receio de que algo nos atingisse. Afinal, quantos milhões de interesses estavam em jogo com as declarações de Pedro? E grana, então?

Outra vez, num restaurante, a segurança pediu para irmos embora: havia uma suspeita de ataque. E também recebemos ligações com ameaças em casa, em Maceió. Falavam de nossos filhos.

 

Por que, depois do impeachment, vocês foram para Miami?

Minha casa vivia cercada de jornalistas. Não tínhamos sossego para nada. Um inferno. O ano que passamos em Miami foi angustiante. Sem trabalho, não sabíamos o que seria da nossa vida. Na volta, tudo continuava bagunçado. O clima estava ruim, as pessoas tinham medo de que Pedro fizesse novas denúncias. Ninguém se aproximava de nós. Parecia que tínhamos lepra [risos].

 

Como vocês se sustentaram?

Nosso padrão de vida diminuiu bastante. E dona Leda nos ajudou. Era uma mulher muito educada, íntegra, reconhecia que Pedro havia reerguido o patrimônio da família. Dizia que ele lhe dera uma qualidade de vida que nem mesmo o marido [o senador Arnon de Mello, morto em 1983] tinha lhe proporcionado.

 

Mas ela ficou do lado do presidente Collor e chamou o seu marido de louco. Você a perdoou logo?

Ela sentiu o peso da posição que tomou. De certa forma, se arrependeu. Dona Leda pensava que, como majoritária na empresa, recolocaria o Pedro no comando quando quisesse. Já a Presidência da República, ela não poderia devolver se o filho a perdesse.

Então, pressionada pela família, fez a carta para evitar uma CPI contra Fernando. Foi usada: disseram que o documento seria lido por poucos no Congresso Nacional. Mas vazou ao chegar ao Palácio do Planalto. Alguém de lá mandou por fax para todas as sucursais da imprensa.

 

Fernando Collor e Roseane: (Foto: Reprodução)

Fernando Collor (com a então mulher Roseane): “Ele não nos prejudicou, mas mentiu ao dizer que não o deixei ver Pedro no final da vida” (Foto: Reprodução)

 

O ex-presidente tinha fama de vingativo. Como vocês se protegeram?

Nunca fizemos nada. Foi Deus. E a consciência do Fernando, que sabia que Pedro falava a verdade. Ele não nos prejudicou [perseguindo]. Só mentiu ao dizer que não o deixei ver Pedro no final da vida. Não é verdade. Imagine. É família, é sangue. Não proibi nada.

 

Como você lidou com o câncer cerebral que vitimou seu marido?

Foi tudo muito rápido. Nós recebemos a notícia de que era incurável, uma metástase de câncer de pele, e ele morreu um mês depois.

 

O stress teve relação com a doença?

Eu acredito que sim. Ficamos 20 dias em Nova York, no Memorial Hospital, um centro de referência no mundo. O chefe da oncologia disse a Pedro que a pessoa tem maior ou menor propensão ao câncer, e que as descargas de stress muito grandes aceleram o processo. A tensão tinha sido enorme.

 

Pedro fez reflexões à beira da morte?

Ele foi a pessoa mais forte que eu conheci. Nunca questionou a doença. Sabia que ia morrer, mas não ficou baixo-astral ou fez confissões. Ele tinha a consciência limpa. Não tomou calmante para dormir nenhuma vez. Só estava triste com o rompimento da família. Já eu, não queria acreditar naquela doença dele. Ficava esperando por um milagre. Preparava a comida, passava a sopa na peneira para ficar fininha. Queria deixá-lo forte.

 

Teve quem dissesse que a doença era um castigo. Não foi assim?

Para mim, não disseram nada. Nunca sofri um só ato de agressividade. Eu andava pelas ruas e até as pessoas pró-Collor vinham me abraçar. Tenho um arquivo gigante com cartas – uma veio da Bolívia – parabenizando, falando que nós mudamos a história do Brasil.

 

De lá para cá, o país melhorou?

Não amadurecemos politicamente. Não há consciência do coletivo, ninguém respeita o que é público. A gente vê tantos escândalos: políticos tirando dinheiro da saúde, da educação, da boca do povo. Eles compram votos. Ainda hoje existe clientelismo e prática de currais. Eu tenho muita pena do Brasil.

 

therezacollor

Sobre as fotos que fez como modelo: “Não sou uma estrela, mas passo credibilidade” 

 

A luta foi em vão? Hoje você faria algo diferente? Escolheria outro caminho?

A imprensa se fortaleceu, ganhou poder. Isso é bom. O apoio dela foi fundamental. Se não estivesse ao nosso lado, a denúncia morreria. Não, eu não mudaria minha posição. Hoje, com maturidade, talvez confiasse menos em algumas pessoas. Lidaria melhor com a imprensa, que também tem outro lado: quando precisa, ela usa você. Se já não precisa mais, descarta, chuta. E, se enxergar que você está ganhando muita força, então ela a queima, sem a menor piedade.

 

Vinte anos depois, já dá para rever a versão de Pedro de que Fernando a assediou num momento em que seu casamento estava abalado?

Fernando é sedutor com todo mundo. Naquela época, ele era governador e já tentava desestabilizar Pedro, que dirigia a Gazeta de Alagoas, com posição independente e às vezes até crítica à administração.

Isso se estendeu no período da Presidência. Primeiro, tentou tirar o Pedro do comando da empresa. Depois, botou Paulo César [o PC Farias, tesoureiro da campanha de Collor, pivô das denúncias de Pedro, que foi assassinado em 1996] para comprar as ações de Leopoldo [o irmão mais velho do presidente]. E criou o jornal A Tribuna, também com PC, para concorrer com a Gazeta.

Entre as tentativas de derrubar Pedro, insinuou que me assediava. Ele conhecia muito bem o meu marido, sabia que isso o deixaria enciumado, injuriado. E, por causa das denúncias, queria ver o satanás, mas não queria avistar Pedro.

 

A relação deles sempre foi conflituosa?

Não, ao contrário. Eram muito próximos desde a juventude. Pedro era padrinho do filho mais velho de Fernando, o Arnon. Nosso primeiro filho recebeu o nome do Fernando.

 

Você tem contato com Collor, hoje senador, e com os outros familiares?

Com Fernando, nenhum. Eu me dou bem com os filhos dele. Quando me encontram, são carinhosos. E convivem com meus filhos. Mas ninguém toca em assunto passado.

 

Por que você não quis disputar um cargo político depois de ter sido secretária de Turismo de Alagoas?

Fui convidada mil vezes para disputar eleições. Era a única pessoa com rejeição zero no Estado. Mas eu estava muito cansada. Também tinha medo de, com a minha inexperiência, assinar algum documento e me meter em falcatruas.

Fiquei viúva em dezembro e dia 3 de janeiro já tomei posse na Secretaria. Eu fiz um bom trabalho, me neguei ao compadrio e a fazer cabide de emprego. Não aceitei nem uma colunista social que pediu uma vaga ao governador (Divaldo Suruagi). Vesti a camisa e suei.

Usei a mídia nacional, que tinha em torno de mim, para reverter a imagem negativa que os escândalos renderam ao Estado. Deixei dinheiro em caixa, restaurei o Teatro Deodoro, levei lá Bibi Ferreira, Fernanda Montenegro, Hebe Camargo. Depois de tudo, ainda dizem que eu sou só uma socialite?

 

"E ainda dizem que eu sou só uma socialite?" (Foto: Vogue)

“E ainda dizem que eu sou só uma socialite?” (Foto: Vogue)

 

Você também estava ganhando bons cachês como estrela e modelo…

Por que não? Todo dinheiro extra que vinha era bom. Não sou uma estrela, mas passo credibilidade. Fiz propaganda das Havaianas porque sempre usei. E me recusei a fazer publicidade de uma cerveja porque não combinava comigo.

 

Thereza Collor e Gustavo Halbreich

Thereza Collor com o marido, o empresário Gustavo Halbreich: “Ele se apaixonou por Alagoas e até comprou uma fazenda de coqueiros”

 

Ainda mantém vínculos com Alagoas?

Amo a minha terra. Vou todo mês a Maceió. Meu filho Fernando (de 28 anos) mora lá. Meu marido [o empresário Gustavo Halbreich] se apaixonou pelo Estado e até comprou uma fazenda de coqueiros.

 

O que seus filhos fazem hoje? Que imagem guardaram do pai?

Pedro é um exemplo para eles. Mas sentem que o sobrenome pesa demais. Ao mesmo tempo que abre, também fecha muitas portas.

Victor (25 anos) adora São Paulo, é fotógrafo, gosta de namorar mulheres mais velhas. Foi eleito, não sei por quem, um dos homens mais bem-vestidos do país.

O Fernando está sendo tentado pela política [faz expressão de desgosto]. Trabalha no jornal do meu pai [o usineiro e deputado federal João Lyra]. Eu preferia que ele atuasse em outra coisa. Mas não posso me meter.

 

Se ele decidir virar político, você abraça a ideia? Vai para a campanha?

Abraço, né? Vou estar ao lado em qualquer momento. É meu filho.

 

Thereza e o filho Victor, o "mais bem vestido do Brasil" (Foto: Beta Recorder)

Thereza e o filho Victor, o “mais bem vestido do Brasil” (Foto: Beta Recorder)

Que tipo de conselho você dá a ele?

Sempre digo que é preciso ter idealismo, uma bandeira, um sonho. Pedro nunca gostou de política, era transparente, chegou a discutir várias vezes com meu pai. A política, aliás, sempre rondou a minha vida e deu muito trabalho, trouxe conflitos.

Me casei aos 18 anos, por desejo próprio, mas o casamento teve uma conotação política. Fernando Collor era prefeito de Maceió, meu sogro era senador e meu pai já tinha pretensões eleitorais. Foram 5 mil convidados, minha família criou um escritório só para cuidar da recepção – não havia infraestrutura na cidade. Tinha políticos e empresários do país inteiro. Os noivos não eram o foco da festa [risos].

 

As diferenças com seu pai a fizeram forte? Você continua distante dele?

Meu pai é machista, não concordo com ele. Somos opostos e nos vemos pouco. Não me meto na vida dele e ele não se mete na minha. O que eu vivi em casa talvez tenha me feito mais forte, sim. Já sofri muitas adversidades e soube enfrentar todas elas sozinha.

 

Por que coleciona joias étnicas?

Gosto do exótico. Aos 14 anos, numa viagem ao Irã e ao Egito, comecei a comprar para usar. Quando casei, a mãe do Gustavo me ofereceu as peças que tinha. Adoro colecionar. Quando criança, fazia álbuns de figurinhas. Pesquiso as peças, o valor cultural, a época, o significado. Há povos que não usam alianças, mas braceletes em sinal de união. Guardo uma parte delas na fazenda, outra em São Paulo.

 

Exposição de sua coleção, na Fiesp: Joias do Deserto (Foto: Divulgação)

Com parte de sua coleção “Joias do Deserto”, exposta no Sesi de São Paulo

 

Quando você percorre os desertos pelo mundo, como se instala?

Fico em lugares sem conforto, mas gosto. No Turcomenistão, dormi numa barraca. Não tinha banheiro, eu usava um cercadinho de palha para me lavar numa bacia. Na Ásia Central, não tomam café da manhã: eu levei o meu leite em pó. No deserto, passo dias comendo bolacha, barra de cereal e queijo. Adoro ouvir as pessoas, fotografá-las nas suas aldeias.

 

Cadê Thereza?

Cadê Thereza?

Tudo com apoio do marido?

Sempre com apoio dele. Gustavo vai junto algumas vezes. Ou minha mãe [Solange Lyra, que vive na Espanha] me faz companhia.

 

Gustavo já pediu para esquecer essa história de musa do impeachment?

Nunca. Carrego o nome Collor. Tem sempre alguém, num jantar, que pergunta. Eu conto. Meu marido se orgulha da postura decente e digna que assumi. Sabe que não há como apagar minha história.

 

Você começou a escrever seu livro?

Tenho vontade, mas preciso andar mais. Não vou falar só do impeachment: me tornaria uma ranzinza. Mas minha vida longa já dá livro. Até pareço uma velhinha.

16/11/2014

às 18:00 \ Política & Cia

Decisões de quatro anos atrás mostram a clara responsabilidade de Lula e Dilma pelo escândalo de corrupção na Petrobras, um caso que deixa até Collor no chinelo

(Foto: Agência Brasil)

Ao aprovar obras superfaturadas da Petrobras em 2010, Lula e Dilma foram claramente coniventes com a corrupção dentro da estatal (Foto: Agência Brasil)

CRIME DE RESPONSABILIDADE

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Quando começou a vir à luz o conteúdo das investigações da Operação Lava-Jato, lançada pela Polícia Federal (PF) em março deste ano para apurar a corrupção dentro da Petrobras, houve quem previsse que a dimensão dessa encrenca poderia comprometer a realização das eleições presidenciais.

Esse vaticínio catastrófico era obviamente exagerado. Mas os acontecimentos dos últimos dias revelam que esse escândalo sem precedentes não apenas compromete indelevelmente a imagem da maior empresa brasileira e da cúpula do partido que controla o governo federal há 12 anos – inclusive o ex-presidente Lula e a presidente reeleita Dilma Rousseff, como mostramos em editorial de sexta-feira -, mas pode ser só a ponta de um gigantesco iceberg.

Para ficar apenas nos acontecimentos mais importantes dessa semana: a empresa holandesa SBM Offshore, fornecedora da Petrobras, fez um acordo com o Ministério Público de seu país pelo qual pagará US$ 240 milhões em multas e ressarcimentos para evitar processo judicial por ter feito “pagamentos indevidos” para obter contratos no Brasil e em outros dois países.

No Brasil, a CGU iniciou investigações sobre as suspeitas de que cerca de 20 funcionários da Petrobras teriam aceitado suborno da empresa holandesa.

Na quinta-feira, a auditoria PricewaterhouseCoopers anunciou que não vai assinar o balanço contábil do terceiro trimestre da Petrobras – cuja divulgação foi por essa razão adiada – enquanto não conhecer as conclusões das investigações internas da empresa sobre o escândalo, por temer o impacto do desvio de recursos sobre os ativos da petroleira.

Trata-se de uma precaução raramente adotada por firmas de auditoria – o que demonstra a gravidade da situação da Petrobras.

Na sexta-feira, a Operação Lava-Jato iniciou nova fase, colocando 300 policiais em ação em cinco Estados – São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais – mais o Distrito Federal, para cumprir 85 mandados de prisão ou de busca contra executivos de empreiteiras e outros investigados por crimes de organização criminosa, formação de cartel, corrupção, fraude à Lei de Licitações e lavagem de dinheiro.

Para começar, prenderam no Rio de Janeiro o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, indicado para o cargo por José Dirceu.

Enquanto isso, chega a cerca de uma dezena o número de investigados da Lava-Jato que reivindicam o benefício da delação premiada, numa demonstração de que quem tem o rabo preso no escândalo já percebeu que a casa caiu e a melhor opção é entregar os anéis para salvar os dedos, como já fizeram o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.

Diante das surpreendentes proporções do esquema de corrupção armado dentro da maior estatal brasileira com o objetivo de carrear recursos para o PT e seus aliados, não surpreende que os dois presidentes da República no poder durante o período em que toda essa lambança foi praticada soubessem perfeitamente o que estava ocorrendo.

Em 2010 – Lula presidente e Dilma chefe da Casa Civil -, o Palácio do Planalto, por meio de veto aos dispositivos da lei orçamentária que bloqueavam os recursos, liberou mais de R$ 13 bilhões para o pagamento de quatro contratos de obras da Petrobras, inclusive R$ 6,1 bilhões para a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

O TCU havia chegado à conclusão de que esses custos estavam superfaturados, mas Lula e Dilma entenderam que era preferível tocar as obras. Só essa decisão comprova a responsabilidade desses políticos por um escândalo que deixa o Caso Collor no chinelo.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

11/11/2014

às 15:00 \ Bytes de Memória

GAVETA DE PRESIDENTES: de como Collor, no debate decisivo com Lula, em 1989, evitou ficar com a mão estendida no ar para o adversário, sem ser cumprimentado

(Foto: Reprodução TV)

No debate decisivo Collor x Lula, em 1989, mediado por Boris Casoy, Collor ficou sabendo antes que Lula não o cumprimentaria, deixando-o com a mão estendida no ar, e conseguiu retirar do roteiro a cena do aperto de mãos (Foto: Reprodução TV)

Conforme informei anteriormente aos amigos do blog, estou em processo de montagem de meu site pessoal, no qual estarão, organizadamente, todas os milhares de reportagens, entrevistas, artigos, notas de coluna, vídeos, fotos e áudios que consegui guardar ou recuperar de uma longa carreira jornalística.

Pois bem, no processo de alimentar o site venho constantemente me deparando com material que, embora de muito tempo atrás, apresenta algum tipo de atualidade — no mínimo, contém curiosidades históricas que merecem registro.

Vejam, por exemplo, esta nota que publiquei no longínquo 20 de dezembro de 1990, na extinta Coluna 2, mantida na época pela jornalista Sonia Racy no jornal O Estado de S. Paulo, do qual era editor-chefe:

Só ontem, um ano depois da vitória de Fernando Collor sobre Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial de 1989, foi esclarecido um episódio importante dos bastidores da campanha: como foi que Collor, no segundo e decisivo debate entre ambos, dia 14 de dezembro, ficou sabendo que Lula não iria cumprimentá-lo, deixando-o com a mão estendida no ar, e evitou a arapuca.

O candidato do PT estava indignado com o depoimento de sua ex-namorada Mirian Cordeiro, feito dois dias antes, e segundo o qual Lula propusera que ela abortasse a filha dos dois, Lurian, hoje com 16 anos.

Ao chegar à Rede Bandeirantes, onde se daria o debate transmitido por um pool de emissoras de TV, Lula disse a Fernando Mitre, diretor de jornalismo da rede:

– Não posso apertar a mão desse cara.

Mitre respondeu que o aperto de mãos constava do roteiro, e que nesse caso ela precisaria avisar Collor.

Lula concordou, o aviso foi feito e Collor disse:

– Então é preciso tirar o cumprimento do roteiro.

O PT, assim, descartou o que seus estrategistas consideravam um dos grandes trunfos do debate.

04/11/2014

às 19:11 \ Política & Cia

Impeachment: cabe no momento político brasileiro?

(Foto: Hemera)

Dentro da justiça brasileira, cabe um impeachment no momento atual? (Foto: Hemera)

Artigo de Antonio Riccitelli*

antonio riccitelliApesar de reeleita, a presidente da República vivencia uma crise institucional, sem precedentes. Ao ter sua gestão desaprovada por quase metade da população, perdeu a oportunidade de esclarecer à sociedade sobre os índices e notícias de reiterados escândalos, não aqueles que, de acordo com os especialistas, foram apresentados durante sua campanha, superficialmente, ou maquiados, como, por exemplo, os da inflação.

Esperavam-se medidas enérgicas e efetivas contra as sistemáticas e incontáveis denúncias de corrupção; um planejamento mínimo adequado para evitar o maior déficit público registrado nas últimas décadas e, particularmente, o rígido controle da inflação, que há muito aproxima-se da casa dos dois dígitos.

Por seu turno, percebe-se ainda a insatisfação, já demonstrada pelos partidos de sustentação da base política do governo, sintomas de tempos difíceis que se avizinham.

A expectativa natural da considerável parcela da população que desaprovou a forma de gestão do atual governo é de uma sistemática fiscalização por parte dos  partidos de oposição e de toda a sociedade, diante da insatisfação dos mais variados setores, prenunciando dificuldades na administração da res publica, incluindo-se a possibilidade de um processo de impeachment contra a Chefe do Executivo Federal.

Oriundo da Inglaterra, com características de instituto penal, o impeachment, significa impedir que servidores de alto escalão da Administração Pública continuem  a exercer de forma inadequada suas funções para às quais foram eleitos ou nomeados, colocando em risco o indisponível interesse público.

Peça importante para a implantação do Parlamentarismo naquele país, revestiu-se com características políticas ao ser introduzido na Constituição norte-americana, garantindo o equilíbrio entre os poderes alicerçado no sistema de checks and balances. Em nosso sistema assume características políticas ao ser contemplado pela Constituição Federal de 1988 e é  representado em nosso sistema jurídico pela expressão crime de responsabilidade.

A seguir apresenta-se o roteiro constitucional, o conjunto resumido de procedimentos e os protagonistas do instituto do impeachment. O inciso I do art. 51 da Constituição delega à Câmara dos Deputados o poder de autorizar, por meio de dois terços de seus membros, a instauração do processo de impeachment contra o presidente e o vice-presidente da República e os ministros de Estado.

O art. 52, I determina a competência privativa do Senado Federal para processar e julgar o presidente e o vice-presidente da República, bem como altas autoridades nos crimes de responsabilidade, definidos na Lei  n. 1.079/50.

O inciso II, ainda do art. 52, atualizado por redação disposta na Emenda Constitucional n. 45, amplia a competência privativa do Senado, conferindo-lhe, também, a competência para processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União, nos crimes de responsabilidade.

Assim, são razões suficientes para ensejar a instauração do processo de impeachment contra o presidente e o vice-presidente, bem como de outros agentes descritos no inciso II do art. 52, aquelas expressas no art. 85 da Carta Magna de 1988, valendo destacar que o próprio enunciado do mencionado artigo considera crimes de responsabilidade os atos do presidente da República que atentem contra a Constituição Federal, e especialmente contra a probidade na administração, bem como contra a lei orçamentária e o cumprimento das leis e das decisões judiciais, expressos respectivamente nos incisos V,VI e VII do mesmo.

Pelo exposto percebe-se a gravidade do momento e o sutil, porém, indiscutível fato de que, por muito menos, no Brasil, foram protagonistas do processo do impeachment o ex-presidente Collor e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Analogamente, em nível internacional, o ex- Presidente dos EUA, Richard Nixon e, mais recentemente, o ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo.

O Brasil mudou, as eleições de 2014 representaram um claro desejo de mudanças no atual sistema político-administrativo pátrio. Profundas e efetivas mudanças são aguardadas, particularmente as de modelo de gestão pública, ou talvez até de seus próprios agentes.

O momento é de sistemática e responsável fiscalização, a fim de se evitar a interferência, por menor que seja, de qualquer projeto pessoal de poder, que possa ameaçar as instituições democráticas de direito, tão bravamente conquistadas.

* Antonio Riccitelli é advogado, comentarista político e autor do livro “Impeachment à brasileira: instrumento de controle parlamentar?” (Editora Manole, SP, 2005)

29/10/2014

às 19:20 \ Política & Cia

RETRATO DE UM CARÁTER: Lula MENTIU ao dizer durante a campanha que “nunca” foi “desrespeitoso” com um candidato a presidente. Pior do que isso: ele foi desrespeitoso com um Presidente no poder, pois chamou o Presidente Itamar, homem digno e honrado, de “filho da puta”. Saibam de detalhes inéditos desta história

(Fotos: Waldemir Barreto :: Agência Brasil)

Itamar, já no fim da vida, quando senador (PPS-MG): Lula, já na condição de ex-candidato à Presidência, o ofendeu gravemente (Fotos: Waldemir Barreto/Agência Brasil)

Lula tem um descompromisso espantoso com a verdade — e com as próprias declarações que faz. Há poucos dias, ainda durante a campanha eleitoral, ao atacar o presidenciável tucano Aécio Neves por supostamente haver “agredido” a presidente Dilma durante o debate da TV Record, quando a classificou de “leviana” por lhe fazer acusações falsas, assegurou: “Jamais chamei um adversário de leviano”.

Pois bem, vejam esse pedacinho de um dos debates do segundo turno da campanha eleitoral de 2006, que disputou com o candidato do PSDB, o hoje governador de São Paulo Geraldo Alckmin:

“Nunca fui desrespeitoso com um presidente da República”, havia recitado Lula, quando Dilma levou a célebre vaia na partida inicial da Copa do Mundo, na Arena Corinthians, em São Paulo.

Talvez a memória algo toldada de Lula o tenha feito esquecer que, no passado não tão longínquo, classificou José Sarney de “ladrão” e Fernando Collor de “assaltante” quando os dois inimigos que transformaria em amigos do peito e companheiros de jornada governavam o país.

Também insultou Itamar Franco, provam o recorte de jornal e o texto com o timbre da Presidência da República abaixo reproduzidos.

Detalhe da reportagem da folha de 8 de maio de 1993

Detalhe da reportagem da folha de 8 de maio de 1993

Na edição de 8 de maio de 1993, a Folha de S. Paulo publicou o que Lula dissera ao grupo de jornalistas que o acompanhavam em mais uma excursão caça-votos.

“Todo mundo sabe que o ministro da Fazenda, Eliseu Rezende, é um canalha que tem compromissos com empreiteiras”, afirmou o futuro camelô da Odebrecht. Depois de acusar o presidente de omisso, explicitou seu julgamento: “O Itamar é um filho da p***”.

A réplica de Itamar foi a de um homem educado, muitos tons abaixo da grosseria lulista, e veio num bilhete divulgado dois dias depois pela Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto: “Gostaria de saber o que aconteceria (…) se este indivíduo arrogante e elitista fosse o Presidente da República e alguém o chamasse disso”.

O episódio seria apenas um prelúdio de tantas grosserias e palavrões que Lula cometeria na vida pública, inclusive como presidente da República.

Vou fazer alguns comentários para refrescar a memória dos amigos do blog.

Lula, desde que surgiu como dirigente sindical no final dos anos 70, gozou das preferências da enorme maioria dos jornalistas, sobretudo dos repórteres.

Isso continuou depois que Lula fundou o PT, em 1982. Eram raríssimas as reportagens que, eventualmente, não dissessem maravilhas sobre Lula, sobre o metalúrgico de origem humilde que se tornou um líder popular e criou um partido político que se fortalecia a cada eleição.

Após a histórica eleição presidencial de 1989, a primeira depois da ditadura e a primeira eleição direta desde 1960, quando uma disputa que tinha pelo menos seis candidatos fortes se afunilou para um segundo turno de Lula contra Collor, meu querido amigo Augusto Nunes, com a autoridade de quem era diretor de Redação de um grande jornal — o Estadão da época –, comentou várias vezes, com grande pertinência:

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O bilhete, curto e desproporcionalmente educado em relação à ofensa, que o presidente Itamar mandou divulgar pela Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto após ser xingado por Lula (CLIQUE NA IMAGEM PARA AUMENTÁ-LA)

– Foi difícil a cobertura isenta das eleições de 1989: de um lado, os patrões queriam “collorir” [verbo criado na ocasião para designar os que aderiam a Collor]; de outro, o reportariado era simpático ao Lula.

De fato. Um episódio marcante a respeito da segunda parte da assertiva ocorreria após o comparecimento de Collor ao Programa Ferreira Netto, talk show que o jornalista, morto em 2002, apresentava na TV Record.

Ao deixar a sede da emissora e negar-se a falar com vários repórteres que o aguardavam, Collor entrou no carro ao som de Lula-lá, a canção-chave da campanha do candidato do PT — entoada pelos jornalistas que, assim, arremessavam no lixo a objetividade que se espera de quem faz reportagem e cometiam uma gravíssima infração à ética da profissão.

Essa simpatia por Lula fazia com que repórteres deixassem passar gafes, escorregões e aspectos menos luminosos da vida do líder sindical tornado político. Quem quebrou esse encanto e essa redoma foi, justamente, o jornalista Fernando Molica, então trabalhando na Folha de S. Paulo.

Procurei o jornalista para contar como se deu o episódio. Gentilmente, Fernando, que vive no Rio, onde edita uma coluna diária e publica um artigo semanal no jornal O Dia — paralelamente a uma bem sucedida carreira de escritor (visitem seu site aqui) –, enviou um relato circunstanciado do que aconteceu o qual, até onde sei, é inédito. Só pediu que o relato não fosse publicado antes das eleições.

O jornalista e escritor Fernando Molica (Foto: O Dia)

O jornalista e escritor Fernando Molica: “não daria para negar que Lula dissera o que dissera, não seria correto censurar o episódio” (Foto: O Dia)

Vamos a ele:

“Na época, eu era repórter especial da Folha, trabalhava na sucursal do Rio, e fui escalado para render o colega que estava cobrindo a Caravana da Cidadania [incursões de Lula pelo país para pregar suas ideias.] Quando cheguei, muitos petistas reclamavam do jornal que, dias antes, registrara que o Lula havia comparado o vermelho do PT ao sangue de Cristo.

“Bem, entrei  na cobertura. Como eu trabalhava no Rio, o Lula não me conhecia - já na Caravana, eu tive uma conversa com ele, uma entrevista, um contato profissional. Dois ou três dias depois, fomos todos cobrir uma visita a um bairro da periferia de Teófilo Otoni (MG). Na saída, eu e o Mário Rosa, então repórter da VEJA, nos aproximamos do Lula. Eu perguntei sobre um episódio envolvendo o então ministro Eliseu Resende, acusado de favorecer uma empreiteira.

“O Lula não sabia da história, eu fiz um pequeno resumo para ele. Foi quando ele disse que o Eliseu era um “canalha”. Depois, se referiu ao Itamar como um “filho da puta”, já que poderia fazer um governo melhor, não tinha compromissos com ninguém etc.

“No texto da reportagem eu cometi um erro: classifiquei o episódio de “conversa informal”.  Não era uma entrevista coletiva formal, mas não se tratava de uma conversa informal, de bar, um bate-papo à mesa do café da manhã. O Lula participava de uma atividade, foi abordado por repórteres de um jornal e de uma revista, ouviu uma pergunta e respondeu.

“Em nenhum momento ele ressalvou que falava em off [declarações que políticos ou outras fontes fazem com o compromisso de não serem publicadas, ou não serem atribuídas a quem as fez, dependendo do caso], que suas palavras não deveriam ser publicadas. De alguma forma, acho que o Lula também se contaminou com o clima de cordialidade que marcava sua relação com os jornalistas.

“Lembro que eu e o Rosa ficamos surpresos com a declaração. E aí, o que fazer? Não daria pra negar que o Lula dissera o que dissera, não seria correto censurar o episódio. A própria organização da Caravana traçara limites para o trabalho dos jornalistas – nós, por exemplo, não viajávamos no mesmo ônibus da comitiva petista. As nossas despesas de viagem e hospedagem eram bancadas pelos veículos, não estávamos lá bancados pelo PT.

“Na dúvida, tratei de espalhar a história para os demais colegas, inclusive para uma assessora de imprensa do PT. Decidi também enviar um relatório para o jornal, não achava justo omitir o episódio da Folha – estava lá para cobrir a Caravana, para relatar o que ocorria. E o fato ocorrera.

“Na parada seguinte, o Lula veio falar comigo. Em meio a assessores e jornalistas, ele disse que não quisera ofender o presidente e nem utilizaria a palavra “canalha” para se referir formalmente ao Eliseu. Essas declarações seriam registradas por mim na reportagem que o jornal decidira publicar. No texto,  sequer escrevi o verbo “xingar” - isto, não para proteger o Lula, mas para tentar transmitir a situação com o máximo de fidelidade.

“O resto é história. O Itamar adorava a mãe [dona Itália Cautiero Franco], que morrera, creio, no ano anterior [sim, ela faleceu em 1992]. Ele divulgou nota oficial, o assunto ganhou uma repercussão imensa.  Não apenas o Lula foi questionado. Muita gente  gente disse/escreveu que eu não deveria ter contado o episódio.

“Houve também uma polêmica em torno do verbo “xingar”, usado pela Folha na capa do jornal e no título da reportagem – esta utilização seria criticada, no domingo seguinte, pelo ombudsman do jornal (não gostei do “xingar”, mas admito que não seria fácil resumir o episódio em uma linha de texto).”

 

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