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Fernando Collor

26/08/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Candidatura de Marina dá impulso a Heloísa Helena para o Senado em Alagoas. Seu principal adversário: a dinheirama de Fernando Collor

(Foto: Jane de Araújo/Agência Senado)

A ex-senadora Heloísa Helena, em busca de seu antigo cargo de volta, pode se beneficiar pela campanha de Marina Silva (Foto: Jane de Araújo/Agência Senado)

NOVO IMPULSO

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

Heloísa Helena (PSOL) tenta reconquistar a cadeira que ocupou no Senado por Alagoas entre 1999 e 2006, quando deixou a Casa e disputou a Presidência da República.

Até agora tem enfrentado dificuldades por causa do poderio financeiro do seu principal concorrente, Fernando Collor (PTB), que é apoiado pelo PT.

A entrada de Marina Silva (PSB) na disputa pelo Palácio do Planalto deve dar um belo empurrão na campanha de Heloísa.

A presidenciável não pretende subir no palanque de nenhum dos candidatos a governador do estado.

Com isso, Heloísa acabará por se tornar a principal representante de Marina Silva em Alagoas.

25/08/2014

às 19:44 \ Política & Cia

A VOLTA DE REYNALDO-BH: O “Caçador de Marajás” já saiu, escorraçado a pontapés. Agora, chega a Protetora das Saúvas. Ambos são engodos

(Foto: Agência Brasil)

Marina Silva é uma política profissional que, qual Collor repaginado, também diz que é preciso cuidado com os políticos — os outros (Foto: Agência Brasil)

 

Post do leitor e amigo do blog Reynaldo-BHPost do Leitor

Se cercar é hospício. Se cobrir vira circo.

Um dia um prefeito da maior capital do país se definiu como não sendo de centro, nem direita ou esquerda. Entendi que ele era de baixo.

Agora temos uma política profissional – sempre viveu disto – repetindo o discurso de Collor; cuidado dom os políticos (os outros). Quando na verdade o perigo maior acaba sendo ela própria.

Messiânica, com ar de retirante de boutique, seringueira de Brasília e acusadora de todos que ousam discordar, Marina Silva faz lembrar o que de pior temos nestas terras tupiniquins. O antigo PT, dono de ética e das verdades, há 12 anos. Deu no que sabemos. Difícil escolher entre o descaramento explícito e a desfaçatez silenciosa.

Uma escolha entre Dilma e Marina não é sequer um plebiscito. É uma roleta russa. Envolta em panos (caros) e echarpes (mais ainda), se porta frente aos marineiros como um guru a ser idolatrado. Concorda com tudo e não assume nada. Diz platitudes que, se não têm consistência, ao menos entendemos. Entendemos mesmo?

Como uma Madre Teresa, cultiva a figura que tenta ser uma Quixote de saias. Mesmo sendo um Sancho Pança emagrecido.

Não é contra nada. Mas longe de ser a favor de algo, pois para ser a favor é preciso ter ideias.

Dizer-se sucessora de dois ex-presidentes é o cúmulo da prepotência. Marina quer ser a continuidade e oposição ao mesmo tempo. Quer ser herdeira sem ter sido aliada de um deles, FHC. Do outro, foi usada e usou a imagem de pobres e nordestinos. Em uma falta de vergonha e compostura que envergonha qualquer povo da floresta, cidade ou de butequim.

Quem em sã consciência é contra a luz elétrica? Ter como programa a afirmação que apoia a luz elétrica é tanto assustador quanto ter a pretensão de ser presidente e contar com quadros (que a Rede de Embalar Idiotas não tem) de outros partidos.

Um ministério com Aloysio Nunes Ferreira e José Dirceu? Com Álvaro Dias e Ideli? Todos irmanados em mantras matinais quando a salvadora e casta presidente adentrar qualquer ambiente?

Marina Silva é um engodo. A Rede sabe disto. Eduardo Campos também sabia. O que ela tem de valioso são os votos de 2010 de quem, sem entender o que diz, prefere uma frase com pé e sem cabeça a outras frases – as de Dilma – sem ambas. É pouco. Muito pouco.

Collor ao lado da então mulher, Rosane, após assinar o documento de seu afastamento da Presidência, na saída do Palácio do Planalto (Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo)

Collor ao lado da então mulher, Rosane, na saída do Palácio do Planalto, após assinar documento se afastando do poder (Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo)

Tancredo morreu e herdamos Sarney. Eduardo deixou-nos esta figura amorfa e arrogante na mesma medida de julgar-se a nova dona do Brasil

Triste destino tem nos dado a Velha Senhora. Joga com a vida e morte escolhendo o absurdo para além da morte em si.

Marina escolheu o PSB por falta absoluta de opção. Continua apoiando petistas do Acre e do Rio de Janeiro. Continua sem saber que economia é ciência matemática e não slogan de sonháticos e pesadeláticos.

Continua a criar uma seita, que neste início de composição, é ainda mais sectária que o PT.

Acha que em se plantando tudo dá, mesmo que seja no quintal das casas dos protegidos pela falta de estrutura. Não enxerga o agronegócio. Assim como o idiotizado Suplicy (isto explica a amizade) é monotemática.

Alguém se lembra de UMA ÚNICA palavra dela acerca da saúde e dos médicos cubanos?

Da agressão a Yoani Sánchez?

Política fiscal?

Inflação?

Política de desenvolvimento da indústria?

Agências reguladoras?

Sobre os 39 ministérios?

Sobre a amante Rosemary?

Sabe-se o que ela pensa sobre política externa?

Infraestrutura?

Exportações?

Política de emprego e renda?

Para os marineiros, parece que são apenas detalhes. O importante, na visão tacanha deste grupo que lembram os hippies de Arembepe, são os povos da floresta, a plantação de mandioca e a sustentabilidade, que NUNCA definiu com precisão o que seja. Quem não quer a sustentabilidade? Aponte UM ser humano.

Marina é insustentável. Insuportável. Despreparada. Fruto de um destino cruel para com Eduardo Campos. Dona da verdade. Aproveitadora de partidos e lutas que não são dela.

Marina é – esta sim – um Collor repaginado.

Saiu o Caçador de Marajás a pontapés do Planalto (aliás, onde estava Marina nesta luta?).

E entra a Protetora das Saúvas. Mesmo que esta praga esteja atuando em rede.

12/08/2014

às 15:30 \ Política & Cia

MERVAL PEREIRA: Governistas e sua vasta rede de militantes que atuam na internet procuram banalizar ações criminosas na web, como se fossem corriqueiras

Não faz sentido que o ministro Gilberto Carvalho tome a parte pelo todo e confunda o Brasil com o PT (Foto: Richard Casas / PT)

Como é que o ministro Gilberto Carvalho pode afirmar que é uma “bobagem” a alteração maldosa de perfis de críticos do governo na Internet por computadores situados em instalações do governo e ficar tudo bem? (Foto: Richard Casas / PT)

 A BANALIZAÇÃO DO CRIME

Artigo de Merval Pereira publicado no jornal O Globo

Sem ter como desmentir as recentes denúncias de manipulação criminosa, os governistas e sua vasta rede de militantes que atuam na internet passaram a uma bem orquestrada ação de banalização dessas atividades ilegais, como se fossem corriqueiras.

É o caso da preparação dos ex-diretores da Petrobras para depoimentos na CPI que apura a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, acusada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de prejudicial aos cofres da empresa.

A própria presidente Dilma abriu essa discussão ao acusar publicamente o ex-diretor Nestor Cerveró de ter produzido um relatório falho tecnicamente, que induziu o Conselho Administrativo da Petrobras, presidido por ela na ocasião, ao erro de aprovar uma transação que se mostrou equivocada. Pois bem, como é sabido a Petrobras demitiu Cerveró, que à época trabalhava na BR Distribuidora, e a própria presidente da estatal, Graça Foster, admitiu no Congresso que aquela não fora uma boa compra.

Descobre-se agora que a Petrobras está pagando as multas com que os ex-diretores foram punidos pelo TCU, e que todos eles, inclusive o culpado pelo prejuízo, estavam recebendo orientações especiais e treinamento para o depoimento na CPI da Petrobras.

Não bastasse a estranheza de a estatal prejudicada bancar a defesa de ex-diretores acusados de malversação de dinheiro público, gravações de uma reunião na sede da Petrobras revelaram que a chegada de Cerveró à sede da empresa foi cercada de preocupações e cautelas para que sua presença não fosse notada.

E que as perguntas que seriam feitas a ele e a outros diretores já estavam previamente preparadas pelos próprios membros da CPI da base aliada do governo.

O ministro das Comunicações Paulo Bernardo, para justificar essa tramoia, deu uma declaração absolutamente absurda: segundo ele, desde Pedro Álvares Cabral, as CPIs são arranjadas.

Esqueceu-se de que a CPI que derrubou o então presidente Collor foi liderada pelo PT, e que outras, como a dos Correios, acabaram levando à cadeia diversos líderes petistas envolvidos no mensalão.

(PARA TERMINAR DE LER, CLIQUEM AQUI)

01/08/2014

às 17:00 \ Política & Cia

Crescimento do país sob governo Dilma só é melhor do que o de dois presidentes: Floriano Peixoto (1891-1894) e Fernando Collor

Eduardo Gianetti: crescimento sob Dilma é um dos piores da história da República (Foto: TV Cultura)

Eduardo Gianetti: crescimento econômico sob Dilma é um dos piores da história da República (Foto: TV Cultura)

É espantosa a constatação feita pelo respeitado economista Eduardo Gianetti da Fonseca: o crescimento do Produto Interno Bruto do país durante os quatro anos do governo Dilma será o mais baixo — o pior, portanto — em quase 125 anos de história da República, excetuados os verificados em dois governos.

O primeiro é o longínquo período de Floriano Peixoto, o “Marechal de Ferro”, o segundo presidente da República, que governou entre 1891 e 1894.

Floriano Peixoto (1891-1984): o governo do "Marechal de Ferro" conseguiu fazer o país crescer menos do que no período Dilma (Foto: planalto.gov.br)

Floriano Peixoto (1891-1984): o governo do “Marechal de Ferro” conseguiu fazer o país crescer menos do que no período Dilma (Foto: planalto.gov.br)

O segundo é o catastrófico governo de Fernando Collor, aquele do plano econômico que confiscou a poupança da população e, entre 1990 e 1992, levou o país à hiperinflação.

Eduardo Gianetti, principal assessor econômico do candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB), é um dos economistas mais respeitados do país. Formou-se em economia e em ciências sociais pela Universidade de São Paulo e doutorou-se pela Universidade de Cambridge, onde foi professor. É autor de vários livros, inclusive no exterior, e dois deles obtiveram o mais importante prêmio literário do Brasil, o Jabuti.

09/06/2014

às 12:00 \ Disseram

O jornalismo não deve ser julgado por seus acertos

“Lamento concluir que a Folha está sob julgamento não por seus defeitos, que são muitos, mas por suas virtudes — o que me orgulha.”

Otavio Frias Filho, diretor de redação da Folha de S. Paulo, em carta aberta a Fernando Collor, sobre o processo que o governo moveu em 1991 contra o jornal; o ex-presidente acusou quatro jornalistas de caluniá-lo, mas a Folha defendeu a veracidade de suas reportagens e os repórteres foram absolvidos

06/06/2014

às 16:00 \ Política & Cia

Deputados federais, mensaleiros, assessores ministeriais… Os visitantes do doleiro Alberto Youssef são conhecidos, mas a natureza de seus encontros, não. Ninguém se importa com isso?

INDIFERENÇA — João Graça, do Ministério do Trabalho, pediu demissão após a descoberta de que ele visitava o doleiro. Outros envolvidos, nada. Um deles, o deputado Mário Negromonte, foi até promovido para o TCM da Bahia (Foto: VEJA)

INDIFERENÇA — João Graça, do Ministério do Trabalho, pediu demissão após a descoberta de que ele visitava o doleiro. Outros envolvidos, nada. Um deles, o deputado Mário Negromonte, foi até promovido para o TCM da Bahia (Foto: VEJA)

SINDICATO DO CRIME

Além de sete deputados, um assessor ministerial e mais dois mensaleiros aparecem na lista de visitantes do escritório do doleiro Youssef – mas ninguém parece interessado em saber o que eles faziam lá

Texto de Rodrigo Rangel, com reportagem de Adriano Ceolin, publicado em edição impressa de VEJA

Na semana passada, VEJA revelou que sete deputados federais foram flagrados pelas câmeras de segurança do prédio onde funcionava o escritório do doleiro Alberto Youssef – preso há dois meses por operar um gigantesco esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo empresas estatais e funcionários públicos de alto escalão.

O que uma parte da nobreza do Parlamento fazia num lugar conhecido como centro de captação e distribuição de propina? É fácil deduzir.

O problema é que ninguém parece querer saber ao certo. Os parlamentares fotografados permaneceram em um conveniente silêncio. Seus colegas, inclusive os mais aguerridos, também ficaram à espreita.

Não houve uma única manifestação de inconformismo, protesto ou um pedido de investigação. Afinal, nada aparentemente mais natural que deputados visitando em São Paulo o escritório de um conhecido criminoso, em horário de expediente, quando deveriam estar trabalhando em Brasília.

A tolerância com malfeitos beira a indiferença e não se limita ao Congresso Nacional.

Na terça-feira, 27 de maio, a deputada Aline Corrêa, uma das mais assíduas visitantes de Youssef, participou tranquilamente de um almoço com a presidente Dilma Rousseff, organizado para oficializar o apoio do PP à reeleição da petista. Dos seis parlamentares flagrados pelas câmeras, cinco são do PP.

Sobre as visitas frequentes ao doleiro, Aline Corrêa tinha a resposta na ponta da língua caso algum curioso perguntasse.

“Eu conheço o Youssef há tempos. Para mim, ele era só um empresário”, dizia a deputada, filha do mensaleiro Pedro Corrêa, outro que costumava frequentar o bunker até ser recolhido à prisão por ordem do Supremo Tribunal Federal.

Há exemplos de descaso ético ainda piores. Na quart­a-feira, 28, o ex-ministro Mário Negromonte (PP), outro freguês do doleiro, foi escolhido como conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) da Bahia.

Por indicação do governador Jaques Wagner, do PT, Negromonte, acredite, será a partir de agora fiscal da boa aplicação do dinheiro público nas cidades baianas. Nada mais apropriado para um político enredado no maior caso de corrupção do momento.

Outros deputados que mantinham laços com o doleiro – como os paranaenses André Vargas (ex-PT, hoje sem partido) e Nelson Meurer (PP), o baiano Luiz Argôlo (ex-PP, hoje no Solidariedade), o alagoano Arthur Lira (PP) e o catarinense João Pizzolatti (PP) – simplesmente se fingiram de mortos.

A estratégia deles é ficar em silêncio e não chamar atenção até que algum escândalo novo apareça – tática diferente da adotada pelo senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), destinatário de depósitos bancários de 50 000 reais cujos comprovantes foram encontrados pela polícia sobre a mesa de Youssef.

Reportagem de VEJA que revelou os visitantes do doleiro Alberto Youssef (Foto: Reprodução/VEJA)

Reportagem de VEJA que revelou os visitantes do doleiro Alberto Youssef (Foto: Reprodução/VEJA)

Em discurso na tribuna do Senado, Collor chegou a ponto de se apresentar como uma vítima inocente.

A lista de partidos na rede de Youssef tem mais um representante famoso. Assessor especial do Ministério do Trabalho, o advogado João Graça era outra presença constante no escritório do doleiro, de acordo com os registros da portaria. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

02/06/2014

às 17:57 \ Política & Cia

Em Brasília, adesivos contra Dilma recebem os dois “ll” de Collor

Adesivo

No Congresso, é distribuído um adesivo com a mensagem bem clara (Foto: VEJA)

 

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

CONTRA TUDO

A campanha presidencial já está literalmente nas ruas.

Em Brasília, muitos carros circulam com o adesivo “Fora Dilma”.

Detalhe: Dilma ganhou duas letras “l” coloridas, referência ao senador Fernando Collor, que, numa solenidade recente, foi fotografado beijando a mão da presidente. (Veja a foto neste post.)

O adesivo prega ainda o “Fora Agnelo”, o governador da capital, que também vai tentar a reeleição. A distribuição do adesivo é feita dentro do Congresso Nacional.

02/06/2014

às 15:10 \ Política & Cia

ELEIÇÃO 2014: Vejam porque refluiu o movimento “Volta, Lula”

O passado não condena: por quarenta segundos a mais de propaganda eleitoral, Dilma estendeu a mão ao PTB do senador Fernando Collor (Foto: Joel Rodrigues/Folhapress)

O passado não condena: por quarenta segundos a mais de propaganda eleitoral, Dilma estendeu a mão ao PTB do senador Fernando Collor (Foto: Joel Rodrigues/Folhapress)

Uma pesquisa mostra que o potencial eleitoral do ex-presidente é, tecnicamente, quase igual ao de Dilma. Isso explica por que o movimento “Volta, Lula” morreu e por que Dilma aceita apoio até de tipos como Collor

Reportagem de Daniel Pereira publicada em edição impressa de VEJA

Fazia tempo que as pesquisas não traziam boas notícias para a presidente Dilma Rousseff. Recentemente, elas mostraram queda nas intenções de voto na candidata à reeleição, crescimento dos dois principais rivais oposicionistas e aumento da chance de a disputa ser decidida em segundo turno.

Dilma vivia acuada pelos números. Eram eles que alimentavam os conspiradores do “Volta, Lula”.

Eram eles também que levavam os partidos a adiar o anúncio de apoio à reeleição. O mais recente levantamento do Ibope estancou essa sangria e serviu de alento à presidente.

O instituto confirmou a ascensão do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-governador Eduardo Campos (PSB) – que subiram para 20% e 11%, respectivamente – e a possibilidade crescente de segundo turno. Mas, ao sair a campo logo depois da propaganda partidária do PT, detectou que Dilma não só parou de cair como passou de 37% para 40% nas intenções de voto.

Os assessores presidenciais festejaram ainda o fato de o ex-presidente Lula não ter tido um desempenho muito melhor que o de Dilma. Contra os mesmos adversários, ele amealhou 7 pontos porcentuais a mais do que a sucessora. Essa situação tenderia a calar de vez os defensores de uma nova candidatura do petista.

O segredo — para o ex-presidente Lula, constrangimento é sentimento menor: "Esquece, sai na urina" (Foto: Carlos Silva/Imapress)

O SEGREDO: para Lula (na foto, com o senador Jader Barbalho, do PMDB do Pará, objeto de vários processos na Justiça e que já foi até preso e algemado pela Polícia Federal), constrangimento é sentimento menor: “Esquece, sai na urina” (Foto: Carlos Silva/Imapress)

Tanto o Ibope como o mais recente Datafolha, o primeiro instituto a registrar que Dilma parara de cair, deram à presidente um pouco de fôlego na corrida eleitoral. Mas nem de longe desenharam um cenário róseo para ela.

Dilma ainda mantém o maior índice de rejeição e o menor potencial de crescimento, na comparação com Aécio Neves e Eduardo Campos.

É por isso que ela aposta todas as fichas para montar a maior coligação eleitoral desde a redemocratização e, assim, conquistar o maior tempo na propaganda eleitoral de rádio e TV. A meta é assegurar à presidente o dobro do tempo reservado aos oponentes, custe o que custar. E o custo, como se sabe, não tem sido baixo.

Dilma abandonou o figurino da faxineira ética, deixou de lado a aversão a convescotes com políticos e passou a se dedicar gostosamente ao flerte com figuras notórias da República. Ela já recebeu o apoio do PTB, do deputado cassado e mensaleiro preso Roberto Jefferson, num almoço realizado na sede do partido. Estavam à mesa, entre outros, os senadores Fernando Collor de Mello e Gim Argello.

Collor teve o mandato presidencial cassado depois de uma CPI capitaneada pelo PT, à época na oposição e adversário aguerrido da corrupção.

Já Argello foi indicado recentemente por Dilma para o Tribunal de Contas da União, mas não assumiu o cargo porque os próprios ministros do TCU, cientes de sua fama no trato com a coisa pública, avisaram que não dariam posse a ele.

Dilma indicou Argello a pedido do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Foi uma espécie de pagamento à vista. Em troca, ela esperava que Renan dificultasse a instalação da CPI da Petrobras e, quando isso ocorresse, a mantivesse sob rigoroso controle do governo. Dito e feito. Para garantir o apoio do PMDB à reeleição, Dilma e Lula têm feito concessões a caciques do partido.

Se depender dos dois, o PT trabalhará pelas candidaturas do deputado Renan Filho e de Helder Barbalho aos governos de Alagoas e do Pará. Helder é filho do deputado Jáder Barbalho, que já foi preso sob a acusação de desviar recursos públicos. Os petistas apoiarão Helder porque foram enquadrados pessoalmente por Lula.

Dilma também negocia com o senador Alfredo Nascimento, que foi demitido por ela do cargo de ministro dos Transportes, em 2011. A presidente quer o apoio do PR, presidido por Nascimento e comandado, na prática, pelo mensaleiro preso Valdemar Costa Neto.

Quando estouravam denúncias contra seu governo, Lula dizia:

– Esquece, sai na urina.

Com a reeleição ameaçada, Dilma parece ter aprendido essa lição.

18/05/2014

às 19:00 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN: Baderneiros pró-governo atrapalham o governo, quem pagará pela greve na Polícia Federal, Lula e Dilma apoiando Collor e o filho de Renan em Alagoas… E assim vai o Brasil

MTST

Guilherme Boulos, que é tão carinhoso com a presidente Dilma, em um dos protestos-baderna do MTST (Foto: Folha de S. Paulo)

Notas da coluna de Carlos Brickmann publicadas neste domingo em vários jornais

Carlos Brickmann… y te sacarán los ojos, diz o provérbio espanhol.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, MTST, que lidera tumultos, é ligado ao PT.

Seu líder, Guilherme Boulos, tem no ministro Gilberto Carvalho um amigo; Dilma se deixa fotografar abraçada a ele.

E é ele que ameaça impedir a Copa se suas reivindicações não forem atendidas agora, sejam legais ou não. Na lei ou na marra.

Não faz sentido: quem não quer a Copa são grupos contrários ao governo, que buscam desgastá-lo. O governo quer a Copa (e está certo – é um compromisso do país, não de Lula e Dilma; os gastos já foram feitos e é hora de colher o retorno, mesmo que pequeno).

Será a prova de que tem condições de atingir suas metas. Como entender que governistas radicais, que consideram fascista quem quer que não acredite que o PT comanda as melhores administrações que já houve no mundo, melhores até que a de Cuba, prejudiquem seus ídolos maiores?

Parece incrível, mas tem lógica. No Chile, o Movimiento de Izquierda Revolucionaria, MIR, chefiado por um sobrinho do presidente Allende, fez o que pôde para realizar e radicalizar as propostas do governo. No Brasil, cabos e sargentos, liderados pelo Cabo Anselmo (que mais tarde mudaria de lado, mas naquela hora pensava como o governo), buscavam aprofundar as reformas propostas pelo presidente Goulart.

O cunhado de Goulart, Leonel Brizola, dava-lhe total apoio: “Reformas na lei ou na marra”.

Deu errado: estes movimentos enfraqueceram Allende e Goulart. Mas quem não aprende com a História irá sempre repeti-la.

É proibido…

O Superior Tribunal de Justiça, a pedido da Advocacia Geral da União, proibiu greves na Polícia Federal.

Proibiu também o recurso à “operação padrão” – um tipo de greve tipicamente brasileiro, em que o funcionário cumpre rigorosamente a lei e, portanto, tudo anda mais devagar que discurso do senador Suplicy. Temia-se que a Polícia Federal entrasse em greve bem na época da Copa. O desrespeito à decisão judicial custará R$ 200 mil diários de multa.

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A Polícia Federal está proibida de entrar em greve, mas o que fazer caso entre é um mistério (Foto: Agência Brasil)

…e daí?

Só há dois problemas:

a) se a Polícia Federal entrar em greve, “contra a decisão de seus sindicatos e da Federação”, de quem cobrar a multa?

b) E, claro, mesmo que a multa seja cobrada, quem irá pagá-la? Que entidade sindical já pagou as multas devidas por desrespeito a ordens referentes a greves?

Ninguém imagina que, irritados com a proibição, alguns delegados lancem operações que deixem mal o governo, como aquela que atingiu Rose Noronha ou esta, que expôs a Petrobras.

Como diria o padre Quevedo, isto não ekziste.

O passado absolvido

O ex-presidente Lula e a presidente Dilma comandam o PT nos palanques de Renan Calheiros Filho, candidato a governador de Alagoas, e Fernando Collor de Mello, a senador.

Quando presidente, Collor usou uma camiseta com a frase “O tempo é senhor da razão”.

Hoje, usaria “O tempo é senhor da absolvição”.

03/05/2014

às 18:00 \ Política & Cia

Em seis eleições presidenciais, houve duas viradas. Há números, na deste ano, que são muito perigosos para Dilma. Confiram

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CLIQUE NA ILUSTRAÇÃO PARA VER MELHOR: se o padrão das últimas seis eleições se mantiver, Dilma ainda leva vantagem. No entanto, é importante considerar as reviravoltas (Arte: revista VEJA)

O histórico das disputas presidenciais reforça o favoritismo de Dilma, mas outro importante indicador aponta na direção contrária: a queda na aprovação de seu governo a situam perigosamente próxima do limiar a partir do qual a reeleição se torna muito difícil

Reportagem de Pieter Zalis publicada em edição impressa de VEJA

O Brasil teve seis eleições presidenciais desde a redemocratização.

Em quatro delas, o candidato que liderava as pesquisas em abril chegou em primeiro lugar seis meses depois.

As exceções foram Lula em 1994, que perdeu para Fernando Henrique Cardoso graças ao sucesso do Plano Real, e Dilma Rousseff em 2010, que se aproveitou da popularidade recorde de seu antecessor para virar o jogo sobre José Serra.

Como não há no horizonte planos fabulosos nem (ao menos no caso dos adversários da presidente) padrinhos imbatíveis, o histórico das disputas sugere que Dilma, liderando na mais recente pesquisa do Datafolha, tem boas chances de ser reeleita em outubro.

Além da intenção de voto, porém, há outro número a levar em conta. E esse faz o vetor da presidente girar no sentido contrário: a aprovação de seu governo.

Em cinco meses, ela caiu 9 pontos e chegou a 34%, segundo o Ibope – muito distante dos 63% de que gozava em março de 2013, antes dos protestos de junho. O Datafolha mostra apoio um pouco maior: 36%. Mas as duas pesquisas levam à mesma conclusão: Dilma está perigosamente próxima do limiar a partir do qual a reeleição se torna muito difícil.

Um estudo do Instituto Análise, conduzido pelo cientista político Alberto Carlos Almeida, comparou as avaliações dos políticos com os resultados de 104 eleições para governador no Brasil, de 1994 a 2010. Quando o índice de eleitores que consideram a administração ótima ou boa fica abaixo de 34%, a probabilidade de reeleição é nula.

No outro oposto, aqueles que tinham uma aprovação acima de 46% foram todos reeleitos. Eleições não são uma ciência exata, mas há que lembrar, por exemplo, que, em 2012, o matemático Nate Silver acertou os resultados da disputa entre Barack Obama e Mitt Romney em todos os cinquenta Estados americanos a partir de análises de pesquisas e estatísticas.

Pode-se argumentar, a favor da candidata Dilma, que FHC e Lula, quando reeleitos, tinham índices de aprovação semelhantes aos dela a seis meses da votação. O que diferencia os cenários, no entanto, são as perspectivas futuras.

O tucano tinha a estabilidade econômica como trunfo. O petista havia passado pelo pior do mensalão e começava a recuperar a popularidade. Para Dilma, o horizonte é nebuloso. Diz o cientista político Rubens Figueiredo: “Ainda não há um eixo no qual os eleitores possam se alinhar. Tudo está em aberto”.

Dias recentes ofereceram uma boa mostra do que ainda pode vir. No campo da imagem do país no exterior, assunto que afeta diretamente a candidata do PT, registraram-se: novos protestos contra a Copa do Mundo, greve policial na Bahia com sessenta mortes em dois dias e cenas de vandalismo em Copacabana depois da morte de um dançarino que teria sido assassinado por policiais.

No campo político, as notícias tampouco foram boas para o governo: o Supremo Tribunal Federal deu aval para uma CPI sobre a Petrobras, o que deve aprofundar a crise de corrupção na estatal. Por fim, na economia, pesquisas mostraram que ao menos 65% dos eleitores acreditam que a inflação vai aumentar e 72% pensam que o país precisa mudar.

O potencial de crescimento dos principais adversários de Dilma é outra ameaça para ela. Só 60% dos eleitores ouviram falar do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. No caso de Eduardo Campos, do PSB, foram 75%. [Ou seja, ambos têm bom terreno para progredir, à medida em que eles, suas críticas e suas propostas se tornarem conhecidos.]

Restam seis meses para as eleições e a presidente ainda desponta como favorita. Mas está longe de poder dormir sossegada.

 

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