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Fernando Collor

30/11/2013

às 19:00 \ Política & Cia

J.R. Guzzo: Algo está errado. Com a prisão dos mensaleiros, a corrupção “neztepaiz”" deveria estar na defensiva. Os fatos, porém, mostram o contrário

Acusado de participar de esquema de corrupção na prefeitura de São Paulo, Ronilson Rodrigues deixa prisão em São Paulo na madrugada de sábado (09) (Foto: Folhapress)

Acusado de participar de esquema de corrupção, o fiscal Ronilson Rodrigues deixa prisão em São Paulo. “Justo agora, com Papuda e tudo, está no ar um espetáculo de corrupção maciça, sistemática e rasteira na prefeitura de São Paulo, envolvendo possíveis 500 milhões de reais em prejuízos para o público, duas administrações e fiscais que chegavam a ganhar 70.000 reais por semana desviando dinheiro do ISS municipal” (Foto: Folhapress)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

ALGO ESTÁ ERRADO

J. R. GuzzoAlguma coisa deu terrivelmente errado com o Brasil de hoje. Só pode ser isso: com o dramático início do cumprimento das penas pelos condenados do mensalão, nessa feia penitenciária da Papuda, a corrupção na vida política brasileira deveria estar na defensiva.

Se os principais chefes do partido que manda no Brasil há dez anos foram para a cadeia, o lógico seria esperar mais cautela dos bandos que operam nos escalões inferiores; afinal, se a impunidade de sempre falhou até com a turma que está no topo da árvore, poderia falhar de novo com qualquer um.

Uma retração geral da roubalheira, nessas circunstâncias, teria de estar acontecendo em todo o território nacional. Mas os fatos mostram exatamente o contrário: justo agora, com Papuda e tudo, está no ar um espetáculo de corrupção maciça, sistemática e rasteira na prefeitura de São Paulo, envolvendo possíveis 500 milhões de reais em prejuízos para o público, duas administrações e fiscais que chegavam a ganhar 70000 reais por semana desviando dinheiro do ISS municipal.

Mas essa turma toda não deveria estar com medo do ministro Joaquim Barbosa? Não teria de parar um pouco, pelo menos durante estes momentos de mais calor no Supremo Tribunal Federal? Sim, sim, mas está acontecendo o contrário — rouba-se mais, e não menos. Que diabo estaria havendo aí? É uma disfunção do sistema; parece que o programa não está mais respondendo.

Sem dúvida, vive-se no Brasil de hoje um momento todo especial. De todos os instrumentos conhecidos para fazer concentração de renda, poucos são tão selvagens quanto a corrupção; lideranças que se colocam na vanguarda das “causas populares”, como se diz., deveriam, para merecer algum crédito, ser as primeiras no combate a essa praga.

Mas não foi possível notar, quando esse último escândalo estourou, a mínima preocupação do mundo político oficial com os fatos denunciados — é como se 500 milhões fossem um mero trocadinho, coisa para o juízo de pequenas causas, talvez, ou algo a ser tratado como um empurra-empurra em escalões inferiores.

A reação do maior líder político do país ,o ex-presidente Lula, e das cúpulas do PT resumiu-se a uma única questão: como evitar que o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que se estranhou no episódio com o seu sucessor petista, Fernando Haddad crie problemas para a candidatura à reeleição da presidente Dilma, em 2014.

Afinal, trata-se de um aliado — e aliados estão acima de tudo para a “governabilidade” da nação, tal como ela é vista no partido do governo. Foi precisamente por aí, na verdade, que se chegou até aqui: de apoio em apoio, de acordo em acordo, de negócio em negócio, Lula e o PT tornaram-se iguais às forças políticas que mais combateram quando eram oposição, e que sempre denunciaram como as grandes culpadas pelo atraso, pobreza e injustiça do Brasil.

Ao fecharem os olhos à corrupção e a outras taras que degeneram a vida pública no país, e ao descartarem como “moralismo” toda e qualquer denúncia contra a imoralidade, criaram os corvos que hoje os perseguem. Nada mais merecido, para quem adotou essa opção, do que ver na cadeia José Dirceu e José Genoino, suas “figuras históricas” e astros do mensalão — e em plena liberdade, com sua vida política cada vez melhor, os Sarney e os Collor, os Maluf e os Calheiros, inimigos de ontem e sócios de hoje.

Não era assim que estava programado.

Há personagens que nos presenteiam com momentos de grande conforto. O ex-presidente Harry Truman, dos Estados Unidos, até hoje o único ser humano a utilizar armas atômicas em guerra, é um deles.

Depois de deixar a Presidência, como lembra um relato que tem circulado no mundo digital, recusou todas as ofertas financeiras que recebeu das grandes empresas americanas para exercer cargos de diretor, ou consultor, ou membro do conselho ou qualquer atividade paga por elas.

“Vocês não querem a mim”, dizia Truman, certo de que ninguém estava interessado em pagar para ouvir suas ideias, conhecimentos ou lições. “Vocês querem é a imagem do presidente. Isso não está à venda.”

O ex-presidente Lula, e antes dele Fernando Henrique, e antes de ambos Bill Clinton, e depois dos três a presidente Dilma Rousseff e o presidente Barack Obama, têm todo o direito às fortunas que já ganharam ou vão ganhar das maiores corporações do mundo com suas palestras.

Mas dão direito, também, a que se faça uma pergunta: do ponto de vista da decência comum, qual das duas posturas parece ser a mais bonita?

30/11/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Post do leitor: Dias estranhos! Cor da pele virou critério de desempate, Lula abraçado com Collor, batalhar na vida é coisa de burguês…

"Dias estranhos! Uma nova era, talvez. Com certeza da mediocridade" (Imagem: Strange Weather, de Joy Garnett)

“Dias estranhos! Uma nova era, talvez. Com certeza da mediocridade” (Imagem: Strange Weather, de Joy Garnett)

Post do Leitor Nilton Sparagna

Post-do-Leitor1Dias estranhos!

Carne vermelha faz mal, bolacha recheada: nem pensar, coxinha na escola tem que ser proibida, um bebê humano pode ser morto (desde que esteja no ventre da mãe, é claro).

Cor da pele é critério de desempate. Matar animais pra comer? Absurdo! Só podemos matar vegetais, afinal, há uma hierarquia no valor dos seres vivos e as herbáceas devem estar em baixa.

Bom mesmo é enrolar um baseado, liberar a venda de drogas, mas restringir cigarros e bebidas (alcoólicas ou não). Coca-Cola? Pecado mortal. Chá de cogumelo é mais natural. Açúcar não, cocaína sim.

A polícia é inimiga da população, o branco é inimigo do negro, o empresário é inimigo do funcionário (ops! desculpem, do colaborador), o heterossexual é inimigo do homossexual e o cristão é um imbecil inimigo de todos, ainda mais se for branco e católico.

O rico é inimigo do pobre, o Sul/Sudeste, inimigos do Norte/Nordeste… Ser favelado é motivo de orgulho e batalhar pra subir na vida é coisa de pequeno burguês. Mas, que fique claro, é uma época de combate ao preconceito e discriminação seja qual for.

O PT no poder, MST critica o “sistema”, UNE critica o “sistema”, CUT critica o “sistema”, mas não largam as tetas do… “sistema”!

Lula abraçado a Collor, Dilma abraçada a Sarney, Haddad abraçado a Maluf. Organizações Não Governamentais (ONGs) são mantidas com dinheiro… governamental.

Oposição não critica o governo, mas governistas denunciam o próprio governo. Político condenado por corrupção merece total solidariedade. Já o tribunal e os juízes que finalmente mandaram corruptos à cadeia…

Segundo o PT, PC do B, PSOL e PSTU a democracia no Brasil é ruim, já na Venezuela, há democracia até demais. Cuba e Coreia do Norte são exemplos a serem seguidos. Estados Unidos e Europa, exemplos a serem evitados.

Imprensa boa é imprensa calada. Por que não publicam notícias positivas? Talvez umas receitas de bolo ou um poeminhas de Camões? Analfabetos – ditos funcionais (?) – frequentam Universidades, intelectuais de classe média apoiam governantes corruptos, mas odeiam a classe média, afinal, “a burguesia fede”.

Quem apoia teorias políticas do século XIX é progressista. Os que apoiam as teorias mais modernas são retrógrados.

Dias estranhos! Uma nova era, talvez. Com certeza da mediocridade.

Como não posso ir embora pra Pasárgada, pois não sou amigo do Rei, acho que vou mesmo é pra Itaguaí e lá curtir a Casa de Orates na companhia de Simão Bacamarte.

20/11/2013

às 16:00 \ Política & Cia

PÓS-MENSALÃO: Atenção, atenção, atenção: o Supremo está dando andamento a processo de corrupção contra Collor. Coisa fortíssima: falsidade ideológica, peculato e corrupção passiva

CRIME SEM CASTIGO -- O ex-presidente Fernando Collor: despesas pessoais pagas com dinheiro de corrupção (Foto: André Dusek / Estadão Conteúdo)

CRIME SEM CASTIGO — O ex-presidente Fernando Collor, hoje senador: a acusação menciona despesas pessoais pagas com dinheiro de corrupção (Foto: André Dusek / Estadão Conteúdo)

Nota de Daniel Pereira, publicado na edição de VEJA que está nas bancas

 A REGRA É A IMPUNIDADE

Até a descoberta do mensalão, o ex-presidente Fernando Collor detinha o título de ter comandado o governo mais corrupto da história recente. Mas ele, Collor, não pode ser legalmente chamado de corrupto. Ao contrário dos mensaleiros, ele nunca foi condenado pelo crime, apesar de todas as evidências.

Expulso da Presidência da República em 1992, por denúncias de corrupção, Collor foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. Na época, descobriu-se que o ex-presidente mantinha uma quadrilha que operava dentro de ministérios e empresas estatais.

Empresários que tinham contratos públicos eram convidados a deixar uma parte de seus ganhos com o então tesoureiro do presidente, Paulo César Farias. Este, por sua vez, usava o dinheiro para financiar as mais íntimas despesas da família presidencial – até ser descoberto, passar uma pequena temporada na cadeia e acabar vítima de uma tragédia.

Ele foi assassinado pela namorada. Por ineficiência do Ministério Público, as acusações contra o ex-presidente foram arquivadas.

Em 2000, porém, o Ministério Público decidiu mover uma nova ação penal contra Fernando Collor. Os investigadores descobriram que um empresário do ramo de publicidade pagava propina “à equipe do ex-presidente” em troca de contratos com o governo.

O dinheiro arrecadado era usado para pagar as despesas pessoais de Collor, agora acusado de corrupção passiva, peculato e falsidade ideológica.

O processo criminal contra Collor está em mãos da ministra Cármen Lúcia (Foto: STF)

O processo criminal contra Collor está em mãos da ministra Cármen Lúcia (Foto: STF)

O processo está no STF desde 2007, quando o ex-presidente se elegeu senador por Alagoas e ganhou direito ao foro privilegiado [ou seja, o direito de ser julgado não por um juiz de primeira instância, mas pelo mais importante tribunal do país].

Advertida pelo procurador Rodrigo Janot sobre a iminência de prescrição dos crimes, na semana passada, a ministra Cármen Lúcia deu sequência ao processo.

Vinte anos depois, a impunidade pode sofrer um novo golpe – afastando a tese de que a punição dos mensaleiros não foi apenas um espasmo da Justiça.

15/11/2013

às 15:21 \ Política & Cia

Dilma oferece honras de chefe de Estado aos restos mortais de Jango, o presidente deposto pelo golpe de 1964

O caixão com os restos mortais do ex-presidente chegam a Brasília num avião da FAB e são conduzidos por uma guarda de honra (Foto: Reuters)

O caixão com os restos mortais do ex-presidente chega a Brasília num avião da FAB e são conduzidos por uma guarda de honra (Foto: Reuters)

Por Laura Greenhalgh, enviada esspecial a São Borja, com colaboração de Rafael Moraes Moura – O Estado de S.Paulo

Restos mortais foram para Brasília, quase 50 anos após ex-presidente ser deposto; análise vai apurar se sua morte foi por causas naturais ou envenenamento

Com salva de 21 tiros de canhão, na presença da presidente Dilma Rousseff e de três ex-presidentes – José Sarney, Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva – e com os comandantes militares batendo continência, os restos mortais do ex-presidente João Goulart tocaram nessa quinta-feira, 14, o solo da capital federal, 37 anos depois de morto e quase 50 depois de deposto, em 1964.

O significado histórico da cena, bem como seu impacto político, foram no entanto contidos por um cerimonial rigoroso, que não abriu espaço para discursos e manifestações improvisadas.

Depois de uma exumação que consumiu 18 horas, em São Borja, terra natal de Jango, como era conhecido, o corpo do ex-presidente seguiu em avião militar da FAB ontem cedo, rumo à Base Aérea de Brasília.

Ficará na capital federal até 6 de dezembro – data de sua morte, em 1976, na Argentina -, quando então voltará a São Borja para ser reenterrado, daí com as honras devidas a chefe de Estado. A análise vai para apurar se ele morreu de causas naturais ou vítima de envenenamento.

Dentro do Hércules da FAB, peritos, equipes de apoio e o prefeito de São Borja, Farelo de Almeida, acompanharam o corpo. O aguardavam na base a presidente Dilma ao lado de boa parte de seu ministério, membros da Comissão Nacional da Verdade, incluindo o atual presidente, o jurista José Carlos Dias, e uma centena de ocupantes de cargos de destaque, entre eles, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o governador de Brasília, Agnelo Queiroz.

O caixão original chegou dentro de uma urna de madeira de 140 quilos e foi depositado no hangar principal da base, para uma celebração fúnebre oficial.

Dilma entrou no hangar acompanhando a viúva de Jango, Maria Thereza Goulart, que sentou-se entre a presidente e Lula, tendo Sarney e Collor na mesma fileira. O único presidente da redemocratização a não comparecer à homenagem foi Fernando Henrique Cardoso, que não foi por razões de saúde.

O gesto mais aguardado pelos presentes aconteceu: comandantes militares de hoje batendo continência ao chefe da Nação que foi deposto por seus antecessores nas forças armadas, em 1964.

Emocionada, Dilma, por sua vez uma ex-perseguida pelo regime militar, também cumpriu o protocolo.

Junto com a viúva de Jango, depositou uma coroa de flores sobre o caixão. A viúva também recebeu a bandeira nacional.

Mais cedo, em sua conta pessoal no microblog Twitter, Dilma escreveu que a recepção dos restos mortais do ex-presidente é um “gesto histórico” e destacou que Jango foi o “único presidente a morrer no exílio”.

Após a cerimônia, os restos mortais de Jango seguiram em van da Polícia Federal para o Instituto Nacional de Criminalística, onde continuará o processo de análise.

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, agradeceu o esforço realizado na véspera pela equipe internacional de peritos e reiterou que conta com a determinação de Dilma para a elucidação da causa de morte de Jango.

Mais uma vez questionada sobre os custos da exumação, ela respondeu: “Vamos declarar todos eles. E serão menores do que os da ditadura, que custou muitas vidas”.

07/11/2013

às 17:38 \ Política & Cia

Collor perde outra ação indenizatória contra Augusto Nunes — e o colunista ganha mais uma medalha

Fernando Collor de Mello perde mais uma ação indenizatória (Foto: Jamil Bittar / Reuters)

Publicado no blog do meu querido amigo Augusto Nunes

COLLOR PERDE OUTRA AÇÃO INDENIZATÓRIA: O COLUNISTA GANHA MAIS UMA MEDALHA

O site Consultor Jurídico publicou nesta terça-feira uma reportagem sobre a mais recente derrota  judicial sofrida por Fernando Collor. Pela sexta vez, o ex-presidente moveu uma ação indenizatória contra o colunista, agora por sentir-se injuriado pelo post aqui publicado em 14 de maio de 2012 com o título O farsante escorraçado da presidência acha que o bandido vai prender o xerife.  Perdeu de novo.

Collor achou que merecia receber R$ 500 mil para compensar os estragos na imagem provocados pelo artigo, sobretudo por um trecho que afirma o seguinte: “O agora senador Fernando Collor, destaque do PTB na bancada do cangaço, quer confiscar a lógica, expropriar os fatos, transformar a CPMI do Cachoeira em órgão de repressão à imprensa independente e, no fim do filme, tornar-se também o primeiro bandido a prender o xerife”.

Confira abaixo a reportagem do Consultor Jurídico. E leia na seção Vale Reprise a íntegra do texto que originou a ação ─ e garantiu ao colunista mais uma medalha de ouro:

A Justiça de São Paulo rejeitou mais um pedido de indenização do senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) contra a Editora Abril e o jornalista Augusto Nunes, colunista da revista VEJA. Em abril, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um pedido semelhante por causa da publicação de textos que acusam o senador de ter gasto, em um mês, R$ 40 mil em verbas indenizatórias do Senado.

Dessa vez, Collor alegou que foi ofendido em um texto de Augusto Nunes publicado no blog do jornalista. Diz o ex-presidente que os termos “bandido”, “chefe de bando” e “farsante”, empregados em publicação de 14 de maio do ano passado, foram empregados com o intuito de denegrir seu nome. Ele pediu, inicialmente, R$ 500 mil em indenização.

Na sentença, a juíza Andrea Ferraz Musa, da 2ª Vara Cível do Foro de Pinheiros, disse que, em um estado democrático, o jornalista tem o direito de exercer a crítica, ainda que de forma contundente. Ela acolheu os argumentos dos defensores de Nunes e da Abril, Alexandre Fidalgo e Otávio Breda, do escritório EGSF Advogados.

“Embora carregada e passional, não entendo que houve excesso nas expressões usadas pelo jornalista réu, considerando o contexto da matéria crítica jornalística. Assim, embora contenha certa carga demeritória, não transborda os limites constitucionais do direito de informação e crítica”, disse a juíza.

No texto publicado na internet, Augusto Nunes trata da atuação de Fernando Collor na chamada CPI do Cachoeira. Na ocasião, o senador aproveitou a exposição do caso para criticar a imprensa, e por ela foi criticado. No pedido de indenização, Collor alegou que foi absolvido de todas as acusações de corrupção pelo Supremo Tribunal Federal e que há anos vem sendo perseguido pela Abril.

A juíza, entretanto, considerou irrelevante a decisão do STF. “As ações políticas do homem público estão sempre passíveis de análise por parte da população e da imprensa. O julgamento do STF não proíbe a imprensa ou a população de ter sua opinião pessoal sobre assunto de relevância histórica nacional”, justificou.

25/10/2013

às 17:47 \ Política & Cia

QUEM DIRIA? Chico, Caetano, Gil e outros defensores da censura a biografias unem-se no mesmo balaio escuro de políticos como Collor e Sarney: querem negar aos brasileiros o direito à própria história

Sarney e Collor: os ex-adversários ferozes de outrora hoje cordialmente conspiram contra a liberdade de conhecermos nossa própria História

Confesso que não consigo entender como pessoas criativas e inteligentes do nível de Chico Buarque, Caetano Veloso ou Gilberto Gil não atinam para a bobagem que cometem e o mal que fazem ao país ao apoiarem o movimento que, na prática, quer censurar as biografias não-autorizadas — quer dizer, independentes — de personagens públicos.

Não é possível que eles não percebam a enormidade do prejuízo que isso, se mantido como estão os dispositivos do Código Civil que permitem à Justiça na prática impedir o lançamento desses trabalho, causará à memória do país.

É triste constatar que essas figuras notáveis da cultura brasileira, e não apenas elas, juntam-se, no mesmo balaio dos que pretendem impedir aos brasileiros o conhecimento da própria história, a figuras da pior política que temos, como os ex-presidentes e senadores José Sarney e Fernando Collor.

Não sei se vocês se lembram, mas, durante a discussão do projeto de lei complementar nº 41, de 2010, que pretendia regulamentar o acesso a “informações de interesse coletivo produzidas ou custodiadas pelo Estado”, Collor e Sarney, outrora inimigos ferrenhos, uniram-se com enorme determinação em postura favorável ao sigilo eterno de determinados documentos em poder do governo.

Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Roberto Carlos (Foto: Roberto Teixeira / Rio News :: Conteúdo Estadao :: Manuela Scarpa / Rio News :: André Muzell / AgNews)

Caetano, Gil, Chico Buarque e Roberto Carlos: no mesmo balaio escuro em que já estiveram Collor e Sarney  (Foto: Roberto Teixeira / Rio News :: Conteúdo Estadao :: Manuela Scarpa / Rio News :: André Muzell / AgNews)

Sim, é isso mesmo: sigilo eterno. Sarney citava como exemplos de informações a permanecerem para sempre secretas, entre outras, as contidas nos documentos relativos a fronteiras negociadas pelo patriota e maior diplomata da história do país, o Barão de Rio Branco (1845-1912).

Ambos defenderam ferozmente a tese de que era necessário manter eternamente secretos até documentos sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870), aos quais nem sequer historiadores de renome jamais puderam ter acesso.

O mesmo sigilo eterno sobre a vida de importantes figuras públicas vai ocorrer se vingar — mas não vingará! — o que desejam os que pensam como Chico, Caetano e Gil.

E vamos lembrar da dupla que queria censurar a história, para ficar mais constrangedora a companhia que a eles fazem esses ídolos da cultura nacional. Quando Collor, então governador de Alagoas, emergiu para a política nacional, em 1989, era o anti-Sarney: fez boa parte de sua campanha à Presidência naquele ano com críticas pesadíssimas ao então presidente, a quem em mais de uma ocasião chamou publicamente de “ladrão” e para o qual, em comícios, chegou a pedir “cadeia”.

Duas décadas mais tarde, como se nada tivesse ocorrido antes, sorridentes colegas de Senado, conspiraram juntos contra  liberdade de informação.

(Foto: passionsaving.com)

(Foto: passionsaving.com)

Sarney e Collor fizeram o possível para atrapalhar a aprovação do projeto, mas felizmente a Lei de Acesso à Informação — que, justiça se faça, foi proposta por Lula e defendida pela presidente Dilma junto ao Congresso — acabou sendo aprovada. Sarney e Collor, na ocasião, e os que estiveram ao lado de ambos na época, na prática prestavam-se a recusar aos brasileiros um direito básico, elementar, de que não se pode abrir mão de forma alguma: o direito de conhecer a própria história.

Na polêmica de agora sobre biografias, será que não passou pela cabeça de Chico, Caetano, Gil e outros, por exemplo, o buraco gigantesco que existiria sobre o acontecimento mais importante do século XX, talvez o mais importante de todos os tempos — a II Guerra Mundial –, se não pudessem ser publicadas biografias de dezenas de seus grandes protagonistas?

Como o trabalho monumental do jornalista e historiador norte-americano William Shirer (Ascensão e Queda do III Reich, que inclui, na vastidão de seus quatro volumes em português, várias biografias)? Ou as centenas de biografias de Adolf Hitler, começando pelas que são provavelmente as mais completas, a do alemão Joachim Fest e do norte-americano John Toland? Ou as inúmeras de sir Winston Churchill, do presidente Franklin Delano Roosevelt, dos generais Dwight Eisenhower, Omar Bradley, George S. Patton e dos marechais Erwin Rommel, sir Bernard Montgomery e Georgy Zhukov?

No Brasil, se fosse necessário percorrer toda a descendência do presidente Getúlio Vargas, Lira Neto poderia ter escrito os dois volumes já publicados da excelente obra Getúlio? Seria viável, nas mesmas circunstâncias, que Claudio Bojunga iluminasse uma das Presidências mais importantes da história do país com seu JK, o Artista do Impossível?

Levada a extremos a interpretação dos partidários da censura a biografias, Laurentino Gomes jamais poderia haver escrito dois livros que ajudaram muito a matar a sede dos brasileiros por conhecer o processo de formação do Brasil, como 18081822 e 1889. Já pensaram o jornalista ter que correr atrás de toda a família ex-imperial, os Orleans e Bragança, para obter autorizações a fim de contar a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, fugindo de Napoleão Bonaparte, e posteriormente a independência do país, proclamada pelo imperador Pedro I? Ou descobrir descendentes dos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, ou de figuras como Benjamin Constant, para poder narrar o surgimento da República?

A lista de temas e personagens não acaba mais.

Custa a crer que, em nome de uma suposta “privacidade” — que, se ferida, acarreta punições já previstas em lei aos responsáveis — defenda-se algo inteiramente contrário ao interesse público.

Caetano, Chico, Gil e outros — capitaneados pela produtora cinematográfica Paula Lavigne, que por sinal não corre risco algum de alguém vir a escrever sua biografia não autorizada — estão na contramão da história e da liberdade de expressão.

Suas teses surpreendentemente retrógradas não triunfarão.

20/10/2013

às 16:00 \ Política & Cia

Não tem jeito, mesmo: políticos do DF cassados por corrupção planejam volta ao primeiro plano

Os ex-governadores do DF Joaquim Roriz e José Roberto Arruda e o ex-senador Luiz Estêvão (Fotos: Agência Senado :: Ailton de Freitas :: Ailton de Freitas)

Os ex-governadores do DF Joaquim Roriz e José Roberto Arruda e o ex-senador Luiz Estêvão: escândalos e desvio de recursos públicos não impedem tentativa de voltar à política (Fotos: Agência Senado :: Ailton de Freitas :: Ailton de Freitas)

Reportagem de Débora Alves e João Domingos, publicada no jornal O Estado de S.Paulo

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

Dois ex-governadores e um ex-senador da capital do país famosos por frequentar o noticiário policial nas últimas décadas por suspeita de envolvimento em desvio de recursos públicos, pretendem retomar a carreira política.

Joaquim Roriz e Luiz Estevão filiaram-se ao PRTB que, em 2006, elegeu o ex-presidente Fernando Collor senador por Alagoas (hoje ele está no PTB). O ex-governador José Roberto Arruda filiou-se ao PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto (SP).

Roriz pretende ser candidato a governador, cargo que ocupou por 15 anos, em quatro mandatos – o primeiro nomeado pelo então presidente José Sarney (PMDB-AP) e os outros três conquistados nas urnas. Em 2007, seis meses depois de ter tomado posse, ele renunciou ao mandato de senador para fugir de um processo de cassação.

Foi levado ao Conselho de Ética sob acusação de quebra de decoro após a divulgação de conversas telefônicas que, segundo a polícia, envolviam a partilha de R$ 2,2 milhões em espécie numa garagem de uma empresa de transporte coletivo urbano.

Arruda quer se candidatar a deputado federal. Em 2009, então governador, ele se viu envolvido em um dos maiores escândalos de Brasília – investigado na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal -, também conhecido por mensalão do DEM. Acabou preso e obrigado a renunciar após aparecer em um vídeo recebendo R$ 50 mil do ex-delegado Durval Barbosa.

A tentativa de ingressar na Câmara dos Deputados é a mesma tática que Arruda usou após renunciar ao mandato de senador, em 2001, por envolvimento na quebra de sigilo da votação da sessão secreta que cassou o mandato do então senador Luiz Estêvão. Mesmo na condição de processado pelo Superior Tribunal de Justiça depois do escândalo, em 2002, Arruda teve votos suficientes para se eleger e voltar ao Congresso.

Direitos suspensos

Dos três homens barulhentos que retomam sua vida política em Brasília, Estêvão é o único que não pode se candidatar no ano que vem. Ele está com os direitos políticos suspensos até fevereiro de 2015. Se quiser voltar a ter um cargo eletivo, terá de esperar até 2018, e não 2016, a exemplo das outras unidades da Federação, já que em Brasília não há eleição municipal.

Embora envolvidos em confusão por todos os lados, Arruda e Roriz não foram alcançados pela Lei da Ficha Limpa, pois não tiveram condenação por órgão colegiado do Judiciário, como determina a legislação. Mas há riscos até lá. Arruda, por exemplo, responde a três processos e há a possibilidade de ao menos um deles ser julgado até maio. Nesse caso, se a decisão for tomada pelo plenário do STJ, ele perderia os direitos políticos e ficaria inelegível por oito anos.

Quanto a Roriz, na semana passada, ele foi condenado pela 3.ª Vara da Fazenda Pública do DF por improbidade administrativa por atos praticados como governador, em 1999. A sentença determina a suspensão de seus direitos políticos por cinco anos, pagamento de multa e proibição de assinar contrato com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais pelo prazo de três anos. Mas ele pode recorrer e a punição terá de ser confirmada por um tribunal para que fique inelegível.

Roriz disse ao Estado que é candidato a governador porque é um homem do Executivo. “Quem quer que eu volte é o povo. E não posso dizer não a esse povo.”

Mesmo sem condições de concorrer, Estêvão pretende atuar nos bastidores da eleição de Brasília. Lançará a filha Fernanda Meirelles de Oliveira a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Arruda não quis se pronunciar.

16/10/2013

às 16:26 \ Política & Cia

No Senado, há vagas para afilhadas

Tainá Falcão, da Record, lotada no gabinete de Renan Calheiros (Foto: Record)

A jornalista Tainá Falcão, que trabalha em uma emissora de TV, está lotada no gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros, para “produzir textos jornalísticos” (Foto: Record)

Nota de Otávio Cabral, publicada em edição impressa de VEJA

HÁ VAGAS PARA AFILHADAS

Além de ter contratado a namorada de José Dirceu, o presidente do Senado, Renan Calheiros, deu emprego a uma afilhada de Fernando Collor, seu aliado na política alagoana.

Desde 2011, a jornalista Tainá Falcão recebe 4.200 reais para, segundo a assessoria de Renan, “produzir textos jornalísticos sobre o trabalho do senador”.

Mas, no Senado, são poucos os que conhecem ou já viram a moça na Casa.

Quem acompanha a rotina no gabinete de Renan diz que é mais fácil encontrar Tainá — que é filha do ex-deputado Cleto Falcão [um ativo colaborador da campanha eleitoral que levou Collor à Presidência, em 1989] — na Record, onde ela de fato dá expediente como repórter dos telejornais locais.

29/09/2013

às 18:00 \ Política & Cia

REYNALDO-BH: “Lula não é mito. Nem um gênio político. É somente um oportunista”

"O que é Lula afinal? Um mito?" (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

"O que é Lula afinal? Um mito?" (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

Post do leitor Reynaldo-BH

LULA NÃO É MITO. NEM UM GÊNIO POLÍTICO. É SOMENTE UM OPORTUNISTA

Todo populismo nasce de uma mitificação que supre o desejo de futuro de uma nação em um determinado momento.

E os mitos são, em essência, falsos.

O mito não precisa guardar coerência entre o discurso e a ação. Ao contrário, o mito vive da contradição. Vale-se dela para se fazer maior. O mito precisa ser incompreensível, pois assim justifica a narrativa.

Os deuses gregos eram incompreensíveis para todos. Contraditórios e plenos de certezas fornecidas pelos que criavam as fantasias míticas.

A filosofia – e entre esta a ciência política – não admite contradições. Há uma lógica no agir que demonstra a personagem analisada e explica a incompreensão.

Mesmo na teologia, esta se nutre de razão. O filósofo é menor que a análise. Que a razão lógica.

O que é Lula afinal?

Um mito? Mesmo sendo este o desejo do lulopetismo, falta muito para que seja ao menos isto. E não é um ser político. Reduzir a política à esperteza simplória é diminuir a grandeza que dessa atividade que deveria ser nobre por natureza, por tratar-se de uns governando os demais.

Se não é mito (é somente um ídolo de muitos, ou seja, um objeto de adoração) e não pode ser considerado um ser pensante fora de série, resta a rotulação de oportunista. Aquele que usa fatos e age de acordo com o melhor proveito próprio, mesmo que distorcendo a realidade.

A mitificação exaltada do Lula “fazedor de reis” (ou postes), do gênio da raça que se comunica com os desvalidos como ninguém antes neste mundo ou o revolucionário que mudou a face do Brasil (resta saber com que feição) é somente o que resta aos lulopetistas para tentar justificar esta excrescência política.

A insistência de se alegar sempre ter sido eleito – sim, é verdade, e por isso em nome da democracia merece respeito, algo que ele próprio não tem pela democracia – não resiste a uma análise sociológica minimamente séria. Collor também foi eleito. E foi colocado a pontapés para fora do Palácio do Planalto.

Saddam tinha entre 96 e 99% dos votos no Iraque.

Em Cuba, o partido único tem somente 100% dos votos (não por ser único, mas por não haver sequer abstenções).

Hitler foi eleito premier e depois, por plebiscito, tornou-se presidente.

O corrupto José Roberto Arruda, de Brasília, foi reeleito após ter renunciado por ter fraudado o painel de votação do Senado. E hoje, após o escândalo recente, já é – novamente – o melhor colocado nas pesquisas eleitorais para o governo do Distrito Federal.

Com isso quero desprezar o voto popular? Ainda não enlouqueci de vez. Óbvio que é o que nos resta e o instrumento de expressão da cidadania pelo qual luto e lutarei sempre.

O que afirmo é que o voto por si não dá atestado de decência a ninguém – trate-se de mito, ser político ou oportunista.

O oportunista aproveita o que se apresenta para moldar a realidade aos interesses pessoais. Alguém pode dizer que Lula não fez isto a vida toda?

Fiquemos no passado recente.

* Quem foi o maior beneficiado com o mensalão, com a prática de compra de votos em um Congresso abominável?

* Quem teve amante paga com nossos impostos?

* Quem continua mandando (até mais!) na Presidência ao colocar um poste (como ele próprio se jactou ser capaz de eleger) na cadeira presidencial?

* Quem criou um instituto em São Paulo com recursos de empresários?

* Quem é lobista de empreiteiros – os mesmos que, antes, acusava como sendo o câncer do Brasil?

* Quem se aliou a ladrões (na antiga definição que ele próprio lhes conferia) e com que objetivo?

Se isto não é oportunismo, o que seria?

A mesma práxis que acusava o Supremo de ser um antro de perseguidores do lulopetismo e hoje exalta o tribunal antes demonizado é usada em relação à imprensa.

Lula só existe por que houve – sempre! – uma imprensa que o exaltava, combatia os ditos “governos anteriores”, apoiava as denúncias (algumas delas sem o menor fundamento), se encantava com o “operário, pobre e nordestino” (que diferença para hoje!), abria TODOS os espaços de mídia e se declarava ABERTAMENTE como petista. Saudavam o novo tempo.

É um caso para a história.

A mesma “mea culpa” feita pelo O Globo por apoiar a ditadura será um dia feita (será?) pelos que apoiam o oportunismo populista, que mente, inverte fatos e tenta ser mito.

Tenta ser no aspecto da não coerência. Na fantasia mítica. Na falta de lógica. No ser eternamente incompreensível.

E na aposta permanente de não ter que dar explicações a ninguém.

Por isso fala somente a quem se recusa a questionar.

E é surdo frente aos que ousam perguntar.

Lula não é mito. Nem um gênio político.

É somente um oportunista. A oportunidade, nós demos.

Quem pode mais, pode menos.

Se foi dada, é mais que hora de pedir de volta.

24/09/2013

às 18:19 \ Política & Cia

Reynaldo-BH comenta 3 de 20 razões que apontei para votar CONTRA o PT em 2014

Socorro -- "A derrota moral do PT sequer é citada pelos defensores de sempre" (Charge: Sponholz)

O fiel leitor e amigo do blog Reynaldo-BH se deu ao trabalho e à gentileza de analisar, em comentários separados, as 20 razões que apontei em post publicado ontem para NÃO votar no lulopetismo em 2014 — o post em que dei fim ao luto que declarara pela decisão do Supremo que estica o julgamento dos mensaleiros e a troca do luto pela LUTA política para que os que nos governam há mais de 12 anos deixem o poder.

Os comentários são tão substanciosos que resolvi publicá-los, começando pelo que analisa as três primeiras razões assinaladas no post sobre o projeto hegemônico de poder de Lula (texto original meu em negrito), que é também…

 

1. O projeto de tomar conta do Congresso, comprando-o com dinheiro sujo, e subordiná-lo ao Executivo.

Comprar um Congresso é, no fundo, comprar os milhões de votos que foram dados aos vendidos.

É isto que o PT enxerga como democracia e marcha histórica?

Quanto vale cada voto que demos?

Foi feita uma equação de números de votos por representantes?

Foi-nos pedido licença?

Alguém perguntou se nossa opinião (ou esperança) estava a venda?

A afronta maior não é com a representatividade popular ou com os cargos dos venais. A afronta maior é com nossa esperança.

Fomos transformados em acessórios que tem a importância de um nada na engrenagem do poder. O partido que se dizia representante dos anseios das aspirações do povo (nós) IGNOROU A TODOS.

Comprou, na bacia das lamas, a nossa vontade. Ignorou o desejo das urnas. Corrompeu a exigência popular. Transformou-se em ladrão de nossas esperanças.

Tão como a abjeta posição de quem se vendeu é a ideologia que fez da compra de nossa vontade como um artigo de mascate. Erramos. E eles cometeram crimes.

A submissão de um dos poderes da República (Legislativo) a outro (Executivo) demonstra a visão torpe de quem se acha dono do poder, desrespeitando leis, moral e ética.

Vale tudo. E sem limites.

Colocar um Legislativo a reboque das falcatruas arquitetadas em gabinetes palacianos só demonstra o desprezo pela democracia. E por nós.

Jamais houve um movimento para moralizar esta indecência. Ao contrário, houve ações deliberadas para usar e intensificar a prática odiosa.

 

2. O projeto daquele que o Ministério Público denunciou como sendo “chefe da quadrilha do mensalão” — e que como tal foi aceito pelo Supremo Tribunal –, o ex-ministro José Dirceu, o velho projeto totalitário de “bater neles nas urnas e nas ruas”,

2 – Eles bateram. Pesado. “Eles” somos nós.

Dez anos apanhando como uma vítima de um DOI-CODI moral. Não me acusem de exagero. Os animais de ontem (os facínoras de botas) batiam e maltratavam fisicamente. Hoje, eles batem e demonizam quem ousa discordar.

Não há espaço para ser livre. Para o livre pensar. Para a liberdade de discordar. São patrulhas ideológicas (de triste memória) sempre prontas a defender o indefensável, com argumentos que não se sustentam. Nem sustentam uma mínima lógica. Eles não se importam com isto.

Como disse Pedro caroço, digo José Dirceu, eles querem nos bater nas ruas e urnas.

Com socos ingleses?

Com cuspe?

Com ofensas?

Com nosso extermínio moral e intelectual?

Esta é a práxis do lulopetismo que tem Dirceu como mentor?

Perderam. E irão perder sempre. Conseguimos trazer vocês de volta ao Brasil (mesmo com o risco de substituição de uma ditadura por outra!) e estabelecer a democracia civil.

Não é difícil derrotar vocês. Por mais poderosos que se julguem.

 

3. O projeto de quem cooptou a maior parte dos partidos políticos representados no Congresso num processo obsceno de fornecimento de cargos, verbas parlamentares, vantagens e facilidades várias, tudo o que antes o lulopetismo criticava como sendo a “velha política” brasileira — que agora ele próprio pratica de forma descarada, em aliança espúria com gente como Renan Calheiros, Jader Barbalho, José Sarney, Paulo Maluf, Fernando Collor e semelhantes, com o objetivo de manter-se no poder até onde a vista alcança.

A derrota moral do PT sequer é citada pelos defensores de sempre. NUNCA ouvi (ou li) uma explicação para a opção do PT de ressuscitar Sarney, Collor, Renan, Severino, Jader, Newton Cardoso, Paulo Maluf e acrescentar Kassab e Sergio Cabral à lista de apoiadores.

Não respondem. O telefone só dá ocupado…

Não respondem por que não têm respostas. Igualaram-se porcos. Dizer que alguns destes apoiaram governos anteriores, a mim somente soa como desculpa.

Pois não foi por isso que o PT chegou ao poder? O que mudou? O PT ou os corruptos aliados do PT? Quem mudou ? Lula que chamava Collor de ladrão, ou Collor, que foi incensado por Lula em palanque? Sarney, que Lula já chamou de o maior bandido do Brasil, ou o Sarney de Lula que o cita como “especial”?

Sei que nós não mudamos. Somente fomos enganados.

E dá=lhe aparelhamento! Em um governo onde executivos sindicalistas falam “nós vai” o que se espera? O óbvio! Que se mude a língua, para que “nós vai” seja regra de um falar que despreza 500 anos de história cultural!

Ser “cumpanheiro” vale mais que 20 anos de estudos e aquisição de competências.

Esta palavra que o PT desconhece. E mesmo assim, coloca em um index de algo a ser evitado!

Os cargos são negociados à luz do dia, na frente de todos. Como se fosse normal em uma democracia. Não é. E muito menos é aceitável para quem tem um mínimo de decência.

E faço uma observação dialética: se com dizem os lulopetistas “sempre foi assim”, para que então mudamos? Para que escolhemos um partido que além de aceitar estas práticas, as fez norma de comportamento? Para que alternância de poder que fizemos se a receita era a mesma?

Quem é mais podre? O santo que luta contra as mazelas do mundo ou o que usa estas mazelas para justificar a própria podridão?

Fico por aqui.

Por enquanto. O post-manifesto do Setti dá esepaço para MILHARES de colocações.

A unir TODAS, uma: chega de humilhação!

Queremos nosso país de volta! Ou ao menos, exigimos que o rumo ÉTICO que tínhamos seja resgatado!

 

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