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Fernando Collor

25/08/2014

às 19:44 \ Política & Cia

A VOLTA DE REYNALDO-BH: O “Caçador de Marajás” já saiu, escorraçado a pontapés. Agora, chega a Protetora das Saúvas. Ambos são engodos

(Foto: Agência Brasil)

Marina Silva é uma política profissional que, qual Collor repaginado, também diz que é preciso cuidado com os políticos — os outros (Foto: Agência Brasil)

 

Post do leitor e amigo do blog Reynaldo-BHPost do Leitor

Se cercar é hospício. Se cobrir vira circo.

Um dia um prefeito da maior capital do país se definiu como não sendo de centro, nem direita ou esquerda. Entendi que ele era de baixo.

Agora temos uma política profissional – sempre viveu disto – repetindo o discurso de Collor; cuidado dom os políticos (os outros). Quando na verdade o perigo maior acaba sendo ela própria.

Messiânica, com ar de retirante de boutique, seringueira de Brasília e acusadora de todos que ousam discordar, Marina Silva faz lembrar o que de pior temos nestas terras tupiniquins. O antigo PT, dono de ética e das verdades, há 12 anos. Deu no que sabemos. Difícil escolher entre o descaramento explícito e a desfaçatez silenciosa.

Uma escolha entre Dilma e Marina não é sequer um plebiscito. É uma roleta russa. Envolta em panos (caros) e echarpes (mais ainda), se porta frente aos marineiros como um guru a ser idolatrado. Concorda com tudo e não assume nada. Diz platitudes que, se não têm consistência, ao menos entendemos. Entendemos mesmo?

Como uma Madre Teresa, cultiva a figura que tenta ser uma Quixote de saias. Mesmo sendo um Sancho Pança emagrecido.

Não é contra nada. Mas longe de ser a favor de algo, pois para ser a favor é preciso ter ideias.

Dizer-se sucessora de dois ex-presidentes é o cúmulo da prepotência. Marina quer ser a continuidade e oposição ao mesmo tempo. Quer ser herdeira sem ter sido aliada de um deles, FHC. Do outro, foi usada e usou a imagem de pobres e nordestinos. Em uma falta de vergonha e compostura que envergonha qualquer povo da floresta, cidade ou de butequim.

Quem em sã consciência é contra a luz elétrica? Ter como programa a afirmação que apoia a luz elétrica é tanto assustador quanto ter a pretensão de ser presidente e contar com quadros (que a Rede de Embalar Idiotas não tem) de outros partidos.

Um ministério com Aloysio Nunes Ferreira e José Dirceu? Com Álvaro Dias e Ideli? Todos irmanados em mantras matinais quando a salvadora e casta presidente adentrar qualquer ambiente?

Marina Silva é um engodo. A Rede sabe disto. Eduardo Campos também sabia. O que ela tem de valioso são os votos de 2010 de quem, sem entender o que diz, prefere uma frase com pé e sem cabeça a outras frases – as de Dilma – sem ambas. É pouco. Muito pouco.

Collor ao lado da então mulher, Rosane, após assinar o documento de seu afastamento da Presidência, na saída do Palácio do Planalto (Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo)

Collor ao lado da então mulher, Rosane, na saída do Palácio do Planalto, após assinar documento se afastando do poder (Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo)

Tancredo morreu e herdamos Sarney. Eduardo deixou-nos esta figura amorfa e arrogante na mesma medida de julgar-se a nova dona do Brasil

Triste destino tem nos dado a Velha Senhora. Joga com a vida e morte escolhendo o absurdo para além da morte em si.

Marina escolheu o PSB por falta absoluta de opção. Continua apoiando petistas do Acre e do Rio de Janeiro. Continua sem saber que economia é ciência matemática e não slogan de sonháticos e pesadeláticos.

Continua a criar uma seita, que neste início de composição, é ainda mais sectária que o PT.

Acha que em se plantando tudo dá, mesmo que seja no quintal das casas dos protegidos pela falta de estrutura. Não enxerga o agronegócio. Assim como o idiotizado Suplicy (isto explica a amizade) é monotemática.

Alguém se lembra de UMA ÚNICA palavra dela acerca da saúde e dos médicos cubanos?

Da agressão a Yoani Sánchez?

Política fiscal?

Inflação?

Política de desenvolvimento da indústria?

Agências reguladoras?

Sobre os 39 ministérios?

Sobre a amante Rosemary?

Sabe-se o que ela pensa sobre política externa?

Infraestrutura?

Exportações?

Política de emprego e renda?

Para os marineiros, parece que são apenas detalhes. O importante, na visão tacanha deste grupo que lembram os hippies de Arembepe, são os povos da floresta, a plantação de mandioca e a sustentabilidade, que NUNCA definiu com precisão o que seja. Quem não quer a sustentabilidade? Aponte UM ser humano.

Marina é insustentável. Insuportável. Despreparada. Fruto de um destino cruel para com Eduardo Campos. Dona da verdade. Aproveitadora de partidos e lutas que não são dela.

Marina é – esta sim – um Collor repaginado.

Saiu o Caçador de Marajás a pontapés do Planalto (aliás, onde estava Marina nesta luta?).

E entra a Protetora das Saúvas. Mesmo que esta praga esteja atuando em rede.

12/08/2014

às 15:30 \ Política & Cia

MERVAL PEREIRA: Governistas e sua vasta rede de militantes que atuam na internet procuram banalizar ações criminosas na web, como se fossem corriqueiras

Não faz sentido que o ministro Gilberto Carvalho tome a parte pelo todo e confunda o Brasil com o PT (Foto: Richard Casas / PT)

Como é que o ministro Gilberto Carvalho pode afirmar que é uma “bobagem” a alteração maldosa de perfis de críticos do governo na Internet por computadores situados em instalações do governo e ficar tudo bem? (Foto: Richard Casas / PT)

 A BANALIZAÇÃO DO CRIME

Artigo de Merval Pereira publicado no jornal O Globo

Sem ter como desmentir as recentes denúncias de manipulação criminosa, os governistas e sua vasta rede de militantes que atuam na internet passaram a uma bem orquestrada ação de banalização dessas atividades ilegais, como se fossem corriqueiras.

É o caso da preparação dos ex-diretores da Petrobras para depoimentos na CPI que apura a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, acusada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de prejudicial aos cofres da empresa.

A própria presidente Dilma abriu essa discussão ao acusar publicamente o ex-diretor Nestor Cerveró de ter produzido um relatório falho tecnicamente, que induziu o Conselho Administrativo da Petrobras, presidido por ela na ocasião, ao erro de aprovar uma transação que se mostrou equivocada. Pois bem, como é sabido a Petrobras demitiu Cerveró, que à época trabalhava na BR Distribuidora, e a própria presidente da estatal, Graça Foster, admitiu no Congresso que aquela não fora uma boa compra.

Descobre-se agora que a Petrobras está pagando as multas com que os ex-diretores foram punidos pelo TCU, e que todos eles, inclusive o culpado pelo prejuízo, estavam recebendo orientações especiais e treinamento para o depoimento na CPI da Petrobras.

Não bastasse a estranheza de a estatal prejudicada bancar a defesa de ex-diretores acusados de malversação de dinheiro público, gravações de uma reunião na sede da Petrobras revelaram que a chegada de Cerveró à sede da empresa foi cercada de preocupações e cautelas para que sua presença não fosse notada.

E que as perguntas que seriam feitas a ele e a outros diretores já estavam previamente preparadas pelos próprios membros da CPI da base aliada do governo.

O ministro das Comunicações Paulo Bernardo, para justificar essa tramoia, deu uma declaração absolutamente absurda: segundo ele, desde Pedro Álvares Cabral, as CPIs são arranjadas.

Esqueceu-se de que a CPI que derrubou o então presidente Collor foi liderada pelo PT, e que outras, como a dos Correios, acabaram levando à cadeia diversos líderes petistas envolvidos no mensalão.

(PARA TERMINAR DE LER, CLIQUEM AQUI)

01/08/2014

às 17:00 \ Política & Cia

Crescimento do país sob governo Dilma só é melhor do que o de dois presidentes: Floriano Peixoto (1891-1894) e Fernando Collor

Eduardo Gianetti: crescimento sob Dilma é um dos piores da história da República (Foto: TV Cultura)

Eduardo Gianetti: crescimento econômico sob Dilma é um dos piores da história da República (Foto: TV Cultura)

É espantosa a constatação feita pelo respeitado economista Eduardo Gianetti da Fonseca: o crescimento do Produto Interno Bruto do país durante os quatro anos do governo Dilma será o mais baixo — o pior, portanto — em quase 125 anos de história da República, excetuados os verificados em dois governos.

O primeiro é o longínquo período de Floriano Peixoto, o “Marechal de Ferro”, o segundo presidente da República, que governou entre 1891 e 1894.

Floriano Peixoto (1891-1984): o governo do "Marechal de Ferro" conseguiu fazer o país crescer menos do que no período Dilma (Foto: planalto.gov.br)

Floriano Peixoto (1891-1984): o governo do “Marechal de Ferro” conseguiu fazer o país crescer menos do que no período Dilma (Foto: planalto.gov.br)

O segundo é o catastrófico governo de Fernando Collor, aquele do plano econômico que confiscou a poupança da população e, entre 1990 e 1992, levou o país à hiperinflação.

Eduardo Gianetti, principal assessor econômico do candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB), é um dos economistas mais respeitados do país. Formou-se em economia e em ciências sociais pela Universidade de São Paulo e doutorou-se pela Universidade de Cambridge, onde foi professor. É autor de vários livros, inclusive no exterior, e dois deles obtiveram o mais importante prêmio literário do Brasil, o Jabuti.

09/06/2014

às 12:00 \ Disseram

O jornalismo não deve ser julgado por seus acertos

“Lamento concluir que a Folha está sob julgamento não por seus defeitos, que são muitos, mas por suas virtudes — o que me orgulha.”

Otavio Frias Filho, diretor de redação da Folha de S. Paulo, em carta aberta a Fernando Collor, sobre o processo que o governo moveu em 1991 contra o jornal; o ex-presidente acusou quatro jornalistas de caluniá-lo, mas a Folha defendeu a veracidade de suas reportagens e os repórteres foram absolvidos

06/06/2014

às 16:00 \ Política & Cia

Deputados federais, mensaleiros, assessores ministeriais… Os visitantes do doleiro Alberto Youssef são conhecidos, mas a natureza de seus encontros, não. Ninguém se importa com isso?

INDIFERENÇA — João Graça, do Ministério do Trabalho, pediu demissão após a descoberta de que ele visitava o doleiro. Outros envolvidos, nada. Um deles, o deputado Mário Negromonte, foi até promovido para o TCM da Bahia (Foto: VEJA)

INDIFERENÇA — João Graça, do Ministério do Trabalho, pediu demissão após a descoberta de que ele visitava o doleiro. Outros envolvidos, nada. Um deles, o deputado Mário Negromonte, foi até promovido para o TCM da Bahia (Foto: VEJA)

SINDICATO DO CRIME

Além de sete deputados, um assessor ministerial e mais dois mensaleiros aparecem na lista de visitantes do escritório do doleiro Youssef – mas ninguém parece interessado em saber o que eles faziam lá

Texto de Rodrigo Rangel, com reportagem de Adriano Ceolin, publicado em edição impressa de VEJA

Na semana passada, VEJA revelou que sete deputados federais foram flagrados pelas câmeras de segurança do prédio onde funcionava o escritório do doleiro Alberto Youssef – preso há dois meses por operar um gigantesco esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo empresas estatais e funcionários públicos de alto escalão.

O que uma parte da nobreza do Parlamento fazia num lugar conhecido como centro de captação e distribuição de propina? É fácil deduzir.

O problema é que ninguém parece querer saber ao certo. Os parlamentares fotografados permaneceram em um conveniente silêncio. Seus colegas, inclusive os mais aguerridos, também ficaram à espreita.

Não houve uma única manifestação de inconformismo, protesto ou um pedido de investigação. Afinal, nada aparentemente mais natural que deputados visitando em São Paulo o escritório de um conhecido criminoso, em horário de expediente, quando deveriam estar trabalhando em Brasília.

A tolerância com malfeitos beira a indiferença e não se limita ao Congresso Nacional.

Na terça-feira, 27 de maio, a deputada Aline Corrêa, uma das mais assíduas visitantes de Youssef, participou tranquilamente de um almoço com a presidente Dilma Rousseff, organizado para oficializar o apoio do PP à reeleição da petista. Dos seis parlamentares flagrados pelas câmeras, cinco são do PP.

Sobre as visitas frequentes ao doleiro, Aline Corrêa tinha a resposta na ponta da língua caso algum curioso perguntasse.

“Eu conheço o Youssef há tempos. Para mim, ele era só um empresário”, dizia a deputada, filha do mensaleiro Pedro Corrêa, outro que costumava frequentar o bunker até ser recolhido à prisão por ordem do Supremo Tribunal Federal.

Há exemplos de descaso ético ainda piores. Na quart­a-feira, 28, o ex-ministro Mário Negromonte (PP), outro freguês do doleiro, foi escolhido como conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) da Bahia.

Por indicação do governador Jaques Wagner, do PT, Negromonte, acredite, será a partir de agora fiscal da boa aplicação do dinheiro público nas cidades baianas. Nada mais apropriado para um político enredado no maior caso de corrupção do momento.

Outros deputados que mantinham laços com o doleiro – como os paranaenses André Vargas (ex-PT, hoje sem partido) e Nelson Meurer (PP), o baiano Luiz Argôlo (ex-PP, hoje no Solidariedade), o alagoano Arthur Lira (PP) e o catarinense João Pizzolatti (PP) – simplesmente se fingiram de mortos.

A estratégia deles é ficar em silêncio e não chamar atenção até que algum escândalo novo apareça – tática diferente da adotada pelo senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), destinatário de depósitos bancários de 50 000 reais cujos comprovantes foram encontrados pela polícia sobre a mesa de Youssef.

Reportagem de VEJA que revelou os visitantes do doleiro Alberto Youssef (Foto: Reprodução/VEJA)

Reportagem de VEJA que revelou os visitantes do doleiro Alberto Youssef (Foto: Reprodução/VEJA)

Em discurso na tribuna do Senado, Collor chegou a ponto de se apresentar como uma vítima inocente.

A lista de partidos na rede de Youssef tem mais um representante famoso. Assessor especial do Ministério do Trabalho, o advogado João Graça era outra presença constante no escritório do doleiro, de acordo com os registros da portaria. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

02/06/2014

às 17:57 \ Política & Cia

Em Brasília, adesivos contra Dilma recebem os dois “ll” de Collor

Adesivo

No Congresso, é distribuído um adesivo com a mensagem bem clara (Foto: VEJA)

 

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

CONTRA TUDO

A campanha presidencial já está literalmente nas ruas.

Em Brasília, muitos carros circulam com o adesivo “Fora Dilma”.

Detalhe: Dilma ganhou duas letras “l” coloridas, referência ao senador Fernando Collor, que, numa solenidade recente, foi fotografado beijando a mão da presidente. (Veja a foto neste post.)

O adesivo prega ainda o “Fora Agnelo”, o governador da capital, que também vai tentar a reeleição. A distribuição do adesivo é feita dentro do Congresso Nacional.

02/06/2014

às 15:10 \ Política & Cia

ELEIÇÃO 2014: Vejam porque refluiu o movimento “Volta, Lula”

O passado não condena: por quarenta segundos a mais de propaganda eleitoral, Dilma estendeu a mão ao PTB do senador Fernando Collor (Foto: Joel Rodrigues/Folhapress)

O passado não condena: por quarenta segundos a mais de propaganda eleitoral, Dilma estendeu a mão ao PTB do senador Fernando Collor (Foto: Joel Rodrigues/Folhapress)

Uma pesquisa mostra que o potencial eleitoral do ex-presidente é, tecnicamente, quase igual ao de Dilma. Isso explica por que o movimento “Volta, Lula” morreu e por que Dilma aceita apoio até de tipos como Collor

Reportagem de Daniel Pereira publicada em edição impressa de VEJA

Fazia tempo que as pesquisas não traziam boas notícias para a presidente Dilma Rousseff. Recentemente, elas mostraram queda nas intenções de voto na candidata à reeleição, crescimento dos dois principais rivais oposicionistas e aumento da chance de a disputa ser decidida em segundo turno.

Dilma vivia acuada pelos números. Eram eles que alimentavam os conspiradores do “Volta, Lula”.

Eram eles também que levavam os partidos a adiar o anúncio de apoio à reeleição. O mais recente levantamento do Ibope estancou essa sangria e serviu de alento à presidente.

O instituto confirmou a ascensão do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-governador Eduardo Campos (PSB) – que subiram para 20% e 11%, respectivamente – e a possibilidade crescente de segundo turno. Mas, ao sair a campo logo depois da propaganda partidária do PT, detectou que Dilma não só parou de cair como passou de 37% para 40% nas intenções de voto.

Os assessores presidenciais festejaram ainda o fato de o ex-presidente Lula não ter tido um desempenho muito melhor que o de Dilma. Contra os mesmos adversários, ele amealhou 7 pontos porcentuais a mais do que a sucessora. Essa situação tenderia a calar de vez os defensores de uma nova candidatura do petista.

O segredo — para o ex-presidente Lula, constrangimento é sentimento menor: "Esquece, sai na urina" (Foto: Carlos Silva/Imapress)

O SEGREDO: para Lula (na foto, com o senador Jader Barbalho, do PMDB do Pará, objeto de vários processos na Justiça e que já foi até preso e algemado pela Polícia Federal), constrangimento é sentimento menor: “Esquece, sai na urina” (Foto: Carlos Silva/Imapress)

Tanto o Ibope como o mais recente Datafolha, o primeiro instituto a registrar que Dilma parara de cair, deram à presidente um pouco de fôlego na corrida eleitoral. Mas nem de longe desenharam um cenário róseo para ela.

Dilma ainda mantém o maior índice de rejeição e o menor potencial de crescimento, na comparação com Aécio Neves e Eduardo Campos.

É por isso que ela aposta todas as fichas para montar a maior coligação eleitoral desde a redemocratização e, assim, conquistar o maior tempo na propaganda eleitoral de rádio e TV. A meta é assegurar à presidente o dobro do tempo reservado aos oponentes, custe o que custar. E o custo, como se sabe, não tem sido baixo.

Dilma abandonou o figurino da faxineira ética, deixou de lado a aversão a convescotes com políticos e passou a se dedicar gostosamente ao flerte com figuras notórias da República. Ela já recebeu o apoio do PTB, do deputado cassado e mensaleiro preso Roberto Jefferson, num almoço realizado na sede do partido. Estavam à mesa, entre outros, os senadores Fernando Collor de Mello e Gim Argello.

Collor teve o mandato presidencial cassado depois de uma CPI capitaneada pelo PT, à época na oposição e adversário aguerrido da corrupção.

Já Argello foi indicado recentemente por Dilma para o Tribunal de Contas da União, mas não assumiu o cargo porque os próprios ministros do TCU, cientes de sua fama no trato com a coisa pública, avisaram que não dariam posse a ele.

Dilma indicou Argello a pedido do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Foi uma espécie de pagamento à vista. Em troca, ela esperava que Renan dificultasse a instalação da CPI da Petrobras e, quando isso ocorresse, a mantivesse sob rigoroso controle do governo. Dito e feito. Para garantir o apoio do PMDB à reeleição, Dilma e Lula têm feito concessões a caciques do partido.

Se depender dos dois, o PT trabalhará pelas candidaturas do deputado Renan Filho e de Helder Barbalho aos governos de Alagoas e do Pará. Helder é filho do deputado Jáder Barbalho, que já foi preso sob a acusação de desviar recursos públicos. Os petistas apoiarão Helder porque foram enquadrados pessoalmente por Lula.

Dilma também negocia com o senador Alfredo Nascimento, que foi demitido por ela do cargo de ministro dos Transportes, em 2011. A presidente quer o apoio do PR, presidido por Nascimento e comandado, na prática, pelo mensaleiro preso Valdemar Costa Neto.

Quando estouravam denúncias contra seu governo, Lula dizia:

– Esquece, sai na urina.

Com a reeleição ameaçada, Dilma parece ter aprendido essa lição.

18/05/2014

às 19:00 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN: Baderneiros pró-governo atrapalham o governo, quem pagará pela greve na Polícia Federal, Lula e Dilma apoiando Collor e o filho de Renan em Alagoas… E assim vai o Brasil

MTST

Guilherme Boulos, que é tão carinhoso com a presidente Dilma, em um dos protestos-baderna do MTST (Foto: Folha de S. Paulo)

Notas da coluna de Carlos Brickmann publicadas neste domingo em vários jornais

Carlos Brickmann… y te sacarán los ojos, diz o provérbio espanhol.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, MTST, que lidera tumultos, é ligado ao PT.

Seu líder, Guilherme Boulos, tem no ministro Gilberto Carvalho um amigo; Dilma se deixa fotografar abraçada a ele.

E é ele que ameaça impedir a Copa se suas reivindicações não forem atendidas agora, sejam legais ou não. Na lei ou na marra.

Não faz sentido: quem não quer a Copa são grupos contrários ao governo, que buscam desgastá-lo. O governo quer a Copa (e está certo – é um compromisso do país, não de Lula e Dilma; os gastos já foram feitos e é hora de colher o retorno, mesmo que pequeno).

Será a prova de que tem condições de atingir suas metas. Como entender que governistas radicais, que consideram fascista quem quer que não acredite que o PT comanda as melhores administrações que já houve no mundo, melhores até que a de Cuba, prejudiquem seus ídolos maiores?

Parece incrível, mas tem lógica. No Chile, o Movimiento de Izquierda Revolucionaria, MIR, chefiado por um sobrinho do presidente Allende, fez o que pôde para realizar e radicalizar as propostas do governo. No Brasil, cabos e sargentos, liderados pelo Cabo Anselmo (que mais tarde mudaria de lado, mas naquela hora pensava como o governo), buscavam aprofundar as reformas propostas pelo presidente Goulart.

O cunhado de Goulart, Leonel Brizola, dava-lhe total apoio: “Reformas na lei ou na marra”.

Deu errado: estes movimentos enfraqueceram Allende e Goulart. Mas quem não aprende com a História irá sempre repeti-la.

É proibido…

O Superior Tribunal de Justiça, a pedido da Advocacia Geral da União, proibiu greves na Polícia Federal.

Proibiu também o recurso à “operação padrão” – um tipo de greve tipicamente brasileiro, em que o funcionário cumpre rigorosamente a lei e, portanto, tudo anda mais devagar que discurso do senador Suplicy. Temia-se que a Polícia Federal entrasse em greve bem na época da Copa. O desrespeito à decisão judicial custará R$ 200 mil diários de multa.

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A Polícia Federal está proibida de entrar em greve, mas o que fazer caso entre é um mistério (Foto: Agência Brasil)

…e daí?

Só há dois problemas:

a) se a Polícia Federal entrar em greve, “contra a decisão de seus sindicatos e da Federação”, de quem cobrar a multa?

b) E, claro, mesmo que a multa seja cobrada, quem irá pagá-la? Que entidade sindical já pagou as multas devidas por desrespeito a ordens referentes a greves?

Ninguém imagina que, irritados com a proibição, alguns delegados lancem operações que deixem mal o governo, como aquela que atingiu Rose Noronha ou esta, que expôs a Petrobras.

Como diria o padre Quevedo, isto não ekziste.

O passado absolvido

O ex-presidente Lula e a presidente Dilma comandam o PT nos palanques de Renan Calheiros Filho, candidato a governador de Alagoas, e Fernando Collor de Mello, a senador.

Quando presidente, Collor usou uma camiseta com a frase “O tempo é senhor da razão”.

Hoje, usaria “O tempo é senhor da absolvição”.

03/05/2014

às 18:00 \ Política & Cia

Em seis eleições presidenciais, houve duas viradas. Há números, na deste ano, que são muito perigosos para Dilma. Confiram

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CLIQUE NA ILUSTRAÇÃO PARA VER MELHOR: se o padrão das últimas seis eleições se mantiver, Dilma ainda leva vantagem. No entanto, é importante considerar as reviravoltas (Arte: revista VEJA)

O histórico das disputas presidenciais reforça o favoritismo de Dilma, mas outro importante indicador aponta na direção contrária: a queda na aprovação de seu governo a situam perigosamente próxima do limiar a partir do qual a reeleição se torna muito difícil

Reportagem de Pieter Zalis publicada em edição impressa de VEJA

O Brasil teve seis eleições presidenciais desde a redemocratização.

Em quatro delas, o candidato que liderava as pesquisas em abril chegou em primeiro lugar seis meses depois.

As exceções foram Lula em 1994, que perdeu para Fernando Henrique Cardoso graças ao sucesso do Plano Real, e Dilma Rousseff em 2010, que se aproveitou da popularidade recorde de seu antecessor para virar o jogo sobre José Serra.

Como não há no horizonte planos fabulosos nem (ao menos no caso dos adversários da presidente) padrinhos imbatíveis, o histórico das disputas sugere que Dilma, liderando na mais recente pesquisa do Datafolha, tem boas chances de ser reeleita em outubro.

Além da intenção de voto, porém, há outro número a levar em conta. E esse faz o vetor da presidente girar no sentido contrário: a aprovação de seu governo.

Em cinco meses, ela caiu 9 pontos e chegou a 34%, segundo o Ibope – muito distante dos 63% de que gozava em março de 2013, antes dos protestos de junho. O Datafolha mostra apoio um pouco maior: 36%. Mas as duas pesquisas levam à mesma conclusão: Dilma está perigosamente próxima do limiar a partir do qual a reeleição se torna muito difícil.

Um estudo do Instituto Análise, conduzido pelo cientista político Alberto Carlos Almeida, comparou as avaliações dos políticos com os resultados de 104 eleições para governador no Brasil, de 1994 a 2010. Quando o índice de eleitores que consideram a administração ótima ou boa fica abaixo de 34%, a probabilidade de reeleição é nula.

No outro oposto, aqueles que tinham uma aprovação acima de 46% foram todos reeleitos. Eleições não são uma ciência exata, mas há que lembrar, por exemplo, que, em 2012, o matemático Nate Silver acertou os resultados da disputa entre Barack Obama e Mitt Romney em todos os cinquenta Estados americanos a partir de análises de pesquisas e estatísticas.

Pode-se argumentar, a favor da candidata Dilma, que FHC e Lula, quando reeleitos, tinham índices de aprovação semelhantes aos dela a seis meses da votação. O que diferencia os cenários, no entanto, são as perspectivas futuras.

O tucano tinha a estabilidade econômica como trunfo. O petista havia passado pelo pior do mensalão e começava a recuperar a popularidade. Para Dilma, o horizonte é nebuloso. Diz o cientista político Rubens Figueiredo: “Ainda não há um eixo no qual os eleitores possam se alinhar. Tudo está em aberto”.

Dias recentes ofereceram uma boa mostra do que ainda pode vir. No campo da imagem do país no exterior, assunto que afeta diretamente a candidata do PT, registraram-se: novos protestos contra a Copa do Mundo, greve policial na Bahia com sessenta mortes em dois dias e cenas de vandalismo em Copacabana depois da morte de um dançarino que teria sido assassinado por policiais.

No campo político, as notícias tampouco foram boas para o governo: o Supremo Tribunal Federal deu aval para uma CPI sobre a Petrobras, o que deve aprofundar a crise de corrupção na estatal. Por fim, na economia, pesquisas mostraram que ao menos 65% dos eleitores acreditam que a inflação vai aumentar e 72% pensam que o país precisa mudar.

O potencial de crescimento dos principais adversários de Dilma é outra ameaça para ela. Só 60% dos eleitores ouviram falar do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. No caso de Eduardo Campos, do PSB, foram 75%. [Ou seja, ambos têm bom terreno para progredir, à medida em que eles, suas críticas e suas propostas se tornarem conhecidos.]

Restam seis meses para as eleições e a presidente ainda desponta como favorita. Mas está longe de poder dormir sossegada.

24/04/2014

às 19:47 \ Política & Cia

STF absolve Collor de acusações de desvio de dinheiro que teria acontecido durante sua presidência

Ex-presidente e atual senador, Fernando Collor de Mello é absolvido mais uma vez pelo STF (Reprodução TV Senado)

Do site de VEJA

Corte livrou o ex-presidente de três acusações e alegou falta de provas. Ele já respondeu a 14 inquéritos no Supremo e nunca foi condenado

Quase 22 anos depois de o país protagonizar o principal capítulo da recente história da democracia brasileira, aprovando o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, o Supremo Tribunal Federal (STF) colocou um ponto final no último processo a que o atual senador alagoano respondia por irregularidades no período em que ocupou o Palácio do Planalto.

Por unanimidade, o STF considerou não haver provas suficientes para condenar o parlamentar pelo crime de peculato (uso do cargo público para desvio de recursos). Denunciado ainda por corrupção passiva e falsidade ideológica, Collor também não será punido por esses ilícitos porque a Corte considerou que o caso estava prescrito.

Com a prescrição – os fatos criminosos datam de 1991 e 1992 e só foram julgados em 2014 – o Estado perde o direito de condenar o réu.

No derradeiro processo a que o senador alagoano e ex-presidente da República responde por fatos relacionados aos 930 dias em que exerceu poderes presidenciais, o Ministério Público o acusava de liderar uma rede de corrupção e distribuição de benesses com dinheiro público na época em que ocupou a Presidência.

O esquema consistia em cobrar propina de empresários para, por meio de fraudes, permitir que corruptos saíssem vencedores em licitações para a contratação de serviços de publicidade. De acordo com a acusação, Collor utilizava prepostos para extorquir dinheiro dos empresários e dava instruções para que o propinoduto circulasse por meio de contas bancárias de pessoas fictícias ou de “laranjas”.

Os recursos seriam então utilizados por ele e seus comparsas para quitar faturas de cartão de crédito, empréstimos bancários, despesas de hotéis e até a pensão que o ex-presidente pagava para o filho fora do casamento que teve enquanto era prefeito de Maceió.

“A despeito pela versão da acusação, os depoimentos e documentos acostados aos autos não apresentam elemento de convicção para a formação de juízo de certeza, faltando prova irrefutável para demonstrar materialidade e autoria”, afirmou a relatora do caso, ministra Cármen Lúcia.

Ministros criticam a peça de acusação

No julgamento, os ministros do STF fizeram duras críticas à peça de acusação feita pelo procurador da República Luís Wanderley Gazoto no ano 2000 e ainda na 1ª instância.

Para os magistrados, a denúncia não listou provas da culpabilidade de Collor e ainda alterou o teor de depoimentos de testemunhas e informantes (testemunha que não assina compromisso de dizer a verdade), comprometendo a credibilidade do processo.

Para o STF, não houve evidências suficientes para se ter certeza de que Collor praticou os crimes de que é acusado. Não estava anexado, por exemplo, quais contratos de licitação teriam sido corrompidos. As testemunhas também deram versões diferentes na fase de depoimento policial e quando questionadas pelo juiz.

“Os autos não tem os contratos de publicidade, as licitações também não estão listadas. Falta o elemento mínimo probatório. Em nenhum momento se narra qualquer conduta especifica atribuída a Collor, ou nenhuma ação com propósito de interferir na licitação, não há narrativa de conduta nenhuma”, disse o advogado de defesa de Collor, Rogério Marcolini.

Na tentativa de convencer os ministros da culpabilidade de Collor, a vice-procuradora-geral da República Ela Wiecko defendeu que os ministros aplicassem a controversa Teoria do Domínio do Fato, doutrina em que se prevê que um réu pode ser condenado quando, pelo cargo que ocupa, tem ciência da prática dos crimes e poderes para influenciar e paralisar a atividade ilícita.

“A denúncia imputa a Collor a coautoria e só podemos considerar isso com a Teoria do Domínio do Fato. Não há nenhuma assinatura posta pelo então presidente, ou retirada direta pessoal [de dinheiro]. Isso é feito através de interpostas pessoas por meio de contas fantasmas a partir de licitações fraudadas”, disse a representante do Ministério Público.

“É triste, não só para o Ministério Público, mas principalmente para a sociedade brasileira, (…) que num passe de mágica tudo isso acabe em uma absolvição e que isso não é crime de peculato. É aterrador como se desvia recursos públicos nesse país. São sucessivos desvios públicos que continuam assolando o país”, completou ela.

“Só tem o domínio do fato quem tem conhecimento do fato e é dever do Ministério Público provar que [o réu] conhece [os crimes]. Essa denúncia não é um primor de denúncia”, criticou a relatora. “A versão do MP revela contornos de conjectura insuficientes para a condenação. O interesse do estado é julgar, e não condenar necessariamente ou dar resposta a um anseio de vingança que eventualmente possa existir”, completou a ministra Cármen Lúcia.

“Para condenação exige-se certeza, não basta probabilidade. E no caso, a dúvida prevalece em favor do acusado”, disse.

A denúncia contra Fernando Collor foi aceita pela justiça de 1ª instância no ano 2000 e chegou ao STF em 2007, após o político ter tomado posse como senador e ter conquistado o direito a foro privilegiado. Ficou parado quase dois anos no gabinete do antigo relator Carlos Alberto Menezes Direito e desde 2009 estava sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia.

Ao final da sessão plenária, o presidente do STF Joaquim Barbosa afirmou que a prescrição de crimes, como no caso de Collor, são um “retrato de como funciona a justiça criminal brasileira” e disse que “tropeços” e “dificuldades” atrasam a conclusão dos casos.

O caso – Em um dos episódios de pagamento de propina descritos pelo MP, o empresário Chucre Said, sócio da SR Publicidade e Promoções Ltda, declarou ter sido procurado por Osvaldo Sales, então adjunto da Secretaria Particular da Presidência e “testa-de-ferro” de Collor.

Os recursos arrecadados com a propina empresarial eram, ao final, utilizados para pagamentos de despesas pessoais de Collor, Osvaldo Sales e do advogado Claudio Vieira, então secretário particular do presidente.

Em dezembro de 1992, quando Collor foi absolvido pelo Supremo no principal processo a que respondeu por participação no esquema PC Farias, a maioria dos ministros considerou que não havia provas de que o ex-presidente tivesse praticado “ato de ofício” que confirmasse os crimes, ou seja, que não havia evidências de que ele tivesse solicitado, aceitado ou recebido benefícios do corruptor e oferecesse algo em troca ao alcance das atribuições do seu cargo, o chamado “ato de ofício”.

Naquela época, foi comprovado, entre outros episódios, que o célebre Fiat Elba de Collor havia sido comprado com dinheiro levantado do esquema PC Farias, mas o Supremo considerou que faltava registro da retribuição do ex-presidente ao presente recebido.

Com o recente julgamento do mensalão, porém, a interpretação da Corte sobre o ato de ofício e o crime de corrupção ficou mais clara, já que o artigo 317 do Código Penal, que descreve o crime de corrupção passiva, não exige que o agente público tenha praticado o ato criminoso em si, prevendo que a corrupção já se caracteriza quando existe a simples solicitação da vantagem indevida.

Desde que deixou a presidência da República, Fernando Collor de Mello respondeu a 14 inquéritos no STF, oito petições criminais, quatro ações penais e constava como parte em mais de duas dúzias de habeas corpus. Na Corte, saiu ileso em todos os casos.

 

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