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Fantástico

29/11/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Além do que contou ao “Fantástico”, Xuxa tem outra história — do assédio sexual que sofreu de um general graduado, durante a ditadura. Confira

Xuxa durante a entrevista ao “Fantástico” em que revelou ter sofrido abusos sexuais até os 13 anos de idade (Reprodução Rede Globo)

Post publicado originalmente a 21 de maio de 2012

A grande repercussão da entrevista no Fantástico em que Xuxa contou dos abusos sexuais que sofreu quando adolescente – inclusive do melhor amigo do pai — me fez recordar de um caso na mesma linha que ela contou na entrevista principal da edição de agosto de 1996, celebrando o 21º aniversário de Playboy, revista de que eu era diretor de Redação.

A longa e reveladora entrevista foi realizada pelo jornalista Guilherme Cunha Pinto, o “Jovem Gui”, profissional de primeiríssima, dos melhores com que convivi, e amigo querido, que teve morte precoce e absurda, naquele mesmo ano. E traz um episódio grave, ocorrido durante a ditadura. Xuxa ainda não tinha 18 anos quando sofreu assédio sexual de um general graduado, num episódio que incluiu limusine posta à disposição e vigia na porta de um hotel.

Leia o trecho da entrevista sobre esse episódio:

 Ingênua do jeito que era, como você enfrentou o assédio que deve ter acontecido depois que virou sex symbol? Houve inclusive um episódio dramático em Cleveland, nos Estados Unidos, que até hoje nunca ficou muito bem explicado. Como foi aquilo?

XUXA — Fui chamada para fazer umas fotos nos Estados Unidos, em janeiro ou fevereiro de 1980. Lembro da data porque estava para fazer 18 anos. Meu pai teve de assinar uma autorização, uma pessoa levou o contrato até em casa, no Grajaú, depositaram no banco 50% do valor e eu viajei.

No avião conversei com um militar brasileiro que me perguntou o que eu ia fazer em Cleveland. Disse que ia fotografar e ele estranhou. Me deu um cartão com o telefone dele e o nome de uma secretária. Falou: “Se precisar de alguma coisa, entre em contato comigo.” Cheguei e tinha uma limusine me esperando, com um motorista brasileiro. Eu estava toda feliz na limusine, pulando de um banco para o outro.

Falei alguma coisa com o motorista e ele perguntou: “Você sabe por que está aqui?”

Respondi: “Vou fotografar.”

Ele riu: “Te disseram que é pra fotografar? Olha, é bom saber: acho que não é isso não.”

Fiquei com um pouco de medo, mas estava me divertindo tanto… Chegando no hotel, ele perguntou se eu queria alguma coisa, e comprei um monte de pipocas, de vários sabores, e muitos doces. Quando cheguei ao quarto, tinha um guarda na porta, fardado.

O motorista disse: “Pronto. Está entregue.”

Me explicou que eu iria receber uma visita às 4 da tarde e que não poderia sair até lá. O guarda ficou do lado de fora, sem dizer uma palavra. Eu queria tomar banho, mas não achava a água quente. Abri a porta, para ver se o homem me ajudava, mas ele não se mexia. Eu disse: “O senhor não pode entrar pra arrumar o meu chuveiro? O senhor fala português?”

O motorista acabou me ligando para me alertar que não haveria foto nenhuma e que um militar graduado iria entrar no quarto. Comecei a chorar, desesperada, mas não consegui ligar para a minha família no Brasil. Estava num terceiro andar. Pensei: “Meu Deus, vou pular daqui!”

Aí me lembrei de ligar para aquele outro militar, que tinha me dado o cartão no avião. No cartão tinha o nome da secretária, Bárbara. Liguei e ela atendeu: “Bárbara?”, perguntei. Ela disse: “É.” Comecei a chorar: “Pelo amor de Deus…” Ela perguntou a minha idade. Eu disse: “Quase 18.” Ela falava: “Calma, Calma.”

Em 1980 estávamos no fim da ditadura. Hoje, passados dezesseis anos, você pode dizer o nome desse militar que chegaria às 4 da tarde em seu quarto?

XUXA — Não tive contato com essa pessoa. Não sei se o motorista falou o nome certo. Não posso falar uma coisa que não tenho certeza.

Mas era uma pessoa ligada ao governo do então presidente João Figueiredo?

Como assim, uma pessoa do governo? Era um militar. E foi um outro militar que me tirou de lá…

Sim, o governo estava cheio de militares. Esse que ia chegar [a seu quarto] era ministro?

Bá, não vou dizer o nome. Era um militar.

Do alto escalão?

Alto escalão, mesmo. Cheio de estrelona.

Está vivo?

Não sei. [Rindo, com ar impaciente.] Não sei se está vivo. Não vou falar mais sobre isso.

 

Leia também:

Histórias secretas de Playboy (4): o dia em que Pelé foi, pessoalmente, recolher todas as fotos de Xuxa nua

Vídeo: Xuxa explica porque retirou do mercado filme em VHS em que aparece nua

Publicidade em Flashback: Pelé e Xuxa em comercial de uma imobiliária

 

04/11/2014

às 12:00 \ Disseram

Ela tinha permissão

“Foi com autorização do pai!”

Poliana Abritta, nova apresentadora do Fantástico, ao falar sobre a tatuagem na perna que exibiu em sua estreia no programa, que ela disse ter sido feita aos 14 anos

29/10/2013

às 19:50 \ Política & Cia

O DEBATE SOBRE BIOGRAFIAS: Leitora do blog resume de forma genial a “mudança de posição” de Roberto Carlos

Roberto CArlos  Philippe Lima  AgnewsAmigas e amigos do blog, o melhor comentário que ouvi — de longe — sobre a entrevista de Roberto Carlos ao Fantástico, da Rede Globo, a respeito da questão das biografias não autorizadas é a da sempre presente leitora Vera S. (não publico o sobrenome porque não a consultei antes).

Comentário tão curto quanto genial:

– Pelo que entendi  da entrevista com o Rei, ele é favorável à publicação de biografias não autorizadas desde que elas sejam autorizadas.

28/10/2013

às 19:45 \ Política & Cia

BIOGRAFIAS: Ao dizer que é a favor das biografias não autorizadas de personagens públicos, Roberto Carlos, na prática, mostra que continua contra

Roberto Carlos: sua posição "a favor" das biografias não autorizadas é tão complexa que, bem examinada, acaba sendo mesmo contra (Foto: extra.globo.com)

Roberto Carlos: sua posição “a favor” das biografias não autorizadas é tão complexa que, bem examinada, acaba sendo mesmo contra (Foto: extra.globo.com)

Vejam parte das famosas declarações de Roberto Carlos ao Fantástico, da Rede Globo, que vêm sendo apresentadas como uma mudança de posição do músico em relação à virtual censura de biografias não autorizadas de personagens públicos, que, na prática, não apenas defendeu como já exerceu:

— Temos que conversar, discutir e chegar a uma conclusão que seja boa para todo mundo. O jurista tem que estudar muito bem e estabelecer algumas regras que protejam o biografado. Tem que fazer alguns ajustes para que essa lei não venha a prejudicar nem o biografado nem o biógrafo. Que não fira a liberdade de expressão e o direito à privacidade — disse ele.

Mais adiante, na mesma entrevista a Renata Vasconcellos, ele continua:

Renata: Você permitiria a biografia que foi feita a seu respeito há alguns anos [ela se refere ao livro Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo César de Araújo, que, por acordo com a editora que o publicou, a Planeta, feito após ações judiciais impetradas pelo músico, teve toda a edição recolhida]?

Roberto Carlos: Isso tem que ser discutido.

(…)

Roberto Carlos: O biógrafo também pesquisa uma história que está feita. Que está feita pelo biografado. Então ele na verdade ele não cria uma história. Ele faz um trabalho e narra aquela história que não é dele. Que é do biografado. E partir do que ele escreve, ele passa a ser dono da história. E isso não é certo.

Renata: Por uma questão também comercial?

Roberto Carlos: Por tudo.

Ou seja, Roberto Carlos acha que tem que ser “discutido” o direito indiscutível, perante a Constituição, de Paulo César ter seu livro circulando como deveria, considera necessário “regras” para “proteger o biografado” (quando já existem leis que punem severamente a injúria, a difamação e a calúnia eventualmente praticada por biógrafos) e que é preciso “conversar, discutir e chegar a uma conclusão” que “seja boa para todo mundo” e entende que “não é certo” que o os biógrafos, que às vezes investem cinco, seis, dez anos de trabalho na produção de um livro, sejam donos da própria obra.

A Constituição garante a liberdade de expressão, e com ela o direito dos brasileiros a conhecerem sua história, em boa parte contada por biografias. E a legislação pune biógrafos que cometam excessos — tanto no campo criminal como no campo civil (indenizações).

Resumindo: Roberto Carlos não mudou nada. Falou, falou, fez uma certa média com a opinião pública — mas, na prática, não arredou pé de sua postura censória.

02/09/2013

às 11:10 \ Política & Cia

A ESPIONAGEM A DILMA: ela não gosta, o governo não gosta, os cidadãos não gostam, eu também não. Mas é infantil achar que a presidente de um país como o Brasil não seja alvo de xeretagem por parte dos EUA

A sede da NSA em Fort Meade, Maryland, a 48 quilômetros de Washington: todo o complexo de prédios contém vários subsolos, e é revestido por uma camada de cobre para impedir escuta eletrônica (Foto: forbes.com)

Depois de ficar de cabelos em pé pé com as informações divulgadas no começo de julho pelo jornal O Globo segundo as quais a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) andou espionando o Brasil, agora chegou a vez do compreensível estardalhaço diante da reportagem do Fantástico de ontem segundo a qual a coisa chegou até o ponto de monitorarem o esquema de comunicações da presidente Dilma Rousseff.

Como cidadão brasileiro, é evidente que não gosto nem um pouco que o Brasil, seu governo, seus partidos políticos, suas empresas e/ou seus cidadãos sejam espionados por quem quer que seja. E é compreensível que o governo brasileiro esteja irritado, que o ministro da Justiça fale de algo “inadmissível”, que Brasília peça explicações a Washington ou reclame na ONU.

Para quem não sabe direito a diferença entre essa agência que espionou o Brasil e Dilma e outros órgãos de bislhotagem dos EUA, principalmente o mais famoso deles, a CIA, a NSA, diferentemente da CIA, é um órgão das Forças Armadas e é ligada diretamente ao Pentágono, o Departamento de Defesa. Dispondo de um gigantesco e sofisticado volume de equipamentos que vão de satélites em órbita até os mais avançados sistemas computadorizados de decifrar criptografia, seu objetivo é monitorar comunicações em todo o planeta,

Agora, pergunto aos amigos do blog, como já fiz anteriormente: vocês acham que só a NSA espiona o Brasil?

Vocês acham que, sendo o Brasil um grande país emergente — apesar da nossa tradicional bagunça e do desgoverno que nos aflige –, desfrutando da enorme importância estratégica que tem, não é espionado, por diferentes formas (eventualmente por espiões propriamente ditos), por governos como os da Rússia ou da China, ou mesmo de governos párias como o Irã dos aiatolás atômicos ou a ditadura dos irmãos Castro em Cuba? Ou, de alguma forma (não necessariamente espionagem militar, mas industrial, de patentes e outras), por países da União Europeia, como o Reino Unido, a França ou a Alemanha?

Como sabemos há séculos, países não têm amigos, têm interesses. Vejamos então por que o Brasil é um alvo “natural” — no mundo da realpolitik, não no mundo dos sonhos — de espionagem de quem quer que seja.

O país possui imensas riquezas naturais, conhecidas e também as ainda não totalmente mapeada por nós.

O país possui uma indústria de primeira linha, que perde em competitividade no mercado mundial não por falta de avanço tecnológico ou deficiência de gestão ou de mão de obra, mas pelo alto “custo Brasil”— o monstrengo da estrutura de impostos, a falta de infraestrutura (ferrovias, hidrovias, mais rodovias, portos, aeroportos), governo pesadão e burocrático que só atrapalha.

O Brasil exibe uma agroindústria de ponta em diferentes culturas — como a soja, ou a agroindústria sucro-alcooleira –, superando mesmo a de países como os Estados Unidos.

Como já lembrei anteriormente, temos, apesar de tudo, admiráveis centros de excelência em diferentes áreas — empresas, públicas ou privadas, como a Embraer, a Embrapa (alta e diversificada tecnologia agrícola), uma rede bancária superinformatizada, com eficiência superior à dos EUA e da maior parte dos países da Europa, entidades como o CPqD (ex-Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás, hoje uma fundação que desenvolve alta tecnologia no campo das comunicações), hospitais de renome internacional e institutos de pesquisas médicas avançadas, entidades como os Instituto Butantã e Biológico (de São Paulo) ou a Fundação Oswaldo Cruz (do Rio), o know-how da Petrobras em extrair petróleo em águas profundas, os conhecimentos na área de produtividade de soja, de aprimoramento genético do gado e de tecnologia de alimentos, sem excluir a área militar, com, por exemplo, o Centro de Instrução de Guerra na Selva (Sigs) do Exército, considerado o melhor do mundo em seu gênero etc etc.

O Brasil abriga uma sociedade inquieta, desigual e pulsante, cujos rumos políticos e sociais ninguém pode dizer que sabe quais serão.

O Brasil, entre outras regiões potencialmente explosivas — como lembrou meu amigo Caio Blinder, com a pertinência de sempre –, integra a Tríplice Fronteira, onde os Estados Unidos há tempos desconfiam de que há gente trabalhando para a rede terrorista Al Qaeda e para outros grupos terroristas que atuam no Oriente Médio, como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o Hezbollah, no Líbano.

O Brasil, além de sua incompreensível ligação “especial” com Cuba desde que o lulopetismo chegou ao poder, já afagou o regime de trevas do Irã, e mantém relações extremamente amistosas — amistosas até demais, diria — com regimes “bolivarianos” hostis, de forma frontal, aos Estados Unidos, como os da Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e mesmo a Argentina kirchneriana.

Obter informações sobre tudo isso vale ouro puro para uma superpotência como os EUA. Tudo isso pode ser (e provavelmente, é) alvo de algum tipo de espionagem por parte de vários outros países — seja espionagem científica, tecnológica, comercial, industrial, econômica ou sócio-política. É produto de ingenuidade quase infantil imaginar que não, num mundo em que todos espionam todos — basta ver a chiadeira recente sobre a espionagem de Washington sobre seus sólidos aliados da União Europeia, no contexto das negociações para criar uma área de livre comércio entre as duas partes.

Tudo isso assentado, quem seria, no Brasil, a pessoa alvo principal de espionagem, dos EUA ou de quem sejam?

O governador do Amapá? O prefeito de Rio das Ostras (RJ) ou de Cambará (PR)?

O deputado Tiririca? Um vereador do PSOL? Algum dirigente sem-voto de partidecos como o PCO?

Claro que não. É irritante, pode até ser encarado como um ato hostil, mas é perfeitamente natural — do ponto de vista da superpotência americana — que o alvo seja a presidente Dilma.

Ela não gosta, o governo não gosta, muitos cidadãos não gostam, eu, como brasileiro, também não gosto.

Mas só uma mentalidade de jardim de infância se surpreenderia com a notícia.

 

16/07/2013

às 16:30 \ Política & Cia

DROGAS: entendam a real posição de FHC a respeito do assunto. Não é nada de “liberou geral”

Feira sobre maconha em Amsterdã, na Holanda

Feira sobre maconha em Amsterdã, na Holanda

Amigas e amigos do blog, em razão da visível incompreensão manifestada por vários leitores diante do artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicado hoje no jornal O Globo e republicado pelo blog, defendendo a postura inovadora do governo do Uruguai em relação à maconha, repito aqui post com reportagem da Rede Globo que esclarece muito bem a posição de FHC em relação à questão.

O post foi originalmente publicado, com o título acima, a 26 de julho de 2011.

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Amigos, a impressionante reação dos leitores ao post Da droga para a lama: imagens chocantes mostram a destruição física de viciados — o recordista absoluto em número de acessos no blog até agora — provocou muitos comentários.

Em boa parte, leitores se referiram à posição que o ex-presidente Fernando Henrique tem adotado em relação ao problema.

Acredito que muitos dos leitores que criticam FHC não conhecem a complexidade do que ele propõe. O vídeo abaixo  resume com muita clareza a posição do ex-presidente sobre a questão das drogas.

É uma  reportagem de Sônia Bridi que foi ao ar no Fantástico da Rede Globo de 29 de maio passado, abordando o documentário Quebrando o Tabu, do cineasta Fernando Grostein Andrade, que tem como principal protagonista o ex-presidente, viajando pelo Brasil e por diferentes países para observar como se enfrenta o problema das drogas a partir da constatação de que a “guerra às drogas” decretada pelos Estados Unidos — e seguida mundo afora — em 1974 custou 1 trilhão de drogas, não resolveu o problema, aumentou o número de viciados e o consumo, e fez aumentar o crime e o número de mortos.

Compartilho plenamente das posturas de FHC e sou A FAVOR da descriminalização da maconha como um dos passos de uma nova política diante do problema drogas.

16/07/2012

às 20:03 \ Política & Cia

Rosane Collor: “Sou um arquivo vivo. Se acontecer algo comigo, o responsável maior será Fernando Collor”

Rosane Collor disse que se considera um arquivo vivo (Foto: Reprodução)

Rosane Collor disse que se considera um arquivo vivo (Foto: Reprodução)

Do Estadão

A ex-primeira dama Rosane Collor acusou o ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello de ter mentido durante a investigação sobre o esquema de corrupção no governo federal que culminou com seu impeachment, em 1992. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, exibida nesse domingo, 15, ele disse que o ex-marido e o tesoureiro de campanha Paulo César Farias mantinham encontros frequentes mesmo após sua posse em março de 1990.

“PC continuava tomando café da manhã uma vez por semana na Casa da Dinda e ele (Collor) dizia que não.” Na época das investigações sobre a corrupção, o então presidente disse em cadeia de rádio e televisão que não encontrava com PC Farias havia mais de dois anos.

Rosane, que prepara um livro de memórias da época, reclamou na entrevista do valor que recebe de pensão do ex-presidente e atual senador pelo PTB de Alagoas. Hoje, ganha R$ 18 mil mensais, valor que considera baixo “pela vida que ele (Collor) tem”. “Tenho uma amiga que se separou, e que o ex-marido não é ex-presidente ou senador da República, e tem pensão de quase R$ 40 mil.” Rosane e Collor foram casados por 22 anos e estão separados por sete anos.

A ex-primeira dama voltou a dizer que Collor participava de rituais na residência oficial do casal e que alguns eram para prejudicar aqueles que desejassem mal a eles.

Disse também que se considera um “arquivo vivo”. “Se algo acontecer na minha vida, o responsável maior será Fernando Collor de Mello.”

Procurado pelo programa, o senador afirmou que não iria comentar as declarações.

27/05/2012

às 12:07 \ Disseram

Xuxa: “na hora H eu vou cantar ‘tá na hora, tá na hora’?”

“Entre quatro paredes eu não penso em nada. As poucas pessoas que me conhecem falam ‘nossa, não sabia que você era assim’. Será que os caras acham que na hora H eu vou cantar ‘tá na hora, tá na hora’?”

Xuxa, em entrevista no Fantástico

12/05/2012

às 19:19 \ Tema Livre

A bela e competente Patrícia Poeta — segundo seu amigo Zeca Camargo

patrícia-poeta-lola2 (Foto: Murillo Meirelles / Divulgação / Lola Magazine)

Patrícia Poeta: "Pisa primeiro com o pé direito" (Foto: Murillo Meirelles / Lola Magazine)

(Perfil publicado na edição de abril de Lola Magazine, de 1 de abril de 2012, por Zeca Camargo)

 

SEM PERDER A TERNURA JAMAIS

 

Patrícia Poeta não se acomodou na certeza de que beleza é um trunfo na TV. Ela tem garra, tem instinto, tem inteligência, tem incansável capacidade de trabalho. Mas tem também doçura

Patrícia Poeta tem um defeito. Mas reconheço que essa não é a maneira mais elegante de começar um texto sobre uma grande amiga. Mesmo se ela não fosse a grande amiga que é, também não seria de bom tom começar falando assim de uma pessoa admirada e querida por milhões de brasileiros.

Nem mesmo se ela fosse apenas uma colega de trabalho: começar um perfil de uma colega de trabalho por esse ponto de vista seria, no mínimo, uma coisa “deselegante” (para citar uma outra colega de trabalho…). Então vamos deixar esse defeito lá para o final. E começar bem do começo: de sua estreia como apresentadora no Fantástico, pouco mais de quatro anos atrás. Totalmente por impulso, um segundo antes de entrarmos juntos no estúdio eu virei para ela e disse: “Pisa primeiro com o pé direito!”.

E ela me olhou com uma certa surpresa – talvez porque, do pouco que Patrícia me conhecia, já sabia que eu era uma das pessoas menos supersticiosas do planeta. Estávamos, como sempre, em cima da hora para entrar ao vivo para todo o Brasil, e meio por impulso também, ela me respondeu: “Claro! Pé direito pra começar!”.

Todos os ingredientes para conquistar o público

O sucesso que veio depois, claro, não dependeu desse “passo certo”. Patrícia já tinha todos os ingredientes para conquistar o público: credibilidade, simpatia, poder de comunicação, desenvoltura para a TV, beleza fenomenal (mais sobre isso daqui a pouco), sensibilidade e – talvez o mais importante de tudo – simplicidade.

Mas, na intimidade que construímos em quatro anos de intenso convívio, aquele momento virou uma espécie de segredo cifrado: o instante em que nos conectamos definitivamente e criamos uma atmosfera sensível e prazerosa, que definitivamente marcou sua passagem pelo “Fant” (como a gente chama carinhosamente o programa). E, quero acreditar, mudou para sempre a relação que o telespectador e a telespectadora tinham com a noite de domingo em casa.

 

patrícia-poeta-lola (Foto: Murillo Meirelles / Divulgação / Lola Magazine)

Patrícia, segundo Zeca: "Dona de um rosto quase incompreensível à mente humana" (Foto: Murillo Meirelles / Lola Magazine)

Num horário que historicamente o brasileiro reserva para a convivência familiar, o balanço da semana, a preparação para os próximos dias, a hora de apresentar um novo namorado, de anunciar um grande projeto para seus pais (ou seus filhos), a cerimônia da sagrada pizza (ou da reciclagem do almoço de domingo da mama, que sempre exagera acreditando na fome infinita de sua prole), o descanso junto a pessoas queridas -­­, enfim, nesse momento especial, Patrícia chegava para dar mais uma alegria à casa das pessoas. E com humildade.

O “obrigada por nos receber em sua casa” veio de improviso

Você certamente lembra de tê-la ouvido falar pelo menos uma vez a frase: “Obrigada por nos receber na sua casa”. Pensa que ela ensaiou isso? Veio de improviso, como, aliás, boa parte dos momentos memoráveis da televisão. E pegou não só todos nós – a equipe que fazia o programa com ela – mas também quem nos assistia de surpresa.

Se a aposta era em uma nova maneira de apresentar um programa e de se relacionar com as pessoas que assistem à TV, Patrícia já estava superando as expectativas. E os mesmos sorrisos que eu via ao nosso redor, ali no estúdio, eu tinha certeza de que se reproduziam também em milhões de casas por todo o Brasil.

O caminho a partir dali poderia ser muito fácil. Dona de um rosto quase incompreensível à mente humana, de tão perfeito, o triunfo de Patrícia poderia estar selado nessa estreia simpática e na certeza de que a beleza é trunfo na TV. Mas seria pouco para ela. Estou relutando aqui em usar a palavra ambição, já que ela muitas vezes traz conotações negativas.

Misto de instinto, inteligência e discernimento

Mas não encontro nada melhor para definir a garra com que Patrícia investia em suas reportagens. Não preciso desfilar uma seleção das suas boas entrevistas, isso você já tem na memória. Mas o que no ar parecia fácil, natural, foi sempre fruto de uma engenhosa elaboração: um misto de instinto, inteligência e discernimento.

Relendo o último parágrafo, mais uma vez me sinto frustrado com minha descrição. Parece dura, como se Patrícia Poeta fosse uma genérica heroína determinada de um daqueles romances em que obstáculos são vencidos para chegar a uma grande conquista. Se foi a impressão que dei, desculpe.

A minha heroína – a colega e amiga com quem trabalhei tão de perto por quatro anos – não tem nem de longe essa frieza. Pelo contrário, tem doçura, tem um questionamento sensato, tem uma dose de teimosia (que sempre é importante!), e mais uma característica imprescindível para sobreviver no cenário em que vivemos hoje, onde a notícia é consumida de maneira voraz e o espaço para mostrar um bom trabalho é sempre disputadíssimo: é incansável!

Uma rotina exigente

Sempre achamos graça quando as pessoas chegam para nós – nem sempre brincando! – e dizem: “Que vida boa… Vocês chegam lá domingo à noite, colocam roupa bacana, trabalham umas horinhas e o resto da semana é só descanso”. Quem dera, cara telespectadora, caro telespectador. Temos uma rotina de extrema dedicação no Fantástico. E usei a palavra dedicação justamente para que a descrição não pareça reclamação. Enfrentamos uma rotina exigente porque adoramos o Fant! Mas é impossível negar que, por vezes, temos que abrir mão de um lado pessoal em função disso.

Na sua nova rotina, no Jornal Nacional, as demandas são diferentes. “O Fantástico tinha sempre notícias mais leves e entretenimento para contrabalançar as reportagens mais fortes”, me conta Patrícia. “Mas agora, no JN, estou muito mais em cima do factual. Por isso, é inevitável ter outra postura.” Seus dias, pelo menos os da semana, são mais organizados: “Existe uma rotina muito clara de segunda a sexta que sei que tenho que cumprir”, ela explica.

Em compensação… os fins de semana agora são livres. E quem sai ganhando? A família, claro. “Meu filho não reclama mais que tenho que sair no meio do jogo de domingo para apresentar o programa”, diz ela, meio brincando. Sábados e domingos agora podem ser desfrutados com a família e amigos. Se sobrar tempo, dá até para assistir ao Fantástico! Porque aposto que tem horas que dá saudade…

 

patrícia-poeta-lola (Foto: Murillo Meirelles / Divulgação / Lola Magazine)

A apresentadora, agora: rotina dura de segunda a sexta, mas fins de semana livres (Foto: Murillo Meirelles / Lola Magazine)

Deve dar mesmo, porque, além do trabalho, que sempre exige muito da gente, nos divertíamos como bons amigos – e era comum passarmos naturalmente os limites da relação profissional. Nos momentos de desabafo que a proximidade nos permitiu, vi uma Patrícia mais digna ainda de admiração, com várias facetas. Vi uma mãe cuidadosa com seu filho – de quem recebe adoração recíproca -, sempre priorizando os encontros com ele. Vi uma mãe orgulhosa, que beiraria o clichê não fosse o tom ultrassincero e emocionado com que me mostrava (mais um) vídeo no telefone, mostrando progressos do filho no violão. É bom esse garoto, viu?

Vi uma irmã que se transformava em adolescente para falar da caçula da família e da falta que muitas vezes sentia do convívio que tiveram por anos, ainda em Porto Alegre. Vi uma esposa não só apenas carinhosa, mas também ávida por aproveitar o melhor da experiência profissional do marido também jornalista, numa simbiose que muitas vezes ela processava quase sem saber.

Vi uma filha fortemente conectada com os pais que moram longe e infinitamente atenciosa. Vi uma companheira de trabalho atenta aos problemas de colegas, mesmo quando eles não a procuravam diretamente. Vi uma mulher atenta às renovações que a evolução acelerada do jornalismo nos obriga a fazer hoje – aliás, tenho saudades das longas conversas pós-Fant, quando ela me dava uma carona e filosofávamos noite adentro sobre a natureza do que estávamos fazendo.

E vi sobretudo a Patrícia de quem eu gostava mais: a amiga extremamente disponível a ouvir este amigo aqui, quando questões fora ou dentro do trabalho ameaçavam tomar uma proporção maior do que mereciam.

Ela tem um defeito adorável

Essa era – e ainda é! – a “minha amiga Patrícia Poeta”, que foi tão importante para este “internacional Zeca Camargo”, como ela costuma me chamar numa gostosa provocação. (Raramente nos chamamos por um nome só, muito menos por apelidos – o “nome artístico” acaba funcionando como uma deliciosa ironia à admiração e à amizade que conquistamos.)

Pois é. E é essa Patrícia que tem um defeito!

Um defeito que agora, finalmente, acho que posso contar: Patrícia Poeta não consegue controlar o riso! Em mais de uma situação, durante uma gravação ou mesmo no programa ao vivo, passamos por bons apuros quando eu, sempre bem-humorado, fazia uma graça ou com ela, ou com algo que ela havia dito, ou com uma situação difícil que enfrentamos numa reportagem, ou com uma história que alguém do estúdio nos contava – ou mesmo com um convidado especial que tínhamos no programa.

O motivo da brincadeira era o de menos. O que eu queria sempre provocar ali era a deliciosa risada de Patrícia, mesmo sabendo que seria difícil contê-la pelos próximos 10, 15 e, às vezes, 20 minutos.

Ela mesma ao ler isso vai lembrar de alguns momentos e admitir que esse seu descontrole trazia uma imensa alegria ao estúdio e colaborava com um clima de descontração geral. Por isso mesmo, deve estar bem agora dando uma risada.

E fazendo alguém que tiver a sorte de estar perto dela mais feliz.

Quer defeito melhor do que esse?

12/05/2012

às 9:53 \ Disseram

Rita Lee, a vó do rock: “Eu sou bipolar, diagnosticada.”

“Eu sou bipolar, diagnosticada.”

Rita Lee, entrevistada por Zeca Camargo, no Fantástico.

 

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