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facções criminosas

17/12/2011

às 16:45 \ Política & Cia

Especialista adverte: “Os bandidos de farda são o maior mal na área de segurança pública”

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Claudio Beato: É hora de limpar a polícia (Foto: Sergio Dutti)

Não percam a excelente entrevista abaixo, que a jornalista Malu Gaspar fez com o sociólogo especialista em segurança pública Claudio Beato, publicada na edição de VEJA que está saindo hoje das bancas. 

Beato aborda assuntos fundamentais na área da segurança pública, como a existência de milícias, a a demora do Estado em agir contra o tráfico nos morros do Rio e a banda podre da polícia.

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É hora de limpar a polícia

O sociólogo mineiro Claudio Beato, 55 anos, tem se destacado como uma das mais sensatas vozes no debate da área à qual se dedica há mais de duas décadas, a segurança pública. Gosta de ir a campo para conhecer as experiências bem-sucedidas.

Já passou temporadas na Colômbia, no México e, mais recentemente, nos Estados Unidos, como professor visitante na Universidade Harvard.

Coordenador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais, nos últimos tempos Beato tem se dedicado a compreender as milícias (quadrilhas formadas por policiais e ex-agentes), fenômeno brasileiro com contornos próprios no Rio, onde esses bandos dominam vastos territórios espalhando o terror sob o abrigo da farda.

Há um clima de otimismo em relação às conquistas obtidas no Rio de Janeiro contra o crime organizado. Ele se justifica?

Devolver ao Estado e aos cidadãos o domínio sobre territórios há décadas subjugados pelo crime é um avanço inquestionável, e quem vive nessas favelas sabe disso melhor do que ninguém. Mas é preciso pôr a ocupação das favelas do Rio sob uma perspectiva mais realista, dando ao feito a dimensão correta.

Trata-se de um passo a ser festejado, um ótimo ponto de partida, mas não mais do que isso. Para fazer o crime refluir de verdade, será necessário mexer em pontos nevrálgicos, antigos nós da segurança pública fluminense ainda por desatar.

Que nós são esses?

É preciso empreender uma faxina na polícia do Estado, que figura entre as mais corruptas do país. A podridão não se limita às bases da corporação, mas está entranhada nos mais altos escalões.

A descoberta de que o mentor do assassinato de uma juíza era um tenente-coronel envolvido com grupos de extermínio ou a saída do país de um deputado sob ameaça de milícias são dois estarrecedores episódios que expõem o problema de forma inequívoca.

A limpeza na instituição deve ser implacável. Afinal, as quadrilhas formadas pelos bandidos de farda, esses que compõem as milícias, são, a meu ver, o maior mal a ser combatido na área da segurança pública — um fenômeno brasileiro que ganha contornos próprios no Rio de Janeiro.

O senhor está dizendo que as milícias são tão ou mais nocivas do que o próprio tráfico?

Isso mesmo. Assim como o tráfico, elas dominam bairros inteiros. Torturam, matam e expulsam as pessoas de suas casas. Infiltram-se também no dia a dia dos cidadãos, explorando serviços essenciais como transporte coletivo, água e gás.

Mas são ainda mais perigosas porque seus líderes operam de dentro da polícia e se mantêm ali quanto podem, galgando postos na hierarquia e evitando que os próprios crimes sejam investigados.

Ou seja, eles têm poder no mundo formal. Desfrutam de ampla inserção no meio político. Graças a esse caráter camaleônico, esses bandos acabam sendo vistos por muita gente como um mal menor, até aceitável.

Um absurdo. As milícias são o que há de mais parecido no Brasil com as Máfias italianas. E tudo indica que conquistarão ainda mais território e poder.

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Milicia armada em favela do Rio (Foto: Wilton Junior / AE)

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26/11/2010

às 16:48 \ Política & Cia

O Rio pegando fogo, e o Senado faz sessão com só 3 senadores

Mão Santa (PSC-PI) presidindo o Senado vazio: neste momento, perto do meio-dia, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) comentava a situação do Rio e apenas o colega Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) estava no plenário

Num momento em que a cidade que é o cartão postal do Brasil, que todos os brasileiros amam – o Rio de Janeiro – vive dias terríveis, com a guerra entre as autoridades e facções criminosas que já dura seis dias e que ceifou vidas, provocou a destruição de veículos, levou a suspensão de aulas, apavorou e continua apavorando a população, o Senado da República, em Brasília, como se fosse uma instituição do planeta Marte, protagonizou ao meio-dia de hoje uma cena surrealista: o veterano Pedro Simon (PMDB-RS), espécie de consciência crítica da Casa, comentou da tribuna, em termos veementes, a situação no Rio, assistido por um único colega, Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), tendo na Mesa que presidia os trabalhos, também repleta de poltronas vazias, apenas o senador Mão Santa (PSC-PI).

Na Casa que representa os estados da União, não se via sinal…

* De 78 dos 81 senadores da República, e portanto…

* … de seu presidente, José Sarney (PMDB-AP), sempre tão cioso do cargo, sempre batalhando para mantê-lo.

* … de nenhum representante do partido do governo, o PT.

* … do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR)

* … de qualquer dos três senadores do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), Paulo Duque (PMDB) e Francisco Dornelles (PP)

* … de qualquer senador de oposição ao governo Lula, seja do PSDB, do DEM ou do PPS.

SIMON IRONIZA AUSÊNCIA DE LULA E PEDE PRESENÇA DE DILMA

Em seu discurso, o senador Pedro Simon ironizou a ausência do país do presidente do Lula num momento como este, conclamou a presidente eleita Dilma Rousseff a fazer um gesto para os cariocas e visitar a cidade.

Eis um trecho da fala de Simon para o Senado vazio:

“O presidente Lula tinha um encontro muito importante na Guiana. Às vezes, a gente fica se perguntando: será que pode ter alguma reunião que seja muito importante na Guiana? Ah, mas essa era importante: os países da América do Sul, um empreendimento lançado pelo próprio Brasil… Além do mais, o Lula vai receber uma comenda, mais uma daquelas que ele não recebeu durante o mandato. Agora, vai passar anos recebendo comendas e diplomas pelo mundo afora.. .

Por isso, ele não pôde ir ao Rio de Janeiro, mas pediu, antes de viajar, que o seu governo desse atenção ao Rio de Janeiro.

Eu não sei, não, presidente Dilma, mas eu me atrevo a dizer que, já que a identificação de Vossa Excelência com o presidente Lula está sendo tão bonita e tão intensa e já que ele não pôde ir, Vossa Excelência poderia ir ao Rio de Janeiro. Seria muito importante. Aliás, não seria um gesto de: “Isso, agora, é com o Lula; não é comigo.”

O Lula está se metendo tanto no seu governo – indica o chefe da Casa Civil, indica o ministro da Fazenda, o ministro do Planejamento, o presidente do Banco Central e não sei mais o quê (…), porque há uma identidade entre Vossa Excelência e ele – que Vossa Excelência poderia ir ao Rio de Janeiro. Seria um gesto muito importante.”

 

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