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escândalo

23/05/2013

às 16:26 \ Política & Cia

Santo Deus! Tá tudo dominado! Teremos um acusado de 3 crimes perante o Supremo ocupando a Presidência: Renan Calheiros

Renan Calheiros: presidente da República, sim, senhor! (Foto: veja.abril.com.br)

Amigas e amigos do blog, se é que faltava alguma coisa para justificar essa grande República de bananas metida a gente grande que é o nosso país, não falta mais.

Informa o repórter do site de VEJA Gabriel Castro, de Brasília, o seguinte:

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Nesta sexta-feira, a Presidência da República será comandada por alguém que responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e que já esteve perto de ter o mandato cassado.

Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado e terceiro na linha sucessória, assumirá o comando do Executivo por um dia.

É o que manda a Constituição: a presidente Dilma Rousseff viaja para a Etiópia, o vice Michel Temer estará no Equador e o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), está nos Estados Unidos.

Renan já havia ocupado a Presidência interinamente em maio de 2006, quando Luiz Inácio Lula da Silva era o chefe do Executivo. [Na época, não pesavam as acusações que levaram o senador a renunciar ao cargo de presidente do Senado no ano seguinte, envolvido num escândalo revelado por VEJA que incluía, entre outros problemas, o pagamento, por parte de uma empreiteira, de despesas da mãe de uma filha havida fora do casamento por Renan].

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Como não acredito em Papai Noel, no Coelhinho da Páscoa, na Mula sem Cabeça ou em certas coincidências em política, fica claro que a mesa foi posta para o Planalto fazer um agrado a Renan, esse presidente do Senado tão prestativo ao lulopetismo.

Se a presidente Dilma quisesse evitar o constrangimento de ter um denunciado pelo Ministério Público Federal perante o Supremo ocupando sua cadeira, por 24 horas que fosse, poderia perfeitamente articular a viagem do vice Michel Temer para outra ocasião, ou gestionar junto ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, para que mudasse as datas de sua ida aos Estados Unidos — até transferir, com delicadeza diplomática, sua visita à Etiópia, que com absoluta certeza não é a coisa mais urgente sobre a face da Terra.

Qualquer jornalista que haja passado perto dos gabinetes de Brasília sabe que tal questão é absolutamente simples de resolver.

Mas, não. Vai estar lá o homem, empoleirado no cargo.

E, para refrescar a memória dos leitores, vamos lembrar o que aflige o senador junto ao Supremo Tribunal. No dia 1º de fevereiro passado, uma sexta=feira, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, confirmou o que já vinha circulando em Brasília: ele apresentara denúncia contra o senador perante o Supremo pelos crimes de peculato (quando servidor público utiliza o cargo para desviar dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documento falso.

Gurgel explicou na ocasião que a acusação de peculato contra o presidente do Senado baseia-se, “essencialmente”, no suposto uso de notas frias para comprovar despesas da verba de representação do gabinete. “Ele comprovou isso com notas frias”, afirmou Gurgel. “Os serviços [contidos nas notas], na verdade, não foram prestados. Isso caracteriza o peculato”. O procurador-geral alegou que os documentos apresentados na prestação de contas do senador não foram utilizados com a finalidade que as notas fiscais identificavam, mas para justificar renda. “Para justificar renda, ele usou de recursos da verba de representação e comprovou com notas frias. A prova documental é farta nesse sentido”.

O Código Penal prevê pena de 2 a 12 anos de cadeia para o crime de peculato. Se chegar a haver uma condenação pelos três crimes de que é acusado, Renan está sujeito a um total de penas que pode se situar entre 5 a 23 anos de prisão, além de multa que a decisão do tribunal cominaria.

05/05/2013

às 19:27 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: o mordomo de Renan, que ganha 18 mil reais por mês, e outros exemplos de festa com o nosso dinheiro

E o povo pagando (Charge: Dum / dumilustrador.blogspot.com.br/)

E o povo pagando (Charge: Dum / dumilustrador.blogspot.com.br/)

Por Carlos Brickmann

A FESTA…

1 – Lembra do caso dos garçons do Senado que ganham R$ 15 mil mensais?

Café pequeno! O presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB de Alagoas) tem à disposição, na residência oficial, um mordomo e dois garçons, nomeados naquela safra de atos secretos que provocou tanto escândalo (e nenhuma consequência).

O mordomo ganha algo como R$ 18 mil mensais; os garçons, perto de R$ 11 mil.

Renan tem a seu serviço, no Senado, mais dois garçons, que ganham um pouco menos: algo como R$ 8 mil mensais.

2 – O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador José Américo, do PT, devolveu a 55 funcionários o direito de receber mais que o salário-teto do funcionalismo: ganham até R$ 28 mil mensais.

Existe também um bônus de produtividade, que varia entre R$ 1.500,00 e R$ 5.700,00 mensais.

O bônus foi criado quando era presidente da Câmara o hoje senador Antônio Carlos Rodrigues, do PR, suplente da senadora Marta Suplicy.

Mas é pouco, acham Suas Excelências: estuda-se a concessão do bônus de produtividade a funcionários aposentados.

 

Como calcular a produtividade de quem já não produz? Isso é outro problema, que os vereadores resolverão. O problema do caro leitor é só pagar a conta.

 

…DA MEXERICA

O caro leitor folgou no Dia do Trabalho?

Pois seus representantes se esmeraram em homenagear os trabalhadores do Brasil folgando a semana inteirinha.

 

Em 2 de maio, quinta-feira, havia na Câmara Federal 23 de seus 513 integrantes. No Senado, apareceram cinco dos 81 senadores.

E ninguém perdeu dinheiro com isso – exceto o caro leitor, que paga a conta: Suas Excelências não sofrem qualquer desconto no pagamento quando resolvem emendar o feriado.

18/04/2013

às 20:00 \ Política & Cia

MENSALÃO: A rotina dos deputados mensaleiros à espera da hora de ir para a cadeia. Até março, eles custaram 2 milhões de reais à Câmara

Os deputados João Paulo Cunha, José Genoino, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry (Fotos: Dida Sampaio :: Dorivan Marinho :: Vagner Campos ::Lindomar Cruz )

Os deputados João Paulo Cunha, José Genoino, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry (Fotos: Dida Sampaio :: Dorivan Marinho :: Vagner Campos :: Lindomar Cruz )

Reportagem de Laryssa Borges e Marcela Mattos, de Brasília, publicada no site de VEJA

A ROTINA DOS DEPUTADOS MENSALEIROS À ESPERA DA PRISÃO

João Paulo Cunha, José Genoino, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto traçam planos para o futuro, ainda que a cadeia seja o horizonte mais provável

Na próxima semana, quatro meses depois do término do julgamento do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) publicará o acórdão detalhando cada argumento dos magistrados na condenação dos 25 políticos, empresários e assessores que participaram do maior escândalo de corrupção do país.

Com a formalidade, abre-se o prazo de dez dias (o Supremo decidiu subir de cinco para dez dias) para a apresentação de recursos, ainda que a maior parte dos apelos finais dos condenados seja apenas protocolar. Na prática, o acórdão é o prenúncio de que o cumprimento das sentenças se aproxima – para muitos mensaleiros, a hora de enfrentar a prisão.

Condenados por envolvimento no esquema, quatro mensaleiros têm atualmente uma rotina diferente dos demais penalizados no escândalo. Os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP), José Genoino (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e João Paulo Cunha (PT-SP) detêm mandatos, cujas despesas são bancadas com dinheiro público. Desde que ouviram suas sentenças, os quatro não apresentaram nenhuma proposta de lei, não relataram matérias relevantes e, com exceção de Genoino, não se arriscaram sequer a um discurso em plenário.

Embora tenham optado por submergir, a presença dos mensaleiros nos gabinetes da Câmara acarretaram gastos de quase 2 milhões de reais aos cofres das Casa. Até o mês de março, apenas a gestão dos gabinetes desses deputados movimentou 1,17 milhão de reais. Com contratação de consultorias, pagamento de gasolina e selos postais, foram desembolsados outros 797 717 reais.

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06/04/2013

às 17:00 \ Política & Cia

134 dias de silêncio de Lula após o estouro do escândalo Rose. Então renovo proposta sobre uma ESTÁTUA HOMENAGEANDO O LULALATO

Não falo, não vejo nada, não ouvi nada: a estátua está à altura da atitude de Lula

Amigas e amigos do blog, completam-se hoje 134 dias desde que estourou o escândalo apurado pela Polícia Federal envolvendo Rosemary Noronha, a amigona do ex-presidento Lula que transformou em balcão de tráfico de influência nada menos que o escritório da Presidência da República em São Paulo, por ela chefiado (para que a Presidência precisa de um custoso escritório em São Paulo é outra história).

(Vejam o “placar” do silêncio de Lula na home page do blog de Augusto Nunes).

Nesses 134 dias, Lula rodou o mundo deitando falação — não escaparam nem a Índia e a Etiópia –, lançou a presidente Dilma como candidata à reeleição e está até ajudando, com calorosas mensagens gravadas, a campanha eleitoral do candidato lambe-botas de Hugo Chávez à sua sucessão na Venezuela, o ex-guarda-costas Nicolás Maduro.

Nem uma palavra, porém, nadinha de nada, sobre porque nomeou “Rose” para a função, porque ela o acompanhava em viagens presidenciais, porque deixou correr o barco das bandalheiras de que ela é acusada, porque insistiu com a presidente Dilma para que a amigona permanecesse no cargo — e por aí vai.

É como se o escândalo, de proporções enormes, não existisse.

Não viu, não sabe, não ouviu, não diz nada.

Merece a estátua proposta pelo blog no dia 27 de novembro passado.

30/03/2013

às 15:00 \ Vasto Mundo

“Regulamentação” de jornais e revistas no Reino Unido interrompe 300 anos de plena liberdade de imprensa — e será aproveitada pelos liberticidas no Brasil

EX-PODEROSA --  Rebekah Brooks, do grupo de Murdoch, será julgada em setembro por interceptação telefônica ilegal, entre outros crimes (Foto: Neil Hall / Reuters)

EX-PODEROSA -- Rebekah Brooks, do grupo de Murdoch, será julgada em setembro por interceptação telefônica ilegal, entre outros crimes (Foto: Neil Hall / Reuters)

Reportagem publicada na edição impressa de VEJA

ABUSOS E EQUÍVOCOS

O escândalo do News of the World levou parlamentares britânicos a aprovar a regulamentação de jornais e revistas. A medida interrompe 300 anos de liberdade de imprensa e vai ser aproveitada pelos liberticidas do Brasil

Parlamentares britânicos decidiram na semana passada que os jornais, revistas e sites de notícias do Reino Unido passarão a ser fiscalizados por um órgão externo. Esse órgão será composto de até oito cidadãos comuns. Terá autoridade para exigir correções e pedidos imediatos de desculpas aos prejudicados pela divulgação de informações incorretas.

Poderá aplicar multas de até 1 milhão de libras quando julgar que os veículos infringiram certas regras — regras estas que serão definidas pelos próprios membros do conselho.

Não poderá ordenar o fechamento de veículos ou a demissão de funcionários, nem estará autorizado a praticar censura prévia. A adesão ao novo modelo será voluntária, mas os veículos que se negarem a subscrevê-lo estarão sujeitos a “punições exemplares”.

Um equívoco com origem em um crime

Com a criação do órgão regulador, o Reino Unido dá um passo atrás em sua trajetória de 318 anos de ininterrupta convivência com a plena liberdade de imprensa. A decisão do Parlamento britânico é um equívoco com origem em um crime. 

A discussão sobre a criação de um órgão externo para regular a imprensa em substituição ao conselho autorregulador até agora existente começou em 2011, motivada pelo escândalo que terminou com o fechamento do tabloide News of the World, de propriedade do empresário Rupert Murdoch. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

23/03/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Escolha de dirigentes de estatais deveria ser ainda mais rigorosa do que a de empresas privadas — diz um dos maiores especialistas em recrutamento do mundo

Zehnder: "Nenhuma nomeação de ministro e de diretor de estatal ou autarquia deve ser 100% política" (Foto: Emiliano Capozoli / VEJA)

Zehnder: "Nenhuma nomeação de ministro e de diretor de estatal ou autarquia deve ser 100% política" (Foto: Emiliano Capozoli / VEJA)

Entrevista concedida a Duda Teixeira, publicada em edição impressa de VEJA

A PRAGA DA INCOMPETÊNCIA

O suíço especialista em recrutamento diz que a falta de qualificação dos funcionários públicos nomeados por padrinhos políticos chega a ser mais danosa do que a corrupção

Escolher o melhor candidato para comandar estatais ou órgãos públicos deveria ser um processo muito mais cuidadoso e rigoroso do que o adotado pelas empresas privadas. Essa é a tese central defendida pelo suíço Egon Zehnder, um dos mais famosos headhunters do mundo.

Dono de uma empresa de recrutamento com escritórios em 38 países, inclusive o Brasil, ele participou da seleção e escolha de presidentes de estatais e de instituições públicas da Inglaterra, da Austrália, de Singapura e da Suíça. Aos 82 anos, Zehnder entrevista, todos os dias, pessoalmente, candidatos às vagas de consultor em sua empresa.

Defensor apaixonado da meritocracia, ele critica a proliferação de cargos de confiança na administração pública brasileira.

No Brasil, mais de 22 000 cargos do governo federal são de confiança (preenchidos por critérios políticos). Mais de 1 000 só no primeiro escalão. O que o senhor acha desses números?

Mesmo considerando o tamanho do país, são números exageradamente altos. Na Suíça, onde moro, não existe um único cargo público que possa ser preenchido por alguém cuja única qualificação seja atender a critérios políticos.

Por que o excesso de cargos de confiança é ruim?

Quando se fazem concursos públicos ou se adotam outros métodos objetivos de seleção, a chance de que os critérios utilizados tenham sido justos e adequados é maior. A sociedade precisa ter a garantia de que o escolhido é o mais capaz para desempenhar a função, conhece a área e já passou por várias situações parecidas com as que vai enfrentar no futuro.

Exercer um controle rigoroso sobre os processos de recrutamento é algo plenamente possível. Mas é muito difícil ter esse domínio quando se precisa preencher dezenas de milhares de cargos. Se o eleito não tiver as exigências mínimas para a função, certamente a empresa ou instituição enfrentará percalços a curto, médio ou longo prazo. Nenhuma nomeação de diretor de estatal ou de autarquia deve ser 100% política.

Nomeações equivocadas são mais danosas no setor público ou no privado?

A escolha errada de um funcionário de alto escalão traz mais consequências indesejadas em instituições governamentais. Elas têm um papel na sociedade que vai muito além dos interesses econômicos dos acionistas. Um erro na nomeação reduz a possibilidade de a empresa estatal ou o órgão público desenvolver seu papel social e limita a capacidade do país para alcançar seus objetivos estratégicos.

Também leva a resultados decepcionantes em termos de volume de produção e no desenvolvimento interno de tecnologia. Uma pesquisa publicada na revista da Harvard Business School em 2001 mostrou que, entre os diversos fatores que determinam o desempenho de uma empresa e que podem ser controlados, a seleção dos gestores é a que tem a maior relevância estratégica.

A escolha certa do presidente de uma empresa pode ter um impacto positivo de 40% no seu resultado.

Existe alguma relação entre corrupção e incompetência administrativa?

É claro que se devem selecionar sempre pessoas com integridade, para impedir fraudes, tanto no setor público quanto no privado. Estima-se que o custo da corrupção represente 5% do faturamento das companhias, um dado aviltante. Estatisticamente, porém, a corrupção é menos nociva do que a escolha de um gestor ineficiente.

"Um trabalhador na linha de produção de uma fábrica que tenha todas as qualidades para o seu ofício produz 40% mais do que um funcionário-padrão" (Foto: Getty Images)

"Um trabalhador na linha de produção de uma fábrica que tenha todas as qualidades para o seu ofício produz 40% mais do que um funcionário-padrão" (Foto: Getty Images)

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13/03/2013

às 17:10 \ Tema Livre

Escolha de cardeal latino-americano como papa é fato extraordinário, mas decisão da Igreja envia sinais contraditórios ao mundo

"Habemus Papam": Mario Jorge Bergólio, o papa argentino (Foto: Peter Macdiarmid / Getty Images)

"Habemus Papam": Mario Jorge Bergoglio, o papa Francisco (Foto: Peter Macdiarmid / Getty Images)

A eleição do cardeal-arcebispo de Buenos Aires, d. Jorge Mario Bergoglio, é um fato extraordinário, e sua primeira atitude — a da escolha do nome, como papa, de Francisco – é relevante e significativa.

Mas, com a opção que fizeram, o Conclave e a cúpula da Igreja enviam sinais contraditórios ao mundo.

Ao decidir em 25 horas, o conclave de 115 cardeais eleitores mostra a pressa evidente da Igreja em ter de novo alguém no comando, diante da múltipla crise da instituição — que vai desde a roubalheira dentro da própria Cúria Romana até o escândalo de pedofilia envolvendo padres e bispos de vários países, em uma conjuntura de brutal perda de credibilidade que se soma à crescente perda de influência e de fiéis mundo afora.

A escolha do primeiro papa não-europeu em quase 1.300 anos — o último foi São Gregório III (731-741), que era sírio — também é um recado formidável ao mundo, sobretudo sendo um pontífice da América Latina, onde o catolicismo perde terreno de forma galopante para as diferentes correntes evangélicas protestantes.

Um papa do Terceiro Mundo e da AL, região complexa, conflagrada, atualmente sob influências ideológicas distantes do cristianismo em alguns países, é, em si mesmo, um fato extraordinário.

Por sua vez, a opção do próprio papa de ser o primeiro a chamar-se Francisco não reflete orgulho, mas é um recado evidente de identificação com um santo que virou o oposto de quem se interessa por riqueza material.

Já o fato de o papa Francisco ter 76 anos indica, porém, uma vez mais, que o Conclave optou, sem margem de dúvida, por um papa de transição.

Grandes e profundas reformas poderão ser feitas por um homem a caminho dos 80 anos? Claro que João XXIII, eleito já perto dos 77 anos de idade, promoveu mudanças extraordinárias com o Concílio Vaticano II, a que deu sequência, sem o mesmo impulso, seu sucessor, Paulo VI.

Contradições e até mistérios que deixo para os vaticanistas esquadrinharem, o que farão melhor do que eu.

 

LEIAM TAMBÉM:

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Post do Leitor: “Habemus Papam!”

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04/03/2013

às 14:00 \ Política & Cia

GABRIEL CHALITA: Escândalo deve encurtar a carreira do político carismático que pretendia ir longe

A CANOA VIROU -- O deputado Gabriel Chalita com o seu ex-assessor Roberto Grobman em uma viagem a Étretat, na França, em 2004: o amigo do peito agora é seu acusador (Foto: Arquivo Pessoal)

A CANOA VIROU -- O deputado Gabriel Chalita com o seu ex-assessor Roberto Grobman em uma viagem a Étretat, na França, em 2004: o amigo do peito agora é seu acusador (Foto: Arquivo Pessoal)

Reportagem de Leonardo Coutinho, publicada na edição da VEJA que está nas bancas

 

“OBA, O VANDERLEI CHEGOU”

“Vanderlei” era como o deputado Gabriel Chalita chamava o dinheiro que recebia de propina, segundo o ex-assessor que o denuncia ao Ministério Público. A acusação tirou do parlamentar um cargo certo no novo ministério de Dilma e interrompeu alguns sonhos do PMDB para 2014

Até duas semanas atrás, o deputado federal Gabriel Chalita era uma estrela ascendente na política. Em 2010, ganhou prestígio ao defender a então candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, quando ela foi atacada por grupos religiosos por, supostamente, defender o aborto e o casamento entre homossexuais.

Dois anos depois, candidatou-se a prefeito de São Paulo pelo PMDB e, com sua imagem de bom moço, discursou em defesa da ética e da amizade com padres-celebridade, como Marcelo Rossi e Fábio de Melo, conseguindo 13% dos votos.

Saiu com o passe valorizado a ponto de, agora, ser nome certo na reforma ministerial que a presidente Dilma fará neste mês — além de peça no tabuleiro das eleições de 2014, quando poderia ser candidato ao Senado ou a vice-governador.

O depoimento demolidor feito ao Ministério Público por um ex-assessor e ex-amigo do peito fez tudo ruir. Roberto Grobman, o ex-assessor, contou aos promotores que se aproximou de Chalita em 2004, quando ele era secretário da Educação de São Paulo. Fez isso por determinação do empresário Chaim Zaher, que era dono do Sistema COC de Ensino e teria interesse em conseguir contratos com o governo.

“Virei seu acompanhante de viagens”

Grobman diz que Zaher lhe pagava um salário para que ele atuasse na secretaria. “O Zaher queria ter uma pessoa dele lá dentro para que pudesse vender os seus produtos. Queria ser favorecido, obviamente.”

Ficou, assim, estabelecida a bizarra situação em que Grobman, empregado pago por uma empresa privada, dava expediente numa secretaria de governo, com direito a cartão de visita timbrado e o título de “assessor de gabinete”.

Nessa condição, ele se tornou íntimo do então secretário, com quem viajou para diversos países (“O Chalita disse que gostou de mim e eu virei seu acompanhante de viagens”).

Mas nem essa proximidade com o titular da pasta nem as supostas vantagens que o COC teria ofertado a Chalita — entre elas o pagamento de parte da reforma de um dos seus apartamentos, fato que Zaher nega — resultaram em algum negócio para o grupo.

Diz Grobman: “O Chalita deixava o Zaher sempre no fim da fila. Dizia que tinha acordos mais importantes”. Grobman permaneceu como assessor informal de Chalita por dois anos.

SERVINDO A DOIS SENHORES --  O crachá e o cartão de visita mostram que   Roberto Grobman era funcionário do Sistema COC de Ensino, do empresário Chaim Zaher, mas dava expediente na Secretaria da Educação de São Paulo,   cujo titular era Chalita. Escalado para defender os interesses do grupo, Grobman diz que serviu ao secretário por dois anos — como intérprete e até   coordenador da reforma de um de seus apartamentos, segundo ele, bancada por   empresários

SERVINDO A DOIS SENHORES -- O crachá e o cartão de visita mostram que Roberto Grobman era funcionário do Sistema COC de Ensino, do empresário Chaim Zaher, mas dava expediente na Secretaria da Educação de São Paulo, cujo titular era Chalita. Escalado para defender os interesses do grupo, Grobman diz que serviu ao secretário por dois anos — como intérprete e até coordenador da reforma de um de seus apartamentos, segundo ele, bancada por empresários

“Arrancava as tiras dos maços de dinheiro e imitava Silvio Santos: “Quem quer dinheiro?!!!”

Nesse período, disse ao Ministério Público, assistiu a reuniões em que ele combinava como seriam feitas as cobranças de propina a fornecedores da secretaria, como a Zinwell, uma empresa de origem chinesa contratada para fornecer por 5 milhões de reais 5.000 antenas parabólicas para escolas.

A “taxa”, de 25%, era entregue diretamente a Chalita em seu apartamento em Higienópolis.

Segundo Grobman, o ex-secretário chamava o dinheiro de “Vanderlei”. “Quando tocava o interfone, ele gritava, eufórico: ‘Oba, chegou o Vanderlei!’. Só mais tarde descobri que Vanderlei não era uma pessoa. Como ele dizia que mandava a sua parte para uma conta bancária em Luxemburgo, fazia graça com o nome do técnico de futebol”, diz.

Grobman contou ao MP que, por diversas vezes, viu Chalita distribuir o dinheiro que recebia. “Ele derramav as notas no chão do closet. Arrancava as tiras dos maços e jogava em cima dos assessores, imitando o Silvio Santos: ‘Quem quer dinheiro?!!’.”

Empresas fornecedoras da Secretaria seriam compelidas a comprar livros de autoria do secretário

O ex-assessor afirmou ainda que empresas fornecedoras da Secretaria da Educação eram compelidas a comprar lotes de livros do deputado — uma manobra que o ajudaria a justificar o seu exuberante aumento patrimonial (os 741.000 reais em bens que ele declarava possuir em 2000 transformaram-se em 11,5 milhões em 2011).

Aos promotores, Grobman pôs em dúvida não apenas os motivos pelos quais os livros eram vendidos, mas também quem os escrevia. Um dos inquéritos abertos apurará se houve uso de dinheiro público no pagamento de uma equipe de ghost writers que, segundo Grobman, ajudava o ex-secretário a escrever seus livros — ele já lançou 64 até agora.

Procurado por VEJA, Chalita disse, por meio de nota, ser vítima de uma disputa política e negou que Grobman tenha sido seu assessor — embora tivesse e-mail funcional, cartão de visita e tenha aparecido nos prospectos da Unesco como representante da secretaria em evento realizado em 2004, na França (onde ele e Chalita posaram para a foto que ilustra esta reportagem).

Na segunda-feira, o governo federal anunciou ter desistido de nomear o peemedebista para um ministério. A aventada vaga no Senado em 2014 soa agora uma impossibilidade, sem falar nos planos para a candidatura a vice-governador.

Na quinta, Chalita se reuniu com um grupo de assessores e admitiu: “Eu estou acabado”. O resultado das investigações do Ministério Público dirá se o país deve ou não lamentar essa constatação.

03/03/2013

às 14:00 \ Livros & Filmes

Em livro, Merval Pereira esquadrinha o mensalão e mostra como o Brasil ficou melhor depois da decisão do Supremo

ILUSÃO DE ÓTICA -- O ex-ministro do Supremo Ayres Britto (à esq) e o ainda ministro Gilmar Mendes: Lula achou que o primeiro seria seu subordinado, porque o nomeou, e achacou o segundo, pensando que ele se intimidaria. Errou nas duas vezes: onde ele enxergou presas fáceis havia, na verdade, juízes honrados (Fotos: STF)

ILUSÃO DE ÓTICA -- O ex-ministro do Supremo Ayres Britto (à esq) e o ainda ministro Gilmar Mendes: Lula achou que o primeiro seria seu subordinado, porque o nomeou, e achacou o segundo, pensando que ele se intimidaria. Errou nas duas vezes: onde ele enxergou presas fáceis havia, na verdade, juízes honrados (Fotos: STF)

Resenha de Augusto Nunes, publicada em edição impressa de VEJA

 

O INÍCIO DO FIM – ENFIM

Não há tribunal capaz de iluminar da noite para o dia a face escura de um país. Mas, como demonstra Merval Pereira em seu livro sobre o mensalão, o Supremo acendeu irrevogavelmente os holofotes

Numa paisagem infestada de repórteres invertebrados, críticos construtivos, colunistas estatizados e analistas que combatem valentemente quem ousa discordar do governo, o espaço ocupado por jornalistas nascidos sob o signo da independência e condenados a amar a verdade acima de todas as coisas parece perturbadoramente acanhado.

É mesmo diminuto, mas não há motivos para inquietação.

Os integrantes dessa linhagem nunca foram muitos.

Mas cada um vale por uma multidão, comprova Merval Pereira em Mensalão – O Dia a Dia do Mais Importante Julgamento da História Política do Brasil (Record; 285 páginas; 34,90 reais).

“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”, ensinou Cláudio Abramo. É o que Merval tem feito há mais de quarenta anos, ao longo dos quais brilhou como repórter de campo ou exercendo cargos de chefia nas Organizações Globo, no Jornal do Brasil e em VEJA.

É o que faz todos os dias em sua coluna em O Globo e nos comentários para a Globo News e para a rádio CBN.

O Supremo revogou a norma não escrita segundo a qual alguns são mais iguais que outros

Foi o que fez durante os quatro meses e meio em que milhões de brasileiros acompanharam – primeiro com ceticismo, depois com esperança, enfim com justificado entusiasmo – o julgamento da quadrilha que tentou a captura do Estado democrático de direito até ser desbaratada em meados de 2005.

 

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24/02/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Brickmann: Sobre um ex-chefe de Estado convencido de que o Brasil nasceu com ele, cercado de um imenso cordão de puxa-sacos. Quem será?

Por Carlos Brickmann

I SEE DEAD PEOPLE

Esta é a história de um ex-chefe de Estado, convencido de que o Brasil nasceu com ele e que, antes, nem chegava a ser país. Tratava-se de uma reles colônia.

Um governante hábil, cercado de um imenso cordão de puxa-sacos, que beijava suas mãos e se ajoelhava diante dele. De certa forma, tolerava a imprensa, mas gostava de imiscuir-se na orientação dos jornais e de brigar com os jornalistas que não aceitavam suas imposições. Ai deles! Os inúmeros (e bem recompensados) adeptos do guia supremo os perseguiam e agrediam nas ruas.

Mesmo gostando de aparecer, passou muito, muito tempo sem dar entrevistas.

Era chefe de Estado, mas tinha profunda afinidade com os costumes do povo.

Viúvo, casou-se de novo; mas sua esposa não tinha o direito de se manifestar em público.

Quem mandava mesmo era a amante paulista, que nomeava e demitia, que beneficiava a família e seus protegidos, não tendo a menor preocupação com o escândalo que provocava. Era a namorada do chefe; quem não a apreciasse tinha todo o direito de obedecê-la, favorecê-la e calar-se.

A-do-ra-va dar palpite na política de outros países. Trouxe para o Brasil, regiamente pagos, aventureiros internacionais para auxiliá-lo nas tarefas a que se propôs – jamais se incomodou que fossem estrangeiros.

Fez seu sucessor, pessoa de boa-vontade, mas pouco eficiente – foi quem, por exemplo, prometeu gastar o que fosse preciso para levar água aos nordestinos.

Esta é a história, claro, de D. Pedro I, que acaba de ser exumado.

Dirceu x ficha limpa

Frase de José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil do presidente Lula, pronunciada no dia 21 em Chapecó, Santa Catarina, numa reunião de militantes petistas:

“Criaram a Lei da Ficha Limpa, que é uma lei completamente absurda.”

 

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