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Enivaldo Quadrado

15/11/2013

às 18:18 \ Política & Cia

PF recebe mandados de prisão de 12 mensaleiros

Presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa durante sessão para julgar os recursos dos 13 réus que não tem direito aos embargos infringentes no processo do mensalão, nesta quinta-feira (14) (Foto: Gervásio Baptista / STF)

Presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa durante sessão para julgar os recursos dos 13 réus que não tem direito aos embargos infringentes no processo do mensalão, nesta quinta-feira (14) (Foto: Gervásio Baptista / STF)

Reportagem de Gabriel Castro e Laryssa Borges, de Brasília, publicado no site de VEJA

PF RECEBE MANDADOS DE PRISÃO DE 12 MENSALEIROS

Condenados têm até o final do dia para se apresentar à Polícia Federal e, em seguida, serão encaminhados para o juiz da Vara de Execuções Penais

A Polícia Federal recebeu na tarde desta sexta-feira os mandados para executar a prisão de doze condenados no julgamento do mensalão. Os nomes não foram confirmados nem pela PF nem pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu as ordens de prisão.

Os condenados foram notificados a comparecer às sedes da PF em seus estados e, em seguida, serão encaminhados para Brasília. Todos serão apresentados ao juiz responsável pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, que definirá o local onde cada um irá cumprir a pena. Caso os condenados não se apresentem até o final do dia, a PF realizará buscas para efetuar as prisões.

O STF decretou o trânsito em julgado para crimes de dezesseis mensaleiros, o que significa que essas condenações se tornaram definitivas e não cabem mais recursos contra elas. Os mandados de prisão foram expedidos pelo presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, nesta sexta.

A lista dos mensaleiros que deverão iniciar o cumprimento das penas imediatamente inclui o ex-ministro José Dirceu, o operador do esquema, Marcos Valério de Souza, e os dirigentes da antiga cúpula do PT José Genoino e Delúbio Soares.

O Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, já reservou celas individuais em duas unidades para quatro réus que irão para o regime fechado: Marcos Valério, Kátia Rabello, Cristiano Paz e Henrique Pizzolato. Os réus que seguirão para o semiaberto deverão ficar no Centro de Detenções Provisórias do DF. Posteriormente, eles poderão solicitar transferências para unidades próximas de seus domicílios.

Os advogados dos condenados afirmaram que seus clientes aguardam a ordem de prisão. “Assim que for expedido o mandado de prisão, ele vai se entregar espontaneamente. O Supremo decidirá onde Marcos Valério deverá se apresentar e nós acataremos e seguiremos para lá. Onde o tribunal definir, meu cliente e eu iremos. Agora vamos esperar a notificação”, disse Marcelo Leonardo, que defende Marcos Valério.

“Delúbio Soares cumprirá a decisão do Supremo assim que ela for divulgada. Eu não falei com meu cliente hoje. Mas vamos cumprir a determinação da Justiça assim que o mandado for expedido”, afirmou Celso Vilardi, advogado de Delúbio.

 

Réus

Por ora, transitaram em julgado, ainda que em parte, as sentenças dos seguintes réus: José Dirceu, Delúbio Soares, Ramon Hollerbach, José Genoino, Cristiano Paz, Marcos Valério, José Roberto Salgado, Kátia Rabello, Simone Vasconcelos, Enivaldo Quadrado, Emerson Palmieri, Romeu Queiroz, Roberto Jefferson, José Borba, Jacinto Lamas e Henrique Pizzolato.

 

Passo a passo da prisão

• O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, expediu nesta sexta-feira mandados de prisão

• Os mandados foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e distribuído aos estados

• Os réus devem se apresentar ao juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, que irá determinar os locais onde cada um irá cumprir pena de acordo com o regime de condenação

• Os condenados são encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) e conduzidos ao presídio ou para uma casa de albergado

13/11/2013

às 22:25 \ Política & Cia

MENSALÃO: Supremo decide que é hora de prender Dirceu e demais mensaleiros. Ainda não é a cadeia dura para todos, mas a Justiça vem chegando

 

Arco-íris como pano de fundo da estátua da Justiça, que fica defronte à sede do Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes, em Brasília (Foto: Felipe Sampaio / STF)

Arco-íris como pano de fundo da estátua da Justiça, que fica defronte à sede do Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes, em Brasília (Foto: Felipe Sampaio / STF)

SUPREMO DECIDE EXECUTAR PENAS DE CONDENAÇÕES QUE NÃO TÊM RECURSOS PENDENTES

Sete condenados que não apresentaram os infringentes e José Dirceu e José Genoino terão a pena de prisão iniciada assim que o STF mande a ordem para a PF

Reportagem publicada no site do jornal O Globo

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, na noite desta quarta-feira, o cumprimento de todas as condenações que não foram objeto de recurso via embargos infringentes.

Por causa dessa decisão, nem todos os 25 réus irão de imediato para a cadeia. Mas já se sabe com certeza de que os sete condenados que não apresentaram os infringentes e José Dirceu e José Genoino já terão a pena de prisão iniciada tão logo o STF mande a ordem para a Polícia Federal.

Dirceu e Genoino só recorreram da parte da pena referente ao crime de formação de quadrilha. A outra parte da pena que não foi recorrida, referente ao crime de corrupção, já pode ser cumprida em regime semiaberto.

O voto de Barbosa foi acompanhado pelos ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Luiz FUx e Gilmar Mendes; o ministro Teori Zavascki divergiu, concordando apenas com o trânsito em julgado (fim dos recursos) para os que não os têm, e os ministros Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e Carmem Lúcia concordaram.

O ministro Joaquim Barbosa levantou questão de ordem para discutir o momento do reconhecimento do trânsito em julgado da decisão – isto é, para quais réus não caberia mais recursos e, portanto, poderia ter início a execução das penas.

Para Barbosa, quatorze réus não teriam mais direito a recurso, de forma que poderiam iniciar a execução das penas. Os outros oito réus (incluindo Marcos Valério, José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno) condenados a mais de um crime, mas que recorreram contra apenas um deles, devem iniciar o cumprimento da pena relativa ao outro crime. Esse é o caso dos réus que tiveram direito aos embargos infringentes, pois houve o mínimo de quatro votos divergentes pela absolvição.

Zavascki abriu divergência. Ponderou que não poderia haver trânsito em julgado para os réus que apresentaram embargos infringentes fora da hipótese de quatro votos divergentes. Para esses réus, não poderia haver o reconhecimento do trânsito em julgado e, dessa forma, a execução imediata das penas.

Foi seguido por cinco ministros. Por seis votos a cinco, prevaleceu o voto divergente iniciado por ele. Resultado: réus sem direito a embargos infringentes iniciarão o cumprimento da pena; réus com direito a embargos infringentes (mínimo de quatro votos divergentes) iniciarão o cumprimento da pena do crime contra o qual não recorreram; réus que não tiveram mínimo de quatro votos divergentes, mas que ainda assim apresentaram embargos infringentes, iniciarão o cumprimento da pena do crime contra o qual não recorreram.

‘Firulas processuais’

Barbosa se irritou com a decisão do plenário de não rejeitar imediatamente os pedidos dos réus que apresentaram embargos infringentes mesmo sem ter o número mínimo de votos (quatro).

- Isto é chicana! Chicana consentida (pela tribunal) – afirmou, usando o termo do jargão jurídico para se referir a manobras utilizadas para atrasar o processo.

O ministro Teori Zavascki rebateu que discordava do uso da palavra “chicana”, considerada ofensiva.

- Eu uso a palavra que bem entender, ministro, e assumo a responsabilidade. Sei muito bem usar o vernáculo – respondeu Barbosa.

- O senhor está se referindo ao tribunal?

- O tribunal se recusa a deliberar. Se vale de firulas processuais para postergar.

Minutos antes, o ministro Gilmar Mendes fez um discurso inflamado, dizendo que o plenário foi “manipulado” – sem especificar por quem – para ficar com menos integrantes e assim, possibilitar as divisões entre os ministros que abriram a brecha para os embargos infringentes.

- Manobrou-se o processo para que Peluso e Ayres Britto saíssem. Manipulou-se o plenário, e continua-se manipulando. Vamos chamar as coisas pelo nome, isto é manipulação! Estamos estabelecendo o princípio da eternização das demandas em matéria criminal – bradou Gilmar.

Advogados não poderão contestar procurador-geral

Ontem, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão imediata de 23 dos 25 condenados. Barbosa defendeu o trânsito em julgado (esgotamento das possibilidades de recurso) integral para 13 réus, e parcial para outros nove.

O deputado João Paulo Cunha, de acordo com Barbosa, não será preso neste momento, pois seus segundos embargos de declaração foram aceitos, logo, não pode haver o trânsito em julgado. Outros dois, Enivaldo Quadrado e José Borba, teriam direito a penas alternativas, que também devem ser cumpridas imediatamente.

O ministro Ricardo Lewandowski contestou, alegando que os advogados deveriam ser notificados para tomar conhecimento da petição do procurador-geral da República, porque ela inclui réus cujas condenações não transitaram em julgado completamente. Segundo Lewandowski, é um tese “nova e inusitada”. Mais uma discussão entre os ministros começou.

- Vamos deixar de lado essas manobras, ministro Lewandowski – disparou Barbosa, que alegou que as questões relativas às condenações já foram tratadas e também criticou o fato de o Ministério Público ter deixado para se manifestar um dia antes do julgamento.

A frase foi considerada áspera pelo ministro Marco Aurélio Mello, que pediu que o presidente da corte “respeite as opiniões dos colegas”. Mello também propôs que a defesa seja ouvida.

- Não vejo motivo para pressa – disse Mello.

- São oito anos, ministro… – rebateu o presidente da Corte.

- Há de terminar esse processo, mas sem se desqualificar – prosseguiu Mello.

Como, de acordo com o artigo 105 da Lei de Execução Penal, a expedição da guia de recolhimento para execução da pena não depende da petição do Ministério Público – ou seja, é um ato “de ofício” do juiz -, a maioria dos ministros entendeu que não seria necessário voltar a ouvir os argumentos dos advogados.

13/11/2013

às 19:13 \ Política & Cia

MENSALÃO: Barbosa pede a prisão imediata de 20 dos condenados do mensalão

STF julga segundos embargos de declaração na AP 470. (Foto: Gervásio Baptista / STF)

STF julga segundos embargos de declaração na AP 470. (Foto: Gervásio Baptista / STF)

Reportagem de Jailton de Carvalho, Marcio Beck, Bruno Góes e Leonardo Pimentel, no jornal O Globo

BARBOSA PEDE A PRISÃO IMEDIATA DE 20 DOS CONDENADOS DO MENSALÃO

Tribunal confirma redução de pena de doleiro e rejeita recursos de ex-tesoureiro do PL e de seis ex-deputados

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, pediu o cumprimento imediato da pena de 20 dos 25 réus do mensalão. Entre estes réus estão o ex-presidente do PT José Dirceu, Marcos Valério, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato; outros dois, Enivaldo Quadrado e José Borba, teriam direito a penas alternativas, que também devem ser cumpridas imediatamente.

O plenário do STF já declarou o trânsito em julgado em relação a Pizzolato e determinou a execução imediata da pena de 12 anos e 7 meses de prisão.

- É imperativo dar o imediato cumprimento da pena contra os crimes aos quais não cabem embargos infringentes – disse o presidente do tribunal.

Ao todo, Barbosa declarou o trânsito em julgado (esgotamento das possibilidades de recurso) integral para 13 réus, e parcial para outros nove. O deputado João Paulo Cunha, de acordo com Barbosa, não será preso neste momento, pois seus embargos de declaração foram aceitos, logo, não pode haver o trânsito em julgado.

Ontem, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão imediata de 23 dos 25 condenados. O ministro Ricardo Lewandowski contestou, alegando que os advogados deveriam ser notificados para tomar conhecimento da petição do PGR, porque ela inclui réus cujas condenações não transitaram em julgado completamente. Segundo Lewandowski, é um tese “nova e inusitada”. Mais uma discussão entre os ministros começou.

- Vamos deixar de lado essas manobras, ministro Lewandowski – disparou Barbosa, que alegou que as questões relativas às condenações já foram tratadas e também criticou o fato de o Ministério Público ter deixado para se manifestar um dia antes do julgamento.

A frase foi considerada áspera pelo ministro Marco Aurélio Mello, que pediu que o presidente da corte “respeite as opiniões dos colegas”. Mello também propôs que a defesa seja ouvida. Como, de acordo com o artigo 105 da Lei de Execução Penal, a expedição da guia de recolhimento para execução da pena (mandado de prisão) não depende da petição do Ministério Público – ou seja, é um ato “de ofício” do juiz -, a maioria dos ministros entendeu que não seria necessário voltar a ouvir os argumentos dos advogados.

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18/10/2012

às 20:56 \ Política & Cia

MENSALÃO: Se Lewandowski muda o voto até para absolver Valdemar Costa Neto do crime de quadrilha, o que não fará pelo “chefe” José Dirceu

Lewandowski: uma espantosa mudança de voto (Foto: Ueslei Marcelino / Reuters)

Amigas e amigos do blog, leiam a reportagem abaixo, do jovem e talentoso jornalista Gabriel Castro. Acho que nem preciso comentar, além da pergunta que fiz no título: se o ministro faz a acrobacia jurídica descrita no texto para absolver mensaleiros de menor catadura, o que não fará quando chegar a hora de julgar José Dirceu como “chefe de quadrilha”, segundo a acusação do Ministério Público?

Até onde chegará o ministro Lewandowski neste julgamento do mensalão? Quando é que começará a pensar em sua biografia?

Só mais um acréscimo: espero que o ministro Ayres Britto, como presidente do Supremo, faça valer seu posto e vote para desempatar a decisão a que chegou o tribunal pela espantosa decisão do ministro Lewandowski.

Por Gabriel Castro, de Brasília, para o site de VEJA

O ministro revisor do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, anunciou nesta quinta-feira uma modificação no voto que havia apresentado há três semanas e decidiu absolver todos os réus da acusação de formação de quadrilha – não só José Dirceu e outros dez réus, cujas acusações estavam em pauta nesta quinta-feira, mas também outros cinco que o próprio Lewandowski havia considerado culpados pelo crime em etapas anteriores do julgamento.

O principal beneficiado é o deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP). Ele havia sido condenado por um placar de 6 a 4, quando a corte analisou a acusação de formação de quadrilha. Com a mudança de Lewandowski, houve empate em 5 a 5. O tribunal, que está incompleto devido à aposentadoria do ministro Cezar Peluso, terá de decidir o critério a ser aplicado neste caso.

“Ultimamente, toda vez que o Ministério Público apresenta uma denúncia em que crimes são praticados por mais de quatro agentes, automaticamente já imputa aos acusados a formação de quadrilha”, disse o ministro, justificando sua posição.

Lewandowski citou os votos das ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia (e, estranhamente, um artigo de jornal) para anunciar que estava revisando sua interpretação do crime de formação de quadrilha e absolvendo todos os 21 réus acusados deste crime. As ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia não esboçaram reação, mas a citação de Lewandowski é espantosa.

Naquela “fatia” do julgamento, a ponderação de Weber – seguida por Cármen Lúcia – levava em conta que os deputados do PP e do antigo PL, comprados pelo PT, montaram uma espécie de subquadrilha com o fim único de receber a propina, o que não bastaria para a caracterização do crime de quadrilha.

Este tipo penal, na leitura que as ministras fizeram da doutrina e da jurisprudência, exigiria uma associação estável dos criminosos com o fim de cometer uma série indeterminada de delitos.

Mas ao contrário do que sugere Lewandowski, não haverá nenhuma contradição se Rosa Weber – e Cármen Lúcia -, mesmo aferradas àquela interpretação do crime de quadrilha, condenarem Dirceu e cia, uma vez que é justamente neste ponto, o capítulo final do julgamento, que a denúncia aponta uma associação estável – pelo menos até o escândalo estourar – de criminosos montada para a prática organizada e contumaz de delitos em série contra a administração pública, o sistema financeiro e, acima de tudo, a democracia.

Além de Valdemar Costa Neto, Lewandowski mudou sua posição para absolver o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) e os réus Enivaldo Quadrado, João Cláudio Genu e Jacinto Lamas, cujas acusações a corte já havia analisado em setembro.

O ministro revisor também anuciou nesta quinta seu voto pela absolvição de José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino, Marcos Valério e mais nove réus acusados no último capítulo do processo. Outros quatro réus já tinham a situação em aberto devido a votações empatadas: o ex-ministro Anderson Adauto (PTB) e os ex-deputados José Borba (PMDB-PR), João Magno (PT-MG) e Paulo Rocha (PT-PA).

Uma corrente defende que, com o empate, o réu seja absolvido automaticamente porque não há maioria para puni-lo. Outra corrente argumenta que o voto do presidente deve ser usado para desempatar o resultado. Neste caso, Valdemar e os outros quatro réus seriam condenados.

No caso de Valdemar, a corte também formou maioria para condená-lo por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Essas decisões permanecem inalteradas por ora.

03/08/2012

às 14:27 \ Política & Cia

A vida dos mensaleiros

(Publicado em VEJA de 1 de agosto de 2012)

 

Mensalão

A VIDA DOS MENSALEIROS

Sete anos depois, os protagonistas seguiram caminhos distintos, mas sempre confortáveis: uns mantiveram a influência política, outros conquistaram sucesso empresarial

 

Delúbio Soares

Delubio Soares

Delubio Soares

Bode expiatório e resignado no processo do mensalão, o ex-tesoureiro do PT é apontado pelo Ministério Público como membro do estado-maior do esquema. Sobre seus ombros, José Dirceu, a quem ele era (e de certa forma continua) subordinado, jogou a responsabilidade pelos pagamentos aos políticos.

Delúbio não disse não. Ele é daqueles militantes que consideram que tudo o que o PT fez, incluindo as práticas nada republicanas, é parte de um projeto, o “nosso projeto”, como costuma repetir. O sucesso do “nosso projeto” moldou os hábitos simplórios do tesoureiro, que, poderoso e respeitado no governo Lula, passou a usar roupas de grife, degustar vinhos premiados e fumar charutos cubanos – numa rotina incompatível com o salário de professor que recebia do governo de Goiás.

Antes do escândalo, Delúbio foi pilhado comprando terras em Goiás com notas de reais acomodadas em sacos de pano. Expulso do PT após o mensalão, continuou viajando pelo país, dessa vez com passagens custea­das por uma obscura ONG ligada a petistas. Para aplacar as suspeitas sobre a origem do dinheiro usado para bancar suas despesas, Delúbio fundou uma empresa de propaganda na internet.

Num site mal-ajambrado, oferece imóveis para venda e aluguel. Readmitido nos quadros do PT no ano passado, ele mora em São Paulo com a mulher, num confortável apartamento de três quartos comprado em 2005 por 190 000 reais – pagos em dinheiro com notas de reais, dólares e euros levadas ao cartório por sua sogra. Se absolvido, ele já anunciou seu projeto imediato: disputar uma cadeira no Congresso Nacional em 2014.

 

Marcos Valério

Marcos Valério

Marcos Valério

Há sete anos o publicitário administra o que restou de seu patrimônio: segredos valiosos que ele diz deter sobre o mensalão. Marcos Valério era dono de duas agências de publicidade que tinham contratos milionários com o governo petista – e que quase nunca resultavam na correspondente prestação de serviços, já que o grosso do pagamento ia para o caixa do mensalão.

Foi operando essa engrenagem que ele ganhou prestígio e muito dinheiro. Descoberta a fraude, caiu em desgraça. Hoje, porém, é um “consultor” de sucesso. Costuma dizer que, dada a relação com o PT, é atendido em seus pleitos junto a órgãos do governo, bancos públicos e estatais – e cobra caro, e em dinheiro vivo, pela intermediação.

A vida pessoal segue atribulada. Sua mulher, Renilda Santiago, tem crises emocionais frequentes por medo de que o marido volte para a cadeia. O próprio Valério, vez ou outra, se diz acometido por algum mal. Tempos atrás, disse a um interlocutor de Brasília que estava com câncer no cérebro.

A desconfiança de que era mais um recado aos petistas veio com o que ele disse em seguida: que, como estava com os dias contados, não tinha o que perder e estava pensando em contar o que ainda não havia contado à polícia. O veredicto do STF pode definir os rumos dessa chantagem sem fim.

 

Duda Mendonça

Duda Mendonça

Duda Mendonça

No seu tempo de marqueteiro mais famoso do Brasil, ele ajudou a eleger de Paulo Maluf a Luiz Inácio Lula da Silva. Com o escândalo, afastou-se dos holofotes, mas nunca ficou longe do poder. Embora não tenha feito campanhas em 2006, Duda Mendonça manteve polpudos contratos com o governo federal, que lhe renderam 102 milhões de reais até 2011.

Na última eleição, mergulhou de novo no ramo que o tornou famoso e ajudou a eleger de petistas, como a agora senadora Marta Suplicy, a tucanos, como Cássio Cunha Lima. Neste ano, voltará a oferecer seus préstimos a candidatos Brasil afora. A bonança financeira ajudou a alimentar o estilo espalhafatoso.

No início deste ano, decidiu adotar um brasão para a família – um cê-cedilha com um círculo em volta, que tatuou no ombro e que adorna a pele de quatro de seus sete filhos e também seu helicóptero e seu avião. Tentará, agora, livrar-se de outra marca: a acusação por ter recebido 10,5 milhões de reais no exterior, crime por ele admitido em cadeia nacional.

 

Luiz Gushiken

Luiz Gushiken

Luiz Gushiken

Sem cargo no governo ou no PT desde 2006, o “China”, como era conhecido, abriu uma consultoria em 2007, cinco meses depois de deixar o Palácio do Planalto, onde era assessor especial. Na sua lista de clientes já estiveram, entre outros, a Vale e o Banco PanAme­ricano – que, logo depois dos serviços do petista, foi salvo pela Caixa Econômica Federal com uma injeção de 740 milhões de reais.

Em tratamento contra um câncer, ele passa a maior parte do tempo em sua chácara de 5 000 metros quadrados em Indaiatuba, no interior paulista, de onde só sai para ir a São Paulo a cada quinze dias, para a quimioterapia.

Gushiken é um dos poucos que nada têm a temer com o julgamento. Seu nome foi incluído porque um ex-diretor do Banco do Brasil o acusou de participar de desvio de recursos para o mensalão. Mas a Procuradoria-Geral da República não viu indícios suficientes e pediu sua absolvição.

 

João Paulo Cunha

João Paulo Cunha

João Paulo Cunha

O mensalão encolheu as ambições do deputado federal. Estrela em ascensão, era o nome do PT para o governo de São Paulo em 2006. Hoje, seu grande desafio é eleger-se prefeito de Osasco (SP), cidade onde trabalhou como metalúrgico, estreou no movimento sindical e construiu sua base eleitoral.

O caso de João Paulo Cunha acabou se transformando num dos mais emblemáticos do mensalão pela estrondosa materialidade dos rastros que deixou. Na lista de “clientes” de Marcos Valério, achou-se o nome da mulher do deputado.

Ela esteve três vezes na agência que fazia os pagamentos do mensalão. Questionado, o deputado mentiu: disse que a mulher fora pagar uma conta de TV a cabo. A quebra do sigilo revelou que ela havia sacado 50 000 reais da conta abastecida pelo “valerioduto”.

 

José Genoino

José Genoino

José Genoino

Figura ruidosa no Congresso e onipresente nos jornais antes do mensalão, José Genoino – que, como presidente do PT, avalizou empréstimos milionários, depois apontados como fictícios – foi um dos que mais sentiram os efeitos da hecatombe. Nos meses seguintes ao estouro do escândalo, trancafiou-se em casa e entrou em depressão. Mesmo amigos só se comunicavam com ele por e-mail.

Ainda conseguiu eleger-se deputado em 2006, mas o protagonismo se esvaiu. Quatro anos depois, não obteve os votos para reeleger-se e amargou uma suplência. Espera voltar à Câmara se for absolvido. Enquanto isso, o ex-guerrilheiro, um dos poucos sobreviventes do Araguaia, trabalha como assessor do Ministério da Defesa – que chegou a lhe dar a Medalha da Vitória, concedida a quem prestou serviços relevantes ao país.

 

Roberto Jefferson

Roberto Jefferson

Roberto Jefferson

O mais teatral dos protagonistas do escândalo, o ex-deputado federal que escancarou e batizou o mensalão foi cassado por quebra de decoro, mas continua a fazer política no posto de presidente do PTB. “Mantenho minha influência. Sou ouvido”, disse a VEJA.

Ensaiou uma volta à advocacia e eventualmente presta consultoria jurídica a amigos, mas a dedicação maior é à articulação nos bastidores. Inelegível até 2015, planeja, se absolvido, voltar à ribalta na Câmara na primeira eleição possível, em 2018.

Se for condenado da acusação de receber propina para manter o PTB na base de governo, já avisou sua turma: deixa a presidência do partido e, talvez, a política. No sábado 28, estava marcada uma operação para remover um tumor no pâncreas e ele terá de reverter a cirurgia bariátrica a que se submeteu em 1999. Diz que a chance de cura chega a 70%. Está confiante em que, mais para a frente, haverá duas vitórias para comemorar.

 

Valdemar costa neto

Valdemar Costa Neto

Valdemar Costa Neto

O mensalão existiu e o Valdemar recebeu”, vociferou numa sessão da CPI, em 2005, a socialite Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher do deputado e hoje promovida a sua inimiga figadal. Acusado de receber propina em troca de apoio político e de montar uma quadrilha para lavar o dinheiro, Valdemar Costa Neto continua onde sempre esteve e fazendo o que sempre fez – no Congresso, dirigindo o PR e tendo ideias vantajosas para ele e seu partido e ruinosas para o resto do Brasil. Foi do deputado a estratégia de lançar Tiririca como atração eleitoral do PR – o palhaço recebeu mais de 1,3 milhão de votos para a Câmara em 2010 e ainda arrastou junto políticos da categoria do ex-delegado Protógenes Queiroz.

 

A SITUAÇÃO DOS ENVOLVIDOS

Confira o que faziam na época e do que se ocupam hoje todos os personagens que tiveram a denúncia aceita pelo Supremo Tribunal Federal, e qual o seu papel no esquema, de acordo com a Procuradoria-Geral da República

 

Carlos Alberto Quaglia

Carlos Alberto Quaglia

Carlos Alberto Quaglia

 

O QUE FAZIA – Dono da Natimar

O QUE FAZ HOJE – Escritor

ACUSAÇÃO – A Natimar integrou a quadrilha que lavava a propina do valerioduto em favor da cúpula do PP

 

 

Anderson Adauto

 

Anderson Adauto

Anderson Adauto

 

O QUE FAZIA – Ministro dos Transportes de Lula até 2004

O QUE FAZ HOJE – Prefeito reeleito de Uberaba (MG)

ACUSAÇÃO – Recebeu 950 000 reais de Valério e intermediou a compra de apoio político

 

 

Bispo Rodrigues

Bispo Rodrigues

Bispo Rodrigues

 

O QUE FAZIA – Deputado (PL-RJ) e vice-presidente do partido

O QUE FAZ HOJE – Sócio de emissoras de rádio e televisão

ACUSAÇÃO – Recebeu propina para votar a favor do governo

 

 

 

Anita Leocádia

O QUE FAZIA – Assessora do deputado Paulo Rocha (PT-PA)

O QUE FAZ HOJE – Assessora do diretório nacional do PT

ACUSAÇÃO – Recebeu 620 000 reais do esquema em nome do deputado federal petista

 

Cristiano Paz

Cristiano Paz

Cristiano Paz

 

O QUE FAZIA – Empresário

O QUE FAZ HOJE – Empresário

ACUSAÇÃO – Sócio de Marcos Valério, ajudou a montar a estrutura que servia para mascarar o pagamento a deputados

 

 

 

Antonio Lamas

O QUE FAZIA – Assessor da liderança do PL na Câmara

O QUE FAZ HOJE – Trabalha como gerente em uma casa lotérica

ACUSAÇÃO – Intermediou repasses ao PL e integrou o grupo de Valdemar Costa Neto

 

Emerson Palmieri

Emerso Palmieri

Emerso Palmieri

 

O QUE FAZIA – Tesoureiro informal do PTB e diretor da Embratur

O QUE FAZ HOJE – Fazendeiro

ACUSAÇÃO – Ajudou a intermediar o pagamento da propina em favor do PTB

 

 

 

Ayanna Tenório

Ayanna Tenório

Ayanna Tenório

 

O QUE FAZIA – Executiva do Banco Rural

O QUE FAZ HOJE – Consultora

ACUSAÇÃO – Liberou empréstimos fraudulentos para as empresas de Marcos Valério, abastecendo o esquema

 

 

Enivaldo Quadrado

Enivaldo Quadrado

Enivaldo Quadrado

 

O QUE FAZIA – Diretor da corretora Bonus-Banval

O QUE FAZ HOJE – Empresário

ACUSAÇÃO – A Bonus-Banval fez a intermediação dos repasses ao PP, lavando o dinheiro e ocultando a sua origem

 

 

Breno Fischberg

Breno Fischberg

Breno Fischberg

 

O QUE FAZIA – Sócio da corretora Bonus-Banval

O QUE FAZ HOJE – Empresário

ACUSAÇÃO – A Bonus-Banval fez a intermediação dos repasses ao PP, lavando o dinheiro e ocultando a sua origem

 

 

Geiza Dias

Geiza Dias

Geiza Dias

 

O QUE FAZIA – Gerente financeira da SMP&B

O QUE FAZ HOJE – Analista do setor financeiro em uma agência de publicidade

ACUSAÇÃO – Era uma das operadoras do grupo de Valério

 

 

Henrique Pizzolato

Henrique Pizzolato

Henrique Pizzolato

 

O QUE FAZIA – Diretor de marketing do Banco do Brasil

O QUE FAZ HOJE – Aposentado

ACUSAÇÃO – Recebeu propina para favorecer uma agência de Marcos Valério na execução de contratos com o BB

 

 

Pedro Corrêa

Pedro Correa

Pedro Corrêa

 

O QUE FAZIA – Deputado (PP-PE) e presidente do partido

O QUE FAZ HOJE – Integra a direção nacional do PP

ACUSAÇÃO – Recebeu propina em troca de apoio ao governo e lavou o dinheiro

 

 

Jacinto Lamas

Jacintos Lamas

Jacintos Lamas

 

O QUE FAZIA – Tesoureiro do PL até fevereiro de 2005

O QUE FAZ HOJE – Funcionário da Câmara

ACUSAÇÃO – Ligado a Valdemar Costa Neto, intermediou parte dos repasses ao PL

 

 

 

Pedro Henry

Pedro Henry

Pedro Henry

 

O QUE FAZIA – Deputado federal (PP-MT) e líder do partido na Câmara em 2003 e 2004

O QUE FAZ HOJE – Deputado federal (PP-MT)

ACUSAÇÃO – Recebeu propina em troca de apoio ao governo

 

 

João Cláudio Genu

João Claudio Genu

João Claudio Genu

 

O QUE FAZIA – Assessor do então deputado José Janene

O QUE FAZ HOJE – Abriu empresa de gestão empresarial e consultoria imobiliária

ACUSAÇÃO – Foi intermediário do valerioduto para o PP

 

 

 

Professor Luizinho

Professor Luizinho

Professor Luizinho

 

O QUE FAZIA – Deputado (PT-SP) e líder do governo de abril de 2004 a março de 2005

O QUE FAZ HOJE – Consultor

ACUSAÇÃO – Recebeu 20 000 reais do valerioduto e ocultou a origem do dinheiro

 

 

 

João Magno

João Magno

João Magno

 

O QUE FAZIA – Deputado (PT-MG)

O QUE FAZ HOJE – Sócio de uma consultoria política

ACUSAÇÃO – Recebeu 360 000 reais do valerioduto e ocultou a transação valendo-se de um assessor e de seu tesoureiro

 

 

 

Ramon Hollerbach

Ramon Hollerbach

Ramon Hollerbach

 

O QUE FAZIA – Empresário

O QUE FAZ HOJE – Consultor

ACUSAÇÃO – Sócio de Valério, ajudou a mascarar o destino dos recursos. Também ordenou a doleiros os pagamentos a Duda Mendonça no exterior

 

 

José Borba

José Borba

José Borba

 

O QUE FAZIA – Líder do PMDB na Câmara dos Deputados

O QUE FAZ HOJE – Prefeito de Jandaia do Sul (PR)

ACUSAÇÃO – Recebeu propina para votar a favor de matérias de interesse do governo

 

 

 

Rogério Tolentino

Rogerio Tolentino

Rogério Tolentino

 

O QUE FAZIA – Advogado

O QUE FAZ HOJE – Advogado

ACUSAÇÃO – Era um dos principais elos entre o núcleo operacional da quadrilha e o Banco Rural. Era o braço direito de Marcos Valério

 

 

José Janene

José Janene

José Janene

 

O QUE FAZIA – Deputado (PP-PR)

O QUE FAZ HOJE – Faleceu em setembro de 2010

ACUSAÇÃO – Como líder da bancada, “fechou acordo com o PT, assumindo postura ativa no recebimento de propina”

 

 

Romeu Queiroz

Romeu Queiroz

Romeu Queiroz

 

O QUE FAZIA – Deputado (PTB-MG)

O QUE FAZ HOJE – Deputado estadual do PSB-MG

ACUSAÇÃO – Pegou propina para o PTB e para si próprio e ocultou a origem do dinheiro

 

 

José Luiz Alves

José Luiz Alves

José Luiz Alves

 

O QUE FAZIA – Chefe de gabinete de Anderson Adauto

O QUE FAZ HOJE – Diretor de empresa de saneamento ligada à prefeitura de Uberaba (MG)

ACUSAÇÃO – Recebeu 600 000 reais em nome de Adauto

 

 

Silvio Pereira

Silvio Pereira

Silvio Pereira

 

O QUE FAZIA – Dirigente do PT

O QUE FAZ HOJE – Empresário

ACUSAÇÃO – Coordenava a distribuição de cargos no governo. Ganhou um Land Rover de fornecedora da Petrobras. Fez acordo e não é mais réu

 

 

José Roberto Salgado

José Roberto Salgado

José Roberto Salgado

 

O QUE FAZIA – Executivo do Banco Rural

O QUE FAZ HOJE – É do conselho de administração do Rural

ACUSAÇÃO – Autorizou e renovou empréstimos fraudulentos para Valério

 

 

 

 

Simone Vasconcelos

Simone Vasconcelos

Simone Vasconcelos

 

O QUE FAZIA – Diretora administrativa e financeira da SMP&B

O QUE FAZ HOJE – Trabalha em locadora de veículos da família

ACUSAÇÃO – Era operadora de Valério

 

 

 

Kátia Rabello

Kátia Rabello

Kátia Rabello

 

O QUE FAZIA – Presidente do Banco Rural

O QUE FAZ HOJE – É uma das administradoras da holding do Rural

ACUSAÇÃO – O banco foi o braço financeiro do mensalão

 

 

 

Vinicius Samarane

Vinicius Samarane

Vinicius Samarane

 

O QUE FAZIA – Diretor do Rural

O QUE FAZ HOJE – Vice-presidente do Banco Rural

ACUSAÇÃO – Ajudou a omitir do sistema de informações do BC o nome dos beneficiários dos recursos do mensalão

 

 

 

Paulo Rocha

Paulo Rocha

Paulo Rocha

 

O QUE FAZIA – Líder do PT na Câmara dos Deputados entre fevereiro e agosto de 2005

O QUE FAZ HOJE – Presidente de honra do PT no Pará

ACUSAÇÃO – Recebeu 820 000 reais do valerioduto

 

 

 

Zilmar Fernandes

Zilmar Fernandes

Zilmar Fernandes

 

O QUE FAZIA – Sócia do publicitário Duda Mendonça

O QUE FAZ HOJE – Trabalha com Duda

ACUSAÇÃO – Recebeu pagamentos pelo esquema de lavagem de dinheiro de Valério

 

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